Professor da USP denuncia lobby do agronegócio para censurar livros didáticos e ocultar consenso científico

Daniel Cara alerta que setor pressiona editoras a substituir ‘agrotóxico’ por ‘defensivo agrícola’ e omitir impactos

PRESSÃO DO AGRO ALTERA CONTEÚDOS DE LIVROS ESCOLARES, DENUNCIAM EDITORES  Desmatamento, mudanças climáticas e agrotóxicos são alguns dos temas na  mira do agronegócio, que busca imagem 'mais positiva'; Ofensiva sobre  editoras é

Por José Bernardes e Tabitha Ramalho para “Jornal Brasil de Fato” 

As salas de aula enfrentam uma nova batalha silenciosa, segundo o professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Ele revela que editoras de livros didáticos estão sendo pressionadas por lobistas do agronegócio a substituir termos científicos consolidados, como “agrotóxico”, por eufemismos como “defensivo agrícola”. A investida, que já acontecia no Congresso Nacional, agora foca diretamente no mercado editorial.

A denúncia foi originalmente sistematizada pelas professoras Andressa Pellanda e Marcele Frossá, da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, e revela uma escalada na estratégia do setor. “Esse lobby pulou o Poder Executivo e chegou diretamente à pressão empresarial. É a pressão dos empresários do agronegócio sobre os empresários das editoras”, explica.

Cara lembra que, em 2024, esteve na Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, ao lado de comunidades quilombolas, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), denunciando o lançamento de agrotóxicos sobre escolas no campo. “Uma crítica como essa não vai poder estar retratada num livro de geografia, biologia ou história? Isso demonstra o espaço e o poder que a extrema direita nunca deixou de disputar”, afirmou.

Para Cara, o ataque à escola e o ataque ao conhecimento científico são faces da mesma moeda. “A escola é o principal espaço de sociabilidade dos jovens. É lá que se aprende a conviver com a diferença, a questionar, a duvidar. Por isso é o alvo preferencial.”

Ele adverte que, se a esquerda muitas vezes abandona a disputa pedagógica, a extrema direita nunca a negligencia. “O livro didático é o material curricular efetivo da maioria das escolas brasileiras, graças ao gigante Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Controlá-lo é controlar o que se ensina.”

O professor conclui com um chamado à vigilância. “Vivemos sob alto uso de agrotóxicos e baixíssima soberania alimentar. O que existe de positivo se deve aos movimentos sociais. O consenso científico não é pacífico, precisa ser disputado todos os dias. E a escola é o território central dessa disputa.”


Fonte:  Jornal Brasil de Fato

Estudo na UENF mostra como programas de proteção ambiental do Porto do Açu causaram a desterritorialização da pesca lagunar em São João da Barra

Blog do Roberto Moraes: Lagoas de Grussaí e Iquipari em SJB

Ocorreu ontem, no Programa de Pós-Graduação em Políticas Sociais da Uenf, a defesa da dissertação de mestrado de meu orientando Jayson Freitas Gomes, intitulada “Empreendimentos portuários e o uso de intervenções ambientais como ferramentas de desterritorialização de pescadores artesanais: o caso do Porto do Açu em São João da Barra (RJ)”. A banca, formada pelos professores Raquel Giffoni Pinto (UFF-Niterói), Felipe Silva Machado (IFF Itaperuna) e Leonardo Bis dos Santos (IFES Vitória), realizou uma análise criteriosa do estudo, que se concentrou nos impactos decorrentes da criação de unidades de conservação no entorno do Porto do Açu sobre a pesca artesanal lagunar historicamente praticada no V Distrito de São João da Barra.

Um dos casos examinados foi o da RPPN Fazenda Caruara, especialmente os impactos do fechamento dos acessos à Lagoa de Iquipari sob o argumento de proteção ambiental desse importante ecossistema costeiro. Além disso, a pesquisa buscou identificar os efeitos dessa medida sobre as atividades de pesca em outras lagoas, incluindo a Lagoa do Açu.

O estudo verificou não apenas a intensidade da atuação dos pescadores artesanais no ecossistema lagunar, mas sobretudo o papel do fechamento dos acessos na continuidade da pesca artesanal diante das fortes restrições impostas pelo Porto do Açu aos pescadores que historicamente exerciam suas atividades nas lagoas do V Distrito.

