Norsk Hydro usa twitter para tentar limpar sua barra suja de bauxita em Barcarena

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A empresa para estatal dinamarquesa Norsk Hydro vem fazendo um esforço concentrado para tentar afastar suas próprias responsabilidades acerca do grave incidente ambiental ocorrido no município de Barcarena (PA) quando fortes chuvas causaram um processo de extravazamento de rejeitos tóxicos em corpos hídricos existentes naquela região.

Dentro deste esforço um ponto de disseminação da posição oficial da Norsk Hydro é a conta oficial da empresa no Twitter, onde sem medo de ser feliz, é apresentada a versão de que auditoria interna não revelou a presença de contaminantes oriundos dos tanques de rejeitos existentes em Barcarena nos corpos aquáticos que foram identificados como estando fortamente impactados, inclusive por metais pesados (ver figura abaixo).

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O que a Norsk Hydro não diz aos seus leitores no Twitter é que o Instituto Evandro Chagas (IEC), que fez análises independentes da empresa, já apresentou relatórios que mostram justamente o contrário, qual seja, que os corpos aquáticos no entorno de sua planta em Barcarena estão sim fortemente impactados, causando riscos aos ecossistemas naturais e à população humana assentada naquela região.

Tampouco a Norsk Hydro informa aos seus leitores do Twitter que a empresa vem fazendo um esforço concentrado para desmentir os relatórios produzidos pelo IEC, numa tentativa de cobrir o sol com a peneira, contando com cooperação ativa da mídia corporativa nacional [1]. Aliás, como bem já retrucou o pessoal do IEC, o que a Norsk Hydro está tentando fazer é desqualificar a validade científica dos trabalhos realizados pelos pesquisadores brasileiros em Barcarena, os quais lhes são completamente detrimentais.

O que a Norsk Hydro não aborda são os dutos clandestinos que foram encontrados após o incidente ocorrido em fevereiro dentro de suas instalações e que lançavam detritos tóxicos diretamente nos corpos aquáticos existentes na região de Barcarena.  E para não ter que se explicar principalmente aos seus acionistas sobre este tipo de procedimento ilegal que os executivos da Norsk Hydro estão tentando desacreditar os resultados científicos produzidos pelo IEC.

Como se pode ver, governança ambiental para a Norsk Hydro é coisa para “dinamarquês ver”, especialmente se ele for acionista. Já no Brasil, o negócio é poluir sem temer o amanhã.

 


[1] http://www.valor.com.br/empresas/5439335/norsk-hydro-quer-processar-mpf-e-rever-laudo-do-evandro-chagas

[2] https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2018/04/hydro-rebate-contaminacao-no-para-e-anuncia-fundo-de-r-100-mi-para-moradores.shtml

Incidente em Barcarena: Sindicato dos Servidores Públicos Federais no Estado do Pará lança nota contra a Norsk Hydro

SINTSEP-PA CONTRA A HYDRO E EM DEFESA DOS TRABALHADORES DO IEC

Em mais um ato colonialista, a empresa norueguesa Hydro, visando se defender dos processos movidos contra ela pelo Ministério Público, ataca o resultado dos laudos técnicos emitidos pelos pesquisadores do Instituto Evandro Chagas.

A Hydro é causadora de um dos maiores crimes ambientais recentes no país, equiparável ao crime cometido pela empresa Samarco em Mariana-MG, em 2015. O vazamento da Hydro causou a contaminação de rios, igarapés e poços artesianos das comunidades do município de Barcarena-PA. O Laudo do IEC, assinado por Marcelo de Oliveira Lima e divulgado em 22/02/18, confirmou a contaminação das águas por rejeitos de bauxita e chumbo (entre outros) e demonstrou que os índices detectados pelos peritos revelam extremo risco à saúde das famílias. O laudo revelou ainda a existência de drenos clandestinos, por onde a empresa despejava irregular e intencionalmente o resíduo por pelo menos três canais clandestinos utilizados pela empresa por onde vertiam efluentes para rios de Barcarena. O crime tinha a aquiescência da SEMAS, permitindo drenar os rejeitos quando as chuvas se intensificavam, numa clara conivência do governo do Estado com o crime cometido pela empresa.

