Agrotóxicos disparam no Brasil e crescem 2,6 vezes mais que a área plantada

Um levantamento realizado pela pesquisadora Sonia Hess, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ajuda a dimensionar uma tendência preocupante na agricultura brasileira. O gráfico abaixo mostra que, entre 2019 e 2024, o consumo de agrotóxicos no Brasil cresceu muito mais rapidamente do que a área cultivada.

Enquanto a área plantada aumentou 17,98%, a quantidade de agrotóxicos comercializados no país saltou 46,25% no mesmo período. Em outras palavras, o uso desses produtos cresceu 2,6 vezes mais do que a expansão da área agrícola.

Esse descompasso não é um detalhe estatístico. Uma parte significativa desse aumento está associada ao uso de agrotóxicos que já foram banidos em diversos países, devido aos seus efeitos nocivos sobre o meio ambiente e a saúde humana. No Brasil, muitos desses produtos chegam ao mercado por meio da importação de agrotóxicos genéricos, produzidos majoritariamente na China.

O paradoxo é evidente. Cerca de 80% dos agrotóxicos utilizados no Brasil são aplicados em culturas voltadas à exportação, e a China figura justamente como o principal destino de boa parte dessas commodities agrícolas. Assim, produtos químicos proibidos em várias partes do mundo acabam sendo amplamente utilizados aqui para produzir alimentos e matérias-primas destinados ao mercado internacional.

O resultado é uma grave situação de injustiça ambiental: os impactos ambientais e sanitários ficam no Brasil, enquanto os benefícios econômicos da produção agrícola se concentram nas cadeias globais de comércio.

Diante desse cenário, torna-se urgente tirar do papel a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos e ampliar os investimentos em modelos de produção capazes de reduzir a dependência desses insumos. Promover a produção de alimentos livres de agrotóxicos não é apenas uma questão ambiental — é também uma medida essencial para proteger a saúde da população brasileira e os ecossistemas do país.

STJ retomará nesta terça-feira (17) julgamento sobre a responsabilidade penal do ex-presidente da Vale pelo rompimento da barragem em Brumadinho

Julgamento estava suspenso desde 16 de dezembro, quando o Ministro Saldanha Palheiro, da 6.a. Turma, pediu vista dos autos do recurso especial do MPF que busca reincluir Fabio Schvartsman no banco dos réus. Dois Ministros já haviam votado pela procedência do recurso. Familiares das vítimas acompanharão a sessão

O julgamento do recurso especial do Ministério Público Federal (MPF), pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), para reincluir Fábio Schvartsman na ação por homicídio doloso duplamente qualificado por 270 mortes, será retomado nesta terça (17/3). O anúncio da nova data foi divulgado ao final da tarde da última sexta (13/3), mas mesmo assim representantes da AVABRUM e seus advogados vão à Brasília para acompanhar presencialmente a sessão desta terça, 14h, com transmissão ao vivo pelo youtube do STJ.

A expectativa é que o ex-presidente volte ao processo. “O posicionamento dos dois Ministros que já votaram mostra que temos razão e que há argumentos sólidos para que Fábio Schvartsman volte a ser réu e responda pelos seus atos, permitindo que a justiça siga seu curso” afirma Maria Regina da Silva, vice-presidente da AVABRUM.

Em setembro de 2025, o relator Sebastião Reis votou pela procedência do recurso. Ao defender seu posicionamento, declarou que a decisão que retirou Fabio Schvartsman do processo “violou o artigo 413 do CPP por ter adentrado no exame aprofundado e pormenorizado de fatos e provas indiciárias usurpando a competência do juízo natural da causa, na hipótese a denúncia não é genérica descreve de forma ampla os fatos que culminaram com as mortes de 270 pessoas na região de Brumadinho e afetou o meio ambiente.”

Na defesa do recurso, a representante da Procuradoria-Geral da República, lembrou que a farta documentação, com provas robustas, não imputa a responsabilidade ao Fábio Schvartsman pelo simples fato de ocupar o cargo de presidente da Vale. Segundo a Sub Procuradora Geral, Dra. Ana Borges, a responsabilidade imputada é pelo risco assumido de morte em condições devastadoras, por 270 vezes. O MPF alega que foi uma tragédia anunciada. O presidente da empresa tinha o dever de agir e evitar as mortes. Algo previsível, calculado, conhecido e assumido: o risco de uma abrupta ruptura da estrutura.

Depois do primeiro pedido de vista, o julgamento foi retomado em dezembro de 2025, com a apresentação do voto-vista do Ministro Rogerio Schietti Cruz, o qual acompanhou o posicionamento do relator, levando o placar para 2 a 0 pela procedência do recurso do MPF.

