Globo: a imparcialidade fica para depois do filé mignon do almoço?

A notícia de que Flávio Bolsonaro se reúne com a cúpula da Globo poucas horas antes de sua sabatina coloca sob suspeita a equidistância que se espera da emissora. Segundo a reportagem do Brasil 247, o candidato participa nesta sexta-feira de um almoço reservado com dirigentes da empresa. A apuração original, de Igor Gadelha, no Metrópoles, acrescenta um elemento decisivo: segundo auxiliares de Lula, o presidente não teria recebido convite semelhante antes de sua entrevista. Se confirmada essa diferença, a desigualdade de tratamento começa antes de as câmeras serem ligadas.

É necessário precisar a agenda: o compromisso de Flávio nesta noite de 16 de outubro é uma sabatina; o debate da Globo está previsto para 23 de outubro. A distinção reforça a pertinência do questionamento: numa entrevista, a emissora controla diretamente a seleção dos assuntos, a formulação das perguntas e a insistência diante de respostas evasivas.

Um almoço, por si só, não prova combinação de perguntas, favorecimento editorial ou acordo político. Mas a confiança no jornalismo exige procedimentos que permitam verificar sua independência. Receber reservadamente um candidato, acompanhado do coordenador de sua campanha, no dia em que ele será entrevistado exige transparência sobre o propósito do encontro e sobre a oferta de condições equivalentes ao adversário. A presença de Rogério Marinho, relatada pelo Metrópoles, torna particularmente insuficiente tratar a reunião como simples gentileza social. 

A contradição central está entre a igualdade apresentada ao telespectador e o acesso aos bastidores. Cronômetros iguais e cenários idênticos não bastam para assegurar equidade. Ela também depende da relevância das perguntas, do rigor na contestação de informações falsas, da cobrança por propostas concretas e do espaço concedido a cada candidato para escapar de assuntos incômodos. Uma entrevista pode parecer dura pelo tom e ser confortável pelo conteúdo.

Há ainda uma contradição política: a narrativa bolsonarista de perseguição pela imprensa precisa ser confrontada com essa interlocução reservada com dirigentes de uma das principais empresas de comunicação do país. O acesso relatado não combina facilmente com a imagem de um candidato permanentemente excluído ou hostilizado pelo sistema midiático.

Como esperar tratamento equânime? Cobrando evidências de equidade, em vez de aceitar uma declaração de imparcialidade. Cabe à Globo esclarecer o encontro e a alegada diferença de convites. Cabe ao público examinar a sabatina desta noite e o eventual debate com atenção ao conteúdo e aos critérios aplicados. A reportagem não permite antecipar que haverá favorecimento, mas oferece razão concreta para fiscalizar. A credibilidade da emissora depende de explicar por que a igualdade prometida diante das câmeras aparentemente não chegou à mesa do almoço.

UENF debate capitalismo contemporâneo na XIII Jornada de Políticas Sociais

Nos dias 20 e 21 de outubro, o Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) realizará sua XIII Jornada, com o tema “Capitalismo contemporâneo em debate: ciência, políticas sociais e sociedade”. As atividades acontecerão na sala Multimídia, no térreo do Centro de Ciências do Homem (CCH), em Campos dos Goytacazes.

A programação articula questões centrais para compreender as transformações da sociedade brasileira: o financiamento da pesquisa científica, o avanço das plataformas digitais e da inteligência artificial sobre o trabalho docente e a produção cultural, os conflitos pelo espaço urbano e os desafios profissionais de quem conclui o doutorado. Ao reunir esses temas, a Jornada oferece uma oportunidade de discutir como as dinâmicas do capitalismo contemporâneo atravessam a universidade, as políticas públicas e a vida cotidiana.

Um destaque será o lançamento da cartilha “O mar vai mudar quando o porto chegar”, elaborada por estudantes e pesquisadores do PPGPS/UENF. Voltada ao apoio a pescadores e pescadoras artesanais, a publicação reúne informações sobre a expansão portuária no sul capixaba e no norte fluminense, seus impactos e os caminhos para a defesa de direitos e territórios.

Confira a programação:

20 de outubro

  • 10h às 12h — Conferência de abertura: “A necessária reforma do sistema nacional de apoio à pesquisa científica e tecnológica no país”, com o professor Wanderley de Souza. Moderação de Geísa Fonseca de Gonçalves, doutoranda do PPGPS.
  • 14h às 16h — Mesa “Plataformização em debate: trabalho docente, inteligência artificial e produção cultural”, com as professoras Amanda Moreira da Silva (PPFH/UERJ) e Christiane Campos (PPGCOM/UFF). As exposições abordarão a reconfiguração do trabalho docente pela digitalização e pela financeirização, além da plataformização da produção cultural como questão educativa. Moderação de Thainá da Conceição Carvalhaes, mestranda do PPGPS.
  • 16h às 16h30 — Lançamento da cartilha “O mar vai mudar quando o porto chegar”, com Ednilson Gomes de Souza Júnior, pós-doutorando em Políticas Sociais.

