Marketing acadêmico: O minotauro global de Yanis Varoufakis

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Neste livro excepcional, o ex-ministro grego das Finanças no governo do Syriza, Yanis Varoufakis, um dos maiores expoentes antiausteridade na Europa, destrói o mito de que a regulamentação dos bancos é ruim para a saúde econômica. Com rigor e profundidade, ele demonstra como a ganância global do setor financeiro foi a principal causa da última crise econômica. Para ilustrar, Varoufakis recorre à imagem mitológica do Minotauro: uma monstruosidade financeira que não deveria existir e, por tal motivo, vive reclusa em um labirinto, exigindo periódicos sacrifícios dos humanos. Após a bulimia que causou o colapso de 2008 – uma crise pior que a Grande Depressão de 1929 e mais dramática internacionalmente que a crise do petróleo nos anos 1970 –, a besta se reergue levantando junto novas dúvidas: como os principais responsáveis pela crise saíram ainda mais poderosos? O que levou os Estados a torrarem suas reservas e comprometerem seus orçamentos para salvá-los? Varoufakis explica com clareza a falência deste complexo sistema que nos jogou na presente crise. E mais do que identificar o caminho deste processo kafkiano, aponta as saídas para reintroduzir a racionalidade numa ordem econômica altamente irracional, jogando luzes neste labirinto histórico no qual se encontram não apenas os gregos, mas também todo mundo, inclusive os brasileiros.

Os economistas heterodoxos estão em moda. Primeiro o Pikkety, sobre a desigualdade, e agora é o Varoufakis, com um relato alternativo sobre a crise econômica.
– El País

Um escritor lúcido e cativante que faz críticas astutas ao modelo econômico que causou o colapso financeiro e a amarga recessão mundial. Seu argumento tem uma envergadura ambiciosa.
– The Times

Um livro espirituoso. O Minotauro Global é uma besta econômica mantida enjaulada só pela constante movimentação mundial de dinheiro via Wall Street
– The New Yorker

Um ciclo econômico está chegando ao fim. Ele começou no início dos anos 1970 com o nascimento do que Varoufakis chamou de “Minotauro Global”, o monstro motor que fez a economia mundial funcionar entre o começo dos anos 1980 até 2008.
– Slavoj Zizek

O livro é uma daquelas publicações raríssimas que podemos dizer ser urgente, oportuna e absolutamente necessária.
– Terry Eagleton

Sobre o autor
Yanis Varoufakis é um economista, acadêmico e blogueiro greco-australiano nascido em 24 de março de 1961 em Atenas, na Grécia. Realizou seus estudos superiores nas universidades de Essex e Birmingham, no Reino Unido, entre 1978 e 1987, mantendo em paralelo ativa militância política. Lecionou em renomadas instituições de ensino superior britânicas, destacando-se nas áreas de Economia Política e Teoria dos Jogos, até se radicar na Austrália, em 1987, onde obteve cidadania. Retornou à Grécia em 2000. Tornou-se professor da Universidade de Atenas e ativo membro da esquerda do Partido Socialista Pan-helênico (Pasok), com o qual rompeu devido à guinada ideológica da agremiação que resultou no desastroso governo do primeiro-ministro Georgios Papandreu. Com o estouro da crise econômica global, em 2008, Varoufakis passou a ser uma das vozes mais firmes contra as políticas de austeridade. Em seu blog, intitulado Thoughts for the post-2008 world (hospedado no endereço yanisvaroufakis.eu), criticou ferozmente as medidas governamentais que puniram populações mais carentes. Filiou-se à Coligação da Esquerda Radical (Syriza), colaborando com os esforços contrários às medidas de austeridade, que foram particularmente perversas na Grécia. No início de 2015, foi eleito membro do parlamento grego e logo convidado pelo premiê Alexis Tsipras para ocupar o cargo de ministro das Finanças enquanto seu país vivia às voltas com a asfixia econômica promovida pela troika – como é conhecido o grupo formado pela Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu. Sem o apoio do resto do governo para manter o enfrentamento às imposições da troika, deixou o governo na esteira da vitória do “não” na famosa consulta popular realizada em 5 de julho de 2015, quando os gregos se recusaram a aprofundar as medidas de austeridade impostas pelas autoridades europeias. Nas eleições antecipadas de setembro de 2015, resolveu não endossar seu antigo partido e apoiou deputados da recém-criada Unidade Popular, um racha antiausteridade do Syriza. Convicto de que a solução para a crise europeia não será resolvida isoladamente por cada país, Varoufakis se empenhou nos últimos meses na construção do Democracy in Europe Movement 2025, o DiEM (diem25.org/), uma iniciativa pan-europeia, horizontal e em rede que visa democratizar o continente ao longo dos próximos dez anos, lutando ao lado dos movimentos sociais contra a extrema-direita nacionalista e a tecnocracia da atual União Europeia.

