Enquanto Bolsonaro promete conservação em Davos, ruralistas querem destruição

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Bancada ruralista que tem a ministra da Agricultura Tereza Cristina como uma das principais lideranças pressiona o governo Bolsonaro para conseguir desmanche da legislação ambiental.

Graças ao jornalista André Trigueiro que disponibilizou o ofício abaixo em sua página oficial na rede social Twitter, podemos ver rapidamente o descompasso entre o discuso feito pelo presidente Jair Bolsonaro no Fórum Econômico de Davos e as pressões que seus aliados de primeira hora, os ruralista da Frente Parlamentar da Agropecuária (mais conhecida como bancada ruralista) já estão fazendo para estabelecer um plano de terra completamente arrasada no Brasil.

O ofício abaixo que foi enviado ao ainda ministro Ricardo Salles do Meio Ambiente deixa claro que a fome dos ruralistas é imensa, na medida em que quase todos os mecanismos existentes para a proteção de ecossistemas naturais brasileiros estão na pauta da ruenião pleiteada por eles no dia 16 de janeiro (ver imagens abaixo).

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Se depender das vontades pessoais de Ricardo Salles, também fortemente relacionado aos ruralistas, esta agenda será aplicada rapidamente, com inevitáveis e graves consequências para o meio ambiente e para a população brasileira.

A saída será divulgar amplamente o programa antifloresta dos ruralistas e mobilizar sindicatos, movimentos sociais e organizações de direitos humanos para que se crie um processo de reação a este projeto. Do contrário, os danos serão inevitáveis e profundos.

Uma nota final sobre esta “fome” dos ruralistas se refere a quem o Brasil poderá vender suas commodities agrícolas e minerais caso este processo avance. É que no exterior já estão sendo articulados movimentos de boicote aos produtos brasileiros saídos de áreas recentemente desmatadas. Quando se tiver notícia do projeto da FPA, é bem provável que o boicote árabe que está se iniciando por causa da suposta mudança embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém seja apenas o primeiro a que os ruralistas brasileiras sejam submetidos.

Governo liberou registros de agrotóxicos altamente tóxicos

Entre eles está o Sulfoxaflor, liberado nos últimos dias do ano passado, que já foi acusado de exterminar as abelhas nos EUA

publica 0Por Pedro Grigori, Agência Pública

Quarenta novos produtos comerciais com agrotóxicos receberam permissão para chegar ao mercado nos próximos dias. O Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União de 10 de janeiro o registro de 28 agrotóxicos e princípios ativos. Entre eles um aditivo inédito, o Sulfoxaflor, que já causa polêmica nos Estados Unidos. Os outros são velhos conhecidos do agricultor brasileiro, mas que agora passam a ser produzidos por mais empresas e até utilizados em novas culturas, entre elas a de alimentos.

Na edição desta sexta-feira (18/1) do Diário Oficial, a Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério Agricultura publicou lista com mais 131 pedidos de registro de agrotóxicos solicitados nos últimos três meses de 2018. Eles ainda passarão por avaliações técnicas de três órgãos do governo.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam uma aceleração na permissão de novos registros, que estaria em “nível desenfreado”.

As autorizações publicadas em 10 de janeiro foram aprovadas no ano passado, ainda durante o governo de Michel Temer (MDB). Nas duas primeiras semanas do governo Bolsonaro, mais 12 produtos receberam registro para serem comercializados, segundo apuraram a Agência Pública e a Repórter Brasil. A aprovação sairá no Diário Oficial nos próximos dias, diz o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

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Nas duas primeiras semanas do governo Bolsonaro, já foram aprovados 12 agrotóxicos e princípios ativos no Brasil

Dos 28 produtos já publicados, um é considerado extremamente tóxico, o Metomil, ingrediente ativo usado em agrotóxicos indicados para culturas como algodão, batata, soja, couve e milho. Além dele, quatro foram classificados como altamente tóxicos. Quase todos são perigosos para o meio ambiente, segundo a classificação oficial. Quatorze são “muito perigosos” ao meio ambiente, e 12, considerados “perigosos”.

