Com mais 21 agrotóxicos liberados, governo Bolsonaro continua com sua corrida pró-veneno

Observatório dos agrotóxicos: com mais 21 agrotóxicos liberados por meio do Ato 64 de 18 de Novembro, o governo Bolsonaro chega a 402 produtos liberados em 2020, totalizando 905 desde o início do mandato de Jair Bolsonaro.

Mais detalhes sobre essa nova rodada de aprovações amanhã aqui no Blog do Pedlowski!

“Volta Grande”, filme que narra a luta dos ribeirinhos expulsos por Belo Monte, no Pará, tem estreia global no Videocamp

A partir de 24/11, plataforma disponibiliza o curta-metragem que aborda um processo inédito na história da construção de hidrelétricas na Amazônia: a garantia do direito de retorno dos ribeirinhos para a beira do rio

vr

Cinco anos após o recebimento da licença para a operação da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, o reassentamento das famílias que foram removidas da beira do Rio Xingu ainda não foi realizado. Com o intuito de propor reflexão sobre o tema e ressaltar a luta dos ribeirinhos para que tenham os seus direitos respeitados, principalmente, na reconstituição de seu modo de vida, a plataforma Videocamp estreia, globalmente, o curta-metragem “ Volta Grande “, que pode ser assistido como, onde e quando o usuário da plataforma desejar, a partir do dia 24 de novembro.

Com produção do Conselho Ribeirinho e Rede Xingu+, e direção de Fábio Nascimento, o filme conta a história da violenta remoção de 300 famílias ribeirinhas para a construção da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, até sua organização e a conquista do direito ao retorno para as margens do rio Xingu. O curta também narra o processo inédito na história da construção de hidrelétricas na Amazônia: o retorno dos ribeirinhos para a beira do rio, na área do reservatório principal da usina. E para que o assunto não fique só nas telas, no dia 26 de novembro, às 18h, haverá um debate online sobre o filme no canal do Youtube do Instituto Socioambiental.

“Estamos muito felizes com o lançamento global do filme ‘Volta Grande’ em nossa plataforma, sobretudo porque ele aborda uma questão tão urgente que é o reassentamento dos ribeirinhos e a garantia da recomposição do modo de vida deles, por meio de seus direitos territoriais. Para gente é uma alegria e um compromisso apoiar produções nesse momento desafiador, em que o não estar juntos fisicamente não deve ser um impedimento para que a gente acesse a potência de histórias como essa e promova debates urgentes”, ressalta Josi Campos, coordenadora do Videocamp.

“A trajetória do Conselho Ribeirinho é um exemplo para as demais populações impactadas por grandes obras de infraestrutura que enfrentam violações aos direitos e o apagamento de suas identidades e modos de viver. É importante que essa história seja conhecida e vista pelo maior número de pessoas”, diz Ana De Francesco, antropóloga que faz parte do grupo de apoio ao Conselho Ribeirinho.

Sobre o Videocamp

O Videocamp é uma plataforma online que reúne filmes com potencial de impacto que podem ser exibidos por qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo e de forma gratuita. A missão do Videocamp é criar caminhos para democratizar o acesso à cultura e à informação, que são direitos universais. Para os realizadores, a plataforma potencializa a formação de público e atua como ferramenta de promoção dentro da estratégia de lançamento do filme.

Relacionamento com a imprensa
 
2PRÓ Comunicação, alana@2pro.com.br
 
Belisa Barga / Elisabete Machado / Juliana Oliveira / Myrian Vallone

Entidades da sociedade civil lançam manifesto em defesa da Convenção sobre a Diversidade Biológica

Biodiversidade

Considerando que a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) representa um acordo global visando à concretização do desenvolvimento sustentável;

Considerando que a CDB apresenta como objetivos a conservação da diversidade biológica, a utilização sustentável de seus componentes e a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos;

Considerando que a CDB, assinada em 1992, foi aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº 2, de 3 de fevereiro de 1994, e promulgada pelo Decreto Federal nº 2519, de 16 de março de 1998;

Considerando que a CDB ressalta o valor da diversidade biológica e de seus componentes em sua amplitude ecológica, genética, social, econômica, científica, educacional, cultural, recreativa e estética;

Considerando que a CDB reconhece a importância da diversidade biológica para a evolução e para a manutenção dos sistemas necessários à vida da biosfera, que é uma preocupação comum à humanidade, sendo os Estados responsáveis pela conservação de sua diversidade biológica e pela utilização sustentável de seus recursos biológicos;

Considerando que a CDB demonstra preocupação com a sensível redução da diversidade biológica causada por determinadas atividades humanas; que é vital prever, prevenir e combater na origem as causas da sensível redução ou perda da diversidade biológica; que diante de ameaças de redução ou perda da diversidade biológica a falta de plena certeza científica não deve ser usada como razão para postergar medidas para evitar ou minimizar essa ameaça; que a exigência fundamental para a conservação da diversidade biológica é a conservação in situ dos ecossistemas e dos habitats naturais e a manutenção e recuperação de populações viáveis de espécies no seu meio natural;

Considerando que a CDB reconhece que investimentos substanciais são necessários para conservar a diversidade biológica e que há expectativa de um amplo escopo de benefícios ambientais, econômicos e sociais resultantes desses investimentos, que a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica é de importância absoluta para atender as necessidades de alimentação, de saúde e de outra natureza da crescente população mundial, para o que são essenciais o acesso e a repartição de recursos genéticos e tecnologia;

Considerando que a conservação e a utilização sustentável da diversidade biológica fortalecerão as relações de amizade entre os Estados e contribuirão para a paz da humanidade, sendo necessário fortalecer e complementar instrumentos internacionais existentes para a conservação da diversidade biológica e a utilização sustentável de componentes, com a finalidade de conservar e utilizar de forma sustentável a diversidade biológica para benefício das gerações presentes e futuras;