Nesse contexto, a pesquisa evidenciou que as intervenções ambientais corporativas do Porto do Açu atingiram principalmente os pescadores artesanais locais, que foram desterritorializados da Lagoa de Iquipari — espaço historicamente utilizado como área de uso comum dos recursos naturais. Embora atualmente inserida na RPPN Fazenda Caruara, a lagoa foi, ao longo de décadas, fundamental para a geração de renda, a subsistência familiar e a reprodução social dos pescadores do V Distrito. Após o açambarcamento fundiário promovido pelo Porto do Açu e a criação da RPPN, os pescadores passaram a enfrentar novos regimes normativos de acesso e uso da lagoa, materializados no cercamento, na vigilância, na restrição de acessos e na redefinição das práticas tradicionais consideradas legítimas. O reordenamento territorial implementado pelo empreendimento subalternizou o direito dos pescadores artesanais ao território de pesca, contribuindo para a desarticulação dos sistemas econômicos, sociais e culturais das comunidades pesqueiras locais. A exclusão de acesso à Lagoa de Iquipari pelo V Distrito constituiu o principal mecanismo de controle espacial adotado pelo empreendimento, que, ao ser implementado sem a devida consideração das dinâmicas socioeconômicas locais, tende a aprofundar o processo de vulnerabilidade identificado na pesquisa.

Informo que a dissertação será disponibilizada após o agora mestre em Políticas Sociais, Jayson Freitas Gomes, concluir os ajustes sugeridos pela banca. Considero fundamental ampliar a visibilidade sobre o que ocorreu com os pescadores artesanais do V Distrito após a implantação do Porto do Açu.

“Inacreditável” que Angra 3 ainda não tenha sido cancelada

Angra 3: Uma obra à deriva e paralisada desde 2015 - Jornal O Globo

Por Heitor Scalambrini Costa* e Zoraide Vilasboas** 

“Não vemos as coisas como elas são, mas como nós somos”. Immanuel Kant (Filosofo alemão, fundador da “Filosofia Critica”)

O consumo de eletricidade cresce em ritmo acelerado no mundo inteiro. Segundo a Agência Internacional de Energia, a demanda elétrica avança duas vezes mais rápido do que o consumo total de energia, impulsionada por carros elétricos, data centers, refrigeração e digitalização de serviços. No Brasil, o consumo total de energia elétrica foi 531.872 GigaWatts-hora (GWh), em 2023; 561.600 (GWh), em 2024 e 562.659 (GWh), em 2025. O crescimento vem da oferta, principalmente de energias renováveis, que, por sua vez, apresentam dificuldades crescentes e desafios urgentes em relação aos impactos técnicos e socioambientais causados por políticas públicas insustentáveis.

Na matriz elétrica o país se sobressai em relação a outros países pela grande participação das fontes renováveis de energia, que em 2024 correspondeu a 88,2% do total da matriz. Segundo dados oficiais a geração hidráulica atendeu 56,1% da energia elétrica consumida em 2024, enquanto as demais fontes energéticas 43,9%. A contribuição da energia nuclear foi pouco mais de 2%, e caso Angra 3 fosse concluída até 2033, chegaria próximo a 3,5%. O que é ainda um quantitativo irrisório para bravatear a conquista da independência energética do país com Angra 

Estas informações importam diante das últimas declarações de setores lobistas que defendem a insanidade de terminar a construção de Angra 3, cujo início das obras ocorreu em 1984. A pressão exercida sobre o governo federal é grande principalmente pelos representantes dos interesses econômicos e geopolíticos envolvidos com a nuclearização do país, com Angra 3, com a expansão da mineração de urânio e de novas usinas atômicas.

Vale mencionar inicialmente a declaração do presidente da Aben (Associação Brasileira de Energia Nuclear, Carlos Henrique Silva Seixas) que considera “inacreditável” que ainda não se decidiu pela construção de Angra 3. Considera que caso a obra não seja concluída, o país terá um grande desperdício de 21 bilhões de reais que já foram gastos, “jogando no lixo 11.000 equipamentos já comprados”. Afirma que 23 bilhões seriam os recursos  necessários para finalizar a obra. E como bom brasileiro, patriota, demonstrou sua indignação em relação aos gastos anuais com a usina inacabada, da ordem de 1 bilhão, sendo 800 milhões para pagar empréstimos contraídos com a Caixa Econômica Federal e com o BNDES. E outros 200 milhões gastos com o armazenamento, vigilância e manutenção dos equipamentos já adquiridos, desde o final dos anos 80 do século passado.

Ao citar estes valores, ele omite que o custo da energia elétrica nuclear é bem mais caro (segundo BNDES, R$ 778,86/MegaWattshora – R$ 817,27/MWh) que a das fontes renováveis, 4 a 6 vezes maior, o que levaria o repasse do custo extra nas tarifas, afetando todos consumidores, cidadãos e a economia nacional. O presidente da Aben nada falou sobre a possibilidade de readequar/reaproveitar os equipamentos, para outros usos, mais nobre que o lixo. Também de redirecionar o pessoal, cuja excelente formação técnica e científica, facilitaria a adaptação e o envolvimento com outras atividades do setor energético.  

