Guardiões do Crivella: servidores públicos ou cabos eleitorais com cargos comissionados?

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A erupção do caso que está sendo chamado de “Guardiões do Crivella”  permite que se faça uma discussão muito atual sobre o uso de um exército de cabos eleitorais por diferentes administrações na famigerada rubrica conhecida  “cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS) e as Funções Gratificadas (FG)”.   

Na prática, a maioria dos ocupantes desses cargos não pertence aos quadros concursados, muitas vezes entrando via apadrinhamento político de governadores, deputados, prefeitos e vereadores. Em outras, não são servidores públicos concursados, sendo muitas vezes cabos eleitorais ou apadrinhados políticos que são colocados como DAS ou FG para cumprir outros desígnios que não os de melhorar a qualidade dos serviços prestados à população.  

Ao não fazer o devido esclarecimento sobre a natureza dos cargos ocupados pelos “Guardiões do Crivella”, deixando assim de revelar a natureza política que leva às distorções notadas na reportagem da TV Globo, ainda se coloca o ônus da culpa sobre os servidores que entraram por meio de concursos e cumprem as funções para as quais foram contratados.

De uma certa forma, a reportagem sobre os “Guardiões do Crivella” serve aos interesses do próprio prefeito Marcelo Crivella que pode, com o desgaste da imagem dos servidores públicos que este tipo de reportagem enviesada acarreta, colocar ainda mais correligionários nos cargos de DAS ou FG.

Por isso, é importante que os sindicatos que representam os servidores municipais da cidade do Rio de Janeiro saiam logo a campo para explicar que focinho de porco não é tomada. Do contrário,  essa reportagem ainda será usada para aprofundar os ataques ao funcionalismo público.