BHP Billiton muda de nome, mas não escapa de ação de R$ 26.5 bilhões

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A mineradora BHP Billiton, uma das co-proprietárias da hoje tristemente conhecida Mineradora Samarco, acaba de informar aos seus acionistas que irá mudar de nome ao abandonar o “sobrenome” Billiton, passando a se chamar simplesmente BHP [1].

Esta manobra de “rebranding” certamente serve o propósito de dificultar a associação da empresa com o maior desastre da mineração mundial, pelo qual permanece totalmente impune até hoje no Brasil (onde, aliás, nem precisaria mudar de nome para continuar suas operações).

Mas esse “rebranding” não livrará a BHP Billiton de responder a uma ação nas cortês britânicas cujo custo poderá ultrapassar R$ 26 bilhões de reais, segundo o que informou o jornal “Estado de Minas” em matéria assinada pelo jornalista Mateus Parreiras [2].

Ainda bem que a impunidade com que a BHP Billiton e a Vale foram beneficiadas no Brasil não são o padrão que deve prevalecer nas ações judiciais que as empresas estão tendo que responder ou ainda terão que responder em países com sistemas judiciários minimamente independentes por causa do incidente sócio-ambiental que elas causaram em Bento Rodrigues.


[1] https://markets.businessinsider.com/news/stocks/bhp-to-drop-billiton-from-its-name-1027541443

[2] https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2018/09/22/interna_gerais,990825/entenda-acao-bhp-billinton-pagar-5-bi-de-libras-tragedia-de-mariana.shtml

Grupo canadense lança relatório sobre colapsos dos reservatórios de rejeitos de Mount Pauley e Mariana

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O projeto “Corporate Mapping Project” que reúne pesquisadores de diversas instituições canadenses (e que se foca na investigação do poder da indústria dos combustíveis fósseis)acaba de lançar o relatório “Tailings dam spills at Mount Polley and Mariana: Chronicles of disasters foretold” (em portugues leria como sendo “Os derramamentos em Mount Polley e Mariana: crônicas de desastres anunciados”.

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Esse relatório conta ainda com a colaboração do  Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) que reúne pesquisadores de diversas instituições brasileiras, incluindo a UFJF, a UFRJ e da UEG.

O desastre de Mount Polley, també, mina localizada na Colúmbia Britânica, ocorreu em agosto de 2014, quando uma barragem que continha rejeitos tóxicos de mineração de cobre e ouro colapsou, causando o maior desastre ambiental na história da mineração do Canadá.  Em Novembro de 2015 ocorreu maior desastre envolvendo mineração na América Latina, em Mariana, Brasil, quando houve o rompimento de um reservatório de rejeitos ainda maior, da empresa Mineradora Samarco (Vale + BHP Billiton).  

Em ambos os casos, o relatório argumenta que os desastres eram evitáveis e ocorreram em função do comportamento irresponsável das mineradoras envolvidas, que contaram com a disposição dos seus respectivos governos que, entre outras coisas, simplificaram os processos de revisão e aprovação das licenças ambientais, reduziram a supervisão da operação dos reservatórios de rejeitos, e facilitaram as exigências regulatórias para empresas de energia e mineração.

Quem desejar acessar este relatório, basta clicar [Aqui!], enquanto o seu sumário executivo pode ser baixado [Aqui!]

TsuLama da Samarco: atingidos fecham estrada em Barra Longa (MG) para exigir direitos

Municipio Barra Longa-MG, atingido pela lama da barragem de mine

Faltando pouco mais de 3 meses para que os atingidos pelo TsuLama da Samarco (Vale + BHP Billiton) completem três anos em que sofrem com o completo descaso das mineradores que causaram o maior acidente ambiental da mineração nos últimos 300 anos em todo o mundo, moradores do município de Barra Longa começaram o dia de hoje em luta por seus direitos.

O interessante que há uns poucos dias assisti a um documentário de uma TV espanhola onde o drama dos atingidos e a inércia das mineradores em reparar os danos causados foram abordados de forma lapidar.