Os mais tóxicos são o Metomil e o Imazetapir, o qual foi emitido registro para quatro empresas. Eles são princípios ativos, ou seja, ingredientes para a produção de agrotóxicos que serão vendidos aos produtores rurais.

Apenas três fazem parte do grupo de baixa toxicidade, o menor nível da classificação toxicológica: o Bio-Imune, Paclobutrazol 250 e o Excellence Mig-66, indicados para culturas de manga e até mesmo para a agricultura orgânica.

Segundo o Ministério da Agricultura, os produtos não trazem riscos se usados corretamente. “Desde que utilizado de acordo com as recomendações da bula, dentro das boas práticas agrícolas e com o equipamento de proteção individual, a utilização é completamente segura”, afirmou a assessoria de imprensa do órgão.

Dos 28 produtos com o registro publicado na última semana, 18 são princípios ativos e serão usados na produção de outros defensivos agrícolas. Vinte e um deles são fabricados na China, país que vem se consolidando como um dos maiores produtores, exportadores e usuários de agrotóxicos do mundo.

No ano passado, 450 agrotóxicos foram registrados no Brasil, um recorde histórico. Destes, apenas 52 são de baixa toxicidade.

 

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Total de Agrotóxicos registrados por Ano

Sulfoxaflor ligado ao extermínio de abelhas

Um produto polêmico fora do país é o Sulfoxaflor, aprovado nos últimos dias do governo Temer, em 28 de dezembro, o único novo químico entre os 40 que tiveram o registro publicado.

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Antonio Cruz/Agência Brasil

Nos últimos dias do governo Temer, foram aprovados 28 agrotóxicos e princípios ativos
O responsável pelo registro é a Dow AgroSciences, que faz parte da gigante americana Dow Chemical Company. O produto entrou em circulação nos EUA em 2013. Dois anos depois, organizações defensoras de polinizadores levaram ao Tribunal de Apelações de São Francisco a denúncia de que o uso do pesticida estaria ligado ao extermínio de abelhas. Eles solicitaram revisão da permissão de comercialização.

“O tribunal considerou que o registro não era apoiado por evidências que demonstrassem que o produto não era prejudicial às abelhas, e por isso retiraram o registro”, relata a decisão da Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA). Em setembro daquele ano, o registro de todos os produtos à base de Sulfoxaflor nos Estados Unidos foram cancelados devido ao potencial extermínio de abelhas.

No ano seguinte, a agência americana deferiu uma nova licença para o produto, mas com ressalvas. “O Sulfoxaflor terá agora menos usos e requisitos adicionais que protegerão as abelhas. A EPA tomou essa decisão após uma análise cuidadosa dos comentários do público e do apoio científico”, informou a agência. A partir daí, o produto passou a ser proibido para culturas de sementes e só pode ser utilizado em plantações que atraem abelhas após a época do florescimento. Entre elas estão uva, tomate, pimenta, batata, feijão e cranberry.

As avaliações da Anvisa e do Ibama classificaram o Sulfoxaflor como medianamente tóxico e perigoso ao Meio Ambiente. É usado como ativo para agrotóxicos eficazes contra pragas de insetos que se alimentam de seiva da planta. Foi indicado para culturas de algodão, soja, citros, nozes, uvas, batatas, legumes e morangos.

A Dow AgroSciences abriu a solicitação de registro em 28 de junho de 2013, mas a aprovação do projeto só se apressou no fim de 2018. “A Anvisa convocou consulta pública para o produto no fim de novembro, que durou curtíssimo tempo. Com isso, debateu-se pouco um ativo que nos Estados Unidos chegou a ser proibido por um tempo”, explica Karen Friedrich, membro do grupo temático de saúde e meio ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

A Anvisa abriu a consulta pública durante 30 dias em 23 de novembro de 2018. O deferimento do registro pelos três órgãos ocorreu 35 dias depois.