Considerando que ao estabelecer o efetivo compromisso com um conjunto de premissas, como aquelas evidenciadas acima, dentre as quais destaca explicitamente ser vital prever, prevenir e combater na origem as causas da sensível redução ou perda da diversidade biológica, o Brasil se comprometeu internacionalmente com a conservação da diversidade biológica, bem como com a utilização sustentável de seus componentes;

Considerando que a CDB, como convenção internacional, encontra referendo no Sistema Jurídico Brasileiro; que o Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado consiste em direito humano fundamental, a ser protegido e defendido não só para as presentes, como também para as futuras gerações;

Considerando que a CDB traça princípios e regras a serem observados e imediatamente aplicados como forma de implementar o direito humano fundamental estabelecido na Constituição Federal de 1988, sendo, portanto, regras protetivas do direito humano fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, portanto a CDB tem status de norma constitucional, já que:

A Constituição Federal referenda a preservação da diversidade biológica como dever do poder público:

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao poder público:
I – preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;
II – preservar a diversidade e a integridade do patrimônio genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético;
III – definir, em todas as unidades da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua proteção;
VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.
§ 4º A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.

Considerando que, mesmo diante de todas as obrigações reconhecidas e assumidas pelo Brasil no âmbito da CDB, acrescidas das obrigações constitucionais, no momento o Brasil é o único país, dentre 196 países que fazem parte da Convenção, que se opõe a aprovação de um documento que autoriza o orçamento de 2021 para o secretariado da Convenção de Diversidade Biológica da ONU, implicando em paralização dos seus trabalhos, incluindo o preparo da conferência sobre o tema prevista para acontecer no final de 2021;

Considerando ainda que a diplomacia brasileira não demonstra respeitar seu próprio compromisso como signatário da Convenção, assim como não demonstra respeitar os deveres, princípios e objetivos estabelecidos em sua própria Constituição Federal;

Considerando que as posturas adotadas pela diplomacia brasileira neste contexto despontam com uma quebra de contrato, que além de ensejar possíveis responsabilizações, entre suas consequências específicas, configuram prejuízo à continuidade e progresso nas discussões e acordos no âmbito da própria Convenção, e desta forma, aos seus propósitos, tais como a expectativa de aprovar como meta global a conservação de 30% do planeta, através da criação e manutenção de áreas protegidas;

Considerando que as posturas adotadas geram uma péssima imagem do país, afetando negativamente suas relações comerciais, a exemplo das commodities agrícolas (agronegócio);

Diante destes fatos, vimos solicitar ao Governo da República Federativa do Brasil que reveja imediatamente sua postura nas negociações diplomáticas, em conformidade com suas obrigações como país membro e signatário, no sentido de prover apoio integral aos trabalhos desenvolvidos no âmbito da Comissão da Diversidade Biológica da ONU.

Carlos A. H. Bocuhy
Proam – Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental

Vilázio Lelis Junior
Coletivo de Entidades Ambientalistas do Estado de São Paulo

Mauro F. Wilken
SESBRA – Sociedade Ecológica de Santa Branca – SP

Clemente Coelho Junior
Instituto BiomaBrasil – Recife – PE

Yara Schaeffer-Novelli
Professor Sênior do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo

Lisiane Becker
Instituto MIRA-SERRA – Porto Alegre e São Francisco de Paula – RS

Luiz Ernesto Borges de Mourão Sá
IDA – Instituto de Desenvolvimento Ambiental – Brasília – DF

Bruno Lucio Scala Manzolillo
Fundação Brasileira para a Conservação da Natureza – FBCN – RJ

José Procópio de Castro
Instituto Guaicuy – SOS Rio das Velhas – Belo Horizonte – MG

Silvana Iervolino Bocuhy
Campanha Billings, Eu te quero Viva! – São Paulo – SP

Yara Rezende de Toledo
SOS Manancial – São Paulo – SP

Patrícia Bianchi
Instituto Oikos de Agroecologia – Lorena – SP

Katia Del Monte
SODEMAP – Sociedade para a Defesa do Meio Ambiente de Piracicaba – Piracicaba – SP

Yara Rezende de Toledo
SOS Manancial do Rio Cotia – Cotia – SP

Heitor Marzagão Tommasini
Movimento Defenda São Paulo – MDSP – São Paulo – SP

Jonas Santa Rosa
Instituto Beira Rio de Piracicaba – SP

Dilma Ferreira
Sociedade Amigos da Lagoa – Piracicaba – SP

Jonas Santa Rosa
GRUDE – Grupo de Defesa Ecológica da Bacia do Piracicaba e de Americana – SP

Cláudia Maria Ferreira Perencin
Associação Cultural e Ecológica Pau-Brasil – Ribeirão Preto – SP

Syllis Flávia Paes Bezerra
ECOPHALT – Cidadania e Sustentabilidade, Ecologia com Praticidade – Praia Grande – SP

Ricardo Palamar Menghini
Universidade Paulista – UNIP

Rodrigo Cella
AGA – Associação do Grupamento Ambientalista – Birigui – SP

Rodolfo Almeida
Sociedade Ecologica Amigos do Embu – Embu das Artes – SP

Arnaldo Domingues de Oliveira
Preservar Itapecerica da Serra – SP

Vanessa Aderaldo de Souza
Casa de Cultura Santa Tereza de Embu das Artes

Heitor Marzagão Tommasini
Associação dos Moradores do Jardim da Saúde – São Paulo – SP

