Testes laboratoriais independentes encomendados pela Moms Across America , com o apoio do Children’s Health Defense Military Chapter e da Centner Academy , revelam que a comida das forças armadas americanas, incluindo as refeições prontas para consumo (MREs) e outros itens racionados e de refeitório, têm baixos níveis de nutrientes e estão contaminadas com uma mistura de agrotóxicos, medicamentos veterinários proibidos, metais pesados e glifosato em níveis que representam sérias ameaças à saúde humana.
Por Sustainable Pulse
Testes laboratoriaisindependentes encomendados pela Moms Across America, com o apoio do Children’s Health Defense Military Chapter e da Centner Academy, revelaram na quarta-feira que os alimentos das forças armadas dos EUA, incluindo as refeições prontas para consumo (MREs) e outros itens racionados e de refeitório, estão contaminados com uma mistura de agrotóxicos, medicamentos veterinários proibidos, beta-agonistas e esteroides amplamente utilizados na produção de carne bovina e suína nos EUA para promover o crescimento, metais pesados e glifosato em níveis que representam sérias ameaças à saúde humana.
A cada ano, mais de1,5 bilhão de refeições militarese37 milhões de refeições prontas para consumo (MREs)são servidas aos militares da ativa dos EUA, tornando as Forças Armadas americanas uma das compradoras e influenciadoras mais poderosas no abastecimento alimentar, tanto nos EUA quanto globalmente. A saúde, o preparo e a segurança das tropas americanas dependem dessas refeições para manter o desempenho físico, a função cognitiva e o bem-estar a longo prazo.
As forças armadas dos EUA parecem estar ficando para trás na área de alimentos limpos e seguros, visto que, em 2014, o exército chinês ordenou que todos os postos de abastecimento militarpermitissem apenas a compra de grãos e óleo alimentar não transgênicos, devido a preocupações com a segurança sanitária relacionadas aos transgênicos e aos pesticidas associados, que agora se comprovou estarem contaminando os suprimentos alimentares das forças armadas americanas.
“Apoiamos o compromisso do Presidente Trump em aumentar o orçamento das Forças Armadas para garantir a segurança dos americanos e criar as Forças Armadas mais poderosas do mundo”, disse Zen Honeycutt, Diretora Executiva Fundadora da Moms Across America.
“Como Comandante-em-Chefe da nossa nação, apelamos para que ele seja um verdadeiro herói, garantindo o nosso poder global ao fornecer as refeições mais seguras e saudáveis de todas as forças armadas do mundo. Apelamos para que as tropas americanas tenham acesso a comida americana – carne orgânica de criação regenerativa e produtos orgânicos, ricos em nutrientes e não tóxicos”, concluiu Honeycutt.
Os testes laboratoriais independentes incluíram um total de 40 amostras, sendo 16 amostras provenientes de 6 refeitórios de bases militares e 24 rações MRE (Medidas de Refeição Prontas para Consumo) analisadas para detectar substâncias químicas e nutrientes tóxicos. As amostras continham ingredientes como trigo, milho transgênico, soja transgênica e carne. Os resultados incluíram:
Agrotóxicos– 100% das amostras de alimentos militares testadas continham resíduos nocivos de pesticidas. Mais de 70% das amostras continham múltiplos agrotóxicos (variando de 2 a 26) e até 15 a 26 resíduos diferentes de agrotóxicos em um único item. Um total de 62 agrotóxicos e misturas químicas estavam presentes, sem avaliação dos efeitos cumulativos ou sinérgicos na saúde.
Glifosato – 95% das amostras de alimentos militares continham níveis detectáveis de glifosato/AMPA.
Medicamentos veterinários – Foram detectados 5 medicamentos veterinários, incluindo ractopamina e acetato de trembolona, substâncias promotoras de crescimento amplamente utilizadas na produção de carne bovina e suína nos EUA, mas proibidas em outros 160 países, incluindo China, União Europeia e Rússia; outros 3 medicamentos encontrados são proibidos na maioria dos países ou não aprovados para uso humano – indicando provável contaminação por carne importada.
Metais pesados – 100% das amostras testadas continham arsênio, cádmio, chumbo, mercúrio e alumínio. Em algumas amostras, os níveis de arsênio, cádmio e alumínio encontrados foram de 430% a 17.300% superiores às diretrizes da EPA para água potável.
“Como uma veterana orgulhosa do Exército dos Estados Unidos, entendo em primeira mão as exigências físicas e mentais extremas impostas aos nossos militares para que se mantenham prontos para a missão. Treinamento, foco e resiliência são essenciais, e a alimentação desempenha um papel fundamental no apoio a todos os três. É preocupante que muitos militares estejam atuando em ambientes alimentares que não apoiam consistentemente sua saúde ou bem-estar a longo prazo. A orientação nutricional limitada e a forte dependência de alimentos ultraprocessados refletem desafios mais amplos em nosso sistema alimentar — desafios que afetam tanto as comunidades militares quanto as civis”, declarou Charlene Guzman, Líder de Comunicação Estratégica e Relações Públicas do Projeto Não-OGM, ex-contratada do USDA e veterana do Exército, em reação aos resultados dos testes.
“Nossos militares e suas famílias fazem sacrifícios diários a serviço deste país. Em troca, temos a responsabilidade de garantir que estejam adequadamente nutridos com alimentos que promovam força, recuperação e bem-estar a longo prazo. Proporcionar acesso a alimentos limpos e ricos em nutrientes não é um luxo — é uma medida básica de cuidado, dignidade e respeito por aqueles que servem”, concluiu Guzman.
Autoridades da Flórida divulgaram esta semana os resultados de testes que mostraram que vários pães comumente vendidos em supermercados no estado continham resíduos de glifosato, um herbicida que cientistas associam ao câncer.
O governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou em um comunicado à imprensa que os testes em produtos de panificação fazem parte de um programa de testes mais amplo, concebido para “fornecer aos floridianos as informações necessárias para que façam as melhores escolhas para o bem-estar de suas famílias”.
O Departamento de Saúde do estado encontrou glifosato em seis dos oito produtos de panificação testados: Nature’s Own Butter Bread, Nature’s Own Perfectly Crafted White, Dave’s Killer Bread White Done Right, Wonder Bread Classic White, Sara Lee Honey Wheat e Dave’s Killer Bread 21 Whole Grain, informou o estado.
As marcas de pão Dave’s Killer Bread possuem certificação orgânica e são rotuladas como livres de ingredientes geneticamente modificados (GM). O pão Nature’s Own Perfectly Crafted White também é rotulado como não contendo ingredientes GM. A Flowers Foods, proprietária de ambas as marcas, não respondeu ao pedido de comentário.
Fonte: Healthy Florida First
O glifosato é um herbicida químico introduzido na década de 1970 pela Monsanto, que se tornou o herbicida mais utilizado no mundo. Presente em marcas como o Roundup, é popular entre agricultores de todo o mundo, principalmente aqueles que cultivam culturas geneticamente modificadas para tolerar a pulverização direta com o herbicida.
O glifosato também é usado como agente dessecante no trigo e em outras culturas não transgênicas antes da colheita, uma prática que torna a colheita mais eficiente para os agricultores, mas pode deixar maiores resíduos de glifosato nos grãos.
A Monsanto e sua proprietária alemã, a Bayer, afirmam que o glifosatonão representa um risco à saúde , e autoridades governamentais dizem que os resíduos de glifosato e outros agrotóxicos encontrados em produtos alimentícios são quase sempre tão baixos que não são considerados prejudiciais.
