Novo manual de riscos rompe com a ideia de que desastres são fatalidades da natureza

Produzido por especialistas reunidos pelo Ministério das Cidades, novo manual coloca desigualdade urbana, vulnerabilidade social e crise climática no centro da compreensão dos riscos que atingem as cidades brasileiras

Uma publicação lançada em 2026 pelo Ministério das Cidades merece muito mais atenção do que provavelmente receberá. O livro Mapeamento de Riscos: Conceitos e métodos aplicados a processos geológicos e hidrológicos, coordenado por Leonardo Andrade de Souza e Rodolfo Baêsso Moura, da Secretaria Nacional de Periferias, reúne pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo, do Serviço Geológico do Brasil e de diversas universidades brasileiras. A obra atualiza profundamente uma metodologia utilizada no Brasil desde 2007 e, mais do que apresentar novas técnicas de mapeamento, promove uma mudança conceitual importante ao rejeitar a ideia de que os desastres constituem simples fatalidades provocadas pela natureza.

Os autores resumem essa mudança por meio de uma formulação direta: Risco = Ameaça × Exposição × Vulnerabilidade. Uma chuva intensa, uma encosta instável ou um rio que transborda representam ameaças, mas a transformação desses fenômenos em desastre também depende de quem ocupa esses territórios e das condições sociais, econômicas, habitacionais e institucionais dessas populações. O manual ressalta que um mesmo fenômeno físico produz riscos muito diferentes em territórios com condições socioeconômicas distintas, porque desigualdade social, capacidade de resposta e investimento público interferem diretamente na produção do risco.

Essa formulação aparentemente técnica possui uma enorme consequência política, pois o manual reconhece que o risco resulta de escolhas sobre onde e como as cidades se expandem, das desigualdades sociais e das assimetrias nos investimentos públicos. Reduzir riscos, portanto, não significa apenas construir muros de contenção ou outras obras de engenharia; significa também reduzir a exposição das populações, melhorar as habitações, criar sistemas de alerta e fortalecer a organização comunitária.

Quando o mapa de risco virou instrumento de expulsão

Talvez o aspecto politicamente mais importante da nova publicação apareça na autocrítica feita à metodologia anterior. No prefácio, Celso Santos Carvalho, responsável pelo programa de gestão de riscos e prevenção de desastres do Ministério das Cidades entre 2003 e 2014, explica que a experiência acumulada desde a publicação do manual de 2007 revelou problemas importantes. Mapeamentos elaborados originalmente para subsidiar o planejamento chegaram a orientar intervenções físicas que exigiriam estudos muito mais detalhados, inclusive análises casa a casa; em algumas situações, setores classificados como de risco alto ou muito alto também acabaram associados diretamente à remoção de todos os moradores.

Essa distorção contrariou o objetivo original da política pública, porque uma metodologia criada para melhorar as condições de vida das populações mais pobres acabou servindo, em alguns casos, para justificar a expulsão de moradores das periferias. O problema se torna ainda mais grave em um país no qual a estrutura fundiária e o mercado imobiliário empurraram historicamente a população pobre para encostas, várzeas, margens de rios e outros espaços pouco valorizados pela urbanização formal.

O novo manual associa explicitamente essa vulnerabilidade ao processo histórico de urbanização excludente brasileiro e menciona a Lei de Terras de 1850 e aquilo que Ermínia Maricato chamou de “nó da terra” para explicar a formação de cidades profundamente desiguais. Nessa perspectiva, a ocupação de áreas frágeis não decorre simplesmente de escolhas equivocadas dos moradores; decorre de um processo histórico que restringiu o acesso à terra urbanizada, à infraestrutura e à moradia adequada para parcelas expressivas da população.

A crise climática muda a escala do problema

A crise climática amplia ainda mais a importância dessa mudança de abordagem. Os formuladores do manual registram que diversos processos físicos vêm aumentando em frequência e magnitude e citam, entre outros exemplos, grandes inundações no Rio Grande do Sul, na Amazônia e no Nordeste, enxurradas, erosão marítima, deslizamentos e corridas de massa no Sudeste.

A atualização, por isso, vai muito além de uma modernização cartográfica. O manual incorpora imagens de alta resolução, drones, informações georreferenciadas e modelagens computacionais ao mesmo tempo que reconhece que as condições ambientais nas quais as cidades brasileiras se expandiram estão mudando. A obra aborda inundações, alagamentos e enxurradas; erosões continentais, costeiras e fluviomarinhas; rastejos, deslizamentos, quedas e rolamentos de blocos; corridas de detritos; subsidências e colapsos. Esse conjunto procura oferecer diagnósticos detalhados capazes de orientar políticas de prevenção, mitigação e adaptação.

Essa mudança ganha ainda mais relevância quando observamos a escala territorial do problema. O Serviço Geológico do Brasil já havia mapeado quase 2 mil municípios até 2026, o que mostra que o país acumulou uma base significativa de conhecimento sobre áreas sujeitas a diferentes tipos de risco. A reportagem da Agência Brasil acrescenta que quase 9 milhões de brasileiros vivem em municípios suscetíveis a deslizamentos, inundações, enxurradas e alagamentos, número que revela o tamanho do desafio colocado diante das políticas urbanas e climáticas brasileiras.

