O desmatamento na Amazônia está aumentando, mas o presidente do Brasil chama os dados de “uma mentira”

para deforestationO desenvolvimento está invadindo a floresta no estado do Pará no Brasil. Cerca de 7500 quilômetros quadrados de floresta foram derrubados em todo o país em 2018. IMAGENS DE GALLO / ORBITAL HORIZON / COPERNICUS SENTINEL DATA 2018 / GETTY IMAGES

Por Herton Escobar*

O desmatamento está subindo novamente na Amazônia brasileira, de acordo com dados de monitoramento por satélite. Mas o presidente de extrema-direita do Brasil, Jair Bolsonaro, que muitos culpam pelo aumento, contestou a tendência e atacou a credibilidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que produziu os dados. Bolsonaro classificou os números como “mentirosos” durante uma conversa de café da manhã com jornalistas em 19 de julho, e sugeriu que o diretor do INPE, Ricardo Galvão, estava “a serviço de alguma organização não-governamental”. “Com toda a devastação que você nos acusa de fazer No passado, a Amazônia já se extinguiria ”, afirmou.

Seus comentários provocaram uma violenta reação da comunidade científica, que se sente cada vez mais sitiada pela administração Bolsonaro. “Os satélites não são responsáveis ​​pelo desmatamento – eles registram apenas objetivamente o que acontece”, diz um manifesto da Coalizão pela Ciência e Sociedade, um grupo recém-formado de cientistas preocupados com os acontecimentos políticos no Brasil. “Os fatos científicos prevalecerão, quer as pessoas acreditem ou não neles.” Galvão chamou de Bolsonaro um “covarde” por expressar acusações infundadas em público. “Espero que ele me chame a Brasília para explicar os dados e que ele tenha a coragem de repetir [o que disse] cara a cara”, disse Galvão em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Bolsonaro – que disse que Galvão poderia se reunir com um ministro do gabinete – já atenuou suas críticas, mas insiste que o INPE deve consultar autoridades do governo antes de divulgar dados de desmatamento no futuro porque está prejudicando a imagem do Brasil no exterior. (A política oficial do INPE é divulgar todos os seus dados.) Muitos cientistas e ambientalistas proeminentes culpam o aumento do desmatamento nas agressivas declarações e políticas de desenvolvimento de Bolsonaro, incluindo a promoção da agricultura e mineração em terras protegidas.

O INPE, um instituto de pesquisa público com sede em São José dos Campos, vem acompanhando o desmatamento na Amazônia por meio de imagens de satélite desde a década de 1970. “Esses dados há muito são usados ​​como um indicador confiável do que está acontecendo na Amazônia brasileira”, diz Bill Laurance, diretor do Centro de Ciência Ambiental e Sustentável Tropical da James Cook University, em Cairns, Austrália. Um dos sistemas de monitoramento do INPE, chamado Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER), gera um alerta toda vez que uma clareira maior que 3 hectares é detectada no dossel da floresta. Ele é projetado para funcionar como um sistema de alarme e guiar a aplicação da lei em campo, mas também gera registros aproximados de novos desmatamentos que são liberados semanalmente. Os dados mais recentes do DETER sugerem que mais de 4200 quilômetros quadrados de floresta foram cortados da Amazônia brasileira entre 1º de janeiro, quando Bolsonaro assumiu o poder, e 24 de julho. Isso é 50% mais do que nos primeiros 7 meses de 2018 e mais que o dobro da área desminada no mesmo período de 2017.

Outro sistema, o Projeto de Monitoramento de Satélite do Desflorestamento da Amazônia (PRODES), gera as taxas anuais oficiais de desmatamento do Brasil, calculadas a partir de uma seleção de fotos de alta resolução de diferentes satélites. Embora o PRODES seja mais preciso do que o DETER, os dois sistemas tendem a concordar entre si, então é provável que o próximo relatório do PRODES, esperado em dezembro, mostre um pico de desmatamento de magnitude similar, dizem os analistas.

