Vídeos mostram a situação em Barão de Cocais pré-Tsulama de Gongo Soco

para onde correr

Os vídeos abaixo, os dois primeiros produzidos pela Defesa Civil de Minas Gerais e o terceiro de uma afiliada da Band, mostram a situação pré-ruptura do talude norte da cava de Gongo Soco na área que romperá e seus efeitos na população de Barão de Cocais (MG).

Informações vindas de Barão de Cocais dão conta que há uma grande insatisfação em relação à forma com que a Vale vem tratando mais esse rompimento de uma das suas barragens no estado de Minas Gerais.

Os vídeos abaixo podem ser considerados como um testemunho do que ainda virá e de porque não se pode deixar com que a narrativa da Vale seja a única a ser veiculada, visto que isto faz parte da estratégia da empresa de controle dos territórios destruídos pela ruptura de suas barragens de rejeitos.

 

 

Análise integrada de riscos aponta que perigo de Gongo Soco está sendo subestimado

GONGO SOCO AMEAÇA

Desde o início de fevereiro venho acompanhando com bastante preocupação a situação envolvendo a mina de Gongo Soco que a mineradora Vale opera (ou operava) no município de Barão de Cocais, quando foram soadas as sirenes de alerta para prevenir a população para um eventual ruptura da barragem de rejeitos Sul Superior (ver vídeo abaixo).

Eu, como a maioria das pessoas que acompanham o problema, tenho me atido a me preocupar com o volume de rejeitos que escapariam da barragem Sul Superior caso a mesma viesse a se romper, pois existem pelo menos 3 municípios na vizinhança imediata daquela estrutura (i.e, Barão de Cocais, Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo). É que as estimativas fornecidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) dão conta que algo em torno de 6 milhões de metros cúbicos de rejeitos estariam estocados na Sul Superior e, em caso de ruptura, poderiam atingir diretamente todas as áreas urbanas da vizinhança imediata em questão de poucas horas.

gongo-soco-barragem-sul-superior

Pois bem, hoje tive acesso a mais um conjunto de inspeções visuais realizadas pelo arquiteto e urbanista Frederico Lopes Freire que me levaram a concluir que os riscos apontados para uma possível ruptura do talude da cava da mina de Gongo Soco, e o possível que isso teria em causar o mesmo processo de liquefação que ocorreu em Mariana e Brumadinho na Sul Superior,  estão sendo subestimados.

Gongo Soco - foto - profundidade.jpg

Para explicar as análises visuais que apoiam esta conclusão mostro uma primeira imagem da cava da Gongo Soco que teria em torno de 200 metros de profundidade, algo em torno de 800 metros de comprimento e 150 metros de largura. Então com medidas estimativas, há ali um potencial de estocagem de  pelo menos 15 milhões de metros cúbicos de água, usando uma medida conservadora (ver figura abaixo).

Gongo Soco - água acumulada

Assim, ao risco que está sendo aventado de que a ruptura do talude resulte na liquefação da Sul Superior, há que se acrescentar a possibilidade de que pelo menos parte da água estocada na cava de Gongo Soco escape dali e force a ruptura, levando junto os rejeitos ali estocados. 

Gongo Soco 31-08-2018

Essa combinação de volume de água estocada na cava de Gongo Soco com os rejeitos da Sul Superior teria um potencial destrutivo bem maior do que aquele sendo estimado apenas para a sua simples liquefação. Além disso, a combinação de água e rejeito tornaria ainda mais ineficiente a construção para lá de tardia de um muro de contenção para os rejeitos que foi anunciado pela Vale neste sábado (18/05).

A figura abaixo mostra o percurso que o Tsulama de Gongo Soco assumiria após o rompimento da estrutura da Sul Superior, mostrando exatamente como Barão de Cocais receberia o primeiro impacto.

Congo Soco - caminho da lama

Algo que carece de maior esclarecimento é de porque não se tem divulgado informações para o risco integrado que a água estocada na cava de Gongo Soco e os rejeitos depositados na Sul Superior representa para a população e para o meio ambiente dos municípios que serão diretamente afetados por mais esse incidente causado pela Vale. Isto sem falar na bacia do Rio Doce que receberá outro impacto direto, não tendo ainda se recuperado do evento ocorrido em Mariana.

O pior é que ao se desconsiderar, ou pelo menos não se divulgar os riscos integrados, quem faz isto acaba jogando com a vida das pessoas que estão desinformadas sobre a possibilidade de que a área que será inundada pelo Tsulama da Gongo Soco seja maior do que está sendo divulgado.

