Repressão a ativistas marca escalada autoritária no Brasil

No Dia dos Direitos Humanos, ONGs, artistas, cientistas e jornalistas assinam petição em defesa da democracia no país

cop 25Brasil ganha prêmio ‘Fóssil do Dia’ na COP 25 por ‘culpar a sociedade civil pelas queimadas na Amazônia’

Em 26 de novembro, menos de uma semana antes do início da COP25, uma ação policial sem precedentes na cidade de Santarém, na Amazônia brasileira, prendeu quatro bombeiros voluntários e invadiu o escritório de uma das ONGs mais respeitadas do Brasil, sob falsas acusações. Cinco dias depois, outra ação policial causou a morte de nove jovens em um bairro pobre de São Paulo. Hoje, no Dia dos Direitos Humanos, 124 organizações da sociedade civil e mais de 500 ativistas, artistas, cientistas, promotores públicos e jornalistas lançam um alerta na COP25: a democracia no Brasil está em risco e uma escalada autoritária está em andamento.

“Pela primeira vez, em mais de três décadas, vemos demonstrações de retrocesso em algumas liberdades fundamentais duramente conquistadas”, diz a carta que será lançada às 17h15 (horário local) no Centro de Ação Climática do Brasil (Zona Azul) , pavilhão 8). Entre seus signatários estão sete ex-ministros, como Marina Silva e Izabella Teixeira (Meio Ambiente), artistas como o cineasta Fernando Meirelles (Os Dois Papas, Cegos), e cientistas como o climatologista Carlos Nobre e o biólogo Braulio Dias (ex-secretário executivo da Convenção de Biodiversidade da ONU).

“Integrantes do Governo Federal declaram sua simpatia a instrumentos que restringiram a liberdade e direitos políticos e civis no período ditatorial; o governo envia ao Parlamento um projeto de lei que evita a punição de forças policiais que venham a matar manifestantes; ativistas ambientais são presos e têm suas casas invadidas e organizações da sociedade civil têm seus escritórios vasculhados por policiais com base em acusações e mandatos judiciais desprovidos de fundamentos fáticos”, continua a carta. “Passa da hora de toda a sociedade brasileira dizer claramente: não toleraremos afrontas a nossos princípios democráticos.”

O próprio local do evento de hoje fala muito sobre a relação entre governo e participação pública durante o governo Jair Bolsonaro: o Centro de Ação Climática do Brasil na COP25 foi organizado pela sociedade civil, uma vez que não apenas o Brasil não possui um espaço nacional na COP – pela primeira vez em uma década – mas também tentou manter distante a sociedade civil, negando o credenciamento a ambientalistas, povos indígenas, academia e (à maioria) das empresas.

________________________________________________________________

Esta nota foi produzida pela Assessoria do WWF-Brasil.

Mariane Crespolini, a doce face do negacionismo climático dentro do governo Bolsonaro

mariane crespolini 1

Mariane Crespolini  em evento promovido pela Scot Consultoria onde proferiu a palestra intitulada “De que adianta adubar, se eu não sei meu custos?”: Fonte CEPEA USP/ Facebook

O fato do governo Bolsonaro estar repleto de figuras que rejeitam o conhecimento científico que atesta de forma inescapável a ocorrência de um processo de mudanças climáticas causadas pela ação humana não chega a ser novidade.  Nesse time nada seleto de negacionistas climáticos estão inclusos o próprio presidente Jair Bolsonaro, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e também o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

Mas foi em uma “live” feita por Jair Bolsonaro que o Brasil pode conhecer, digamos, uma face mais doce do negacionismo climático que grassa no atual governo na figura da diretora do Departamento de Produção Sustentável e Irrigação na Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação (SDI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a doutoranda da Universidade de São Paulo,  Mariane Crespolini dos Santos (ver vídeo abaixo).

