Legado de destruição: Amazônia perde 11.568 km² somente no governo de Jair Bolsonaro

Dados do sistema Prodes registraram 11.568 km² de área desmatada na Amazônia em 2022, número muito aproximado da média de 11.396 km² de desmatamento que foi o “padrão de destruição” da gestão bolsonarista

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Manaus, 30 de novembro de 2022 – Dado anual de desmatamento do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia por Satélite) do Inpe, foi divulgado hoje (30) e revela que entre agosto de 2021 e julho de 2022, 11.568 km² foram desmatados na Amazônia. O governo Bolsonaro termina seu mandato com um legado de 45.586 km² desmatados. Segundo o sistema Prodes, o estado que mais desmatou a Amazônia foi o Pará (35,8%), seguido do Amazonas (22,54%), Mato Grosso (16,48%) e Rondônia (13,07%).

Como em 2021, a gestão de Jair Bolsonaro seguiu optando por omitir o dado anual de desmatamento até o término da conferência da ONU sobre mudanças climáticas, COP27, realizado entre os dias 6 a 20 de novembro, no Egito. A atitude é mais uma das ações do governo federal que buscam camuflar seu vexatório legado de muita destruição. “Passou da hora de iniciarmos a retomada da soberania sobre o território Amazônico, que pasmem, não perdermos para nenhum estrangeiro, mas sim por nossa própria falta de comprometimento com o meio ambiente. A falta de controle sobre nossas fronteiras, rios, unidades de conservação, territórios indígenas e florestas públicas, tornou a Amazônia um solo fértil para a expansão do garimpo ilegal, roubo de madeira, desmatamento, e para o estabelecimento do crime organizado”, avalia André Freitas, coordenador de Amazônia do Greenpeace Brasil. “A mensagem passada pelo governo federal ao longo dos quatro anos encorajou um sentimento que a Amazônia é terra de ninguém e que aqui se pode tudo.”

A análise do Prodes também indica que houve perda expressiva de floresta em Unidades de Conservação (UCs), com 134.728 hectares desmatados; Terras Indígenas (TIs), 28.248 hectares, e Florestas Públicas Não Destinadas (FPNDs) que registrou a cifra de 372.519 hectares desmatados. Como no Prodes do ano anterior, o Amazonas, que mostrava tendência de crescimento do desmatamento, manteve sua posição como o segundo estado que mais desmatou a Amazônia. A atividade ilegal concentra-se na porção sul, em municípios como Lábrea, Boca do Acre e Apuí.

Os dados deste ano ainda apontam para a alta concentração de desmatamento na região conhecida como Amacro, acrônimo das siglas dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia — região conhecida como a nova fronteira do desmatamento, pois visa fomentar a expansão agropecuária a partir de um modelo que se alimenta diretamente da destruição da floresta. Somente no último ano, nessa região, a Amazônia perdeu 4.207 km² um aumento de 18,59%, na comparação com 2021. E nos quatro anos de governo Bolsonaro, o desmatamento na Amazônia Legal de 45.586 km², foi o equivalente a quase 30 vezes a cidade de São Paulo ou 432,64 vezes o tamanho de Paris. 

O avanço dessa nova fronteira do desmatamento é preocupante pois chega cada vez mais perto do maior bloco contínuo de floresta da Amazônia conservada, vital para o clima e para a biodiversidade do Brasil e do mundo. No caminho da reconstrução do meio ambiente, será de fundamental importância ter um plano robusto de controle do desmatamento, que inclua a retomada da estratégia de criação de áreas protegidas, respeito aos direitos dos povos da floresta e a devida responsabilização por crimes ambientais; além do combate ao garimpo e da grilagem. Para isso, será fundamental que o próximo governo fomente uma transição ecológica que estabeleça na Amazônia uma economia predominante que consiga conviver com a floresta em pé e que traga um real desenvolvimento para a região.

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