21 de outubro

  • 10h às 12h — Mesa “Cidade, conflito e segregação: lutas pelo espaço urbano e dinâmicas de exclusão”, com Márcio Piñon de Oliveira (POSGEO/UFF), que discutirá dominação, apropriação e luta pelo espaço urbano, e Tatiana Tramontani Ramos (PPG/UFF Campos), que abordará remoções e reassentamentos no Rio Olímpico a partir dos dados do Programa Minha Casa Minha Vida. Moderação de Nívea Maria dos Santos Pereira Borges, doutoranda do PPGPS.
  • 14h às 16h — Mesa “O processo de finalização do doutoramento e a inserção no mercado de trabalho: experiências acadêmicas e profissionais”, com Heitor Benjamin Campos, pós-doutor em Políticas Sociais, e Luana Leal Ribeiro, doutora em Políticas Sociais. Moderação de Mariana de Oliveira Pohlmann, mestranda do PPGPS.
  • 16h às 17h30 — Autoavaliação do PPGPS: apresentação e discussão dos resultados da avaliação CAPES 2021–2024 com a comunidade do programa. Participam Maria Clareth, Leonardo Miguel, Wagner Torres, Ednilson Gomes de Souza Júnior e Geórgia Manguera.

Em um momento de profundas disputas sobre os rumos da ciência, do trabalho e dos direitos sociais, a Jornada coloca em discussão problemas que ultrapassam os limites da universidade e afetam diretamente a sociedade. Fica o convite à participação e ao debate.

Estudo identifica 111 espécies de pequenos crustáceos no plâncton amazônico e revela estratégias alimentares comuns

Fotografia de uma amostra de zooplâncton com diferentes organismos identificados por números. O número 2 corresponde a Temora stylifera, espécie citada no estudo. menico D’Alelio, Maria Grazia Mazzocchi, Marina Montresor, Diana Sarno, LTER-MC team, CC BY-SA 4.0 / Wikimedia Commons 

Um levantamento de pesquisadores da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e parceiros mostra diferenças na composição do plâncton entre ambientes costeiros, de transição e mais oceânicos da Plataforma Continental Amazônica. Uma análise dos copépodes, pequenos crustáceos que formam o grupo mais abundante nas amostras estudadas, revela que algumas características ecológicas predominantes são compartilhadas entre os ambientes, como onivoria, alimentação mista e captura de presas por emboscada. A diversidade dessas características, por sua vez, varia entre as comunidades analisadas. As constatações estão em artigo publicado na sexta (16) na revista Brazilian Journal of Biology.

Essenciais para a sustentabilidade da vida aquática, os copépodes vivem à deriva na água e têm a função essencial de levar carbono e energia dos microrganismos e das algas para animais maiores. Esses pequenos animais, que costumam ter de 1 a 5 milímetros de comprimento, servem de alimento para larvas de peixes e ajudam a manter os ciclos de nutrientes do planeta.

O trabalho analisou amostras coletadas em 2001, durante três campanhas oceanográficas, em 51 pontos da Plataforma Continental Amazônica e de águas oceânicas próximas, ao largo de Maranhão, Pará e Amapá. As redes percorreram a coluna de água desde a superfície até profundidades máximas entre 12 e 200 metros, conforme o ponto de coleta. Os pesquisadores identificaram 197 grupos de organismos, incluindo 111 espécies de copépodes. Desses grupos, 64 foram registrados nas três campanhas.

Além da identificação dos organismos, a equipe analisou características ecológicas de 101 espécies de copépodes, para as quais havia informações disponíveis. Foram avaliadas suas estratégias de alimentação e reprodução, os tipos de alimento consumidos, os ambientes que ocupam e sua distribuição na coluna de água, organizando essas informações em 29 categorias.

Os dados foram obtidos há mais de duas décadas no âmbito do programa REVIZEE — Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). A base permanece relevante por fornecer uma linha de base histórica indispensável para a avaliação da biodiversidade em um ecossistema tropical onde registros biológicos contínuos são escassos.

“Estas amostras representam um patrimônio científico que continua produzindo conhecimento. Conhecer a diversidade dos copépodes contribui para compreender as relações alimentares que sustentam a vida marinha e pode orientar pesquisas e ações de acompanhamento ambiental”, explica o professor Nuno Melo, da UFRA, autor líder do artigo, que também conta cientistas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e da Universidade de Aveiro, em Portugal.

