Fim da participação cubana no “Mais médicos”: uma tragédia para a saúde dos pobres brasileiros

mais-medicos-cubanos

Ao longo da sua corrida em direção ao cargo de presidente do Brasil, o deputado federal Jair Bolsonaro lançou petardos que atingiram diferentes parceiros internacionais do Brasil. Uma vista a Taiwan aqui, um ataque à Palestina ali,  a ameaça de encerrar a cooperação com Cuba acolá.

Depois de eleito, Jair Bolsonaro já foi obrigado a alguns gestos de “realpolitik” ao retroceder em várias de suas declarações, a começar com os laços comerciais com a China. Também teve que fazer um recuo disfarçado em relação à mudança da embaixada brasileira de Tel-Aviv para Jerusalém.

Mas no tocante à Cuba, a soberba continuou alta, pois a ilha caribenha provavelmente é visto como tendo menos impacto na economia brasileira. Hoje, o governo cubano decidiu encerrar de forma unilateral e sem muito espaço para repactuação a sua participação no programa “Mais médicos” que garantia acesso a assistência básica a milhões de brasileiros de norte a sul [1]. A consequência dessa decisão do governo cubano é grave, na medida em que apenas em Santa Catarina, 200 cidades terão o atendimento médico afetado pela partida dos médicos cubanos [2].

Obviamente as redes sociais estão sendo inundadas de mensagens de celebração dos aliados e eleitores de Jair Bolsonaro, o que é até muito compreensível. É que além de perceberem Cuba e sua forma de governo com antítese do que desejam ver implantado no Brasil, muitos dos que celebram consideram que Jair Bolsonaro está desfechando um golpe na economia cubana.

A verdade, porém, é outra. Quem sairá perdendo serão milhões de brasileiros pobres que até a instalação do “Mais médicos” não sabiam o que era assistência médica básica. É que a imensa maioria dos formados em medicina no Brasil não se dispõe a ir para regiões mais periféricas, seja em termos geográficos ou econômicos, do território nacional. Como essa indisposição de praticas medicina para os mais pobres não irá mudar da noite para o dia, o mais provável que haja uma aguda precarização das condições de saúde nas regiões que agora ficarão desguarnecidas com a partida dos médicos cubanos.

Como não vejo nenhum sinal de que mais essa derrapada nas relações internacionais vá servir de aprendizado, estimo que outras ainda virão e com danos iguais ou maiores dos que serão causados pela interrupção da cooperação com Cuba.

Por fim, há que se lembrar que parte dos planos ainda não formalmente apresentados pelo presidente eleito envolverá um encurtamento, se não a extinção completa, do Sistema Único de Saúde (SUS).  Em outras palavras, o que ficará ruim com a partida dos médicos cubanos deverá piorar ainda mais.  A ver!


[1] http://pt.granma.cu/cuba/2018-11-14/declaracao-do-ministerio-da-saude-publica?fbclid=IwAR2JHBUgaHd6f4oWL3u-D0ohWVuidlt_VcLh7AVS03tnzoiGr9TgdlNA5iI

[2] https://www.nsctotal.com.br/colunistas/anderson-silva/sem-medicos-cubanos-santa-catarina-perde-255-profissionais-em-200-cidades?fbclid=IwAR0K263Ch3Ne9lZ8M4EVrXVTFI9R201ZVHTXfgEJXWEuNS1rjCeqK7_hN30

França lança plano para evitar desmatamento que pode impactar soja transgênica

deforestation

Parcela da Floresta Amazônica desmatada para uso de agricultores. REUTERS/Nacho Doce

Por RFI

O governo francês adotou nesta quarta-feira (14) sua “Estratégia Nacional contra o Desmatamento Importado (SNDI)”. O plano interministerial prometido ao ex-ministro ecologista Nicolas Hulot tem como objetivo oficial “encerrar até 2030 o desmatamento causado pela importação de produtos florestais ou agrícolas não sustentáveis”, o que pode ter impacto na soja transgênica produzida no Brasil e em outros países da América Latina, destinada à alimentação do gado, além do óleo de palma do sudeste da Ásia e o cacau da África.

