Vídeo do “Robotox” explica em detalhes os 239 agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro

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Lançado em Dezembro de 2018 em associação pelas organizações jornalísticas Agência Pública e Repórter Brasil, o site “Por detrás do alimento” vem fornecendo informações valiosas sobre o processo de incorporação de agrotóxicos na produção agrícola brasileira. Além disso, essa iniciativa lançou uma ferramenta, o “Robotox“, que fornece informações praticamente automáticas sobre as aprovações de agrotóxicos pelo governo Bolsonaro, fornecendo ainda detalhes importantes sobre esses compostos e seus potenciais impactos sobre o ambiente e a saúde humana.

Abaixo um vídeo produzido pelos editores do “Por detrás do alimento” e veiculado na página do “Robotox” na rede social Twitter. O vídeo é bastante didático, não apenas em relação aos produtos aprovados, mas também no tocante à desmistificar o discurso do governo Bolsonaro que agora é de buscar um suposto barateamento do custo dos agrotóxicos, e não mais de introduzir agrotóxicos que sejam mais modernos e menos tóxicos do que os que estavam disponíveis no mercado antes do início do governo Bolsonaro.

A divulgação deste vídeo é essencial para que um número maior de pessoas possa ter acesso a informações diretas e explicadas de forma compreensível para que o processo de pressão social possa aumentar. 

O fato é que no atual ritmo a população do Brasil e as de outros países que consomem alimentos produzidos a partir do uso de substâncias que sabidamente afetam o meio ambiente e os seres humanos de forma altamente negativa.

Tereza Cristina, a musa do veneno, diz na FAO que excesso de agrotóxicos no Brasil é “balela”

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Enquanto estava na 41ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/MS) autorizou a liberação de mais 42 agrotóxicos (45% deles proibidos na União Europeia). Entretanto, em entrevista à Rádio França Internacional (RFI), Tereza Cristina afirmou que os apontamentos de que o Brasil é hoje um dos principais consumidores de agrotóxicos seriam “uma “balela’,  “um mito”.

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Alguém precisa lembrar à ministra Tereza Cristina que o Brasil é hoje responsável por cerca de 20% do consumo mundial, e que no mercado brasileiro estão disponíveis 2.305 produtos, os quais incluem vários produtos que estão ligados à vários tipos de doenças (a começar pelo câncer) e pelo extermínio das abelhas.

As declarações de Tereza Cristina apenas reforçam a minha opinião de que só com o avanço de propostas de banimento dos produtos agrícolas, ao modelo do que foi iniciado pelo fundador e CEO da rede sueca de supermercados Paradiset, Johannes Cullberg, é que teremos algum tipo de sensibilização dos apoiadores da “musa do veneno”.

Mas como acredito que a população brasileira também precisa ocupar um papel relevante nas pressões para a diminuição do uso abusivo e indiscriminado de venenos agrícolas no Brasil, estou disponibilizando a base de dados com os 239 agrotóxicos liberados até aqui pelo governo Bolsonaro.   Quem desejar baixar a base, basta clicar [Aqui!].

Finalmente, se há uma balela envolvendo a enxurrada de agrotóxicos que está sendo colocada na agricultura brasileira é de que apontar essa situação é balela ou mito. A verdade é que estamos diante de um cenário gravíssimo com a liberação de venenos altamente tóxicos que estão agravando a contaminação de águas e solos no Brasil.

A marcha do veneno continua: com mais 42 aprovações, o total de agrotóxicos liberados por Bolsonaro chega a 239

pesticideCom mais 42 agrotóxicos aprovados, governo Bolsonaro liberou o número recorde de 239 produtos apenas na primeira metade de 2019.

A despeito das condenações e do boicote convocado pelo fundador e CEO da rede sueca de supermercados Paradiset, Johannes Cullberg, o governo Bolsonaro continua disposto a transformar o Brasil numa imensa piscina tóxica.  É que o Diário Oficial da União desta segunda-feira (24/06) traz a publicação do Ato No. 42 de 19 de Junho de 2019 em que são aprovados mais 42 agrotóxicos para comercialização no Brasil.