 

Em caso de rompimento em Barão de Cocais, Rio Doce seria afetado pelo segundo desastre com barragens

Manancial que foi inundado por onda de rejeitos da Barragem de Fundão, de Mariana, em novembro de 2015, está na rota da lama caso ocorra o rompimento do reservatório Sul Superior, da Mina de Gongo Soco

rio doce

Rio Doce foi praticamente sufocado há mais de três anos e poderia receber nova onda de rejeitos se barragem se romper em Barão de Cocais. Na foto, manancial em Governador Valadares(foto: Leandro Couri/EM/D.A PRESS – 17/10/2018)

Por Guilherme Parnaiba para o “Estado de Minas”

O Rio Doce está mais uma vez na rota das barragens em Minas Gerais. Mais de três anos após a tragédia de Mariana, que devastou a bacia hidrográfica banhada pelo manancial federal desde a nascente até a foz no Oceano Atlântico, o curso d’água está mais uma vez no caminho caso ocorra um novo desastre do tipo em Minas.

Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o manancial seria impactado caso ocorra o rompimento da Barragem Sul Superior, da Mina de Gongo Soco, em Barão de Cocais, na Região Central de Minas.

A Semad informou que uma possível onda de lama passaria por quatro córregos antes de alcançar o Rio Santa Bárbara, para, em seguida, chegar ao Rio Piracicaba e, por fim, ao Rio Doce, em um ponto distante 195,2 quilômetros da barragem. O informe da Semad foi feito depois que a pasta recebeu comunicado da Vale de uma provável ruptura do talude norte da cava de Gongo Soco. Essa ruptura poderia gerar um gatilho para desestabilizar a Barragem Sul Superior, e, consequentemente, espalhar rejeitos pela região.

A qualidade da água desses mananciais poderá ser afetada, “tornando-a imprópria para consumo humano. Pode ocorrer ainda redução do oxigênio dissolvido, com consequente mortandade de peixes e outras espécies aquáticas. Os cursos d’água podem ter redução da vazão decorrente do assoreamento da calha principal e deposição do rejeito”, segundo a Semad.

A pasta que cuida do meio ambiente do estado também identificou outros impactos em decorrência de um possível rompimento em Barão. A lama suprimiria 383 hectares de remanescentes de floresta da mata atlântica, alteraria a composição do solo original, afetando a fertilidade, e causaria impactos energéticos, pois chegaria ao  reservatório da Usina Hidrelétrica de Peti, localizada a 14 km de distância da barragem, entre os municípios de Santa Barbara e São Gonçalo do Rio Abaixo.

Os impactos para a biodiversidade ainda são avaliados, mas, de antemão,  espécies da fauna e da flora nas áreas e corpos hídricos podem ser atingidas pela passagem ou deposição de rejeito. 

Medidas solicitadas pela SEMAD

No último dia 15, em virtude do comunicado sobre riscos de rompimento do talude dentro de Gongo Soco e um possível gatilho para a Barragem Sul Superior, a Semad determinou que a Vale monitore os recursos ambientais da região. A pasta também determinou mitigação de impactos e perparação de equipes para ação imediata.

Entre exemplos de determinações se destacam “identificação de todas as estruturas, equipamentos e insumos existentes na direção do fluxo dos rejeitos no caso de um eventual rompimento; monitoramento das águas superficiais e subterrâneas na área impactada; apresentação de projeto de mitigação do carreamento dos rejeitos para o Córrego Barão de Cocais; além de instalação de hospital veterinário de campanha e Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), com equipes de resgate de fauna mobilizadas”, informou a Semad.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo jornal “Estado de Minas” [Aqui!]

Extrema-direita austríaca pega com a boca na botija da corrupção que dizia combater

heinz-christian

No centro da foto, o líder do partido de extrema-direita “Partido da Liberdade”, Heinz-Christian Strache renuncia ao cargo de vice-premiê da Áustria após ser pego em caso de corrupção.

O combate à corrupção é um daqueles argumentos que embalam o discurso de todo político de extrema-direita que se preze. Isso é verdade no Brasil ou na Áustria, país que hoje é governado por uma coalizão ultra-conservadora que combina partidos de direita e de extrema-direita.

E é da Áustria que vem um exemplo primoroso de como a captura do discurso anti-corrupção pela extrema-direita é apenas um biombo que é utilizado para angariar setores que estejam legitimamente insatisfeitos com a situação econômica e, claro, com as evidências de corrupção política.

O caso envolvendo o agora ex-vice-chanceler federal austríaco Heinz-Christian Strache que renunciou ao cargo, como consequência das revelações de prevaricação eleitoral por dois veículos de imprensa alemães, onde atraído para um resort em Ibiza, o líder de extrema-direita tacitamente aceitou ofertas de suborno de uma suposta representante de um oligarca russo interessado em comprar um jornal de ampla circulação na Áustria, o Kronen Zeitung.

corrupção austria

A erupção desse escândalo ocorre às vésperas das eleições para o parlamento europeu e pode causar um deslocamento importante na composição futura da delegação austríaca, fato que confirmado poderá alterar o arranjo de forças em um momento particularmente importante da história do bloco.