Por fim, há fortes suspeitas de relação da Hydro com o assassinato de Paulo Sérgio de Almeida Nascimento, líder comunitário da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), que denunciava o vazamento provocado pela empresa. Paulo Sérgio já vinha sendo ameaçado, pediu proteção policial ao Estado, mas Jatene negou. Após o vazamento ocorrido nos dias 19 e 20 de fevereiro, o governador Simão Jatene (PSDB) veio a público em defesa da empresa norueguesa, dizendo que o vazamento era culpa das fortes chuvas, num declarado ato de conivência com o fato.
Para se livrar dos crimes de vazamento e despejo clandestino, a Hydro divulgou no dia 09/04 laudo encomendado à Consultoria Ambiental SGW no qual se contrapõe ao laudo do IEC, afirmando não existir indicação de contaminação em rios, igarapés e lençóis freáticos. Contra esses crimes, o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) entraram com ação cautelar na Justiça Federal pedindo a suspensão parcial das atividades da Hydro Alunorte.

O Sintsep-PA repudia os crimes da Hydro, que saqueia nossos minérios, contamina nossos rios, atenta contra a vida das populações ribeirinhas e suas lideranças e ainda tenta encobrir seus crimes desqualificando o trabalho de toda uma equipe de profissionais, que compõe uma das instituições de pesquisa mais respeitada do mundo. Somos solidários a equipe de servidores do IEC e ao Dr. Marcelo pelo serviço prestado às comunidades atingidas pela assassina Hydro.

Que o MP investigue as relações de conivência entre o governo do Estado e a Hydro, com prisão imediata para Jatene, para o secretário de Meio Ambiente, Thales Belo, e para o secretário adjunto de Mineração; Prisão imediata para os dirigentes da Hydro envolvidos com o crime ambiental.

Que seja suspensa a permissão para atividade de exploração mineral à Hydro e que o controle da empresa seja entregue aos trabalhadores.

FONTE: https://www.facebook.com/sintsep.pa/posts/944527712395499

Barcarena: Força-tarefa do Ministério Público pede medidas emergenciais e reitera suspensão parcial da refinaria Hydro Alunorte

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Ação cautelar do MPF e MPPA também requer que seja determinada com urgência a realização de uma série de auditorias judiciais

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Área inundada por efluentes dentro da refinaria em 17 de fevereiro deste ano (créditos: relatório técnico do IEC)

O Ministério Público entrou na Justiça Federal, nesta terça-feira (10), com ação cautelar em que pede decisão urgente para garantir a suspensão parcial das atividades da Hydro Alunorte. Também quer que a refinaria de alumina seja obrigada a prestar atendimento emergencial às comunidades impactadas por despejos irregulares de resíduos tóxicos. A empresa está localizada em Barcarena, no nordeste do Pará.

A força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) para o caso também pediu que a Justiça determine com urgência a realização de auditorias judiciais sobre a segurança das barragens e do processo produtivo e sobre a qualidade dos planos de ação da empresa para situações emergenciais. Essas devem ser feitas por empresas de auditoria independente, custeadas pela Hydro e contratadas a partir de seleção pública, mediante termo de referência previamente aprovado pelo Ministério Público.

Em entrevista coletiva realizada na tarde de hoje em Belém, no MPPA, o promotor de justiça Laércio de Abreu, da promotoria de Justiça de Barcarena, explicou que decisão de protocolar nova ação na Justiça foi necessária pelo fato de a empresa não ter cumprido efetivamente as recomendações feitas previamente pela força-tarefa do Ministério Público e nem ter formalizado Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com os órgãos.

“Com esta ação queremos acautelar alguns direitos. Precisamos que as comunidades sejam atendidas, que algumas provas sejam feitas com urgência na empresa e que análises sejam preservadas”, detalhou o procurador da República Ricardo Negrini. “Precisamos que a empresa adote medidas para termos certeza que nenhum dano vai se repetir, que nenhum vazamento ocorrerá novamente”.