No entanto, cientistas internacionais ligados à Organização Mundial da Saúde classificaram o glifosato como provavelmente cancerígeno para humanos, e estudos recentes realizados na Europa descobriram que os herbicidas à base de glifosato representam não apenas risco de câncer, mas também outros riscos à saúde.
“O pão é um alimento básico para muitas famílias da Flórida, e elas devem poder consumi-lo sem se preocupar com toxinas ”, disse o Dr. Joseph Ladapo, Cirurgião-Geral do Estado, em um comunicado . “Nossos testes encontraram altos níveis de glifosato em algumas marcas populares de pão. A exposição crônica ao glifosato está ligada a alterações prejudiciais na microbiota intestinal, inflamação do fígado e efeitos neurológicos adversos. A Flórida está tomando medidas por meio da transparência, testes contínuos e um foco claro na redução da exposição para proteger as famílias.”
O anúncio sobre o glifosato surge depois de autoridades da Flórida terem afirmado, no mês passado, que testes realizados em 24 fórmulas infantis detectaram níveis elevados de mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo.
O REDD-Monitor alertou pela primeira vez sobre o projeto Brasil Mata Viva em 2012
Crédito da FOTO: Folha de S.Paulo
Por Chris Lang para “REDD-Monitor”
O Banco Master era um banco de médio porte no Brasil. Até novembro de 2025, quando foi liquidado e seu presidente, Daniel Vorcaro, foi preso no aeroporto internacional de São Paulo. Ele estava em seu jato particular, prestes a embarcar para Dubai. Uma dezena de sócios e executivos do banco foram presos.
Vorcaro tornou-se presidente do banco em 2019. Na época, o banco estava quase falido , mas sob a gestão de Vorcaro, começou a crescer rapidamente. O banco vendeu Certificados de Depósito Bancário (CDBs), um tipo de título de renda fixa emitido por bancos para captar recursos. O Banco Master vendeu CDBs com “taxas de juros excepcionalmente altas”, segundo reportagem do The Economist .
Vorcaro comprou uma série de propriedades, jatos particulares, um hotel de luxo e um time de futebol. A festa de 15 anos de sua filha lhe custou mais de US$ 3 milhões.
Em setembro de 2025, Vorcaro tentou fundir o Banco Master com o Banco de Brasília (BRB), mas quando o Banco Central investigou a fusão, constatou que o Banco Master não tinha liquidez. O Banco Master havia vendido carteiras de crédito sem valor para o BRB por mais de US$ 2 bilhões.
O colapso do Banco Master expôs a corrupção em altos escalões envolvendo políticos, financistas e o judiciário em Brasília.
Fernando Haddad, Ministro da Fazenda do Brasil, afirmou queeste pode ser “o maior golpe bancário” da história brasileira. Quinhentos funcionários do banco perderam seus empregos. 1,6 milhão de credores possuem depósitos e investimentos no Banco Master, totalizando mais de US$ 7,6 bilhões. Eles serão indenizados pelo Fundo de Garantia de Crédito do Brasil.
O Banco Master trabalhava com uma corretora de investimentos chamada Reag, que foi liquidadaem meados de janeiro de 2025. A Reag estásendo investigadapor lavagem de dinheiro para a maior organização criminosa e de narcotráfico do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Em 2023, 168,8 milhões de créditos de carbono foram convertidos em cotas de fundos administrados pela Reag. Os créditos de carbono foram transferidos para duas empresas: Global Carbon e Golden Green. A Global Carbon foi avaliada em cerca de US$ 6 bilhões e a Golden Green em cerca de US$ 2,9 bilhões, apesar de não terem vendido nenhum crédito. Isso inflou os ativos dos fundos de investimento administrados pela Reag. Nove dos 11 fundos investiram exclusivamente na Global Carbon e na Golden Green.
Os diretoresda Golden Green são executivos da Reag. Odiretor da Global Carbon é o administrador de uma empresa controlada pelo pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro.
A Reagafirma que seus ativos são auditados ambientalmente e inventariados adequadamente.
A Global Carboninformouao portal UOL que os créditos de carbono provêm de um projeto em Apuí que abrange uma área de cerca de 150.000 hectares.
Os créditos de carbono vieram de um projeto chamado Fazenda Floresta Amazônica, no estado do Amazonas. Mais detalhes sobre esse projeto serão apresentados posteriormente neste post.
A Folha de S.Paulo informouque a Global Carbon e a Golden Green afirmam que o inventário de carbono da área foi realizado pela UNESP (Universidade Estadual Paulista). O valor de 168,8 milhões de créditos de carbono veio da UNESP, segundo a Global Carbon e a Golden Green.
Segundo a Golden Green, a empresa contratou a EY para avaliar os créditos de carbono, e a EY chegoua um valor de cerca de US$ 30 por crédito. Nos quatro anos seguintes, o valor aumentou 53%, supostamente com base em novas estimativas das empresas de auditoria PwC e Crowe.
Mas a EY disseà Folha que foi contratada apenas para “prestar um serviço de verificação da metodologia de fórmulas matemáticas pertencentes ao próprio BMV (Brasil Mata Viva)” e que “a fórmula de cálculo foi verificada, e não os valores ou sua origem”.
A EY acrescentouque “nenhum serviço de auditoria foi contratado”.
O único propósito do produto final era auxiliar a administração da BMV em suas análises e não poderia ser usado para qualquer outra finalidade, nem poderia ser divulgado, manipulado ou distribuído, no todo ou em parte.
A Brasil Mata Viva já foi destaque diversas vezes no REDD-Monitor . Vamos dar uma olhada na empresa e, em seguida, no projeto REDD que afirma ter gerado 168,8 milhões de créditos de carbono.
Brasil Mata Viva
Escrevi pela primeira vez sobre a Brasil Mata Viva em junho de 2012. Uma empresa britânica chamada Carvier Limited estava anunciando 3 milhões de “Unidades de Crédito de Sustentabilidade” (UCS) do Brasil. As UCS eram emitidas pela Brasil Mata Viva. As UCS são basicamente créditos de carbono. Em uma cópia arquivada de seusite , de 2012, a BMV afirmava que as UCS podiam ser usadas “como créditos de carbono no mercado voluntário”.
O site da Carvier incluía umadeclaraçãosobre a metodologia de Maria Tereza Umbelino de Souza, CEO da Mara Viva Brasil. A declaração não explicava nem fornecia um link para a metodologia da BVM. Em vez disso, afirmava que “a BVM é uma norma que luta pela preservação de toda a vida no planeta, promovendo a sustentabilidade em larga escala”.
Isso parece ótimo, mas não é uma metodologia para gerar créditos de carbono. Ou Unidades de Crédito de Sustentabilidade.
Carvier fazia parte de uma rede de empresas fraudulentas no Reino Unido que vendiam terrenos e créditos de carbono como investimentos. As empresas enganaram investidores de varejo, causando um prejuízo de pelo menos £7,7 milhões. Os diretores das empresasforam proibidos de exercer cargos de direção por 14 anos .
Eu não fui o único que teve dificuldade em obter uma cópia da norma do BMV.