Como se vê nesse trecho,  Mariane Crespolini dá uma espécie de “aulão privé do negacionismo climático” a Jair Bolsonaro, à sua chefe imediata, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e a outros presentes no “evento”.

Dentre os diversos absurdos proferidos por Mariane Crespolini neste curto vídeo é de que “muito pesquisador bom, de credibilidade, que mostra que mudança climática não existe“.  Esse tipo de afirmação poderia até passar batida se quem a proferisse não tivesse sido treinada em duas das melhores universidades do Brasil e da América Latina, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). É que apesar dessas instituições certamente possuírem docentes que negam as obviedades em torno da ciência das mudanças climáticas, elas também hospedam pesquisas de peso e de grande influência nos debates em curso em torno dos problemas causados por esse processo, a começar pelo pesquisador e professor do Departamento de Física, Paulo Artaxo, que é membro e importante contribuinte dos documentos científicos produzidos pelo Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC).

Assim, ao reduzir uma discussão que será estratégica até para o setor do qual ela é claramente uma expert, o da pecuária bovina, Mariane Crespolini não apenas presta um desserviço ao governo do qual participa, mas aos interesses dos segmentos mais vinculados ao comércio global, da qual ela é aparentemente membro (ver abaixo vídeo de 2017 onde Crespolini fala sobre preços de bois em confinamento).

É que como mostrou matéria publicada hoje pelo “The Guardian”, a pressão política e econômico sobre os grandes frigoríficos para que se desvinculem de fornecedores vinculados ao desmatamento na Amazônia está aumentando fortemente a partir da União Europeia.  Como já está demonstrada estreita ligação entre desmatamento e emissões de CO2 que aceleram as mudanças climáticas, Mariane Crespolini pode até estar tocando música para os ouvidos de seus chefes no governo Bolsonaro, mas também está aumentando os riscos de que o Brasil e sua produção agropecuária sejam duramente punidos nos próximos anos pelo que está acontecendo na Amazônia em termos de desmatamento e violência contra os povos indígenas.

Por outro lado, o ataque de Mariane Crespolini à ciência das mudanças climáticas faz parte, como eu disse, de um movimento feito por pesquisadores brasileiros de baixa ou nenhuma credibilidade contra um sólido corpo de conhecimento científico.  O problema é que até este momento não tenho visto uma ação firme dos estudiosos das mudanças climáticas para isolar essas vozes, de modo a impedir que tenham qualquer influência na formulação das políticas do Estado brasileiro que afetam a conservação das nossas florestas e, por que não, a estabilidade do comércio de nossas commodities agrícolas. 

A minha expectativa é que a partir dos resultados desastrosos que a participação da delegação brasileira na COP25 e nas restrições que isto trará para a balança comercial brasileira, o governo Bolsonaro a falar com quem entende do assunto e não com quem adota uma postura ideológica que despreza o conhecimento científico, como parece ser o caso de Mariane Crespolini,  para mostrar serviço aos setores mais atrasados e retrógrados do agronegócio exportador.

Amazônia em chamas: estudo mostra que queimadas são três vezes mais comuns em áreas de pecuária

Investigação revela que 70% dos alertas de incêndio da Nasa estavam localizadas nas zonas estimadas de compra de empresas de carne bovina, algumas das quais exportam para o Reino Unido

guardian 1As zonas de compra estimadas de 128 matadouros foram combinadas com a localização de alertas de incêndio florestal. Foto: Bruno Kelly / Reuters

Por Alexandra Heal, Andrew Wasley, Sam Cutler and André Campos para o “The Guardian”

Os incêndios foram três vezes mais comuns nas zonas produtoras de carne do que no restante da Amazônia neste verão, segundo uma nova análise.

As descobertas mais uma vez chamam a atenção para os vínculos entre a poderosa indústria de carne bovina do Brasil e o desmatamento da floresta amazônica, assim como o mundo debate as mudanças climáticas na COP25.