Segundo o autor, os resultados do trabalho dialogam diretamente com as recomendações do Plankton Manifesto, iniciativa vinculada ao Pacto Global da ONU criada para conscientizar a sociedade e orientar decisões de conservação sobre a vida planctônica. O manifesto internacional pede investimentos contínuos e redes permanentes de observação dos oceanos para acompanhar as mudanças ecológicas ao longo do tempo. Ao mostrar a importância dos pequenos crustáceos para a cadeia alimentar na costa brasileira, o estudo reforça que a proteção dos oceanos também deve incluir os organismos microscópicos, muitas vezes ignorados.

Dando continuidade às pesquisas, os pesquisadores desenvolvem atualmente o Projeto PLUMA, financiado pela Petrobras e executado pela UFRA com apoio da FADESP. Nesta nova fase, os pesquisadores analisam a composição química da água, acompanham o zooplâncton e os organismos que vivem na superfície e reúnem dados históricos sobre a pesca na Bacia da Foz do Rio Amazonas. As expedições e coletas em alto-mar ampliarão o conhecimento atual da região e poderão apoiar comparações com os registros históricos do REVIZEE, respeitando as diferenças entre os levantamentos, completa Melo.


Fonte: Agência Bori

Aditivo plástico destinado a substituir ftalatos tóxicos é associado a baixo peso em recém-nascidos, revela estudo

Por Julie Zenderoudi  para “The New Lede” 

A exposição pré-natal a um plastificante introduzido para substituir aditivos plásticos nocivos está associada a pesos mais baixos ao nascer, de acordo com um novo estudo liderado por pesquisadores do NYU Langone Health.

O estudo , publicado em 4 de outubro na revista Environment International, reforça as crescentes evidências de que os próprios produtos químicos substitutos podem representar riscos à saúde.

O di(isononil)ciclohexano-1,2-dicarboxilato (DINCH) foi originalmente introduzido por fabricantes de plástico para substituir os ftalatos , um grupo de substâncias químicas sintéticas usadas principalmente para tornar o plástico mais flexível e durável. Os ftalatos estão associados a uma variedade de impactos na saúde , incluindo partos prematuros, baixo peso ao nascer, disfunções hormonais, diminuição da fertilidade, problemas cardíacos e comportamentais, entre outros.

Pesquisadores da NYU analisaram 6.617 gestações e descobriram que níveis mais altos de DINCH estavam associados a recém-nascidos menores e mais leves. 

Para cada aumento de 10 vezes na exposição ao DINCH, houve uma redução de 27 gramas no peso ao nascer dos recém-nascidos. 

Bebês nascidos de mães com níveis urinários mais elevados de DINCH apresentaram maior probabilidade de serem classificados como “pequenos para a idade gestacional” — o que significa que seu peso ao nascer ficou abaixo do 10º percentil em comparação com outros bebês nascidos no mesmo estágio da gravidez.

“Mesmo pequenas diferenças no tamanho ao nascer podem ser importantes, porque problemas no crescimento fetal podem aumentar o risco de doenças cardíacas, dificuldades de aprendizagem, obesidade e outros problemas que podem persistir na adolescência e na idade adulta”, disse o autor principal, Leonardo Trasande, professor de pediatria da NYU Grossman School of Medicine, em um comunicado à imprensa.

Esses resultados levantam questões sobre se a substituição de ftalatos por novos plastificantes como o DINCH cria uma nova série de preocupações com a saúde — um fenômeno que os cientistas chamam de “substituição lamentável”. 

Shelley Liu, professora associada da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai, afirmou que a substituição lamentável é infelizmente comum quando certos produtos químicos são retirados de uso devido a efeitos adversos.

“Como esses produtos químicos são úteis de alguma forma, como os ortoftalatos que ajudam a tornar os plásticos mais flexíveis, a indústria procura substituí-los por algo que tenha uma função semelhante”, disse Liu. 

O estudo também constatou que mães hispânicas ou com níveis de escolaridade mais baixos tinham maior probabilidade de ter filhos afetados pela DINCH (Síndrome da Deficiência de Hiperatividade na Infância).

Liu afirmou que, embora o estudo em si não investigue as possíveis fontes de exposição desses participantes, “as embalagens de alimentos e os produtos domésticos podem ser fontes importantes de exposição, e as conclusões do estudo sugerem que poderíamos melhorar a regulamentação e o monitoramento desses produtos químicos para garantir que possamos minimizar nossa exposição como sociedade”.

Os pesquisadores afirmam que o estudo defende uma supervisão mais rigorosa dos produtos químicos usados ​​em embalagens de alimentos e outros produtos domésticos, exigindo que sejam “testados antes de serem introduzidos no mercado, em vez de depois de serem associados a problemas de saúde”, disse Trasande.