Já comecei a tabulação dessa nova leva de agrotóxicos e em breve publicarei a lista completa e especificações dos compostos que acabam de ser liberados pelo governo Bolsonaro. Entretanto, com as primeiras tabulações já pude identificar a persistência da China como principal fornecedor de agrotóxicos para a agricultura brasileira. Além disso, já verifiquei que dentre os compostos aprovados há uma série de produtos ativos para os quais já existe uma ampla literatura mostrando seus efeitos deletérios para a saúde humana e para o meio ambiente.

O que minhas primeiras avaliações dessa nova leva de agrotóxicos aprovados pelo governo Bolsonaro, sob a batura célere da ministra da Agricultura, Tereza Cristina (DEM/ES), indicam é que todo o discurso em torno da substituição de produtos antiquados por outros mais modernos e menos tóxicos não passa mesmo de um discurso para inglês ver (ou para a União Europeia ver). Na prática, continuam a ser aprovados compostos químicos que já estão ou estão sendo banidos em outras partes do mundo, muitas vezes após pressões da sociedade civil organizada.

Diante dessas novas aprovações e da propensão do latifundio agro-exportador de utilizá-los em larga escala nos grandes monocultivos de exportação não seria nenhuma surpresa se os próximos estudos sobre impactos sobre seres humanos e o meio ambiente mostrarem resultados ainda mais críticos.

 

 

 

Agrotóxicos e seus impactos sobre a saúde e o meio ambiente – Entrevista ao Programa “Faixa Livre”

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Concedi hoje uma entrevista ao jornalista Paulo Passarinho que é o âncora do “Programa Faixa Livre” que é levado ar pela Rádio Bandeirantes 1360 AM a partir da cidade do Rio de Janeiro.

Abaixo posto a resenha produzida pelos editoria do “Faixa do Livre”, bem como o arquivo contendo a íntegra das respostas dadas a Paulo Passarinho.

Pedlowski alerta a alta de casos de câncer provocados por agrotóxicos

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O atendimento aos interesses daqueles que patrocinaram sua eleição à Presidência tem levado Jair Bolsonaro a promover um verdadeiro genocídio silencioso no país: o governo autorizou, em pouco menos de cinco meses, a utilização de 197 novos agrotóxicos pelos grandes proprietários de terra.

Esta é a maior taxa de aprovação de uso de fitossanitários na história. O panorama já tem levado a um aumento alarmante de casos de câncer em algumas regiões do país, onde o agronegócio tem predominância, como no Mato Grosso e no Rio Grande do Sul.

A iniciativa criminosa do Governo Federal preocupa o professor de Ecologia e Recursos Naturais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) Marcos Pedlowski, que fez questão de citar alguns dos agrotóxicos mais perigosos e que tiveram sua utilização liberada pelo ex-capitão do Exército.

“É um problema ambiental, mas eu diria, principalmente hoje, de saúde coletiva. Temos substâncias reconhecidamente causadoras de câncer, uma delas, que foi aprovada com algumas variações, é o acetato, e outra bastante problemática, que é uma das mais consumidas no mundo, é o glifosato. Temos um produto, o Fipronil, proibido na União Europeia, só pode ser usado em casos raríssimos nos Estados Unidos e é conhecido como exterminador de abelhas”, citou.

Não bastasse a contaminação dos alimentos pelo veneno usado por produtores rurais para conter pragas, os agrotóxicos vêm alcançando o principal bem natural para subsistências das espécies no planeta.

“O problema dos agrotóxicos mais recentes é que eles não ficam tanto no solo, vão direto para a água. Essa capacidade de passar diretamente para o lençol freático e não contaminar o solo tem uma consequência muito ruim. Foi feita uma pesquisa recente com dados fornecidos pelas próprias concessionárias de tratamento de água no Brasil que comprovou que pelo menos um quarto dos municípios brasileiros estão servindo 27 agrotóxicos na torneira da população brasileira”, alertou o professor da UENF.