Renato Vital dos Santos Pinho
Vivacidade – Ribeirão Preto – SP

APEDeMA – Assembléia Permanente das Entidades em Defesa do Meio Ambiente – RS

Francesca Werner Ferreira
AIPAN – Associação Ijuiense de Proteção ao Ambiente Natural – Ijuí, RS

Luana Silva da Rosa
Movimento Roessler para a Defesa Ambiental – Novo Hamburgo – RS

Antonio Soler
Centro de Estudos Ambientais (CEA) – Rio Grande e Pelotas, RS

Luis Fernando Stumpf
Núcleo Socio Ambiental Araçá-piranga – Sapiranga – RS

Bernardo Teixeira
APASC – Associação para Proteção Ambiental de São Carlos – São Carlos – SP

Mauro Scapinratti
Espaço de Formação Assessoria e Documentação – São Paulo – SP

Dionil Machado
União Pedritense de Proteção ao Ambiente Natural – UPPAN – Dom Pedrito – RS

Marcus Andrey Vasconcellos – Presidente
Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação CO2 Zero – Brasília DF

Renato de Almeida
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – BA

Elaine Bernini
Laboratório de Ecologia Costeira e Oceânica
Universidade Federal da Paraíba, Litoral Norte – Rio Tinto – Paraíba – Brasil

Robin Le Breton, Assessor de Políticas Públicas
Associação Amigos de Iracambi – Rosário da Limeira – MG

Alexsander Araujo Azevedo
Instituto Biotrópicos – Diamantina – MG

Clóvis Borges
Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental – SPVS – Curitiba – PR

Juliana Marcondes Bussolotti
Associação Cunhambebe da Ilha Anchieta – Ubatuba – SP

Sueli Abad
MDPS Movimento de Defesa de Porto Seguro – BA

Eraylton Moreschi Junior
JUNTOS SOS ES Ambiental – Vitória -ES

Juliana Gatti Pereira Rodrigues
Instituto Árvores Vivas para Conservação e Cultura Ambiental – São Paulo – SP

Flavio Eduardo Krollmann
Associação para a Proteção Ambiental do Vale do Mutuca – Promutuca – Nova Lima – MG

Silvana Lima dos Santos
GEBIO Grupo de estudos em proteção à biodiversidade – Naviraí – MS

Edivan Lima
Associação Andiroba – Rio Branco – AC

Mario Luiz Augelli Barreiros
Mountarat – São Paulo – SP

Vicente de Moraes Cioffi
Fórum Permanente em Defesa da Vida – S.J.Campos – SP

Vicente de Moraes Cioffi
Nucleo Regional do Plano Diretor Participativo do Vale do Paraiba, Serra da Mantiqueira e Litoral Norte – S.J.Campos – SP

Luis Felipe Cesar
Crescente Fértil – Resende-RJ

Milena Franceschinelli
Rede Brasileira de Conselhos – RBdC – São Paulo – SP

Tercio Vellardi
Associação Amigos do Recicriança – Canoa-Quebrada – Aracati – Ceará – Brasil

Cleveland M. Jones
ABAL – Academia Brasileira Ambientalista de Letras – Petrópolis – RJ

Elena Almeida de Carvalho
Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade – SEMAS/PA

Rafael José Altenhofen
União Protetora do Ambiente Natural – UPAN – São Leopoldo – RS

Cláudia Câmara do Vale
Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo – ES

Dionil Machado Pereira
União Pedritense de Proteção ao Ambiente Natural-UPPAN – Dom Pedrito – RS

Eduardo Raguse Quadros
Ama-Guaíba – Guaíba – RS

Clemente Coelho Junior
Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de Pernambuco – Recife – PE

A COVID-19 avança no Brasil em meio a um silêncio sepulcral

coronavirus 1

O crescimento das internações por covid-19 em alguns hospitais privados de São Paulo já ligou o sinal de alerta sobre uma possível segunda onda da pandemia

A tabela abaixo mostra os números para o comportamento da pandemia da COVID-19 após quase 8 meses desde que a mesma foi declarada oficialmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS).  Ao contrário do que parece indicar o desaparecimento da pandemia das manchetes principais dos jornais, o Brasil continua em uma condição bastante precária, estando entre os 3 países como mais casos de infecção e mortes pela COVID-19, tendo chegado a quase 170 mil mortos e mais de 6 milhões de infectados pelo coronavírus.

covid-19 table

Enquanto isso, uma simples caminhada pelas ruas da maioria das cidades brasileiras vai mostrar que apenas uma minoria das pessoas está portando máscaras corretamente, levando a vida em uma aparente normalidade. Além disso, aparecem todos dias, principalmente nas mídias sociais, informações de festas clandestinas para onde ocorrem membros de todas as classes sociais, mas principalmente por segmentos mais jovens e ricos da população.

Essa  situação aponta para o inevitável prolongamento e um novo período de alto número de novas infecções e mortes.  A chamada segunda onda que está agora correndo solta na Europa não está ocorrendo ainda no Brasil, simplesmente pelo fato de que ainda não conseguimos sequer sair da primeira.

O governo Bolsonaro é a origem do descontrole sanitário que permitiu a manutenção da pandemia em níveis altos e que está causando uma nova fase de superlotação de unidades de saúde. Mas o governo liderado por um negacionista convicto não é o único culpado, pois os governos estaduais e municipais em sua maioria decidiram passar a priorizar os interesses do empresariado, deixando principalmente para os pobres o maior peso desse novo ascenso da pandemia no Brasil.

coronavirus

Da forma que está se prolongando, a pandemia da COVID-19 ainda ceifará milhares de vidas no Brasil (que hoje tem 1 em cada 6 mortos por COVID-19 no mundo) até que se comece a fazer a aplicação em massa de uma ou mais vacinas contra o SARS-Cov-2. 

