Conflito no mar da Bahia tem novo capítulo após Fibria não cumprir acordo com pescadores artesanais

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No dia 01 de Julho informei neste blog [Aqui!] sobre um conflito envolvendo a papeleira Fibria Celulose e pescadores artesanais no Canal do Tomba em Caravelas (BA). Desde então, não havia tido mais informações sobre como estava se desenvolvendo mais este conflito causado pela perda de acesso de pescadores aos seus meios de produção e reprodução social em função da ação de grandes empresas. 

Mas recebi na manhã deste sábado (22/07) uma carta aberta do “Movimento Autônomo dos Pescadores Artesanais da Reserva de Cassurubá” que mostra um mesmo padrão de procastinação e imposição de posições deletérias aos pescadores que vem marcando tantos outros conflitos socioambientais em curso no Brasil neste momento tão conturbado da história brasileira.

Felizmente, os pescadores estão mostrando uma disposição clara para não serem, digamos, enrolados e estão agindo para defender seus interesses ameaçados. Está aí uma boa demonstração do que deveríamos todos estar fazendo.

Abaixo a carta dos pescadores artesanais extrativistas de Cassurubá.

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Residentes do Hospital Veterinário da Uenf fazem campanha para cães de rua

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Em mais uma demonstração que nem mesmo a crise imposta pelo (des) governo Pezão consegue parar a comunidade universitária da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) de continuar exercendo um papel relevante em suas várias áreas de atuação.

Um exemplo disso é a campanha iniciada por servidores e médicos veterinários residentes do Setor de Reprodução e Obstetrícia do Hospital Veterinário da Uenf tiveram a ideia de fabricar camas para cães de rua que além do abandono ainda sofrem com as temperaturas mais baixas do ano (ver imagens abaixo)

Mas para continuar com essa campanha, os residentes estão precisando dos materiais que são utilizados para construir as camas. Entre os itens mais necessários estão pneus, tinta spray, travesseiros e almofadas.

Para fazer as doações para apoiar essa ação meritória dos residentes, basta deixar o material na  recepção do Hospital Veterinário da Uenf. Além disso,  contatos telefônicos podem ser feitos no número 22-2739-7313 que pertence ao Núcleo de Apoio à Reprodução de Carnívoros (Nuarc) do Hospital Veterinário.

A “vitória” contra a CEF e as semelhanças entre Rafael Diniz e Luiz Fernando Pezão

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O hoje prefeito e então vereador Rafael Diniz participando de carreata ao lado do candidato e hoje (des) governador Luiz Fernando Pezão. Fonte [Aqui!]

Venho acompanhando, confesso que meio entediado, as idas e vindas feitas pelo jovem prefeito Rafael Diniz no negócio da cessão de créditos relacionados aos roaylties do petróleo que foi realizado durante o governo da prefeita Rosinha Garotinho.  Digo que que acompanho entediado porque tudo me parece ser aquele tipo de caso onde há muita espuma e pouco chopp.

É que gostando ou não, a cessão de crédito foi firmada e o dinheiro antecipado. Cabe agora ao atual prefeito garantir que os termos do negócio sejam cumpridos conforme o contrato ou, ainda, tentar renegociar o que considera lesivo aos interesses do município de Campos dos Goytacazes. Não estaria, aliás, fazendo nada mais do que sua obrigação. Mas estranho que ele tenha se concentrado em agir apenas reter os valores que até agora são os que são devidos à Caixa Econômica Federal (CEF) e, pior, continuou gastando como se não tivesse que economizar.

Agora, vamos lá: se até agora o dinheiro devido à CEF não foi pago, por que é então que se fechou o restaurante popular, aumentou-se em 100% a passagem do ônibus para os pobres e se suspendeu o programa “Cheque Cidadão”?  Também não se explica o corte do café da manhã e das refeições dos servidores públicos municipais que atuam nos hospitais Ferreira Machado e Geral de Guarus. Afinal, indicação para gordos cargos comissionados e gastos com publicidade continuaram, não é prefeito?

Além disso, agora que se conseguiu esta “vitória”  na justiça, por que ainda não se anunciou a retomada dos programas sociais voltados para minimizar o sofrimento das camadas mais pobres da nossa população? Pelo jeito para que se sobra mais dinheiro para a entrega de cargos comissionados para apadrinhados políticos do prefeito e dos vereadores, e para se aumentar a gastança em publicidade oficial!

