A “reforma” que irá jogar o Brasil de volta para o Século 19

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Deputados da base do governo Bolsonaro celebram aprovação da contrarreforma da previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Cãmara de Deputados.

A contrarreforma da Previdência que estará sendo aprovada no dia de hoje em primeiro turno por um Câmara de Deputados totalmente conservadora representa um golpe duríssimo para a classe trabalhadora brasileira. Somada à contrarreforma trabalhista e a chamada PEC do Teto de Gastos, a contrarreforma da Previdência evapora com os parcos instrumentos de justiça social que foram consagrados pela Constituição Federal de 1988.

A economia de R$ 1 trilhão que o governo Bolsonaro diz que fará graças a esse ataque brutal aos trabalhadores que ganham até R$ 2 mil que arcarão com 80% da “economia” que será feita não vai acabar com nenhum privilégio, mas aprofundar os privilégios dos ultrarricos brasileiros, mantendo espremida no meio uma classe média cada vez mais empobrecida.

Esse “sanduíche” social retoma níveis de desigualdades existentes no Século 19, ao condenar a maioria dos brasileiros a viver em um país sem serviços públicos básicos e cada vez mais pobres.  E como venho frisando em diferentes postagens, combina-se com isso o uso exarcebado de produtos químicos que aumentarão exponencialmente os casos de doenças graves graças ao envenenamento de alimentos e dos recursos hídricos.

Além disso, há que se frisar que, ao contrário do que dizem os representantes do governo Bolsonaro, essa contrarreforma não tocará nos privilégios da alta burocracia estatal, incluindo o legislativo, o judiciário e as forças armadas.  A esses segmentos será franqueada a manutenção de aposentadorias polpudas, enquanto se nega aos trabalhadores braçais e aos camponeses, bem como às suas viúvas, aposentadorias que pudessem garantir um mínimo de qualidade de vida após décadas de trabalho duro.

Um detalhe que está sendo ignorado e que trará graves consequências sociais é o fato de que uma quantidade significativa de municípios  brasileiros sobrevivem da renda dos aposentados. Ao se enxugar a renda dos aposentados, o governo Bolsonaro está também amputando as poucas fontes de recursos que têm mantido não apenas famílias, mas cidades inteiras. O que está se plantando com esta contrarreforma é o empobrecimento brutal de regiões inteiras, em um momento que o país já se ressente de quase cinco anos de regressão econômica.

A aparente calma que reino em grandes centros urbanos deve-se especificamente ao fato de que a maioria dos brasileiros ainda não se deu conta da verdadeira derrama que o governo Bolsonaro prepara contra a classe trabalhadora e os segmentos mais pauperizados da população brasileira. Essa calma aparente certamente não durará muito após os que estão tendo seus direitos defenestrados entenderem o tanto que estão perdendo. 

O Brasil, lamentavelmente, caminha para um ciclo de graves convulsões sociais. E quanto este ciclo começar não adiantará gestos de arminha na mão ou idas a estádios de futebol para mudar o jogo político. Simples assim!

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