Um relatório recente da ONG WWF mostrou que nos últimos cinco anos a França contribuiu potencialmente para o desmatamento de 5,1 milhões de hectares apenas com a importação de sete matérias-primas, incluindo a soja, o couro e o dendê. Entre 1990 e 2015, a área florestal do planeta foi reduzida em 129 milhões de hectares, uma superfície equivalente ao dobro do tamanho do território francês. Esse desmatamento é responsável por cerca de 11% das emissões globais de gases de efeito estufa e tem consequências desastrosas para a biodiversidade.

De acordo com cálculos da ONG Envol Vert, divulgados na semana passada, os hábitos de consumo dos franceses (carne, ovos, couro, agrocombustíveis, cacau, borracha etc.) levam a um desmatamento anual massiço.

O plano de 17 medidas propõe uma mudança nas práticas de todos os atores do mercado, começando pelos países produtores dessas matérias-primas. No entanto, a iniciativa não tem caráter vinculante nem prevê sanções.

Monitoramento visual das áreas desmatadas

No início de 2019, será lançada uma plataforma onde as empresas francesas importadoras desse tipo de insumo poderão se informar sobre produtos de origem duvidosa, tendo acesso a dados de controles de fronteira aprimorados, dados alfandegários e de monitoramento por satélite da cobertura florestal. Essa plataforma também terá a missão de desenvolver até 2020 um selo de “desmatamento zero” para orientar os consumidores. O plano não prevê multas ou a proibição de importações, mas aposta numa mudança de mentalidade para reduzir o desmatamento.

As matérias agrícolas visadas inicialmente pelas medidas são soja, óleo de palma, carne bovina, cacau, borracha e madeira. Mas a lista poderá ser acrescida de outros produtos, como café, algodão, cana-de-açúcar, milho e produtos de mineração, em etapas de revisão do dispositivo previstas em 2020 e 2025.

Campanha de imagem

Em relação à soja transgênica utilizada na alimentação do gado, a intenção do governo é promover alternativas, em discussão com os produtores, para alcançar a autonomia proteica a partir de 2030. Mas nada impede que até lá atores públicos, como municípios e regiões, além de empresas, adotem a tática de “nomear para envergonhar” (“name and shame), educando os consumidores para marcas e produtos que não respeitam as florestas, disse o Ministério da Transição Ecológica.

O diretor-geral da WWF na França, Pascal Canfin, felicitou o governo pela “estratégia nacional mais completa produzida até hoje nessa área”. A iniciativa propõe “um ângulo concreto” para enfrentar o declínio da biodiversidade, afirma Canfin, um tema que ainda enfrenta lacunas jurídicas e de conteúdo político e diplomático sensíveis. Segundo Canfin, as mudanças vão depender da capacidade de liderança política e da mobilização da sociedade civil nessa direção.

Já a ONG Greenpeace considerou “tímidos” os avanços do governo e lembrou que o plano não remedia a autorização concedida à petrolídera Total para importar 550 mil toneladas de óleo de palma para sua biorefinaria de La Mède (sul). Clément Senechal, responsável pela campanha de florestas na Greenpeace França, criticou a falta de mecanismos de coerção no plano, nenhuma proibição ou regulação. “Como poderemos freiar o desmatamento dessa forma?”, questionou Senechal.

FONTE: http://br.rfi.fr/franca/20181114-franca-lanca-plano-para-evitar-desmatamento-que-pode-impactar-soja-transgenica?fbclid=IwAR0FrSGr_ODzMxxQ6uFNW4BKZZKyjOnNUVj2NaxEHekBJUB-dMoza5EywTg

 

O Atlas do uso de agrotóxicos no Brasil: uma obra fundamental para entendermos o quanto estamos sendo envenenados

agrotoxicos

A obra “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia” de autoria da professora Larissa Mies Bombardi do Laboratório de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo (USP) foi lançado em 2017, mas permanece injustamente desconhecida da maioria dos brasileiros.

atlas bombardi

Felizmente agora todos os interessados em entender o que eu chamo de geopolítica do veneno poderão baixar gratuitamente a versão eletrônica do atlas produzido pela professora Larissa Bombardi. Segundo o que está posto no blog que a pesquisadora mantém na internet, a disponibilização da versão e-book visa permitir que as informações contidas no atlas “possam circular e possam ser um importante instrumento de conscientização e, também, de suporte para políticas públicas que envolvam a proteção da população exposta aos agrotóxicos.”