Moradores passam a participar da construção do diagnóstico

Outro avanço importante surge no reconhecimento do conhecimento produzido pelos próprios moradores. A nova metodologia procura combinar conhecimento técnico-científico com conhecimento local, popular e tradicional, evitando que o diagnóstico dependa exclusivamente de especialistas que chegam às comunidades, realizam medições e deixam o território sem incorporar a experiência acumulada por quem vive ali.

Os Planos Municipais de Redução de Riscos passaram a incentivar processos participativos nos diagnósticos e na governança das ações, enquanto os Planos Comunitários de Redução de Riscos e Adaptação Climática procuram ampliar o protagonismo de moradores de favelas e comunidades urbanas na identificação dos riscos, nos procedimentos de emergência e na definição de medidas de adaptação.

Essa participação possui enorme valor prático, porque moradores antigos frequentemente sabem onde a água chegava décadas atrás, onde uma encosta começou a apresentar rachaduras, onde uma nascente desapareceu ou onde uma rua passou a inundar depois de determinada obra. O novo manual não apresenta essa memória territorial como substituta do conhecimento científico; ele a incorpora como complemento indispensável ao trabalho de campo e ao planejamento territorial.

Saber onde está o risco aumenta a responsabilidade dos governos

A legislação brasileira já determina que os municípios conheçam os perigos presentes em seus territórios por meio de cartas de suscetibilidade, cartas de aptidão à urbanização e cartas de setorização de risco. O manual também reconhece, porém, que muitos municípios enfrentam limitações econômicas, técnicas e administrativas, razão pela qual a prevenção depende de articulação entre governos municipais, estaduais e federal.

Essa constatação impede que a política de prevenção se limite à produção de mapas. Os governos precisam transformar o diagnóstico em obras de drenagem, contenção de encostas, melhoria das habitações, sistemas de alerta, planejamento urbano, Soluções Baseadas na Natureza e outras medidas capazes de reduzir exposição e vulnerabilidade. O manual defende, nesse sentido, uma engenharia preventiva integrada às geociências e orientada pela preservação da vida.

Quanto mais detalhado se torna o conhecimento sobre os territórios ameaçados, menor fica o espaço para que governantes aleguem surpresa depois de uma tragédia. Uma chuva excepcional pode constituir um fenômeno natural; uma enchente pode decorrer de processos hidrológicos e um deslizamento pode resultar de processos geomorfológicos conhecidos, mas mortes ocorridas em locais onde o risco já havia sido identificado não podem continuar aparecendo apenas como consequência da “força da natureza”.

O trabalho coordenado por Leonardo Andrade de Souza e Rodolfo Baêsso Moura possui justamente esse mérito político e científico ao transformar o mapa de risco em uma ferramenta capaz de mostrar quem está ameaçado, por que essa população se encontra ameaçada e quais ações o Estado pode adotar antes que um evento extremo produza uma tragédia. Em um Brasil marcado simultaneamente pela urbanização desigual e pela intensificação da crise climática, essa mudança de perspectiva assume importância decisiva, pois, depois que o risco foi identificado, mapeado e comunicado, a ausência de prevenção já não pode ser facilmente atribuída ao desconhecimento; quando uma tragédia anunciada finalmente acontece, a falta de preparação passa a revelar uma falha concreta de prevenção.

Livro sobre exposição humana a agrotóxicos é semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico

Por Karen Moraes para o “Portal da Faculdade de Ciêncas Médicas”

A obra Exposição humana a agrotóxicos: problema de saúde coletiva e atuação do SUS, de autoria de Herling Gregorio Aguilar Alonzo, professor do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, foi indicada como semifinalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2026. O título concorre na categoria Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social.

A indicação foi anunciada em 15 de julho pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Publicado pela Pontes Editores em 2025, o livro está disponível em versão impressa e também como e-book gratuito. Os cinco finalistas serão divulgados em 27 de julho, durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), com anúncio simultâneo no site oficial do prêmio. A cerimônia de premiação ocorrerá em 11 de agosto.

Lançada em 2025 durante o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, o Simpósio Internacional de Pesquisa em Enfermagem e um evento na Associação de Docentes da Unicamp (ADunicamp), a publicação reúne resultados de pesquisas, atividades de ensino e ações de extensão desenvolvidas pelo autor. “Os capítulos foram pensados para compor uma obra didática, mas também com nível técnico, voltada a profissionais da saúde e estudantes de graduação e pós-graduação”, afirmou Alonzo.

Exemplares empilhados do livro "Exposição Humana a Agrotóxicos: Problema de Saúde Coletiva e Atuação do SUS", de Herling Gregorio Aguilar Alonzo, expostos sobre uma mesa.Exemplar impresso de obra indicada ao Jabuti Acadêmico

No capítulo central, Alonzo desenvolve a principal tese do livro: a de que o contato com essas substâncias deve ser compreendido como um problema de saúde coletiva. Segundo o autor, o crescimento do número de formulações e produtos comerciais disponíveis no mercado amplia os riscos para a população. “Quanto maior a utilização, aumentam a exposição, os danos ambientais, a presença de resíduos e o acesso da população a esses agrotóxicos, que também são usados em tentativas de suicídio.”