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Declarar que os dados do INPE são uma mentira é semelhante a argumentar que a Terra é plana. Bill Laurance, James Cook University

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As taxas anuais de desmatamento diminuíram em mais de 80% entre 2004, quando o DETER entrou em operação, e em 2012, mas têm tendência de alta desde então. Cerca de 7500 quilômetros quadrados de floresta foram derrubados em 2018. Mas o pico deste ano se destaca, dizem especialistas. “Ao invés de ser uma surpresa, o resultado confirma os muitos relatos de desmatamento [atividades] no chão, e se encaixa com a expectativa do clima de impunidade que a retórica do governo promoveu”, diz Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Desmatamento. Pesquisa na Amazônia em Manaus, Brasil.

Bolsonaro é um feroz crítico das regulamentações ambientais brasileiras e agências de aplicação da lei, que ele afirma serem tendenciosas contra a agricultura e o desenvolvimento econômico. Ele transferiu o controle sobre as terras indígenas para o Ministério da Agricultura e prometeu rever os limites dos parques nacionais e de outras áreas protegidas que, segundo ele, estão retardando o progresso no Brasil.

Outros cientistas defendem os números do INPE. “Declarar os dados do INPE é uma mentira que alega que a Terra é plana”, diz Laurance. “Eu sempre fui impressionado com a habilidade técnica dos cientistas do INPE e aplaudi-los por seus esforços pioneiros para fornecer estimativas anuais de desmatamento”, diz Douglas Morton, chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas no Goddard Space Flight Center da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. e professor adjunto da Universidade de Maryland em College Park.

O INPE recebeu muito menos apoio do ministro da Ciência e Tecnologia do Brasil, o ex-astronauta da NASA e engenheiro aeroespacial Marcos Pontes, cujo departamento supervisiona o instituto. Em uma declaração de 22 de julho, Pontes, um membro do partido de Bolsonaro, disse que considera o INPE “em alta consideração”, mas aceitou as preocupações de Bolsonaro ao condenar o contra-ataque de Galvão. Pontes disse que pediu um “relatório técnico completo” do INPE sobre os últimos 24 meses de dados de desmatamento e disse que seu ministério havia convidado Galvão para “esclarecimentos e orientações”. Ele também disse que concorda que o INPE não divulgue seus dados tão cedo. como eles estão prontos.

“É claro que ninguém esperava [Pontes] entrar em choque com o presidente”, diz Mercedes Bustamante, ecologista da Universidade de Brasília e co-fundadora da Coalizão para Ciência e Sociedade, “mas o tom de sua declaração foi decepcionante”.

*Herton Escobar é jornalista especializado em ciência e meio ambiente em São Paulo.

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Este artigo foi originalmente publicado em inglês pela revista científica “Science” [Aqui!].

No Brasil, ‘idiotas úteis’ protestam contra cortes nas verbas da pesquisa e da educação

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Por Herton Escobar para a revista Science

Milhares de cientistas, educadores e estudantes lotaram as ruas do Brasil nesta semana para protestar contra cortes no financiamento da educação e da pesquisa. Marchas ocorreram na última quarta-feira em todas as capitais do país e em mais de 200 outras cidades, segundo relatos da mídia. Várias universidades públicas, e até mesmo algumas instituições privadas não diretamente afetadas pelos cortes orçamentários, cancelaram as aulas para permitir que funcionários e estudantes participassem das manifestações.

“Eu nunca tinha visto nada dessa magnitude”, diz Fabricio Santos, professor de genética e evolução da Universidade Federal de Minas Gerais, que se juntou a um protesto na cidade de Belo Horizonte. “Foi uma lição de democracia e descontentamento”.

Embora não haja contagem oficial, os organizadores estimaram que as marchas atraíram centenas de milhares de pessoas em grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As manifestações foram originalmente convocadas por sindicatos, que estão protestando contra mudanças na previdência social e pensão do Brasil. sistemas propostos pela administração do Presidente Jair Bolsonaro.

Em um esforço para enfrentar as lutas econômicas, Bolsonaro anunciou recentemente uma série de medidas de contenção fiscal, incluindo a retenção de 42% do orçamento de investimento do Ministério da Ciência e Tecnologia e cerca de 25% do financiamento do Ministério da Educação para as universidades federais. As autoridades também congelaram mais de 3.000 bolsas de estudo destinadas a apoiar pesquisas de pós-graduação.  O governo federal sinalizou que liberará esses fundos se a legislatura do Brasil aprovar as mudanças nos programas sociais, o que, segundo autoridades do governo Bolsonaro, é fundamental para colocar as finanças do país em ordem.