Em 2017, a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo (CPSC) finalizou uma norma que adicionou cinco ftalatos específicos a uma lista de substâncias químicas restritas em brinquedos e produtos para crianças. A lista não incluía produtos usados ​​durante a gravidez.

No entanto, pesquisadores da Universidade de Stanford e da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill publicaram um estudo em junho analisando plastificantes que foram introduzidos recentemente para substituir substâncias químicas tóxicas como os ftalatos, e descobriram que as substâncias mais recentes tinham efeitos semelhantes aos das substâncias químicas que substituíram.

 “A questão é que os substitutos podem não ser bem estudados em termos de seus impactos na saúde antes de serem colocados em uso, e eles próprios podem ter impactos negativos na saúde”, disse Liu.


Fonte: The New Lede

De Flávio Bolsonaro à Globo e ao Metrópoles: as conexões de Vorcaro que o Brasil precisa conhecer

As revelações sobre o Banco Master expõem uma rede de relações entre poder político, dinheiro e grandes empresas de comunicação. Conhecer essas conexões é um direito democrático, não uma concessão dos poderosos

As relações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, merecem amplo escrutínio público, especialmente em um momento no qual o senador disputa a Presidência da República. Afinal, os eleitores têm o direito de conhecer os vínculos políticos, financeiros e pessoais de quem pretende governar o Brasil, sobretudo quando eles suscitam questionamentos sobre a separação entre interesses públicos e privados. É nesse contexto que considero importante divulgar o site Bolsomaster, que reúne informações sobre o tema e oferece aos interessados uma oportunidade de examinar criticamente as conexões envolvendo Flávio Bolsonaro e o escândalo do Banco Master.

Mas as revelações desta quinta-feira (15/10) ampliaram consideravelmente a dimensão do problema, alcançando também dois importantes grupos de comunicação brasileiros: o Grupo Globo e o portal Metrópoles.  No caso da Globo, mensagens reveladas pela imprensa levaram à demissão de Frederic Kachar, diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio, depois de 29 anos na empresa. Em comunicado oficial, o próprio Grupo Globo reconheceu que as conversas mantidas entre seu executivo e Vorcaro revelavam uma relação inadequada com um anunciante. A empresa reafirmou sua independência editorial, mas o episódio coloca em discussão os limites entre interesses comerciais e decisões jornalísticas.

Já no Metrópoles, a situação revelada pelo UOL é especialmente preocupante. Mensagens extraídas pela Polícia Federal indicam que Daniel Vorcaro recebeu antecipadamente pelo menos 14 reportagens, das quais 11 sofreram alterações após seus pedidos. A interlocução ocorria diretamente com Lilian Tahan, CEO do portal, e teve início em 2024, quando o Banco Master firmou um contrato publicitário de R$ 20 milhões com o veículo. Tahan sustenta que a consulta às fontes constitui uma prática jornalística e nega qualquer relação entre os contratos comerciais e a cobertura editorial.

Essas revelações levantam uma pergunta incontornável: até que ponto o poder econômico consegue ultrapassar as portas das redações e interferir na informação que chega à sociedade? Não se trata de presumir que todos os profissionais desses veículos tenham comprometido sua independência, mas de exigir esclarecimentos sobre práticas concretas que colocam em questão a autonomia editorial.  O caso também demonstra por que a transparência precisa alcançar simultaneamente políticos, banqueiros e empresas de comunicação. Uma democracia não pode depender exclusivamente das informações que os próprios detentores do poder consideram conveniente divulgar.

Por isso, recomendo a leitura crítica do material disponível no Bolsomaster, com atenção à origem dos documentos e à distinção entre fatos comprovados, denúncias e interpretações.

Acesse: https://bolsomaster.site/

Afinal, quando política, dinheiro e comunicação estabelecem relações tão próximas, a sociedade precisa saber quem se relaciona com quem, em quais circunstâncias e com quais interesses. O silêncio, nesse caso, não contribui para a democracia. A transparência, sim.

Flávio Bolsonaro, o duas caras: vota pelo fim da escala 6×1 enquanto seus aliados preparam o salário por hora trabalhada

O voto favorável à redução da jornada contrasta com a defesa de contratos por hora trabalhada, que podem transferir riscos econômicos das empresas para os empregados

A aprovação pelo Senado Federal, nesta quarta-feira (14), da proposta que estabelece a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, com dois dias de descanso remunerado e sem diminuição dos salários, representou um avanço importante no debate sobre os direitos trabalhistas no Brasil. A proposta recebeu 75 votos favoráveis e apenas um contrário. Entre os votos favoráveis estava o do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, que até poucos dias antes criticava a iniciativa.  Entretanto, uma reportagem publicada hoje pelo ICL Notícias, complementada por informações da Folha de S.Paulo, aponta uma contradição que merece atenção. Embora tenha votado favoravelmente ao fim da escala 6×1, Flávio Bolsonaro mantém seu apoio a propostas de flexibilização das relações trabalhistas. Segundo as reportagens, integrantes de sua campanha discutem alternativas para modificar as regras aprovadas caso ele seja eleito presidente.