Por sua vez a Eletronuclear, subsidiária da Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) operadora das usinas nucleares de Angra 1 e 2, e responsável por Angra 3, enfrenta uma situação financeira crítica no início de 2026, como declarou o Diretor Presidente Interino, Alexandre Caporal, pressionando o governo sobre o estado atual do “colapso operacional e financeiro” da estatal, com um caixa insuficiente para honrar seus compromissos financeiros, e risco de falência. Chegou a comparar a estatal à situação de insolvência dos Correios.

No atual contexto, a situação de Angra 3 chegou a um momento crítico de descrédito e inoperância administrativa que somente uma decisão responsável e corajosa será possível, a interrupção deste sumidouro do dinheiro público, que se tornou esta obra. Não se pode mais “empurrar com a barriga” a decisão sobre Angra 3.

Não existe nenhum indício, ou indicação técnica-econômica que aponte a nucleoeletricidade como necessária e imprescindível ao país para garantir a segurança energética, a sustentabilidade da matriz elétrica diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, e atingir a modicidade tarifária. Ao contrário, é uma fonte energética “suja”, cara e perigosa.

 

“Em memória do prof. Célio Bermann: gratidão e lembranças”

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* Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco, graduado em Física pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP/SP), mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares na Universidade Federal de Pernambuco (DEN/UFPE) e doutorado em Energética, na Universidade de Marselha/Aix – Centro de Estudos de Cadarache/Comissariado de   Energia Atômica (CEA)-França.

** Zoraide Vilasboas – Ativista socioambiental, integrante da Articulação Antinuclear Brasileira.

No RJ de 2026, uma combinação própria do colapso climático: afogados e sedentos

As notícias veiculadas pela mídia corporativa sobre o regime de chuvas neste início de 2026 revelam um quadro preocupante para o estado do Rio de Janeiro. O ano começou com volumes elevados de precipitação, provocando enchentes, inundações e deslizamentos de terra em diversas regiões. A Baixada Fluminense e o Noroeste do estado concentram alguns dos episódios mais graves, com impactos significativos sobre moradias, infraestrutura e mobilidade urbana.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam para um dado menos visível: parte expressiva dessas chuvas não tem ocorrido nas cabeceiras dos rios que abastecem os principais reservatórios do estado. Após um 2025 marcado por estiagem prolongada e níveis críticos de armazenamento, os reservatórios registraram alguma recuperação recente, mas ainda permanecem abaixo do ideal para garantir segurança hídrica plena.

A coexistência de chuvas intensas em áreas urbanas vulneráveis e a persistência de déficits hídricos em sistemas de abastecimento refletem um padrão cada vez mais associado às mudanças climáticas. Eventos extremos — tanto de excesso quanto de escassez — tendem a se tornar mais frequentes e intensos, conforme indicam estudos científicos consolidados nas últimas décadas.

O cenário expõe fragilidades históricas no planejamento urbano e na gestão de riscos. Muitas cidades fluminenses seguem pouco preparadas para absorver grandes volumes de água em curtos períodos, especialmente em áreas de ocupação precária. Ao mesmo tempo, políticas estruturantes de adaptação climática avançam de forma lenta, apesar dos alertas recorrentes da comunidade científica.

Diante desse contexto, especialistas defendem que a agenda pública incorpore de maneira prioritária medidas de adaptação climática, incluindo investimentos em drenagem urbana, proteção de encostas, recuperação de bacias hidrográficas e planejamento territorial. Sem uma mudança consistente de prioridades, a tendência é de agravamento dos impactos sociais, ambientais e econômicos provocados pela combinação de chuvas extremas e secas prolongadas.

Agrotóxicos banidos na Europa continuam sendo usados na América Latina com graves riscos para saúde humana e o ambiente

pesticidas proibidos

Embora proibidos na União Europeia, muitos agrotóxicos são autorizados na América Latina. Crédito da imagem: Víctor Flores (Graphic Archive)/Flickr , sob licença Creative Commons CC BY-NC-SA 2.0.

O alerta faz parte de um estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B , que analisa a situação legal de centenas de ingredientes ativos presentes em produtos de oito países da região — Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Uruguai — e os compara com as regulamentações europeias, consideradas umas das mais rigorosas do mundo.

Os ingredientes ativos são substâncias químicas com atividade biológica presentes em formulações comerciais.

Os pesquisadores analisaram as informações disponíveis sobre a aprovação de agrotóxicos na América Latina, provenientes de documentos governamentais e do setor privado.

