O caso Decotelli: um vexame em evolução

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O caso envolvendo o novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, parece ainda não ter chegado ao seu ápice. É que depois de ter tido o seu alegado título de Doutorado pela Universidade Nacional de Rosário desmentido publicamente pelo reitor da instituição argentina, agora o que está sendo questionada é a legitimidade acadêmica da dissertação de mestrado que ele defendeu no programa de Mestrado Profissional da Fundação Getúlio Vargas.

É que segundo o professor Thomas Conti, doutor em Desenvolvimento Econômico pela UNICAMP e professor do Instituto de Ensino Insper, a dissertação intitulada “Banrisul do PROES ao IPO com governança corporativa” possui trechos inteiros extraídos ao de um documento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) do Banrisul (ver imagem abaixo).

decotelli plágio

Independente do montante retirado diretamente do documento da CVM para o interior da dissertação de Carlos Alberto Decotelli, o fato se reveste em mais um mico acadêmico, que terá impactos diretos na legitimidade dos futuros atos do novo ministro da Educação. Isto se o orientador da dissertação na FGV,  o Dr. Luís Cesar Gonçalves, não decidir tomar alguma providência para se afastar academicamente do seu ex-orientando.

Como professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, dediquei uma parte significativa dos meus anos de sala de aula oferecendo uma disciplina chamada “Fundamentos da Metodologia da Pesquisa”, onde um dos itens abordados se referia explicitamente aos problemas legais e acadêmicos decorrentes da prática de plágio. É que o plágio normalmente resulta na retirada do título que o plagiador recebeu ao violar uma das regras básicas da preparação de qualquer documento acadêmico.

No tocante ao plágio, é interessante notar que existem várias modalidades deste tipo de prática que transgride os princípios básicos da boa prática científica, que são: Integral: cópia de um trabalho inteiro, sem citar a fonte;  Parcial: ‘colagem’ resultante da seleção de parágrafos ou frases de um ou diversos autores, sem menção às obras; Conceitual: utilização da essência da obra do autor expressa de forma distinta da original.   Aparentemente o novo ministro da Educação incorreu no tipo de plágio parcial que é inobstante sua parcialidade poderia ser motivo de anulação do seu título de mestre pela FGV, caso alguém de dentro ou de fora da instituição decida solicitar uma apuração formal do caso.

Como se vê, o caso do ministro Carlos Alberto Decotelli parece ainda estar em evolução, com chances concretas do vexame público aumentar significativamente.

 

 

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