O elemento central dessa discussão é a proposta de remuneração por horas trabalhadas, defendida pelo senador Rogério Marinho e por outros integrantes do PL. Seus defensores apresentam a modalidade como uma ampliação da liberdade de escolha dos trabalhadores, permitindo contratos diferentes daqueles tradicionalmente regidos pela CLT. O problema é que essa suposta liberdade precisa ser examinada à luz da profunda desigualdade de poder existente entre patrões e empregados.

Afinal, até que ponto um trabalhador que depende de seu salário para alimentar a família possui liberdade efetiva para recusar as condições impostas por uma empresa? Em um mercado de trabalho marcado pela informalidade e pela desigualdade, a negociação individual pode significar, na prática, a transferência dos riscos econômicos do empregador para o empregado.

A diferença entre as duas propostas é substantiva. A redução da jornada com manutenção dos salários assegura ao trabalhador mais tempo de descanso sem perda de rendimento. Já um contrato cuja remuneração seja proporcional às horas efetivamente trabalhadas pode produzir o efeito inverso: menos horas disponíveis significariam menos dinheiro no final do mês.

Tomemos um exemplo simples. Um trabalhador que recebe R$ 2.200 por uma jornada de 44 horas semanais, caso fosse submetido a uma remuneração estritamente proporcional, passaria a receber R$ 2.000 por 40 horas ou apenas R$ 1.000 por 20 horas semanais, considerando o mesmo valor da hora. Evidentemente, esses valores são ilustrativos, mas demonstram por que a manutenção dos salários constitui um elemento fundamental da proposta aprovada no Senado.

Outro aspecto preocupante envolve os direitos associados ao contrato de trabalho. Na modalidade flexível descrita na PEC 12/2026, férias, 13º salário e FGTS seriam calculados proporcionalmente. Isso não significa necessariamente sua extinção formal, mas pode representar uma redução dos valores efetivamente recebidos pelos trabalhadores. A proposta também prevê maior prevalência da negociação individual sobre instrumentos coletivos, diminuindo a participação sindical na definição das condições de contratação. Em um país marcado pelas relações autoritárias entre patrões e empregados, este não é um aspecto secundário.

Os defensores da flexibilização argumentam que ela poderia ampliar oportunidades de emprego, facilitar contratações e reduzir a informalidade.  Estes são argumentos que precisam ser considerados, mas que não eliminam a necessidade de demonstrar como a nova modalidade preservaria a renda, a previsibilidade financeira e os direitos dos trabalhadores. Sem essas garantias, a flexibilidade oferecida às empresas pode se transformar em insegurança para quem depende de seus salários para sobreviver.

A dimensão social dessa discussão é expressiva. Segundo levantamento do Dieese divulgado pela Agência Brasil, a redução da jornada poderá beneficiar aproximadamente 26,8 milhões de trabalhadores, entre empregados formais e informais. Trata-se, portanto, de uma mudança com efeitos potenciais sobre a renda, o descanso e a organização da vida familiar de milhões de brasileiros.  É importante observar que a aprovação da PEC no Senado não significa que suas garantias possam ser automaticamente desfeitas por um futuro presidente. Alterações constitucionais dependeriam de novas deliberações do Congresso, com os quóruns exigidos. Ainda assim, as propostas defendidas pelos integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro indicam que o modelo de contratação e remuneração continuará em disputa.

O episódio evidencia, sobretudo, que o debate sobre o fim da escala 6×1 não pode ser reduzido à quantidade de dias trabalhados. A questão decisiva é saber se a diminuição da jornada virá acompanhada da preservação dos salários e dos direitos ou se abrirá espaço para modalidades de contratação que subordinem ainda mais a renda dos trabalhadores às necessidades das empresas.  O voto de Flávio Bolsonaro favorável à redução da jornada é um fato. Mas a  sua participação na formulação de uma proposta alternativa de remuneração proporcional também é. É justamente a coexistência dessas duas posições que exige esclarecimentos públicos sobre o que efetivamente seria implementado em um eventual governo seu. Porque, para quem vive do próprio trabalho, a diferença entre descansar mais sem perder salário e trabalhar menos recebendo proporcionalmente menos não é uma questão de retórica eleitoral.  Esta é uma diferença que aparece diretamente no orçamento doméstico, na capacidade de pagar as contas e nas condições concretas de sobrevivência.