Proibidos fora do país

Dos 40 registros aprovados no Brasil, 11 não são permitidos na União Europeia. Um deles é o Fipronil, inseticida que age nas células nervosas dos insetos e, além de utilizado contra pragas em culturas de maçã e girassol, é usado até mesmo em coleiras antipulgas de animais domésticos. O produto é proibido em países europeus como a França, desde 2004, também acusado de dizimar enxames de abelhas. É permitido no Brasil e, segundo o registro publicado no Diário Oficial, classificado como medianamente tóxico e muito perigoso ao meio ambiente. Ele é legalizado e indicado para culturas de algodão, arroz, cevada, feijão, milho, pastagens, soja e trigo.

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Pixabay

A substância Sulfoxaflor causou polêmicas e chegou a ser proibida nos Estados Unidos
A importância da preservação das abelhas é a relação direta entre a vida dos insetos e da humanidade. Na busca por pólen, elas polinizam plantações de frutas, legumes e grãos. “Na França, os apiários registravam morte de cerca de 40% das abelhas, a partir daí países da Europa começaram a proibir o Fipronil, que continua permitido no Brasil mesmo após sofrermos impactos semelhantes”, explica Murilo Souza, professor de recursos naturais do Cerrado na Universidade Estadual de Goiás.

Produtos à base de Imazetapir, herbicida aplicado por pulverização em culturas como a da soja, também são proibidos na União Europeia desde 2004. Quatro deles tiveram registro deferido por aqui. O Diquate, que está entre os ativos aprovados no Brasil na última semana, teve registro cassado na União Europeia no fim de 2018 após comissão de avaliação ter identificado alto risco para trabalhadores e residentes de áreas próximas à aplicação do produto, além de risco para aves.

O Sulfentrazona foi banido em toda a União Europeia em 2009 e nunca chegou às mesas do continente. Já no Brasil, o registro foi deferido no fim do ano para as empresas brasileiras Tradecorp, Rotam e da Nortox – todas têm indústrias na China como endereço de fabricante. E neste ano, mais três permissões, agora para as empresas brasileiras Ihara, Allierbrasil e Helm.

Pressão para aprovar rápido

Antes de chegar ao mercado, a substância precisa passar por avaliação do Ministério da Agricultura, Ibama e da Anvisa. Os órgãos fazem diversos testes para medir, por exemplo, o grau toxicológico e o potencial de periculosidade ambiental.

O prazo de avaliação de registro pode chegar a cinco anos, mas vem se tornando mais rápido. De acordo com o Ibama, a diminuição dos períodos de avaliação ocorre “devido ao aperfeiçoamento de procedimentos e incorporação de novos recursos de tecnologia de informação”, segundo a assessoria do órgão.

Já no Ministério da Agricultura, a aprovação mais rápida se deve a uma nova política que prioriza os produtos de baixa toxicidade, que contêm organismos biológicos, microbiológicos, bioquímicos, semioquímicos ou extratos vegetais. Para estes, o tempo médio total entre o pedido de registro e a conclusão do processo varia de três a seis meses. O que explica a rápida aprovação do Bio-Imune e do Excellence Mig-66.

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Antonio Cruz/ Agência Brasil

A nova ministra da Agricultura, Tereza Cristina, recebeu o apelido de “musa do veneno”
O longo prazo de avaliação do registro é uma das principais críticas dos ruralistas, que apostam no Projeto de Lei 6.299/2002 para acelerar a liberação das substâncias. Conhecido pelos opositores como “PL do Veneno”, uma das medidas previstas pelo texto é que, caso o período de análise do químico passe de dois anos, o produto ganha o registro automaticamente.

No momento, o Ministério da Agricultura, a Anvisa e o Ibama estão avaliando o pedido de registro de mais 1.345 agrotóxicos e ingredientes ativos. Grande parte das empresas que querem vender esses produtos no Brasil é do exterior, como Estados Unidos, Alemanha e, principalmente, a China.

Como “farmácias em cada quadra”

Dos 40 produtos autorizados, 39 são ingredientes ativos ou pesticidas já permitidos no país. O pedido de registro de um produto anteriormente liberado é comum, segundo quatro especialistas consultados pela reportagem. “A partir do momento que as empresas produtoras iniciais perdem a patente, as demais começam a solicitar registro para usar esses ingredientes ativos e produzir novos produtos agrícolas”, explica Murilo Souza, da Universidade Estadual de Goiás.