Alonzo explica que os impactos à saúde podem ser imediatos ou surgir anos após o contato com essas substâncias. “Há efeitos agudos e crônicos. Algumas pessoas adoecem, sofrem intoxicações e podem morrer. Outras, em decorrência da exposição prolongada aos resíduos, desenvolvem danos em diferentes órgãos e sistemas, como o nervoso (central e periférico), respiratório, cardiovascular, gastrointestinal, imunológico e endócrino, além do fígado, dos rins, da pele, das mucosas e de diversos tipos de câncer.”

Também podem ocorrer danos à saúde reprodutiva, como abortos, alterações na qualidade dos óvulos e do sêmen, malformações congênitas e baixo peso ao nascer. Em crianças e adolescentes, o pesquisador relaciona o contato com as substâncias a prejuízos cognitivos e de aprendizagem, além do aumento do risco de alguns tipos de câncer infantil, especialmente tumores cerebrais e leucemias, associados tanto à exposição dos pais quanto dos próprios filhos.

Um homem de barba e camisa listrada gesticula enquanto conversa com uma mulher de blazer vermelho e broche contra agrotóxicos, cercados por outras pessoas em uma feira ou evento.Lançamento do livro no Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Brasília

A disponibilização gratuita do e-book, segundo Alonzo, busca ampliar o acesso de estudantes e profissionais de saúde a um material didático ainda escasso sobre o tema. “A literatura disponível hoje sobre intoxicações é voltada principalmente para situações agudas e de pronto-socorro. O livro propõe uma abordagem diferente, com estratégias direcionadas aos profissionais da atenção primária.”

A estrutura da obra acompanha uma sequência didática. Os primeiros capítulos apresentam conceitos básicos e a classificação dos agrotóxicos; na sequência, são abordadas formas de identificar pessoas expostas na rotina dos serviços de saúde; por fim, o livro reúne orientações para a investigação clínica e o manejo desses casos.

“No primeiro capítulo, o livro explica de forma simples como os agrotóxicos são classificados e agrupados. Mais adiante, apresenta estratégias para que os profissionais de saúde identifiquem pessoas expostas na rotina das unidades. O último capítulo mostra como realizar a história clínica e a anamnese, além de abordar o diagnóstico, as orientações e as condutas para esses pacientes.”

Homem de camisa listrada e barba grisalha discursa com microfone ao lado de uma projeção do livro "Exposição Humana a Agrotóxicos", de Herling Gregorio Aguilar Alonzo, com QR codes para acesso.

Herling Alonzo apresenta livro em sessão

 

Para Alonzo, a principal contribuição da publicação é oferecer um material voltado especificamente aos profissionais da atenção primária e aos estudantes da área da saúde, preenchendo uma lacuna na formação sobre os impactos da exposição aos agrotóxicos e o atendimento às pessoas expostas.

O autor e o prêmio

Formado em Medicina e Cirurgia pela Universidad Nacional Autónoma de Honduras, Alonzo fez pós-graduações em Toxicologia Clínica e Ambiental no Uruguai e em Saúde Ocupacional em Israel, antes de consolidar, no Brasil, sua carreira acadêmica na área de Saúde Coletiva.

Criado em 2024 com apoio da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da SBPC, e com participação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) a partir deste ano, o Prêmio Jabuti Acadêmico é uma iniciativa da CBL para reconhecer livros acadêmicos, científicos, técnicos, profissionais e didáticos nacionais. 


Fonte: Portal da Faculdade de Ciências Médicas

Novo estudo avança conhecimento da ciência ao relacionar a exposição a agrotóxicos ao câncer

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Por Carey Gillam para “The New Lede”

Um novo estudo sobre a exposição a agrotóxicos no Peru revela uma associação mecânica entre a exposição e o câncer, e demonstra como “misturas complexas de agrotóxicos” podem contribuir para o desenvolvimento de câncer em pessoas, mesmo em níveis de exposição atualmente considerados seguros.

Os autores do estudo, publicado na Nature Health , afirmaram que as descobertas questionam as abordagens toxicológicas clássicas, baseadas na avaliação de substâncias isoladas e no estabelecimento de limites de segurança, e demonstram a importância de se analisar os impactos de misturas de múltiplos agrotóxicos.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) e outras agências reguladoras ao redor do mundo normalmente avaliam os agrotóxicos individualmente e não em combinação, uma prática que tem sido alvo de críticas.

“Há muito tempo presumimos que os riscos dos pesticidas são avaliados individualmente, mas, na realidade, as pessoas estão constantemente expostas a misturas complexas em seu ambiente cotidiano — e nossas descobertas sugerem que essa realidade negligenciada pode ser um componente importante do risco de câncer”, disse o coautor do estudo, Stephane Bertani, diretor de pesquisa em biologia molecular do Instituto Francês de Pesquisa Científica Internacional (IRD).

Além do IRD, a equipe de pesquisa incluiu cientistas do Instituto Pasteur e do Instituto Nacional de Doenças Neoplásicas (INEN).

A equipe afirmou que seu estudo é o primeiro a destacar os mecanismos biológicos pelos quais a exposição a agrotóxicos pode contribuir para o desenvolvimento de certos tipos de câncer.

Os pesquisadores se concentraram no Peru, combinando dados ambientais com informações sobre mais de 150.000 pessoas diagnosticadas com câncer entre 2007 e 2020, contidas em registros nacionais de câncer, e análises biológicas.