Em 2012, a consultoria de carbono Climate Focus publicou um relatório intitulado “ Padrões para Financiamento REDD+ Baseado em Resultados ”. O relatório inclui uma seção sobre o Brasil Mata Viva. “Nem o próprio padrão BMV, nem a documentação detalhada dos projetos e seus objetivos estavam disponíveis publicamente no programa BMV”, afirma o relatório.
Em vez de observar que isso é um sinal de alerta enorme, a Climate Focus se baseou em “informações sobre os principais parâmetros de projeto da norma” que foram “fornecidas diretamente pelo programa BMV”.
A Climate Focus também escreveu que “as auditorias são realizadas por terceiros, incluindo universidades como a Universidade Estadual Paulista (UNESP), certificadoras internacionais como a TÜV Rheinland, bem como instituições públicas de gestão ambiental e social”. A fonte dessa declaração foio site do BMVe uma “comunicação eletrônica da Brasil Mata Viva, de 16 de novembro de 2012”.
Aliás, o site do BMV incluía uma “cópia ilustrativa” de um certificado de 5.389.746 Unidades de Crédito Sustentável (UCS) referentes à “guarda, preservação e proteção de 3.900 hectares de áreas florestais do Bioma Amazônico”:
Mais uma vez, a Climate Focus deixou de notar esse enorme sinal de alerta.
O envolvimento da UNESP
A Ecosystem Marketplace incluiu a BMV em seu relatório “Estado dos Mercados de Carbono Florestal 2011 ”. A Ecosystem Marketplace escreve que, em 2010, a BMV “surgiu no radar pela primeira vez com relatos de volumes substanciais contratados”. A Ecosystem Marketplace afirma que os projetos da BMV “são supervisionados e apoiados pelo governo local, pela Universidade do Estado de São Paulo (UNESP) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)”.
Em 1º de fevereiro de 2015, a Universidade Estadual Paulistapublicou um aviso em seu site que declarava o seguinte:
Informações sobre o programa BMV no site: Brasil Mata Viva
A Assessoria de Imprensa (ACI) da UNESP informa que, ao contrário do que consta no site do Programa Brasil Mata Viva, a UNESP não certifica ações voltadas à sustentabilidade ambiental, social e econômica. A metodologia foi desenvolvida na UNESP pelos Profs. Drs. Iraê Amaral Guerrini, professor do Departamento de Solos e Recursos Ambientais, e Carlos Alexandre Costa Crusciol, professor do Departamento de Produção e Melhoramento de Plantas da Faculdade de Ciências Agronômicas do Campus de Botucatu, e tem como objetivo avaliar e validar a quantificação de carbono armazenado (floresta em pé) em determinadas áreas rurais, não devendo ser confundida com a quantificação de créditos de carbono.
Assessoria de Imprensa e Comunicação da UNESP São Paulo, 1 de fevereiro de 2015 (atualizado às 10h47)
No entanto, aqui está a capa do que parece ser um relatório da UNESP datado de novembro de 2011:
O resumo inclui um valor de R$ 65,73 para cada Unidade de Crédito de Sustentabilidade do BMV. O relatório afirma que,
O objetivo deste relatório foi analisar a monetização das Unidades de Conservação de Recursos Hídricos (UCS) geradas pelos projetos Brasil Mata Viva, denominados Xingu Mata Mata, Madeira Mata Viva, Arinos Mata Viva e Teles Pires Mata Viva, chegando a uma base de cálculo confiável que determine com precisão a estimativa do valor monetário de uma UCS nessas regiões.
Em 26 de janeiro de 2026, a Folhanoticiouque a UNESP negou ter realizado o cálculo para determinar a quantidade de carbono armazenada na área do projeto REDD, apesar das alegações da Global Carbon de que o havia feito. A UNESP afirmou que,
Em nenhum momento a UNESP assinou contratos ou acordos com essas empresas, nem permitiu que outros o fizessem, nem autorizou o uso de seu nome, seja por funcionários ou terceiros, para endossar qualquer forma de prestação de serviços às empresas mencionadas nos relatórios.
A UNESPafirmou que tomou conhecimento do caso pela primeira vez através de reportagens da Folha.
Mas a Global Carbon e a Golden Greenderam à Folha o que certamente parece ser um relatório da UNESP, datado de março de 2023:
O título se traduz como “Relatório sobre a quantificação dos estoques de carbono na cobertura vegetal natural da Fazenda Floresta Amazônica, AM”.
A Folhaconversoucom um dos autores do relatório, o professor Iraê Amaral Guerrini, da UNESP. Ele afirmou ter sido pago pela Global Carbon para elaborar o relatório. Este relatório não atribui um valor financeiro aos créditos de carbono. No entanto, no ano seguinte, Guerrini publicou um novo estudo intitulado “Relatório sobre a Precificação das Unidades de Estoque de Carbono”.
A Folha citou Guerrini dizendo que “sua pesquisa foi utilizada em projetos como o Brasil Mata Viva (BMV) desde 2010, em um acordo assinado entre o BMV e a AUIN (Agência de Inovação da UNESP), sendo a metodologia propriedade intelectual da UNESP”.
Fazenda Floresta Amazônica
O projeto Fazenda Floresta Amazônica abrange uma área de 145.159 hectares. Foi criado e é administrado pela Brasil Mata Viva.
Em julho de 2024, a Fazenda Floresta Amazônica teve sua licença cassada temporariamente pela Corregedoria de Justiça do Estado do Amazonas. Esta decisão seguiu-seà Operação Greenwashingda Polícia Federal lançada em junho de 2024. A Operação Greenwashing revelou um enorme esquema de fraude de carbono
Em dezembro de 2024, o Globo Ruralinformou que 68% da área do projeto se sobrepõe ao Assentamento Agroextrativista Aripuanã-Guariba. Os Projetos de Assentamento Agroextrativista fazem parte de uma política de reforma agrária, na qual são concedidos direitos exclusivos de uso coletivo às populações tradicionais. Eles são gerenciados pelo Instituto Nacional de Reforma Agrária (INCRA).
O Global Rural obteve um documento produzido pelo INCRA sobre o projeto. Ele inclui este mapa, que mostra o Assentamento Agroextrativista em laranja e o limite do projeto REDD delineado em vermelho:
Crédito da foto: Globo Rural .
A INCRA afirma que existem indícios de que “o registo é impróprio, irregular e falho em muitos aspetos”.
O projeto apareceu nosite do BMVcom a alegação de que 232.404.160 créditos haviam sido emitidos. A área do projeto Fazenda Floresta Amazônica agora parece fazer parte do projetoMadeira Mata Viva do BMV.
O nome da TÜV Rheinland é usado no site da BMV, embora a BMV não explique qual o papel que a TÜV Rheinland desempenha em nenhum de seus projetos.
Em 2018, o REDD-Monitorperguntouà TÜV Rheinland se a TÜV Rheinland de fato realizava a verificação e certificação para veículos comerciais leves (ou se já o havia feito no passado). Um porta-voz da TÜV Rheinland respondeu:
“A TÜV Rheinland não cedeu o uso de seu logotipo à BMV, apenas o uso do Relatório de Verificação e da Declaração de Verificação. Este acordo expirou há 7 anos. Notificaremos a BMV para que pare de usar nosso logotipo imediatamente.”
Na sequência da Operação Greenwashing, o INCRA realizou sua própria investigação e descobriu grilagem de terras na Fazenda Floresta Amazônica. Em outubro de 2025, o INCRA recomendou que o Ministério Público Federal Especializado cancelasse a licença.