Segundo os advogados Danilo Chammas e Pablo Martins, da equipe de Litígio em Direitos Humanos do Instituto Cordilheira, representantes da AVABRUM nos processos criminais, “ambos os ministros apresentaram votos muito consistentes, o que nos faz manter a esperança de que os outros três ministros restantes seguirão o mesmo posicionamento”.

“Estamos há 7 anos e dois meses sem nossos amores e o retorno do julgamento nos traz esperança de que a justiça será realizada. É como se 272 pessoas, enterradas vivas, não fossem suficientes para responsabilizar quem tinha poder de evitar as mortes”, afirma Nayara Porto, presidente da AVABRUM.

Entenda o vai e vem do processo

Em fevereiro de 2020, Fábio Schvartsman se tornou réu sob a acusação de crimes de homicídio doloso duplamente qualificado, por 270 vezes, e diversos crimes ambientais em decorrência do rompimento da barragem em Brumadinho. Em março de 2024, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6) decidiu pelo trancamento das ações penais em relação ao ex-CEO da Vale, ao acatar um habeas corpus apresentado por sua defesa. Diante dessa decisão, o MPF interpôs um recurso especial que foi remetido ao STJ, para que ele volte a responder pelo crime de homicídio duplamente qualificado

Ánálise identificou “pontos críticos” de glifosato e câncer em Iowa e outros estados do meio-oeste dos EUA

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Por Carey Gillam para “The New Lede” 

Uma nova análise relaciona o uso elevado do herbicida glifosato a taxas elevadas de linfoma não Hodgkin (LNH), particularmente no Centro-Oeste dos Estados Unidos, reforçando anos de pesquisa que associam o câncer ao herbicida popularizado pela Monsanto.

A análise feita pela Food & Water Watch (FWW), uma organização sem fins lucrativos de defesa da saúde pública, examinou os condados que aplicam as maiores quantidades de herbicidas à base de glifosato no país, concentrando-se naqueles que estão entre os 20% que mais utilizam glifosato em culturas agrícolas.

Em seguida, o grupo cruzou esses dados com as taxas de incidência de linfoma não Hodgkin (LNH). Entre as descobertas, o grupo afirmou que 60% dos condados com alto uso de glifosato apresentavam taxas de LNH acima da média nacional.

A maior sobreposição entre a aplicação de glifosato e o linfoma não Hodgkin foi observada no Centro-Oeste, uma importante região agrícola dos EUA.

Um mapa dos pontos críticos mostra aglomerados de taxas de linfoma não Hodgkin (LNH) particularmente altas em muitas partes de Iowa, o principal estado produtor de milho do país e um dos cinco principais estados produtores de soja. Ambas as culturas foram geneticamente modificadas para tolerar a pulverização com glifosato.

Iowa tem a segunda maior taxa de câncer do país e é  um dos três únicos estados onde a incidência de câncer está aumentando , de acordo com os Institutos Nacionais de Saúde. A análise da FWW constatou que 82% das áreas com alta incidência de pulverização de glifosato apresentavam taxas elevadas de incidência de linfoma não Hodgkin.

A FWW afirmou que baseou sua análise em dados do Programa de Uso de Produtos Químicos Agrícolas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) e no banco de dados de Perfis Estaduais de Câncer do Instituto Nacional do Câncer. O mapa exibe apenas os condados que estão entre os 20% com maior aplicação total de glifosato por quilômetro quadrado e que também possuem dados em nível de condado sobre a incidência de linfoma não Hodgkin (LNH), segundo a FWW.

“É impressionante que muitos dos condados que mais utilizam glifosato sejam também ‘pontos críticos’ para o linfoma não Hodgkin — um câncer associado à exposição ao glifosato”, disse Amanda Starbuck, diretora de pesquisa da FWW.

Sarah Green, diretora executiva do Conselho Ambiental de Iowa, que tem uma iniciativa em andamento para explorar a relação entre fatores de risco ambiental e taxas de câncer em Iowa, disse que a nova análise não foi surpreendente.

“Sabemos que as taxas de câncer em Iowa atingiram níveis alarmantes, e pesquisas crescentes mostram que os habitantes de Iowa enfrentam riscos desproporcionais devido à exposição a produtos químicos agrícolas, incluindo glifosato, atrazina, acetoclor e nitratos provenientes de fertilizantes e da aplicação de esterco”, disse ela. “O que é especialmente notável é que os habitantes de Iowa não estão expostos a apenas um fator de risco, mas frequentemente a vários simultaneamente.”

Green alertou que correlação não implica causalidade e afirmou que é necessário realizar pesquisas mais abrangentes sobre os impactos na saúde das exposições ambientais.