Por último, reafirmo que o atual percurso da gestão Rafael Diniz na prefeitura de Campos dos Goytacazes segue o mesmo roteiro aplicado pelo seu aliado político, o (des) governador Pezão.   E enquanto isto não for mudado em termos de ações práticas, não está errado quem associa os dois personagens, já que suas políticas são essencialmente as mesmas.

 

Negócio da China no (des) governo Pezão: depois de privatizar CEDAE, estado pega empréstimo para investir na ampliação dos serviços da empresa

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Eu iria postar aqui um comentário sobre o pronto retorno do (des) governador Luiz Fernando Pezão, depois de participar de uma reunião completamente pífia em Brasília, ao spa 5 estrelas Rituaali [Aqui!], mas resolvi deixar isto de lado para comentar a informação abaixo, a qual foi postada pela Assessoria de Comunicação de Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro no início da noite de ontem [Aqui!]

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O leitor deste blog, especialmente se ele for um dos mais de 200 mil servidores públicos ainda sem o salário de Maio, poderá ficar pasmo ao descobrir que mesmo após ter iniciado o processo de privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), o (des) governo Pezão brigou e conseguiu autorização judicial para impor a liberação por parte da Caixa Econômica Federal de um empréstimo de R$ 560 milhões para, pasmemos todos, para continuar as “as obras de ampliação do sistema de abastecimento de água e de esgotamento sanitário da Cedae em várias regiões.”

 Em outras palavras, que comprar a Cedae de forma subvalorizada, ainda vai receber de presente uma rede de coleta mais estendida paga com recursos tomados pelo (des) governo Pezão! De quebra, desobriga os futuros donos da Cedae a terem que investir alguma coisa,  causando ainda um aumento na dívida pública estadual. Se isso não é um negócio da China, eu não sei o que seria!

Enquanto isso, o (des) governador Pezão já está de volta no spa 5 estrelas em Penedo, a população vive aterrorizada pelo caos implantado no Rio de Janeiro e, sim, os servidores e aposentados continuam tendo que se virar como podem para não morrer de doença ou de fome.

Conflito agrário no Porto do Açu: agricultores lançam nota de repúdio sobre decisão de reintegração de posse

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Como antecipado neste blog [Aqui!]. a decisão do juiz Paulo Maurício Simão Filho de acatar o pedido de reintegração de posse de uma área reocupada por agricultores expropriados e não ressarcidos pelo estado não desceu bem no V Distrito de São João da Barra.

Uma prova é a nota abaixo onde os agricultores apresentam seu caso e repudiam a decisão e apontam para os desiquilíbrios reinantes neste conflito agrário, onde os maiores perdedores são as centenas de famílias que produziam e se reproduziam neas terras que hoje não passam de um latifúndio improdutivo.

Eu repito o que já disse: essa decisão terá impactos duradouros nas relações não apenas com o judiciário, mas também com a empresa que hoje controle o espólio de terras que foi retirado dos agricultores para ser inicialmente entregue ao ex-bilionário, hoje em vias de se tornar delator na operação Lava Jato, o Sr. Eike Batista.  

Mas uma coisa é certa: os agricultores e os movimentos e organizações que os apoiam não parecem dispostos a continuar assistindo a esse jogo de grandes interesses econômicos de fora das quatro linhas.

NOTA DE REPÚDIO SOBRE A AMEAÇA DE REINTEGRAÇÃO DE POSSE NO AÇU, DETERMINADA PELO JUIZ DA 1ª VARA DA COMARCA DE SÃO JOÃO DA BARRA/RJ

MAIS UMA INJUSTIÇA COM OS AGRICULTORES E AGRICULTORAS DO AÇU

O conflito no Açu já se arrasta por quase 10 anos, envolvendo um megaempreendimento portuário-industrial e famílias de agricultores e pescadores do 5º Distrito/Açu. Trata-se do Projeto Minas Rio, hoje da Anglo American o maior empreendimento minero-portuário do mundo, incluindo a construção de um mineroduto, com 525 km de extensão, que integra a extração e tratamento de minério de ferro em Conceição do Mato Dentro/MG – onde gravíssimos impactos e violações também são cometidos há 10 anos – ao condomínio industrial misto com infraestrutura logística e portuária no RJ. No norte fluminense, o Projeto foi implantado sobre a maior faixa de restinga do país, além do distrito industrial desapropriando uma área de 7.036 hectares.