A força-tarefa do Ministério Público pede à Justiça Federal que determine o pagamento de multa diária no valor de R$ 1 milhão em caso de descumprimento das medidas estipuladas.

Resposta humanitária 

Na ação, o MPPA e MPF pediram à Justiça que obrigue a tomada de providências urgentes em resposta humanitária às comunidades afetadas e aos trabalhadores. Segundo relatos apresentados à força-tarefa, após o vazamento de rejeitos da refinaria em fevereiro, moradores da área banhada pelos rios poluídos passaram a apresentar sintomas de uma série de doenças, e houve redução da produção da agricultura, da pesca e do extrativismo.

A força-tarefa do MP pediu à Justiça que a Hydro seja obrigada a fornecer imediatamente água, alimentação e dois salários-mínimos mensais às famílias atingidas, além do atendimento às questões de saúde. Esses atendimentos devem ser feitos tanto às famílias das áreas impactadas apontadas pelo Instituto Evandro Chagas como às famílias de novas áreas que eventualmente auditoria independente vier a identificar.

Outro pedido é que a Hydro seja obrigada a assegurar que, antes de qualquer dispensa imotivada de funcionários, haja negociação com o sindicato profissional, e que, em caso da efetivação da dispensa imotivada, seja garantido ao empregado dispensado indenização mensal no valor equivalente ao do salário recebido pelo trabalhador, enquanto estiver vigente a suspensão das atividades industriais solicitada na ação.

A ação também pede que a Justiça determine a criação e implementação, pela Hydro, de sistemas de tratamento e distribuição coletiva de água potável, e sistemas de avaliação das águas superficiais, da balneabilidade das praias e da qualidade do ar, além de sistemas telemétricos de boias para avaliação da qualidade das águas nas praias.

Auditorias

Além da auditagem da segurança das barragens, dos processos produtivos e dos planos de ações emergenciais da Hydro, se a Justiça acatar os pedidos do Ministério Público as empresas de auditoria independente farão o levantamento e cadastramento das comunidades e famílias atingidas, a avaliação da qualidade do solo, a avaliação da qualidade da água em áreas de pesca, e a análise de possível contaminação dos moradores.

A força-tarefa do Ministério Público pediu ainda que, como garantia para o pagamento de futuras medidas de recomposição dos danos socioambientais materiais e morais, a Hydro seja obrigada a depositar, dentro de dez dias, 5% do valor total da isenção fiscal estadual da qual a empresa é beneficiária.

Aventura jurídica 

A promotora de justiça Eilane Moreira classificou de “aventura jurídica” a decisão da Hydro Alunorte de acionar o Ministério Público na Justiça para questionar a utilização, pela força-tarefa, de dados fornecidos pelo Instituto Evandro Chagas.

“A empresa traz questionamentos sem bases legais e fundamentos científicos, tentando trazer dúvidas à sociedade. O papel de uma empresa séria é trazer respostas efetivas e concretas, não colocando em dúvida as instituições que representam a sociedade brasileira e a sociedade paraense”, argumentou a promotora, citando ainda o fato de a Hydro Alunorte ter questionado as credenciais do Instituto Evandro Chagas para realizar análises ambientais em Barcarena. “Não temos nenhum receio de responder ao Judiciário os pontos questionados”, antecipou Eliane Moreira.

Vazamentos comprovados

Durante a entrevista coletiva, a promotora ainda destacou que não há dúvidas sobre vazamentos em atividades da Hydro Norte, o que foi comprovado por pelo menos três vias: o tubo clandestino utilizado pela empresa, o canal clandestino que a empresa rotineiramente utilizava e um outro duto por onde vertiam efluentes para rios de Barcarena. “A empresa pode até questionar se houve transbordamento, que é outra questão, mas vazamento é todo efluente que foi irregularmente despejado no meio ambiente”, explicou.

