4 entre 10 pacientes com diabetes morrem ao se internar por COVID-19, aponta estudo

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Foto: Marcos Santos/ USP Imagens

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O diabetes mellitus é responsável por 2,5 entre 10 internações por Covid-19, porém, quando consideradas as mortes por Covid-19 entre os pacientes internados, 4 entre 10 têm diabetes. É o que apontam pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (UECE), que analisaram a associação entre o diabetes mellitus e o óbito hospitalar por Covid-19. O estudo está publicado na edição de segunda (30) da revista “Epidemiologia e Serviços de Saúde”.

Para analisar o impacto na população brasileira, os autores tomaram como base os casos de Covid-19 notificados no primeiro ano da pandemia no Sistema de Informação de Vigilância da Gripe (SIVEP – Gripe). O SIVEP reúne os dados epidemiológicos brasileiros de casos suspeitos e confirmados de qualquer doença com sintomas gripais e foi o sistema utilizado pelo Ministério da Saúde para contabilizar os casos da pandemia no país.

Os dados do SIVEP referentes a 397.600 casos de pessoas hospitalizadas apontam que 32% dos pacientes com Covid-19 admitidos em Unidade de Terapia Intensiva em 2020 morreram. Entre todos os internados por Covid-19, 25,7% tinham o diagnóstico de diabetes, mas a prevalência de óbito entre as pessoas com diabetes saltou para 40,8%. Portanto, o diabetes aumenta em 15% as taxas de óbitos em pessoas internadas por Covid-19, representando aproximadamente 3 em cada 20 óbitos.

“Os estudos da área de saúde apontam que o principal fator atribuído as complicações da COVID-19 em diabéticos é que a doença crônica altera as funções metabólicas e, com isso, afeta também as respostas imunológicas do organismo, tornando assim os portadores do diabetes mais suscetíveis a infecções pelo SARS-CoV-2 Outra hipótese se dá pela inflamação e ao estresse oxidativo e, consequentemente, a resistência à insulina, que é a enzima que controla a quantidade de glicose no sangue após a alimentação”, explica o enfermeiro Thiago Santos Garces, doutorando em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde pela UECE e um dos autores da pesquisa.

Nos dois últimos anos, cientistas em todo o mundo têm estudado os efeitos e as doenças que podem estar associadas ao quadro da Covid-19. A literatura médica relata diferentes níveis de prevalência dos casos que apresentam diabetes associado a COVID-19. Há revisões sistemáticas e metanálises que mostraram uma probabilidade de 35% de ocorrência de casos e 50% de risco de morte entre os diabéticos diagnosticados com COVID-19. Vale lembra que os dados trazidos pelos pesquisadores da UECE contemplam o ano 2020, e o objetivo do grupo é seguir com a atualização desta análise.

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Diabetes: rins podem parar de funcionar por conta da doença

World diabetes day; sugar in wooden bowl and stethoscope on dark background

Doença está entre o segundo fator de risco para insuficiência renal. O tratamento para a doença renal é feito por sessões de hemodiálise ou transplante do órgão. No dia 14/11 é comemorado o Dia Mundial da Diabetes, uma data para conscientização e prevenção da doença.

De acordo com dados da 10ª edição (2021) do Atlas Diabetes, do International Diabetes Federation – IDF, uma em cada 10 pessoas no mundo vivem com diabetes. São mais de 530 milhões de diabéticos, os quais possuem ou poderão ter alguma problema renal devido as consequências da doença.

No próximo sábado, 14 de novembro, é comemorado o Dia Mundial da Diabetes, uma data para prevenir e conscientizar a população sobre essa doença que causa muitas mortes no mundo. Fatores como obesidade, envelhecimento populacional e sedentarismo tem contribuído para o aumento no número de casos de diabetes. Além da mudança de vida que a doença exige do paciente, complicações podem comprometer outros órgãos, como os rins.

Diferente do que muitos pensam, quem tem o problema pode ter uma vida normal, mas para isso, o acompanhamento médico, a adesão ao tratamento e a prática de hábitos saudáveis são fundamentais, principalmente para evitar outras consequências.