A Global Rural obteve documento em que o INCRA aponta a irregularidade fundiária na Fazenda Floresta Amazônica:
Crédito da foto: Globo Rural .
Questionada pelo Globo Rural , a prefeituraafirmou que não há registro de “nenhum pedido, comunicação ou notificação referente a um projeto de carbono na Fazenda Floresta Amazônica.
Por João dos Reis Silva Junior e Vera Lúcia Navarro*
O ser social pesquisador, nas sociedades dependentes, não pode ser compreendido apenas como um profissional da ciência ou como um especialista técnico. Ele é, antes de tudo, uma forma social historicamente produzida pela própria estrutura da dependência. Sua existência intelectual não nasce em um espaço neutro, mas em um campo de forças marcado por subordinação econômica, hierarquias internacionais do conhecimento e assimetrias estruturais de poder (Marini, 1973; Bambirra, 1978; Dos Santos, 1978). Pesquisar, nesse contexto, não é apenas investigar objetos: é ocupar uma posição social específica dentro da divisão internacional do trabalho intelectual.
A dependência ampliada desloca a pesquisa do seu sentido clássico de produção autônoma de conhecimento e a insere em circuitos globais de validação científica, financiamento, indexação e reconhecimento simbólico. O pesquisador passa a operar em um sistema onde o valor do saber não é definido por sua relevância social local, mas por sua capacidade de circular em bases internacionais, revistas indexadas, rankings institucionais e métricas de produtividade (Oliveira, 2003; Arantes, 2014). A ciência se transforma, assim, em uma mercadoria simbólica regulada por dispositivos globais, e o pesquisador em um trabalhador cognitivo inserido nesses fluxos.
Isso produz uma transformação profunda na própria subjetividade científica. O pesquisador já não organiza sua atividade prioritariamente a partir das necessidades históricas da sociedade em que vive, mas a partir de agendas externas, temas legitimados internacionalmente, formatos metodológicos padronizados e linguagens teóricas consagradas fora de seu espaço social (Santos, 2007). A pesquisa deixa de ser, gradualmente, uma forma de interpretação crítica da realidade e passa a ser um procedimento técnico de produção de resultados reconhecíveis nos circuitos globais da ciência.
É nesse cenário que se configura a dupla alienação. A primeira dimensão é material-institucional: o pesquisador se torna força de trabalho intelectual integrada a sistemas de financiamento, avaliação e produtividade que não respondem às demandas sociais da formação dependente, mas às lógicas transnacionais da ciência e do capital (Marini, 1973; Oliveira, 2003). Seu trabalho é organizado por editais, métricas, plataformas, indicadores e sistemas de avaliação que definem o que é relevante, o que é financiável e o que é publicável.
A segunda dimensão é simbólico-epistêmica: o pesquisador passa a pensar a realidade a partir de categorias, teorias e paradigmas produzidos em outros contextos históricos, que são apresentados como universais, neutros e cientificamente superiores (Quijano, 2000). Isso gera uma ruptura entre conhecimento e experiência social concreta. Ele interpreta sua própria realidade com lentes que não nasceram dela. Produz diagnósticos sofisticados, mas muitas vezes desconectados da vida social real. Alienado do produto do seu trabalho e alienado do sentido histórico do conhecimento que produz.
Nesse processo, o epistemicídio deixa de ser exceção e se torna estrutura. Não se trata apenas do apagamento de saberes tradicionais, indígenas ou populares, mas da produção sistemática de uma hierarquia global do conhecimento, onde epistemes do Sul são desqualificadas como locais, periféricas, insuficientemente teóricas ou metodologicamente frágeis (Santos, 2007; Quijano, 2000). As tradições intelectuais latino-americanas são marginalizadas, enquanto cânones eurocentrados são naturalizados como padrão universal de cientificidade.
O pesquisador, muitas vezes sem intenção consciente, passa a operar como agente reprodutor desse epistemicídio: reproduz currículos, bibliografias, referências, agendas e modelos teóricos que apagam sua própria tradição crítica. Ensina teorias importadas, cita autores centrais do Norte Global, organiza a pesquisa segundo padrões internacionais e, assim, contribui para a invisibilização sistemática do pensamento produzido em sua própria formação social.
Forma-se, então, uma figura paradoxal: um sujeito altamente qualificado, produtivo, tecnicamente competente e internacionalizado, mas historicamente desenraizado. Ele pesquisa, publica e circula, mas não enraíza. Produz dados, artigos e indicadores, mas não produz sentido social. Opera categorias complexas, mas frequentemente não fala desde o seu lugar histórico. A dependência ampliada transforma o pesquisador em mediador técnico de saberes globais, e não em intérprete crítico da própria sociedade (Arantes, 2014; Oliveira, 2003).
Por isso, pensar o ser social pesquisador exige tratá-lo como categoria histórica, não apenas como função institucional. Ele é constituído pela dependência, moldado pela dupla alienação e inserido em um sistema onde o epistemicídio opera como normalidade institucional. Recuperar sua potência crítica não é uma questão apenas metodológica, mas histórica, política e civilizatória. Implica romper com a neutralidade tecnocrática da ciência, reconstruir o vínculo entre teoria e formação social concreta e reinscrever a produção do conhecimento no tempo histórico dos países dependentes.
Não se trata apenas de melhorar métodos ou atualizar bibliografias. Trata-se de redefinir o sentido social da pesquisa. De recolocar o conhecimento como instrumento de interpretação crítica da realidade e não apenas como produto técnico circulável. No fundo, a questão não é apenas como se produz ciência, mas para quem ela é produzida, a que interesses ela serve e que mundo ela ajuda a sustentar.
Referências (ABNT)
ARANTES, Paulo Eduardo. O novo tempo do mundo: e outros estudos sobre a era da emergência. São Paulo: Boitempo, 2014.
BAMBIRRA, Vânia. O capitalismo dependente latino-americano. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
DOS SANTOS, Theotonio. Imperialismo e dependência. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
MARINI, Ruy Mauro. Dialética da dependência. México: Era, 1973.
OLIVEIRA, Francisco de. Crítica à razão dualista / O ornitorrinco. São Paulo: Boitempo, 2003.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2000.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Revista Crítica de Ciências Sociais, Coimbra, n. 78, p. 3–46, 2007.
João dos Reis Silva Junior é professor titular da Universidade Federal de São Carlos e atua no Programa de Pós-Graduação em Educação dessa instituição. Vera Lúcia Navaro é professora associada da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP/USP), da Universidade de São Paulo, e integra o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da FFCLRP/USP.
Tenho lido várias análises interessantes não apenas sobre os resultados da avaliação quadrienal da CAPES, mas também sobre o contexto em que está imerso o sistema nacional de pós-graduação. Resolvi, então, expor minhas próprias posições sobre o que observo cotidianamente, não apenas no programa em que estou inserido na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), o Programa de Políticas Sociais, mas também em outros nos quais participo eventualmente como avaliador de trabalhos de conclusão de Mestrado e Doutorado.
Salta aos olhos que a pós-graduação passou por um profundo ajuste desde 1998, ano em que ingressei como professor na Uenf. A principal questão que identifico é que a CAPES logrou desenvolver um sistema de centralização que, por um lado, padronizou o funcionamento dos programas e, por outro, causou forte perda de autonomia na definição dos elementos estratégicos que deveriam orientar seus objetivos. Tudo isso com pouquíssima compensação financeira. Costumo dizer que os docentes da pós-graduação vivem cumprindo tarefas intermináveis, como em um jogo de amarelinha: um pula-pula eterno, sempre com regras novas.
