Uma pergunta inquietante: quem ainda não foi grampeado pelo juiz Sérgio Moro e a PF?

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Quanto mais eu leio, mais eu descubro sobre a ampla rede de grampos que foi estabelecida sob ordens diretas do juiz federal Sérgio Moro em colaboração direta com setores da Polícia Federal e, sim, também com as concessionárias privadas de serviços de telefonia.

Além de figuras fáceis como Dilma Rousseff e Lula, agora vão emergindo evidências que foram grampeados ministros, lideranças partidárias, advogados e, pasmemos todos, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

E aí eu pergunto: vai ficar assim mesmo? Ninguém do Conselho Nacional de Justiça e do STF vai tomar providências? O Brasil virou mesmo o reino da arapongagem?

Falando em arapongagem, o que será que anda acontecendo no âmbito da Agência Brasileira de Informação (ABIN), antigo Serviço Nacional de Informações (SNI)? O que será que os nosso espiões oficiais tem a dizer sobre isso tudo? Uma coisa eu já fui informado: a ABIN passou por um incompreensível processo de precarização. E o resultado é esse que ai é está.

Garotinho, a agenda dos atos contra Dilma, e os riscos do ressentimento

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O ex-deputado federal e ex-governador Anthony Garotinho parece estar um poço de mágoas com a presidente Dilma Rousseff. É que sob a desculpa singela de atender pedidos dos leitores de seu blog, Garotinho postou a lista de atos que deverão ocorrer neste domingo (12/04) para exigir o impeachment de Dilma Rousseff (Aqui!).

Apesar de não ter literalmente nada com isso, já que a direita coxinha pode fazer quantos atos bem desejar, o fato é que este tipo de movimentação não trará qualquer benefício com a sua “amiga”, a presidente Dilma Rousseff. É que num momento complicado como anda o das finanças municipais num governo comandado por sua esposa, Rosinha Garotinho, disseminar a ocorrência de atos pelo impeachment da presidente não é certamente um bom cartão de visitas de quem precisa mais da boa vontade da presidente do que o inverso.

De quebra, pelo menos em Campos dos Goytacazes, esse ato anti-Dilma tem o potencial de internalizar o ódio que muitos coxinhas também dispensam a Garotinho e seu grupo político.

Em sua suma, eu que normalmente acho que os movimentos de Garotinho são inteligentes (concordando com eles ou não), desta vez tendo a achar que o primeiro-marido de Campos dos Goytacazes cometeu um erro grave movido por algo que uma pessoa cristã como ele deveria evitar, o ressentimento.

Matéria da Exame mostra que governos do PT investiram mais de R$ 30 bilhões nas particulares, enquanto deixaram as IES públicas à mingua

A matéria abaixo é da insuspeita revista “Exame”, e mostra que os governos da coalizão PT/PMDB colocaram mais de R$ 30 bilhões nos cofres das instituições privadas de ensino superior. Enquanto isso, as instituições federais de ensino foram mantidas à míngua, e tendo que se submeter a exigências absurdas para receberem recursos que as mantivessem funcionando. Não é à toa que a maioria dos hospitais universitários mantidos por universidades federais encontram-se em condição de mais completa petição de miséria, e sob ameaça constante de privatização. 

Mas mais grave do que a mamata fornecida por Lula e Dilma aos tubarões do ensino é a revelação de que a educação no Brasil está hoje completamente submetida aos interesses dos agentes financeiros que operam dentro das bolsas de valores. Além disso, a matéria mostra que a simples intenção de estabelecer regras mínimas de qualidade para a concessão de subsídios federais para essas fábricas de diplomas já implicou em depreciação de suas ações no mercado de ações.  

Essa situação mostra que o sistema de ensino superior no Brasil hoje corre o risco de uma ruptura sistêmica caso o Estado brasileiro pare de conceder seus generosos subsídios para as instituições particulares, visto que a sua supremacia no número de vagas ofertadas. 