O dia 19 de abril foi um marco importante da luta dos agricultores do Açu, com total apoio do MST e demais apoiadores, as famílias que tiveram suas terras desapropriadas pelo governo Sergio Cabral e pelo empresário Eike Batista, ambos presos por denúncias de corrupção, ocuparam uma das áreas, dos 7.036 hectares expropriados há mais de 9 anos sem nenhuma utilização. Numa conjuntura de total desrespeitos aos direitos conquistados e de criminalização e repressão aos Movimentos sociais, em torno de 100 famílias resistem bravamente há mais de 90 dias no Acampamento Aloisio e Maura, enfrentando a repressão da polícia, da segurança privada do porto, enfrentando o sol, a chuva, o vento e todas as demais adversidades.

Neste período, a função social da terra teve muito mais visibilidade, que nos nove anos anteriores, seja pelos encontros, organização, atividades acadêmicas, culturais e religiosas e debates realizados. Como também pelos plantios de culturas como o feijão, a mandioca, a batata doce, a banana, milho, dentre outros, esta reintegração deslegitima mais uma vez a agricultura camponesa, esta sim, legítima protetora da restinga. Além de caracterizar violação à segurança alimentar dessas famílias, porque lhes tolhe a possibilidade de subsistência.

Mais uma vez as famílias do Açu sofrem com a ameaça de reintegração de posse determinada pelo juiz da 1ª VARA DA COMARCA DE SÃO JOÃO DA BARRA/RJ. Não é a primeira vez que as famílias, legítimas proprietárias e possuidoras, recebem essa ameaça. Suas histórias e experiências no território do Açu estão marcadas por ações arbitrárias do poder político que se alia ao poder econômico, tendo o poder judiciário como o representante fiel dessa aliança.

Para o Juízo da 1ª Vara de São João da Barra trata-se de uma demanda simples: as empresas receberam a posse do estado. Ignora que a transformação do 5º distrito em zona industrial representou uma manobra política do então governador Sergio Cabral; ignora o descaso das empresas e do estado em impor valores irrisórios às indenizações e ainda assim não pagar; ignora que a área em que as algumas destas famílias foram deslocadas é um terreno em disputa judicial, tornando mais ameaçadora a ida dessas famílias, pois provavelmente serão expulsas pelo mesmo poder judiciário que as obriga a se deslocar; ignora que o distrito industrial é fictício, onde mais de 90% de sua enorme área nunca foi usada depois de quase 9 anos.

Mas, o mais grave na decisão judicial é que se mostra visível na sua parcialidade.

Desde que foi implantado, o porto do Açu não trouxe melhoria de vida para essas famílias, nem para os trabalhadores e trabalhadoras que vivem do empreendimento, mas acima de tudo, o ambiente nunca foi tão degradado.

O Ministério Público chega a defender que tal empreendimento econômico “resultará do efetivo desenvolvimento econômico e industrial da região, com geração de emprego e renda”. Mais grave. O Ministério Público, que pela Constituição deveria atuar em defesa do patrimônio ambiental, prefere ignorar todos os impactos que a Porto do Açu, empresa que já́ pertenceu ao empresário Eike Batista, suspeito de relações não legais com o então Governador Sérgio Cabral, vem causando danos ao meio ambiente. E o Ministério Público que, arrogantemente, se coloca como a reserva moral da Constituição Brasileira, prefere apoiar cegamente o empreendimento sem nenhuma preocupação com o futuro ambiental dessa região, marcada por uma enorme riqueza de flora e fauna.

DEVOLVAM AS TERRAS DO AÇU, JÁ!

 Nenhum direito a menos!

Pela devolução imediata das terras do Açu aos agricultores e agricultoras!

Pela anulação do decreto desapropriatório!

Pela vida, pelos alimentos e pela restinga!

 São João da Barra/RJ, 20 de julho de 2017

 

(Des) governador Pezão e suas explicações sobre o imbróglio do spa de luxo: mais um caso de abuso à inteligência alheia

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Em meio a uma grave crise social, econômica e política que joga o estado do Rio de Janeiro à beira de uma grave convulsão social, o (des) governador Pezão foi flagrado esticando as canelas num spa 5 estrelas, o qual tem como sócio-proprietário um dos donos da empresa de publicidade que detém as contas do seu trágico (des) governo [Aqui!].