Como alguém que vem estudando as formas e a intensidade do uso de agrotóxicos no Brasil há mais de uma década, considero que esta obra nos entrega informações preciosas sobre a disseminação territorial destas substâncias, e dos impactos já identificados sobre a saúde dos trabalhadores que as manuseiam cotidianamente.

Para baixar a obra da professora Larissa Bombardi, basta clicar [Aqui!]

Incêndios na Califórnia como vitrinas das mudanças climáticas

incendio 1

O estado da Califórnia está sendo devorado neste momento por pelo menos três grandes incêndios, e pelo menos 22 milhões de pessoas estão sob alerta apenas na região sul do estado, que compreende a cidade de Los Angeles e sua região metropolitana.

O que está acontecendo é atribuído a uma combinação de uma seca prolongada que acelera os efeitos de ressecamento do material caído dentro de suas florestas e a intrusão de áreas urbanas para o interior de regiões onde elas são mais abundantes.

Um aspecto menos divulgado é que a atuação de fenômenos climáticos regionais tem servido como uma espécie de alimentador dos incêndios, na medida em que prevalecem ventos de até 80 km que funcionam como grandes ventiladores que terminam aumentando a capacidade de propagação e a intensidade das chamas [1]. 

Colocados juntos todos esses fatores demonstram a força das modificações que estão ocorrendo no clima da Terra, condição para a qual a maioria dos países ainda não está nem próxima do nível de preparação que a situação já está demandando para que se evitem grandes catástrofes como a que está ocorrendo na Califórnia, com pesadas perdas materiais e humanas.

Mas se a Califórnia parece distante demais para que se tenha a noção do tamanho da encrenca, imaginemos então o que acontecerá no comportamento climático do centro sul do Brasil se o ritmo de perda das florestas na Amazônia continuar no viés de alto com propensão a aumentar. É que a comunidade científica brasileira já produziu conhecimento suficiente para que saibamos que poderemos enfrentar um processo de ressecamento que colocará em risco o fornecimento de água nas principais regiões metropolitanas brasileiras [2]. O problema é que até agora predomina a postura de ignorar o óbvio.

Para piorar ainda teremos um governo comandando por pessoas que não apenas ignoram as evidências científicas, mas como também estão dispostas a adotar uma postura negacionista do que já está estabelecido de forma robusta pela ciência do clima. O resultado para o Brasil poderá ser, no mínimo, desastroso. Aliás, para quem se interessa pelo tema do negacionismo que ampara as refutações pseudo científicas sobre as mudanças climáticas em curso na Terra, sugiro a leitura do artigo intitulado “Learning from mistakes in climate research” de Benestad et colaboradores [3].

 


[1] https://www.theguardian.com/us-news/2018/nov/12/california-fires-latest-what-is-happening-climate-change-trump-response-explained

[2] https://jornal.usp.br/atualidades/cientistas-alertam-que-o-planeta-ainda-esta-longe-de-resolver-o-problema-do-aquecimento-global/

[3] https://link.springer.com/article/10.1007/s00704-015-1597-5

 

China Daily: Bolsonaro diz que ampliará laços comerciais com os “comunistas” chineses

bandeirabrasilred

Uma das muitas mancadas cometidas pelo presidente eleito do Brasil no pós-eleitoral foi colocar ainda mais em risco a relação comercial com a China, país que hoje é um dos principais parceiros comerciais do Brasil.

A repercussão negativa das declarações dadas durante a campanha serviram para azedar mais o humor dos dirigentes do Partido Comunista Chinês (PCC) que já estava azedo por causa de uma visita realizada por Jair Bolsonaro à Taiwan.