Para aqueles que não querem fazer parte das estatísticas oficiais de contaminados e mortos pela COVID-19 resta adotar medidas estritas de autocontrole pessoal que deve se estender para todo o círculo familiar mais próximo. É que se for depender da ação do Estado, a coisa ainda vai ficar muito pior antes que comece a melhorar.

O caso Frederico Paes expõe nova barriga da mídia corporativa campista

1_waldiriirir-20491755Parecer de vice-procurador-geral eleitoral reconhece jurisprudência favorável a Frederico Paes, que é o candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Wladimir Garotinho, mas decide manter indeferimento de candidatura. 

A mídia corporativa campista vem divulgando com pompa e circunstância o parecer exarado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Renato Brill de Goés, reafirmando o indeferimento da candidatura do sr. Frederico Paes (MDB) a vice-prefeito na chapa de Wladimir Garotinho (PSD).

Uma coisa que estranhei nas notícias que circularam o parecer de Renato Brill de Goés foi a ausência da íntegra da Manifestação no 4.331/20-GABVPGE na qual o vice-procurador-geral eleitoral expõe as suas razões para manter o indeferimento da candidatura de Frederico Paes. 

Como quem tem amigo não morre pagão, recebi o arquivo contendo a íntegra da Manifestação no 4.331/20-GABVPGE,  e fiquei surpreso com a capacidade de síntese de Brill de Goés que conseguiu expor seus motivos em míseras 9 páginas. Quem já leu outras peças oriundas da justiça eleitoral sabe que esse foi um parecer para lá de, digamos, parcimonioso. 

Mas mais surpreso ainda fiquei ao ler a posição claramente dúbia de Brill de Goés quanto à suposta ilegalidade do registro da candidatura de Frederico Paes por suposto descumprimento da legislação eleitoral no tocante à desincompatibilização de cargos (ver imagem abaixo).

parecer PGE caso Frederico Paes

Trocando em miúdos, Prill de Goés reconhece que o Tribunal Superior Eleitoral possui decisão reconhecendo que pessoas que estejam na mesma condição de Frederico Paes não estão sujeitas à desincompatibilização prevista no art 1o., parágrafo II, a,9 da Lei Complementar 64 de 1990 que determina os casos de inelegibilidade e os prazos de cessação.

Mas como então Prill de Goés conseguiu chegar a uma decisão contrária à da jurisprudência vigente? Muito simples, ele apelou para a decisões que aparentemente já estão superadas, mas que, notem a bola curva, já vigiram em décadas passadas (que, convenientemente, foram omitidas por Prill de Goés na Manifestação no 4.331/20-GABVPGE).  Isso se assemelha a dizer algo como “não gosto da atual da atual jurisprudência, pois no caso em tela ela não me serve”. 

Como não sou advogado e nem pertenço ao grupo que produz a campanha da chapa Wladimir Garotinho e Frederico Paes, nem vou me alongar sobre esta óbvia incongruência no parecer do vice-procurador-geral eleitoral. O que eu quero mesmo é notar mais uma vez como chamada a produzir informação jornalística, a mídia corporativa campista optou por produzir uma nova barriga jornalística que mais parece uma peça de propaganda em prol da candidatura oponente. 

E aí é que eu pergunto, repetindo Olívio Henrique da Silva Fortes, o célebre Lilico, é bonito isso?

 

Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis e a Pragma Soluções Sustentáveis lançam o Anuário da Reciclagem 2020

Anuário será divulgado nesta sexta-feira (27), a partir das 10h, em live pelo Zoom e contará com representantes de importantes empresas como Coca-Cola, AmBev e Klabin

DMLU - Novo Layout Caminhões Coleta Seletiva

A Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT) e a Pragma Soluções Sustentáveis, divulgam, nesta sexta-feira (27), a partir das 10h, em live pelo Zoom, a segunda edição do Anuário da Reciclagem. Desenvolvido em parceria com a LCA, o Anuário surge como um documento destinado a analisar e consolidar informações sobre a cadeia da reciclagem no Brasil, e, especialmente, para demonstrar a importância do trabalho dos catadores e catadoras de materiais recicláveis na viabilização deste segmento econômico.

O material apresentado é fruto de um grande trabalho de pesquisa e traz importantes informações sobre a realidade dos catadores e catadoras de materiais recicláveis espalhados pelo Brasil. O Anuário apresenta dados importantes como o quantitativo de organizações de catadores no país, o volume e os tipos de materiais recicláveis recuperados por estas, a renda média de seus associados, o faturamento anual das organizações, entre outros dados, que estão divididos e detalhados por regiões, cidades e estados.

“A reciclagem gera redução dos resíduos depositados em aterro, diminuição da exploração de recursos naturais para produção de materiais virgens, geração de renda ao longo da cadeia de logística reversa, entre outros benefícios ambientais e sociais. Somos quase 1 milhão de catadores em todo Brasil, entre organizados em cooperativas e aqueles que atuam de forma individual nas ruas e lixões. Somos responsáveis por 80% dos resíduos que são recuperados no país e durante a pandemia atendemos mais de 10 mil catadores que ficaram sem renda, em razão da paralisação de suas atividades. O Anuário da Reciclagem vem para fortalecer e dar maior visibilidade aos catadores do Brasil”, explica Roberto Laureano da Rocha, Presidente da ANCAT.

Entre os parceiros que contribuíram para que o Anuário da Reciclagem 2020 fosse produzido, estão a Coca-Cola, AmBev, Klabin, ABPO, Danone, Plataforma Reciclar pelo Brasil, Programa Dê a Mão para o Futuro, Programa Recupera, WIEGO, Coalizão de Empresas, AVINA/Iniciativa Regional, ABIHPEC, ABIMAPI, ABIPLA, ABRALATAS, ABIVIDRO, ORIS, UNICATADORES e UNICOPAS.