Por essas e outras é que deveríamos estar batalhando para que essa fortuna investida em instituições de baixa qualidade seja revertida para as IES federais e estaduais. É que nã o faz o menor sentido o Estado brasileiro secar as torneiras de instituições públicas, enquanto irriga os cofres de empresas particulares que não demonstram qualquer interesse em contribuir com o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil.

Redes privadas de ensino ganharam fortunas com o governo

Sala de aula da Kroton

Aula da Kroton: a rede estuda financiar por conta própria os reprovados no Enem

Lucas AmorimLucas Amorim, de Revista EXAME
São Paulo – O Brasil pode não ser o país da educação, mas virou o país das empresas de educação. Nos últimos cinco anos, com crise ou sem crise, os grupos de ensino superior privados tiveram um crescimento espetacular. Em 2010, as três empresas de ensino superior listadas em bolsa valiam 7 bilhões de reais. Hoje, elas são quatro — e valem 35 bilhões de reais.

A Kroton, destaque da turma, tornou-se a maior empresa de educação do mundo. Esse fenômeno foi impulsionado por três fatores. As empresas levaram para o setor carcomido um estilo de gestão moderno. Também perceberam um avanço social inédito, que permitiu a milhares de estudantes pagar uma faculdade.

Mas nenhum desses fatores foi tão decisivo quanto o terceiro — uma baita ajuda do governo federal. Em 2010, o Ministério da Educação (MEC) decidiu turbinar o Fies, programa de financiamento para estudantes do ensino superior.

De lá para cá, o governo já gastou mais de 30 bilhões de reais para pagar as mensalidades de 1,5 milhão de estudantes — dinheiro que foi, inteirinho, para o caixa das faculdades privadas brasileiras. Com a perspectiva de que um programa tão popular fosse mantido para sempre, as empresas partiram para aquisições, cresceram como nunca — e se tornaram as maiores estrelas da bolsa brasileira. Até que o governo mudou de ideia. 

Nos dias 29 e 30 de dezembro, o MEC anunciou duas portarias que mudaram o jogo para redes com mais de 20 000 estudantes. A primeira passou a exigir uma pontuação mínima no Enem, o exame de avaliação do ensino médio, para que os estudantes recebam o financiamento público.

Até então, qualquer aluno, independentemente de seu desempenho no exame, poderia receber o Fies. Agora o governo exige o mínimo de 450 pontos em 1 000 possíveis. O aluno também não pode zerar a redação. A segunda mudança é na forma com que o governo paga as instituições.

Os pagamentos, que eram mensais, passarão a ser feitos a cada 45 dias. Um curso de graduação com quatro anos de duração, portanto, será pago às escolas em seis. Foi o suficiente para a lua de mel dos investidores com as empresas terminar.

Algumas redes, como a pernambucana Ser Educacional, já perderam mais de 40% de seu valor. Acostumados a dar boas notícias ao mercado, executivos do setor passaram as últimas semanas em incontáveis reuniões com investidores e com o governo.

A primeira e mais urgente demanda dos executivos é para que o governo volte atrás na forma como vai pagar as escolas. Com menos parcelas anuais, as empresas vão precisar de mais dinheiro em caixa para suas despesas do dia a dia. O problema, afirmam as escolas, é que as mudanças vão afetar não só os novos contratos mas também os financiamentos já firmados nos últimos anos.

A Federação Nacional das Escolas Particulares entrou na Justiça com um pedido de mudança nas regras. A Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Educação Superior (Abraes), que reúne seis das maiores redes do país, tem uma série de reuniões agendadas em Brasília para tentar convencer o governo a voltar atrás. “Alterar regras de contratos é ilegal. Mostramos isso ao MEC. Esperamos bom senso”, diz um executivo do setor.

Em paralelo, as escolas se organizam para se adaptar à mudança, que, na visão de todos, é de fato definitiva — a exigência de, no mínimo, 450 pontos. De acordo com a consultoria Hoper, especializada em educação, em 2012 26% dos estudantes ficaram abaixo dessa pontuação. A situação é pior no Norte, no Nordeste e no Centro-Oeste, onde mais de 30% dos alunos ficaram abaixo da nova nota mínima.