O glifosato foi introduzido pela Monsanto na década de 1970 e, por muito tempo, tem sido um herbicida amplamente utilizado na agricultura, bem como em uma variedade de usos comerciais e residenciais. Popularmente conhecido como Roundup, o uso desse produto químico disparou depois que a Monsanto introduziu culturas geneticamente modificadas para tolerar o glifosato, facilitando aos agricultores o controle de ervas daninhas em suas plantações sem prejudicar as culturas geneticamente modificadas.

Com o aumento do uso, cresceu também o escrutínio científico dos potenciais riscos ambientais e para a saúde humana associados ao produto químico.

Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, parte da Organização Mundial da Saúde, classificou o agrotóxico como provavelmente cancerígeno para humanos, observando ligações com o linfoma não Hodgkin.

Em 2019, pesquisadores publicaram um estudo que constatou que pessoas com alta exposição a herbicidas à base de glifosato apresentavam um risco 41% maior de desenvolver linfoma não Hodgkin, classificando as evidências como “uma ligação convincente” entre o produto químico e o câncer.

Diversos cientistas se reunirão ainda este mês em um simpósio para analisar as pesquisas sobre o glifosato em relação aos seus potenciais impactos na saúde.

A professora Lianne Sheppard , da Universidade de Washington , que está organizando o simpósio e é uma das autoras do estudo de 2019, afirmou que as evidências sobre os potenciais riscos do glifosato para a saúde continuam a aumentar.

“Desde a publicação do nosso estudo, acumularam-se evidências de que os herbicidas à base de glifosato causam danos ao DNA e afetam os mecanismos de reparo do DNA, o que pode resultar em câncer, e que os cânceres do sangue, como o linfoma não Hodgkin, podem ser os mais afetados”, disse ela.

Dezenas de milhares de pessoas nos Estados Unidos processaram a Monsanto e a empresa alemã Bayer, que comprou a Monsanto em 2018, alegando que a exposição aos herbicidas à base de glifosato da empresa causou o desenvolvimento de linfoma não Hodgkin (LNH).

A Monsanto, e posteriormente a Bayer, afirmam que seus produtos não causam câncer. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) sustenta que o glifosato “ provavelmente não é cancerígeno para humanos“.


Fonte: The New Lede

Redução de espécies marinhas coloca em risco saúde de comunidades pesqueiras do litoral nordestino

Foto: Luiz Rocha / Integramar

A segurança nutricional de comunidades pesqueiras do litoral nordestino pode correr risco diante da redução de espécies marinhas ameaçadas de extinção pelas mudanças climáticas, ambientais e pelo crescimento da pesca comercial. Isso é o que alerta artigo de pesquisadores brasileiros da Rede Integramar, das universidades federais do Rio Grande do Norte (UFRN), de Santa Maria (UFSM) e do Pará (UFPA), em parceria com universidades internacionais, e publicado na segunda (16) na revista People and Nature.

A pesquisa mostra que os pescados são a principal fonte de proteína animal das famílias pesqueiras nordestinas, representando de 30% a 40% da ingestão mensal, seguida de ovos (15-20%) e frango (8-15%). Além disso, correspondem a mais de 70% da oferta dos nutrientes avaliados, em especial cálcio, selênio e ômega-3. Diante da iminente redução do consumo de peixes (ricos em cálcio, ferro, selênio e ácidos graxos Ômega 3), a saúde dos moradores locais pode ser afetada, aumentando o risco de desnutrição, anemia, doenças cardiovasculares e problemas cognitivos.

Para chegar a estes dados, em 2024, a equipe entrevistou 111 famílias de pescadores, de seis comunidades dos estados do Rio Grande do Norte (Touros, Rio do Fogo e Baía Formosa) e Pernambuco (Ipojuca, Tamandaré e São José da Coroa Grande) – todas com amplo potencial de pesca comercial e artesanal. O estudo também listou 122 espécies mais capturadas e consumidas e simulou a potencial extinção delas em cenários climáticos futuros com base em características como tamanho, vulnerabilidade e nível na cadeia alimentar. A partir dessas informações, os pesquisadores estimaram o impacto na saúde nutricional das famílias.

Por exemplo, a possível extinção de 25% das espécies de peixes poderia reduzir em mais de 70% a oferta dos nutrientes avaliados. Quando se trata de espécies mais nutritivas perdidas, a redução de nutrientes poderia ultrapassar 90%. “Se o peixe desaparecer, as famílias não necessariamente vão passar fome, pois restam ainda as outras opções de alimentos, mas podem ficar mal nutridas. Ou seja, não se trata apenas de comida na mesa, mas da qualidade dessa comida”, observa o pesquisador Fabrício Albuquerque, um dos autores do artigo.