Enquanto isso no Brasil, a mídia corporativa rapidamente retirou o foco de Bento Rodrigues, enquanto o governo de Fernando Pimentel (PT) não vem medindo esforços para que as mineradoras voltem a operar em Mariana, usando basicamente os mesmos sistemas de estocagem de resíduos que resultaram no incidente ambiental que matou 19 pessoas e causou danos imensuráveis aos ecossistemas do Rio Doce, desde a nascente até a sua foz em Regência.

Por isso todo apoio à luta dos atingidos do TsuLama da Samarco (Vale+ BHP Billiton).

Atingidos fecham via em Barra Longa na luta por direitos

Por Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

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Cerca de 40 atingidos pela Samarco em Barra Longa, , organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), estão na entrada da cidade bloqueando a passagem de veículos da Fundação Renova para o acesso a cidade. Desde as 6h30 da manhã os atingidos fecham a via de principal acesso a cidade. A principal reivindicação é a presença do presidente da Fundação Renova, pois, para os atingidos, ele tem o poder de decisão sobre os seguintes pontos:

– Reconhecimento das mulheres como atingidas e pagamento do auxílio financeiro emergencial às mulheres que perderam renda com o rompimento da barragem;

-Reconhecimento de todas as famílias apresentadas na lista de problemas na moradia e reposta rápida a essas famílias;

– Pagamento de aluguel, de acordo com o pago para as demais famílias atingidas, para as famílias que estão em casas em situação de risco;

-Agilidade na compra do terreno para o reassentamento da comunidade de Gesteira;

-Reconhecimento do direito ao reassentamento para todas as famílias apresentadas na lista do reassentamento de Gesteira;

-Antecipação de indenização para todos os atingidos que perderam moradia e que estão na lista do reassentamento;

-Pagamento de tratamento adequado de saúde para as pessoas com exames que indicam contaminação por metais pesados, o que envolve: atendimento em São Paulo ou em Belo Horizonte, deslocamento até o local do atendimento, fornecimento de água mineral para essas famílias, pagamento de medicamentos e de auxílio financeiro emergencial para as respectivas famílias;

– Agilidade na reconstrução das casas do parque de exposição, com apresentação de prazo para as famílias estarem novamente em suas casas;

– Indenização justa às famílias atingidas, com parâmetros acordados coletivamente entre os atingidos.

– Reconhecimento aos garimpeiros por terem perdido a atividade econômica após o rompimento da barragem, com pagamento de auxílio financeiro emergencial e indenização.

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Os atingidos não sairão da via até saírem com uma data e horário com o Presidente da Fundação Renova, Roberto Waack, e sua diretoria. “Sabemos que o senhor Roberto Waack tem o poder de decisão sobre as direções da Fundação Renova. Exigimos a presença dele aqui em Barra Longa, pois estamos cansados de tanta enrolação desses representantes que vem aqui na cidade e nada resolvem ”, reivindica Simone Silva.

FONTE: https://www.facebook.com/MAB.Brasil/?hc_ref=ARTHH_d7uKr0s1Gr1zTGRdXiBRrL1tMbSNvg7xsmIp_n5_bhk3oyO911aeyfDQSC0F0&fref=nf&__xts__[0]=68.ARCZjd-nBP1bqskKkXnla16H4hOL45qj7aa41d_O6FN7Yhs7-W-h5O4xvMiwkghThQsHpolv0ZjUWo8PtClj4aSf47lonJ4zGSm6X4jQRZxrsuUQ5NlZ5nerPZU3rBaSP9xMYomFB8_A&__tn__=kCH-R

 

TsuLama da Samarco: acionistas entram com ação coletiva contra a BHP Billiton na Austrália

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AFP/Archivos / Yasuyoshi Chiba

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A empresa de mineração australiana BHP informou nesta segunda-feira (23/07) que vai se opor a uma ação coletiva movida na Austrália, que a acusa de violação das suas obrigações de informação e de mentir no desastre ecológico mortal causado no Brasil pela sua controlada Samarco.

