Risco de savanização da Amazônia exige medidas adaptativas, indica estudo

Segundo pesquisa que contou com a participação da Unicamp, ações nesse sentido seriam benéficas mesmo na hipótese de o fenômeno não se concretizar

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Por Manuel Alves Filho, Fotos: Antoninho Perri/Divulgação, Edição de Imagens:  Luis Paulo Silva

Pesquisas desenvolvidas no Brasil e no exterior apontam para a possibilidade de mudanças climáticas extremas submeterem a Floresta Amazônica a um processo de savanização [forest dieback, em inglês]. Nesse cenário, o ecossistema como é conhecido atualmente daria lugar a campos ralos e árvores esparsas, paisagem semelhante à encontrada nas savanas africanas ou no Cerrado brasileiro. Tal hipótese, formulada há 20 anos e que indica para a perda da maior floresta tropical do mundo, deveria estar deixando os governos dos nove países amazônicos “de cabelo em pé”. Ocorre, porém, que os cientistas ainda têm várias incertezas acerca dessa projeção. Diante dessas dúvidas, o que é mais indicado fazer: aguardar, adotar medidas mitigadoras ou estabelecer ações de adaptação da população da região (30 milhões de pessoas) que seriam benéficas ambiental e socialmente, mesmo que a previsão não venha a se concretizar? A resposta a estas questões estão num artigo que acaba de ser publicado pelo PNAS, periódico científico editado pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos [1] .

O primeiro autor do trabalho é ecólogo David Montenegro Lapola, pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp. Além dele, outros 11 cientistas brasileiros e estrangeiros assinam o artigo, que faz uma revisão sobre os estudos publicados em torno da hipótese de savanização da Floresta Amazônica. “Como existem muitas incertezas acerca dessa possibilidade, nós procuramos responder a uma pergunta objetiva: o que fazer frente a esse risco? Analisamos três alternativas e estimamos os custos socioeconômicos relacionados a cada uma delas”, explica Lapola.

Foto: Perri
O ecólogo David Lapola, primeiro autor do artigo publicado pelo periódico PNAS: “A Amazônia é o maior tesouro biológico do mundo e nós estamos correndo sério risco de perdê-la antes que tenhamos aprendido a usar esse tesouro de maneira sustentável a nosso favor”

De acordo com o pesquisador, a alternativa mais exequível é a adoção de ações adaptativas que possam trazer benefícios ambientais e sociais à região amazônica, mesmo que não ocorra o processo de savanização da floresta. “Nós apontamos 20 medidas que seriam importantes nesse sentido, a um custo estimado de US$ 122 bilhões. Entre elas estão o uso de cultivares mais resistentes à situação de seca, o incentivo à produção doméstica de energia por meio do uso de painéis solares e a ampliação da arborização nas áreas urbanas. Também indicamos a necessidade da eliminação do esgoto a céu aberto, como forma de reduzir a proliferação de doenças, e a criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Amazonas, que teria a atribuição de gerenciar os recursos hídricos da região”, elenca Lapola.

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Todas essas providências, pontua o pesquisador do Cepagri-Unicamp, trariam ganhos imediatos e continuariam a ser importantes no caso de o processo de savanização da Amazônia se confirmar. Uma opção à estratégia de adaptação, conforme o ecólogo, seria a adoção de medidas mitigadoras. Dentre elas está a reversão da mudança climática global em curso no planeta – causa da possível savanização da Amazônia -, que seria um processo muito mais complexo e exigiria um esforço global, e não somente dos nove países amazônicos. “Pelas nossas projeções, o custo de um projeto dessa envergadura seria da ordem de US$ 64,2 bilhões. Isso implicaria acabar com o desmatamento e recuperar os 17% ou 18% da floresta que já foram degradados”, afirma.