Albuquerque explica que o estudo mostra que conservar a biodiversidade tem impacto direto na saúde das comunidades tradicionais e que a partir deste levantamento é possível orientar políticas públicas de proteção também de espécies com alto valor nutricional (ou seja, para além do valor econômico), como peixes papagaio e sardinhas, e de áreas de interesse ambiental, como recifes e manguezais. “A perda de biodiversidade atinge de forma desigual quem mais depende dela. Assim, proteger os peixes do Nordeste brasileiro é também proteger as pessoas que vivem do mar e sua cultura”, conclui o pesquisador.


Fonte: Agência Bori

A lógica das guerras assimétricas em ação no Golfo Pérsico

Por que o conflito com o Irã pode se transformar em um pesadelo estratégico para Washington

No dia 4 de março publiquei aqui no blog um texto em que listava vários elementos capazes de transformar a incursão militar da aliança EUA–Israel contra o Irã em algo semelhante a um novo Vietnã para os Estados Unidos.

Passados alguns dias, vários daqueles pontos começam a se confirmar. O primeiro deles é a própria duração do conflito, que já desmente a expectativa de uma operação rápida capaz de forçar uma mudança política interna em Teerã. A ideia de que os iranianos seriam facilmente empurrados para uma solução “à la Venezuela”, baseada em pressão externa e colapso político interno, simplesmente não se materializou.

Mesmo após intensos bombardeios sobre o território iraniano — com milhares de alvos militares atingidos segundo autoridades norte-americanas — não há sinais claros de que os objetivos estratégicos iniciais estejam próximos de ser alcançados, especialmente a chamada “decapitação” da liderança política iraniana.

O problema de muitas análises iniciais é que elas partiram de uma premissa equivocada: imaginaram que a enorme disparidade militar entre os envolvidos seria suficiente para definir rapidamente o resultado da guerra. Se isso fosse verdade, o conflito já teria terminado há muito tempo. O que estamos assistindo, na realidade, é um caso clássico de guerra assimétrica.

Nesse tipo de conflito, o lado mais fraco não tenta competir diretamente no mesmo plano militar do adversário. Ao contrário: ele se prepara exatamente para explorar a desigualdade de forças, transformando-a em instrumento estratégico. A lógica não é vencer batalhas convencionais, mas aumentar os custos políticos, econômicos e logísticos da guerra para o adversário mais poderoso.  É exatamente isso que começa a aparecer no teatro de operações.

Embora os Estados Unidos e Israel mantenham ampla superioridade tecnológica e aérea, o Irã vem respondendo de forma indireta, atingindo pontos sensíveis da presença militar e energética ocidental no Golfo. Ataques a navios e instalações energéticas, além de ações no Estreito de Hormuz, têm provocado enorme tensão no comércio global de petróleo.

Esse detalhe é fundamental. O estreito é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo. Qualquer interrupção significativa ali tem efeitos imediatos sobre os preços internacionais da energia e sobre a estabilidade econômica global. Em outras palavras: o Irã pode não ter condições de derrotar militarmente a coalizão adversária em campo aberto, mas possui capacidade suficiente para desorganizar o sistema energético que sustenta a economia mundial. É exatamente aí que a assimetria se transforma em vantagem estratégica.

Ao deslocar o campo do confronto para infraestrutura, logística e mercados energéticos, Teerã cria um cenário em que cada dia adicional de guerra passa a gerar efeitos colaterais globais. O preço do petróleo já disparou e os custos de transporte e seguro marítimo aumentaram dramaticamente. O resultado é que o conflito deixa de ser apenas militar e passa a ser também econômico e geopolítico.E esse é justamente o tipo de guerra que as grandes potências têm enorme dificuldade de vencer rapidamente.

Por isso, o desfecho permanece altamente imprevisível. O mundo já atravessava um período de desaceleração econômica antes mesmo dessa crise, e o prolongamento do conflito tende a ampliar pressões inflacionárias, perturbações logísticas e incertezas nos mercados energéticos.

Para países como o Brasil, os efeitos podem aparecer de forma indireta, mas significativa. Nossa economia depende fortemente do agronegócio exportador, cuja estrutura produtiva é intensiva em fertilizantes, insumos químicos e combustíveis. Um choque prolongado nos preços da energia e no transporte internacional tende a elevar custos de produção e pressionar preços internos.

Em outras palavras: mesmo que a guerra ocorra a milhares de quilômetros de distância, seus impactos podem chegar rapidamente à economia brasileira.  E há um agravante político.

Se o conflito continuar ao longo dos próximos meses, não é impossível que o Brasil enfrente pressões inflacionárias justamente no segundo semestre — período que coincide com o calendário eleitoral. O risco, nesse cenário, seria a combinação clássica de baixo crescimento econômico com aumento de preços, algo muito próximo de um quadro de estagflação. 

No final das contas, a grande ironia desse conflito é que ele começou sob a promessa de ser uma operação rápida e decisiva. Mas, como tantas vezes na história, guerras iniciadas com a expectativa de vitória fácil podem acabar se transformando em armadilhas estratégicas de longo prazo.  E é exatamente isso que começa a aparecer no horizonte.