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Renato Janine Ribeiro se manifesta sobre situação da Uenf

O filósofo Renato Janine Ribeiro, professor da Universidade de São Paulo (USP) e ex-ministro da Educação do governo Dilma Rousseff, repercutiu em sua página pessoal na rede social Facebook a entrevista dada a este blog pelo reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Luis César Passoni (Aqui!).

Além de repercutir a entrevista, Renato Janine Ribeiro apontou para os asepctos inovadores e a importância do projeto idealizado por Darcy Ribeiro para o estado do Rio de Janeiro. Além disso, dada a situação grotesca por que passa a Uenf, Renato Janine cobrou um posicionamento da comunidade científica brasileira sobre o risco que os atrasos de repasses financeiros representam para o futuro da universidade (ver reprodução abaixo).

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Dada a importância que Renato Janine Ribeiro possui no mundo acadêmico, esse posicionamento é extremamente importante, pois chama que a comunidade se manifeste em defesa da Uenf.

O que eu espero é que essa manifestação seja seguida de outras de igual calibre. A Uenf é muito importante para ser destruída da maneira que está sendo.

Desde já,  agradeço ao professor Renato Janine em nome de todos os que querem defender a Uenf da ameaça de destruição que paira sobre ela neste momento.

Uenf: Reitor aponta condição de calamidade financeira e seus riscos para a instituição

Visando elucidar a real situação por que passa a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) neste momento, este blog uma série de questões ao reitor da instituição, Prof. Luís César Passoni.  

Abaixo coloco na íntegra as respostas que foram oferecidas pelo reitor da Uenf. Considero que a leitura cuidadosa dessas respostas deixará aos leitores a clara gravidade dos problemas financeiros causados pelo (des) governo do Rio de Janeiro à Uenf, visto que passados quase oito meses de 2016,  o reitor declara que não houve nenhum repasse para o custeio das atividades cotidianas da instituição.

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O senhor assumiu a reitoria da Uenf em meio a uma grave crise financeira.  Como isto tem prejudicado os projetos que havia idealizado em seu programa eleitoral?

O maior problema aqui é o estado de animosidade criado pelas incertezas, o parcelamento dos salários acentuou o problema, as dúvidas com relação às mudanças na aposentadoria é outro fator de desanimo, e passa a valer o dito popular “onde falta o pão, ninguém tem razão”. Muitas das ideias levantadas na campanha poderiam ser feitas sem muito impacto financeiro, mas é difícil motivar as pessoas diante de um cenário de grandes incertezas. De qualquer maneira, estamos conseguindo, ainda que timidamente, alterar alguns procedimentos internos visando melhorar a dinâmica dos processos.

Agora, tem uma questão de maior gravidade, nesta crise por que passamos, que parece não ter sido bem compreendida: esta crise ameaça a própria existência da Uenf da forma como a conhecemos! Estamos nos aproximando de um ano (!) sem qualquer verba para manutenção, sem pagar nenhum fornecedor nem prestador de serviços. Uma empresa privada não resistiria 3 meses nesta situação. Se ainda estamos funcionando é devido ao respaldo que a Uenf encontra na sociedade, à consideração que nos emprestam os diversos atores envolvidos e ao empenho da comunidade interna para manter um mínimo de condições de funcionamento. E aí voltamos à questão proposta inicialmente: gasta-se muita energia para manter um mínimo de condições de funcionamento, não sobra para implantar modificações.

Qual é efetivamente a condição financeira da Uenf neste momento?

Calamidade. Até o momento, os salários ainda estão sendo pagos, mas estamos precisando de suplementação orçamentária e financeira para pagar os salários até o final do ano. O financeiro já acabou agora com a folha de agosto (a ser paga em setembro) para a folha de setembro estamos precisando de liberação financeira e, no orçamento, faltam R$ 18 milhões para fechar o ano, valor idêntico ao contingenciado em ‘pessoal e encargos’. O pior é que, quando levamos estas questões às autoridades, a resposta é que está assim em todos os órgãos do Estado, e que as liberações serão feitas dependendo da arrecadação, ou seja, só reforça o cenário de incertezas. E tem ainda a questão do pessoal terceirizado e dos fornecedores, mês que vem completa um ano que nenhum deles recebe qualquer pagamento.

Quais são os principais efeitos da condição financeira que a Uenf atravessa em suas atividades de ensino, pesquisa e extensão?