O fato é que as revelações das tratativas que envolviam algo em torno de R$ 1,2 bilhão tiram das mãos da extrema-direita o suposto véu de santidade de anticorrupção  que seus partidos dizem carregar.  O que não deixa de ser uma lição importante para eleitores em todo o mundo que, como no Brasil, possam estar se deixando levar na conversa por esse tipo de discurso que não resiste à primeira oferta de vantagens indevidas.

Ricardo Salles, o improbo trapalhão

salles coletiva

Ricardo Salles, antiministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, na entrevista coletiva em que denunciou “inconsistências” no uso do Fundo Amazônia— Foto: Divulgação

Em uma aparente tentativa de assumir o controle dos bilhões entregues ao Brasil pela Alemanha e pela Noruega para financiar o combate ao desmatamento na Amazônia, o ainda ministro (ou antiministro) do Meio Ambiente, convocou hoje uma coletiva de imprensa para denunciar supostas irregularidades no uso das verbas do chamado Fundo Amazônia.

O problema é que fez isso sem combinar com os russos. Ou melhor, com norugueses e alemães que se disseram surpreendidos com as acusações de mau uso dos recursos por eles entregues para o BNDES gerenciar projetos  sobre redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal. 

Essa ação de Ricardo Salles beira o incidente diplomático, pois sua ação intempestiva que não possui sequer corroboração da Controladoria Geral da União (CGU), teve como primeiro resultado prático uma nota da Embaixada da Noruega em Brasília onde está dito basicamente o oposto do que foi declarado pelo desastrado antiministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro (ver imagem abaixo).

declaração noruega fundo amazonia

Eu sinceramente desconheço qual é a experiência profissional que Ricardo Salles possui fora do Brasil, especialmente com instituições multilaterais e agências governamentais de países desenvolvidos.  Mas como alguém que já prestou consultorias para o Painel de Inspeção do Banco Mundial, posso adiantar que esse tipo de ação destrambelhada, e de interesses difusos, não será bem recebida pelos governos da Noruega e da Alemanha que são extremamente exigentes na entrega de recursos por menores que sejam.

É que ao desconsiderar que os recursos enviados ao Brasil passam por controles estritos naqueles próprios países, Ricardo Salles está colocando em dúvida a probidade não das organizações não governamentais e órgãos de governo brasileiros, mas as ações de fiscalização que ocorrem dentro dos governos da Alemanha e da Noruega. 

Vai ser engraçado se por conta da tentativa de ingerência, maldisfarçada de auditoria interna do MMA, Ricardo Salles conseguir que Alemanha e Noruega suspendam o envio de recursos para o Fundo Amazônia. 

E pensar que esse mesmo Ricardo Salles já foi condenado por improbidade administrativa por ações ilegais que realizou na condição de secretário estadual de Meio Ambiente de São Paulo. Com um passivo do tamanho que carrega nas costas seria de se imaginar que Salles se esquivasse deste tipo de ação.  O problema é que Ricardo Salles aparenta pensar que é o único sujeito esperto na face da Terra, o que, convenhamos, ele já deu provas de não ser. 

Mas agora que ele já colocou sua trapalhada em andamento, vamos esperar calmamente para ver que, me desculpe o trocadilho, bicho vai dar.  Eu me arrisco a dizer que vai dar jacaré.

Improbo Ricardo Salles monta teatro para criminalizar ONGs e aparelhar Fundo Amazônia

Improbo Ricardo Salles monta teatro para criminalizar ONGs e aparelhar Fundo Amazônia

Nota da coordenação do Observatório do Clima

Ricardo-Sales

BRASÍLIA/SÃO PAULO– Depois de investir contra o Ibama e o ICMBio, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles (Novo-SP), direciona sua panfletagem política a tentar criminalizar as organizações da sociedade civil. Nesta sexta-feira (16), Salles montou um teatrinho para acusar ONGs de “indícios de irregularidades” no gasto de verbas do fundo. Por tabela, sugere que o BNDES, gestor do fundo, é incapaz de cumprir as tarefas básicas de controle sobre o dinheiro que gere.

O ministro já havia sido desmentido mais cedo pela própria Controladoria-Geral da União sobre a suposta “investigação” dos contratos do Fundo Amazônia: a CGU disse que não avaliou a “auditoria” do MMA e que seus resultados são de responsabilidade única do ministério. Salles mente quando insinua que não há controles sobre o mérito das propostas – cada contrato tem uma análise de efetividade do BNDES após dois anos, com auditores em campo. Além disso, auditorias externas e do Tribunal de Contas da União já concluíram que não há nada de errado com o fundo.