O promotor de justiça Daniel Barros destacou que toda a atuação do Ministério Público está embasada em procedimentos investigatórios. “Já ouvimos depoimentos de comunitários e da própria empresa, inclusive de diretores da empresa, que confessaram ao Ministério Público o lançamento irregular de efluentes em rios, o que é tipificado como uma conduta ilícita”, alertou. “Como se pretende agora desdizer tudo o que foi dito em procedimentos formais?”, questionou.

Daniel Barros frisou que a ação cautelar protocolada nesta terça-feira não encerra as providências adotadas pela força-tarefa do Ministério Público. De acordo com o promotor, estão em curso investigações nas esferas criminal e cível que podem resultar em ação civil pública e denúncia criminal contra responsáveis pelos impactos socioambientais em Barcarena.

 FONTE: http://www.mpf.mp.br/pa/sala-de-imprensa/noticias-pa/no-para-acao-do-mpf-e-mppa-pede-medidas-emergenciais-e-reitera-suspensao-parcial-da-refinaria-hydro-alunorte

Norsk Hydro: Professor da UEPA aponta que Belém está sob risco de contaminação dos despejos feitos em Barcarena

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Abaixo uma material postada pelo Movimento de Atingidos pela Mineração (MAM) a partir de uma entrevista dada pelo geógrafo Fabiano Bringel, professor doutor da Universidade Estadual do Pará (UEPA), que explica os riscos potenciais dos despejos ilegais feitos pela Norsk Hydro em Barcarena, inclusive sobre a cidade de Belém.

É importante que se continue prestando atenção nos desdobramentos do incidente ambiental causado pela Norsk Hydro, especialmente numa conjuntura tão marcada por conflitos políticos que tendem a colocar este tipo de problema em segundo plano.

Neste contexto é fundamental o papel que está sendo ocupado pelo Movimento de Atingidos pela Mineração (MAM) para pressionar para que os responsáveis pelos incidentes socioambientais causados em Barcarena sejam devidamente responsabilizados.

É possível a contaminação do território de Belém pelo transbordamento da bacia de rejeitos da Hydro em Barcarena?

[VÍDEO] É possível a contaminação do território de Belém pelo transbordamento da bacia de rejeitos da Hydro em Barcarena?

Para responder essa pergunta é preciso pensar a posição geográfica de Barcarena. O município fica na desembocadura de um grande estuário, praticamente em forma de golfão amazônico. Neste lugar a uma formação de duas baias a partir da foz de pelo 04 grandes rios. O Pará, Tocantins, Acará e o Capim. As baias do Marajó e do Guajará fazem parte de um grande estuário – um ambiente aquático de transição entre um rio e o mar. Um estuário sofre a influência das marés e apresenta fortes gradientes na característica da água, variando de doce próximo da sua cabeceira, águas salobras, e águas marinhas próximo da sua desembocadura.

FONTE: http://mamnacional.org.br/2018/04/09/e-possivel-a-contaminacao-do-territorio-de-belem-pelo-transbordamento-da-bacia-de-rejeitos-da-hydro-em-barcarena/

Estudo da UFPA comprova que comunidades de Barcarena estão contaminadas com metais tóxicos

A pesquisadora Simone Pereira, do Laboratório de Química Analítica e Ambiental (Laquanam) da Universidade Federal do Pará (UFPA), não conteve as lágrimas. Depois de quase 3 anos, ela apresentou, na manhã de ontem (2), o resultado de 90 amostras de cabelo coletadas por moradores de 14 comunidades de Barcarena no ano de 2015. Chumbo, níquel e cromo são metais tóxicos que estão presentes nas amostras com níveis altos de contaminação nos organismos dos moradores. Na região, funcionam várias indústrias, incluindo a refinaria da mineradora Hydro Alunorte. 

“Levamos quase 3 anos para fazer essa análise. Isso por que o laboratório não teve recursos. Fizemos com recursos próprios. E nesse tempo, pessoas morreram”, afirmou, emocionada. “Espero que o Ministério Público Federal assuma, de fato, a indenização para essas famílias, mesmo algumas delas não estando mais presentes”. O resultado dos exames foi entregue no salão paroquial da Igreja de Vila do Conde, em Barcarena, na manhã de ontem (2).