O estudo envolveu o mapeamento das áreas do Peru mais expostas à contaminação por agrotóxicos entre 2014 e 2019. Os autores afirmaram ter descoberto que certos tumores, mesmo aqueles que afetam diferentes órgãos, compartilham vulnerabilidades biológicas comuns ligadas à sua origem celular, que podem ser enfraquecidas pela exposição a agrotóxicos.

“Análises moleculares realizadas em tecido hepático, um órgão fundamental no processamento de substâncias químicas e considerado um indicador de exposição ambiental, mostram que os agrotóxicos interferem nos mecanismos que mantêm a identidade celular e o funcionamento normal”, afirma um comunicado de imprensa que acompanha o novo estudo.

“Essas alterações biológicas surgem antes do desenvolvimento do câncer, sugerindo efeitos precoces, cumulativos e silenciosos. Elas podem tornar os tecidos mais vulneráveis ​​a outros fatores, como infecções, inflamações ou fatores ambientais”, afirma o comunicado à imprensa.

Bruce Lanphear, professor de ciências da saúde na Universidade Simon Fraser, afirmou que o estudo representa um passo na “direção certa” em termos de análise de misturas de agrotóxicos, exposições no mundo real e plausibilidade biológica, mas “não chega a demonstrar que os agrotóxicos são a causa dos padrões de câncer observados”.

“O próximo passo é simples, embora não seja fácil: medir a que as pessoas estão realmente expostas e acompanhá-las ao longo do tempo”, disse Lanphear. “Isso significa combinar o biomonitoramento com estudos de coorte ou de caso-controle, levando em consideração outros fatores de risco importantes e relacionando as exposições individuais a alterações biológicas precoces e doenças.”

O estudo incluiu informações sobre a exposição a 31 agrotóxicos diferentes, incluindo atrazina, glifosato e 2,4-D – todos herbicidas de uso comum; bem como clorpirifós, imidaclopride e permetrina – inseticidas de uso comum. Ao todo, 19 inseticidas, 7 fungicidas e 5 herbicidas fizeram parte do estudo. Nenhum deles é atualmente classificado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer como carcinogênico, embora vários sejam classificados como provavelmente ou possivelmente carcinogênicos.

Nos Estados Unidos, dezenas de milhares de pessoas processaram a Monsanto, fabricante do glifosato, e sua proprietária, a Bayer, alegando que a exposição a produtos à base de glifosato causou o desenvolvimento de câncer. A Suprema Corte dos EUA deve analisar, no final de abril, um recurso da Bayer no qual a empresa argumenta que não deve ser responsabilizada por não alertar sobre os riscos de câncer, caso a Agência de Proteção Ambiental (EPA) não tenha exigido tais advertências.

Análises realizadas por dois grupos de saúde pública sem fins lucrativos constataram, no entanto, que a EPA tem um histórico de não exigir avisos sobre o risco de câncer em agrotóxicos, mesmo quando a própria agência determina que os ingredientes de um produto são cancerígenos.

Imagem em destaque por Dibakar Roy  no  Unsplash.


Fonte: The New Lede

Estudo revela exposição dupla e prolongada de pescadores ao petróleo no litoral de Pernambuco

 

 

derramamento petróleo Nordeste

Comunidades pesqueiras participaram diretamente das ações de limpeza de praias, manguezais, rios e arrecifes, muitas vezes sem equipamentos de proteção adequados

Bori - Soluções para um conhecimento cieníftico acessível 

Um estudo realizado pelo Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz Pernambuco) e pela UFBA (Universidade Federal da Bahia) revela que pescadores artesanais sofreram uma exposição dupla e contínua ao petróleo após o derramamento que atingiu o litoral do Nordeste em 2019. As comunidades não tiveram contato com o óleo apenas durante a atividade pesqueira, mas também ao participar diretamente das ações de limpeza de praias, manguezais, rios e arrecifes, muitas vezes sem equipamentos de proteção adequados. Essa combinação de exposições amplia significativamente os riscos à saúde e pode gerar impactos que somente se manifestam muitos anos após o desastre.

Publicado na revista Cadernos de Saúde Pública na segunda (20), o trabalho adotou um desenho epidemiológico transversal e entrevistou 1.259 pescadores artesanais registrados em 27 colônias e associações do litoral de Pernambuco. Mais de 95% dos participantes tinham a pesca como principal atividade produtiva e estavam em pleno exercício da profissão durante o derramamento. Entre os sintomas relatados nos meses seguintes ao desastre, destacaram-se dor de cabeça, enxaqueca e ardência nos olhos, sinais compatíveis com a exposição a compostos tóxicos presentes no petróleo.

O litoral norte de Pernambuco teve a maior porcentagem de pessoas com alta exposição ao petróleo – 17,1% ante 15,4% o total da amostra –, sendo este grupo formado majoritariamente por mulheres.
“O grande diferencial do estudo é mostrar que o desastre não foi um evento pontual. Ele se incorporou ao cotidiano dessas populações, que dependem diretamente do ambiente contaminado para sobreviver. Isso gera uma exposição prolongada, associada ao modo de vida dessas comunidades”, explica José Erivaldo Gonçalves, doutor em Saúde Pública pela Fiocruz Pernambuco e coordenador de campo da pesquisa.