Para Leonardo Melgarejo, vice-presidente da regional sul da Associação Brasileira de Agroecologia, a aprovação dos registros está em ritmo “desenfreado”. “Temos aprovadas variações sobre o mesmo item. Não precisamos de todos os produtos comerciais para uma mesma finalidade. Estamos chegando perto do lance da ‘automedicação’, com duas farmácias em cada quadra, todas vendendo variantes das mesmas drogas”, afirma.

Para o professor Murilo Souza, é surpreendente a rapidez com que as aprovações vêm ocorrendo. Ele critica também o fato de que produtos originalmente aprovados para determinada cultura sejam liberados para outras. “A maioria dos produtos são testados apenas em plantações de grande escala, como soja, algodão e cana de açúcar. Poucas pesquisas são feitas para entender os impactos nas culturas menores”, explica.

Esta reportagem faz parte do projeto Por Trás do Alimento, uma parceria da Agência Pública e Repórter Brasil para investigar o uso de Agrotóxicos no Brasil. A cobertura completa está no site do projeto.

A reportagem foi originalmente publicada pela Agência Pública [Aqui!]

Estréia de Bolsonaro em Davos foi ofuscada pelo crescente escândalo em torno do filho

Flávio Bolsonaro nega que jornal brasileiro afirma ter empregado uma vez a mãe e a esposa de um suposto líder do esquadrão da morte

Jair Bolsonaro diz que vai “abrir” a economia do Brasil em discurso pró-negócios em Davos – vídeo

Por Tom Phillips, correspondente para a América Latina do “The Guardian”

O presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, usou sua estréia internacional para soar a sentença de morte para a esquerda “bolivariana” da América do Sul e proclamar uma nova era conservadora de governança limpa e piedade na região.

Mas sua aparição concisa no Fórum Econômico Mundial na terça-feira foi ofuscada por um escândalo de bola de neve envolvendo um de seus filhos, o recém-eleito senador Flávio Bolsonaro.

Enquanto o presidente – que chegou ao poder prometendo libertar o Brasil da corrupção e da criminalidade – se preparou para subir ao palco em Davos, relatórios em um dos principais jornais brasileiros ligaram seu filho a membros de um grupo de extermínio do Rio de Janeiro chamado Escritório do Crime.

O jornal O Globo afirmou que durante o período de Flávio Bolsonaro como legislador do Rio, ele empregou a mãe e a esposa do suposto líder da gangue, um ex-agente Batalhão de Operações Especiais (BOPE) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Adriano Magalhães da Nóbrega.

Nóbrega, que supostamente está fugindo após a polícia atacar seu grupo com uma operação apelidada de Os Intocáveis“, é acusado de ser um membro sênior do que O Globo chamou de “a mais letal e secreta falange de pistoleiros” do Rio de Janeiro.

A polícia e os promotores  suspeitam que membros do Escritório do Crime estão por trás do assassinato ainda sem solução da vereadora Marielle Franco, da cidade do Rio de Janeiro, no ano passado.

O Globo também afirmou que a suposta esposa e mãe do gângster haviam sido recomendadas a Flávio Bolsonaro por Fabrício Queiroz, um amigo de longa data do presidente brasileiro que foi fotografado socializando com Jair Bolsonaro em uma foto onde os dois homens aparecem sem camisas.

Marcelo Freixo, legislador de esquerda e amigo de Marielle Franco, estava entre os que exigiam respostas nesta terça-feira. “A família Bolsonaro deve as explicações à sociedade”, ele twittou.

Flávio Bolsonaro rejeitou o relatório – que segue um punhado de outras alegações prejudiciais sobre suas transações financeiras – e afirmou que ele era a “vítima de uma campanha de difamação” destinada a ferir seu pai. “Aqueles que cometeram erros devem ser responsabilizados por seus atos”, disse ele em um comunicado.