“Aqui no estado do Rio de Janeiro, a maioria dos municípios analisados tem esses agrotóxicos. Estamos bebendo resíduos de agrotóxicos em grandes quantidades, dependendo da cidade. No Mato Grosso, o grupo do professor Wanderlei Pignati está encontrando até na água da chuva. O que temos com essa situação é que estamos bebendo água contaminada, respirando e comendo agrotóxicos em muitas regiões”, prosseguiu Pedlowski.

A China, um dos principais produtores de fitossanitários do mundo, tem o Brasil como um de seus maiores mercados, já que os Estados Unidos e a União Europeia proibiram a boa parte dos agrotóxicos exportados pelo país asiático.

Indo no caminho inverso do governo Bolsonaro, um país que tem tomado medidas efetivas contra a proliferação de veneno industrial no solo é um dos aliados chineses no mundo, o que pode atingir nossa balança comercial.

“Em 31 de janeiro, os serviços de vigilância sanitária da Rússia emitiram um comunicado ao governo brasileiro dizendo que se o Brasil não tomasse cuidado para diminuir o conteúdo de glifosato na soja exportada, eles suspenderiam a aquisição de soja brasileira. O problema é que a Rússia tolera três vezes mais resíduos do que a União Europeia”, avaliou.

Ouça a entrevista de Marcos Pedlowski:

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Este artigo foi originalmente publicado no site oficial do Programa “Faixa Livre” [Aqui!]

VERACEL é acusada de contaminar lençol freático e afluente do Rio Sapucaeira

Moradores do Itapoã estariam tomando banho e consumindo peixes de águas contaminadas

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Uma grave denúncia de contaminação do lençol freático e contaminação de um afluente do Rio Sapucaeira provocado pelo uso de defensivos agrícolas no viveiro da Veracel, foi enviada para o Futucando Notícias contendo informações detalhadas e alertando sobre os graves riscos para a vida humana e ambiental, chamando a atenção das autoridades que precisam investigar de forma urgente os graves impactos ambientais causados pela Veracel, devendo também, segundo a fonte, verificar os relatórios anteriores e se existirem atuais, mostrando a contaminação ocorrida e os desvios feitos para que os alertas fossem ignorados.

Os lençóis freáticos são grandes extensões de água que ficam abaixo da superfície do solo, e que constituem grande parte da água doce potável do planeta.

A denúncia alerta ainda, que moradores do bairro Itapoã estariam tomando banhos e consumindo peixes de uma lagoa que também estaria contaminada com defensivos agrícolas e se localiza nos fundos do viveiro da Veracel.

Veja as informações detalhadas sobre o impacto ambiental, segundo a fonte da denúncia:

Durante auditoria do FSC/ Cerflor, realizada na Veracel em Agosto de 2015, foi identificado pelos auditores nas análises das águas subterrâneas (há poços de monitoramento do lençol freático dentro do Núcleo florestal da Veracel), que o lençol freático da área do Núcleo Florestal estava contaminado com adubos e defensivos químicos que eram usados nas aplicações dentro do viveiro da multinacional.

Veja fotos:

Para evitar a perda do selo de Certificação, a Veracel fez um revestimento em 2016, conforme fotos abaixo, mas somente na parte interna do seu viveiro de produção de mudas, não se importando com o meio ambiente e vidas em perigo, se preocupando apenas com o custo que era altíssimo para fazer em toda área do viveiro. A parte externa era muito grande e não foi realizado este revestimento, com isso os resíduos químicos que caem no solo continuaram e continuam contaminado o lençol freático.

Há um tanque de captação dentro do Núcleo florestal da Veracel que recebe toda água de defensivos químicos e a água deste tanque é lançada em “plantios Experimentais” que ficam ao lado.

O problema  é que as águas destes plantios caem direto em um afluente do Rio Sapucaeira, onde não há análise da Veracel para saber o real impacto destas águas para famílias ou pessoas que fazem uso abaixo do ponto em que estas águas contaminadas são despachadas pela empresa Veracel. Podem verificar que a Veracel não tem análise da qualidade da água que seguem do ponto onde caem para baixo, os gestores não estão nem ai com a saúde de quem está usando a água. Conforme informações de Vigilantes da Veracel, há muitos moradores do bairro Itapuã tomando banho e pescando nas águas de uma represa localizada nos fundos do viveiro. Outro problema grave são as águas de chuvas com graxa, óleos e demais contaminantes que vem do bairro itapuã e caem dentro destes efluentes.