Pois bem, para dar uma amainada no humor dos “comunistas” chineses, o presidente eleito recebeu o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang.  Esse encontro foi largamente noticiado pela mídia corporativa brasileira.

Mas ao ler a matéria publicada pela China Daily (o mesmo jornal que havia publicado um artigo notando o desconforto dos dirigentes do PCC com o presidente eleito), vi que as declarações dadas ao embaixador chinês vão no sentido diametralmente oposto do que Bolsonaro expressa para seus eleitores em relação à China.  É que segundo o China Daily (ver matéria  completa abaixo [1]), Bolsonaro teria declarado que “seu governo buscará ativamente ampliar e ampliar os laços de cooperação com a China e fortalecerá o relacionamento bilateral.”

Assim, a China que já domina o comércio de commodities agrícolas e minerais, bem como tem participações significativas em portos e hidrelétricas, terá ainda muito negócios a fazer no Brasil, e com as bençãos de um governo que foi eleito com um suposto viés nacionalista. Mas um nacionalismo do tipo “pero no mucho“.

Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, destaca laços com a China*

bolsonaro

Jair Bolsonaro, legislador de extrema-direita e candidato presidencial do Partido Social Liberal (PSL), gesticula em uma assembleia de voto no Rio de Janeiro, Brasil, em 28 de outubro de 2018. [Foto / Agências]

RIO DE JANEIRO – O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, disse na segunda-feira que o Brasil atribui grande importância às relações com a China e considera a China como um “grande parceiro de cooperação”. 

Bolsonaro fez as declarações em uma reunião no Rio de Janeiro com o embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang. 

Bolsonaro, que deve assumir o cargo em janeiro, disse que seu governo buscará ativamente ampliar e ampliar os laços de cooperação com a China e fortalecerá o relacionamento bilateral. 

O principal representante da China no Brasil disse que seu país está disposto a trabalhar com o Brasil para promover o desenvolvimento contínuo de sua parceria estratégica abrangente baseada no respeito mútuo, igualdade e benefício. 

Unir forças para buscar a cooperação ganha-ganha cumpriria o objetivo de melhorar o bem-estar de ambos os países e fortalecer a cooperação entre os dois mercados emergentes, acrescentou Li.

* Artigo publicado originalmente em inglês [1]

Onyx Lorenzoni e a Noruega: quem ensina o quê para quem?

norway

Irritado sobre uma pergunta trivial sobre quem comandaria o Ministério do Meio Ambiente a partir de janeiro de 2019, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS) resolveu sair pela tangente e questionou a posição da Noruega de suspender o aporte de recursos no chamado “Fundo Amazônia” porque o Brasil não está cumprindo a meta de conter o desmatamento na Amazônia [1].

Do alto de sua ignorância, Lorenzoni afirmou que  “O que nós fizemos não vale nada, o que vale é a Noruega. E a floresta norueguesa, quanto eles preservaram? Só uma coisa importante que tem que se em que ser lembrada: o Brasil preservou a Europa inteira territorialmente, toda a União Europeia, com as nossas matas, mais cinco Noruegas. Os noruegueses têm que aprender com os brasileiros, e não a gente aprender com eles.”

Afora notar que a Noruega entregou bilhões de reais para que o Brasil cuidasse das florestas amazônicas, o que efetivamente não foi feito, Lorenzoni deveria ser informado que o país escandinavo foi o primeiro a banir qualquer produto que contribua para o desmatamento  em maio de 2016. Essa determinação acabará tendo impactos diretos sobre o comércio com países onde o desmatamento esteja alimentando a cadeia produtiva, como é obviamente o caso do Brasil.

Se fizesse a lição de casa de forma mínima que fosse, Lorenzoni saberia que a Noruega já fez a sua, e após instalar a partir de 1991 uma série de programas de recuperação de sua cobertura florestal, os noruegueses triplicaram a quantidade de florestas em relação a 100 anos atrás [2]. Em outras palavras, a Noruega tem sim algo a ensinar para o país que detém parte considerável da biodiversidade mundial, mas que a está jogando fora para plantar commodities agrícolas de forma insustentável.