Como já apontaram analistas mais capazes, a CAPES utiliza sua alavancagem financeira, que nem é tão significativa, para criar um ambiente de competição entre programas. Isso não ocorre por mero sadismo, mas pela lógica de estabelecer um ambiente de “livre mercado” no qual os supostamente mais competitivos são premiados com mais verbas.
Do lado dos programas, essa lógica costuma ser assimilada sem maiores questionamentos, pois há a naturalização de que “é assim mesmo” e que reclamar pode render a pecha de programa problemático que não alcança as metas de excelência estabelecidas pela CAPES. Em vez do pensamento crítico e reflexivo que deveria caracterizar qualquer esforço científico, prevalece a busca incessante por notas mais altas nas avaliações, já que elas condicionam o acesso a benefícios, traduzidos em mais verbas de custeio e bolsas. Vive-se o reino do produtivismo acadêmico, em que ser “produtivo” significa gerar mais “produtos”. O que tenho observado é o aumento de produtos aptos a entrar na contabilidade da CAPES, algo semelhante ao que ocorre com caixas de banco que assumem múltiplas funções para ampliar o lucro dos banqueiros.
Pós-graduandos sem lenço nem documento, mas com forte pendor para uma relação garçom/cliente
É importante reconhecer que o ambiente criado pelo sistema de avaliação e ranqueamento da CAPES aposta na formação mais rápida de mestres e doutores, em um contexto no qual a maioria dos graduados não terá emprego. Faltam concursos nas universidades, e isso não é compensado pelas vagas nos institutos federais, que se tornaram uma espécie de válvula de escape.
A CAPES também se mostrou ausente na política de ensino superior ao permitir a redução, nas instituições privadas, da presença de mestres e doutores nos quadros docentes. Seus dirigentes sucumbiram às pressões dessas instituições quanto à empregabilidade desses profissionais, inclusive no âmbito da política de investimento em ciência. Enquanto isso, tais instituições absorvem um volume expressivo de recursos federais por meio de programas de governo. A política de beneficiar instituições privadas com recursos públicos favorece apenas os grandes grupos do ensino privado e resulta na entrega de profissionais de baixa qualificação à sociedade brasileira.
A escassez de empregos ajuda a explicar por que muitos procuram a pós-graduação sem a vontade e a disposição necessárias ao trabalho exigente desse nível de formação. Soma-se a isso um problema geracional agravado pela pandemia de COVID-19, com impactos dramáticos na qualidade intelectual dos ingressantes. Há ainda a crença de que a pós-graduação seria um destino manifesto, em que o diploma deixa de ser fruto de dedicação e compromisso com o conhecimento para se tornar algo presumido desde a aprovação na seleção. Muitos professores sabem que a cobrança por leituras e trabalhos de qualidade pode ser confundida com assédio ou perseguição política.
Nem sempre o problema é de vontade individual, mas resultado de um longo processo de rebaixamento de expectativas quanto às exigências para a certificação. O sistema de pós-graduação acaba arcando com déficits formativos que se iniciam ainda na educação infantil.
Esse processo de precarização formativa resulta na entrada de muitos pós-graduandos sem ferramentas básicas para uma formação exigente. Em nome da multiplicação de títulos, aceita-se tacitamente a necessidade de transigir em nome de um suposto bem comum. Em outras palavras, a pós-graduação brasileira é como um gigante com pés de barro.
A Inteligência Artificial e seus tentáculos estendidos
As ferramentas de inteligência artificial vieram agravar uma situação já problemática. Quem ingressou na pós-graduação há décadas sabe o que significava buscar produções científicas qualificadas, seja por meio de pedidos de separatas aos autores, seja em bibliotecas com acervos limitados.
Hoje, além dos portais eletrônicos — pouco utilizados por muitos alunos —, ferramentas como ChatGPT, DeepSeek e Gemini transformaram a forma de construir bibliografias e elaborar textos. Sem afirmar de saída que isso seja bom ou ruim, já se observa a precarização do esforço intelectual dos estudantes.
A noção tradicional de plágio está superada, e muitos orientadores ainda não perceberam isso. Acostumados a um processo manufatureiro de escrita, nem todos se deram conta de que hoje é possível gerar textos inteiros com um comando. O problema não é apenas a baixa qualidade, mas o fato de muitos textos serem falsificações de qualidade igualmente baixa.
Para agravar o quadro, a maioria dos programas ainda não ajustou regras que regulamentem o uso de IA na produção de dados e textos. Apesar da expansão desses “tentáculos digitais” e da produção crescente de lixo científico, o problema segue sendo ignorado.
A transformação da carreira acadêmica e sua captura pela subjetividade neoliberal
Cabe esclarecer o conceito de subjetividade neoliberal, inicialmente formulado por Michel Foucault e desenvolvido por Pierre Dardot e Christian Laval. Segundo a síntese do Gemini, trata-se de um modo de produção de si no qual o indivíduo se percebe como uma empresa (“capital humano”), orientado por desempenho, competição e autocontrole. Essa mentalidade internaliza a lógica de mercado nas relações sociais e afetivas, gerando isolamento, consumo excessivo e adoecimentos psíquicos.
Há hoje nas universidades brasileiras diversas situações funcionais adversas, inclusive para quem alcançou posições antes consideradas o ápice da carreira. Além da subjetividade neoliberal, o trabalho acadêmico está estruturalmente precarizado. Isso decorre não apenas de salários insuficientes, mas também da ausência de um horizonte claro de entrada e saída no sistema de emprego.
Jovens professores ingressam nas universidades públicas com menos direitos trabalhistas e sem perspectiva de aposentadoria compensatória. A ideia de que o professor universitário é privilegiado só faz sentido em uma sociedade uberizada, em que muitos trabalham longas jornadas sem direitos. Essa precarização reduz o apetite pelo trabalho intelectual e torna a produção qualificada algo desejável, porém secundário. Soma-se a isso a falta de investimentos contínuos na qualificação docente e em laboratórios de qualidade.
A produção e disseminação científica também foram alteradas pela expansão de publicações online sob a bandeira do Acesso Aberto, que transformou os mecanismos de publicação e abriu espaço para a premiação de lixo científico via editais. Há jovens pesquisadores acumulando dezenas de artigos e obtendo prêmios e financiamentos, embora muitos desses trabalhos tenham valor científico questionável.
O resultado é que professores precisam equilibrar cobranças crescentes por produtos mensuráveis com sua própria sobrevivência.
Síntese: uma situação que tende ao fracasso
Considerados em conjunto, os elementos elencados configuram uma verdadeira tempestade perfeita, na qual múltiplas distorções se reforçam mutuamente e produzem resultados estruturalmente equivocados. O problema central não é a ausência de diagnóstico, mas a escassez de disposição crítica para alterar o rumo.
Pode-se alegar que, por ser uma economia dependente, o Brasil não poderia aspirar a protagonismo científico ou a prêmios Nobel. Esse argumento, porém, ignora que outras economias já ocuparam posições ainda mais frágeis e conseguiram reverter trajetórias. A China é um exemplo eloquente de que a posição de partida não determina o destino. O entrave maior não é estrutural, mas a disposição de se acomodar a padrões baixos de exigência e tomar a estagnação como estratégia.
