Após atrasar entrega de verbas por quase 2 anos, Faperj congela recursos após morte de pesquisador principal de projeto sobre o Aedes Aegypti

dengue

O Professor Mário Alberto Cardoso da Silva Neto era uma autoridade científica nas pesquisas sobre o Aedes Aegypti, e o impacto da sua morte está sendo agravado pelo congelamento de verbas da Faperj.

Existem coisas que só acontecem no Rio de Janeiro do (des) governo Pezão! A notícia baixo que é assinada pelo jornalista Renato Grandelle nos dá conta de uma situação tão esdrúxula que chega difícil de ser entendida. Segundo o que nos informa Grandell,e a direção da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), após atrasar por cerca de 2 anos o desembolso de verbas de um projeto de pesquisa relacionado à dengue (o qual teve seu termo de outorga entregue em Novembro de 2015!), decidiu congelar de vez a entrega de recursos devidos após a morte do investigador principal, o  bioquímico Mário Alberto Cardoso da Silva Neto, professor associado do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ (Aqui).

faperj congelada

Como em tantas instâncias que já acompanhei, a direção da Faperj está apenas seguindo firmemente os protocolos que adota para garantir o estrito controle sobre os recursos desembolsados para a realização do projetos de pesquisa, o que por si só não seria errado. Afinal, ninguém é contra o mal uso de verbas públicos. Entretanto, toda a rigidez que está sendo usada para justificar o congelamento das verbas e a objetiva inviabilização de um projeto de alto interesse científico social não teria sido necessária se a Faperj tivesse entregue as verbas no tempo correto.  O que teria se dado antes do falecimento do pesquisador responsável de recursos que acabaram nunca chegando, é bom se frise.

E o mais alarmante é que dado o corte de verbas estar ocorrendo também em nível federal, o grupo de pesquisa do professor Mário Alberto Cardoso da Silva Neto está sendo objetivamente inviabilizado e junto com isto vem a não continuação de várias pesquisas importantes.

Por outro lado, o (des) governo Pezão continua distribuindo bilhões em isenções fiscais e alocando outros tantos bilhões para alimentar a ciranda financeira em que se envolveu a partir de uma política irresponsável de endividamento público. 

Enquanto isso, a população que se vire no próximo verão quando outras epidemias causadas pelo Aedes Aegypti deverão ocorrer. Simples, porém, trágico. 

Para ler a reportagem completa sobre esse caso lamentável, basta clicar (Aqui!)

Representações Sindicais de Servidores e Estudantes da UENF denunciam privatização da universidade e convocam para Greve Geral nesta sexta-feira

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Por Wesley Machado*

Nesta terça-feira (27), representações sindicais de Estudantes, Professores e Técnicos Administrativos da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) realizaram um ato de mobilização da comunidade acadêmica da UENF em frente à Reitoria da universidade. O ato teve o objetivo de protestar contra os três meses de salários atrasados e o não repasse de verbas para a universidade desde outubro de 2015. Com gritos de “Fora Pezão”, “A UENF Resiste” e “Não está normal”, os servidores e alunos marcaram posição em defesa da UENF e contra o Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Antes do ato, os organizadores realizaram na quadra do Centro de Ciências Humanas (CCH) a 2ª Plenária Comunitária com todos os segmentos de representação sindical, como o Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Públicas Estaduais do Rio de Janeiro (Sintuperj), Associação de Docentes da UENF (Aduenf), Diretório Central dos Estudantes da UENF (DCE-UENF) e Associação de Pós-Graduandos (APG).

O 2º vice-presidente da Aduenf, Marcos Pedlowski, disse que a ideia da plenária e da mobilização da comunidade é tirar uma série de ações comuns para avançar no enfrentamento do quadro que está aberto. “Queremos acabar com a apatia diante da falta total de verbas. Esperamos que a partir daqui tenhamos virado uma página e gerado uma energia positiva com uma resposta unificada”, afirmou Pedlowski, que é professor associado do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico (LEEA), do CCH, da UENF.