Foram encontrados 21 elementos químicos no organismo das pessoas, o que foi uma surpresa para a própria pesquisadora. Entre esses elementos, 3 merecem atenção: níquel, chumbo e cromo, altamente cancerígenos. Nas amostras, os metais tóxicos estavam acima do permitido: níquel 2 vezes maior; chumbo 3 e cromo 5. Assim, podem causar uma série de problemas à saúde daquela população, principalmente no sistema nervoso central e nos ossos. “O alumínio, por exemplo, está quase 27 vezes maior que o permitido. A situação em Barcarena é crítica, difícil de ser entendida”, disse Simone. “E a presença desses metais vem ao longo de anos. De 2015 pra cá alguma coisa deveria ter sido feita. Outras pessoas ainda podem morrer e, com certeza, pode ter uma relação com a contaminação”, reforça. 

Ela explica que é preciso fazer exame de sangue para confirmar o nível de contaminação interna dos moradores, já que a análise do cabelo pesquisa apenas substâncias que estão sendo expelidas pelo organismo. “Agora, precisamos acelerar o processo para retirar as pessoas debaixo da área atingida. Para nós, a urgência é o tratamento da saúde dessas pessoas”, diz a agricultora de Vila do Conde, Cleide Monteiro, de 40 anos. 

“É difícil receber um resultado acima do esperado. Tenho medo de estar altamente contaminado. Vou tentar interpretar os exames e procurar o serviço de saúde”, desabafou o assistente social Lúcio Negrão, de 41 anos. Ele foi uma das pessoas que teve amostra do cabelo coletado em 2015. Atualmente, ele mora em Vila do Conde, porém, na época residia na comunidade Dom Manuel, mas precisou se mudar devido à poluição no ar. 

 Um deles mostra o resultado individual de contaminação (Foto: Wagner Santana)

Simone Pereira disse que exames surpreenderam (Foto: Wagner Santana)

 Deputados da CPI da Hydro acompanharam audiência (Foto: Wagner Santana)

CPI começa a realizar oitivas sobre as contaminações

Cópia do resultado das análises foi entregue pessoalmente aos deputados estaduais membros da Comissão Parlamentar de inquérito (CPI) que estiveram realizando a primeira atividade externa nas instalações da empresa Hydro, ontem (2) . O objetivo da Comissão é investigar os danos ambientais provocados pelas mineradoras instaladas no polo industrial de Barcarena.

Para o deputado Carlos Bordalo (PT), o resultado dos exames apresentados pela pesquisadora reforça que a situação de Barcarena é de calamidade pública, de emergência social. Segundo ele, após os 90 dias de apuração, a CPI vai apresentar um relatório sobre a atual situação daquele município e propor medidas concretas a serem adotadas para prevenir desastres ambientais. De acordo com o deputado José Scaff (MDB), com o trabalho da Comissão, a sociedade terá a resposta que tanto precisa. E isso também envolve a investigação da isenção fiscal que a empresa Hydro recebeu do Governo do Estado. “O Estado reclama que está com dificuldades e por que deu isenção até 2030 no valor de R$ 7 bilhões?”, questiona. “Iremos junto à Secretaria de Meio Ambiente para saber quais critérios foram adotados para conceder licença para a empresa operar”, garante o parlamentar.

Hoje (3), iniciam as oitivas da CPI. O advogado Ismael Moraes, da associação dos moradores de Barcarena, um subcomandante do Corpo de Bombeiros e um pesquisador em saúde pública do Instituto Evandro Chagas serão ouvidos a partir das 13h, na sede da Alepa.

(Michelle Daniel/Diário do Pará)

FONTE: http://m.diarioonline.com.br/noticias/para/noticia-498230-comunidades-de-barcarena-estao-contaminadas-com-metais-toxicos.html?v=68

Barcarena: Instituto Evandro Chagas recomenda que os moradores de comunidades impactadas continuem recebendo água potável

Pará: Novo relatório atesta contaminação de rios e igarapés pela Hydro Alunorte

Por Lilian Campelo / Brasil de Fato

 

Rios e igarapés que serpenteiam o município de Barcarena, no Pará, estão contaminados por metais tóxicos provenientes de efluentes da lama vermelha de uma das bacias da empresa Hydro Alunorte. Este foi o resultado do segundo relatório técnico apresentado nesta terça-feira (28) pelo Instituto Evandro Chagas (IEC).