Celso Rocha de Barros, colunista político do jornal Folha de São Paulo, disse: “A família Bolsonaro deve estar em pânico”.

“É difícil medir as repercussões que isso pode ter … É uma bomba – uma bomba nuclear”, acrescentou Barros.

O crescente escândalo abalou as promessas de Jair Bolsonaro em Davos de encabeçar uma cruzada contra a corrupção e o crime organizado.

Durante um breve discurso de seis minutos na cúpula anual, Bolsonaro disse esperar que o mundo veja seu “novo” Brasil mais limpo com novos olhos depois de um escândalo maciço de corrupção que devastou a elite política do país.

“Assumi o Brasil em meio a uma profunda crise ética, moral e econômica. Estamos comprometidos em mudar nossa história… Queremos governar pelo exemplo ”, declarou Bolsonaro.

O nacionalista de extrema-direita lançou-se como porta-bandeiras da nova vanguarda conservadora da América Latina. “Não queremos uma América bolivariana”, disse ele, em referência ao falecido presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que esperava unir o continente com uma aliança de líderes progressistas.

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Um dos principais jornais do Brasil ligou Flávio Bolsonaro a membros de um grupo de extermínio do Rio de Janeiro chamado Escritório do Crime. Foto: Sergio Moraes / Reuters

Bolsonaro disse ainda que os líderes de direita, como o argentino Mauricio Macri e o chileno Sebastián Piñera, estavam determinados que “a esquerda não prevalecerá nesta região”.

O presidente brasileiro também se pintou como um estadista global em busca de “um mundo de paz, liberdade e democracia”. “Com o slogan: ‘Deus acima de tudo’, acredito que nossas relações [com o mundo] trarão progresso interminável para todos”, declarou Bolsonaro.

Observadores políticos e membros da audiência não se impressionaram com a aparição de Bolsonaro no cenário mundial.

“Ele me assusta … o Brasil é um país grande e merece alguém melhor”, disse o economista Robert Shiller, ganhador do Nobel, ao jornal Valor Econômico.

Outro membro da audiência supostamente reclamou: “[Um] desastre. Eu queria gostar dele, mas ele não disse nada. Por que ele veio?

Bolsonaro pressiona líder venezuelano com promessa de “restabelecer a democracia”

De Barros chamou o discurso curto de Bolsonaro de um “fiasco” genérico que provavelmente havia sido cortado por causa do escândalo que se desenrolava em casa.

Falando na véspera do discurso de Davos de Bolsonaro, José Roberto de Toledo, um jornalista político da revista Piauí, disse que sua popularidade interna permaneceu alta.

“A confiança do consumidor é a maior em anos… o dinheiro vem do exterior. O dólar caiu. O mercado de ações está quebrando recordes … Ninguém pode suportar mais cinco anos de crise. Todo mundo quer apertar o botão de reiniciar.

Mas ele especulou que Bolsonaro pagaria um preço político pelo crescente cheiro de corrupção em torno de seu filho. “Flávio colocou uma espada [de Dâmocles] sobre a cabeça de seu pai que será usada para chantageá-lo, no congresso, nos tribunais, nas redes sociais e na imprensa. Será um peso que ele sempre terá que carregar – e a probabilidade é que esse peso cresça com o tempo ”.


Este artigo foi publicado originalmente em inglês pelo “The Guardian” [Aqui!]

The Guardian: Jair Bolsonaro alarma ativistas do clima com discurso pró-negócios

Novo presidente brasileiro destaca necessidade de crescer na economia em Davos

Jair Bolsonaro diz que vai “abrir” a economia do Brasil em discurso pró-negócios em Davos – vídeo

Por  in Davos para o “The Guardian” [1]

O novo presidente de direita do Brasil, Jair Bolsonaro, despertou novo alarme entre ambientalistas depois de salientar que proteger o ecossistema único de seu país tem que ser consistente com o crescimento da economia.

Em comentários que fizeram pouco para amenizar os temores dos riscos que uma estratégia de crescimento representaria para a região amazônica, Bolsonaro usou sua primeira viagem ao exterior desde que assumiu o controle no início do ano para delinear uma agenda fortemente pró-negócios.