A cratera da Sete de Setembro: um problema antigo que volta a colocar motoristas em risco

Dez anos depois de uma obra inaugurada às pressas, o mesmo ponto da avenida volta a ceder — agora com acidentes e sinalização precária

Uma obra que parecia não ter fim

Quem mora na Avenida Sete de Setembro ou circula com frequência pela região provavelmente ainda se lembra do ano de 2012. Naquele período, uma obra que parecia interminável transformou a rotina dos moradores em um verdadeiro teste de paciência. Meses de transtornos, poeira, barulho e intervenções mal coordenadas fizeram parte do cotidiano de quem vive ou trabalha nas proximidades da avenida.

Ao final, a obra foi inaugurada às pressas, claramente com o objetivo de dar fôlego à campanha de reeleição de Rosinha Garotinho. A tentativa de capitalizar politicamente a entrega da obra não teve impacto eleitoral, mas deixou como herança um problema que nunca foi plenamente resolvido.

Um defeito que insiste em reaparecer

Desde a conclusão daquela intervenção, um ponto específico da avenida passou a apresentar um comportamento recorrente: o asfalto cede. Sempre que isso ocorre, a solução adotada parece ser a mesma. Realiza-se um reparo pontual, o trecho é remendado e, por algum tempo, a situação parece estabilizada. No entanto, não demora muito para que o problema retorne exatamente no mesmo lugar.

Esse padrão sugere algo bastante evidente. Não se trata apenas de um defeito superficial no pavimento, mas possivelmente de um problema estrutural mais profundo, relacionado à base da via, à drenagem ou mesmo à forma como a obra foi executada originalmente. Enquanto a causa real não for enfrentada de maneira definitiva, a tendência é que o ciclo de afundamentos e remendos continue se repetindo.

Março de 2026: a cratera volta a abrir

Foi exatamente isso que voltou a acontecer agora, em março de 2026. Uma grande cratera abriu-se novamente na Avenida Sete de Setembro, evidenciando que o problema permanece ativo e sem solução duradoura.

O que já seria preocupante por si só tornou-se ainda mais grave pela maneira como a situação foi tratada ao longo deste sábado, 14 de março. A cratera permaneceu no local com uma sinalização claramente precária e, mais grave ainda, sem qualquer iluminação que permitisse sua identificação adequada durante a noite.

Quando o risco vira acidente

Diante desse cenário, o que aconteceu era praticamente previsível. Pelo menos dois veículos se envolveram em acidentes ao atingir a cratera ao longo do dia. A situação torna-se ainda mais preocupante quando se considera o padrão de circulação na própria avenida.

A Sete de Setembro é uma via onde muitos motoristas trafegam em velocidades elevadas, especialmente no período noturno. Sem mecanismos eficazes de controle de velocidade e diante de uma sinalização improvisada, o risco de novos acidentes permanece alto. Na prática, a cratera transforma-se em um obstáculo inesperado no meio da pista, capaz de surpreender condutores que só percebem o problema quando já é tarde demais.

Um problema que exige ação imediata

Diante de uma situação como essa, o mínimo que se espera do poder público é uma resposta rápida e eficaz. A cratera precisa ser devidamente sinalizada, iluminada e isolada de maneira adequada para evitar novos acidentes. Mais do que isso, é necessário enfrentar o problema de forma definitiva, investigando suas causas e realizando uma intervenção estrutural que impeça a repetição do problema.

A responsabilidade por garantir a segurança viária na cidade envolve diretamente o Instituto Municipal de Trânsito e Transporte de Campos, que deveria atuar de forma preventiva diante de riscos tão evidentes.

A cratera da Sete de Setembro não é apenas um buraco no asfalto. Ela é o retrato de um problema antigo, de soluções improvisadas e de uma negligência que pode transformar transtornos em tragédias. Quando acidentes começam a acontecer, o alerta já foi dado. Resta saber se alguém no poder público está disposto a ouvi-lo antes que algo mais grave aconteça.

Alô IMTT, cadê você? 🚧🚗⚠️

A indústria dos certificados e o surgimento dos “acumuladores de diplomas”

O crescimento da certificação em massa e seus efeitos sobre a qualidade da formação profissional e da pós-graduação no Brasil 

A expansão acelerada do ensino à distância, especialmente quando impulsionada por políticas públicas que priorizam quantidade em vez de qualidade, vem produzindo um fenômeno cada vez mais visível: o surgimento de uma nova categoria de usuários que pode ser chamada de “acumuladores de certificados”.

São pessoas que percorrem sucessivos cursos on-line — muitas vezes de curta duração, com avaliações superficiais e monitoramento praticamente inexistente — com um objetivo central: colecionar certificados. O foco deixa de ser a aquisição real de conhecimento e passa a ser a multiplicação de credenciais formais.