Na conjuntura atual, a adesão quase acrítica ao modelo de avaliação da CAPES e a difusão da subjetividade neoliberal no ambiente universitário apontam para a erosão da autonomia intelectual. Em vez de agentes críticos, corremos o risco de nos tornar executores de métricas. Se esse quadro persistir, a consequência previsível é a consolidação do atraso científico e tecnológico, acompanhada da evasão contínua de quadros qualificados. Trata-se menos de um risco hipotético e mais de uma trajetória já em curso.
A parceria fortalece as ações da plataforma para promoção da gestão hídrica com resiliência e a construção de paisagens regenerativas no Cerrado Mineiro
O Consórcio Cerrado das Águas (CCA) anuncia a entrada da Fondazione Ernesto Illy ETS como nova integrante de sua plataforma colaborativa. Sua chegada atua como um catalisador estratégico para a rede multissetorial que, de forma integrada, promove a resiliência hídrica, a agricultura climaticamente inteligente e a regeneração das paisagens produtivas no Cerrado Mineiro elevando o potencial de impacto das ações já em curso na região.
O CCA reúne atualmente 15 empresas e instituições da cadeia do café, articulando esforços para enfrentar os desafios climáticos e hídricos em um dos territórios mais estratégicos da cafeicultura brasileira. Em 2025, o Consórcio atuou diretamente em 204 propriedades rurais, distribuídas em quatro bacias hidrográficas prioritárias, sendo elas: córrego Feio em Patrocínio, ribeirão Grande em Serra do Salitre, rio Santo Inácio em Coromandel e córrego das Araras em Araguari, ampliando sua escala territorial e impacto coletivo desde o início das atividades, em 2019.
A entrada da Fondazione Ernesto Illy ETS no movimento reforça sua trajetória internacional na promoção da qualidade, inovação e sustentabilidade do café. A parceria com o CCA amplia a atuação de ambas as instituições, potencializando ações que apoiam produtores, fortalecem a governança hídrica local e promovem paisagens produtivas mais resilientes às mudanças climáticas.
Ao integrar a plataforma colaborativa do CCA, a Fondazione Ernesto Illy ETS passa a contribuir ativamente para uma agenda coletiva que conecta ciência, produção, conservação e mercado, reafirmando o compromisso com o futuro do Cerrado Mineiro e com uma cafeicultura que gera valor ambiental, social e econômico de forma integrada e duradoura.
“Estamos extremamente orgulhosos de anunciar o apoio da Fondazione Ernesto Illy ETS, pelos próximos cinco anos, ao Consórcio Cerrado das Águas. Esta colaboração nasce do propósito comum de integrar práticas de agricultura regenerativa com técnicas de restauração direcionadas, em áreas específicas do Cerrado, por meio do plantio de espécies nativas, tornando-as mais resilientes às mudanças climáticas e contribuindo para a conservação dos recursos hídricos. Este projeto responde às prioridades da Fondazione Ernesto Illy de contribuir para a transição ecológica e para a conservação da natureza. Estamos convencidos de que, juntos, podemos gerar um valor duradouro para as comunidades agrícolas e para o futuro do Cerrado Mineiro “, revela Anna Illy, presidente da Fondazione Ernesto Illy ETS.
Resultados de impacto positivo
A parceria ocorre em um momento crucial de expansão. Em 2025, o CCA consolidou o monitoramento de 4.046 hectares por meio do Programa de Investimento no Produtor Consciente (PIPC). Com o suporte da Fundação, esta iniciativa ganha robustez técnica para acelerar a transição de propriedades na adoção de práticas que integram conservação do solo, manejo eficiente da água e cobertura vegetal, garantindo a resiliência dos negócios frente às mudanças climáticas.
O CCA já recuperou 200 hectares em projetos de restauração ecológica. Com o apoio da Fondazione Ernesto Illy ETS, reforçam-se iniciativas como o projeto “Restauração Ecológica e Café”, aprovado no edital Floresta Viva, que investe mais de R$ 4,1 milhões e prevê a restauração de 202 hectares, a elaboração de 25 Planos de Adaptação Climática, a capacitação de produtores e o monitoramento hidrológico e climático em bacias estratégicas do Cerrado Mineiro.
A parceria tem como visão de longo prazo o projeto “Paisagem Regenerativa do Cerrado Mineiro”, lançado em 2025 e em execução. Ele prevê a criação de um corredor ecológico, já mapeou cerca de 2.000 propriedades e tem a meta de transformar 20 mil hectares em transição regenerativa até 2030, conectando conservação, agricultura e desenvolvimento socioeconômico na região, com potencial de expansão para 55 municípios do Cerrado Mineiro.
“A chegada da Fondazione Ernesto Illy ETS valida o modelo de plataforma colaborativa do CCA e potencializa nossa capacidade de transformar o território. Juntos, estamos construindo paisagens onde a produção de café e a segurança hídrica caminham lado a lado, garantindo que a água de amanhã seja fruto da inovação e do cuidado que aplicamos hoje”, declara Fabiane Sebaio, Secretária Executiva do Cerrado das Águas.
Operadores trabalham no pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) na cidade de Nova York, EUA, em 21 de janeiro de 2026. REUTERS/Brendan McDermid
Por Lewis Krauskopf e Suzanne McGee para “Agência Reuters”
NOVA YORK, 5 de fevereiro (Reuters) – O “apocalipse do software” em Wall Street está se intensificando. Agora, os investidores debatem se é hora de se animar com as ações que sofreram forte queda.
As consequências para o setor de software, que inclui algumas ações emblemáticas do recente mercado em alta, refletem a crescente ansiedade em relação à potencial disrupção causada pela inteligência artificial, à medida que os investidores dividem cada vez mais o setor entre vencedores e perdedores. A volatilidade também ocorre em um momento em que os investidores se desfazem de suas participações em tecnologia e migram para outros setores do mercado que, em sua maioria, apresentaram desempenho inferior nos últimos anos, enquanto aguardam os balanços trimestrais das empresas, que podem impactar ainda mais os preços dos ativos.
“A onda de vendas, que provavelmente começou no último trimestre, é uma manifestação da conscientização sobre o poder disruptivo da IA…”, disse James St. Aubin, diretor de investimentos da Ocean Park Asset Management, em Santa Monica, Califórnia. “Talvez seja uma reação exagerada, mas a ameaça é real e as avaliações precisam levar isso em conta.”
Ações de empresas europeias de serviços profissionais desvalorizadas, como a LSEG (LSEG.L), RELX (REL.L). As ações subiram na quinta-feira, indicando que a queda estava diminuindo. Ambas ainda acumulam queda de pelo menos 9% nesta semana.
O índice de software e serviços do S&P 500 (SPLRCIS). O valor de mercado da empresa despencou 13% apenas na última semana, perdendo mais de US$ 800 bilhões nesse período, impulsionado por quedas acentuadas em empresas como a Intuit (INTU.O) ServiceNow (NOW.N), e Oracle (ORCL.N), Em relação ao índice geral S&P 500 (.SPX). Segundo estrategistas de ações da Evercore ISI, o grupo de software apresentou, na terça-feira, seu pior desempenho trimestral desde maio de 2002, durante o período subsequente ao estouro da bolha da internet.
Essas quedas acentuadas desencadearam sinais técnicos que podem indicar, pelo menos temporariamente, um piso para o grupo, e alguns gestores de carteiras têm feito compras modestas das ações desvalorizadas. Os investidores, no entanto, hesitaram em declarar o fim da crise.