Dezenove pessoas morreram em consequência do tsunami de lixo tóxico causado pela ruptura de uma barragem em uma mina em Minas Gerais em 2015.

A BHP e a Vale, co-proprietários da Samarco, chegaram no mês passado brasileiro a um acordo com as autoridades brasileiras para resolver uma ação civil por um preço de R$ 20 bilhões   (US$ 5,3 bilhões) por causa dos custos trazidos pela tragédia.

A ação coletiva australiana alega que houve problemas com a barragem nos anos anteriores a 2015 e que a BHP deveria ter considerado os riscos e informado os seus investidores.

Na semana passada, a BHP anunciou que provisionou US $ 650 milhões em relação à catástrofe ocorrida no Brasil.

O desastre causou uma queda acentuada nas ações da BHP, e por causa disso cerca de 3.000 investidores se juntaram para entrar com essa ação coletiva.

FONTE: https://www.afp.com/es/noticias/838/demanda-judicial-colectiva-en-australia-contra-bhp-por-catastrofe-en-brasil-doc-17v2k82

Estudo revela que TsuLama pode ser “bomba relógio de metais pesados” no Rio Doce

Lama da Samarco pode ser “bomba-relógio” de metais pesados no Rio Doce

Rejeitos provenientes do desastre em Mariana (MG) continuam chegando ao estuário do Rio Doce

 

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Resíduos do reservatório da Samarco em Minas Gerais continuam chegando ao estuário do Rio Doce e o material está associado a metais pesados que correm o risco de serem liberados no ambiente – Foto: Divulgação / Esalq

Uma “bomba-relógio” com metais pesados continua ameaçando o estuário do Rio Doce, mesmo após dois anos e meio do vazamento de 50 milhões de metros cúbicos (m3) de rejeitos de mineração do reservatório da Samarco, localizado no distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (Minas Gerais). Essa conclusão é resultado de um estudo desenvolvido em parceria por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“A ideia era de que a maior parte daquele material liberado após o acidente ficasse nas proximidades da barragem e do município de Mariana. No entanto, a lama chegou a Regência, uma vila localizada no litoral do Espírito Santo, região importante ecologicamente, com intensa atividade de pesca e turismo, onde o Rio Doce deságua”, lembra Tiago Osório Ferreira, professor do Departamento de Ciência do Solo da Esalq.

Segundo o estudo, o rejeito continua chegando ao estuário e o material está associado a metais pesados, que correm o risco de serem liberados no ambiente. “Em função das condições locais de solo, esses metais podem, a médio ou longo prazo, ser biodisponibilizados”, complementa o docente.

Parte desse estudo foi publicada pelo pesquisador Hermano Queiroz, doutorando do programa de pós-graduação em Solos e Nutrição de Plantas, da Esalq. Queiroz identifica alguns dos metais encontrados. “Identificamos cobre, manganês, zinco, cromo, cobalto, níquel, chumbo, todos eles associados ao rejeito”, ressalta.

Novo desastre

A disponibilização de metais pesados em um sistema estuarino pode resultar em novo desastre. “Alguns desses metais são tóxicos e podem se acumular em plantas e peixes, acarretando efeitos potencialmente nocivos sobre a fauna e a flora associadas a esse ecossistema”, destaca o professor Ferreira.

Águas do Rio Doce em Galileia (Minas Gerais), com a lama da barragem da Samarco que se rompeu no município de Mariana em 5 de novembro de 2015 – Foto: Eli Kazuyuki Hayasaka via Wikimedia Commons/CC BY-SA 2.0

Os pesquisadores alertam ser perigoso considerar apenas os patamares atuais de contaminação. “Olhando para os níveis de contaminação de hoje, apenas o níquel e o cromo, entre os metais analisados, estão em níveis superiores ao permitido pela legislação brasileira. No entanto, essa visão estática não acompanha a dinâmica da movimentação do material que segue em direção ao estuário periodicamente; por exemplo, cada vez que chove, mais rejeito é depositado”, constata Queiroz.