Ocorre, continua o cientista, que isso não seria suficiente para assegurar a resiliência da floresta frente às mudanças do clima. “Não basta parar de desmatar e recuperar o que já foi degradado. Se os demais países, principalmente as grandes potências mundiais, continuarem emitindo gases de efeito estufa nos patamares atuais, a floresta continuará exposta ao risco de colapso”, pondera. A pior das alternativas, conforme o estudo publicado pela PNAS, seria não fazer nada e esperar para ver o que acontece. Nesse caso, 30 anos depois de configurada a savanização, os prejuízos alcançariam a cifra de US$ 957 bilhões a US$ 3,5 trilhões.

Permanecer impassível diante de tais projeções, reforça Lapola, seria a pior das decisões. “Vale lembrar que esses cenários foram delineados com base em episódios de secas ocorridos na Amazônia ao longo dos últimos anos, situação que se tornará frequente em caso de savanização. Ou seja, nossas análises estão sustentadas por evidências fartamente documentadas, como as secas de 2005, 2010 e 2016”, diz. Lapola observa, ainda, que o fato de o artigo sobre o estudo ter sido publicado neste momento de transição política no Brasil não foi proposital.

Foto: Perri
Boa parte dos dados que sustentaram o estudo foi produzida pelo AmazonFace, programa que investiga os impactos das mudanças climáticas no futuro da Floresta Amazônica

Ele considera, entretanto, que o resultado do trabalho fornece dados importantes para que a sociedade e o futuro governo em âmbito federal reflitam sobre as questões ambientais, que trazem impactos tanto sociais quanto econômicos para o país. “O Brasil precisa decidir que caminho quer adotar em relação a esse problema. A Amazônia é o maior tesouro biológico do mundo e nós estamos correndo sério risco de perdê-la – por causa das mudanças do clima ou pelo corte raso – antes que tenhamos aprendido a usar esse tesouro de maneira sustentável a nosso favor. O estudo fornece bases sólidas para ajudar a orientar a tomada de decisão”, analisa Lapola.

Boa parte dos dados que subsidiaram o estudo foi produzida pelo AmazonFace, programa financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). O pesquisador do Cepagri-Unicamp é o presidente do Comitê Científico do programa, que investiga os impactos das mudanças climáticas no futuro da Floresta Amazônica.

Entre as missões dos cientistas está predizer se, a despeito da tendência do aumento da concentração de dióxido de carbono (CO²) na atmosfera e do possível agravamento das mudanças climáticas, a floresta será capaz de se mostrar ou não resiliente, ou seja, de resistir a essas situações adversas, mantendo-se produtiva e sem perda significativa de biomassa e biodiversidade.


[1] http://www.pnas.org/content/early/2018/10/31/1721770115?versioned=true

Ministro das Relações Exteriores de Cuba dá dura resposta a Bolsonaro sobre a questão dos “médicos escravos”

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Após indicar o deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), que possui várias pendências judiciais do tempo em que secretário de saúde em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, por suposta fraude em licitação, tráfico de influência e caixa 2 [1], o presidente eleito foi alvo de uma duríssima declaração do ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodriguez (ver vídeo abaixo) 

Quem se der ao trabalho de ouvir todas as ponderações de Bruno Rodriguez sobre a conjuntura que se abre no Brasil após a saída dos profissionais médicos cubanos do programa “Mais médicos” verá que ele está muito bem informado sobre o que se passa por aqui, especialmente em termos da ocorrência de trabalho escravo.

Agora, convenhamos, quem será que estará bem mais suprido de médicos e, sim, de ministro de relações exteriores a partir de 1 de janeiro?

Finalmente, nas declarações do ministro de relações exteriores de Cuba fica mais uma vez demonstrada a máxima de quem fala o que quer, ouve o que não quer. E se depender do que venho acompanhando na Europa, posso afiançar que a vergonha brasileira só está  começando.