Mesmo anos após o derramamento, os pesquisadores alertam que ainda há motivos para preocupação com a saúde dessas comunidades. Substâncias presentes no petróleo, como benzeno, tolueno e xileno, podem provocar efeitos agudos, subagudos e crônicos. O benzeno, por exemplo, é classificado internacionalmente como carcinogênico, independentemente da dose, e está associado ao desenvolvimento de cânceres e alterações hematológicas que podem surgir entre 20 e 30 anos após a exposição. “Os efeitos da exposição ao petróleo não desaparecem com o tempo. Em muitos casos, eles somente se manifestam décadas depois. Por isso, é fundamental acompanhar essas populações ao longo dos anos”, alerta o pesquisador.

Estudos internacionais sobre grandes derramamentos, como o ocorrido no Golfo do México, indicam maior incidência de doenças respiratórias, cardiovasculares, sofrimento psíquico, como ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático, além de complicações gestacionais. Para os autores, os resultados reforçam a necessidade de um monitoramento contínuo da saúde dos pescadores e pescadoras artesanais expostos ao petróleo no Brasil.

A pesquisa pode contribuir diretamente para a formulação de políticas públicas de saúde, trabalho e meio ambiente, ao identificar grupos mais vulneráveis e fornecer uma base científica para ações de vigilância em saúde do trabalhador e da população exposta a desastres ambientais. A classificação dos níveis de exposição também pode orientar estratégias de prevenção, cuidado e acompanhamento clínico, especialmente no Sistema Único de Saúde (SUS).

Entre os próximos passos do projeto estão a realização de estudos que buscam associar os níveis de exposição aos sintomas respiratórios, neurológicos e a outros agravos à saúde, além da implantação de uma rede de monitoramento de biomarcadores.

O levantamento integra o projeto “Desastre do petróleo e saúde do povo das águas”, coordenado pelas pesquisadoras Idê Gurgel e Mariana Olívia, da Fiocruz Pernambuco. A pesquisa foi construída em parceria com movimentos sociais e organizações comunitárias para garantir uma abordagem participativa e conectada à realidade dos territórios afetados. O estudo contou com o financiamento do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (Facepe) e do Programa Fiocruz de Fomento à Inovação – Inova Fiocruz.


Fonte: Agência Bori

‘Eu estava contaminado’: estudo revela o quão difícil é evitar a exposição a agrotóxicos

Pulseiras de silicone usadas por voluntários na Holanda capturaram 173 substâncias em uma semana

O estudo descobriu que os agrotóxicosda pulverização de plantações podem acabar longe das áreas agrícolas. Fotografia: Dewald Kirsten/Shutterstock

Por Ajit Niranjan, correspondente ambiental da Europa, para o “The Guardian” 

Durante décadas, Khoji Wesselius notou o cheiro oleoso de agrotóxicos durante os períodos de pulverização, quando o vento soprava em sua pequena vila agrícola em um canto rural da Holanda.

Agora, depois de se voluntariar em um experimento para contar a quantas dessas substâncias as pessoas são submetidas, Wesselius e sua esposa estão um passo mais perto de entender as consequências de viver em campos de batata-semente, beterraba, trigo, centeio e cebola pulverizados com produtos químicos.

“Ficamos chocados”, disse Wesselius, um funcionário aposentado do governo provincial, que foi exposto a oito agrotóxicos diferentes através da pele, com ainda mais produtos químicos encontrados em exames de sangue, urina e fezes. “Fui contaminado por 11 tipos de agrotóxicos. Minha esposa, que é mais rigorosa com sua alimentação orgânica, tomou sete tipos de agrotóxicos.”

Os órgãos reguladores monitoram de perto a ingestão alimentar de pesticidas para decidir se eles são seguros o suficiente para o mercado, mas pouca atenção tem sido dada aos efeitos da inalação ou absorção pela pele. De acordo com um novo estudo , mesmo pessoas que vivem longe de fazendas estão expostas a diversos tipos de pesticidas de fontes não alimentares – incluindo substâncias proibidas.

“O mais surpreendente é que não podemos evitar a exposição a agrotóxicos: eles estão em nosso ambiente direto e nosso estudo indica contato direto”, disse Paul Scheepers, epidemiologista molecular da Universidade Radboud e coautor do estudo. “A verdadeira questão é quanto é absorvido [pelo corpo], e isso não é tão fácil de responder.”

Os pesquisadores fizeram com que 641 participantes em 10 países europeus usassem pulseiras de silicone continuamente por uma semana para registrar a exposição externa a 193 agrotóxicos. Em testes de laboratório, eles detectaram 173 das substâncias testadas, com agrotóxicos encontrados em todas as pulseiras e uma média de 20 substâncias para cada participante.

Agricultores não orgânicos apresentaram o maior número de agrotóxicos em suas pulseiras, com uma mediana de 36, seguidos por agricultores orgânicos e pessoas que moram perto de fazendas, como Wesselius e sua esposa. Consumidores que moram longe de fazendas apresentaram o menor número, com uma mediana de 17 agrotóxicos.

“Eu me perguntei se valia a pena saber de tudo isso”, disse Wesselius, que conta que alguns prestadores de serviços para os agricultores perto de sua aldeia parecem não levar em consideração a direção do vento ao aplicar agrotóxicoscomo glifosato e neonicotinoides. “Isso fica na minha cabeça. Toda vez que vejo um trator [com um sistema de pulverização], tenho uma sensação estranha de que estou sendo envenenado.”