Em resposta ao trabalho do Guardian e do Bureau of Investigative Journalism (BIJ), os eurodeputados pediram à UE que bloqueie a carne bovina que pode estar ligada ao desmatamento. “É absolutamente urgente que a UE imponha um dever legal às empresas européias para garantir que suas cadeias de suprimentos estejam livres de desmatamento”, disse Heidi Hautala, uma eurodeputada finlandesa.

gado fogoNa imagem acima no lado esquerdo aparecem as áreas estimadas como sendo de pontos de compra de animais para abate pelos grandes frigoríficos. Já no lado direito aparecem os focos de incêndio na Amazônia brasileira. Em dois 2/3 dos casos há coincidência entre os dois fatores.

Há dois anos, a ONG brasileira Imazon coletou dados para estimar as zonas de compra de carne bovina em toda a Amazônia. Eles identificaram 128 matadouros e começaram a estabelecer as áreas a partir das quais essas plantas poderiam comprar seu gado para processamento. Por meio de entrevistas por telefone com a equipe dos matadouros, ou fazendo médias com base em métodos em outras frigoríficas, a equipe de pesquisa coletou informações sobre as distâncias máximas das quais cada um provavelmente obteria gado.

Eles modelaram esses dados com base em fatores locais, como estradas, rios navegáveis e padrões climáticos, e estimaram a zona de compra potencial máxima para cada matadouro. As zonas de compras cobrem grandes áreas de centenas de km e há sobreposição significativa entre as zonas de compras para diferentes empresas. Somados, os dados criam uma imagem convincente das áreas da Amazônia onde o gado está sendo criado para a carne bovina.

Usando métodos projetados pelo projeto de sustentabilidade sem fins lucrativos Chain Reaction Research, o Guardian e o BIJ mapearam os alertas de incêndio da Nasa arquivam dados na área legalmente definida da Amazônia e descobriram que dos 554.000 alertas de julho a setembro, quase 376.000 – cerca de 70% – estavam nas zonas de compra estimadas, apesar de essa área cobrir muito menos da metade da Amazônia legal.

Algumas das maiores empresas de carne do mundo operam na região. Mais de um quarto de milhão de alertas de incêndio foram emitidos nas zonas estimadas de compra da JBS, a maior fornecedora de carne do mundo, por exemplo. Sabe-se que suas fábricas exportam para a Europa, inclusive para empresas do Reino Unido.

Havia quase 80.000 alertas de incêndio nas prováveis ​​áreas de compra da Marfrig, o terceiro maior exportador brasileiro de carne bovina, e mais de 66.000 em torno de matadouros pertencentes à Minerva. Esses três frigoríficos dominam a Amazônia brasileira e respondem por quase metade do gado abatido na região, segundo o Imazon.

guardian 2Algumas das maiores empresas de carne do mundo operam na Amazônia. Fotografia: Marco Antonio Rezende / Getty

JBS, Marfrig e Minerva disseram ao Bureau que estavam comprometidos com as cadeias de suprimento de “desmatamento zero” e que todos monitoram seus fornecedores para garantir isso.

“A correlação teórica baseada em estimativas não é causal e é enganosa”, disse um porta-voz da JBS. “A JBS está trabalhando ativamente para reunir outras partes interessadas e empresas importantes para unir forças para preservar a Amazônia.”

A empresa acrescentou: “Se as fazendas são consideradas não compatíveis com nossas políticas de abastecimento sustentável por qualquer motivo, incluindo o desmatamento, elas estão bloqueadas em nossa cadeia de suprimentos … Não estamos envolvidos nem toleramos a destruição da Amazônia”.

A Marfrig também disse que bloqueou todas as fazendas encontradas envolvidas no desmatamento e que começou a monitorar os focos de incêndio em agosto deste ano. “Sempre que qualquer sobreposição de áreas entre as propriedades e os focos de incêndio é identificada, há um alerta para que a compra seja reavaliada”, afirmou a empresa em seu comunicado.