[1] https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/11/20/bolsonaro-anuncia-deputado-mandetta-como-futuro-ministro-da-saude.ghtml

Agrotóxicos e seus impactos na saúde do brasileiro

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Abaixo publico o excelente vídeo publicado pelo site Sul 21 que aborda os impactos causados na saúde dos brasileiros pelo uso intenso de agrotóxicos, incluindo aqueles que já foram banidos em outras partes do mundo [1].

 

O vídeo aborda ainda os riscos ainda maiores que passaremos a correr com a aprovação do chamado “Pacote do Veneno” que tem entre uma das suas principais apoiadoras a futura ministra da agricultura do governo Bolsonaro, a deputada do DEM sul matogrossense Tereza Cristina.


[1] https://www.sul21.com.br/tv-sul21/2018/11/como-a-producao-de-alimentos-com-agrotoxicos-impacta-na-vida-do-brasileiro/

Prefeito de Mariana diz que não desistirá de ação no Reino Unido

Desistência é condição para que municípios sejam ressarcidos por danos

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Por Léo Rodrigues – Repórter da Agência Brasil

A prefeitura de Mariana (MG) não vai desistir da ação que move na Justiça do Reino Unido em busca de uma indenização integral pelos danos sofridos em decorrência do rompimento da barragem da mineradora Samarco. A desistência do processo é uma exigência da Fundação Renova para que os municípios atingidos recebam R$ 53 milhões em ressarcimento aos gastos extraordinários efetuados após tragédia na Bacia do Rio Doce, que completou três anos na semana passada.

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“Dinheiro que mineradoras devem ao município não é meu, é da população”, diz Duarte Júnior – Arquivo/Agência Brasil

O prefeito Duarte Júnior disse à Agência Brasil que tentará dialogar com a Fundação Renova para resolver o impasse. Se não houver solução, o município irá à Justiça para buscar a liberação dos recursos. “Estão querendo que desistamos dos nossos direitos para receber algo que já está acordado. As mineradoras estão achando que vão colocar cabresto nos prefeitos”, afirmou Duarte Júnior.

A Fundação Renova é responsável pela gestão de todos os esforços para reparação dos danos e foi criada conforme Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) assinado em março de 2016 entre a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billiton, a União e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo. Esse acordo também definiu as ações a serem implementadas com recursos das mineradoras.

Uma delas diz repeito ao ressarcimento dos gastos extraordinários de 39 municípios dos dois estados com a mobilização de funcionários da prefeitura e da Defesa Civil além da jornada regular de trabalho, com aluguel de tratores para reabrir estradas, com alojamentos improvisados para os desalojados, com o abastecimento alternativo de água e com serviços emergenciais, entre outros serviços.

De acordo com Duarte Júnior, no cálculo dos municípios, o montante era de R$ 83 milhões. Para agilizar a liberação dos recursos, os prefeitos concordaram com a estimativa de R$ 53 milhões apresentada pela Fundação Renova. Cerca de R$ 41 milhões são apenas para cidades mineiras e R$ 12 milhões para cidades mineiras e capixabas. “Abrimos mão do valor que calculamos porque não queremos que se torne uma grande batalha judicial, o que só prejudicaria a população”, disse o prefeito.

As exigências da Fundação Renova para o pagamento dos recursos constam de termo de quitação enviado aos municípios, que foram pegos de surpresa. O assunto entrará na pauta do Fórum Permanente dos Prefeitos do Rio Doce, que se reúne na próxima semana. “Algumas prefeituras até pensam em assinar porque a cobrança da população é grande, e elas precisam de recursos para pagar dívidas, 13º salário e honrar outros compromissos. No meu caso, não vou abrir mão dos direitos que a cidade tem. O dinheiro que as mineradoras devem ao município não é meu, é da população”, afirmou Duarte Júnior.

A Fundação Renova informou que aguarda a entrega dos documentos e que, uma vez recebidos, o prazo para transferência dos recursos será de 30 dias. “Os pagamentos às prefeituras serão feitos mediante o envio do termo de quitação assinado e a emissão do Documento de Arrecadação Municipal (DAM)”, diz o texto.