O novo discurso do presidente no Brasil, no Fórum Econômico Mundial em Davos, delineou uma agenda de privatização para redução de impostos, projetada para reduzir o tamanho do Estado e encorajar o empreendedorismo.

“Agora é nossa missão avançar na harmonização da preservação ambiental e da biodiversidade com o tão necessário desenvolvimento econômico”, disse ele.

Um dos primeiros atos de Bolsonaro foi transferir o controle da regulamentação e a criação de reservas indígenas para o ministério da agricultura, que é controlado pelo lobby do agronegócio no Brasil. Essa medida foi amplamente criticada por grupos ambientalistas, mas Bolsonaro disse a seu público de líderes empresariais que a proteção da natureza era consistente com o desenvolvimento econômico.

“A agricultura não representa mais do que 9% do nosso território e cresceu graças à tecnologia e ao trabalho árduo dos agricultores”, disse ele. “Nenhum outro país no mundo tem tantas florestas quanto nós.” A economia e o meio ambiente eram interdependentes e inseparáveis, acrescentou o presidente.

José Gregorio Mirabal, coordenador geral do Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia do Rio Amazonas (COICA), disse: “A elite econômica e política mundial em Davos hoje não deve se distrair com os esforços de Bolsonaro para acalmar os investidores interessados ​​em investir no Brasil. O ataque de Bolsonaro aos povos e florestas de seu país ameaça todos os povos e florestas da Amazônia e coloca em risco os esforços globais para enfrentar as mudanças climáticas ”.

Jennifer Morgan, diretora executiva do Greenpeace International, disse que a atitude de Bolsonaro em relação à Amazônia foi uma das maiores ameaças ao meio ambiente. “Estamos trabalhando com aliados e trabalharemos para defender tudo o que pudermos, porque a Amazônia não é apenas uma floresta incrível, é o pulmão da Terra e desempenha um papel extremamente importante no clima”, disse ela.

Bolsonaro, cujo filho Flavio está sendo investigado por supostas irregularidades financeiras, disse que seus ministros estavam comprometidos em reprimir a corrupção e a lavagem de dinheiro. “Tomei posse em meio a uma grande crise ética, moral e econômica. Estou comprometido em mudar nossa história ”, disse ele.


Este artigo foi originalmente publicado em inglês [Aqui!]

O dia em que 45 virou 6: uma síntese do tamanho do buraco onde o Brasil se meteu

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O presidente Jair Bolsonaro discursa no Fórum Econômico Mundial de Davos. Discurso que deveria durar 45 minutos, durou apenas 6.
Nas primeiras três semanas do governo Bolsonaro ficamos sendo brindados com a informação de que o novo presidente brasileiro iria discursar por 45 minutos no Fórum Econômico de Davos para apresentar ao mundo a sua visão de futuro do Brasil.
Acabo de saber que os 45 minutos viraram 6, o que num jogo de futebol significaria dizer que em vez de se jogar todo o tempo regulamentar, o juiz fosse obrigado a parar a partida quando os times ainda estavam se estudando. Em outras palavras, o que era para ser o ponta inicial para os investidores internacionais, acabou sendo uma espécie de “micro discurso” de generalidades superficiais.
Mas o que esperar deste governo senão pitadas intermináveis de situações bizarras que vão rapidamente tornando este governo uma aposta para lá de arriscada por parte das elites brasileiras? O problema é que a maior parte da elite brasileira nem vive no Brasil, preferindo ir ao país apenas para recolher as fortunas acumuladas na especulação financeira. Vão e voltam do Brasil em seus jatinhos privados, e a maioria dos brasileiros que se dane.
Por outro lado, é compreensível que Jair Bolsonaro estivesse nervoso em Davos. É que ali se joga um jogo para o qual ele nunca realmente se preparou. Não falo nem da incapacidade de se comunicar em língua inglesa, pois o ex-presidente Lula também não falava a língua de Shakespeare e sempre sai bem. A ponto de termos aquela cena durante um encontro do G-20 em que Barack Obama e Lula trocaram amabilidades com a conjunta de um intérprete (ver vídeo abaixo). Mas Lula é Lula, e Bolsonaro e Bolsonaro.