Dessa forma, identificaram 523 ingredientes ativos aprovados para uso nas dez principais culturas da região — soja, milho, arroz, cana-de-açúcar, trigo, maçãs, abacates, café, girassóis e uvas — até dezembro de 2020. Desse total, 256 (48,9%) eram proibidos ou não autorizados na UE.

Esses incluem acetocloro (herbicida), bifentrina (inseticida) e carbendazim (fungicida), que são altamente tóxicos tanto para o meio ambiente quanto para a vida animal e humana, disse Grecia de Groot, pesquisadora de pós-doutorado do Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (CONICET) da Argentina e principal autora do estudo, ao SciDev.Net .

“Os resultados revelam um quadro regulatório profundamente desigual entre as duas regiões.”

Grecia de Groot, Conselho Nacional de Pesquisa Científica e Técnica (CONICET) da Argentina

A Costa Rica registrou o maior número de ingredientes ativos aprovados para uso agrícola na região, mas proibidos ou não aprovados na Europa (140), seguida pelo México (135), Brasil (115), Argentina (106) e Chile (99).

“Os resultados mostram um quadro regulatório profundamente desigual entre as duas regiões, consideravelmente menos rigoroso nos países latino-americanos analisados”, disse de Groot.

Ao aplicar modelos estatísticos para avaliar os fatores econômicos que podem influenciar a aprovação desses pesticidas na América Latina — como o volume de produção e o valor de exportação de cada cultura —, o estudo mostra que as culturas com maior produção e valor de exportação — soja, milho, trigo e arroz — concentram mais substâncias não permitidas na UE.

“Essas descobertas são alarmantes porque se tratam de culturas de enorme importância regional, em países cujas economias dependem fortemente das exportações agrícolas”, acrescenta Groot.

A América Latina é a região com o maior crescimento no uso de agrotóxicos: seu consumo aumentou aproximadamente 500% entre 1990 e 2019, segundo um estudo da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Essa combinação aumenta a exposição direta dos trabalhadores rurais e das comunidades próximas às plantações, bem como a exposição indireta da população em geral por meio dos resíduos de agrotóxicos que permanecem nos alimentos , na água , no ar e no solo.

Por exemplo, em estudos com mulheres diagnosticadas com câncer de mama no Paraná, Carolina Panis, pesquisadora da Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Brasil, que não participou do estudo publicado nos Anais B , constatou que a exposição ocupacional crônica a esses produtos está associada ao aparecimento de tumores mais agressivos.

“Muitos trabalham em plantações de soja e milho como auxiliares de aplicação de agrotóxicos e têm algum tipo de contato com essas substâncias durante a descontaminação de equipamentos de proteção, como luvas, máscaras e óculos de proteção”, disse ela ao SciDev.Net .

Da mesma forma, um estudo de 2024 publicado no Journal of Public Health detectou pesticidas no leite materno em pelo menos dez países da América Latina.

“Esses compostos podem chegar ao leite materno porque se acumulam no ambiente” e, dentro do corpo, “podem causar desequilíbrios hormonais, infertilidade ou câncer”, disse Rafael Junqueira Buralli, professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, Brasil, que não participou do estudo publicado na revista Proceedings B.

“A região continua permissiva em relação a essas substâncias, apesar das evidências de seus impactos na saúde e no ambiente, portanto, os resultados do estudo publicado nos Anais B , embora sólidos, não são surpreendentes”, lamentou Panis.

Para corrigir as desigualdades regulatórias entre a América Latina e a Europa, os pesquisadores do estudo sugerem a proibição imediata da produção, venda e uso de todos os ingredientes ativos considerados altamente perigosos.

O objetivo é evitar que as lacunas regulatórias na região permitam que países com leis mais fracas sofram os efeitos do comércio global desses compostos, disse Groot.

Além disso, o estudo destaca a necessidade de implementar a gestão de riscos nos níveis local e regional, garantindo a aprovação de pesticidas com base em protocolos de avaliação atualizados e programas de monitoramento adaptados a contextos específicos.

Segundo Panis, o recente acordo de livre comércio assinado em janeiro de 2026 entre o Mercosul e a UE poderá introduzir normas que restrinjam o uso dessas substâncias.


Fonte: SciDev.Net

Corteva interromperá produção do herbicida “Enlist Duo” que critícos rotulam de “coquetel tóxico”

A Corteva vai descontinuar uma mistura de Agente Laranja e glifosato, mas outro de seus herbicidas ainda usará um desfolhante da época da Guerra do Vietnã

Uma placa diz: 'Americano desde 1926'

Placa da Corteva em Jewell, Iowa, em 6 de janeiro de 2023. Fotografia: Michael Siluk/Universal Images Group/Getty Images

Por Tom Perkins para “The Guardian” 

A gigante química Corteva deixará de produzir o Enlist Duo, um herbicida considerado por ambientalistas como um dos mais perigosos ainda em uso nos EUA, devido à presença de uma mistura de Agente Laranja e glifosato, ambos associados ao câncer e a danos ecológicos generalizados.