“Graças ao apoio dos nossos parceiros, conseguimos construir o maior banco de dados com informações sobre catadores do Brasil, no qual temos cadastradas 1.841 cooperativas e associações, as quais contam com mais de 46 mil catadores e foram responsáveis pela recuperação de aproximadamente 1 milhão e 280 mil toneladas de resíduos, que representaram um faturamento de R$ 590 milhões de reais com a venda dos recicláveis”, explica Dione Manetti, Diretor Executivo da Pragma Soluções Sustentáveis.

Sobre a Ancat

A ANCAT é uma instituição técnica dos catadores, formada e dirigida por estes, que atua em parceria com o Movimento Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis – MNCR. Enquanto o MNCR mobiliza e promove a organização social dos catadores, a ANCAT implementa ações de capacitação, realiza investimentos e promove a organização econômica de suas cooperativas e associações.

Sobre a Pragma Soluções Sustentáveis

A Pragma é uma empresa especializada na formulação de soluções técnicas que conectam trabalhadores, corporações e governos em prol da sustentabilidade, atuando com foco na implementação da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Seu diferencial é uma ampla rede de relações com lideranças comunitárias, organizações civis, empresas e profissionais de diferentes áreas de conhecimento, em todo o Brasil.

Serviço

Live de lançamento do Anuário da Reciclagem 2020

Quando: sexta-feira, 27 de novembro, a partir das 10h

Onde: em live via Zoom, as inscrições podem ser feitas pelo site bit.ly/liveanuariodareciclagem2020

Para mais informações: gerencia@ancat.org.br ou comunicacao@pragma.eco.br

Concentração de CO2 cresce em níveis recordes mesmo com COVID-19

Boletim da Organização Meteorológica Internacional afirma que redução gerada por pandemia não achata curva de emissões

global emissionsCrédito: mikaelmiettinen/Flickr, CC BY 2.0

A desaceleração industrial devido à pandemia COVID-19 não reduziu os níveis recordes de gases de efeito estufa concentrados na atmosfera e que favorecem condições climáticas extremas, afirma a Organização Meteorológica Mundial (WMO). Em coletiva de imprensa realizada hoje (23/11) em Genebra, na Suíça, os meteorologistas explicaram que houve um surto de crescimento de emissões de dióxido de carbono (CO2) em 2019 e que a concentração continuou aumentando em 2020.

As informações estão no Boletim de Gases de Efeito Estufa da WMO, que descreve a abundância atmosférica dos principais gases de efeito estufa de longa duração: dióxido de carbono, metano e óxido nitroso. Segundo o documento, os bloqueios impostos pelos governos para frear a transmissão do novo coronavírus em 2020 ajudaram a reduzir as emissões de muitos poluentes e gases de efeito estufa, como o dióxido de carbono. Apesar disso, o impacto nas concentrações de CO2 na atmosfera (que é o acúmulo das emissões passadas e atuais) não foi percebido – na verdade houve um aumento dentro das flutuações normais do ciclo de carbono.

Segundo a WMO, com o aumento das concentrações em 2019, a média anual global ultrapassou o limiar significativo de 410 partes por milhão. Desde 1990, houve um aumento de 45% na força total de radiativos – o efeito do aquecimento sobre o clima – pelos gases de efeito estufa de longa duração, sendo o CO2 responsável por 80% desse resultado.

“Ultrapassamos o limite global de 400 partes por milhão em 2015 e apenas quatro anos depois superamos 410 ppm”, alerta o secretário-geral da WMO, professor Petteri Taalas. “Essa taxa de aumento nunca foi vista na história de nossos registros. A queda nas emissões relacionada ao bloqueio é apenas um pequeno sinal sonoro no gráfico de longo prazo. Precisamos de um achatamento sustentado da curva.”

“O dióxido de carbono permanece na atmosfera por séculos e no oceano por ainda mais tempo”, explica Taalas. “A última vez que a Terra experimentou uma concentração comparável de CO2 foi há 3-5 milhões de anos, quando a temperatura era 2-3°C mais quente e o nível do mar era 10-20 metros mais alto do que agora. Mas não havia 7,7 bilhões de habitantes.”

O professor afirma que embora a pandemia isoladamente não solucione as mudanças climáticas, ela pode servir como uma plataforma para ações de transformação completa dos sistemas industriais, energéticos e de transporte. “As mudanças necessárias são economicamente acessíveis e tecnicamente possíveis. É memorável que um número crescente de países e empresas tenha se comprometido com a neutralidade de carbono. Não há tempo a perder.”

Redução pontual

Estimativas preliminares do Projeto Carbono Global afirmam que durante o período mais intenso de quarentena em decorrência da pandemia, as emissões diárias de CO2 podem ter sido reduzidas em até 17% globalmente, devido ao confinamento da população. Como a duração e a severidade das medidas de confinamento permanecem pouco claras, a previsão da redução total anual de emissões ao longo de 2020 é muito incerta. O Projeto Carbono Global divulgará sua atualização sobre as tendências globais de carbono em dezembro.

Os dados revelados pela WMO indicam até o momento uma redução na emissão anual entre 4,2% e 7,5% em 2020. Na escala global, uma redução de emissões neste patamar não fará com que o CO2 atmosférico diminua. De acordo com o Boletim, o CO2 continuará a subir, embora a um ritmo ligeiramente reduzido (0,08-0,23 ppm por ano mais baixo), dentro da variabilidade natural interanual de 1 ppm. Isto significa que, a curto prazo, o impacto dos confinamentos COVID-19 não pode ser distinguido da variabilidade natural.

