Don´t cry for me Argentina

O dia de ontem foi de fortíssimos enfrentamentos na cidade de Buenos Aires: de um lado as forças policiais fortemente armadas e de outro trabalhadores e aposentados liderados pela Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT). O motivo da batalha campal do lado de fora do congresso argentino foi a tentativa do governo do presidente Maurício Macri de promover uma tunga semelhantes à pretendida por Michel Temer nas aposentadorias dos trabalhadores brasileiros (ver abaixo reprodução da capa de hoje do Página 12 [1].

argentina reforma

Os duros enfrentamentos dentro e fora do congresso argentino acabaram forçando a postergação da análise das propostas do governo Macri para impor uma espécie de reforma grega ao sistema de aposentadorias da Argentina.

Mas mais do que forçar o recuo do governo Macri, os acontecimentos de ontem em Buenos Aires reforçam algo que os partidos da esquerda parlamentar e a maioria dos centrais sindicais brasileira teimam em negar. É que mesmo em face da mais dura repressão, os trabalhadores argentinos atuaram de forma decisiva para impedir o saque das aposentadorias pretendido pelo governo Macri. 

Essa lição vinda da Argentina é tão poderosa que não há nada sobre os enfrentamentos de ontem nos principais veículos da mídia corporativa brasileira e internacional. Este cobertor de silêncio visa impedir a disseminação do dado exemplo dado pelos trabalhadores argentinos.

O que aconteceu ontem em Buenos Aires tem sim importantes contribuições para o debate em torno do que os trabalhadores brasileiros vão ter de fazer para impedir que a contrarreforma da previdência do governo “de facto” de Michel Temer seja finalmente aprovada em Fevereiro de 2019. E o caminho apontado pelos trabalhadores argentinos é claro: enfrentar de forma organizada quem deseja retirar direitos conquistados a duros penas, ainda que sob forte repressão policial. 

Mas por hoje há que se agradecer à disposição de luta dos trabalhadores argentino.  É que ele nos deram a lição de que em face de ataques violentos contra direitos, o único caminho é a resistência nas ruas.


[1] https://www.pagina12.com.ar/

Repressão policial durante a final da Eurocopa: futebol e luta de classes na França

Os locutores das emissoras das Organizações Globo nem se deram ao trabalho de citar, mas mesmo durante o jogo final da Eurocopa, a repressão policial comeu solta nas proximidades da tal “fan zone” instalada nas proximidades da Torre Eiffel, como mostram as imagens abaixo.

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Felizmente para os trabalhadores franceses, o governo socialista (socialista?) não vai poder usar um título que não veio para calar a revolta dos trabalhadores e da juventude que hoje lutam em defesa de seus direitos na França.

 

Assista transmissão ao vivo dos protestos sindicais sacodindo Paris neste sábado

paris

Os sindicatos e os estudantes realizam marcha em Paris neste sábado, 9 de abril , para protestar contra as reformas trabalhistas propostas pelo governo francês. Sindicatos, como a Confederação Geral do Trabalho (CGT) e dos Trabalhadores Force (FO) têm chamado para a manifestação em conjunto com sindicatos estudantis.

Comumente referida como a “Lei El Khomri em referência à ministra do trabalho Myriam El Khomri, as reformas vão afetar quase todos os aspectos das leis trabalhistas da França, tais como horas máximas trabalho, férias e pausas, entre outras áreas serão abertos a negociação, enquanto o governo tenta liberalizar o mercado de trabalho da França.

O presidente François Hollande tem declarado que está é uma tentativa de reduzir a taxa de desemprego do país abaixo de 10 %. Os  sindicatos obviamente não compram esse discurso, e estão hoje nas ruas de Paris.

Abaixo transmissão ao vivo das manifestações ocorrendo em Paris neste momento.