Segundo a fonte da denúncia, a empresa Veracel nunca fez nada para resolver este Impacto Ambiental que segue contaminando peixes e espécies aquáticas que habitam neste afluente do Rio Sapucaeira.

Ainda de acordo com a fonte, em auditoria realizada em agosto de 2015, um auditor solicitou que a Veracel fizesse um estudo sobre os impactos ambientais da contaminação do solo e sobre as águas lançadas no afluente do Rio Sapucaeira. Pediu ainda para verificar se havia Morte dos Polinizadores pelas aplicações de defensivos e nunca foi feito tal estudo.

Os agentes polinizadores são fatores bióticos ou abióticos que garantem o transporte de pólen, possibilitando, assim, a propagação de espécies vegetais. Nas gimnospermas e angiospermas, a reprodução sexuada envolve um processo conhecido como polinização.

Será que realmente esta empresa está preocupada com o meio ambiente e a sociedade com diz em seus noticiários e jornais impressos?

Perigo ARSENAL NA:

Por: Jean Ramalho

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Este artigo foi originalmente publicado pelo site Futucando Notícias [Aqui!]

166 agrotóxicos já aprovados em 2019. E segue firme a marcha do veneno do governo Bolsonaro

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Aplicação de agrotóxicos.

Em meio a muitas outras notícias turbulentas na situação brasileira, passou despercebida a aprovação de mais 14 agrotóxicos pelo governo Bolsonaro por meio do Ato 27 que foi publicado no dia 17 de Abril de 2019, perfazendo um total de 166 agrotóxicos liberados para comercialização apenas nos primeiros 4 meses do corrente ano, um verdadeiro recorde de aprovações.

Tendo atualizado a base de dados que criei para acompanhar a marcha do veneno do governo Bolsonaro, pude confirmar algumas tendências que já estava claras desde a primeira série de aprovações, e que desmentem o discurso oficial em várias esferas no que tange as interligações existentes entre o comércio de agrotóxicos e a expansão de áreas cultivas unicamente com monoculturas voltadas para a exportação.

A primeira é que não nada de minimizador ocorrendo em termos do nível de toxicidade das substâncias aprovadas, sendo que no tocante à saúde humana, 43% das substâncias aprovadas estão nas categorias mais perigosas,  I e II, e velhos venenos conhecidos estão na lista dos contemplados (a começar pelo Acefato e pela Atrazina, ambos banidos na União Europeia) (ver gráfico abaixo).

toxicidade

Ainda no tocante ao elemento da toxicidade, analisei também a situação dos 166 agrotóxicos aprovados em relação à União Europeia e verifiquei que pelo menos 26% deles estão listados como proibidos (o que decorre da não aprovação em primeira instância ou do banimento posterior para aqueles que foram aprovados e depois tiveram comprovadas seus danos sobre saúde humana e meio ambiente) (ver figura abaixo).

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O fato do Brasil estar concentrando produtos que foram banidos pela União Européia já foi verificado anteriormente pela professora Larissa Miers Bombardi do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo. Os resultados das pesquisas da professora Bombardi foram sintetizados na obra “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia“.  Entretanto, o que os dados relativos aos 166 agrotóxicos aprovados em 2019 mostram é que as tendências verificadas anteriormente pode não apenas estar sendo mantidas, mas também aprofundadas, tornando o mercado brasileiro uma espécie de banheira preferencial para onde são despejados agrotóxicos  indesejados na União Europeia.

Outra tendência que vejo confirmada a partir dos agrotóxicos autorizados pelo Ato 27 é a extrema dependência do Brasil em relação à China no tocante à produção de agrotóxicos para manter sua agricultura voltada para a exportação.  Nesse quesito, apesar o Brasil importar produtos técnicos que serão utilizados nas diferentes formulações que chegam ao mercado  de diversos países, no caso dos 166 agrotóxicos aprovados em 2019, 63,4% dos fabricantes primários (e em diversos casos do único fabricante) são empresas chinesas (ver figura abaixo).

fabricante primário

Um detalhe ainda mais curioso, é que 98% dos proibidos na União Europeia chegam no Brasil por meio de empresas chinesas. Este dado revela que a China não apenas é a principal fonte de agrotóxicos vendidos, mas, e especialmente, daqueles que foram banidos em outras regiões do planeta, a começar pela União Europeia. 

