Marketing acadêmico: Lançamento do livro “A `indústria´ dos fundos financeiros” na Livraria Travessa de Botafogo

Convite lançamento livro na Livraria Travessa Botadogo -1 Agosto 2019

Em tempos em que os fundos financeiros avançam sobre o controle de empresas em setores estratégicos no Brasil (petróleo, energia, infraestrutura e outros), esse tema merece ser ainda mais conhecido e aprofundado. 

O livro “A ´indústria´ dos fundos financeiros: potência, estratégias e mobilidade no capitalismo contemporâneo” é uma contribuição para este debate, sobre como os fundos de investimentos no Brasil e no mundo ampliaram (em especial depois da crise de 2008) a sua atuação e o seu controle sobre a produção material, enlaçado ao crescente rentismo neste mundo das finanças que nos cerca que é ainda muito pouco percebido. 

Aguardo aqueles que puderem comparecer!

O livro já está à venda pelo blog /email do autor, aqui no site da editora, aqui na própria livraria Travessa, aqui na Amazon e nas livrarias Noblesse e Leitura, em Campos dos Goytacazes, onde em breve teremos também um lançamento que será acompanhado de debates sobre a financeirização.

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Esta postagem apareceu originalmente no blog do Prof. Roberto Moraes [Aqui!].

Capitalismo está ‘sob séria ameaça’, alerta economista que previu crise global de 2008

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AFP. Raghuram Rajan destaca que os governos não podem mais ignorar a desigualdade social em suas políticas econômicas

O capitalismo está “sob uma séria ameaça” porque “parou de prover as massas”.

E, “quando isso acontece, as massas se rebelam contra o capitalismo”, adverte Raghuram Rajan, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em 2005, Rajan também alertou que a complexidade dos produtos financeiros havia ampliado o risco de um “colapso catastrófico”.

Na época, a elite financeira não levou em consideração suas preocupações. Mas, três anos depois, a crise econômica global provou que ele estava certo.

E agora Rajan, que também é ex-diretor do Banco Central da Índia, faz outro alerta.

“Acho que o capitalismo está sob grave ameaça porque não conseguiu atender às necessidades de muitos, e quando isso acontece, há muitas revoltas contra o capitalismo”, disse ao programa Today da BBC Radio 4.

“Acredito que isso pode acontecer mais cedo do que se imagina.”

Os defeitos do capitalismo

Rajan, que foi apontado como um possível sucessor do canadense Mark Carney à frente do Banco da Inglaterra, acaba de publicar o livro The Third Pillar: How Markets and the State Leave the Community Behind (“O Terceiro Pilar: Como os Mercados e o Estado Deixam a Comunidade Para Trás”, em tradução livre), em que adverte sobre as deficiências do capitalismo.

O economista enfatiza que os governos não podem mais ignorar a desigualdade social em suas políticas econômicas.

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GETTY. Em 2005, Rajam havia alertado sobre o ‘colapso catastrófico’ que acabou ocorrendo em 2008

No passado, era possível conseguir um emprego de classe média com uma “educação mediana”, exemplifica Rajan, que agora é professor da Universidade de Chicago, nos EUA.

Mas o panorama mudou na esteira da crise financeira global de 2008 e da adoção de medidas de austeridade.

“Agora, se você realmente quer ser bem sucedido, precisa de uma boa educação”, diz ele.

“E, infelizmente, as mesmas comunidades que são afetadas pela globalização do comércio e da informação tendem a ser as comunidades com escolas em más condições, onde há aumento da criminalidade, aumento das mazelas sociais e não é possível preparar seus membros para a economia global”, disse ele à BBC.

É por isso que Rajan acredita que o capitalismo está desmoronando: porque não oferece igualdade de oportunidades.

“Não está proporcionando oportunidades iguais e, de fato, as pessoas estão ficando em uma situação muito pior.”

O que não significa, no entanto, que o capitalismo não possa ser salvo, esclarece Rajan.

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SOPA IMAGES. Manifestantes protestam em Londres pelo fim das medidas de austeridade que acreditam afetar suas oportunidades econômicas

Na opinião dele, regimes autoritários surgem “quando todos os meios de produção são socializados”.

“O que você precisa é de um equilíbrio, você tem de melhorar as oportunidades.”

A democracia, enxerga ele, desempenha um papel importante nesse processo de renovação do capitalismo.

“É por isso que a democracia de livre mercado era um sistema equilibrado, mas precisamos recuperar esse equilíbrio novamente”, insiste.

