O cinismo do discurso sobre o direito de “ir e vir”

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O inciso XV do artigo 5 da Constituição Federal Brasileira consagra que “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens“.  

Pois bem, essa cláusula constitucional foi usada ontem “ad nauseam” por jornalistas, empresários e políticos para criticar a realização da greve geral que ganhou manchetes mundiais, mas que aqui no Brasil teve uma cobertura jornalística restrita e tendenciosa.

Agora, vejamos, ao trabalhador brasileiro se quer garantir o direito de “ir e vir”, enquanto se cassam as suas garantias fundamentais de trabalhar com salários compatíveis e de se aposentar com dignidade? Sim, é isso mesmo!

A verdade é que toda essa conversa sobre direitos negados pela ação organizada da classe trabalhadora é só uma mera cortina de fumaça que é lançada para ocultar o que de fato está em jogo no Brasil. E o que está em jogo é o desmonte das garantias básicas que a Constituição Federal de 1988 possui, e que as elites oligárquicas deste país querem destruir para ficarem ainda mais podres de ricas, enquanto a maioria do nosso povo padece sob um regime de profunda exclusão social e econômica.

Então, que me desculpem os defensores desse direito de ir e vir que só servem para os ricos, a classe trabalhadora e a juventude brasileira têm a obrigação de reagir com as ferramentas que lhes estão à mão.

 

A greve geral que houve é a mesma que a mídia corporativa tenta negar

Acompanhei por diferentes vias o desenrolar da greve geral que ocorreu em grande parte do território brasileiro nesta 6a. feira. É quase certo que se eu tivesse assistido apenas aos informes da mídia corporativa eu poderia ter sido convencido que as situações de confronto eram resultado da ação de “vandâlos”. Mas como tive acesso a outros canais de informação, posso afirmar que na imensa maioria dos casos foi a própria Polícia Militar quem iniciou e continuou os atos de violência, normalmente contra manifestantes pacíficos que apenas tentavam exercer o direito constitucional de se manifestar.

Irônico foi o uso do argumento de que a greve geral estava atrapalhando o “direito de ir e vir” dos brasileiros. Ora, de que adianta poder ir e vir  se vivemos numa depressão econômica colossal e sob a ação de um governo imposto que está arrasando com direitos trabalhistas e as poucas políticas sociais que existiam no Brasil.

Mas apesar de toda a violência policial, ao final da noite até os veículos da mídia corporativa tiveram que reconhecer que vivemos hoje um movimento poderoso e com ampla distribuição no território nacional, o que se configura numa vitória das centrais sindicais e movimentos sociais contra um governo completamente desprovido de legitimidade, mas que teima em impor uma série de medidas ultraneoliberais que estão ampliando a própria recessão que suas próprias políticas criaram.

Aqui em Campos dos Goytacazes, o ato público de encerramento do movimento da greve geral em nosso município reuniu uma pequena, mas animada, multidão que uniu estudantes e trabalhadores. E, felizmente, apesar da presença policial, o ato transcorreu em completa tranquilidade, o que apenas reforça que se o manifestantes forem deixados para se manifestar livremennte não ocorre violência.

Abaixo posto algumas imagens do ato público, notando que a presença da comunidade da Uenf foi bastante expressiva, o que serve de alento para a defesa contra os ataques que estão sendo desferidos pelo (des) governo Pezão.

Gilmar Mendes manda soltar Eike Batista no dia da greve geral

eike cabral

Numa demonstração que os altos estratos das elites brasileiros ainda não entenderam o grau de revolta que grassa na maioria pobre do povo brasileiro, o ministro Gilmar Mendes como acaba de informar o jornal Folha de São Paulo (Aqui!).

eike solto

Achei particularmente interessante o argumento utilizado por Gilmar Mendes para conceder o habeas corpus apresentado em favor de Eike Batista. Segundo Mendes, Ao “embora graves”, os fatos (os crimes cometidos por Eike Batista) teriam acontecido muito tempo antes da prisão de 2017. Se for prevalecer essa lógica, não vai ficar mais ninguém preso no caso Lava Jato.  Além disso, se aplicada a casos de assassinato, essa lógica auxiliará a muitos assassinos a ficarem livres, desde que não sejam presos imediatamente.