Por essas e outras é que aparentemente cessaram todas as manifestações belicosas contra a China que marcaram os primeiros momentos do governo Bolsonaro. É que alguém deve alertado quem atacava os laços comerciais com a China, a começar pelo ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, visto que dependemos dos chineses não apenas para assimilar a produção de várias commodities agrícolas, mas também para a compra de agrotóxicos, muitos deles, friso eu, banidos em outras partes do mundo por causa dos fortes impactos sobre a saúde humana e o meio ambiente.

Interessante lembrar o caso do Paraquat  que tem 85% de sua produção baseada na China, tornando os latifundiários brasileiros diretamente dependentes dos chineses para comprarem esse produto.  O problema é que no caso do Paraquat , o produto já foi proibido para uso na China em 2016 e os chineses irão cessar sua produção para consumo externo em 2020. Enquanto isso no Brasil, a Anvisa só deverá banir o Paraquat, isso se os ruralistas permitirem, coincidentemente em 2020.

Como ainda existem mais de 200 agrotóxicos esperando na fila para aprovação, o mais provável é que brevemente eu tenha de atualizar a minha base de dados. Entretanto, acredito que as tendências aqui observadas não apenas serão mantidas, como possuem fortes possibilidades de serem aprofundadas. Em outras palavras, mais venenos agrícolas altamente tóxicos, muitos deles banidos em outras partes do mundo, inclusive na China que os produz para os ruralistas brasileiros consumirem.  E depois que ninguém se surpreenda se aumentar a contaminação na água que chega nas nossas torneiras e na comida que alcança a mesa de que ainda consegue comprar.

Com agrotóxicos aparecendo em mais lugares, aumentam as preocupações com a segurança

Um corpo crescente de pesquisas está desafiando a suposição de que os neonicotinóides são mais seguros e menos propensos a se espalhar no ambiente do que outros agrotóxicos

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Credito: Danita Delimont Getty Images

Por Jim Daley para a Scientific American

Durante décadas, Judy Hoy dirigiu um centro independente de reabilitação da vida selvagem na sua casa no estado de Montana, onde também realizou autópsias em cervos atingidos por carros. No final dos anos de 1990, ela notou uma tendência bizarra: muitos cervos tinham pronunciado sobremordidas, ventrículos cardíacos ampliados e glândulas e timo danificados ou ausentes. E os cervos não estavam sozinhos. “Estávamos vendo os mesmos defeitos congênitos em todos os animais de caça e domésticos”, diz Hoy, que relatou suas observações em 2002 no Journal of Environmental Biology. Ela suspeitava que uma nova classe de agrotóxicos chamada neonicotinóides poderia ser responsável por esses problemas.

Impulsionado pelo trabalho de Hoy, Jonathan Jenks, um ecologista de vida selvagem da Universidade Estadual de Dakota do Sul, testou essa ideia em 2015 e 2016. Ele deu água a um  cervo cativo contendo imidaclopride, o neonicotinóide mais comumente usado, e mediu sua presença em vários órgãos. Veados com níveis mais altos em seus baços tinham sobremordidas pronunciadas, exatamente como Hoy tinha visto. O que realmente surpreendeu Jenks foi que ele também encontrou imidacloprid em seus animais de controle – que não haviam sido expostos intencionalmente ao agrotóxico. Suas descobertas se somam a um corpo acumulado de indicações sinistras de que os neonicotinóides podem estar representando um risco ambiental e de saúde sub-reconhecido.