O dirigente sindical do Sintuperj, Cristiano Peixoto, comentou que tanto a plenária quanto à mobilização é uma tentativa de unificação dos servidores e alunos da UENF contra os ataques do governo à universidade. “A UENF é uma universidade extremamente importante em nível local, estadual, nacional e até mesmo internacional. É uma universidade que deu certo. E agora aparecem alguns políticos tentando desmontar a UENF. Já começou a privatização. A UENF já pode cobrar por um curso de pós-graduação latu sensu (especialização), por exemplo. Ouvimos de um secretário que a educação de nível superior não é competência do estado. Pode até ser legal, mas é lamentável. À medida que implantam uma universidade, têm de manter”, declarou Cristiano.

A dirigente sindical do Sintuperj, Maristela de Lima, quer uma explicação do governo do estado sobre porque as mesmas categorias estão ficando sem receber. “Não são todos os servidores que estão sem receber. Alguns órgãos, como da Secretaria de Fazenda, da Segurança, receberam o mês de junho. E nós da Ciência e Tecnologia ainda não recebemos abril na íntegra, maio, já vai vencer junho, sem contar o 13º salário de 2016, que ainda não recebemos. Qual o objetivo do governo com esses atrasos salarias que vêm acontecendo desde outubro de 2016?”, perguntou Maristela.

GREVE GERAL

A presidente da Aduenf, professora Luciane Soares, informou que a UENF, com seus segmentos de representação sindical, estará na sexta-feira (30) na 2ª Greve Geral, que será realizada, às 15 horas, no centro da cidade de Campos, com concentração na Praça São Salvador. “A UENF vai estar representada como esteve na greve anterior. Vamos ocupar com bandeiras, camisetas, etc. Nossa intenção é reforçar a necessidade de mobilização contra os ataques aos direitos dos trabalhadores, em especial dos servidores da UENF”, afirmou Luciane.

O presidente do DCE-UENF, Gilberto Gomes, citou a Lei da Terceirização como um prenúncio do que pode ser a privatização da UENF. “Os estudantes agora vão avançar numa perspectiva de radicalizar as lutas, ser mais incisivo nas mobilizações. Vamos rechaçar qualquer sensação de normalidade, embora uma parcela de estudantes mantenha a crença de que as coisas estão normais. Sexta-feira, às 15 horas, estaremos no ato da Greve Geral em Campos, no Calçadão. A expectativa é que, com bloqueio de vias e pontes, em nível nacional, superemos os 40 milhões de trabalhadores parados da greve de 28 de abril”, falou Gilberto.

*Reportagem: Wesley Machado – Jornalista (Registro Profissional: 32.177/RJ)

 

Ao inviabilizar a Faperj, o (des) governo Pezão promove desmanche criminoso da ciência fluminense

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Até agora só havia ficado evidente a situação calamitosa em que se encontram as universidades estaduais cujos servidores se encontram sem os salários pagos a partir de Abril deste ano, e com quase nada de verbas para custear as suas múltiplas atividades. Esse retrato nefasto dos efeitos resultantes das escolhas seletivas do uso de recursos pelo (des) governo Pezão acaba de ganhar uma camada adicional com a reportagem do jornalista Renato Grandelle que trata da inviabilização financeira da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj (Aqui!). (ver reprodução abaixo).

Como mostram os  números levantados por Renato Grandelle, em 2017 a Faperj recebeu apenas 9,5% do orçamento que lhe foi designado pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e, pior, existem débitos acumulados com pesquisadores que remontam ao ano de 2015. E com isso se perdem anos de pesquisa, comprometendo avanços necessários em múltiplas áreas de conhecimento.

De quebra, houve um aumento significativo nas dificuldades de prestar contas à Faperj do pouco que vem sendo desembolsado na forma de financiamento de projetos de pesquisa, o que pode ser visto como uma forma de diminuir a demanda reprimida por novos financiamentos, especialmente por parte de jovens pesquisadores.

Esta situação está causando não apenas o processo conhecido como “fuga de cérebros” que é aquele caracterizado pelo migração (interna ou externa) dos melhores quadros que estavam sendo ou foram formados no Rio de Janeiro que partem em busca de melhores condições de trabalho.

A perda de quadros de pesquisadores já está comprometendo pesquisas em áreas estratégicas para o Rio de Janeiro, a começar pela citada na reportagem que versa sobre enfermidades tropicais como a dengue que é causada pelo mosquito Aedes aegypti.

Aqui não há outra caracterização possível em relação ao que representa a quebra financeira da Faperj e das universidades senão o de um desmanche crimonoso da ciência fluminense. É que se olharmos os desembolsos feitos para empresas terceirizadas e até mesmo as bilionárias concessões de isenções fiscais, veremos que o problema do Rio de Janeiro não é simplesmente falta de dinheiro, mas de decisões tomadas para beneficiar as corporações econômicas em detrimento do interesse público.