Para livrar a cara de Luís Fernando Pezão, o presidente “de facto” o convocou para uma daquelas reuniões onde se enxuga gelo sob o pretexto de achar saídas para o Rio de Janeiro. Ao invés de sair de fininho para Brasília, Pezão resolveu utilizar a estrutura Secretaria Estadual de Comunicação para dar a sua “versão” do imbróglio do spa “Rituaali” (ver reprodução abaixo).

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Li com atenção o comunicado do (des) governador Pezão e sublinhei cinco frases que parecem mostrar âmago da questão (são as que estão marcada em vermelho na figura acima). 

Vejamos estas frases em sequência:

 1) “Se eu não me cuido, não tenho como cuidar das pessoas.”

2) “Eu não fui para um spa, eu me internei numa clínica médica.”

3) “Eu perdi toda a minha musculatura do corpo…”

4) “Se eu não me cuidasse, meu médico falou que eu ia morrer.”

5) “Eu cheguei a ter 304 de glicose. Se eu não me trato, eu ia morrer.”

Não é preciso ser formado em Medicina para se chegar à conclusão de que dificilmente o (des) governador Pezão perdeu em algum momento toda a musculatura do seu corpo ou que se isso tivesse porventura  ocorrido, dificilmente haveria alguma relação com uma taxa de glicose alta. Além disso, como alguém que possui glicose alta, sei que chegar a ter 304 de glicose pode trazer consequências negativas para a saúde, mas dificilmente tal taxa implica numa sentença de morte. E, mais, dificilmente se corrigirá os problemas de glicose alta em uma semana, ainda que a hospedagem ocorra num spa 5 estrelas com todo tipo de amenidades como é o caso do Rituaali onde o (des) governador Pezão escolheu se hospedar [Aqui!]. 

E, não, o (des) governador Pezão não foi se internar numa clínica médica quando escolheu passar uma semana no spa Rituaali.  O estabelecimento oferece apoio médico, mas continua sendo um spa para pessoas com dinheiro, muito dinheiro, irem se recuperar de suas vidas nada atribuladas. Além disso, se ele cuidasse das pessoas como parece gostar de se cuidar é bastante provável que não nos tivesse metido na barafunda em que nos encontramos.

Em suma, o (des) governador Pezão teima em subestimar nossa inteligência coletiva ao tentar se livrar do mico que foi ser pego desfrutando de uma spa de luxo, enquanto o Rio de Janeiro afunda numa crise sem precedentes. E, sim, enquanto milhares de servidores passam graves dificuldades por causa do (des) governo Pezão.

Para encerrar, disponibilizo abaixo uma interessante conversa travada hoje na Rádio CBN entre os jornalistas Fernando Molica e Arthur Xexéo sobre o trágico (des) governo Pezão. 

 

 

A súplica do presidente de honra da SBPC:   Não destruam a ciência como este governo está fazendo

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A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) está realizando a sua 69ª Reunião Anual no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ontem, o seu presidente de honra, o físico e químico Sérgio Mascarenhas, proferiu uma conferência especial sobre o estado da ciência, em especial a brasileira, nesta presente conjuntura histórica tão marcada pelos discursos e práticas governamentais anti-ciência.

Abaixo publico uma matéria assinada pela jornalista Daniela Klebis , do Jornal da Ciência,  que sintetiza a fala do professor Sérgio Mascarenhas, e na qual fica clara a sua preocupação com o futuro da ciência brasileira.

 “Não destruam a ciência como este governo está fazendo”

Por Daniela Klebis – Jornal da Ciência

O passado, o presente e o futuro da ciência foram contados pelo presidente de honra da SBPC, Sérgio Mascarenhas, em conferência especial da 69ª Reunião Anual da SBPC, nesta quarta-feira, 19.

Aos 89 anos de idade, e 70 deles dedicados à atividade científica, a história do físico e químico Sérgio Mascarenhas é amalgamada com a história da ciência brasileira. E em sua conferência na manhã desta quarta-feira, 19, na 69ª Reunião Anual da SBPC, o pesquisador, convidado para levar a plateia em uma viagem pela história dos grandes cientistas do mundo, não poderia deixar de fazer seu apelo nesse momento tão grave: “não destruam a ciência como este governo está fazendo”.