Tanto o Projeto Carbono Global como o Boletim de Gases de Efeito Estufa da WMO são baseados em medições da iniciativa Observador Global da Atmosfera (Global Atmosphere Watch ), da WMO, que inclui estações de monitoramento atmosférico em regiões polares remotas, montanhas elevadas e ilhas tropicais.

Acúmulo de gases

O dióxido de carbono é o mais importante gás de efeito estufa de longa duração relacionado às atividades humanas. Ele fica na atmosfera entre 50-200 anos depois de emitido e estima-se que contribua com cerca de dois terços da força radiativa. Segundo a WMO, o nível médio anual global de CO2 era de cerca de 410,5 partes por milhão (ppm) em 2019, contra 407,9 partes ppm em 2018, tendo ultrapassado a marca de referência de 400 partes por milhão em 2015. O aumento de CO2 de 2018 a 2019 foi maior do que o observado de 2017 a 2018 e também maior do que a média da última década.

As emissões do desmatamento, da combustão de combustíveis fósseis e da produção de cimento, entre outras atividades e mudanças no uso do solo, empurraram o CO2 atmosférico de 2019 para 148% do nível pré-industrial de 278 ppm. Durante a última década, cerca de 44% do CO2 permaneceu na atmosfera, enquanto 23% foi absorvido pelo oceano e 29% pela terra, com 4% não atribuídos.

O metano, que permanece na atmosfera por menos de uma década, mas é mais potente que o CO2 para o efeito estufa, chegou a 260% dos níveis pré-industriais em 2019 – 1.877 partes por bilhão. O aumento nas concentrações de metano de 2018 a 2019 foi ligeiramente menor do que o observado de 2017 a 2018, mas ainda maior do que a média da última década. O metano contribui com cerca de 16% da força radiativa dos gases de efeito estufa, e aproximadamente 40% desse gás é emitido por fontes naturais (como zonas úmidas e cupins), e cerca de 60% vem de fontes antropogênicas (por exemplo, criação de gado, agricultura de arroz, exploração de combustíveis fósseis, aterros sanitários e queima de biomassa). 

O óxido nitroso, que é tanto um gás de efeito estufa quanto um produto químico que empobrece a camada de ozônio, atingiu 332,0 partes por bilhão em 2019, ou 123% acima dos níveis pré-industriais. O aumento de 2018 a 2019 também foi menor que o observado de 2017 a 2018 e praticamente igual à taxa média de crescimento nos últimos 10 anos.

Vários outros gases também são apresentados no Boletim da WMO, incluindo as substâncias que empobrecem a camada de ozônio e regulamentadas sob o protocolo de Montreal.

Atores envolvidos

A Organização Meteorológica Mundial é uma agência das Nações Unidas. O Global Atmosphere Watch da WMO coordena observações sistemáticas e análises de gases de efeito estufa e outros constituintes atmosféricos. Os dados de medição de gases de efeito estufa são arquivados e distribuídos pelo Centro Mundial de Dados de Gases de Efeito Estufa (WDCGG) na Agência Meteorológica do Japão, que comemora seu 30º aniversário em 2020.

Próximos estudos

Em 9 de dezembro será divulgado um relatório separado e complementar sobre as Lacunas de Emissões (Emissions Gap). Esse levantamento compara as emissões de gases de efeito estufa atuais e estimadas para o futuro com os níveis de emissão permitidos para que o mundo alcance as metas do Acordo de Paris. A diferença entre “onde provavelmente estamos” e “onde precisamos estar” é chamada de Lacuna de Emissões.

Entrevistas e informações adicionais

Para solicitar entrevistas e outras informações, entre em contato com a assessora de imprensa Clare Nullis. Email cnullis@wmo.int. Cell 41797091397

O desafio das cadeias de suprimentos:Levar vacina contra a COVID-19 para todo o planeta

covidvaccine

*Por Rafael Vásquez

A Rússia chocou o mundo quando anunciou o lançamento do “Sputnik V”, a primeira vacina contra a COVID-19 a ser comercializada em vários países na esperança de acabar com a pandemia que marcou 2020. Embora organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), tenham pedido cautela no seu uso e distribuição, a notícia marcou o início de uma corrida contra o tempo para garantir o fornecimento da medicação.

Claro, o país não é o único que desenvolveu pesquisas para encontrar uma vacina contra o vírus. China, Estados Unidos e Itália também informaram sobre o progresso que fizeram. No Brasil, por exemplo, o Governo de São Paulo assinou um contrato com a farmacêutica chinesa Sinovac que prevê o fornecimento de 46 milhões da vacina Coronavac até dezembro de 2020 e outros 14 milhões até fevereiro de 2021.

Este cenário representa uma tarefa clara e precisa: a responsabilidade das cadeias de suprimentos. A rapidez com que conseguem levar o medicamento a todo o planeta implica em um objetivo que ultrapassa qualquer finalidade comercial: o de parar as infecções e salvar mais vidas.

Paradoxalmente, a “corrida” para encontrar uma forma eficaz de imunização contra o vírus tem levado o mundo a desenvolver essas vacinas em poucos meses quando, normalmente, essa tarefa levaria de cinco a 18 anos apenas entre o desenvolvimento de testes e pesquisas para seu lançamento no mercado.

Produzir uma vacina: O primeiro desafio

Cerca de 35 empresas especializadas e instituições acadêmicas em todo o mundo estão concentrando seus esforços na busca de um medicamento eficaz contra a COVID-19. Após extensos testes em laboratórios e com pacientes voluntários, avanços importantes foram revelados.