A facilidade de acesso a esses cursos, combinada com a fragilidade dos mecanismos de controle utilizados por diversas plataformas educacionais e programas governamentais, permite que uma mesma pessoa reúna dezenas de certificados de graduação, extensão e especialização. No papel, o resultado pode parecer impressionante: um currículo que atravessa múltiplas áreas do conhecimento e sugere uma formação intelectual extraordinariamente ampla. Mas a aparência engana.

A aprendizagem real exige tempo, aprofundamento e prática. É impossível atravessar múltiplos campos do conhecimento em poucos meses apenas acumulando certificados digitais. Na prática, o que se observa muitas vezes é a formação de currículos inflados por documentos que pouco dizem sobre as competências efetivas de quem os apresenta.

Para muitos desses acumuladores, a frustração surge quando a pilha de certificados não se traduz em oportunidades reais de trabalho. Isso ocorre porque, fora do universo burocrático que emite esses documentos, o mercado de trabalho tende a valorizar competências verificáveis, experiência concreta e formação consistente.

Assim, grande parte desses certificados acaba tendo valor bastante limitado. Em muitos casos, são apenas registros formais de participação em cursos cuja exigência acadêmica é mínima — quando não resultam de processos marcados por avaliações simbólicas ou aprovação praticamente automática.

Nos últimos anos, esse fenômeno passou a assumir uma dimensão ainda mais preocupante. Muitos desses acumuladores de certificados começaram a direcionar seus esforços para o ingresso em universidades públicas, buscando ampliar ainda mais seu repertório de credenciais por meio de programas de mestrado e doutorado. A lógica permanece a mesma: aumentar o número de títulos.

O problema é que, ao entrar na pós-graduação, esses indivíduos passam a acessar recursos públicos significativos, principalmente por meio de bolsas financiadas pelo Estado. Bolsas que deveriam apoiar pesquisadores promissores e projetos capazes de gerar conhecimento relevante acabam, em alguns casos, financiando trajetórias acadêmicas frágeis.

Parte desse problema decorre do fato de que muitas universidades públicas não possuem mecanismos institucionais eficazes para identificar esse tipo de trajetória. Em outros casos, a dificuldade não é apenas técnica, mas também política: falta disposição institucional para enfrentar um fenômeno que expõe fragilidades do próprio sistema de avaliação acadêmica.

O resultado é um paradoxo preocupante. Recursos escassos — especialmente em países que já investem pouco em ciência e educação superior — acabam sendo desperdiçados. Ao mesmo tempo, indivíduos pouco preparados continuam acumulando credenciais, inflacionando ainda mais o valor simbólico dos diplomas. Quando títulos acadêmicos passam a circular em grande quantidade sem correspondência com formação real, o próprio sistema educacional perde credibilidade.

Para países como o Brasil, esse processo pode ter consequências particularmente graves. O desenvolvimento econômico e tecnológico depende da existência de profissionais altamente qualificados, capazes de inovar, produzir conhecimento e enfrentar problemas complexos. Isso exige sistemas educacionais rigorosos, exigentes e comprometidos com padrões acadêmicos elevados.

Quando a lógica dominante passa a ser a da certificação em massa, o resultado tende a ser o oposto do desejado: um ambiente educacional repleto de títulos, mas pobre em formação substantiva.

Por isso, torna-se urgente discutir os limites da atual expansão do ensino à distância. O problema não está na modalidade em si — que pode, quando bem estruturada, ampliar o acesso ao conhecimento. O problema está na forma como ela vem sendo utilizada em muitos contextos: com baixa exigência acadêmica, pouca supervisão e forte incentivo à produção rápida de certificados.

Se nada for feito, continuará a crescer uma geração de acumuladores de diplomas que, apesar da aparência de formação extensa, permanece distante das competências reais que um país precisa para se desenvolver. Conter essa indústria de certificados é, portanto, mais do que uma questão educacional. É uma questão de responsabilidade com o futuro do próprio sistema de ensino e com o desenvolvimento do Brasil.

Terceirização, equipamentos e cadeiras novas na Uenf… mas o processo do novo PCV continua parado

Quem folheou o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro (DOERJ) desta sexta-feira encontrou uma pequena coleção de editais de licitação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) que, somados, chegam à respeitável cifra de R$ 6.097.834,43. Uma bagatela, claro — especialmente quando distribuída entre necessidades aparentemente urgentes como cadeiras novas (R$ 1.022.473,50), serviços de condutores de veículos (R$ 4.660.306,20), recarga e manutenção de extintores de incêndio (R$ 204.897,83), computadores de alta performance para produção audiovisual (R$ 680.516,00) e projetos executivos de combate a incêndio e proteção contra descargas atmosféricas (R$ 552.114,40). Há de tudo um pouco, como em um catálogo administrativo: da terceirização do transporte institucional a sofisticadas máquinas destinadas a impulsionar a produção audiovisual da universidade.