Presidente de honra da SBPC, Mascarenhas foi protagonista no desenvolvimento da ciência do País. Ele foi um dos fundadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do Centro Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento de Instrumentação Agropecuária da Embrapa (Embrapa Instrumentação). Também criou o Instituto de Física e Química da USP de São Carlos e o primeiro curso de Engenharia de Materiais da América Latina, na UFSCar. Foi professor convidado das mais prestigiosas universidades do mundo, como Harvard, Princeton e o MIT. E a lista de prêmios que já recebeu é imensa: de Comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico, Prêmio de Mérito Científico, na classe de Grã Cruz, a Prêmio Conrado Wessel de Ciência e Cultura 2006, entre tantos outros.

Uma história incrível de um intelectual que sempre com muita lucidez está a olhar para o futuro, como Junus, o deus de duas faces romano, que representa a dualidade, os começos e as passagens, ponto inicial da conferência intitulada De Leibniz à Era Digital do Século XXI. “Em sua imagem, a face do homem olha para o passado e a face da mulher olha para o futuro. E é olhando para o passado que a gente constrói o futuro”, disse ele, sugerindo, todo tempo, a leitura de grandes clássicos – porém, em suas versões digitais. “Hoje em dia, quem não lê livro digital está por fora. Eu posso carregar uma centena de livros comigo em meu tablet”.

A história dos grandes cientistas e das grandes revoluções científicas foi se construindo ao longo de séculos de muito estudo, muitas dúvidas e muita incompletude. Mascarenhas passa por Galileu Galilei, o gênio que revolucionou a ciência e a forma como hoje vemos o mundo. Morreu no mesmo ano em que nasceu Isaac Newton, em 1642. “Uma generosidade do universo”. O criador da teoria da gravitação sabia que não compreendia sua criação por completo, mas resolveu o problema de explicar a movimentação da lua. “Newton introduziu na ciência uma coisa muito ruim, que foi o determinismo absoluto”. Mas Karl Popper, séculos depois, contestou o princípio da verificabilidade, e trouxe para ciência a ideia da falseabilidade.

Retornando à época de Newton, passamos pela história de Gottfried Wilhem Leibniz, matemático, político, historiador, filósofo que descreveu o primeiro sistema binário de numeração. Os estudos de Leibniz, segundo o físico brasileiro, preparam o caminho para a criação do computador, séculos mais tarde. Ele também ficou conhecido por sua teoria das mônadas – outro conceito científico extremamente complexo que ainda não é totalmente compreendido. “A cabeça dele era um vulcão em atividade”, comenta.

Mascarenhas perpassa ainda Faraday, Darwin, Freud, Bertrand Russel, Godel e Ludwig Boltzmann, físico austríaco que desenvolveu o conceito de entropia e explicou a direção do tempo: “Foi com ele que aprendemos que o tempo é irreversível”.

E, décadas mais tarde, todo esse conhecimento edificado por séculos desemboca na revolução da informática que vivemos hoje. A invenção do transistor, em 1947, no Bell Labs, no Vale do Silício, nos Estados Unidos, foi a pedra fundamental de todos os produtos digitais que conhecemos hoje. “Isso foi mais importante que a bomba atômica”, considera.

Consciente de que o tempo só nos faz caminhar para frente, Mascarenhas conta que vislumbra um futuro para a ciência como o que foi desenhado por Charles Percy Snow, cientista e autor do livro “Duas Culturas e a Revolução Científica”. Nesse tempo, não muito distante, está a criação de uma chamada “terceira cultura”, fruto da união entre a ciência e o humanismo. “Isso é o que realmente precisamos: de uma ciência e arte, ciência e empreendedorismo”.

Essa seria a união que vai ser capaz de solucionar os problemas do futuro. E, como concluiu o vice-presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, que assume hoje a presidência da instituição, Sérgio Mascarenhas é um exemplo dessa convergência entre humanismo e ciência. E é este o conselho final do sábio cientista: “O futuro da ciência brasileira está nas crianças da favela, na solução da desigualdade. O futuro da ciência está na compaixão”.

FONTE: http://portal.sbpcnet.org.br/noticias/nao-destruam-a-ciencia-como-este-governo-esta-fazendo/