Brasil é descrito como “faroeste do século 21” pelo jornal Le Monde

Por RFI

mediaEcologistas são vítimas de assassinatos em série no Brasil, denuncia Le MondeReprodução

 

O jornal francês Le Monde traz em sua edição deste domingo (26) uma reportagem sobre o assassinato de ecologistas no Brasil. O jornal relata que 61 militantes foram mortos apenas em 2016.

A reportagem da correspondente do vespertino no Brasil começa contando a história de Waldomiro Costa Pereira, assassinado no hospital de Paraupebas, no Pará. O texto explica que o militante ecologista – que já tinha sido vítima de um ataque – era membro de um “um desses batalhões de brasileiros em guerra contra a voracidade dos grandes latifundiários, dos gigantes agrícolas e dos grupos de mineração”.

O texto traz dados da Ong Global Witness, que afirma que 207 militantes ecologistas e defensores dos direitos humanos foram assassinados no Brasil entre 2010 e 2015: “um recorde mundial”, analisa o jornal francês, lembrando que em Honduras, que também vive esse tipo de problema, cerca de 100 assassinatos foram registrados no mesmo período. Porém, como ressalta o vespertino, o país da América Central tem uma população 25 vezes menor que a brasileira. Segundo Danicley Aguiar, militante do Greepeace citado pelo jornal francês, casos como a morte de Waldomiro representam “um crime bárbaro e inaceitável, mas que se tornou banal”.

“E o fenômeno se amplifica”, continua a reportagem, que fala do Brasil como um “Faroeste do século 21”. “Trinta anos após a morte do militante sindical Chico Mendes, a violência parece continuar enraizada no interior do país”, analisa.

A correspondente do Le Monde também explica que a região amazônica não é a única a sofrer com esse tipo de violência. A reportagem lista casos recentes no Rio Grande do Sul ou ainda no Rio de Janeiro.

Para a jornalista, esses assassinatos revelam a cobiça pelos recursos naturais abundantes do Brasil. “Desde os anos 1990, o país, que enfrenta a desindustrialização, preferiu se concentrar em uma política de desenvolvimento baseada na exportação de matérias-primas, o que estimula as disputas pela terra e a resistência dos agricultores”, tenta explica Danicley Aguiar.

O texto também comenta o papel da Justiça, que além de ser lenta, não se aprofunda nas investigações e registras baixas taxas de condenação dos crimes cometidos. Baseada nos testemunhos de especialistas, a reportagem do Le Monde alerta para os riscos de piora desse “panorama que já é apocalíptico”, principalmente por causa da crise econômica que sacode o país desde 2015 e “incita o Estado a defender as multinacionais”. 

FONTE: http://br.rfi.fr/brasil/20170326-brasil-e-descrito-como-faroeste-do-seculo-21-pelo-jornal-le-monde

MST emite nota sobre operação “Carne Fraca”

NOTA PÚBLICA DO MST SOBRE A OPERAÇÃO CARNE FRACA E A CORRUPÇÃO NO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA 

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1. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra manifesta ao povo brasileiro o seu posicionamento diante das denúncias envolvendo o Agronegócio e o modelo de produção agropecuário movidos apenas pela lógica do lucro máximo e imediato.

A irracional e crescente degradação ambiental, a exploração intensiva de força de trabalho assalariada, a monopolização do território e despovoamento do interior do país, além dos crimes contra os povos indígenas, quilombolas, pescadores e camponeses, caracteriza o modelo de agronegócio, cujo mercado capitalista impulsiona ou desacelera a produção em face da demanda global.

2. A produção agropecuária baseada na monocultura extensiva e no uso intensivo de agrotóxicos, destrói a biodiversidade, contamina os solos e as águas, alteram as condições climáticas e envenenam os alimentos da população brasileira.

Para garantir e ampliar seus privilégios o agronegócio financia as eleições da bancada dos parlamentares mais reacionários, a “ bancada do boi”, responsável pelo retrocesso na legislação dos direitos sociais, trabalhistas e de preservação ambiental.

3. O golpe em curso no país, resultante de um conluio entre a Polícia Federal, Ministério Público, Poder Judiciário e meios de comunicação de massa, liderados pela Globo, atenta brutalmente contra os direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores, e dos bens naturais, entregando essa riqueza para o mercado e as empresas transnacionais, num forte ataque à soberania popular.