O problema é que, de lá para cá, a média geral no exame piorou — caiu de 500 para 470 pontos. Como resultado, segundo a Abraes, neste ano 49,9% dos estudantes não poderiam receber o financiamento do governo sob as novas regras. A mudança só será implementada no próximo Enem, mas as perspectivas para as escolas são dramáticas.

As mais afetadas, na visão de analistas, são as redes com mais unidades nas regiões de pior desempenho no Enem, como a pernambucana Ser, ou redes com pouca penetração de ensino a distância — modalidade ainda não contemplada com o Fies.

No caso da Kroton e da Estácio, em que mais de 30% dos alunos estão inscritos em cursos a distância, as mudanças diminuiriam em menos de 10% a base de alunos potenciais. São também essas escolas, na visão de analistas, que mais podem se beneficiar da mudança, roubando alunos ou até comprando redes que passarem a enfrentar dificuldades.

Novas exigências

Para não perder os alunos reprovados no Fies, as escolas vão precisar investir. Uma opção analisada pela Kroton é financiar por conta própria os estudantes e, durante um ano, oferecer aulas de reforço para que no ano seguinte eles voltem a fazer o Enem. Outra ação em estudo por alguns grupos é aumentar o número de promoções na mensalidade para atrair os sem-Fies.

O que as últimas mudanças deixaram claro é que o governo não parece mais disposto a aumentar a base de universitários a qualquer custo. Até 2014, a única exigência era que, para receber aluno do Fies, os cursos tivessem uma nota mínima de 3 num ranking que vai até 5. Agora, além da exigência de uma pontuação mínima para os alunos, o novo ministro da Educação, Cid Gomes, avisou que outras mudanças poderão vir.

Ele disse, por exemplo, que pode aumentar a exigência de nota mínima para os cursos. Com a atual nota de corte, 13 900 cursos podem receber alunos pagos pelo governo. Mas o número cairia para 5 200 se a nota mínima aumentasse para 4. “Apoiamos qualquer medida que ajude a melhorar a qualidade”, diz Elizabeth Guedes, diretora da Abraes.

“Mas só cobrar não basta. É preciso melhorar o ensino médio para que os estudantes cheguem mais preparados à universidade.” Em meio ao debate, até o fechamento desta edição, as quatro maiores redes de ensino superior já tinham perdido 12 bilhões de reais de valor de mercado em 2015.

FONTE: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1082/noticias/redes-privadas-de-ensino-ganharam-fortunas-com-governo

Enquanto Dilma abraça austeridade e torpedeia direitos, gregos elegem partido antiausteridade

Syriza party supporters

Esse início de 2015 está sendo para lá de interessantes contrastes. Aqui no Brasil, tendo vencido com um discurso antiausteridade, Dilma Rousseff emplacou Joaquim Levy, um “Davos Boy”, no Ministério de Fazenda, e desandou a enfiar a tesoura em parcos direitos acumulados pela classe trabalhadora. Enquanto isso, o povo grego que conviveu nos últimos anos com medidas extremas de austeridade imposta pela troika (FMI, Banco Central Europeu e União Européia) e que jogaram a Grécia num precipício social e econômico sem precedentes.

Os votos ainda estão sendo contados, mas já se sabe que o partido Syriza vai assumir o poder na Grécia (Aqui!), o que deverá obrigar uma mudança de posição por parte da União Européia e do Fundo Monetário Internacional no tratamento da impagável dívida grega, a qual se suspeita já foi paga várias vezes.

De quebra, há a possibilidade de um resultado semelhante na Espanha, onde o Podemos está posicionado para produzir um resultado semelhante ao que o Syriza produziu hoje na Grécia.

E como essa rejeição dos programas de austeridade também está crescendo em outros países da Europa, é provável que ainda tenhamos outros desdobramentos em outras partes da União Européia.

Se isso realmente acontecer, quero ver como é que o neopetismo vai explicar aos trabalhadores brasileiros todas suas políticas de austeridade e cortes de direitos. No mínimo, vai ser complicado. A ver!