Assim, em vez de ser ingrato e bravateiro, o que Lorenzoni deveria fazer, e possivelmente não fará, seria garantir que o próximo ministro do meio ambiente não seja uma mera peça decorativa ou, pior ainda, um instrumento de legitimação da destruição dos ecossistemas amazônicos em nome de um punhado de reais.


[1] https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2018/11/12/onyx-se-irrita-e-diz-para-noruega-aprender-com-brasil-sobre-desmatamento.htm

[2] http://www.bbc.com/earth/story/20151104-discover-how-norway-saved-its-vanishing-forests

Estados membros da União Europeia pedem ação dura contra desmatamento para cumprir meta da ONU 2020

Mostre liderança para deter a perda de florestas por causa do agronegócio, diz grupo da Declaração de Amsterdã à União Européia

 

3500

Uma vista aérea mostra a área desmatada em Apuí, na região sul do estado do Amazonas, Brasil. Foto: Bruno Kelly / Reuters

Por Arthur Neslen [1]

O Reino Unido, a França e a Alemanha pediram à Comissão Europeia que lance novas ações duras para deter o desmatamento até o final do ano.

Um plano de ação da UE há muito adiado deve ser antecipado “o mais rapidamente possível”, diz uma carta à comissão enviada pelo grupo de países da Declaração de Amsterdã que inclui também a Itália, os Países Baixos e a Noruega.

Para ajudar a cumprir uma meta da ONU de deter o desmatamento até 2020, a UE deve mostrar “um papel de liderança, mobilizando sua alavancagem política e de mercado e promovendo um diálogo e cooperação internacional mais amplos”, diz a carta.

Ações devem ser tomadas para alinhar as “oportunidades econômicas” com a “gestão responsável das cadeias de fornecimento globais”, diz a carta assinada pelo ministro do Meio Ambiente da Dinamarca, Jakob Ellemann-Jensen.

Até 80% da perda florestal global é impulsionada pelo agronegócio, embora pesquisas mostrem que melhores soluções de manejo florestal e clima natural poderiam fornecer mais de um terço da mitigação climática necessária até 2030.

Os Estados da UE avançaram na questão, uma vez que as preocupações continuam a se sobrepor à recente eleição do Brasil de um defensor de extrema direita da antiga ditadura militar do Brasil.

Jair Bolsonaro prometeu designar ativistas dos direitos da terra como terroristas” e pavimentar uma rodovia através da Amazônia, potencialmente espalhando o desmatamento para uma área de floresta tropical maior que a da Alemanha.

A sua campanha eleitoral foi apoiada por poderosos interesses do agronegócio no Brasil, mas alguns líderes do setor no domingo pediram que ele mostrasse moderação.

 Géraldine Kutas, chefe de assuntos internacionais da Associação Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar, disse que a importância da Amazônia para o mundo – e para o Brasil – deve ser respeitada. “Estamos perfeitamente bem com as nossas normas ambientais atuais”, disse ela.

“Estamos realmente comprometidos com eles e não apoiaremos nenhuma mudança que possa relaxar as regras”. 

Leis fortes da UE poderiam reduzir a pegada ecológica de commodities como soja, óleo de palma e carne bovina, que impulsionam o desmatamento na Amazônia, segundo o Greenpeace. Sébastien Risso, diretor florestal da UE no grupo, disse: “Ignorar o problema e adiar a ação só nos levará a mudanças climáticas catastróficas e à extinção de uma grande espécie global”. 

Autoridades da UE notaram que Bolsonaro, que toma posse em janeiro, recuou em algumas promessas de campanha e disse que é cedo demais para considerar verificações mais rigorosas para o desmatamento, apesar das declarações e iniciativas do presidente eleito que visam relaxar a regulamentação ambiental na Amazônia

“Nós o tivemos em nosso radar durante os discursos de campanha”, disse uma fonte da UE. “Vamos avaliar as decisões tomadas, uma vez que são tomadas.”


Artigo publicado originalmente em inglês pelo “The Guardian” [1]