Estudo mostra consequências do uso de agrotóxicos por agricultores envolvidos no cultivo de tomate em São José de Ubá (RJ)

agrotóxicos tomates

A edição de Dezembro de 2020 do periódico científico “Revista de Saúde Pública”  contém o artigo intitulado “Exposição ocupacional a agrotóxicos e sintomas de saúde entre agricultores familiares no Brasil” que apresenta os resultados de uma pesquisa realizada em São José do Ubá (SJU), município localizado na região Norte Fluminense, maior produtor de tomate do Rio de Janeiro e um dos maiores em todo o Brasil, obteve resultados preocupantes no tocante aos impactos causados pela exposição intensiva e contínua a agrotóxicos.

SJU

O estudo que contou com a participação de 78 agricultores familiares identificou os principais sintomas presentes em agricultores e seus ajudantes  decorrentes da aplicação de agrotóxicos, principalmente na cultura do tomate. Os dados de sintomas e exposição foram coletados por meio de entrevistas e os resultados de saúde mental por um questionário auto aplicado.  Amostras de sangue de foram analisadas para avaliar os níveis de colinesterase. Os indicadores de exposição e sintomas foram comparados entre agricultores que trabalham com agrotóxicos e seus ajudantes para verificar se havia alguma diferença na condição de saúde dos dois grupos de agricultores.

Os resultados do estudo mostram que os pequenos agricultores familiares em SJU estavam ocupacionalmente e ambientalmente expostos a agrotóxicos desde jovens, pois viviam perto de plantações, e trabalhavam sem treinamento de segurança, suporte técnico ou com os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

Em relação aos produtos utilizados, foram citados 49 agrotóxicos pertencentes 31 grupos químicos, principalmente os organofosforados, tais como Acefato e Clorpirifós,  carbamatos como o fungicida Mancozebe e o inseticida Metomil, inseticidas piretróides como Lambda-Cialotrina e Deltametrina. Mas também foram identificados agrotóxicos pertencentes aos grupos Nitrilos, Diamidas, Neonicotinóides, Avermectinas, e o Benzimidazol. A maioria desses produtos químicos é classificada como extremamente e altamente tóxica para o seres humanos. Além disso, cerca de 30% dos aplicadores não sabiam quais agrotóxicos estavam aplicando porque outra pessoa faz a mistura e eles só aplicam. O Glifosato e o Paraquate foram citados por 35% e 17%, respectivamente, mas são proibidos para o cultivo de tomate no Brasil. Os extremamente tóxicos, tais como Clorpirifós e 2,4-D são proibidos para a cultura do tomate no Brasil, e o altamente tóxico Endosulfan já foi proibido, mas também foi mencionado como estando em uso nas plantações em SJU.

Inicialmente, os autores da pesquisa estimavam que os agricultores estariam mais expostos a agrotóxicos e apresentariam mais sintomas do que os seus ajudantes que auxiliam nas atividades de cultivo. No entanto, a maioria dos sintomas teve maior prevalência entre ajudantes atuais e ex-ajudantes, mesmo após o ajuste para possíveis fatores de confusão, incluindo gênero. Uma explicação para este fato pode ser que os ajudantes também estão muito expostos aos agrotóxicos devido à sua maior exposição residencial, menor treinamento e  maior envolvimento em tarefas de reentrada no mesmo dia ou dia após a pulverização, quando menos EPIs. 

Com base nos resultados obtidos, os pesquisadores envolvidos concluíram que a alta exposição a agrotóxicos deve ser uma grande 
preocupação com a saúde pública, pois reduz a qualidade de vida dos agricultores, afeta a força de trabalho rural e aumenta a carga de comorbidades e mortalidade, e também os custos com serviços de saúde.  

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