Meta, algoritmos e eleições: a democracia brasileira não pode ficar refém de Zuckerberg

Testes revelam tratamento desigual da inteligência artificial entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto denúncias de interferência eleitoral chegam ao TSE e a organismos internacionais. Mas a resposta decisiva ao poder das big techs terá de vir das ruas

As denúncias de interferência da Meta nas eleições presidenciais brasileiras ganharam uma dimensão particularmente grave nesta quarta-feira (14). Testes realizados pela Folha de S.Paulo, pela Veja e pelo Brasil de Fato demonstraram que a inteligência artificial da empresa, integrada ao WhatsApp, aceitava produzir peças eleitorais favoráveis a Flávio Bolsonaro, mas recusava solicitações equivalentes envolvendo o presidente Lula. A situação torna ainda mais preocupante o poder concentrado nas mãos da corporação de Mark Zuckerberg, que controla Instagram, Facebook e WhatsApp.

Não estamos mais diante apenas de reclamações sobre redução de alcance, bloqueios de contas ou dificuldades para compartilhar conteúdos políticos. Os testes jornalísticos identificaram uma assimetria concreta no funcionamento da Meta AI, justamente durante o segundo turno de uma eleição presidencial. A empresa reconheceu problemas técnicos e afirmou ter adotado medidas corretivas, mas negou qualquer favorecimento deliberado. A distinção é importante: o tratamento desigual foi documentado, enquanto a existência de uma estratégia intencional de manipulação eleitoral ainda precisa ser demonstrada.

A gravidade da situação já levou o Tribunal Superior Eleitoral a exigir explicações da Meta sobre as restrições denunciadas pela campanha de Lula. Entre os questionamentos estão possíveis limitações à distribuição de publicações, dificuldades no impulsionamento de conteúdos e a existência de centenas de perfis falsos que teriam produzido milhões de visualizações com ataques ao presidente e à primeira-dama. A campanha petista também anunciou que levará suas denúncias à Agência Nacional de Proteção de Dados, à Organização dos Estados Americanos e a observadores internacionais.

Outro elemento que torna esse cenário ainda mais inquietante envolve o argentino Fernando Cerimedo, conhecido por sua atuação no universo da comunicação política da extrema-direita latino-americana e pela disseminação de questionamentos infundados sobre o sistema eleitoral brasileiro. Reportagens recentes trouxeram denúncias de sua ex-companheira, Nadia Beller, sobre supostas atividades políticas transnacionais e sua disposição de atuar em favor de Flávio Bolsonaro. Também surgiram alegações sobre possíveis conexões privilegiadas com integrantes da Meta. Essas últimas acusações, entretanto, ainda carecem de comprovação independente e não permitem afirmar que Cerimedo tenha organizado uma operação interna da empresa para interferir nas eleições brasileiras.

O que já está suficientemente claro, porém, é que a concentração da infraestrutura de comunicação nas mãos de uma única corporação representa um problema estrutural para a democracia. Quando uma empresa estrangeira pode alterar unilateralmente a visibilidade de conteúdos, bloquear canais de comunicação e definir critérios opacos de funcionamento de sua inteligência artificial, a igualdade de condições na disputa eleitoral fica perigosamente dependente de decisões privadas.  Não se trata de exigir que as plataformas favoreçam Lula ou qualquer outro candidato. Trata-se de exigir que não favoreçam ninguém, que seus critérios sejam transparentes e que eventuais irregularidades sejam investigadas e corrigidas. A alegação genérica de problemas técnicos não pode funcionar como salvo-conduto permanente para uma empresa cujo poder de interferência na circulação de informações alcança dezenas de milhões de brasileiros.

Mas há uma conclusão política que considero ainda mais importante. A esquerda brasileira não pode continuar depositando nos algoritmos das big techs a esperança de derrotar a extrema-direita. Uma campanha que depende excessivamente de visualizações, curtidas e compartilhamentos entrega parte de sua capacidade de comunicação justamente às corporações cujo poder precisa ser enfrentado.  É por isso que venho insistindo na necessidade de aprofundar a conexão entre redes e ruas. As manifestações populares, a organização sindical, os movimentos sociais, as universidades e o trabalho político nos bairros e locais de trabalho possuem uma capacidade que os algoritmos não conseguem controlar integralmente: produzir encontros reais, debates diretos e vínculos coletivos que ultrapassam as bolhas digitais.

A mobilização nas ruas não elimina a influência das plataformas, tampouco dispensa a exigência de fiscalização rigorosa da Meta e das demais big techs. Mas pode reduzir a dependência política em relação a elas, disputar a narrativa pública fora dos ambientes digitais e transformar indignação em força social organizada.  A experiência histórica demonstra que transformações políticas profundas não resultam apenas da circulação de mensagens, mas da capacidade de milhões de pessoas se organizarem e agirem coletivamente. As redes podem potencializar essa organização, mas jamais deveriam substituí-la.