4. As denúncias da operação da Polícia Federal  denominada Carne Fraca servem como argumento para reafirmar as contradições do Modelo do Agronegócio, principalmente em relação à saúde humana e à destruição ambiental. Defendemos que as empresas envolvidas sejam punidas e responsabilizadas.

5. Denunciamos que mais uma vez a conta está sendo paga pelas trabalhadoras e trabalhadores da agroindústria da carne, expostos à precarização imposta pelas empresas, e que agora com as denúncias sofrem com as demissões em massa.

6. Denunciamos o conluio entre a mídia e o governo golpista para escamotear o processo de corrupção entre as empresas do agronegócio e os fiscais do Ministério da Agricultura (MAPA). Exigimos que que seja investigada a apropriação privada desse Ministério pelo Agronegócio!

7. Reafirmamos nosso projeto de Reforma Agrária Popular, a produção de alimentos saudáveis, o respeito à diversidade dos povos e a defesa dos bens naturais. Combateremos sem tréguas o modelo de produção do agronegócio e seguimos na defesa de um modelo de desenvolvimento para o campo, baseado na cooperação agrícola, agroecologia e na soberania popular.

8. Com a força crescente do apoio popular, seguimos denunciando que o Agronegócio mata, envenena e sequestra o Estado Brasileiro! Nenhum Direito à Menos! Fora Temer! Diretas Já!

Direção Nacional do MST 25/03/2017

Destruição da Amazônia: estão abrindo as comportas para as mineradoras e o latifúndio!

Em mais uma demonstração que a mídia internacional consegue produzir matérias que revelam melhor o que está acontecendo no Brasil, o site Vice News publicou no dia 21/03 uma matéria assinada por Miguel Martinez que aborda o avanço do dematamento na Amazônia brasileira (Aqui!). Com sugestívos títulos e subtítulos, a matéria aponta para os vários riscos que estão colocados neste momento sobre os ecossistemas amazônicos e as populações que os utilizam para sua sobrevivência (ver reprodução abaixo.

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A matéria demonstra com dados bastante robustos como o Brasil “está abrindo as comportas” e “entregando a floresta Amazônica para mineradoras e o latifúndio “.  Mas a matéria vai além e explica como isto está sendo feito com o relaxamento da legislação ambiental e no estabelecimento de mecanismos que dificultam o processo demarcação de terras indígenas. Terras indígenas que tem ocupado um papel importante na contenção da remoção das florestas amazônicas, diga-se de passagem.

No tocante ao papel das mineradoras, Martinez mostra a interessante conexão existente entre a construção da hidrelétrica de Belo Monte (que ele caracteriza como sendo um desastre) com o estabelecimento de vários projetos de mineração, inclusive um que está sendo planejado pela mineradora canadense Belo Sun. Essa sinergia já tinha sido mais do que alertada por cientistas e ativistas ambientais brasileiros, mas o projeto foi levado a frente de qualquer maneira pelo governo Lula, e agora o presidente “de facto” Michel Temer está, digamos, apenas terminando o serviço.

A matéria alerta ainda para um renovado ciclo de violência, o qual já me foi notificado por pesquisadores que conhecem bem a região Amazônica. Este ciclo de violência está se caracterizando pela morte de ativistas sociais, como foi o caso do assassinato de um ativista do MST na cidade de Paraupebas no Pará (Aqui!). 

Há que se lembrar que a floresta amazônica possui muito mais valor em pé, não apenas em função da sua biodiversidade e de diversos serviços ambientais, mas também pelo seu papel na regulação climática em nível regional e global. Ao se permitir a aceleração do desmatamento e degradação de seus diversos ecossistemas, o que o Brasil está fazendo é complicar ainda mais os complexos ajustes que estão ocorrendo no clima da Terra.

Em São Paulo, desperdício da água volta aos níveis pré-crise hídrica

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Recuperado da crise hídrica que quase secou seus principais reservatórios em 2015, o estado de São Paulo parece ter aprendido muito pouco com o sufoco por que passaram milhões de pessoas, especialmente na sua capitale em sua região metropolitana.