Minerva disse que não havia evidências de que havia comprado animais de fazendas onde ocorreram incêndios e culpou a crise deste ano pelo clima. Ele disse que “não há conexão comprovada com as atividades do agronegócio”.

Em uma investigação separada, também foram encontrados incêndios em pelo menos três fazendas conhecidas por vender gado diretamente aos matadouros da JBS. Trabalhando com a Repórter Brasil, o BIJ descobriu que pelo menos uma dessas plantas exporta carne e couro globalmente.

Enquanto JBS, Marfrig e Minerva dizem estar confiantes de que o gado que compram não provém de áreas ilegalmente desmatadas, eles também aceitam que não sabem a origem de muitos porque o gado é frequentemente movimentado entre os milhares de fazendas de criação, criação e engorda.

A indústria de carne bovina é vista como uma das principais causas do desmatamento na região amazônica. Os criadores de gado são responsáveis ​​por 80% da derrubada de terra em todos os países com cobertura florestal na Amazônia, de acordo com a Escola de Estudos Florestais e Ambientais da Universidade de Yale.

JBS, Minerva e Marfrig admitem que não podem monitorar as fazendas que estão mais abaixo em suas cadeias de suprimentos. “Atualmente, nenhum dos participantes do setor consegue rastrear fornecedores indiretos”, disse Minerva.

guardian 3Havia mais de meio milhão de alertas de incêndio da Nasa na Amazônia de julho a setembro. Foto: Ricardo Moraes / Reuters

Marfrig disse ao Bureau que mais da metade do gado que abate é originário desses fornecedores indiretos.

Todas as três empresas disseram que estavam trabalhando com o governo ou ONGs para abordar esse ponto cego nos seus processos de monitoramento.

A JBS afirmou: “Estamos trabalhando com autoridades locais, governo e setor em geral para obter acesso aos dados e ferramentas necessárias para resolver esse problema.” A Marfrig disse que solicita informações de compra de gado de seus fornecedores diretos, enquanto Minerva afirma que mais policiais era necessário em todas as etapas da cadeia.

Os incêndios na Amazônia neste verão causaram alarme global. Não há evidências de que esses incêndios tenham sido iniciados em ou por fazendas que fornecem JBS, Marfrig ou Minerva, mas a própria existência de uma colcha de retalhos de fazendas na floresta tropical pode estar ajudando a agravar o efeito geral dos incêndios iniciados em outros lugares. “Todo o clima local é mais seco porque você está obtendo menos evaporação das árvores”, disse Yavinder Malhi, professor de ciência de ecossistemas da Universidade de Oxford.

Especialistas dizem que o aumento dos incêndios foi causado diretamente pelo aumento do desmatamento: a queima intencional de árvores que haviam sido derrubadas meses antes, em vez de incêndios florestais aleatórios. “Depois de limpar a floresta para fazer uma fazenda, você tem muitos materiais mortos espalhados e os agricultores esperam até a estação seca para queimar esse material”, disse Malhi.

O desmatamento tem sido uma questão-chave nas negociações sobre mudanças climáticas em Madri, e importantes empresas do Reino Unido escreveram ao governo brasileiro na semana passada para pedir ações urgentes.

Em resposta às novas descobertas, os deputados Manon Aubry e Heidi Hautala pediram uma ação. “Não pode ser responsabilidade do consumidor garantir que os produtos nas prateleiras dos mercados europeus sejam produzidos de maneira sustentável”, disse Hautala ao Guardian. “O consumidor precisa confiar que apenas os itens produzidos com responsabilidade são vendidos na Europa.” Aubry pediu uma reavaliação do Acordo Comercial UE-Mercosul, que aumentaria as importações para a Europa do Brasil e de outros países da América do Sul.