Se Zuckerberg e seus algoritmos possuem o poder de limitar o alcance de uma postagem, não possuem o mesmo poder sobre uma avenida ocupada por milhares de pessoas. É precisamente nessa diferença que reside a possibilidade de conter e até reverter o poder político acumulado pelas big techs.

A democracia brasileira não será defendida apenas com reclamações dirigidas à Meta. Será defendida com investigação, transparência, responsabilização e, sobretudo, mobilização popular.  Afinal, os algoritmos podem até controlar as telas. Mas as ruas, quando efetivamente mobilizadas, continuam sendo território da política e da ação coletiva.

O El Niño pode ser histórico, e a falta de preparação pode tornar seus efeitos ainda piores

Uma reportagem publicada pelo portal Compre Rural, em 13 de outubro, traz um alerta que deveria estar ocupando o centro das preocupações dos governantes brasileiros: o chamado “El Niño Godzilla” está ganhando intensidade e apresenta 83% de probabilidade de atingir uma magnitude sem precedentes nos registros iniciados em 1950. A informação tem como origem a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que prevê a persistência de condições fortes a muito fortes até o primeiro trimestre de 2027.

O percentual de 83% não representa a probabilidade de ocorrência de uma catástrofe específica, mas de o fenômeno atingir ou superar uma anomalia de +2,5 °C no Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), na média do trimestre outubro-dezembro. Essa distinção é importante porque, embora um El Niño excepcionalmente intenso aumente a possibilidade de anomalias climáticas, seus efeitos não serão uniformes em todas as regiões.

Para o Brasil, as projeções apontam para um cenário particularmente preocupante: chuvas acima da média no Sul e em partes do Sudeste, condições mais secas em extensas áreas do Norte e em partes do Centro-Oeste e Nordeste, além de temperaturas superiores às médias históricas em grande parte do território nacional. A combinação desses fatores poderá comprometer a produção agrícola, o abastecimento de água, a geração de energia e a segurança das populações expostas a enchentes, secas e ondas de calor. Entretanto, há uma questão que considero ainda mais importante do que a intensidade do fenômeno. O El Niño é um componente natural da variabilidade climática, mas seus efeitos estão ocorrendo em um planeta já aquecido pelas emissões humanas de gases de efeito estufa. Não se pode atribuir automaticamente cada desastre ao El Niño ou ao aquecimento global, mas tampouco é possível ignorar que a elevação das temperaturas amplia determinados riscos climáticos e torna ainda mais urgente a preparação das sociedades.

No caso brasileiro, essa preparação continua marcada por profundas desigualdades sociais e territoriais. Enquanto grandes empresas agrícolas dispõem de instrumentos tecnológicos, seguros e recursos financeiros para reduzir parte de suas perdas, agricultores familiares, trabalhadores rurais e moradores das periferias urbanas frequentemente enfrentam os eventos extremos sem infraestrutura adequada, reservas financeiras ou proteção institucional suficiente. O fenômeno climático pode ser natural, mas a distribuição dos seus prejuízos é profundamente social.

Essa discussão também precisa chegar ao Norte Fluminense, particularmente a Campos dos Goytacazes, onde a combinação de temperaturas elevadas, impermeabilização do solo, redução da cobertura arbórea e ocupação de áreas vulneráveis amplia a exposição da população aos extremos climáticos. Isso não significa prever uma enchente ou uma seca específica para a região, mas reconhecer que a ausência de políticas consistentes de adaptação poderá transformar anomalias meteorológicas em graves problemas sociais.

O mais preocupante é que, apesar da crescente precisão dos sistemas de monitoramento climático, o Brasil continua demonstrando dificuldades para converter conhecimento científico em planejamento territorial, infraestrutura preventiva e proteção das populações vulneráveis. Ainda prevalece uma lógica de atuação posterior aos desastres, quando os prejuízos humanos e materiais já se acumularam.

A reportagem do Compre Rural enfatiza, compreensivelmente, os riscos para a produção agropecuária. Entretanto, seria um erro reduzir a discussão às perdas nas safras de soja, milho ou trigo. A questão central envolve também a segurança alimentar, a disponibilidade de água, as condições de trabalho, a saúde pública e a capacidade das cidades de enfrentar temperaturas e precipitações extremas.