Salles também ignora deliberadamente o fato de que os doadores do fundo, Noruega e Alemanha – que estão entre os países menos corruptos do planeta e com maiores controles sobre o próprio dinheiro – estão satisfeitos não apenas com as regras do fundo, mas sobretudo com o resultado obtido pelos projetos.

As regras rígidas do Fundo Amazônia foram criadas pelo BNDES para dar segurança aos doadores de que não haveria ingerência política no fundo, que é justamente o que o ministro planeja fazer ao propor mudar suas regras para controlá-lo e abrir os projetos à iniciativa privada.

O conjunto de ilações feitas por Salles e seu ataque a mais uma instituição ambiental alimenta a desconfiança nos doadores e o resultado pode ser o fim dos repasses ao Brasil.

A ironia maior é que essa ação parta de um homem que foi condenado pela Justiça paulista por fraude ambiental e que é, no fim das contas, o único personagem com histórico de irregularidades nesta história. De um representante do governo brasileiro que precisou cancelar uma viagem à Europa por medo de ser mal recebido por suas contrapartes, que conhecem seu histórico. De um ministro que foi acusado por oito de seus nove antecessores vivos de promover o desmanche das políticas públicas que ele deveria promover. De um gestor incompetente que cria factoides semanais para encobrir a paralisia criada por ele mesmo em sua pasta, que põe em risco, além dos ativos ambientais do Brasil e a qualidade de vida de sua população, o próprio setor agrícola, que ele tanto diz defender.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo Observatório do Clima [Aqui!].

No Brasil, ‘idiotas úteis’ protestam contra cortes nas verbas da pesquisa e da educação

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Por Herton Escobar para a revista Science

Milhares de cientistas, educadores e estudantes lotaram as ruas do Brasil nesta semana para protestar contra cortes no financiamento da educação e da pesquisa. Marchas ocorreram na última quarta-feira em todas as capitais do país e em mais de 200 outras cidades, segundo relatos da mídia. Várias universidades públicas, e até mesmo algumas instituições privadas não diretamente afetadas pelos cortes orçamentários, cancelaram as aulas para permitir que funcionários e estudantes participassem das manifestações.

“Eu nunca tinha visto nada dessa magnitude”, diz Fabricio Santos, professor de genética e evolução da Universidade Federal de Minas Gerais, que se juntou a um protesto na cidade de Belo Horizonte. “Foi uma lição de democracia e descontentamento”.

Embora não haja contagem oficial, os organizadores estimaram que as marchas atraíram centenas de milhares de pessoas em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As manifestações foram originalmente convocadas por sindicatos, que estão protestando contra mudanças na previdência social e pensão do Brasil. sistemas propostos pela administração do Presidente Jair Bolsonaro.

Em um esforço para enfrentar as lutas econômicas, Bolsonaro anunciou recentemente uma série de medidas de contenção fiscal, incluindo a retenção de 42% do orçamento de investimento do Ministério da Ciência e Tecnologia e cerca de 25% do financiamento do Ministério da Educação para as universidades federais. As autoridades também congelaram mais de 3.000 bolsas de estudo destinadas a apoiar pesquisas de pós-graduação.  O governo federal sinalizou que liberará esses fundos se a legislatura do Brasil aprovar as mudanças nos programas sociais, o que, segundo autoridades do governo Bolsonaro, é fundamental para colocar as finanças do país em ordem.

Embora os governos anteriores tenham tomado medidas semelhantes, o clamor desta vez foi alimentado por uma série de políticas controversas avançadas por Bolsonaro, bem como por comentários inflamatórios que ele e seus nomeados fizeram. Ontem, por exemplo, Bolsonaro disse a repórteres que os manifestantes eram “idiotas úteis” e “imbecis” que estavam sendo manipulados por uma “minoria smarthead” que controla as universidades federais. E o ministro da educação Abraham Weintraub provocou controvérsia ao ameaçar reduzir o financiamento para as universidades que “promoveram raquetes” em vez de melhorar seu desempenho acadêmico.

Funcionários da universidade também estão alarmados com um decreto, publicado na quarta-feira, que dá à administração de Bolsonaro novos poderes para controlar a seleção de administradores seniores no sistema universitário federal. “É inacreditável o que está acontecendo”, diz Santos. “É uma reversão completa do princípio da autonomia acadêmica”.

O congelamento de bolsas de estudo para estudantes de pós-graduação, anunciado na semana passada, motivou os pesquisadores a participar das marchas, diz Nathalie Cella, bioquímica da Universidade de São Paulo que ajudou a organizar a Marcha pela Ciência em abril de 2017. Os estudantes de pós-graduação são uma importante força de trabalho científico nas universidades públicas do Brasil, ela observa, que produzem mais de 90% da produção científica do país. Cella diz: “Muitas pessoas terão que abandonar suas pesquisas se essa situação não for revertida”.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês pela revista Science [Aqui!]