Os neonicotinóides, que visam o sistema nervoso dos insetos com eficiência letal, foram desenvolvidos pela Bayer na década de 1980 como uma alternativa mais segura aos agrotóxicos então existentes. Eles são considerados menos tóxicos para os vertebrados e, em vez de serem amplamente pulverizados sobre os campos, podem ser aplicados diretamente às sementes ou entregues via irrigação e incorporados aos tecidos à medida que a planta se desenvolve – em tese, minimizando suas chances de se espalhar no meio ambiente. Mas um corpo crescente de literatura está desafiando esse paradigma, apontando para impactos tóxicos em espécies não-pestes de abelhas e em veados e para a transmissão além dos campos agrícolas. Apenas 2 a 20% dos neonicotinóides aplicados às sementes chegam à planta, diz Jonathan Lundgren, um ecologista que trabalhou com Jenks e dirige a Ecdysis Foundation, uma organização de pesquisa agrícola. “Isso levanta a questão de para onde os outros 80 a 98 %  dos agrotóxicos estão indo”, diz ele. “E estamos começando a encontrá-los em outras áreas do meio ambiente. Estamos encontrando-os em águas superficiais. Estamos encontrando-os em plantas não tratadas com agrotóxicos.

De Pardais a Alimentos

Jenks não tem certeza de como o cervo controle em seu experimento foi exposto ao imidaclopride, mas ele suspeita que eles possam ter comido vegetação de um campo próximo ao local onde foram mantidos ou que sua ração baseada em grãos pode ter sido tratada com o pesticida.  Jenks observa que 90% do milho e 50% da soja nos Estados Unidos são tratados com neonicotinóides. Os produtos químicos são projetados para diminuir nas plantas tratadas ao longo do tempo, mas Jenks diz que sua meia-vida é de até 1.400 dias – o que significa que as aplicações anuais nas lavouras podem estar causando o acúmulo de neonicotinóides no ambiente. “Qualquer alimento doméstico usado em um estudo experimental provavelmente resultaria em contaminação”, diz ele. Os agrotóxicos também são solúveis em água, razão pela qual podem ser entregues a plantas em crescimento por meio de irrigação, mas também significa que o escoamento pode levá-los a lagos e rios. Jenks diz que seu estudo, publicado em março na Scientific Reports, foi o primeiro a examinar experimentalmente os efeitos do imidacloprid sobre grandes mamíferos. Os efeitos dos neonicotinóides sobre os vertebrados de forma mais ampla estão apenas começando a ser compreendidos.

Christy Morrissey, ecotoxicologista da Universidade de Saskatchewan, que não participou do estudo de Jenks, diz que a exposição a neonicotinóides tem efeitos perturbadores sobre pássaros canoros migratórios. Em 2017, Morrissey mostrou em um estudo da Scientific Reports que a alimentação do imidaclopride com pardais coroados-brancos fazia com que eles perdessem até um quarto da massa corporal – e em uma longa jornada migratória, cada miligrama é importante. Além disso, os pardais também não conseguiram encontrar o norte verdadeiro por semanas depois de serem expostos. Morrissey diz que uma alta porcentagem de pardais migratórios capturados no sul de Ontário tem níveis detectáveis ​​de neonicotinóides no sangue. “Os níveis são baixos, mas indicam uma contaminação generalizada”, disse ela. “Esses produtos químicos estão entrando na cadeia alimentar mais ampla … e não são atóxicos para muitas espécies.” Outros estudos começaram a detectar neonicotinóides em aves de rapina selvagens, roedores, peixes, lagartos e sapos; os biólogos suspeitam que os animais estão sendo expostos de várias maneiras, incluindo comer sementes tratadas ou presas contaminadas, ou entrar em contato com o escoamento de campo contaminado.

Neonicotinóides também estão aparecendo na comida humana. Um artigo de revisão  publicado na revista Environmental Science and Toxicity em 2018 constatou que mais da metade das frutas e verduras servidas na cafeteria do Congresso dos EUA continha neonicotinóides, embora em níveis considerados aceitáveis ​​pela Agência de Proteção Ambiental com base em estudos em roedores (a prática padrão da EPA para testar toxicidade de agrotóxicos)  E um estudo publicado em janeiro de 2019 na Environmental Health encontrou neonicotinóides mesmo em algumas frutas e vegetais orgânicos certificados – possivelmente devido à má rotulação do produto, à contaminação pós-colheita ou à deriva de  agrotóxicos carregados pelo vento.