Outras ameaças

De qualquer maneira, não é apenas o futuro do capitalismo no longo prazo que preocupa Rajan.

Um relatório da agência de avaliação de risco S&P Global Ratings indica que é possível haver outra crise de crédito global, devido ao aumento de 50% na dívida mundial desde a crise passada.

O informe explica que, desde 2008, a dívida dos governos cresceu em 77%, enquanto a dívida corporativa subiu em 51%.

Analistas argumentam, no entanto, que é improvável que a próxima recessão seja tão séria quanto a causada pelo terremoto financeiro de 2008.

Mas Rajan aconselha estar sempre alerta em relação à próxima crise, porque “essa é a única maneira de evitar que isso aconteça”.

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GETTY IMAGE.‘Há muito dinheiro fácil’, diz Rajan

Ele diz ainda que uma de suas preocupações é “a enorme quantidade de acomodação ou relaxamento monetário que ocorreu desde a crise global, e a quantidade de liquidez que se espalhou pelos mercados”.

Em outras palavras, taxas de juros muito baixas e muita impressão de dinheiro.

“É dinheiro fácil. E o que acontece quando você recebe dinheiro fácil é que fica mal acostumado”, diz ele.

“Há mais alavancagem [técnica usada para multiplicar a rentabilidade por meio do endividamento]. Endividamento que depende do dinheiro fácil para o refinanciamento. E, no final, isso acaba quando o dinheiro fácil acaba”, acrescenta.

O que permanece nesses casos, no entanto, é o endividamento, que ele considera a fonte das dificuldades do setor financeiro.

Por essa razão, o economista acredita que a próxima crise poderia ser causada pelas mesmas medidas que foram impostas para nos salvar da última.

“Chega um ponto em que temos de dizer: ‘Precisamos normalizar as coisas’. Porque se não normalizarmos, o sistema é redefinido para um estado em que se torna vulnerável a mudanças nas condições financeiras”, explicou.


Esta reportagem foi publicada originalmente pede rede britânica BBC [Aqui!]

Capitalismo, um sistema econômico que vai bem para 1% da Humanidade

Privilégio e o poder na economia geram extrema desigualdade e como isso pode ser interrompido

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Favela de Tondo localizada em Manila, capital das Filipinas.

Às vesperas do início do Fórum Econômico de Davos na Suiça, a organização governamental OXFAM publicou na última 6a. feira (18/01) um documento mostrando que crise global de desigualdade está chegando a novos extremos.  Segundo o documento da OXFAM, os 1% das pessoas mais ricas  do mundo agora têm mais riqueza do que o resto do mundo combinado. Além disso, poder e privilégio estão sendo usados ​​para distorcer o sistema econômico para aumentar ainda mais a distância entre os mais ricos e os demais.

Segundo a OXFAM, uma rede global de paraísos fiscais permite que os indivíduos mais ricos escondam cerca de US$ 7,6 trilhões.

A OXFAM afirma que luta contra a pobreza não será vencida até que a crise da desigualdade seja combatida.

A OXFAM calculou ainda que:

• Em 2015, apenas 62 indivíduos detinham a mesma riqueza que 3,6 bilhões
de pessoas – a metade mais afetada pela pobreza da humanidade. Esse
número representa uma queda em relação aos 388 indivíduos que se
enquadravam nessa categoria há bem pouco tempo, em 2010.
• A riqueza das 62 pessoas mais ricas do mundo aumentou em 44% nos cinco
anos decorridos desde 2010 – o que representa um aumento de mais de
meio trilhão de dólares (US$ 542 bilhões) nessa riqueza, que saltou para
US$ 1,76 trilhão.
• Ao mesmo tempo, a riqueza da metade mais pobre caiu em pouco mais de
um trilhão de dólares no mesmo período – uma queda de 41%.
• Desde a virada do século, a metade da população mundial mais afetada pela
pobreza ficou com apenas 1% do aumento total da riqueza global, enquanto
metade desse aumento beneficiou a camada mais rica de 1% da população.
• O rendimento médio anual dos 10% da população mundial mais pobres no
mundo aumentou menos de US$ 3 em quase um quarto de século, e a 
renda diária deste segmento aumentou menos de um centavo a cada ano.