Para complicar ainda mais a situação do governo Bolsonaro, hoje tivemos a prisão de membros de uma milícia que estariam implicados na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A ligação com o governo Bolsonaro veio a público fato que dois dos milicianos arrolados no caso foram alvo de homenagens por Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Se isso não fosse ruim o suficiente, a mãe de um deles foi assessora de Flávio Bolsonaro no mesmo gabinete em que ele hospedeu Fabrício Queiróz.
Em suma, como eu já havia dito aqui, este governo que ainda não chegou ao fim do seu primeiro mês está dando todos sinais de esclerose precoce. O problema é o que vem pela frente se o paciente não sobreviver por muito tempo.

Uso de inglês macarrônico em Davos é mais um arranhão na imagem do Brasil

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O técnico de futebol Joel Santana, até recentemente o maior expoente brasileiro no uso do inglês macarrônico.  Aparentemente Santana encontrou sua “nêmesis”.

O fato da imagem do Brasil e do seu novo presidente não andarem muito bem das pernas não chega a ser uma novidade. Por isso, certos primarismos deveriam ser evitados para não piorar o que já anda ruim.

Por isso mesmo, investir numa boa transposição do português para outras línguas (especialmente o inglês) do que está sendo dito por Jair Bolsonaro durante a sua estada no Fórum Econômico Mundial de Davos deveria ser uma prioridade do Ministério de Relações Exteriores e de sua assessoria de imprensa. 

Mas, aparentemente, uma área que sempre primou pela excelência agora caiu em mãos amadoras. Pelo menos é que o se depreende das imagens que estão sendo circuladas supostamente para expressar o que seria a linha de pensamento oficial do novo governo brasileiro usando um inglês que pode ser considerado um belo exemplo de “inglês macarrônico” (que é aquela forma de transposição que neófitos na língua inglesa costumam fazer quando começam seus estudos) (ver imagens abaixo).

O uso de um inglês de baixíssimo nível para apresentar o novo governo ao mundo só vai piorar o ambiente para Jair Bolsonaro e sua trupe em Davos. 

Fico imaginando quem fez a tradução e quem autorizou sua circulação. Mas uma coisa é certa: ou se coloca esse setor nos profissionais de alta qualidade que existem no Itamaraty ou o vexame de ter um ministro que acredita que as mudanças climáticas são um complô marxista para alavancar a China será apenas o começo de nossos problemas.

É que, convenhamos, quem assinaria acordos e contratos em inglês macarrônico? Provavelmente aqueles interessados em passar a perna em quem não domina o idioma de Shakespeare como deveria.

Jair Bolsonaro não deverá ter vida fácil em seu “baile de debutantes” em Davos

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Jair Bolsonaro e “equipe” no avião que os leva a Davos. A recepção pode não ser a que eles esperam.

A anunciada ida de Jair Bolsonaro à edição de 2019 do Fórum Econômico de Davos foi apresentada como uma espécie de “baile de debutantes” do novo presidente brasileiro às grandes corporações econômicas que controlam a economia mundial.

Entretanto, o problema é que todas as estripulias que marcaram as três semanas iniciais do governo Bolsonaro que resultam da aplicação desconjuntada da agenda ultraneoliberal idealizada pelo economista Paulo Guedes ampliaram ainda mais a rejeição que o novo presidente brasileiro possui no exterior por causa de suas posições de extrema-direita.

A imagem abaixo mostra uma espécie de “comite de boas vindas” que está aguardando Jair Bolsonaro e sua comitiva formada por figuras para lá de heterodoxas para oferecer as devidas saudações.

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Como se vê, a pequena e gelada Davos tem tudo para ser uma estréia quente de Jair Bolsonaro em suas viagens internacionais como presidente do Brasil. Resta esperar como ele se sairá na anunciada entrevista que deverá conceder enquanto estiver nos Alpes suiços.