Os agrotóxicos ajudaram o mundo a produzir mais alimentos em menos espaço – poluindo as regiões onde são pulverizados e reduzindo a área de terra que precisa ser explorada para produção de alimentos –, mas têm preocupado médicos que apontam para um crescente conjunto de evidências que os associam a doenças. A UE descartou uma meta proposta no ano passado para reduzir pela metade o uso e o risco de pesticidas até 2030, após pressão de lobbies agrícolas e de alguns Estados-membros, que argumentaram que os cortes eram muito profundos.

Bartosz Wielgomas, chefe do departamento de toxicologia da Universidade Médica de Gdansk, que não participou do estudo, disse que os resultados foram de “grande valor”, mas podem até subestimar a exposição a agrotóxicos. As pulseiras de silicone não absorvem todas as substâncias na mesma proporção, disse ele, e os pesquisadores testaram menos da metade dos agrotóxicos aprovados na UE.

“As conclusões deste estudo são altamente significativas: os agrotóxicos são onipresentes, não apenas em áreas agrícolas, mas também em ambientes distantes dos campos de cultivo”, disse ele.

Os pesquisadores descobriram que os participantes do estudo também foram expostos a agrotóxicos que foram retirados do mercado, com produtos de decomposição do DDT (diclorodifeniltricloroetano), proibido há décadas por questões de saúde, comumente encontrados nas pulseiras. Eles também detectaram alguns inseticidas proibidos, como dieldrin e propoxur.

Embora a presença de agrotóxicos nas pulseiras não indique efeitos diretos à saúde, os autores expressaram preocupação com a quantidade de diferentes tipos. Pesquisadores sugeriram que algumas misturas de diferentes produtos químicos amplificam seus efeitos no corpo humano além do que estudos de exposição isolada constataram.

Wesselius, cujos resultados o motivaram a consumir mais alimentos orgânicos, disse: “Não é algo agradável de se saber. Mas é ainda pior continuar com essa prática.”


Fonte: The Guardian

Agrotóxicos no seu prato – Novo estudo alerta para a necessidade de compreender melhor os efeitos na saúde

Por Carey Gillam para o “The New Lede” 

Comer muitas frutas e vegetais é recomendado como essencial para uma dieta saudável, mas novas pesquisas ressaltam que o consumo de alimentos favoritos da família, como morangos, pêssegos, espinafre e couve, geralmente vem acompanhado de resíduos de agrotóxicos que podem prejudicar sua saúde.

Usando conjuntos de dados gerados por pesquisadores do governo dos EUA, uma equipe que inclui cientistas do Environmental Working Group (EWG) e da Brown University School of Public Health disse no estudo divulgado na quarta-feira que eles descobriram que os alimentos que tinham as maiores cargas de agrotóxicos incluíam espinafre, couve, morangos, batatas, nectarinas, pêssegos, maçãs e passas.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirmam que frutas e vegetais “fornecem vitaminas e minerais essenciais, fibras e outras substâncias importantes para uma boa saúde”.

“Comer frutas e vegetais como parte de um plano alimentar saudável pode reduzir o risco de alguns tipos de câncer e doenças crônicas”, afirma a agência em seu site .

Mas o novo estudo, publicado no International Journal of Hygiene and Environmental Health, analisou a relação entre o consumo de alimentos contaminados com agrotóxicos e os níveis de resíduos presentes na urina humana. O estudo alerta que o consumo de certos alimentos contaminados com agrotóxicos leva a níveis mais elevados de resíduos encontrados no soro humano. O estudo afirma que é necessário um melhor monitoramento dos potenciais impactos da exposição a agrotóxicos sobre a saúde.

“As descobertas reforçam que o que comemos afeta diretamente o nível de agrotóxicos em nossos corpos”,   disse Alexis Temkin, Ph.D. , vice-presidente de ciência do EWG e principal autor do estudo, em um comunicado à imprensa. “Comer vegetais é essencial para uma dieta saudável, mas também pode aumentar a exposição a agrotóxicos.”

O estudo cita pesquisas que relacionam a exposição a agrotóxicos a uma série de problemas de saúde, incluindo aumento do risco de câncer, resultados adversos no parto, danos neurológicos, toxicidade respiratória, toxicidade reprodutiva e função hormonal prejudicada.

“O biomonitoramento de  agrotóxicos é essencial para a proteção da saúde pública”, afirma o estudo. “O desenvolvimento de métodos analíticos para medir a exposição interna a uma gama mais ampla de agrotóxicos também ajudaria a compreender os efeitos na saúde associados a essas exposições.”

Os pesquisadores disseram que criaram um “índice de carga de agrotóxicos” para classificar produtos com base em dados nacionais de testes de resíduos coletados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), principalmente entre 2013 e 2018 para 44 tipos de produtos.

As pontuações de exposição alimentar a pesticidas para 1.837 indivíduos foram então calculadas com base em informações sobre o consumo de produtos agrícolas retiradas da Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição (NHANES) de 2015-2016 do CDC. Os índices de carga de agrotóxicos foram calculados com base na detecção de 178  produtos parentais únicos, ou 42 agrotóxicos parentais com biomarcadores urinários correspondentes na NHANES.

Os pesquisadores disseram que o estudo aumenta as dúvidas sobre a abordagem da Agência de Proteção Ambiental em relação aos resíduos de agrotóxicos em alimentos, já que a agência estabelece limites para substâncias individuais, mas não leva em conta o fato de que as pessoas normalmente consomem resíduos de uma série de substâncias que contaminam produtos alimentícios.