O problema é que ao perder a capacidade de produzir ciência de alta qualidade, o Rio de Janeiro se candidata a uma posição de atraso permanente, mesmo dentro do Brasil. 

 

A denúncia de Rodrigo Janot desvela um presidente e ministros nada acima de suspeitas

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A esperada bomba atômica que era esperada para hoje foi efetivamente lançada pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente “de facto” Michel Temer foi efetivamente lançada, mas uma leitura preliminar do documento aponta que os piores temores do PMDB foram confirmados.

É que a denúncia de Rodrigo Janot não ficou apenas circunscrita a Michel Temer e o hoje deputado suplente Rodrigo Rocha Loures, mas atinge figuras de proa do ministério de “notáveis” que tomou o poder, digamos, de assalto após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. A denúncia aponta para o envolvimento direto de Wellington Moreira Franco e Eliseu Padilha, dois dos ministros mais poderosos de Temer.

Entre os crimes arrolados por Janot se encontram  a prática de crime de corrupção
em coautoria, o que segundo o procurador geral impediu a separação das responsabilidades.

Um dos pontos mais espinhosos que aparecem na denúncia se refere à aludida ligação de Michel Temer com a  Rodrimar S/A  Transportes, Equipamentos e Armazéns Gerais e do malfadado “decreto dos portos” que beneficiaria diretamente a empresa com forte atuação no Porto de Santos (SP).

Dada a magnitude da denúncia e dos nomes arrolados por Rodrigo Janot, é bem provável que a volatilidade política aumente no Brasil nas próximas horas e dias, o que poderá ainda ser agravado se a greve geral marcada para o dia 30/06 tiver um alcance semelhante à anterior.

Para os interessados, o completo teor da denúncia  pode ser acessado Aqui!

Em Campos temos outra crise seletiva: Câmara que corta programas sociais tem dinheiro para propaganda auto-congratulatória

Em Campos dos Goytacazes, outra crise seletiva! Câmara de Vereadores que corta programas sociais é a mesma que gasta com propaganda auto-congratulatória! Para este tipo de coisa não há crise. Enquanto isso, o restaurante popular continua fechado e o cheque cidadão suspenso. 

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E ainda sobra espaço no outdoor ao lado para o prefeito Rafael Diniz também fazer a sua própria propaganda.

E depois ainda reclamam das críticas e suposta perseguição de Anthony Garotinho.

Que beleza!

Conflito em Belisário: em entrevista Frei Gilberto confirma sua disposição de luta contra a mineração

FREI GILBERTO

Após quatro meses das ameaças de morte que sofreu em razão de sua atuação contrária a ampliação dos projetos de mineração de bauxita na da Serra do Brigadeiro em Minas Gerais, Frei Gilberto se mantém firme na luta ao lado da comunidade de Belisário, distrito de Muriaé.

Agora incluído no Programa Estadual de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos de Minas Gerais, o Frei conta que o apoio da comunidade tem sido fundamental nos últimos meses. “Senti que houve uma mobilização muito grande da comunidade e de fato me sinto bastante protegido. As pessoas têm assumido que a ameaça não foi ao Frei Gilberto, mas a todos aqueles que acreditam que a vocação do distrito é para agricultura familiar e para o turismo”.

Ainda em fevereiro, mais de 70 organizaçõesmovimentos sociais, populares e sindicais assinam nota em solidariedade ao Pároco, que foi ameaçado de morte após a realização de uma missa na comunidade. As organizações signatárias da Nota de Solidariedade repudiam a ameaça e exigem dos órgãos “a garantia de segurança à vida e do direito de lutar pelas causas coletivas. Ao mesmo tempo expressamos nosso total apoio e solidariedade ao companheiro Frei Gilberto e aos sujeitos que se dedicam na luta em defesa do território da Serra do Brigadeiro contra os interesses do capital mineral na região”.

Nesta segunda-feira, 26, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais realiza uma Audiência Pública para discutir o atentado sofrido por Frei Gilberto no dia 19 de fevereiro, assim como as violações de direitos promovidas pela CBA / Votorantim e os impactos da mineração na região da Serra do Brigadeiro. Foram convidados para a audiência pública representantes do Governo do Estado, Polícia Civil, Ministério Público, Câmara de Vereadores de Muriaé, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais e lideranças locais. A atividade acontece às 18 horas, na sede do Grupo de Artesãos de Belisário.