Embora os governos anteriores tenham tomado medidas semelhantes, o clamor desta vez foi alimentado por uma série de políticas controversas avançadas por Bolsonaro, bem como por comentários inflamatórios que ele e seus nomeados fizeram. Ontem, por exemplo, Bolsonaro disse a repórteres que os manifestantes eram “idiotas úteis” e “imbecis” que estavam sendo manipulados por uma “minoria smarthead” que controla as universidades federais. E o ministro da educação Abraham Weintraub provocou controvérsia ao ameaçar reduzir o financiamento para as universidades que “promoveram raquetes” em vez de melhorar seu desempenho acadêmico.

Funcionários da universidade também estão alarmados com um decreto, publicado na quarta-feira, que dá à administração de Bolsonaro novos poderes para controlar a seleção de administradores seniores no sistema universitário federal. “É inacreditável o que está acontecendo”, diz Santos. “É uma reversão completa do princípio da autonomia acadêmica”.

O congelamento de bolsas de estudo para estudantes de pós-graduação, anunciado na semana passada, motivou os pesquisadores a participar das marchas, diz Nathalie Cella, bioquímica da Universidade de São Paulo que ajudou a organizar a Marcha pela Ciência em abril de 2017. Os estudantes de pós-graduação são uma importante força de trabalho científico nas universidades públicas do Brasil, ela observa, que produzem mais de 90% da produção científica do país. Cella diz: “Muitas pessoas terão que abandonar suas pesquisas se essa situação não for revertida”.

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Este artigo foi publicado originalmente em inglês pela revista Science [Aqui!]

 

“Foi uma tragédia anunciada” – Fogo destrói o Museu Nacional do Brasil e suas premiadas coleções científicas

fogo

Incêndio no Museu Nacional do Brasil no domingo FOTO AP / LEO CORREA

Por Herton Escobar e Gretchen Vogel para a Science [1]

Um incêndio no Museu Nacional do Brasil no Rio de Janeiro destruiu uma das coleções científicas mais importantes do país. Ninguém ficou ferido no incêndio, que eclodiu depois que o museu fechou no domingo à noite. Mas o incêndio devastou os enormes arquivos e coleções do museu, com cerca de 20 milhões de itens, segundo algumas estimativas. O museu não tinha sistema de sprinklers, e apenas uma quantidade limitada de água  estava disponível em hidrantes localizados ao lado do prédio quando os bombeiros chegaram.

Fundado há 200 anos, antes da independência do Brasil de Portugal, o museu abrigava antigos artefatos egípcios, gregos e romanos, importantes coleções de paleontologia e história natural, incluindo um dos mais antigos fósseis humanos da América Latina, o crânio de 11.500 anos chamado Luzia. Nos últimos anos, os problemas orçamentários haviam atormentado o museu, e os cientistas haviam alertado, desde 2004, para uma rede elétrica precária e para a falta de proteção contra incêndios.

“É uma perda irreparável, não só para a ciência brasileira, mas para o mundo. O edifício pode ser reconstruído, restaurado e tudo mais, mas as coleções nunca poderão ser substituídas. Dois séculos de ciência e cultura estão perdidos para sempre ”, disse Sergio Alex Azevedo, paleozoologista e ex-diretor do museu.

A extensão total do dano ainda não está clara. Alguns espécimes de vertebrados e algumas coleções de botânica foram alojados em um prédio separado que não foi afetado pelo incêndio. Mas milhões de espécimens, incluindo a coleção de invertebrados globalmente importante do museu, foram destruídos. Imagens aéreas mostravam telhados desmoronados, com pilhas de cinzas e entulho no interior das paredes externas que estavam de pé. O interior do prédio era em sua maioria de madeira, e as atualizações de segurança eram difíceis de serem feitas por causa das regras federais que regem sites historicamente protegidos. (O edifício foi construído em 1808 como a residência oficial da família real portuguesa no Brasil.)