guardian 4Um número recorde de incêndios florestais no Brasil em 2019 provocou protestos globais. Fotografia: Kenzo Tribouillard / Getty

A UE também tem que questionar o impacto dos acordos de livre comércio que são prejudiciais para o planeta e as pessoas. Um acordo com o Mercosul pioraria a situação e aceleraria o desmatamento na Amazônia. ”

“Nossas descobertas ilustram que incêndios e desmatamento continuam ocorrendo na cadeia de suprimentos da JBS, apesar das políticas e compromissos da empresa”, disse Marco Tulia Garcia, que liderou a pesquisa na Chain Reaction. “É da maior urgência que a JBS resolva esses problemas.”

A JBS recentemente criou um site que permite que os clientes pesquisem códigos de produtos para o nome e as coordenadas da última fazenda para criar o animal antes do abate, em um movimento descrito na imprensa especializada como uma redução da transparência. Os clientes agora são redirecionados para outro site, onde apenas o nome e o município das fazendas são fornecidos.

A empresa afirmou: “Devido a questões legais baseadas no Regulamento Geral de Proteção de Dados do Brasil, a empresa limitou algumas das informações de terceiros publicadas em seu site … A JBS possui uma política de transparência robusta.”

_____________________________________________________________

Este artigo foi originalmente publicado em inglês pelo jornal “The Guardian” [Aqui!].

Ricardo Salles se recusa a participar de minuto de silêncio em prol de líderes indígenas mortos na Amazônia

ricardosalles-cop25Momento exato em que Ricardo Salles se recusa a participar de minuto de silêncio durante a COP25 em prol dos líderes indígenas assassinados na Amazônia

O ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente do governo Bolsonaro, Ricardo Salles, já passou várias vergonhas desde que saiu do Brasil para supostamente representar os interesses do Brasil na chamada COP25 que se realiza em Madri entre os dias    deste mês.

Entre os “feitos” amealhados por Ricardo Salles estão um desmentindo formal do governo da Alemanha em torno do que teria sido proposto sobre o Fundo Amazônia e um flagrante da ida à loja oficial do Real Madrid para compras em, digamos, horário de trabalho.

Mas agora está circulando o vídeo abaixo que mostra o momento em que Ricardo Salles se recusa a participar de um minuto de silêncio em prol dos dois caciques Guajajara que foram assassinados recentemente na Amazônia. 

Como essas imagens já se tornaram públicas para os conferencistas da COP25 a partir da publicação de matérias  jornalísticas sobre esta recusa de Salles,  o filme do Brasil que já estava queimada, agora não passar de cinzas. É que apesar de todas as diferenças políticas e interesses econômicos conflitantes, a boa etiqueta diplomática manda que, pelo menos, os representantes dos diferentes governos saibam manter um mínimo de compostura.  

O problema é que Ricardo Salles não consegue nem disfarçar a sua posição de facilitador do processo de desmanche da governança ambiental que mantinha a trancos e barrancos a situação sob um mínimo de controle na Amazônia brasileira.

 

O racismo não aumentou no Brasil, apenas ficou mais evidente

paulino guajajaraCacique Paulino Guajajara que foi assassinado por defender a Terra Indígena Arariboia no estado do Maranhão

Há quem diga com claro choque que o racismo aumentou no Brasil ao longo de 2019. Eu já diria que o caso não é esse, pois vivemos em uma sociedade marcada por diferenças sociais gigantescas e marcada pela recusa de se fazer as devidas reparações sociais e econômicas pelos vários séculos de escravidão negra e indígena.

Em minha opinião que temos agora é, por um lado, a sensação pelos racistas de que estamos vivendo uma espécie de temporada para a livre manifestação de ideias e posturas racistas e, por outro, da permissão para que grupos criminosos ou mesmo pertencentes pertencentes ao aparelho repressivo do estado possam agir com violência plena.