Além disso, considerar os índices totais de contaminação mascara o fato do rejeito rico em ferro ser uma fração instável, podendo ser solubilizado e facilitar a liberação dos metais pesados. “Os oxihidróxidos de ferro, nas condições de solo estuarino, são suscetíveis a dissolução, o que poderá aumentar a biodisponibilidade e o risco de contaminação por metais”, observa o pesquisador.

O estudo faz parte do projeto Rede de Solos e Bentos na Foz do Rio Doce (Rede SoBEs RIO DOCE), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes), e pode ser lido, na íntegra, em https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048969718315547. Sob solicitação, os resultados foram apresentados ao governo do Estado do Espírito Santo.

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Com informações da Assessoria de Comunicação da Esalq,  Mais informações: e-mails hermanomelo@usp.br, com Hermano Queiroz; e toferreira@usp.br, com o professor Tiago Osório Ferreira

FONTE: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-ambientais/lama-da-samarco-pode-ser-bomba-relogio-de-metais-pesados-no-rio-doce/

Lançamento do livro “​DESASTRE NA BACIA DO RIO DOCE: Desafios para a universidade e para instituições estatais”

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Lançamento do livro “​DESASTRE NA BACIA DO RIO DOCE: Desafios para a universidade e para instituições estatais” organizado por Cristiana Losekann (UFES) e Claudia Mayorga ​(UFMG). Uma iniciativa do Organon – Núcleo de estudo, pesquisa e extensão em mobilizações sociais (UFES) e do Observatório Interinstitucional Mariana Rio Doce (UFMG-UFES-UFOP).

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Acompanhar, compreender e buscar reparação para o desastre causado pelo crime socioambiental da mineradora Samarco, no Rio Doce, em Mariana/MG, foram tarefas que diversos atores se propuseram a empreender, buscando aspectos do desastre levando-se em conta a perspectiva das comunidades atingidas ao longo de dois anos de desastre. O objetivo central desta obra é apresentar ao público geral e aos próprios atingidos um balanço acerca das reivindicações e processos institucionais em curso, além de provocar reflexões e autorreflexões sobre a atuação da universidade, da ciência e de instituições de justiça.

As autoras e os autores da obra têm em comum uma atuação enraizada nas comunidades atingidas durante todos esses anos de desastre, o que permitiu consolidar as diferentes experiências de pesquisas como uma reflexão do ocorrido a partir de questões ligadas aos problemas de gênero, do trabalho e dos efeitos das próprias atividades científicas no cotidiano das comunidades afetadas. O livro conta também com os relatos e análises de duas instituições de Estado ativas nesse caso, a Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES) e o Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG), ambas apresentando aspectos centrais de suas atuações nesses dois anos desde o rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais.

O livro tem distribuição gratuita e pode ser acessado [Aqui!]

O fantasma do mar de lama

Minas Gerais possui quase 50 barragens de rejeitos que podem produzir desastres ambientais semelhantes ao de Mariana em 2015. Apesar de estudos que alertam para os riscos, mineradoras não realizam obras que poderiam evitar tragédias

Crédito: Antonio Milena

ALERTA Depois de quase romper, barragem da CSN em Congonhas (MG) pode ser ampliada (Crédito: Antonio Milena)

Por André Vargas

Os riscos de novas rupturas de barragens de rejeitos de mineração pairam sobre cidades de Minas Gerais, quase dois anos e meio após o desastre de Mariana, que matou 19 pessoas, destruiu o subdistrito de Bento Rodrigues e poluiu o Rio Doce até sua foz, afetando 230 municípios. Um levantamento da Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam) aponta que 48 estruturas estão em situação precária ou precisam ser monitoradas com atenção. Em todo o estado há 435 barragens de rejeitos, 51% do total existente no País.