Ministério do mercado reitera vazio político de uma esquerda perdida e oportunista

Por PAULO PASSARINHO  


Já virou rotina. Depois de mais uma campanha eleitoral onde a candidatura do lulismo ataca a direita e denuncia banqueiros – como o mal maior a ameaçar direitos e conquistas dos trabalhadores – o ato imediato protagonizado por suas lideranças é a celebração de acordos com o mercado financeiro, para garantir o que se chama de “governabilidade”.

Em 2002, o acordo foi audacioso: a campanha vitoriosa, que levou a esperança a vencer o medo, foi buscar em Washington o armistício, anunciando na capital do Império o nome de um alto executivo do BankBoston, um de seus ex-presidentes e deputado eleito pelo PSDB, Henrique Meirelles, para o comando do Banco Central (BACEN). A esperança, portanto, ficou no passado da campanha e o temor, ou insegurança, predominou.

Em 2006, o nome do banqueiro tucano foi o primeiro a ser confirmado para continuar na equipe de Lula, já como ministro, pois Lula a ele conferiu esse privilégio, no seu primeiro mandato, elevando o status do presidente do Banco Central a essa posição, por um motivo bizarro: permitir que o cidadão obtivesse o chamado foro privilegiado do Supremo, pois Meirelles havia sido acusado pelo Ministério Público por crimes fiscais, falsidade ideológica e evasão de divisas.

Em 2010, Dilma Rousseff decidiu, finalmente, substituí-lo na montagem da sua equipe de governo. Mas, em seu lugar, ficou um dos seus diretores no BACEN e seu pupilo, Alexandre Tombini. Não sem razão – e apesar da conjuntura internacional ainda se ressentir da crise financeira de 2007/2008 – a primeira medida adotada pelo novo presidente foi dar início a um novo ciclo de elevação da taxa Selic, medida absolutamente na contramão do que se poderia imaginar como razoável para um governo que se autorrotulava como neodesenvolvimentista.

Agora, em 2014, e buscando recuperar o que se chama de credibilidade junto aos mercados, a ideia inicial foi convidar o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para o comando do Ministério da Fazenda. O convite não foi aceito. O Bradesco prepara Trabuco para ser o próximo presidente do seu Conselho de Administração, sucedendo a Lázaro Brandão e priorizando o seu valioso quadro para a sua própria instituição. Porém, o banco não deixou Dilma na mão: indicou para o posto um de seus funcionários de confiança, Joaquim Levy. Secretário Nacional do Tesouro, na gestão do primeiro mandato de Lula, e ex-integrante da equipe econômica de Pedro Malan, na gestão de FHC, o economista parece se encaixar no figurino desejado por Dilma para o posto de novo comandante da área econômica.

Considerado um economista ortodoxo, caberia a Levy dar início a um processo de ajuste fiscal, em combinação com a manutenção e ampliação do atual ciclo de elevação da taxa de juros, conforme vem sendo sinalizado pelo Banco Central. É a velha fórmula do contracionismo fiscal e arrocho monetário, como medidas para o relançamento posterior da economia, a partir desta freada de arrumação. A ideia é preservar as regras do jogo da abertura financeira e fortalecer os grupos financeiros que se beneficiam da transferência de renda embutida no processo de rearrumação das contas públicas, em prol especialmente dos credores da dívida pública.

A incógnita dessa estratégia é como enfrentar a necessidade do ajuste cambial, através da desvalorização do Real. Sob o regime de câmbio flutuante, a elevação da taxa de juros estimularia a entrada de divisas, em um momento onde novamente deveremos fechar o ano com um déficit em conta corrente em torno de US$ 80 bilhões. Contudo, é crescente a pressão de setores exportadores e industriais por uma correção da taxa cambial.