O Dr. Philip Landrigan, pediatra e especialista em toxinas ambientais e diretor do Observatório Global de Saúde Planetária do Boston College, disse que a exposição a agrotóxicos na dieta pode ser particularmente preocupante para crianças.

“Pode ser verdade que um baixo nível de uma determinada substância química não seja motivo de preocupação para um adulto. Mas tudo se complica quando se trata de crianças e bebês ainda não nascidos no útero”, disse ele.

“O monitoramento é muito importante. Como pediatra, sempre fico irritado quando pessoas que não estudaram medicina dizem que a presença de uma substância química tóxica no corpo humano não é motivo de preocupação”, disse Landrigan.

(Foto em destaque de  Engin Akyurt  no  Unsplash.)


Fonte: The New Lede

Apertando o acelerador: Assembleia Legislativa diminui distâncias e potencializa exposição humana a agrotóxicos no Mato Grosso

Deputados aprovaram em regime de urgência o Projeto de Lei 1833/2023, uma proposta que elimina barreiras cruciais para a aplicação de agrotóxicos em pequenas propriedades rurais

Foto: Adriano Gambarini/ OPAN

Por Opan 

Em uma sessão marcada pela pressa, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) deu um passo que promete redefinir o cenário da produção agrícola e causar sérios danos à saúde pública no estado. Nesta quarta-feira (19), deputados aprovaram em regime de urgência o Projeto de Lei 1833/2023, uma proposta que elimina barreiras cruciais para a aplicação de agrotóxicos em pequenas propriedades rurais. A decisão levanta questões urgentes sobre os limites entre o desenvolvimento econômico e a proteção do meio ambiente.

A flexibilização representa uma mudança drástica em relação à legislação anterior, que estabelecia distâncias mínimas para a aplicação de agrotóxicos, e que eram consideradas insuficientes para um nível adequado de proteção à saúde da população e do meio ambiente. A proposta também estabelece novas distâncias mínimas para médias e grandes propriedades rurais. No caso de médias propriedades, a aplicação de agrotóxicos poderá ocorrer a uma distância mínima de 25 metros das áreas habitadas e fontes de água. Já para grandes propriedades a distância mínima estabelecida é de 90 metros.

Essas mudanças contrastam com o Decreto nº 2.283/2009, que estava em vigor em Mato Grosso e determinava que o uso de agrotóxicos na agricultura só poderia ocorrer a uma distância mínima de 300 metros de povoações, cidades, vilas, bairros e mananciais de captação de água para abastecimento da população.

Além disso, o decreto estabelecia distâncias mínimas de 150 metros de mananciais de água, moradias isoladas e agrupamentos de animais, e de 200 metros de nascentes, mesmo que intermitentes.

O deputado Gilberto Cattani (PL), autor do projeto de lei, justifica a proposta argumentando que a distância mínima de 300 metros estabelecida pelo decreto anterior traz prejuízos à produção agrícola, à população e à economia, devido ao alastramento descontrolado de pragas agrícolas.

No entanto, especialistas alertam para os graves riscos que a medida representa para a saúde da população, o meio ambiente, aos produtores e até para a própria produção.

“Um dos resultados que nós vimos é que existe uma necessidade de manter uma zona segura, sem a aplicação de agrotóxicos em volta das áreas de preservação permanente, as APPs. Porque os agrotóxicos por si só, eles não controlam todas as pragas da paisagem. Nós sabemos que paisagens que tiveram uma aplicação de altos índices suscetíveis, ano a ano, de agrotóxicos eles selecionaram pragas mais resistentes. Então, é fundamental que se alinhe o controle biológico natural e resguardar uma faixa segura de APPs porque nós vimos que tem animais que são fundamentais para ajudar a controlar essas pragas junto com os agrotóxicos. Então, manter essas zonas seguras é fundamental para preservar a agricultura”, explicou o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Lucas Ferrante, durante audiência realizada nesta terça-feira (18), que debateu o tema.

Foto: Adriano Gambarini/ OPAN

O médico, pesquisador e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Wanderlei Pignati, também ressaltou que a proposta é absurda, pois vai aumentar a exposição a venenos e ampliar a probabilidade da população ter doenças.

“Quanto mais perto, maior é a probabilidade de você ter intoxicação aguda, malformações, câncer. A população que mora do lado, crianças e adultos, os rios, tudo vai ser muito afetado e contaminado”, afirma.

Wanderlei Pignati é responsável por um estudo que analisou as condições de saúde de pessoas que moravam em distâncias inferiores a um quilômetro das áreas de lavouras em Mato Grosso. Por meio da pesquisa, realizada pelo Núcleo de Estudos em Ambiente, Saúde, Trabalho e Educação (Neast), do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da universidade, foi demonstrado que a proximidade de áreas agrícolas é um fator de risco significativo.

Pesquisas da UFMT e do Neast/ISC/UFMT, em parceria com a Operação Amazônia Nativa (OPAN), também demonstraram a relação entre o uso intensivo de agrotóxicos em lavouras próximas a territórios indígenas e a causa de graves problemas de saúde.

Além disso, foram encontrados agrotóxicos proibidos, como carbofurano, atrazina e carbendazim, nas lavouras. A exposição a esses produtos está associada a intoxicações agudas, doenças crônicas, como câncer e problemas neurológicos, e impactos ambientais severos.