Durante a Guerra do Vietnã, as forças armadas dos EUA utilizaram o Agente Laranja, uma arma química, para destruir a vegetação, causando sérios problemas de saúde entre os soldados e os moradores vietnamitas.

O glifosato, por sua vez, é um ingrediente herbicida altamente controverso e tóxico que motivou processos judiciais semelhantes. Ambos são proibidos ou têm seu uso severamente restringido em muitos países industrializados.

Apesar dos riscos da combinação das substâncias, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) aprovou por duas vezes seu uso em plantações de alimentos. O composto é aplicado anualmente em cerca de 4,5 milhões de acres de campos onde se cultivam milho, soja e algodão geneticamente modificado.

A medida encerrará uma década de litígios e campanhas de pressão pública para proibir o Enlist Duo, e os defensores estão “comemorando como uma vitória”, disse Kristina Sinclair, advogada do Centro para Segurança Alimentar (CFS, na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos que é a principal autora da ação judicial.

“Após mais de uma década de batalhas judiciais, em vez de tentar refutar nossos argumentos no tribunal, o fabricante retirou o Enlist Duo do mercado”, disse Sinclair. “Nosso sistema alimentar nunca deveria ter sido contaminado com esse coquetel tóxico, e agora nunca mais será.”

A Corteva informou ter vendido mais de US$ 1 bilhão em produtos Enlist em 2022. O agente químico laranja 2,4-D continuará sendo usado no Enlist One, e o processo judicial que pede a um juiz a invalidação de sua aprovação prosseguirá.

Em comunicado, um porta-voz da Corteva afirmou que a produção do Enlist Duo foi interrompida porque o produto agora representa apenas 1% das vendas.

“Essa decisão é a mais recente de uma série de medidas que tomamos nos últimos anos para otimizar nosso portfólio e não afeta a produção ou a disponibilidade do Enlist One, que continua sendo uma solução líder de mercado”, disse o porta-voz.

O 2,4-D age atacando as raízes e folhas das ervas daninhas, fazendo com que produzam células indesejadas, de forma semelhante à indução do câncer, para matá-las ou enfraquecê-las. A substância é considerada um possível carcinógeno pela Organização Mundial da Saúde e, entre outros efeitos na saúde humana, está associada ao linfoma não Hodgkin, defeitos congênitos, problemas respiratórios, doença de Parkinson e danos reprodutivos.

Acredita-se também que o produto prejudique centenas de espécies ameaçadas de extinção, incluindo borboletas, pássaros, peixes, veados, panteras e morcegos, escreveu o CFS em seus documentos judiciais. A ação alega ainda que a aprovação do produto ameaça aumentar a disseminação de novas ervas daninhas resistentes a herbicidas, porque a EPA não mitigou adequadamente os riscos. Isso obriga os agricultores a lidar com novas “superervas daninhas”.

A EPA aprovou o Enlist Duo pela primeira vez em 2014, o que levou a um processo judicial movido pela CFS e outras entidades, alegando que a agência violou a lei federal ao não garantir que o herbicida não causasse “efeitos adversos irrazoáveis ​​ao meio ambiente”, conforme exigido pelas leis nacionais sobre pesticidas. Naquela época, a EPA declarou, sem realizar a consulta obrigatória de acordo com a Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção, que o coquetel químico não causaria danos a nenhuma espécie ameaçada de extinção.

Um tribunal federal invalidou a aprovação da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) para o Enlist Duo em 2020, mas a agência o reaprovou em 2022 para um período de uso de sete anos. Os defensores argumentaram que a EPA baseou suas avaliações de impacto ambiental e de saúde em níveis de uso anteriores, que subestimam drasticamente a ameaça.

A reaprovação do Enlist Duo pela EPA, apesar da decisão judicial, é emblemática de uma filosofia falha e mais ampla na divisão de pesticidas da agência, afirmou Nathan Donley, diretor de saúde ambiental do Centro para a Diversidade Biológica, que esteve envolvido nos processos. A agência está sempre em busca de “ajustes”, disse ele.

“Sempre que os tribunais encontram falhas em sua abordagem, nunca há um momento de reflexão, nunca há um reconhecimento de que seu processo é falho, há simplesmente uma corrida para encontrar a solução mais rápida para que seja reaprovado”, disse Donley.