Pelo menos isso é o que pode se depreender quando se verifica que os níveis de desperdícios existentes na rede de distribuição da Sabesp voltaram ao valor d0 ano de 2015, em contraste com 2016 quando medidas de contingenciamento foram adotadas para impedir uma crise total de abastecimento (ver figura abaixo).

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Para que se tenha ideia do desperdício, o montante de litros perdidos em vários pontos da rede de distribuição da Sabesp equivale ao volume da represa de Guarapiranga!

Mas em vez de investir em mudanças estruturais no sistema de captação e distribuição, bem como no processo de educação dos usuários (principalmente o “agrobusiness” que responde por mais de 70% do consumo), o governo de Geraldo Alckmin continua apontando na direção de custosas transposições como a dos Rios Paraíba do Sul e Itapanhaú (Aqui!).

É preciso frisar que essas transposições além de não resolver o problema da escassez hídrica estrutural que continua rondando o estado de São Paulo, ainda cria outros de natureza social e ambiental.

Toda essa indisposição para soluções estruturais se deve ao fato de que a prioridade no modelo de gestão da Sabesp está na distribuição de juros aos seus acionistas, e não no sentido de evitar que a crise de 2014-2016 volte a se repetir. 

Com tanto desprezo para olhar o problema dentro da escala que deveria ser tratado, não será nenhuma surpresa que o caos hídrico volte a se instalar em São Paulo num futuro muito distante. 

Indústria da carne perda US$ 130 milhões em uma semana. Que percam muito mais!

O jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO” publicou ontem uma matéria assinada pelos jornalistas Cristián Favaro e José Roberto Gomes dando conta que apenas em uma semana os exportadores de carne perderam a bagatela de US$ 130 milhões por causa das fraudes reveladas pela operação “Carne Fraca” da Polícia Federal (Aqui!)

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A minha reação a esta notícia? Que percam mais, muito mais! É que por detrás da choradeira disseminada pela A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) existe uma ampla rede de cumplicidades com todas as consequências trazidas pela forma com que essa indústria se oligopolizou no Brasil. 

E essas consequências incluem desmatamento na Amazônia, trabalho escravo, condições degradantes dentro das plantas industriais, poluição de corpos hídricos, mal trato animal, e por aí vai.

Aliás, já disse e repito: as revelações trazidas pela “Carne Fraca” tornam mais atual do que nunca a discussão da realização de uma ampla reforma agrária para que possamos passar para um modelo mais sustentável e socialmente mais justo de produção de alimentos. É que, ao contrário do que tem sido imposto pelo latifúndio agro-exportador, existem saídas para todos os males que são causados pela dependência da nossa economia à formas que são social e ambientalmente degradantes como é o caso do modelo dos “Campeões Nacionais” que turbinaram a JBS FRIBOI e a BRF.

E não esqueçamos que se esse caso fosse na China ou nos EUA, as repercussões contra os responsáveis por elas variariam do fuzilamento à prisão perpétua. Enquanto isso, aqui no Brasil o que vemos é o apelo oportunista a um nacionalismo xinfrim cuja finalidade é evitar quaisquer punições aos controladores dessas corporações que apostaram na impunidade para aumentar seus lucros já astronômicos.

E para quem quiser se informar mais sobre os graves problemas que cercam a indústria da carne, sugiro a leitura do livro “Cadeia Industrial da Carne” que pode ser baixado (Aqui!).

O oráculo de Anthony Garotinho

O ex- governador Anthony Garotinho publicou uma nota neste sábado que poderia ser tomada como um oráculo se não estivéssemos vivendo em que até os mais profundos segredos chegam ao conhecimento de poucos privilegiados (normalmente alojados dentro da mídia corporativa) que se ocupam de disseminá-las na forma de informação ou projeção do futuro (Aqui!).

Vejamos a nota abaixo:

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Alguns poderão dizer que Anthony Garotinho está simplesmente destilando veneno, outros dirão que está chutando um fato que está prenhe para acontecer faz tempo. 