Pode não parecer, mas é por essas e outras que muita gente hoje estava nas ruas protestando. É que dificilmente um pobre receberia o benefício de um habeas corpus segundo a mesma lógica que está beneficiando neste momento o ex-bilionário Eike Batista.

Resta saber como vai ficar o amigão dele, o ex-(des) governador Sérgio Cabral, que continuará, por ora, hospedado no complexo prisional de Bangu.

Mídia internacional e a nacional: adivinhem qual delas informa os motivos e a força da greve geral!

Acabo de assistir pela TV por agonizantes 15 minutos um âncora da Band News culpar os manifestantes pela violência que ocorre neste momento no centro da cidade do Rio de Janeiro. Mas pior do que oferecer uma versão parcial dos enfrentamentos, esse âncora fez um enorme malabarismo para explicar que não houve adesão à greve geral no Rio de Janeiro, mas sim a realização de piquetes, bloqueios e paralisações de determinadas categorias. Ora bolas, o nome disso é o que mesmo? Deixe-me ver… ah sim, greve geral!

bandnews

Entretanto, quem tiver acesso à cobertura de grandes veículos da mídia internacional como o New York Times, The Guardian, El País e até a BBC verá que o foco desses matérias é informar que o Brasil foi sim palco de uma greve geral neste 28/04, e que o protesto está dirigido contra as reformas neoliberais do governo “de facto” de Michel Temer (Aqui!Aqui!Aqui! Aqui!)

Assim, ainda que o presidente “de facto” Michel Temer decida se iludir e desmentir a força do movimento de hoje, quem evitar este tipo de ilusão causada pela desinformação imposta pela mídia corporativa brasileira basta acessar a mídia internacional. Simple assim!

Greve com substância é greve geral exitosa!

greve substantiva

Acabo de ler um extrato de uma declaração da articulista Miriam Leitão no “O GLOBO” em que ela diz que a crise econômica dá “substância” à greve geral (Aqui!). Trocando de globês para português, o que ela está dizendo é que a greve geral teve êxito. Então ficamos assim, estamos vivenciando hoje uma greve geral substantiva!

Tremei Temer!

Pela irritação dos “jornalistas” da Rede Globo, há uma Greve Geral!

teemr aroeira

Acordei cedo para assistir ao que diriam os “jornalistas” da Globo. É que dependendo do grau de irritação eu poderia verificar se temos ou não um dia de greve geral. E rapidamente ficou evidente que sim, temos uma greve geral! É que dos quadros mais inexpressivos do “jornalismo” da Globo até veteranos como Alexandre Garcia, a irritação misturava pasmo com óbvia irritação com a dimensão que o movimento tomou em todo o território nacional.

Mas como a Rede Globo não tem como chegar perto de manifestações que não sejam as manipuladas por grupos de extrema-direita, quem quiser ver o que efetivamente está acontecendo nas maiores cidades do Brasil vai ter que recorrer às redes sociais para ter uma dimensão real do movimento.

Pelo que já vi existem estradas principais fechadas e a suspensão dos sistemas de transporte urbano até em Brasília, incluindo os aeroportos.

Certamente haverá quem reclame do incômodo, mas para os (des) governantes como Michel Temer e Luiz Fernando Pezão vai ficar claro que estamos entrando num outro momento da luta de classes no Brasil, e eles que se cuidem. É que também está ficando evidente que apesar dos entraves colocados pela burocracia sindical para que o movimento fosse geral, os trabalhadores e a juventude estão firmes na luta por dias melhores.

E que os (des) governantes não se surpreendam se brevemente tivermos outros dias de greve geral no Brasil. E a razão é simples: há limite para tudo, inclusive para a paciência da classe trabalhadora!

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Reitoria da Uerj suspende atividades por causa da greve geral

Ao contrário das reitorias da Uenf e da Uezo que permanecem caladas sobre o dia de greve geral que ocorrerá nesta 6a. feira (28/04), a reitoria da Uerj resolveu suspender o expediente na instituição em função movimento paredista que irá protestar contra as reformas anti-populares do governo “de facto” de Michel Temer (ver abaixo).

uerj