O estudo ainda mostrou que as pessoas com residência próxima a lavouras agrícolas de milho e algodão tiveram quase duas vezes mais intoxicações agudas comparadas com as que residiam em outros locais.

Na sessão ordinária apenas três deputados, Wilson Santos (PSD), Lúdio Cabral (PT) e Valdir Barranco (PT), votaram contrários ao projeto de lei, que segue para sanção do governador Mauro Mendes (União Brasil).


Fonte: OPAN

Exposição inédita de pop art da artista espanhola Adriana Oliver começa dia 03 com entrada gratuita

Galeria Houssein Jarouche em São Paulo apresenta obras com homens e mulheres sem face que discutem relação de amor e solidão até dia 14 de setembro

oliver 1Obra de Adriana Oliver

São Paulo, julho de 2019 – A partir do sábado, 03 de agosto, a Galeria Houssein Jarouche em São Paulo receberá a mostra “All The Lonely People” da artista espanhola de pop art Adriana Oliver.

Em 2018 ela expôs individualmente na Duran Mashaal Gallery em Montreal (Canadá) com a mostra “A Night Thought“. Com outros artistas participou também da Secret Fresh Gallery em Manila (Filipinas) e na Abv Gallery em Atlanta (Estados Unidos) neste ano.

Com pinturas pautadas por questões feministas que discutem relacionamento, solidão e força, o conjunto da obra de Oliver faz referência à teoria pós-colonial e ao movimento democrático de vanguarda como forma de resistência à lógica do capitalismo selvagem que deu vida à pop art nos anos 50 mas que hoje é retomada pela artista como forma de resistência e denúncia.

“All The Lonely People” poderá ser visitada gratuitamente até o dia 14 de setembro.

oliver 2Obra “All The Lonely People”

Sobre as obras

A pintura “All the Lonely People”, que dá título à exposição, representa, segundo a artista, uma história de amor que terminou. O homem sozinho de cabeça baixa lembra do passado representado pelo retrato do casal (ao fundo). Enquanto a mulher, da pintura “Alone with Everybody“, (veja foto da obra abaixo) está pensando no futuro e olhando para a lua. As cores monocromáticas e noturnas trazem esse sentimento de reflexão e melancolia.

oliver 3Obra “Alone with Everybody” em que a personagem olha para o futuro

Sobre Adriana Oliver

Nascida em Barcelona (Espanha) em 1990, Adriana Oliver é uma artista figurativa contemporânea e trabalha principalmente com pintura. As obras originais são uma reminiscência de elementos derivados da cultura pop. As pinturas de grande escala são criadas a partir da perspectiva feminista da artista, com interesse em explorar relações de papéis específicos de gênero e estereótipos.

Com uma abordagem que parte da pop art e ressoa o pós minimalismo, diversos temas recorrentes podem ser reconhecidos como a relação com a cultura de massa e a mídia, trabalhando com a repetição e obstrução/ abstração dos rostos de seus personagens.

All The Lonely People – Adriana Oliver na Galeria Houssein Jarouche

Abertura sábado, 03 de agosto, das 10 às 17 horas

Entrada Gratuita

Local: R. Estados Unidos, 2109 – Jardim America, São Paulo (próximo ao Metrô Oscar Freire)

Horário de funcionamento: de terça à sexta -feira das 10h às 19h e aos sábados das 10h às 17h. A exposição segue até dia 14 de setembro de 2019.

Mais informações em galeriahousseinjarouche.com/

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Material de divulgação produzido pela  Agência Lema, Leandro Matulja/ Leticia Zioni

agencialema.com.br/, 

Informações para a imprensa:

Marcos Morelli (+55 11) 3871-0022, ramal 235

morelli@agencialema.com.br

Exposição “ARQUIVOS DA DITADURA”

A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e a UFRJ convidam para a Exposição “ARQUIVOS DA DITADURA”, que será realizada no Centro Cultural Justiça Federal, Av. Rio Branco, 241, Rio de Janeiro, de 5 de agosto a 21 de setembro, das 12 às 19 horas.

A exposição composta por instalações sonoras e fotografias de identificação policial de presos políticos, criada a partir do filme “Retratos de identificação” (Anita Leandro, 2014) é fruto de parceira entre a UFRJ e a Comissão de Anistia, por meio do projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia, que tem por objeto o apoio às iniciativas de memorialização produzidas pela sociedade civil e que tem como objetivo agregar à política estatal de reparação um processo de reflexão e aprendizado coletivo, fomentando ações locais, regionais e nacionais que permitam a emergência de olhares plurais sobre o passado, conectando-os às nossas responsabilidades com as mazelas do presente e com as tarefas democráticas e de democratização ainda em curso.

Há fotos de militantes da VAR-Palmares: Chael Charles Schreier, morto sob tortura nas dependências da Vila Militar/R.Janeiro, de Maria Auxiliadora Lara Barcelos (banida do país e refugiada na Alemanha, onde suicidou-se), e de Antônio Roberto Espinosa,;e depoimento de Reinaldo Guarany. Nas instalações sonoras Espinosa e Maria Auxiliadora contam como foi a tortura e morte de Chael.

arquivos ditadura

 

FONTE: http://vladimirherzog.org/exposicao-arquivos-da-ditadura/