“Levar os pesticidas ao mercado é sempre o objetivo da EPA – e quando essa é a principal motivação do órgão regulador de um país, há um limite para o que se pode esperar deles”, acrescentou Donley.


Fonte: The Guardian

Brasil, uma grande zona de sacríficio ambiental: Governo Lula publica novos atos relacionados à aprovação de agrotóxicos

No dia 24 de janeiro de 2026, publiquei aqui neste espaço um texto da professora Sonia Corina Hess onde ela apontava que somando-se os números relativos ao atual mandato do presidente Lula, de 2023 a 2025,  2.135 novos agrotóxicos tinham sido aprovados para uso no Brasil, sendo 346 (16%) produtos biológicos e 302 deles (87%) fabricados no Brasil.  A professora Hess lembrou ainda que dentre os 1.789 agrotóxicos químicos aprovados neste período, 1.511 (84%) tinham pelo menos um ingrediente ativo fabricado na China, enquanto 867 (48%) continham pelo menos um ingrediente ativo sem uso autorizado na União Europeia.

Como sabemos, esse números do terceiro mandato do presidente Lula já empalidecem as aprovações já estratosféricas que ocorreram durante os quatro anos do governo do presidente Jair Bolsonaro.  Mas como o atual mandato só se encerra no dia 31 de dezembro, o esforço parece ser mesmo estabelecer um novo recorde de aprovações de venenos agrícolas no Brasil. Falo isso porque o Diário Oficial da União traz a publicação do Ato Nº 6, de 2 de fevereiro de 2026 que libera mais 44 agrotóxicos, incluindo diferentes formulações do Acefato, um inseticida ligado ao desenvolvimento de câncer  que já foi banido pela União Europeia em 2003!

O fato inescapável é que o Brasil está sendo transformado em uma zona de sacrifício ambiental com a comercialização de agrotóxicos banidos em outras partes do mundo por causa da sua alta toxicidade ambiental e para a saúde humana. E tudo isso para continuar alimentando os lucros do setor agroquímico e mineral que controla atualmente a economia reprimarizada do Brasil. 

Um aspecto particularmente grave é a contínua liberação dos agrotóxicos banidos em outras partes do mundo. Essas substâncias já possuem uma abundante literatura científica demonstrando quais são as suas repercussões ambientais e sobre a saúde humana, mas continuam sendo liberadas de maneira abundante.  O problema aqui é que está se contribuindo para o aparecimento de uma epidemia com origens químicas, mas em relação à qual a maioria da população continua totalmente desinformada, mas exposta de forma cada vez mais frequente.

Por outro lado, o problema não deve parar de aumentar. É que a edição de hoje do Diário Oficial da União traz outro ato, o Ato No. 5 de 30 de janeiro de 2026 em que são listados mais 96 pedidos de registros de agrotóxicos. Como esses pedidos deverão ser todos aprovados, já se pode imaginar que o ritmo de aprovações poderá até não repetir os anos anteriores (afinal é ano eleitoral e o presidente Luís Inácio irá certamente vestir uma roupagem verde para agradar os ambientalistas), mas, mesmo assim, vem mais liberação por ai.

É preciso apoiar e divulgar os esforços para impedir que essa transformação do Brasil em zona de sacrifício ambiental continue sendo naturalizada e e, pior, ocultada da maioria dos brasileiros. Afinal, os riscos são altos demais para serem ignorados.

Candidato socialista impõe forte derrota à extrema-direita nas eleições presidenciais em Portugal

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O cargo de presidente é basicamente ceremonial, mas a estrondosa vitória do candidato do Partido Socialista (PS), o professor universitário António José Seguro, contra o representante do Chega, o deputado extremista André Ventura, é uma sinalização de que a propalada guinada para a extrema-direita não é tão inevitável quanto alguns querem nos fazer parecer.  Além disso, o fato de que Seguro superou em número de votos a eleição ocorrida em 1991 na qual se elegeu Mário Soares também do PS é outra prova de que havendo mensagem clara e postura firme, pode-se derrotar a extrema-direita sem que fazer alianças indefensáveis com a direita.

E há que se notar que as eleições ocorreram no dia de hoje em meio à fortes chuvas que estão abalando Portugal há quase duas semanas.  Com isso, se demonstra que mesmo em meio a eventos climáticos extremos, os portugueses decidiram ir às urnas e dar uma mensagem clara contra as propostas xenefóbicas e anti-democráticas da extrema-direira.

Que a vitória de Seguro seja uma lição para os que se consideram de esquerda no Brasil em meio aos preparativos para as eleições gerais que deverão eleger o próximo presidente brasileiro.