“Há valor a longo prazo nessas empresas e elas estão chegando a um ponto em que as considero mais atraentes”, disse Jake Seltz, gestor de portfólio da Allspring Global Investments em Minneapolis, que vem aumentando “marginalmente” suas participações em algumas empresas, incluindo ServiceNow e Monday.com, nos últimos meses. Seltz afirmou que estava aguardando catalisadores para comprar de forma mais agressiva, como empresas de software divulgando forte receita com produtos relacionados à IA ou mais anúncios de clientes corporativos sobre a implementação desse tipo de software.
Desempenho das ações de empresas de software em comparação com o S&P 500 desde o final de outubro.
Afastar-se das ações de tecnologia
Os receios sobre as implicações de uma nova ferramenta do modelo de linguagem Claude, da Anthropic, desencadearam a mais recente onda de volatilidade, que foi agravada por relatórios de resultados decepcionantes, incluindo o da gigante de software Microsoft (MSFT.O).
O índice de software do S&P 500 caiu cerca de 25% desde seu pico recente no final de outubro — um período em que o S&P 500 apresentou pouca variação. Os operadores de opçõesdemonstraram pouco interesse em adquirir ações das empresas de software em forte queda.
“Isto foi um verdadeiro apocalipse do software”, disse Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da B Riley Wealth.
A forte queda nas ações de empresas de software também ocorre durante uma rotação mais ampla do mercado, com uma fuga de empresas de tecnologia e um aumento na procura por ações de valor e qualidade em outros setores, como bens de consumo essenciais, energia e indústria, que até recentemente eram menos favorecidos do que o setor de tecnologia durante o mercado de alta que começou em outubro de 2022.
“O motivo correto para vender essas empresas caras é que existem outras oportunidades em setores com melhor avaliação e maior potencial de crescimento, e não porque você está em pânico com uma possível queda nas empresas de software e tecnologia”, disse Jim Masturzo, diretor de investimentos da Research Affiliates.
O relatório “Recalibrando o Risco Climático“explica por que os modelos econômicos usados por governos, bancos centrais e investidores estão subestimando cada vez mais os riscos climáticos à medida que o mundo se aproxima de 2°C. Ele mostra como isso pode criar uma falsa sensação de segurança e defende uma colaboração mais estreita entre cientistas climáticos, economistas, reguladores e investidores.
Liderado pela equipe Green Futures Solutions da Universidade de Exeter, em parceria coma Carbon Tracker, o relatório se baseia na opinião de especialistas em clima de 12 países para esclarecer onde os ‘modelos de danos’ atuais falham e o que os tomadores de decisão devem fazer para gerenciar os riscos de investimento em um cenário de crescente incerteza.
O relatório baseia-se em trabalhos anteriores que questionam a subestimação dos danos climáticos na tomada de decisões financeiras, incluindo o relatório “Loading the DICE Against Pensions” (2023) da Carbon Tracker e “The Emperor’s New Climate Scenarios“ (IFoA/Universidade de Exeter, 2023). O novo relatório descreve detalhadamente as falhas nas abordagens atuais de modelagem de danos, novas medidas para aprimorar esses modelos e as implicações para reguladores, investidores e fornecedores de cenários.
Principais conclusões
Os danos físicos causados pelo clima são estruturais e cumulativos. Em níveis mais elevados de aquecimento, os impactos tendem a se propagar por diversos setores e regiões geográficas, comprometendo as condições essenciais para o crescimento estável das economias. Isso contradiz uma premissa fundamental de muitos modelos econômicos, que pressupõem a continuidade do crescimento econômico indefinidamente, apenas em ritmo mais lento.
Os extremos são o que mais importa, não as médias – temperatura média global
Embora a modelagem econômica tradicionalmente tenha relacionado os danos às mudanças na temperatura média global, as sociedades e os mercados vivenciam as mudanças climáticas por meio de extremos locais e regionais, como ondas de calor, inundações e secas, que causam a maior parte dos transtornos econômicos e financeiros, embora muitas vezes mal sejam registrados nas médias globais.
Os extremos são o que mais importa, não as médias – Produto Interno Bruto (PIB)
Embora seja um indicador útil, o Produto Interno Bruto (PIB) pode mascarar os danos totais ao não levar em conta os impactos sobre a mortalidade e a morbidade, a desigualdade, a perda de ecossistemas e a desestruturação social — todos fatores que comprometem a saúde social, humana e econômica. À medida que esses riscos aumentam, confiar em avaliações baseadas no PIB pode dar aos formuladores de políticas e às instituições financeiras uma falsa sensação de resiliência, mesmo quando a vulnerabilidade subjacente aumenta (por exemplo, gastos com recuperação que impulsionam o PIB após um desastre climático, mascarando completamente as perdas de bem-estar).
A incerteza aumenta acentuadamente com o aquecimento global
Com as temperaturas caminhando para um aumento de 2°C no futuro, especialistas enfatizam que os impactos se tornam cada vez mais imprevisíveis, à medida que os pontos de inflexão e os riscos extremos aumentam. Mesmo que os modelos continuem a produzir estimativas pontuais aparentemente precisas, os riscos climáticos provavelmente minarão as premissas de crescimento contínuo, fundamentais para muitos modelos econômicos. Os formuladores de políticas devem estar atentos a cenários climáticos que ultrapassem certos níveis de temperatura e adotar uma abordagem abrangente para os riscos extremos.
Saber mais
O relatório “Recalibrando o Risco Climático” foi escrito pelo Dr. Jesse Abrams , Dr. Sam Hu e Ben Dickenson Bampton, da equipe de Soluções para Futuros Verdes da Universidade de Exeter. Foi desenvolvido em parceria com a Carbon Trackere com financiamento da Aurora Trust . Ele reúne a opinião de 68 cientistas climáticos de 12 países, com o objetivo de desenvolver um consenso inicial e uma agenda de pesquisa para aprimorar a modelagem de danos.
Estados e entidades financeiras utilizam modelos que ignoram os impactos de eventos climáticos extremos e pontos de inflexão climático
Os modelos climáticos pressupõem que o futuro se comportará como o passado, apesar da queima de combustíveis fósseis estar levando a Terra a um território desconhecido. Fotografia: Mohamed Messara/EPA
Damian Carrington, editor de Meio Ambiente, para “The Guardian”
A recuperação seria muito mais difícil do que após a crise financeira de 2008, disseram eles, pois “não podemos resgatar o mundo como fizemos com os bancos”.
À medida que o mundo se aproxima de um aquecimento global de 2°C, os riscos de desastres climáticos extremos e pontos de inflexão climáticos estão aumentando rapidamente. No entanto, os modelos econômicos atuais usados por governos e instituições financeiras ignoram completamente esses choques, afirmaram os pesquisadores, prevendo, em vez disso, que o crescimento econômico estável será desacelerado apenas pelo aumento gradual das temperaturas médias. Isso ocorre porque os modelos pressupõem que o futuro se comportará como o passado, apesar da queima de combustíveis fósseis estar levando o sistema climático a um território desconhecido.
Pontos de inflexão, como o colapso de correntes atlânticas críticas ou da camada de gelo da Groenlândia, teriam consequências globais para a sociedade. Acredita-se que alguns estejam em seus pontos de inflexão, ou muito próximos deles, mas o momento exato é difícil de prever. Desastres climáticos extremos combinados poderiam devastar economias nacionais, afirmaram os pesquisadores da Universidade de Exeter e do think tank financeiro Carbon Tracker Initiative.