Enquanto isso, no Brasil que já possui uma das piores distribuições da riqueza do planeta, a fala é retirar o pouco de direitos que os mais pobres conseguiram arrancar depois de muita luta e sofrimento. Tudo isso para aumentar ainda mais a riqueza detida pela1% que se beneficia da forma de funcionar da sociedade capitalista.

Quem desejar saber mais sobre este estudo da OXFAM, basta clicar [Aqui!]

Encontro de ecossocialistas: é urgente colocar a classe no centro da luta anticapitalista

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Participei neste final de semana do “IV Encontros Internacionais Ecossocialistas. Alerta vermelho, alerta verde: dar forma à transformação ecossocialista” que ocorreu em Lisboa [1].  A reunião contou com militantes e intelectuais de diversas partes do mundo, e boa parte das discussões das quais participei giraram em torno da grave crise ecológica que hoje ameaça os ecossistemas planetários e a  própria sobrevivência da Humanidade.

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Nas diferentes mesas das quais fui ouvinte, um tema recorrente foi a necessidade urgente de que a luta anti capitalista se dê a partir do conceito de classe que seria segundo um dos palestrantes a única que seria capaz de fazer com que se restaure a unidade das classes oprimidas em torno de um projeto solidário de sociedade, o qual seja capaz de restabelecer o sentido de comunidade humana.

Este mesmo palestrante alertou para o fato de que se este projeto de reconstrução comunitária não for levado adiante pelos setores que se colocam contra  o Capitalismo, a ultra direita alastrará a sua visão de exclusão do diferente como forma de resolver as diversas formas em que a crise capitalista está se apresentando.

Um dos aspectos que considerei mais interessantes nos chamamentos para que a classe seja colocada à serviço da unificação das múltiplas lutas que hoje ocorrem contra as diferentes formas de opressão capitalista, foi o reconhecimento de que é necessário voltar a estudar os clássicos do Marxismo (incluindo o próprio Karl Marx, mas também Lênin e Rosa de Luxemburgo, dentre outros) no tocante aos processos de acumulação capitalista que foram solenemente abandonados pela esquerda nas últimas décadas. É que segundo outro palestrante, o Capitalismo financeirizado está cada vez mais necessitado de apropriar bens coletivos como as florestas e as águas para alimentar a forma particular de apropriação que esta fase capitalista requer. 

Por outro lado, também foram apresentadas ideias de que para a luta anticapitalista avance de forma positivo vai ser necessário estabelecer novas formas de colaboração entre sindicatos, movimentos de luta pelos direitos humanos e organizações ambientalistas.  Ao ver a experiência brasileira, vejo quão atrasados estamos na formação deste tipo de aliança em função da hegemonia de visões que fragmentam a luta no processo identitário.  No caso do Brasil, o primeiro desafio será convencer que é possível unificar todas as identidades dentro da classe. É que apesar de todos os recuos que tivemos, e que culminou na vitória de Jair Bolsonaro,  ainda não vejo nenhum balanço sério sobre o papel que a luta identitária, por mais justa que seja, cumpriu na fragmentação da classe trabalhadora e da juventude brasileira.


[1] https://alterecosoc.org/programme/

 

 

Soberba e ignorância ainda poderão nos transformar numa colônia chinesa

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O jornalista Alexander Busch faz hoje um interessante alerta  em sua coluna  “Tropiconomia, publicada pela Voz sobre os riscos do Brasil continuar numa espécie de voo cego na sua relação comercial com a China, país que hoje já controla setores estratégicos da economia brasileira [1].

china brasil

Segundo Busch, a China segue uma estratégia bem determinada onde suas empresas investem diretamente no que ele chama de “DNA industrial do Brasil“, o que implica em controlar as redes de energia,  rodovias,  ferrovias e, talvez, em breve também nas redes de telefonia, o que conferiria aos chineses uma grande vantagem  quando chegar a hora da digitalização e transmissão de dados no Brasil.  

Enquanto avança o Capitalismo a la China no Brasil, os brasileiros (principalmente aquelas multidões vestidas com a camisa da CBF, continuam ignorando tudo e qualquer coisa que se refere ao principal parceiro comercial brasileiro, enquanto que os chineses já estão sendo capazes de cantarolar até os funks mais populares nas favelas do Rio de Janeiro com sotaque imperceptível.

Busch adianta que tamanho descompasso entre conhecimento mútuo que deveria existir entre parceiros comerciais pode resultar no restabelecimento de relações de tipo colonial entre Brasil e a China, sabendo-se desde o princípio quem será a metrópole e quem será a colônia. 