Naturalmente, cada uma dessas despesas pode ter sua justificativa técnica. Afinal, cadeiras são úteis, extintores precisam funcionar e raios costumam cair sem pedir autorização prévia. Ainda assim, é difícil não levantar uma sobrancelha diante do entusiasmo administrativo quando o assunto é abrir licitações para novas aquisições, ao mesmo tempo em que permanece curiosamente imóvel a promessa de entrega do novo Plano de Cargos e Vencimentos da Uenf (PCV) — uma pauta que, ao que tudo indica, segue aguardando em alguma gaveta menos iluminada do governador Cláudio Castro (PL).

A curiosidade também se estende a alguns detalhes pitorescos. Quem exatamente será contemplado com esses computadores de “alta performance” destinados à produção audiovisual? Que volume de conteúdo está prestes a ser produzido para justificar tal investimento? E, sobretudo, por que determinadas áreas da gestão parecem operar em ritmo acelerado enquanto outras seguem presas a um prolongado estado de contemplação administrativa?

De todo modo, justiça seja feita: a reitoria da Uenf claramente tem prioridades. Talvez o PCV não esteja entre elas — ao menos por enquanto. Mas há uma boa notícia para todos: se nada mudar, cada servidor da universidade criada por Darcy Ribeiro e Leonel Brizola poderá ao menos refletir sobre essas prioridades sentado em uma cadeira novinha em folha. Afinal, conforto institucional também é política pública, especialmente em uma instituição cujos salários estão corroídos pela inflação em mais de 50%.

Crise? Que Crise? O Porto do Açu e a Operação ‘Sorria para a Foto

Tudo indica que a equipe responsável pelo controle de mídia do Porto do Açu recebeu uma orientação bastante clara: iniciar uma ofensiva midiática para tentar conter os danos causados pela revelação de que a empresa assumiu o controle do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMMADS) de São João da Barra — façanha viabilizada por um assento garantido por sua subsidiária, a discretamente conveniente “RPPN Fazenda Caruara”.

Digo isso porque, nos últimos dias, voltamos a assistir àquele velho roteiro: visitas às redações da mídia corporativa local, acompanhadas de fotos sorridentes em que representantes do porto aparecem lado a lado com os proprietários dos veículos de comunicação. Talvez cientes de que a mídia corporativa já não tem o mesmo poder de moldar percepções como antes, observa-se também a mobilização de uma tropa auxiliar bastante útil: os chamados influencers, agora empenhados em “vender o peixe” do Porto do Açu — ainda que, ao que tudo indica, o odor do produto não seja exatamente dos mais agradáveis (vide a imagem abaixo como exemplo).

No que diz respeito ao item destacado na imagem — os supostos “projetos voltados para a comunidade” — vale sugerir uma leitura menos publicitária e mais instrutiva: a dissertação da agora mestre em Políticas Sociais pela UENF, Jesa Mariano. No trabalho, os chamados projetos sociais do empreendimento são analisados com o tipo de rigor analítico que, curiosamente, costuma faltar nas peças promocionais distribuídas pelo próprio porto.

Há, no entanto, um fato que nenhuma estratégia de comunicação consegue disfarçar: a ascensão do Porto do Açu à chefia do CMMADS de São João da Barra constitui um descalabro difícil de qualificar sem recorrer a uma boa dose de ironia. A notícia provocou um misto de incredulidade e indignação entre muitos sanjoanenses, que seguem aguardando — talvez com uma paciência já digna de estudo científico — algum retorno positivo capaz de compensar os elevados custos socioambientais que o empreendimento vem impondo ao município.

Resíduos de PFAS oriundos de agrotóxicos estão presentes em produtos agrícolas da Califórnia

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Por Shannon Kelleher para “The New Lede”

A agricultura da Califórnia enfrenta um problema com PFAS, com traços de “químicos eternos” provenientes de agrotóxicos encontrados em 37% de quase mil amostras de produtos agrícolas cultivados convencionalmente no estado, de acordo com uma nova análise de dados de 2023 do Departamento de Regulamentação de Pesticidas da Califórnia (CDPR).

análise , publicada em 11 de março pelo Environment Working Group (EWG), encontrou resíduos de substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS) em 40 tipos de frutas e vegetais. Os produtos individuais frequentemente continham múltiplos tipos de substâncias químicas PFAS, com resíduos de 10 PFAS diferentes encontrados em morangos, e mais de 90% dos nectarinas, ameixas e pêssegos testados para fludioxonil, um pesticida PFAS considerado um disruptor endócrino pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. 