Antes que a vacina possa ser comercializada, é necessário a aprovação regulatória de agências de saúde especializadas para validar sua aplicação e resultados na população; enquanto isso acontece, deve ser garantida uma infraestrutura com capacidade para produzir milhões de doses. Neste sentido, centenas de agências em todo o mundo já estão se preparando para esta tarefa.

No entanto, até agora, as vacinas que foram produzidas para outras doenças foram feitas com medicamentos desenvolvidos ao longo de décadas. Agora, depois de apenas alguns meses de pesquisa, as companhias farmacêuticas devem ter milhares de toneladas de materiais, colaboradores e uma grande implantação de capacidade de fabricação como nunca antes visto.

De fato, estima-se que para derrotar a COVID-19 é necessário que pelo menos 60% da população mundial esteja imune e, para isso, são necessários cerca de 4,7 bilhões de doses.

Para isso é necessário ter tecnologia de ponta para tornar o processo produtivo eficiente, permitindo visualizar e escolher os melhores fornecedores de insumos para o desenvolvimento do medicamento. Mas não só: é preciso também promover uma integração de todos os elos que participam de sua elaboração para que haja clareza sobre seu papel e também o nível de otimização e antecipação de disrupções que possam surgir durante este processo.

A sua distribuição: Tarefa para logística e transporte

Mover uma vacina de um ponto a outro envolve um esforço significativo. Por se tratar de um produto perecível, o ideal é que a temperatura necessária para manter suas condições varie entre 2 e 8 graus. Isso implica um dilema para as empresas farmacêuticas, que devem ter veículos suficientes para transportá-las nessas condições.

Além disso, há outro desafio: o de ter controles rígidos de embalagem e segurança nas transferências. Por sua vez, também é necessário o transporte de suprimentos médicos (como seringas) para sua aplicação, o que leva à articulação com governos e fornecedores locais.

Logicamente, hospitais, farmácias e postos de atendimento médico seriam os locais prioritários para os quais a vacina teria de ser transportada. No entanto, o verdadeiro desafio é chegar às áreas rurais com pontos de difícil acesso, o que transcende as dificuldades de entrega da “última milha”.

Felizmente, já existe tecnologia para enfrentar esses desafios. O Digital Twin, por exemplo, é um recurso útil para analisar as diferentes rotas de transporte para distribuição com base nas fontes de contágio. Além disso, é uma ferramenta que permite escolher fornecedores logísticos que atendam a toda as capacidades de armazenamento para transportar o medicamento no estado desejado.

Países de clima tropical, como o Brasil, enfrentarão grandes desafios devido as elevadas temperaturas e a entrega na última milha, pois o País possui cidades e comunidades de difícil acesso. Para tentar simplificar a logística da Coronavac no Brasil, no acordo feito entre o Governo de São Paulo e a farmacêutica Sinovac há uma cláusula de transferência tecnológica para o Instituto Butantan, o que dá direito a entidade de fabricar doses da Coronavac, o que poderá facilitar o processo logístico no País. Porém, como a Coronavac não é uma vacina ‘comum’, ela precisará de operadores logísticos especializados.

Diante disso, percebemos que o esforço coordenado entre governos, organizações e farmacêuticas é o levará a uma distribuição global bem sucedida da tão sonhada vacina contra a COVID-19.

*Rafael Vasquez é Vice-presidente Regional da LLamasoft, empresa especialista em soluções para tomada de decisões estratégicas nos negócios.

Universidade brasileira confirma presença do novo coronavírus em cães pela primeira vez no Brasil

Animais tiveram sintomas leves de COVID-19 e passam bem; tutores também tiveram diagnóstico confirmado.

DOG

Por *Assessoria de Imprensa e Jornalismo da UFPR

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) confirmou a presença de SARS-CoV-2 em dois cães de Curitiba, cidade no Sul do Brasil, na última semana, sendo um da raça buldogue francês e um sem raça definida. Estes são os primeiros casos identificados no Brasil, junto ao estudo multicêntrico coordenado pela UFPR, que irá examinar amostras de cães e gatos em seis capitais. No último mês, a equipe já havia contribuído com a identificação da presença do vírus em uma gata de Cuiabá, no Centro-Oeste, detectada pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT). 

O primeiro caso foi de um macho, adulto, raça Bulldog Francês, cujo tutor, de Curitiba, testou positivo para SARS-CoV-2 no RT-PCR na última semana, sem saber onde se infectou. Ele contou à equipe de pesquisa que percebeu uma discreta secreção nasal no cão, que dorme na mesma cama que ele. Num segundo teste, o tutor negativou, mas o cão estava positivo, já com uma quantidade pequena de vírus no organismo. No segundo teste realizado com o buldogue no dia seguinte, o animal também negativou.

O segundo caso foi de um cão macho, adulto, sem raça definida, cuja tutora também testou positivo para SARS-CoV-2. Segundo seu relato à equipe de pesquisa, seus quatro cães, que dormem na cama com ela, tiveram discretos episódios de espirros. Todos os moradores humanos da casa testaram positivo e, dentre os quatro cães, apenas um confirmou a presença do vírus.

De acordo com o professor Alexander Biondo, da UFPR e coordenador do estudo nacional, os dados serão registrados junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Todas as amostras estão sendo enviadas para confirmação no TECSA Laboratório Animal, para que sejam testadas em outro laboratório de referência. Apesar dos primeiros resultados positivos, não existe nenhum caso confirmado de cães e gatos transmissores do vírus ou com registro da doença COVID-19.