Em Congonhas, cidade histórica que abriga os Doze Profetas e Via Crucis, do escultor Aleijadinho, a Barragem Casa de Pedra, da CSN, precisou passar por reformas urgentes em 2017. Com 79 metros de altura, a base de seu dique fica a menos de 300 metros de bairros onde residem quase 5 mil pessoas. Em caso de rompimento, não haveria plano de evacuação que funcionasse a tempo para evitar que uma onda de lama atingisse a cidade. Em abril, a estrutura foi considerada segura e a CSN aguarda licença para elevar o dique.

Em Rio Acima e Nova Lima, na Grande Belo Horizonte, a manutenção de duas precárias barragens abandonadas da Mundo Mineração, subsidiária da australiana Mundo Minerals, teve que ser assumida pelo poder público. A empresa extraía ouro, gerando rejeitos altamente tóxicos, como cianeto. Nenhum responsável legal foi encontrado para desativar os reservatórios. “As ações não deram resultado”, lamentou a promotora ambiental Andressa Lanchotti, do Ministério Público mineiro. Em caso de vazamento nesses locais, haveria contaminação do Rio das Velhas, onde é feita captação de água para 3 milhões de habitantes da Grande BH.

Desconfiança

Já em Itabirito, a Vale pretende erguer a Barragem Maravilhas 3, com 86 metros de altura e capacidade para 108 milhões de metros cúbicos de rejeitos – três vezes o volume do reservatório rompido da Samarco. A Vale alega que cumprirá todas as normas e que fez estudos adequados. Mesmo assim, a desconfiança persiste. Junto com a australiana BHP Billinton, a empresa é sócia da Samarco. Os problemas potenciais não param por aí. O braço da Vale que explora manganês possui sete estruturas que não foram garantidas pela auditoria da Feam. Cinco delas ficam no entorno da Mina do Fundão, em Nazareno, uma na usina de Ouro Preto e outra em Conselheiro Lafaiete.

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Desde o desastre de Mariana há um esforço para limitar novas barragens. O MP-MG apresentou sugestões que estão paradas no Legislativo mineiro. As principais são vetar barragens acima de comunidades, proibir obras de elevação a partir do topo do dique e incentivar métodos alternativos de armazenamento. “Não se pode altear mais do que três metros por ano por razões de segurança, mas no Brasil tudo pode”, critica o professor de Engenharia Hidráulica da Unifei Carlos Barreira Martinez.

“A mina se esgota, as mineradoras vão embora e o problema fica” Carlos Barreira Martinez, professor de Engenharia Hidráulica da Unifei

Professor de Engenharia de Minas da UFMG e pesquisador de barragens, Evandro Moraes da Gama diz que existem alternativas de armazenamento que podem gerar receita e que isso só não ocorre por falta de diálogo entre as empresas. No processamento de minério de ferro, a areia fina e o pó de rocha resultantes podem ser usadas na indústria de cimento. “O material pode virar um agregado seco estocável”, diz. Outra possibilidade é transformá-lo em brita e tijolos.

Depois de Mariana, outro acidente ambiental ganhou repercussão. Em fevereiro, fortes chuvas causaram o transbordamento de rejeitos de bauxita do reservatório da usina da norueguesa Hydro Alunorte, em Barcarena, Pará. A empresa negou qualquer problema ambiental. Porém, laudos do Instituto Evandro Chagas (IEC), de Belém, detectaram índices elevados de chumbo, sódio, nitrato e alumínio nos cursos d’água próximos e peritos encontraram dutos clandestinos que despejavam poluentes. Mais de 500 famílias ribeirinhas foram afetadas. Há casos de diarréia e vômitos na população, além de mortandade de peixes. Diante das evidências, a empresa recuou. “Vertemos água de chuva e de superfície não tratada”, afirmou o CEO Svein Brandtzaeg, em março. A negativa de dano ambiental foi mantida, porém não sem consequências. O ministro da Indústria Torbjorn Isaksen terá que dar explicações ao parlamento norueguês. O governo é o principal acionista da Hydro e lá os contribuintes cobram responsabilidades. Uma atitude que deveria ser seguida por aqui.

FONTE: https://istoe.com.br/o-fantasma-do-mar-de-lama/