Os autores descobriram que, anualmente, 2,5 milhões de libras de agrotóxicos  contendo PFAS são aplicadas em terras agrícolas da Califórnia, contaminando potencialmente o solo e a água locais. Quase metade dos vegetais e mais de três quartos das frutas e nozes consumidas nos Estados Unidos são cultivadas na Califórnia.

“Estamos ingerindo PFAS, bebendo PFAS, respirando PFAS”, disse Sakereh Maskal, Líder de Políticas e Defesa da Rede de Ação contra Pesticidas e Agroecologia. “A ganância insaciável da indústria química transformou nossos corpos em zonas de sacrifício em nome do lucro.”

Os compostos PFAS são prevalentes no meio ambiente em todo o mundo, onde permanecem por anos sem se decompor, e também nos corpos de humanos e animais, com estudos encontrando-os no sangue de cerca de 98% dos americanos. Alguns PFAS foram associados a certos tipos de câncer, colesterol alto, diminuição da eficácia de vacinas e outros problemas de saúde.

“Num momento em que os americanos exigem um sistema alimentar mais saudável, descobrimos que os principais alimentos básicos de uma dieta saudável estão contaminados com substâncias químicas associadas a sérios danos à saúde”, disse Bernadette Del Chiaro, vice-presidente sênior do EWG para a Califórnia, em um comunicado .

As conclusões surgem num momento em que as ações regulatórias da administração Trump sobre agrotóxicos se tornam cada vez mais contrárias ao movimento Make America Healthy Again (MAHA). No mês passado, a administração citou razões de segurança nacional para justificar o pedido de aumento da produção do controverso herbicida glifosato, vendido como Roundup, uma medida que enfureceu os membros do movimento MAHA .

A análise do EWG surge na sequência da publicação, em dezembro de 2025, do relatório mais recente do Departamento de Agricultura dos EUA sobre agrotóxicos , baseado em dados de 2024. O relatório encontrou resíduos de pelo menos um agrotóxico em mais de 57% das quase 10.000 amostras de alimentos testadas, com menos de 1% dos produtos contendo resíduos acima do limite legal estabelecido pela Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA). O grupo Beyond Pesticides criticou as tolerâncias da EPA por não considerarem adequadamente populações vulneráveis, como trabalhadores rurais e crianças, e a exposição a misturas de produtos químicos.

Aumento do uso de pesticidas contendo PFAS

Cientistas e especialistas afirmam que os agrotóxicos  contendo PFAS representam uma área de crescente preocupação, com pesquisas recentes encontrando PFAS no sangue de peixes em águas próximas a áreas agrícolas e florestais. Um estudo de 2024 constatou que os PFAS são adicionados cada vez mais a pesticidas, representando agora 14% de todos os ingredientes ativos desses produtos químicos.

Resultados de testes independentes, divulgados em uma análise separada esta semana pelo grupo Public Employees for Environmental Responsibility (PEER), encontraram múltiplos produtos químicos PFAS no herbicida Indaziflam (vendido como Rejuvra), aplicado em plantações para controlar gramíneas invasoras. O produto está sendo pulverizado ou seu uso está sendo considerado em milhões de hectares de terras federais. 

“A descoberta de substâncias químicas tóxicas em um produto destinado ao uso em áreas de grande escala deveria soar o alarme”, disse Chandra Rosenthal, defensora de terras públicas da PEER, em um comunicado . “Nossas terras públicas não devem ser expostas a substâncias químicas cujos impactos permanecem desconhecidos.”

A EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) está atualmente analisando pedidos dos departamentos de agricultura do Arkansas e do Missouri para conceder uma isenção emergencial ao pesticida PFAS tetflupirolimet, que não foi registrado pela EPA – uma medida que permitiria a aplicação do produto químico no solo com menos rigor regulatório . Os estados propõem usar o herbicida para controlar a grama-arroz invasora, que reduz drasticamente a produtividade das lavouras e se tornou resistente a diversos outros herbicidas. Se concedida, a isenção permitiria o tratamento de até 546.000 acres de arrozais no Arkansas e 100.000 acres no Missouri. 

“Esta não é uma situação de emergência”, disse Sarah Alexander, diretora executiva da Associação de Agricultores e Jardineiros Orgânicos do Maine, observando que a resistência a herbicidas é um problema comum e previsível na agricultura convencional e que existem alternativas na agricultura orgânica.

“Acho que usar isenções emergenciais para aprovações de pesticidas PFAS é um precedente muito perigoso”, disse ela.

A EPA afirmou que ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre os pedidos de isenção emergencial dos estados. 

“Todas as ações tomadas pela EPA de Trump são guiadas pelo Estado de Direito, pela Ciência de Alto Padrão e pela Transparência Radical”, disse um porta-voz da agência.


Fonte: The New Lede