Pela Cláusula 6 do termo de quitação, o município deverá conceder à Fundação Renova e às três mineradoras irrestrita e irrevogável quitação de valores relativos ao ressarcimento dos gastos públicos extraordinários. Ações que já estejam em curso precisariam ser encerradas. Além disso, conforme a Cláusula 8, o pagamento a cada prefeitura ficaria condicionado à comprovação de que ela desistiu do processo no Reino Unido e ao compromisso de que novos procedimentos relacionados à tragédia de Mariana não seriam abertos em jurisdições estrangeiras.

Interferência

Para Duarte Júnior, as exigências apresentadas revelam interferência da mineradora inglesa BHP Billiton na gestão da Fundação Renova, o que seria vedado pelo TTAC. A empresa estrangeira é o alvo do processo movido no Reino Unido.

A ação foi proposta pelo escritório anglo-americano SPG Law. No início do mês, os advogados anunciaram que houve mais de 250 mil adesões, entre as quais as de empresas e prefeituras, além da Igreja Católica. A Agência Brasil entrou em contato com a BHP Billiton, que informou que “não irá se manifestar sobre os comentários do prefeito Duarte Júnior”.

Ao tomar conhecimento da proposta da Fundação Renova, a SPG Law enviou mensagem às prefeituras alegando que o valor oferecido pela Fundação Renova, de R$ 53,3 milhões é inferior a 0,5% da previsão inicial de indenização que poderia ser obtida no âmbito da ação movida no Reino Unido. “A proposta de acordo encaminhada trata tão somente de indenização dos gastos extraordinários, não da indenização integral dos danos, como pleiteado perante o tribunal inglês”, destaca o texto.

FONTE: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-11/prefeito-de-mariana-diz-que-nao-desistira-de-acao-no-reino-unido?fbclid=IwAR0dT1DojMr7xpMhAdtTFYFnC6iR9Z8HUcr8pyrjG1kCD741VQ9ZMMPUnfE

Sicko, SOS Saúde: aquilo no que querem nos transformar já é realidade nos EUA

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Ninguém mais do que o cineasta Michael Moore já nos mostrou o que aconteceu com a saúde nos EUA a partir da extrema privatização dos serviços hospitalares.  Moore também nos mostrou a contrapartida que aparece sob a forma da saúde pública oferecida em Cuba.  

A extrema contradição entre os dois países foi mostrada ao mundo no filme “SiCKO” que foi lançado em 2007 e até hoje expõe uma realidade que apenas se aprofundou na última década, com mais cidadãos estadunidenses sendo privados de serviços básicos de saúde.

Para quem nunca assistiu ao SiCKO, posto abaixo o filme na íntegra e dublado em português. Para quem não tiver tempo ou vontade de assistir  o filme todo, sugiro que se assista a partir de 1:44:00. 

Mas atenção: se depender dos cortes impostos pelo novo teto constitucional imposto por Michel Temer (com o voto do presidente eleito) e as sinalizações de que os cortes não só serão mantidos, como também aprofundados.

Daí que não é difícil ver que o nosso futuro será cada vez menos parecido com o presente dos cubanos. E  isso ficará ainda mais fácil de ver quando todos os mais de 8.000 cubanos do “Mais médicos” tomarem o rumo de casa.

Erastóstenes e o impossível mundo velho dos terra planistas

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Desde 1998 ofereço a disciplina “Geografia I” aos alunos do curso de Ciências Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Como parte da disciplina faço um esforço para explicar a formação da disciplina geográfica a partir dos pensadores gregos, destacando a contribuição de Erastóstenes de Cirene que para muitos é uma espécie de fundador da Geografia.