No ensino estamos iniciando o 1o semestre de 2016 agora, isso já é um prejuízo enorme e, pior ainda, não temos certeza se conseguiremos concluí-lo. Na pesquisa e extensão não estamos podendo prover os insumos básicos, além da questão dos gases e ração, temos que acrescentar aí papel, caneta, tinta para as impressoras… Não temos mais nada, nem material de limpeza. Também não temos mais veículos, desde 2009 a Uenf não compra mais nenhum veículo, além de muito rodada, a frota de veículos não tem tido manutenção, estávamos nos fiando em carros alugados, que também não existem mais devido à falta de repasse financeiro do custeio, isso afeta em muito as pesquisas de campo e atividades de extensão. Hoje, só temos dois veículos que podem chegar até o Rio ou Itaocara, por exemplo.

Para 2017 estão projetados novos cortes orçamentários para a Uenf.  Se estes cortes forem executados,  a Uenf poderá funcionar?

Até o momento, o orçamento proposto pelo Estado para 2017 é impraticável, se em 2016 tivemos um orçamento de R$123 milhões para pessoal, para 2017 estão propondo R$ 125 milhões, só que, no meio do caminho, absorvemos a Fenorte, daí que o mínimo “minimorum” para 2017 teria que ser de R$135 milhões, isso mesmo sem considerar o aumento vegetativo da folha, com novos triênios e progressão na carreira. No custeio então, de R$ 48  milhões em 2016 (que não estão sendo repassados; este é o problema) foi proposto R$ 20 milhões em 2017, é impossível a Universidade funcionar desta maneira, mesmo que se garanta o repasse, 20 milhões são absolutamente insuficientes, a Uenf já tem um orçamento enxuto e já realizou os esforços possíveis na redução de despesas, não tem como funcionar com menos.

A Uenf pode mesmo fechar e quem vai perder se isto realmente acontecer?

Para entender o que pode acontecer, basta olhar em retrospectiva. Até os anos 1970, as escolas públicas de ensino fundamental e médio eram as melhores que haviam no país, iniciou-se então um processo de sucateamento similar ao que estamos vivendo agora: arrocho salarial e deterioração física dos espaços. As escolas públicas de ensino fundamental e médio não fecharam, mas hoje, quem tem um mínimo de condições, coloca o filho numa escola particular. Nos anos 1990, uma crise similar à que observamos hoje na Uenf, se abateu sobre as universidades federais, crise esta que foi afastada nos anos 2000, mas que começa a retornar agora. Me parece que há uma ligação entre a orientação ideológica do governo da ocasião e a crise na educação, governos de ideologia neoliberal provocam as crises, governos de orientação mais social democrata promovem o ensino. Talvez tenha razão nosso fundador e inspirador Darcy Ribeiro, ao dizer que “a crise na educação não é uma crise, é um projeto”. Os perdedores somos nós, o povo brasileiro.

Quais seriam as saídas possíveis para esta crise?

 Uma possível solução seria um modelo de financiamento que vinculasse os repasses para a Universidade. Não há crise no judiciário, nem no legislativo, que recebem uma fração da arrecadação definida em lei. Este mecanismo também é aplicado nas universidades paulistas, consideradas as melhores do Brasil em qualquer avaliação que se faça. Inclusive para a Faperj, aqui mesmo no estado do Rio, é aplicado este mecanismo. Então ele é absolutamente legal e factível.  Agora, uma solução mais sustentável, não só para a Uenf mas para o país, seria elegermos governos mais afinados com um projeto de desenvolvimento que colocasse em primeiro lugar o interesse nacional e o bem estar do povo brasileiro, a desregulamentação e financeirização da economia, propostas pela ideologia neoliberal, estão no cerne dos principais problemas do Brasil e do mundo.

BHP Billiton, co-proprietária da Samarco, tem perdas bilionárias

Em um artigo publicado hoje no site World Socialist Web, o articulista Mike Head analisou as causas das perdas de cerca de 6,4 bilhões de dólares da mineradora BHP Billiton para o ano fiscal 2015/2016 (Aqui!). Estas perdas são bastante significativas e colocam a mineradora  no segundo pior posto de perdas econômicas entre as empresas australianas listadas em bolsas de valores.

Este resultado se mostra ainda mais dramático se for comparado com o resultado obtido pela BHP Billiton no ano fiscal 2010/2011 quando a empresa alcançou um lucro astronômico de 21,7 bilhões de dólares!

Entre as causas principais desse resultado desastroso foram arroladas a retração no processo de commodities minerais após 2011 e o desastre da Mineradora Samarco em Novembro de 2015 na cidade de Mariana (MG). O papel do incidente ambiental da Samarco é claramente expressivo na má fortuna que se abateu sobre a BHP Billiton, visto que  7,7 bilhões de dólares tiveram que ser alocados para cobrir, entre coisas, as reparações que terão ser pagas no Brasil. 

