Governo Bolsonaro: depois da espionagem da Igreja Católica virá o quê?

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General Augusto Heleno que colocou agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar os preparativos do Sínodo da Amazônia convocado pelo Papa Francisco.

A língua inglesa tem ótimas palavras para expressar situações e casos que a portuguesa precisa de mais palavra para explicar.  Uma dessas palavras do Inglês é “disbelief” que vem a ser a falta de habilidade ou recusa de aceitar que alguma coisa é verdadeira ou real. 

Pois bem, “disbelief” foi a sensação que se apossou de mim quando li a notícia dando conta que o governo Bolsonaro está espionando a Igreja Católica em função da realização do Sínodo da Amazônia que foi convocado pelo Papa Francisco em 2017, e que ocorre sob acontece sob o lema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.  

O Sínodo na forma que foi convocado pelo Papa Francisco deverá realizar discussões essenciais para o Brasil, a começar pela situação dos povos indigenas da Amazônia, as mudanças climáticas causadas pelo desmatamento e a condição dos quilombolas amazônicos.

Segundo relatou a experiente jornalista Tânia Monteiro do “ESTADÃO”, para o ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, essa é uma agenda que visa interferir em um assunto interno do Brasil, e que seria “preciso entrar fundo nisso”.

Afora a clara intenção de interferir num Sínodo convocado por um Papa, revelando um pendor para o autoritarismo, essa predisposição de neutralizar uma agenda que claramente está revestida de elementos positivos para os interesses estratégicos do Brasil mostra uma falta de entendimento da natureza da própria Igreja Católica. É que, apesar de ser uma instituição que permite nuances ideológicas, a Igreja Católica é provavelmente a instituição que possui uma hierarquia que tolera isso em nome da centralidade da autoridade papal, Em outras palavras, querer interferir na dinâmica política da Igreja Católica é equivalente a tentar parar uma avalanche no peito: pode ser até corajoso, mas completamente inútil e mortal.

Não sou grande entendedor dos caminhos políticos que a Igreja Católica trilha, mas o reconhecimento de que o governo Bolsonaro está espionando bispos no Brasil e pretende fazê-lo também fora de nossas fronteiras nacionais vai acabar trazendo consequências salgadas para sua sustentação política junto a uma fração nada desprezível da população brasileira que segue as orientações emanadas do Vaticano.  Assim vamos ver como se darão as próximas liturgias nas milhares de igrejas católicas que existem no Brasil, já que elas refletem o que pensa o Papa.

Mais incrível ainda é a informação de que o governo Bolsonaro pretende acionar o da Itália para  interceder junto à Santa Sé para evitar ataques diretos à política ambiental e social do governo brasileiro durante o Sínodo sobre Amazônia.Eu sei que com o atual ministro das Relações Exteriores tudo é possível em termos de ignorância em relação aos protocolos diplomáticos, mas esperar que o governo italiano entre nesse tipo de briga é, no mínimo, pouco sagaz.

bolsonaro italia

Mas é provável que o próximo a se sentir tomado pela condição de “disbelief” seja o General Augusto Heleno. É que o Papa Francisco não vem sendo conhecido por ser um pontífice acomodador em questões que ele julga essenciais para os caminhos da Igreja Católica deve trilhar.

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