Mas como Anthony Garotinho não opera jamais sem fontes, ele pode estar realmente nos oferecendo um oráculo para acontecimentos que afetarão a política fluminense na próxima semana. Se confirmado o oráculo, a situação do (des) governador Pezão poderá piorar sensivelmente visto que até agora todo o ônus da chamada Operação Lava Jato ficaram nas costas do ex (des) governador Sérgio Cabral.

Como Anthony Garotinho mencionou que há “boi” no meio, ele parece sinalizar que a bomba vai explodir na Assembleia Legislativa já que lá existem vários pecuaristas que se ocupam da criação de gado de raça em posições importantes. Mas ele pode estar contando o milagre certo, mas apontando para o bicho errado.

De toda forma, a saída vai ser esperar a próxima semana transcorrer para ver que bicho (ou seria Palácio?) dá.

Quando se trata de não financiar pesquisa científica, a Bahia do PT é uma fotocópia do Rio de Janeiro do PMDB

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Mitermayer Galvão, da Fiocruz-BA, tem duas pesquisas paradas por falta de verba
(Foto: Betto Jr./CORREIO)

Um dos aspectos que mais caracterizam a atual conjuntura política no Brasil é a disseminação de uma visão de que vivemos num país de extremos, tipo preto ou branco, a qual serve para apagar grandes semelhanças existentes entre as práticas de governo entre partidos que até recentemente eram aliados próximos, como no caso do PT e  do PMDB.

Mas como é a prática que determina melhor as diferenças, eis que graças à seleção de notícias feitas pelo jornalista Maurício Tuffani para este sábado (25/03) no “Direto da Ciência” (Aqui!) podemos ver bem como o governo comandado pelo petista Rui Costa (PT) está tratando o financiamento da pesquisa na Bahia.

É que, como mostra a jornalista Carol Aquino do jornal “Correio da Bahia”, o tratamento dado por Rui Costa à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) é basicamente o mesmo que o (des) governador Luiz Fernando Pezão vem dando à Faperj.  Aliás, a receita para asfixiar as duas fundações de amparo à pesquisa parece ser a mesma, pois as dívidas com o s pesquisadores remonta a 2015.

Como não poderia deixar de ocorrer, a asfixia financeira imposta por Rui Costa à Fapesb vem comprometendo pesquisas importantes em áreas que também foram massacradas por Pezão e, pasmemos todos nós, se referem a estudos relacionados à doenças que têm causado graves danos à saúde da população como é o caso do virus da zika.

 

Finalmente, depois ainda tem gente que não entende porque a ciência brasileira vem passando por uma crise sem precedentes, tanto do ponto de vista do financiamento como da capacidade de responder aos grandes desafios que a realidade vem impondo, especialmente em função do retorno de epidemias que deviam ter ficado para trás, como é o caso da febre amarela.

Corte de verba para a Fapesb afeta 80% das pesquisas da Fundação

Atraso nos repasses atrapalha estudos sobre zika, trombose e leptospirose, entre outros

 Por Carol Aquino (carol.aquino@redebahia.com.br)

Mais de 80% dos estudos que têm apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) estão sem receber recursos com regularidade desde 2015. Sem dinheiro, os pesquisadores são obrigados a cruzar os braços para pesquisas como a que estudaria os efeitos do zika vírus em bebês nascidos de mães expostas à doença, ou a que avaliaria a relação entre o uso de anticoncepcional e os casos de trombose.

Estudos da Fiocruz-BA aguardam por R$ 12 milhões da Fapesb

Segundo dados da própria fundação, dos 813 projetos apoiados por ela, 652 estão com repasses em atraso. Destes, 539 não receberam nenhuma verba que estava destinada e 113 estão aguardando o pagamento da segunda parcela dos recursos.

Em protesto à situação, o reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), João Carlos Salles, enviou uma carta dirigida ao governador Rui Costa manifestando sua preocupação com o quadro financeiro da instituição, que dá suporte a mais de 3 mil pesquisadores em toda a Bahia e tem dívida de mais de R$ 70 milhões.

No manifesto, ele exemplifica que os pesquisadores da Ufba tiveram, em 2016, um valor aprovado em projetos que não chega nem a 10% da quantia selecionada em 2015. Ele destaca ainda que “a fundação tem contribuído para o processo de interiorização do ensino superior no estado da Bahia, particularmente apoiando a rede de universidades e institutos, estaduais e federais, disseminados por quase todo nosso território”.