Se existe uma conclusão a retirar desse novo alerta da NOAA, é que não podemos continuar tratando a adaptação climática como um assunto secundário ou uma despesa dispensável. O Brasil precisa abandonar a improvisação e estabelecer políticas permanentes de prevenção, especialmente voltadas à classe trabalhadora e às populações mais vulneráveis. Afinal, o verdadeiro problema não é o apelido cinematográfico dado ao El Niño. É a possibilidade de enfrentarmos um fenômeno climático histórico com a mesma e velha combinação de negligência governamental, desigualdade social e ausência de planejamento.

Salário por hora trabalhada: a falácia que ameaça os direitos dos trabalhadores

A proposta de introduzir no Brasil contratos de trabalho com remuneração baseada exclusivamente nas horas trabalhadas, defendida por Flávio Bolsonaro e seus apoiadores, está sendo apresentada como uma forma de modernização das relações trabalhistas. Mas o que se esconde por trás dessa suposta inovação?

Em meu novo vídeo, explico por que essa proposta representa uma ameaça aos direitos históricos da classe trabalhadora brasileira. Afinal, se a remuneração passar a depender exclusivamente das horas efetivamente trabalhadas, direitos como férias remuneradas e 13º salário, nos moldes atualmente praticados, poderão ser profundamente comprometidos ou mesmo eliminados.

Também questiono a tentativa de apresentar os Estados Unidos como exemplo de estabilidade e proteção aos trabalhadores. Afinal, o modelo estadunidense não assegura diversos direitos garantidos pela legislação brasileira, tampouco oferece um sistema público e universal de saúde comparável ao SUS.

O que está sendo vendido como modernização pode representar, na prática, uma gigantesca transferência de riscos e custos dos empregadores para os trabalhadores. No vídeo abaixo , explico por que essa proposta merece ser conhecida e debatida antes que seus defensores consigam transformar a retirada de direitos em promessa eleitoral.

 

Kássio desliga o canal, mas não pode desligar as ruas

Kássio Nunes Marques voltou a suspender o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones, agora invocando, entre outros fundamentos, a ausência de comunicação formal de seu endereço à Justiça Eleitoral. A decisão sucede um relatório técnico que não encontrou os conteúdos denunciados no período examinado, embora tenha identificado lacunas decorrentes de mensagens apagadas ou editadas. Isso não equivale a uma absolvição de toda publicação, mas tampouco autoriza transformar suspeitas em comprovação de uma estrutura de desinformação.

O problema político é imediato: interromper um canal com milhões de seguidores na reta final do segundo turno reduz a capacidade de circulação de informações e de mobilização em favor de Lula. Sem precisar atribuir ao ministro uma intenção que não podemos demonstrar, é possível reconhecer que o efeito favorece seu adversário. Uma exigência administrativa pode ser corrigida; o tempo eleitoral perdido não pode ser devolvido. Cabe cobrar a proporcionalidade da medida e a aplicação dos mesmos critérios a todas as candidaturas.

Esse episódio reforça a necessidade de aprofundar a conexão entre redes e ruas. Uma campanha dependente de plataformas privadas e de canais sujeitos a interrupções permanece vulnerável justamente quando mais precisa alcançar a população. A comunicação digital precisa alimentar conversas presenciais, debates públicos e organização coletiva, enquanto a experiência das ruas deve fornecer conteúdo e perguntas às redes. Defender a liberdade de comunicação também significa construir meios de exercê-la para além da autorização de uma empresa ou de uma decisão individual.

E há matéria concreta para esse debate, começando pelo pagamento por horas trabalhadas defendido por Flávio Bolsonaro e sua base política. Conforme reportagem de Carlos Juliano Barros, no UOL, a proposta de Rogério Marinho prevê direitos proporcionais, mas especialistas alertam para a ausência de garantia de renda mensal e para dúvidas sobre o descanso semanal remunerado. O risco é transferir ao trabalhador a oscilação da demanda empresarial: menos horas oferecidas podem significar menos salário, mesmo quando suas despesas permanecem intactas.

Não é necessário inventar o fim automático das férias ou do 13º para expor a gravidade desse projeto. Basta perguntar quem decidirá quantas horas serão contratadas e quem suportará os períodos de menor movimento. O aluguel não diminui porque o patrão ofereceu menos trabalho; a alimentação dos filhos também não pode esperar a próxima convocação. A suposta liberdade de negociar individualmente ganha outro significado quando uma das partes controla o emprego e a outra precisa dele para sobreviver.

É esse conteúdo que precisa circular, com documentos, exemplos compreensíveis e debate público. A disputa eleitoral não pode ficar aprisionada ao vaivém de liminares enquanto propostas de precarização passam embaladas em slogans. Se Kássio interrompe o canal, a resposta precisa ampliar a presença nas ruas e a circulação de informação verificada. Porque o trabalhador tem o direito de saber, antes de votar, o que acontece quando seu salário vira variável e suas contas continuam fixas.