O relatório conclui que governos, reguladores e gestores financeiros devem prestar muito mais atenção a esses riscos de alto impacto, mas de baixa probabilidade, porque evitar consequências irreversíveis através da redução das emissões de carbono é muito mais barato do que tentar lidar com elas.
“Não estamos lidando com ajustes econômicos administráveis”, disse o Dr. Jesse Abrams, da Universidade de Exeter. “Os cientistas climáticos que entrevistamos foram inequívocos: os modelos econômicos atuais não conseguem captar o que mais importa – as falhas em cascata e os choques cumulativos que definem o risco climático em um mundo mais quente – e podem minar os próprios fundamentos do crescimento econômico.”
“Para as instituições financeiras e os formuladores de políticas, trata-se de uma leitura fundamentalmente equivocada dos riscos que enfrentamos”, disse ele. “Estamos pensando em algo como a crise de 2008, mas da qual também não conseguiremos nos recuperar. Uma vez que ocorra um colapso do ecossistema ou uma crise climática, não poderemos resgatar a Terra como fizemos com os bancos.”
Mark Campanale, CEO da Carbon Tracker, afirmou: “O resultado líquido de conselhos econômicos falhos é a complacência generalizada entre investidores e formuladores de políticas. Há uma tendência em certos departamentos governamentais de trivializar os impactos das mudanças climáticas na economia para evitar tomar decisões difíceis hoje. Este é um grande problema – as consequências do atraso são catastróficas.”
Hetal Patel, do Phoenix Group, que administra cerca de 300 bilhões de libras em investimentos de longo prazo para seus clientes, disse: “Subestimar o risco físico não apenas distorce as decisões de investimento, como também minimiza as consequências no mundo real que, em última análise, afetarão a sociedade como um todo.”
Em 2025, os atuários previram que a economia global poderia enfrentar umaperda de 50% do PIB entre 2070 e 2090 devido a choques climáticos catastróficos, um valor muito superior às estimativas anteriores.
Onovo relatóriobaseou-se em pareceres de 68 cientistas climáticos de instituições de pesquisa e agências governamentais do Reino Unido, Estados Unidos, China e outros nove países. Uma das principais conclusões foi que, embora a modelagem econômica tradicionalmente associe os danos climáticos às mudanças nas temperaturas médias, as sociedades e os mercados sofrem mais com eventos extremos, como ondas de calor, inundações e secas.
Outra descoberta foi que o PIB pode mascarar o custo total dos danos climáticos, ao não contabilizar mortes e doenças, perturbações sociais e ecossistemas degradados. O PIB pode, na verdade, aumentar após desastres devido aos gastos com a recuperação, acrescentaram os pesquisadores.
Eles afirmaram que, em vez de esperar por modelos perfeitos de risco, deve-se dar maior ênfase aos extremos, e não apenas às estimativas centrais, e à vulnerabilidade de todo o sistema financeiro. Os investidores também devem acelerar a transição para longe dos combustíveis fósseis como um dever fiduciário para evitar grandes perdas futuras, disse Campanale.
Os modelos econômicos atuais podem fornecer estimativas de perdas que parecem precisas, mas que os cientistas consideram extremamente otimistas. “Alguns dizem que teremos uma perda de 10% do PIB com um aquecimento global entre 3°C e 4°C, mas os cientistas climáticos afirmam que a economia e a sociedade deixarão de funcionar como as conhecemos. Há uma grande discrepância”, disse Abrams.
Laurie Laybourn, da Strategic Climate Risks Initiative, afirmou: “Atualmente, estamos vivenciando uma mudança paradigmática na velocidade, escala e gravidade dos riscos impulsionados pela crise climática e ambiental. No entanto, muitas regulamentações e ações governamentais estão perigosamente desconectadas da realidade.”
Sentenças que determinaram demolição de estruturas irregulares e recuperação ambiental não foram cumpridas
O Ministério Público Federal (MPF) voltou a cobrar o cumprimento imediato de decisões judiciais que determinam a desocupação de restaurantes e pousadas, a demolição de quiosques e a recuperação ambiental da Praia Brava, em Armação dos Búzios (RJ). Em manifestação apresentada no cumprimento provisório de sentença de uma ação civil pública ajuizada ainda em 2006, o MPF aponta desrespeito às ordens judiciais e pede a aplicação imediata das multas diárias já fixadas, inclusive contra agentes públicos responsáveis pela fiscalização da área.
De acordo com o MPF, apesar de decisões definitivas e reiteradas do Judiciário – inclusive do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) –, a ocupação irregular da praia continua e vem sendo intensificada, especialmente durante a temporada de verão. Estruturas de grande porte, como palcos, tendas fixas, mesas, cadeiras e sofás, estariam sendo instaladas tanto na faixa de areia quanto em área de preservação permanente e em terrenos de marinha, que são bens pertencentes à União.
“Causa perplexidade que, mesmo após quase duas décadas de tramitação do processo e decisões claras determinando demolições, desocupações e a proibição de novas construções, o cenário seja de agravamento da degradação ambiental e de privatização indevida da praia”, afirmou o procurador da República Leandro Mitidieri.
Decisões judiciais ignoradas
A ação civil pública trata de construções irregulares erguidas na Praia Brava sem autorização da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e sem licenças ambientais. A sentença condenou particulares e o município de Armação dos Búzios a promoverem a demolição das estruturas dos quiosques, pousadas e restaurantes, a retirada dos entulhos, a abstenção de novas edificações e atividades comerciais na faixa de areia, além do pagamento de indenizações por danos ambientais. Também foi fixada multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Em 2021, o TRF2 manteve integralmente a sentença, reconhecendo que as praias e áreas de restinga são bens públicos de uso comum do povo e áreas de preservação permanente, não sendo admitida a aplicação da teoria do fato consumado em matéria ambiental. Mais recentemente, em novembro de 2025, o Tribunal reforçou que não há qualquer impedimento processual para o cumprimento imediato da sentença e das medidas impostas.
Ainda assim, segundo o MPF, os responsáveis seguem protelando o cumprimento das decisões, aproveitando-se da alta temporada para ampliar a exploração econômica irregular da área.
Bem público
Na manifestação, o MPF destaca que a Praia Brava é bem público da União, de uso comum do povo, e que a sua ocupação irregular fere o direito constitucional ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. O órgão também aponta omissão do poder público municipal no exercício do dever de fiscalização, o que contribui para a continuidade dos danos ambientais.
“Não se trata apenas de descumprimento de uma ordem judicial, mas de uma afronta direta ao interesse público e ao direito da coletividade de acessar livremente uma praia que é bem público da União, de uso comum do povo”, ressaltou o procurador. Segundo ele, “a devolução da Praia Brava à sociedade e a recuperação do meio ambiente degradado são medidas inadiáveis”.
Pedido de medidas imediatas
Diante do quadro, o MPF requer a aplicação imediata das multas diárias já estabelecidas, especialmente contra os agentes públicos responsáveis, como forma de assegurar a efetividade das decisões judiciais e impedir novos danos. O objetivo, segundo o órgão, é pôr fim à ocupação ilegal, garantir a recuperação ambiental da área e assegurar que a Praia Brava volte a cumprir sua função social como bem de uso comum do povo.