A análise feita nas águas do rio Pará chamou a atenção do químico Marco Marcelo Oliveira Lima, pesquisador em Saúde Pública da Seção de Meio Ambiente do Instituto. Foram encontrados altos níveis de alumínio, apesar do grande volume de água do rio.

“Nós estamos falando de coletas que foram feitas no rio Pará, onde você tem um volume de água muito grande, você tem alto poder de diluição, mas no rio Pará na praia Bejá, na praia de Sirituba e nos rios Arapiranga e Guajará do Beja o nível de alumínio e ferro encontrados foram muito altos logo após o evento.”

Lima afirma que o rio Pará é um dos mais estudados pelo IEC ao longo de anos e destaca que nunca se apresentou resultados com níveis tão elevados como se observou nesta última análise.

As amostras de água também foram coletadas nos rios Murucupi, Arienga, Arapiranga e Guajará do Beja, além dos igarapés Curuperê, Dendê e de um igarapé que é afluente do Tauá. O instituto também coletou amostras de lama dentro da empresa e na estrada PA-481, após o tombamento de um caminhão no dia 22 de fevereiro, que levava rejeitos químicos da Hydro. As coletas foram feitas entre os dias 25 de fevereiro e oito de março.

No rio Murucupi, nas amostras coletadas no trecho entre a comunidade Vila Nova e as nascentes, foram encontrados alumínio, ferro, arsênio, cobre, mercúrio e chumbo acima do que prevê a legislação. Lima recomenda que as águas do rio não sejam usadas para o consumo humano, recreação ou pesca.

Ele ainda ressalta que os relatórios apresentados pela empresa Hydro sobre os rios e igarapés do entorno são “falhos e insuficientes”.

“Porque esses dados não mostram os níveis de metais tóxicos nem mostram outras características físico-químicas, ou seja, não mostram que essas áreas apresentavam níveis de metais acima dos recomendados pela legislação brasileira.”

Diante de novos resultados, o IEC recomenda que a empresa continue fornecendo água potável para as comunidades impactadas até o final do período de chuvas na região.

 

Foto: Igor Brandão/ Ag Pará / Igor Brandão/ Ag Pará,  Edição: Camila Salmazio

FONTE: http://mamnacional.org.br/2018/03/29/para-novo-relatorio-atesta-contaminacao-de-rios-e-igarapes-pela-hydro-alunorte/

Estudo identifica agrotóxicos mais frequentes em alimentos consumidos no Brasil

Entre as substâncias autorizadas no País está o brometo de metila, utilizado como inseticida e para o controle de pragas

Por – Editorias: Ciências Agrárias, Ciências da Saúde

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De acordo com estimativas, o brometo de metila é o agrotóxico mais encontrado nos alimentos consumidos rotineiramente pela população brasileira – Foto: Agência Brasil

A dieta dos brasileiros é rica em agrotóxicos, inclusive os mais tóxicos. Ao cruzar os dados sobre o que come habitualmente a população brasileira com a lista de agrotóxicos autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a serem aplicados na cultura desses alimentos, pesquisa realizada na USP identificou 68 compostos que excediam o valor de ingestão diária aceitável de acordo com limites estabelecidos pela própria Anvisa.

Entre os 283 agrotóxicos verificados, o brometo de metila (BM) – pertencente à classe dos inseticidas, formicidas e fungicidas e listado como extremamente tóxico – foi a substância com maior estimativa de frequência nos alimentos. Os resultados fazem parte da dissertação de mestrado de Jacqueline Mary Gerage, defendida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em 2016. A ideia foi avaliar o risco de exposição crônica de agrotóxicos na dieta da população, sabendo-se do uso regular dessas substâncias em cultivos como arroz, feijão, soja e frutas.