Entre as muitas contribuições desse pensador há algo que o habilita a tal posição. É que por volta do ano de 220 a.C., Erastóstenes calculou a circunferência da Terra como sendo de 40.000 km [1], partindo de uma premissa que hoje parece básica, qual seja, o fato do nosso planeta ser um geoide (i.e., esferoide achatado, algumas irregularidades devido à diferenças locais de  densidade). 

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Erastóstenes de Cirene (279 a.C. a 194 a.C.) calculou a circunferência da Terra como sendo de 40.000 km em torno de 220 a.C.

O mais impressionante desse cálculo é que medidas feitas mais recentes, feitas com aparelhos de alta precisão, determinaram que a circunferência da Terra é de 40.075 km. E, mais importante, que nosso planeta é realmente um esferoide, não havendo assim mais espaço para pregações de que a Terra seria plana, como era comum em sociedades da idade do Bronze e do Ferro [2].

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A gravura Flammarion (1888), representando um viajante que chegou ao limite de uma Terra plana e espreita através do firmamento

Aliás, não deveria haver espaço, pois há uma crescente audiência na internet para a disseminação de falsidades que retomam a ideia de que a Terra seria plana.  É que nos tempos de “fake news” sempre há audiência para qualquer besteira e, por isso, a terra plana tem hoje milhões de “followers“.

Mas felizmente teremos sempre como recorrer à genialidade de Erastóstenes para enxergar que vivemos num esferoide e, que por isso, qualquer tentativa de relacionar os atuais problemas econômicos e políticos que estão ocorrendo no planeta em escala global a uma suposta trama dos tais ” marxistas culturais”.

Difícil vai ser convencer o novo ministro das Relações Exteriores da conexão entre forma do planeta e a forma de relação que marca de forma irreversível as relações econômicas e políticas no Século XXI.


[1] https://www.fc.up.pt/mp/jcsantos/Eratostenes.html

[2] https://super.abril.com.br/ciencia/a-ciencia-da-terra-plana/

Bienal do Livro de Campos: ir, aproveitar e, com isso, derrotar as trevas da censura

VI Bienal do Livro de Campos dos Goytacazes-04-Foto César Ferreira

Lamentavelmente não estou em Campos neste momento, pois se estivesse não deixaria de aproveitar de oportunidade de frequentar os stands e espaços de discussão que ocorrem a cada 2 anos dentro da já tradicional bienal. Eu que estive na última edição da bienal de Campos lembro ainda como meu filho ficou maravilhado quando pode conversar com as autoras de dois livros infantis que compramos no dia em que estivemos.  Aliás, melhor foi vê-lo apreciando as obras depois que a bienal já tinha sido encerrada.

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A decisão de apoiar a realização da Bienal do Livro transcende a crítica ou o apoio aos governos de plantão, pois a existência de espaços onde pessoas de todas as idades podem confluir e experimentar a chance de falar com os autores,  ouvir pessoas que normalmente sós se vê ou se conhece pela televisão, e ainda rever velhos e fazer novos amigos, é essencial num momento tão polarizado como o que atravessamos atualmente no Brasil.

Por isso, é não tenho dúvida de dizer que todos os que puderem, devem ir na bienal a partir do dia 20 de Novembro e aproveitar o máximo que puderem.  É fundamental recusar os denuncismos vazios que setores minoritários da nossa sociedade insistem em fazer para impedir que temas importantes sejam discutidos publicamente, ainda que causem desconforto e explicitem muitas das tensões que experimentamos em uma sociedade que ainda não conseguiu resolver muitas de suas dívidas sociais.

E não tenho como concordar com aqueles que acenam para censores sob a desculpa que a programação não é diversa o suficiente para os gostos daqueles cuja satisfação plena só seria possível apenas com a imposição do seu próprio pensamento obscurantista.  Os que querem censurar e banir posições diversas das suas não merecem qualquer tipo de concessão.

Obscurantismo não, Bienal sim. Por isso, quem desejar acessar a programação completa deste evento, basta clicar [Aqui!]. E uma boa bienal para todos!