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Serra do Brigadeiro

Há 20 anos as comunidades e organizações populares do entorno da Serra do Brigadeiro se mobilizam contrárias aos impactos ambientais e sociais gerados pela mineração de bauxita na região, que tem à frente a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), pertencente ao grupo Votorantim.

A região da Serra do Brigadeiro, situada na Zona da Mata de Minas Gerais, é conhecida nacionalmente por sua rica biodiversidade, amplas áreas preservadas de mata atlântica, belezas naturais e uma agricultura familiar e camponesa consolidada com forte matriz agroecológica. Além disso, a região abriga a segunda maior reserva de bauxita do país, o que despertou, desde a década de 80, o interesse de mineradoras em explorar as jazidas minerais objetivando o lucro sem se importar com as consequências nefastas da mineração na região.

Confira a entrevista do Frei Gilberto Teixeira ao site do MAM.

MAM – Frei, após a ameaça, quais os desdobramentos que ocorreram?

Frei GilbertoDepois do episódio de fevereiro muita coisa mudou em Belisário e em minha vida particular. Devido à insegurança começamos a tomar mais cuidado, agora estou sempre acompanhado. Houve também uma aproximação maior da Polícia Militar do Distrito e o governo do Estado me incluiu no Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, senti que houve uma mobilização muito grande da comunidade e de fato me sinto bastante protegido aqui.

Este triste episódio fortaleceu as convicções da comunidade em relação à luta contra a mineração, uma luta que não é minha, mas da comunidade. Quando cheguei aqui já existia essa resistência, então as pessoas têm assumido que a ameaça não foi ao Frei Gilberto, mas a todos aqueles que acreditam que a vocação de Belisário é para agricultura familiar, é para o turismo e temos que das águas que temos em abundância aqui.

Em algum momento pensou em desistir da luta contra a mineração?

Frei Gilberto –  Recebi muitas manifestações de apoio e solidariedade e isso me ajudou muito a fortalecer a convicção de que estou no caminho certo, repito, a luta não é minha é da comunidade, é luta nossa. Estou junto com a comunidade e em nenhum momento tive vontade de desistir ou ir embora de Belisário como foi anunciado. Em diálogo com o bispo Diocesano Dom José Eudes concordamos que o lugar mais seguro para mim no momento era continuar em aqui.

Vamos continuar lutando, resistindo para que este lugar seja preservado, porque aqui não é lugar de mineração, não queremos que a mineradora chegue aqui e vamos fazer de tudo para melhorar a qualidade de vida das pessoas, desenvolver a agricultura familiar, o turismo e acima de tudo cuidar das nossas nascentes, cuidar dessa água que é tão boa e tão pura.

Estamos vivendo um cenário muito violento e de muitas perseguições às pessoas que atuam contra a retirada de direitos. Como reagiu às inúmeras manifestações de apoio e solidariedade?

Frei Gilberto –  Fiquei surpreso com o grande número de manifestações, logo no primeiro dia em que tornamos pública a ameaça recebi muitos amigos, como a Fraternidade Franciscana, todos vieram ao meu encontro, me apoiaram e logo foi juntando mais gente. Nos primeiros dias veio a manifestação de apoio do Dom José Eudes, padres, dioceses, inclusive a missa da 5ª feira Santa que, tradicionalmente, acontece na Catedral, esse ano foi transferida para Belisário como gesto de apoio. Os movimentos sociais assinaram o manifesto, recebi manifestações de apoio de vários países como a Noruega, EUA, Alemanha, muita gente se sensibilizou e me senti bastante protegido pela ampla divulgação, com a repercussão que causou, isso ajuda muito.

Sou muito grato aos movimentos, às pastorais e a todos que estão de fato comprometidos com a vida.

Como está hoje a situação da Serra do Brigadeiro com as ameaças da mineração na região?

Frei Gilberto –  A mineradora continua seu trabalho vindo desde Itamaraty de Minas, já passou por Miraí, está em São Sebastião da Vargem Alegre e agora chegando em Rosário de Limeira onde estão de fato com uma atitude ostensiva, tentando se aproximar da comunidade. Mas o nosso movimento está presente, está se unindo à população de Rosário de Limeira e uma forte resistência tem se manifestado por lá. Com os últimos episódios aqui em Belisário cresceu muito a resistência.