Estudo independente mostra que alimentos servidos às Forças Armadas dos EUA estão contaminados com agrotóxicos, medicamentos veterinários e metais pesados

Testes laboratoriais independentes encomendados pela Moms Across America , com o apoio do Children’s Health Defense Military Chapter e da Centner Academy , revelam que a comida das forças armadas americanas, incluindo as refeições prontas para consumo (MREs) e outros itens racionados e de refeitório, têm baixos níveis de nutrientes e estão contaminadas com uma mistura de agrotóxicos, medicamentos veterinários proibidos, metais pesados ​​e glifosato em níveis que representam sérias ameaças à saúde humana. 

Por Sustainable Pulse 

Testes laboratoriais independentes encomendados pela Moms Across America, com o apoio do Children’s Health Defense Military Chapter e da Centner Academy, revelaram na quarta-feira que os alimentos das forças armadas dos EUA, incluindo as refeições prontas para consumo (MREs) e outros itens racionados e de refeitório, estão contaminados com uma mistura de agrotóxicos, medicamentos veterinários proibidos, beta-agonistas e esteroides amplamente utilizados na produção de carne bovina e suína nos EUA para promover o crescimento, metais pesados ​​e glifosato em níveis que representam sérias ameaças à saúde humana.

A cada ano, mais de 1,5 bilhão de refeições militares e 37 milhões de refeições prontas para consumo (MREs) são servidas aos militares da ativa dos EUA, tornando as Forças Armadas americanas uma das compradoras e influenciadoras mais poderosas no abastecimento alimentar, tanto nos EUA quanto globalmente. A saúde, o preparo e a segurança das tropas americanas dependem dessas refeições para manter o desempenho físico, a função cognitiva e o bem-estar a longo prazo.

As forças armadas dos EUA parecem estar ficando para trás na área de alimentos limpos e seguros, visto que, em 2014, o exército chinês ordenou que todos os postos de abastecimento militar permitissem apenas a compra de grãos e óleo alimentar não transgênicos, devido a preocupações com a segurança sanitária relacionadas aos transgênicos e aos pesticidas associados, que agora se comprovou estarem contaminando os suprimentos alimentares das forças armadas americanas.

“Apoiamos o compromisso do Presidente Trump em aumentar o orçamento das Forças Armadas para garantir a segurança dos americanos e criar as Forças Armadas mais poderosas do mundo”, disse Zen Honeycutt, Diretora Executiva Fundadora da Moms Across America. 

“Como Comandante-em-Chefe da nossa nação, apelamos para que ele seja um verdadeiro herói, garantindo o nosso poder global ao fornecer as refeições mais seguras e saudáveis ​​de todas as forças armadas do mundo. Apelamos para que as tropas americanas tenham acesso a comida americana – carne orgânica de criação regenerativa e produtos orgânicos, ricos em nutrientes e não tóxicos”, concluiu Honeycutt.

Os testes laboratoriais independentes incluíram um total de 40 amostras, sendo 16 amostras provenientes de 6 refeitórios de bases militares e 24 rações MRE (Medidas de Refeição Prontas para Consumo) analisadas para detectar substâncias químicas e nutrientes tóxicos. As amostras continham ingredientes como trigo, milho transgênico, soja transgênica e carne. Os resultados incluíram:

  • Agrotóxicos 100% das amostras de alimentos militares testadas continham resíduos nocivos de pesticidas. Mais de 70% das amostras continham múltiplos  agrotóxicos (variando de 2 a 26) e até 15 a 26 resíduos diferentes de agrotóxicos em um único item. Um total de 62 agrotóxicos e misturas químicas estavam presentes, sem avaliação dos efeitos cumulativos ou sinérgicos na saúde.
  • Glifosato  95% das amostras de alimentos militares continham níveis detectáveis ​​de glifosato/AMPA.
  • Medicamentos veterinários – Foram detectados 5 medicamentos veterinários, incluindo ractopamina e acetato de trembolona, ​​substâncias promotoras de crescimento amplamente utilizadas na produção de carne bovina e suína nos EUA, mas proibidas em outros 160 países, incluindo China, União Europeia e Rússia; outros 3 medicamentos encontrados são proibidos na maioria dos países ou não aprovados para uso humano – indicando provável contaminação por carne importada.
  • Metais pesados ​​ 100% das amostras testadas continham arsênio, cádmio, chumbo, mercúrio e alumínio. Em algumas amostras, os níveis de arsênio, cádmio e alumínio encontrados foram de 430% a 17.300% superiores às diretrizes da EPA para água potável. 