A verdade é que não estamos nos tornando um país racista repentinamente, mas sempre fomos. O que há de diferente agora é a presença de governantes que não apenas toleram, mas explicitamente fomentam não apenas o ódio racial, mas também a homofobia e a misoginia. Somando-se esse suporte vindo do interior do aparelho de estado a uma colossal crise econômica, não é de se estranhar a verdadeira epidemia de casos de violência racial, feminicídios e ataques homofóbicos que varrem diferentes partes do território nacional neste momento.

A resposta imediata a essa conjuntura precisa ser o fortalecimento das estruturas de organizações sociais que se coloquem como ferramentas de contenção e ações ativas contra os indivíduos e grupos que queiram se aproveitar do ambiente estabelecido para impor sua agenda de violência e discriminação.  Ou é isso ou continuaremos apenas contando os corpos em meio ao avanço dos grupos e indivíduos que usam a violência como instrumento para a acumulação de riqueza.

Bomba-relógio: EUA criam bolha de dívida corporativa mais assustadora da sua história

dolar

Cada vez mais analistas econômicos se lembram da crise financeira de 2008 e advertem que as bolhas podem voltar e arrebentar a qualquer momento. Analista econômico avalia o perigo atual.

Se há mais de 10 anos foi a bolha do mercado imobiliário, agora há outra bomba-relógio: a dívida corporativa,  opina o analista econômico Michael Snyder.

“Nós enfrentamos uma bomba de dívida corporativa que é muito, muito maior do que a que enfrentamos em 2008”, disse o autor no seu artigo para TheMostImportantNews.com.

Segundo o analista, as taxas de juros excessivamente baixas da última década permitiram às corporações estadunidenses acumular a maior dívida corporativa da história.

A dívida corporativa total dos Estados Unidos alcançou quase US$ 10 trilhões (R$ 41 trilhão), um recorde de 47% da economia em geral, observa o autor.

No entanto, a dívida total das empresas é na realidade muito maior, se se tiver em conta a dívida das pequenas e médias empresas, as empresas familiares e outras que não estão cotadas na bolsa. Segundo Snyder, há que adicionar outros US$ 5,5 trilhões (R$ 229 trilhões).

“Todo o mundo pode ver que se aproxima um grande desastre da dívida corporativa, mas ninguém parece saber como o deter”, afirmou.

Nas últimas semanas, a Reserva Federal, o Fundo Monetário Internacional e os principais investidores institucionais, como BlackRock e American Funds, deram a voz de alarme sobre as crescentes obrigações das empresas.

“Nunca assistimos a uma crise da dívida corporativa desta magnitude”, comentou o analista.

A dívida das empresas “aumentou uns enormes 52% desde 2008, e esta bolha cresce continuamente”.

“Estamos sentados sobre uma bomba sem explodir, e realmente não sabemos o que é que a fará explodir”, cita o autor Emre Tiftik, especialista em dívida do Instituto de Finanças Internacionais.

______________________________________

Este artigo foi originalmente publicado pela agência Sputnik [Aqui!].

Saque em caminhão transportando carne: as portas do caos estão sendo abertas no Brasil

carne

Voltei ao Brasil em 1997 e em 1998 e orientei um estudo sobre a forma como a mídia corporativa cobria os saques que ocorriam em todo o Brasil por causa da crise criada por FHC e suas políticas neoliberais.

21 anos depois acabo de encontrar via redes sociais um vídeo mostrando saque de um caminhão, justamente um carregando carne bovino, supostamente no bairro de Acari no município do Rio de Janeiro. Esse é o resultado de pelo menos 5 anos de medidas ultraneoliberais impulsionadas por Michel Temer e Jair Bolsonaro (se contarmos o primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff serão 6).

Em 2020 deveremos ter mais dessas cenas em todo o território nacional. A razão é simples: quando não se levam em conta as necessidades básicas dos pobres e se acha que tudo se resolve com repressão e violência, a ação direta deles é inevitável.