Nesse sentido, o anúncio, não confirmado, dos nomes de Kátia Abreu, para o Ministério da Agricultura, e de Armando Monteiro Neto, para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, reforça a ideia da formação de um ministério que traga para o seu interior os diferentes interesses da elite econômica dominante, que se beneficia do atual modelo econômico. Armando, senador pelo PTB de Pernambuco, já ocupou a presidência da Confederação Nacional da Indústria, e Kátia, também senadora, por Tocantins, é a presidente da Confederação Nacional da Agricultura e uma espécie de liderança maior do agronegócio. Divergências e a necessidade de ajustes que possam surgir, portanto, na implementação da estratégia em curso, deverão, a depender da vontade de Dilma, ser resolvidas no interior do próprio governo.

Surpresa?

Quem não vem gostando nem um pouco dessa arquitetura política e da estratégia econômica em formulação são os signatários de um manifesto recém lançado, subscrito por intelectuais e lideranças sociais do campo lulista. O manifesto Em Defesa do Programa Vitorioso nas Urnas tem todo o direito, a partir do papel que esses setores desempenharam na vitória de Dilma, de reivindicar e pressionar por mudanças políticas e econômicas.

Entretanto, não pelos argumentos falaciosos apresentados. Na sua abertura, por exemplo, é destacado que “a campanha presidencial confrontou dois projetos para o país no segundo turno. À direita, alinhou-se o conjunto de forças favorável à inserção subordinada do país na rede global das grandes corporações, à expansão dos latifúndios sobre a pequena propriedade, florestas e áreas indígenas e à resolução de nosso problema fiscal não com crescimento econômico e impostos sobre os ricos, mas com o mergulho na recessão para facilitar o corte de salários, gastos sociais e direitos adquiridos”.

Somente aos que se deixam levar pela marquetagem oficial ou pela irracionalidade passional que tomou conta do país, especialmente no segundo turno, pode simplificar o embate político que vivemos dessa maneira.

Quem nos últimos doze anos aprofundou a inserção subordinada do país ou a expansão dos latifúndios do agronegócio, sepultando qualquer traço de estratégia nacional séria para atenuar nossa dependência econômica e nosso subdesenvolvimento, foram os governos de plantão. Quem renunciou a qualquer pretensão mais séria de reverter o processo de desnacionalização do nosso aparato produtivo, implementar uma política industrial de substituição de importações ou reformas estruturais como a agrária, a agrícola, a tributária ou a fiscal, incluindo o rompimento da subordinação da administração da dívida pública a uma irresponsável política monetária, foram os governos presididos por Lula e Dilma.

Mesmo se levarmos em conta os ditos apoios aos dois candidatos que disputaram o segundo turno, vamos observar que a elite econômica dominante se dividiu e, sob o ponto de vista financeiro, com vantagem para a candidata à reeleição.

Portanto, reforçar a falsa ideia de dois projetos em disputa é lamentável e deseducativo. Mantém a mitificação e a impostura de caracterizar o pacto social implementado pelo lulismo, em torno do modelo dos bancos e multinacionais, como neodesenvolvimentista, capaz de distribuir renda ou sustentar uma política externa independente.

A verdade que esses setores – que se dizem de esquerda, mas prestam um vassalo apoio aos governos de plantão – não querem enfrentar é a necessidade de rompimento com o lulismo. Enquanto esse movimento não se der, manifestações de crítica ou descontentamento pontual tenderão a cair no vazio. O vazio do oportunismo e da indigência ideológica e política de uma esquerda que se perdeu.

Paulo Passarinho é economista e apresentador do programa de rádio Faixa Livre.

FONTE: http://www.correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10290%3Apassarinho281114&catid=58%3Apaulo-passarinho&Itemid=124

Porque Pezão rima com traição

Acabo de voltar do campus da UENF onde fui votar e dei de cara com material de propaganda, pouco é verdade, jogado no gramado. E o material predominante era o que vai abaixo, com uma chapa do chamado movimento “Aezão”. 

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Além de evidenciar a estratégia de sujar as áreas de votação como símbolo de fazer política, o que panfleto revela é que as juras de amor de Pezão à presidente Dilma Rousseff são tão verdadeiras quanto as promessas que fez aos servidores e estudantes da UENF que atenderia as reivindicações que embalavam a justa greve que foi realizada por mais de três contra os desmandos do (des) governo do PMDB.