“Como uma veterana orgulhosa do Exército dos Estados Unidos, entendo em primeira mão as exigências físicas e mentais extremas impostas aos nossos militares para que se mantenham prontos para a missão. Treinamento, foco e resiliência são essenciais, e a alimentação desempenha um papel fundamental no apoio a todos os três. É preocupante que muitos militares estejam atuando em ambientes alimentares que não apoiam consistentemente sua saúde ou bem-estar a longo prazo. A orientação nutricional limitada e a forte dependência de alimentos ultraprocessados ​​refletem desafios mais amplos em nosso sistema alimentar — desafios que afetam tanto as comunidades militares quanto as civis”, declarou Charlene Guzman, Líder de Comunicação Estratégica e Relações Públicas do Projeto Não-OGM, ex-contratada do USDA e veterana do Exército, em reação aos resultados dos testes.

“Nossos militares e suas famílias fazem sacrifícios diários a serviço deste país. Em troca, temos a responsabilidade de garantir que estejam adequadamente nutridos com alimentos que promovam força, recuperação e bem-estar a longo prazo. Proporcionar acesso a alimentos limpos e ricos em nutrientes não é um luxo — é uma medida básica de cuidado, dignidade e respeito por aqueles que servem”, concluiu Guzman.


Fonte: Sustainable Pulse

Testes realizados na Flórida detectam glifosato em marcas de populares de pães

State warns families about glyphosate levels in popular bread brands

Por Carey Gillam para “The New Lede” 

Autoridades da Flórida divulgaram esta semana os resultados de testes que mostraram que vários pães comumente vendidos  em supermercados no estado continham resíduos de glifosato, um herbicida que cientistas associam ao câncer.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou em um comunicado à imprensa que os testes em produtos de panificação fazem parte de um programa de testes mais amplo, concebido para “fornecer aos floridianos as informações necessárias para que façam as melhores escolhas para o bem-estar de suas famílias”.

O Departamento de Saúde do estado encontrou glifosato em seis dos oito produtos de panificação testados: Nature’s Own Butter Bread, Nature’s Own Perfectly Crafted White, Dave’s Killer Bread White Done Right, Wonder Bread Classic White, Sara Lee Honey Wheat e Dave’s Killer Bread 21 Whole Grain, informou o estado.

As marcas de pão Dave’s Killer Bread possuem certificação orgânica e são rotuladas como livres de ingredientes geneticamente modificados (GM). O pão Nature’s Own Perfectly Crafted White também é rotulado como não contendo ingredientes GM. A Flowers Foods, proprietária de ambas as marcas, não respondeu ao pedido de comentário.

Fonte: Healthy Florida First

O glifosato é um herbicida químico introduzido na década de 1970 pela Monsanto, que se tornou o herbicida mais utilizado no mundo. Presente em marcas como o Roundup, é popular entre agricultores de todo o mundo, principalmente aqueles que cultivam culturas geneticamente modificadas para tolerar a pulverização direta com o herbicida.

O glifosato também é usado como agente dessecante no trigo e em outras culturas não transgênicas antes da colheita, uma prática que torna a colheita mais eficiente para os agricultores, mas pode deixar maiores resíduos de glifosato nos grãos.

Ao longo dos anos, diversos testes realizados por pesquisadores detectaram resíduos de glifosato não apenas em pães, mas também em uma variedade de alimentos , incluindo mingau de aveia para bebês .

A Monsanto e sua proprietária alemã, a Bayer, afirmam que o glifosato não representa um risco à saúde , e autoridades governamentais dizem que os resíduos de glifosato e outros agrotóxicos encontrados em produtos alimentícios são quase sempre tão baixos que não são considerados prejudiciais.

No entanto, cientistas internacionais ligados à Organização Mundial da Saúde classificaram o glifosato como provavelmente cancerígeno para humanos, e estudos recentes realizados na Europa descobriram que os herbicidas à base de glifosato representam não apenas risco de câncer , mas também outros riscos à saúde.

“O pão é um alimento básico para muitas famílias da Flórida, e elas devem poder consumi-lo sem se preocupar com toxinas ”, disse o Dr. Joseph Ladapo, Cirurgião-Geral do Estado, em um comunicado .  “Nossos testes encontraram altos níveis de glifosato em algumas marcas populares de pão. A exposição crônica ao glifosato está ligada a alterações prejudiciais na microbiota intestinal, inflamação do fígado e efeitos neurológicos adversos. A Flórida está tomando medidas por meio da transparência, testes contínuos e um foco claro na redução da exposição para proteger as famílias.”

O anúncio sobre o glifosato surge depois de autoridades da Flórida terem afirmado, no mês passado, que testes realizados em 24 fórmulas infantis detectaram níveis elevados de mercúrio, arsênio, cádmio e chumbo.


Fonte: The New Lede