Como outras mineradoras, a BHP Billiton se tornou diretamente dependente das demandas oriundas do mercado chinês, o que se provou ser uma grande fragilidade quando o apetite da China por commodities minerais arrefeceu.

Para responder a essa crise, a BHP Billiton está tomando o mesmo rumo que qualquer corporação toma quando tempos difíceis aparecem: venda de ativos, redução de investimentos e demissão de trabalhadores. No caso das demissões, a BHP Billiton está estimando que irá demitir em torno de 17,000 trabalhadores, sendo que apenas na Samarco são esperadas 1,200 demissões.

Diante deste quadro todo, as expectativas de retomada das atividades da Samarco que já estavam complicadas agora certamente vão ficar ainda mais complicadas.

 

Amazônia em chamas

fogo

Peguei as imagens abaixo na página pessoal do jornalista Altino Machado na rede social Facebook  (Aqui!) e o que elas mostram é uma situação bastante marcante no número de focos de incêndio na parte ocidental da Amazônia.

Essa alta incidência de focos de incêndio sucede a outras informações de que as taxas de desmatamento estão novamente experimentando um forte crescimento na Amazônia brasileira, como já vem apontando ao longo de 2016 o  Imazon (Aqui!). 

Tal contexto de avanço de desmatamento em áreas novas e antigas de ocupação da Amazônia brasileira reflete não apenas o avanço da fronteira da pecuária e das monoculturas da soja e da cana, mas também da construção de novas estradas e hidrelétricas. De quebra, ainda temos as violações continuadas das disposições colocadas no chamado “Novo Código Florestal”.

Pata quem desejar acessar as imagens em tempo real dos incêndios ocorrendo na Amazônia, o jornalista Altino Machado disponibilizou o seguintes links:

INPE: http://www.dpi.inpe.br/proarco/bdqueimadas/.

NASAhttps://lance.modaps.eosdis.nasa.gov/imagery/subsets/… e  https://lance.modaps.eosdis.nasa.gov/imagery/subsets/…

De minha parte, eu que nunca acreditei na conversa de que as políticas federais haviam dobrado o dragão do desmatamento, fico imaginando como iremos conter a sanha devastadora de todos os agentes econômicos envolvidos no processo de destruição de nossos principais biomas florestais. É que com Zequinha Sarney no Ministério do Meio Ambiente, ainda vamos acabar sentindo saudade da ex-ministra Izabella Teixeira que, convenhamos, já era bastante limitada.

O imbróglio fundiário na retroárea do Porto do Açu e os conflitos emergentes

Uma fonte bem informada acerca do imbróglio fundiária ocorrendo na retroárea do Porto do Açu me informou ontem que os conflitos tenderão a aumentar em função das disputas envolvendo agricultores que venderam suas terras em via de desapropriação para a LL(X).

Um dos focos de tensão envolve pelo menos 30 proprietários que venderam apenas a parte desapropriada de suas terras e agora estão descobrindo que os compradores (ou quem herdou os contratos de compra e venda assinados com a LL(X)) estão tentando se apropriar de áreas maiores do que aqueles constantes dos documentos.

Por exemplo, um proprietário teria vendido X alqueires e agora está sendo “convidado” a concordar com um desmembramento de X+1 alqueires. É essa diferença que está fazendo com que muitos agricultores agora procurem advogados para façam a defesa de seus interesses.

Um detalhe a mais e que promete tornar o nó desse imbróglio ainda mais apertado é o registro no Cartório de Registro de Imóveis que não vai poder emitir novos títulos de propriedade que excedam o tamanho original da propriedade que consta em seus livros. É que se fizesse o contrário, o tabelião poderá ser acionado judicialmente para explicar as eventuais diferenças de área. 

Essa mesma fonte me informou que uma personagem que está se tornando bastante importante no controle fundiário do V Distrito de São João da Barra é uma velha conhecida deste blog, a Grussaí Siderúrgica do Atlântico – GSA-(Aqui!Aqui!Aqui! e Aqui!). Aparentemente,  o negócio da GSA está mais para o mercado de terras desapropriadas do que para a produção de aço. É que afora, as placas espalhadas no território desapropriado pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), não há qualquer outro sinal de vida da GSA, apenas placas!

Finalmente,  quem acha que os agricultores que venderam suas terras vão aceitar passivamente terem que abrir mão de uma área maior do que a acordada, melhor pensar duas vezes. É que a estas alturas do campeonato, não há mais ninguém querendo fazer o papel de bobo. Aliás, um lema que muitos agricultores agora repetem em suas rodinhas de discussão é que “jacaré parado vira bolsa”. E no V Distrito de São João da Barra, não quem queira ser jacaré, muito menos parado.