Como estive na China em 2012 para participar de um congresso científico na cidade de Yantai, sei bem do que Alexander Busch, pois o que verifiquei no meu contato com os pesquisadores chineses é que são insuperáveis na busca de conhecimento acerca do resto do mundo, e não hesitam em buscar novas fronteiras de conhecimento para ampliar o que  consideram ser melhor para o seu peculiar modelo de desenvolvimento capitalista.

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O problema é que a estas alturas do campeonato, não há na burguesia brasileira ou, tampouco, na intelectualidade brasileira um mínimo de interesse em entender como funciona o Capitalismo chinês e quais os enormes riscos que o Brasil está correndo por sua disposição insuperável de se manter na completa ignorância sobre a China.  E tenho certeza que ainda pagaremos muito caro por essa soberba. Mas pior ficarão os pobres que ainda arcarão com o ônus maior de nossa dependência em relação aos humores da economia chinesa.


[1] http://www.dw.com/pt-br/o-brasil-n%C3%A3o-conhece-a-china-isso-%C3%A9-perigoso/a-43715399

No Brasil, a prova final de que a compatibilidade entre Capitalismo e democracia é uma falácia

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A ideia de que o Capitalismo é o lugar das realizações humanas, assumindo que as mesmas são sintetizadas pelo pleno acesso ao consumo de bens, mesmo os completamente desnecessários, vem sendo impulsionada com mais força após o colapso da União Soviética.  A disseminação dessa concepção ideológica de que o Capitalismo é o sistema que nos governará pelo resto da existência da eternidade é composta ainda com a inclusão de que ele nos oferece formas superiores da liberdade humana, a começar pela decisão de sermos essencialmente individualistas, mesmo em face das piores manifestações do eldorado capitalista sobre nossos semelhantes e, por extensão, sobre o nosso planeta.

O que raramente dito é que a democracia liberal de inspiração burguesa é meramente um artefato constituído para manter-se a impressão de que há efetivamente no Capitalismo válvulas de escape para a inerente acumulação desigual da riqueza em que o sistema está estruturado. Na prática, quaisquer avanços democráticos com efeitos distributivos sempre exigiram que houvesse processos de mobilização radicais por parte da classe trabalhadora.  Se deixada por si só, a burguesia não poderia ligar menos para os valores liberais que foram constituídos para garantir a hegemonia capitalista na Europa ainda no Século XVIII pelos pensadores iluministas, mais destacadamente os ingleses e franceses. 

Se olharmos para como o Capitalismo se constitui nas suas regiões periféricas, onde o Brasil está firmemente colocado pela forma particular pela qual o sistema se implantou por aqui, veremos que nem há por parte da burguesia brasileira maiores pruridos em impor um sistema avassalador no que tange à concentração da riqueza e a produção de desigualdades sociais.  E também aqui só ocorreram avanços quando as forças menos reacionárias pressentiram que tudo poderia vir abaixo se algumas concessões mínimas não fossem concedidas. Afora estes poucos momentos, a burguesia brasileira não tem qualquer tipo de pudor em aprofundar ainda mais a exploração da maioria dos brasileiros, garantindo para si a manutenção de vidas nababescas e desconectadas da realidade miserável em que vivem os trabalhadores.

Por isso tudo é que não é difícil entender como foi possível para um presidente tão claramente impopular como Michel Temer aplicar uma série de contrarreformas que apagam as poucas conquistas que foram arrancadas pela classe trabalhadora brasileira ao longo do Século XX. Temer consegue fazer isso porque possui a benção das oligarquias reacionárias que mandam no Brasil. 

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Essa é a verdade nua e crua.  O problema é que vê-la iria demandar que existissem partidos políticos e movimentos sociais que estivessem dispostos a não apenas de aceitá-la, mas também se dispor a mudá-la.  Lamentavelmente por mais grave que seja a atual conjuntura histórica a maioria dos que ocupam o espectro dito de esquerda ainda parecem sonhar com ganhos incrementais e não num ataque frontal contra as estruturas criadas pela burguesia brasileira manter tudo no seu devido lugar desde que as bases da economia nacional foram lançadas pelos conquistadores portugueses no Século XVI.  Assim, qualquer mudança que venha a ocorrer vai demandar que haja a superação da visão de que a maior parte da energia existente seja gasta em instituições sem qualquer chance de serem efetivamente democráticas.

Karl Marx, quem diria, já pode voltar

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