Temos buscado apoio nos órgãos públicos, o prefeito de Muriaé já manifestou  várias vezes que a vocação de Belisário não é para mineração e que se depender dele a mineração não entra aqui. A Câmara Municipal de Vereadores também tem se manifestado contrária, então isso reforçou muito a luta, mas principalmente pela mobilização da própria comunidade.

A mineradora tem tentando se aproximar, já entrou em contato com várias lideranças da comunidade, mas todos têm se mostrado bastante resistentes, entendemos que terão muita dificuldade para entrar aqui e se Deus quiser não vão conseguir, porque Belisário não é para mineração, Belisário é para a vida.

FONTE: http://mamnacional.org.br/2017/06/26/vamos-continuar-lutando-resistindo-para-que-este-lugar-seja-preservado-porque-aqui-nao-e-lugar-de-mineracao-destaca-frei-gilberto-em-entrevista/

 

Do blog da Anaferj: Despesas de poderes no estado subiram R$ 1,3 bilhão em três anos

DesigualdadeSocial (1)

O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo. O coeficiente Gini nos coloca nas últimas posições e mostra que a nossa realidade é muito diferente de outros países ditos “civilizados”. Aprendemos desde cedo a olhar com naturalidade a convivência do luxo com a miséria, já nos acostumamos a ver condomínios de luxo ao lado de barracos sem esgoto tratado como se fosse algo natural.

A Constituição Federal no seu artigo 3º diz que constituem objetivos fundamentais do país:

I –  construir uma sociedade livre, justa e solidária; 

II –  garantir o desenvolvimento nacional;
III –  erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
IV –  promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. 
Combater a desigualdade portanto é obrigação legal do Poder Público. Infelizmente ainda é um desafio que a nossa sociedade tem que enfrentar e vencer, se quisermos viver em um país desenvolvido.

O Poder Público deveria ter a obrigação de dar o exemplo, como faz entre os gêneros (homens e mulheres ganham o mesmo), e ser um agente redutor dessa desigualdade entre os servidores públicos, Não é o que acontece. Infelizmente o serviço público reproduz a disparidade que existe no mercado privado e na sociedade em geral, onde uns ganham muito e uma imensa maioria ganha pouco.

A criação do teto de salário no serviço público foi uma iniciativa que tentava evitar que carreiras muito poderosas usassem seu poder para obter salário nababescos e fora da realidade do país, como acontecia até antes da lei.

O legislador não contava com a criatividade desses agentes públicos na manutenção de seus privilégios. Após o teto esses servidores começaram a criar “penduricalhos” com nome de “auxílio-isso”, “auxílio-aquilo” que, disfarçados de verbas indenizatórias, proporcionam um aumento de salário acima do teto. E o melhor, sem pagar um centavo de imposto de renda ou previdência. Tudo isso – pasmem – dentro da lei.

Essa situação fez com que hoje tenhamos servidores que ganham mensalmente mais de 150 vezes o que um trabalhador na base da pirâmide, como uma auxiliar de enfermagem, uma merendeira de escola pública. Curioso é que esse servidor que ganha pouco mais de mil reais não tem auxílio moradia, auxílio alimentação ou de creche para filhos. Mas servidores que ganham no teto, os têm e muito altos. Qual a lógica?

No Rio de Janeiro, adivinhe qual servidor está com salário atrasado? a turma do teto e penduricalhos ou a turma que ganha mil reais?

O Brasil é o único país onde o cidadão pode ser servidor público e milionário ao mesmo tempo.
A ANAFERJ defende que o Servidor Público deve ter dignidade e viver com conforto. Mas um servidor ganhar salários acima de 1 milhão por ano em um país ainda com tanta miséria e desigualdade chega a ser vergonhoso.

A ANAFERJ defende em primeiro lugar o respeito ao teto constitucional. Em segundo que os benefícios básicos como transporte e alimentação sejam unificados em todo o Estado, em todos os poderes. Afinal somos todos trabalhadores, seres humanos e temos as mesmas necessidades.

FONTE: http://anaferj.blogspot.com.br/2017/06/despesas-de-poderes-no-estado-subiram-r.html