A mesma substância também foi identificada por meio de outra pesquisa da Esalq, cujo enfoque foi estimar a ingestão de agrotóxicos a partir da dieta dos alunos das escolas urbanas da rede municipal de ensino da cidade de Guariba, interior de São Paulo. Os dois trabalhos tiveram a orientação da professora Marina Vieira da Silva, do Departamento Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq.

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Alimentos potencialmente contaminados por agrotóxicos autorizados também estão na dieta de alunos da rede pública de ensino – Foto: Gilberto Marques/SEE-S

O BM é um gás que age como inseticida para desinfestação de solo, controle de formigas e fumigação de produtos de origem vegetal. Mata insetos, fungos e bactérias, ervas daninhas ou qualquer outro ser vivo presente no solo. Embora tenha esta utilidade na agricultura, Jacqueline relata que o produto é altamente prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente. “Seu uso está em descontinuação global por causar danos à camada de ozônio e provocar riscos à saúde de trabalhadores rurais e moradores de regiões próximas às áreas de produção agrícola.” Em 1990, na assinatura do Protocolo de Montreal, houve um comprometimento de 180 países para diminuir o uso de produtos semelhantes ao BM na agricultura. O Brasil aderiu ao tratado internacional com a promessa de diminuir gradualmente o manejo ao longo dos anos

Passo a passo

Baseada em dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008/2009 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jacqueline obteve os alimentos que compunham a dieta habitual de 33.613 brasileiros, com idade superior a dez anos. Foram considerados 743 itens alimentares. Em seguida procurou saber da Anvisa, a quantidade de agrotóxicos que era autorizada para alimentos que compunham o banco de pesquisa, chegando a 283 compostos. Destes, Jacqueline verificou que 68 excediam o valor máximo permitido pela agência.

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Protesto no Dia Internacional de Luta contra os Agrotóxicos (2014) – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Para avaliar a exposição da população aos agrotóxicos, foi aplicado o cálculo de Ingestão Diária Máxima Teórica (IDMT), que relaciona o consumo médio dos alimentos e as concentrações médias de agrotóxicos. O resultado obtido do cálculo IDMT foi então comparado ao parâmetro de Ingestão Diária Aceitável (IDA), para caracterização do risco de exposição. Apresentando valores acima do Limite Máximo de Resíduos (LMR), os índices eram considerados preocupantes. Periodicamente, a Anvisa publica informações técnicas sobre os agrotóxicos autorizados para uso no Brasil.

Apesar de este tipo de exposição não ter sido avaliado por meio da pesquisa, a especialista ressalta que na área rural há também os riscos de intoxicação aguda envolvidos com a aplicação destes produtos, ao inalar ou manipulá-los diretamente.

Já a pesquisa Ingestão de resíduos de agrotóxicos potencialmente contidos na dieta habitual de escolares foi conduzida pela nutricionista Ana Paula Gasques Meira, aluna da Pós-Graduação da Esalq, com base em informações disponíveis e na análise de dados locais que levantou. Os resultados obtidos em Guariba, cidade do interior de São Paulo, seguiram a tendência das informações observadas nacionalmente: o brometo de metila se confirmou como uma das maiores médias de ingestão. Nesta pesquisa, participaram 341 crianças e adolescentes, com idade entre 7 e 16 anos.

Dos 9 agrotóxicos cujo consumo se estima superar os limites da Anvisa…

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I II III
pertencem à classe toxicológica I 
(extremamente tóxico)
pertencem à classe toxicológica II 
(muito tóxico) 
pertencem à classe toxicológica III 
(medianamente tóxico)
O brometo de metila 
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Mais informações com Ana Paula Gasques Meira – e-mail anapuava@gmail.com; e Marina Vieira da Silva – e-mail marinavieiradasilva@usp.br

Com colaboração de Caio Albuquerque/ Divisão de Comunicação da Esalq

FONTE: http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-agrarias/estudo-identifica-agrotoxicos-mais-frequentes-em-alimentos-consumidos-no-brasil/