Mais protestos

Protestos semelhantes já foram feitos por outras entidades, como o Instituto Gonçalo Muniz, braço da Fiocruz na Bahia, e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), junto com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), todos direcionados ao governador Rui Costa (PT). 

Na carta conjunta da SBPC e da ABC, de 21 de fevereiro, as entidades destacam o endividamento da fundação. “A situação já chegou a tal gravidade que a Fapesb se tornou inadimplente com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o que a impede de receber aportes federais a exemplo do que ocorreu recentemente com os recursos da repatriação destinados a atividades de ciência, tecnologia e inovação”, destaca.

Procurado  através de assessoria, o governador  Rui Costa não se manifestou sobre o conteúdo das cartas até o fechamento desta edição, às 23h desta quarta-feira (22). 

Mitermayer Galvão, da Fiocruz-BA, tem duas pesquisas paradas por falta de verba
(Foto: Betto Jr./CORREIO)

Queda 

O presidente da Fapesb, Eduardo Almeida, revela que desde 2015 a instituição tem sofrido com o contingenciamento de recursos. “Nossa execução está em torno de 50% a 55% do que éramos para receber. Se tivéssemos com o repasse 100%, seria algo em torno de R$ 100 milhões, R$ 120 milhões”, diz. Ele ressalva que os pagamentos aos 2.750 bolsistas apoiados pela instituição estão sendo honrados.

Segundo ele, o resultado varia de acordo com arrecadação de impostos estaduais, já que o Artigo 5º da Lei Estadual nº 7.888/2001 determina que o governo repasse 1% da Receita Tributária Líquida para a fundação. Porém entre 2014 e 2016 não houve alterações significativas na arrecadação tributária do estado, de acordo com o Transparência Bahia.

Enquanto em 2014 a receita tributária bruta arrecadada foi de R$ 20,251 bilhões, em 2016 subiu para R$ 20,502 bilhões. Quando questionada sobre o cumprimento desse repasse legal, a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia (Sefaz) afirmou, em nota, que “as únicas vinculações de receitas permitidas são aquelas de natureza constitucional, o que não é o caso em pauta”.

A informação divulgada pela Sefaz é de que, em 2016, foram repassados R$ 60,7 milhões para a Fapesb e, deste montante, ainda falta R$ 1,9 milhão a ser quitado. Para o ano de 2017, deve ser repassado um valor semelhante, de acordo com a pasta. Cerca de 80% dos recursos da Fapesb são provenientes de repasses do governo do estado; o restante vem de parcerias internacionais e federais.

O presidente da Fapesb ressalta a importância social da instituição, principalmente para a formação de mestres e doutores, e a contradição que é ter uma redução tão significativa no repasse de verbas.

“Em 2000, a Fapesb não existia e a Bahia tinha 30 projetos de pós-graduação. Oito anos depois da sua fundação, em 2009, a Bahia já contava com mais de 100 programas. “Hoje, a Bahia cresceu, por causa do surgimento de novas universidades no estado. A demanda aumentou e os recursos diminuíram”, comenta.

Eduardo Almeida diz, no entanto, que houve reuniões com a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e com a Sefaz para discutir soluções para o problema. Mas ele não disse que medidas seriam tomadas. Procurada, a Secti disse que não iria se pronunciar sobre o assunto.

O médico Mitermayer Galvão Reis, pesquisador ligado à Fiocruz, aponta o prejuízo causado pela suspensão das pesquisas. “Eu faria um apelo ao governador para que os recursos sejam liberados. A Fapesb teve uma importância enorme no desenvolvimento científico no estado”, diz.

Ele lamenta, principalmente, pelos cientistas mais jovens, estudantes de mestrado ou doutorado, que ainda não têm currículo para pleitear recursos junto a um grande número de instituições. “Os mais jovens não têm outras alternativas de, como nós mais maduros, buscar recursos fora do Brasil ou junto a agências nacionais”, explica. 

FONTE: http://www.correio24horas.com.br/detalhe/salvador/noticia/corte-de-verba-para-a-fapesb-afeta-80-das-pesquisas-da-fundacao/?cHash=eb2902d6b3a402902d7c8d14a800d34c