E pensar que Dilma Rousseff literalmente rifou a candidatura de Lindbergh Farias em nome de sua “amizade” com Pezão.  Está ai a paga de Pezão! E eu só posso dizer: bem feito!

E eu que não tenha nada a ver com isso, votei em Luciana Genro e Tarcísio Motta!

Troféu Pepino Ambiental vai para Dilma, Marina ou Aécio?

Determinadas acusações que os candidatos favoritos da mídia corporativa trocam entre si são belos exemplos do “roto falando do esfarrapado”.  Essa semana Dilma Rousseff acusou Marina Silva de ter sido culpada pelo atraso na construção das hidrelétricas no Rio Madeira em Rondônia. Marina Silva, por seu lado, retrucou dizendo que na gestão dela os licenciamentos foram acelerados, e que ela teria feito uma limpa nas gavetas dos pedidos atrasados de licenciamento para a construção de hidrelétricas, inaugurando o que eu chamei de licenciamento ambiental “Fast Food”. 

Já Aécio Neves, que aparentemente não tinha nada a ver com a briga das duas candidatas, pode se vangloriar de ter transformado o estado de Minas Gerais num verdadeiro queijo suiço, onde abundam tantas minas e buracos com os resultados que acabamos de ver em Itabirito.

Enfim, em termos de licenciamento ambiental, esses três se igualam de tal maneira que qualquer indicação para o prêmio Pepino Ambiental será uma decisão duríssima.

As denúncias do ex-diretor da Petrobras e a indignação seletiva da Revista Veja

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Mais um escândalo está sendo propalado pela Revista Veja para tentar impedir a manutenção do PT no governo federal. E para isto, a Revista Veja usa supostas denúncias do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, para atingir Dilma Rousseff, candidata do PT. Se alguém me perguntar se eu acho possível que um novo caso de corrupção sistêmica tenha acontecido no mesmo período em que altos dirigentes eram enviados para a prisão, a resposta seria um retumbante sim. É que para mim, a corrupção é algo tão sistêmico que a prisão dessa ou daquela figura não vai parar as engrenagens que movem a máquina corruptora no Brasil. E mais, como os corruptores continuam intocados, não há como cair na esparrela de que prisões pontuais vão resolver um problema que começou quando os colonizadores portugueses chegaram por aqui.

E mais, o mensageiros neste caso é para lá de duvidoso. A Revista Veja faz tempo deixou de ser um veículo de imprensa. Tanto isto é verdade que o número de leitores vem caindo após ano, e hoje a Revista Veja é lido apenas por setores que precisam crer em qualquer coisa que signifique uma ameaça às mudanças, estritamente pontuais quero frisar, que o Brasil vem passando com as políticas do social neoliberalismo aplicado por Lula e Dilma Rousseff.

Além da falta de crédito da Revista Veja e da imensa maioria dos órgãos da mídia empresarial, o que me parece mais problemático nessas novas denúncias é que se está ventilando o conteúdo de depoimentos que deveria ser sigilosos. Das duas uma, ou a Polícia Federal está ilegalmente passando informações para a Revista Veja, ou a revista da família Civita está fazendo um juntadão de denúncias para tentar ajudar a desesperada candidatura de Aécio Neves. 

Eu tendo a achar que por mais que a Revista Veja e outros órgãos pró-Aécio tentem, essas denúncias não vão mudar o colapso da candidatura tucana. É que se fosse depender apenas de denúncias sobre casos de corrupção, Geraldo Alckmin não estaria liderando as pesquisas em São Paulo, e nós não teríamos Anthony Garotinho e Luiz Fernando desfrutando da preferência do eleitorado fluminense. É triste dizer, mas as opções dos eleitores nem sempre refletem imediatamente a indignação que eventualmente apareça dentro da população acerca de práticas não-republicanas por parte dos (des) governantes.

Por fim, é preciso dizer que Paulo Roberto Costa vai ter que aparecer com documentos que comprovem suas denúncias nos depoimentos. Do contrário, além de não ganhar as benesses da delação premiada, ele vai acabar ganhando um monte de processos por calúnia e difamação. A ver!