Comprometimento dos rins

A diabetes pode trazer danos aos rins, comprometendo a sua capacidade de filtragem. “Os altos níveis de açúcar fazem com que os rins filtrem muito sangue, sobrecarregando os órgãos e levando a perda de proteínas na urina”, explica o médico nefrologista e presidente da Fundação Pró-Rim, Dr. Marcos A. Vieira.

“Com o tempo e o excesso de resíduos no sangue, a sobrecarga faz com que os rins percam a capacidade de filtragem e venham a falhar. Assim, o paciente diabético vai necessitar de sessões de hemodiálise ou de um transplante renal”, complementa.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), aproximadamente 25% das pessoas com diabetes Tipo 1, e de 5 a 10% dos portadores de diabetes Tipo 2 desenvolvem insuficiência nos rins. Dos mais de 700 pacientes renais crônicos atendidos na Fundação Pró-Rim, instituição que realiza o tratamento substitutivo renal, cerca de 32% são diabéticos.

Complicação silenciosa

A doença renal crônica é considerada uma epidemia silenciosa. Por não ter sintomas específicos, a insuficiência renal pode ser confundida com outras doenças, ocasionando atraso no seu diagnóstico. Geralmente, o paciente pode manifestar algum sintoma, que indique problema nos rins, após 10 anos do diagnóstico da diabetes.

Os sinais mais comuns são inchaço, falta de apetite, enjoos, fraqueza, dores no estômago e perda de sono. “A identificação da doença muitas vezes só acontece quando se encontra em estágio avançado, e os rins já estão em fase crítica de funcionamento”, conta o nefrologista.

Prevenindo as consequências

É recomendado que os diabéticos, tanto do Tipo 1 e do Tipo 2, façam a pesquisa de microalbuminúria, a qual vai verificar a quantidade albumina (proteína produzida no fígado) eliminada na urina. Quanto maior a quantidade de albumina é eliminada pelo organismo, mais os rins estão afetados. A Sociedade Brasileira de Nefrologia e a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomendam que todo diabético, entre os 12 a 70 anos de idade, realizem o exame pelo menos uma vez ao ano.

“O controle da glicose é uma das medidas que o diabético deve gerenciar, evitando assim complicações para outras doenças, como a doença renal crônica, doenças cardiovasculares e a retinopatia diabética”, enfatiza o médico. Cuidados com a pressão arterial, o uso correto de medicamentos alinhados com a prática de hábitos saudáveis, como a prática de exercícios físicos, controle de peso e o não consumo de álcool e cigarros, podem reduzir o desenvolvimento de outras doenças.

“Nem todos os diabéticos desenvolvem a doença renal. O baixo controle da taxa glicêmica e da pressão arterial, e os fatores genéticos podem favorecer o surgimento da doença. É possível conviver com a diabetes desde que a pessoa se comprometa com o tratamento”, conclui o médico.

A Fundação Pró-Rim foi fundada em 1987, em Joinville (SC), pelos médicos nefrologistas Dr. José Aluísio Vieira e Dr. Hercilio Alexandre da Luz Filho com o propósito de oferecer um tratamento mais digno e diferenciado aos pacientes renais. É reconhecida como referência nacional na área de nefrologia. É pioneira em transplantes renais no Estado e sua equipe está entre as que mais realizam transplante no país. Já ultrapassou a marca de 1.820 transplantes renais, é a primeira instituição de nefrologia do mundo a receber a certificação internacional Qmentum. Possui unidades de hemodiálise em Santa Catarina e Tocantins, e atende pacientes renais crônicos de todo o Brasil (www.prorim.org.br).

Muito além do peso, o filme

Pela primeira vez na história da raça humana, crianças apresentam sintomas de doenças de adultos. Problemas de coração, respiração, depressão e diabetes tipo 2.

Todos têm em sua base a obesidade.

O documentário discute por que 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem a indústria, o governo, os pais, as escolas e a publicidade. Com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.