Segundo Biondo, os animais podem se infectar pelo vírus SARS-CoV-2, inclusive cães e gatos, mas isso não se equivale a dizer que eles têm a doença ou são transmissores. Estudos já publicados indicam que gatos podem se infectar e transmitir para outros gatos, mas não há dados para cães. O professor ainda reforça que o contato mais íntimo entre humanos e pets pode infectar os bichinhos, sendo indicado o distanciamento e o uso de máscara em caso de confirmação para tutores que testarem positivo.

Gata foi o primeiro pet confirmado no país

Uma gata foi o primeiro pet com SARS-CoV-2 identificado no Brasil, confirmado na UFPR, no Laboratório do Departamento de Genética, com coordenação institucional do professor Emanuel Maltempi. No teste de RT-qPCR , a presença do RNA viral foi verificada no animal de Cuiabá. Agora, os cientistas trabalham no sequenciamento do genoma do vírus encontrado na felina e no seu tutor. No sequenciamento, será possível determinar a ordem exata dos nucleotídios do RNA genômico do vírus. ” Vai servir para confirmar que é o SARS CoV-2, pois a RT-qPCR identifica só um pedaço do genoma, mas também qual a estirpe ou cepa. Poderemos saber de onde veio”, explica Maltempi.

De acordo com Maltempi, uma hipótese é que só uma estirpe de vírus possa infectar animais. O sequenciamento poderá contribuir com respostas às perguntas que já vêm sendo traçadas nas pesquisas de Biondo, que, com um grupo de outros cientistas, publicou recentemente uma revisão sobre o panorama acerca da contaminação animal por SARS-CoV-2 no mundo.

O projeto

O projeto em andamento coordenado pela UFPR será realizado em Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Campo Grande (MS), Recife (PE), São Paulo (SP) e Cuiabá (MT). Serão dois momentos de avaliação, com amostras biológicas coletadas com intervalo médio de sete dias, entre animais cujo tutor esteja em isolamento domiciliar, com diagnóstico laboratorial confirmado por RT-qPCR ou resposta imunológica apenas por IgM.

Em Curitiba, uma equipe de pesquisadores fará a coleta em domicílio. Caso necessário, o trabalho também poderá ser feito no Hospital Veterinário. “Se possível, também coletaremos sangue para realizar a sorologia”, explica Biondo, reforçando que “o estudo pode dar resposta definitiva sobre a susceptibilidade e o papel de cães e gatos como reservatórios do vírus”.

Os resultados dos testes serão o mais brevemente possível informados aos tutores ou familiares através de contato telefônico e pela emissão de laudo eletrônico, que será enviado por e-mail ou aplicativo de comunicação. Em caso positivo, de acordo com ele, os demais animais da residência também serão testados em pool por espécie. Além disso, os familiares serão orientados a estabelecer o acompanhamento veterinário por 14 dias, intensificando medidas de higiene e proteção individual e coletiva.

A pesquisa pretende contribuir para a tomada de decisão pelo poder público quanto a medidas de prevenção e controle de COVID-19 em animais de estimação. “Espera-se estabelecer propostas de ações intersetoriais entre as instituições de pesquisa e as secretarias municipais de saúde, para que essas, por meio de ações integradas entre a Vigilância Ambiental e a Atenção Primária à Saúde, possam estabelecer fluxogramas internos de atenção à saúde animal e proteção à saúde humana”.

fecho

*Assessoria de Imprensa e Jornalismo,  Superintendência de Comunicação e Marketing (Sucom), Universidade Federal do Paraná (UFPR), +55 41 3360-5251/5008/5007/5158. Para envio de demandas ao jornalismo da Sucom/UFPR, favor copiar o e-mail jornalismo.sucom@ufpr.br

Mídia local embarca com a cara e coragem na previsão eleitoral do Paraná Pesquisas: jornalismo ou fake news?

parana pesquisas

A mídia corporativa local embarcou com fervor na “pesquisa” eleitoral que o “Paraná Pesquisas” realizou para o segundo turno que irá determinar o futuro prefeito da cidade de Campos dos Goytacazes. Houve quem enfatizasse a “respeitabilidade” da empresa de pesquisas eleitorais que ascendeu para a glória nas eleições presidenciais de 2018.

Pois bem, e o que disse a pesquisa que foi curiosamente bancada pelo próprio “Paraná Pesquisas” e que boa parte da mídia campista saudou efusivamente? A incrível virada do candidato Caio Vianna (PDT) que derrotaria Wladimir Garotinho (PSD), impondo uma espetacular mudança de disposição do eleitorado que há tempos não é vista em Campos dos Goytacazes.

Não vou nem alongar na pesquisa em si, pois nada melhor que o resultado das urnas para se verificar se a previsão feita por uma dessas muitas empresas que vivem de gerar pesquisas eleitorais chegou perto ou não.

O que eu quero indicar aqui é a minha surpresa com a completa falta de apuração jornalística sobre como o “Paraná Pesquisas” chegou a resultados tão bombásticos. É que todos sabem que no primeiro turno, Wladimir Garotinho alcançou 42,94% e Caio Vianna 27,71%.  Com isso, para que os números encontrados pela apuração feita por conta própria fossem críveis, haveria que praticamente todos os votos válidos dados a todos os demais nove candidatos tivessem migrado para Caio Vianna, sobrando apenas uma migração residual para Wladimir Garotinho. E isso me parece o que os gringos chamam “wishful thinking” (ou seja, pensamento fantasioso).

Eu que não sou proprietário de veículo de imprensa mandaria apurar como o Paraná Pesquisas chegou a esses resultados antes de sair disseminando números que parecem ser mais propaganda do que notícia. Mas vá lá, cada um dos com seus motivos.  Mas que ninguém depois reclame se forem, mais uma vez, expostos ao vexame de terem seu produto descoberto como “fake news” e não como aquilo que dizem entregar que seria jornalismo de qualidade.