Mas a extensão da toxicidade desses agrotóxicos para os seres humanos ainda não está clara para os cientistas, em parte porque, até muito recentemente, não possuíam capacidade analítica para detectar esses produtos químicos ou subprodutos em humanos, diz Melissa Perry, pesquisadora de saúde pública da Universidade George Washington. “Nos últimos 15 anos, chegamos a entender que muitos agrotóxicos podem imitar hormônios, o que pode afetar as atividades do sistema endócrino humano”, diz ela. “Como os estudos sobre os efeitos dos neonicotinóides sobre a saúde humana têm sido bastante limitados, se eles têm atividade endócrina humana ainda não é conhecido.”

De acordo com David Fischer, diretor da divisão de segurança ambiental da Bayer Crop Science, os métodos de testes ambientais atuais são mais sensíveis – e os níveis dos agrotóxicos detectados não são prejudiciais. Lundgren, entretanto, contrapõe que, mesmo em níveis baixos, “os neonicotinóides são 5 a 10.000 vezes mais tóxicos para as abelhas que o DDT [diclorodifeniltricloroetano, um pesticida que a EPA proibiu na década de 1970]”. Fischer também diz que as concentrações utilizadas por Jenks e Lundgren em seus experimentos são maiores do que os níveis ambientais atuais, o que Jenks prontamente reconhece. Mas Jenks e seus colegas encontraram alguns cervos selvagens com concentrações de imidacloprid ainda mais altas do que aqueles em seus cervos experimentais, indicando que os níveis ambientais podem variar.

Repensando os agrotóxicos

Jenks e outros estão analisando os impactos dos neonicotinóides em outras espécies, para entender melhor o escopo potencial do problema. Em seu trabalho atual com faisões, Jenks encontrou novamente contaminação em seus animais de controle. Ele testou sua alimentação e identificou-a como uma possível fonte de contaminação. Outros pesquisadores começaram a pedir por biomonitoramento e estudos epidemiológicos de larga escala para determinar os efeitos dos neonicotinóides na saúde humana.

Recentemente, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças estabeleceram métodos analíticos para estudar a presença de agrotóxicos na urina, como parte da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição, uma ampla pesquisa do status médico e alimentar dos americanos. Devon Payne-Sturges, cientista de saúde ambiental da Universidade de Maryland, diz que o estudo da NHANES “preencherá uma importante lacuna de dados” no biomonitoramento de neonicotinóides.

Em grande parte porque os neonicotinóides já mostraram ser mortais para as abelhas, que são cruciais para as plantas polinizadoras, alguns governos começaram a restringir seu uso. Em 2018, a União Europeia expandiu a proibição de três neonicotinóides, incluindo o imidaclopride. Nos EUA, o congressista Earl Blumenauer (D-Ore.) reintroduziu uma lei em fevereiro de 2019 para limitar o uso de imidaclopride e outros neonicotinóides, e para direcionar a Environmental Protection Agency (EPA) a estabelecer um “conselho de proteção de polinizadores” que envolveria apicultores, agricultores e conservacionistas em processos de revisão de toxicidade de agrotóxicos.

No entanto, Morrissey diz que o problema não é tão simples quanto proibir um agrotóxico ou outro. “O maior problema é que nos tornamos complacentes com o uso de agrotóxicos para tudo”, diz ela. Lundgren diz que alternativas como a agricultura regenerativa – uma abordagem que é defendida pela Fundação Ecdysis e promove a biodiversidade para ajudar a controlar pragas com insetos benéficos – já estão disponíveis e são escaláveis ​​para a agricultura comercial. Mas ele acrescenta que uma mudança significativa terá que vir dos esforços de base. “Acho que esse tipo de mudança de paradigma ao longo da história não vem necessariamente do governo ou da universidade; eles vêm das pessoas que decidem fazer uma mudança ”, diz ele. “Dentro do nosso sistema alimentar, quem precisa fazer essa mudança? Os fazendeiros, os apicultores, os consumidores. Eles precisam exigir algo melhor ”.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pela revista Scientific American [Aqui!]