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) gerenciou o museu com recursos do governo federal, e muitos cientistas culparam o subfinanciamento crônico pelo desastre. “Todos nós sabíamos que algo assim ia acontecer mais cedo ou mais tarde; era apenas uma questão de tempo ”, disse o antropólogo Walter Neves, professor aposentado da Universidade de São Paulo, que descreveu o crânio de Luzia. “O museu foi completamente abandonado, deixado a apodrecer pelo desdém e descuido das autoridades públicas. Estou em completa tristeza ”, disse ele. (O crânio de Luzia foi coletado na década de 1970, mas permaneceu esquecido no museu até que Neves o encontrou 20 anos depois. Ele foi mantido em um estojo de metal, então os pesquisadores dizem que existe a possibilidade de ele ter sobrevivido ao incêndio.)

Outros compartilhavam a raiva e a tristeza de Neves. “Foi uma tragédia anunciada”, diz o herpetólogo Hussam Zaher, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que é natural do Rio e iniciou sua carreira científica no Museu Nacional. “O museu nunca recebeu o reconhecimento que merecia.”

Alexander Kellner, o paleontólogo que recentemente se tornou diretor do museu, usou as comemorações do aniversário de 200 anos do museu em junho para soar novamente o alarme, dizendo que o museu precisava de ajuda urgente para atualizar sua infraestrutura. A coleção de paleontologia continha vários espécimes-chave de pterossauros, a especialidade de Kellner, dinossauros e outros animais pré-históricos da América do Sul.

“Me deixa extremamente triste pensar naqueles milhões de espécimes e exibições, o produto de duzentos anos de coleta e o trabalho da vida de tantas centenas de cientistas e exploradores, apenas pegando fogo e transformando-se em pó. Isso me faz querer chorar ”, diz o paleontólogo Stephen Brusatte, da Universidade de Edimburgo, que trabalhou com as coleções de fósseis do museu.

O físico Luiz Davidovich da UFRJ, presidente da Academia Brasileira de Ciências, diz que o desastre foi algo “para ser lamentado oficialmente com bandeiras a meio mastro”, para que todos soubessem que “o Museu Nacional está morto”. O incêndio é outro golpe,  além dos drásticos cortes orçamentários recentes, acrescenta. “É outro triste capítulo no desmantelamento da ciência brasileira – que afeta não só o futuro do país, mas também sua memória”.

Publicado originalmente em inglês pela revista Science [Aqui!]

CNPq, mais uma vítima da política de destruição do futuro imposta pelo governo Temer

Às ruas, cientistas!

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No mesmo dia em que o Brasil acorda sabendo que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se concederam um aumento de 16,38% em seus salários que atualmente são de “módicos” R$ 33,7 mil mensais, criando um efeito cascata que deverá gerar um custo adicional de R$ 4 bilhões para os cofres públicos, o jornalista Herton Escobar nos traz a informação de que o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também levou uma tesourada brutal pelo governo “de facto” de Michel Temer, o implicará na ausência de financiamento para projetos de pesquisa em 2019 [1 & 2].
Como de forma geral não há um entendimento imediato do que significa desprover a ciência brasileira de novos investimentos, é preciso lembrar que serão interrompidas e/ou perdidas pesquisas estratégicas em várias áreas sensíveis, começando, por exemplo, pela saúde, onde certamente serão interrompidas pesquisas sobre, por exemplo, doenças tropicais como a malária e a dengue. Mas ainda na área da saúde serão devastados grupos de pesquisa que estudam doenças como o câncer.
Apenas à guisa de comparação com os custos gerados pelo auto aumento concedido pelos ministros do STF que vão onerar os cofres públicos em R$ 3 bilhões, Herton Escobar nos informa que o orçamento do CNPq irá cair de R$ 1,2 bilhão para R$ 800 milhões em 2019, sendo que só as bolsas providas pela agência já custam por volta de R$ 900 milhões!
Apenas para parafrasear uma declaração do ministro Celso de Mello durante a sessão em que a maioria dos ministros do STF decidiram aumentar seus salários e mandar a conta para a víuva, , “estamos aqui em face daquelas escolhas trágicas”. A questão é que a tragédia que está se desenhando com a liquidação do ainda incipiente sistema brasileiro de ciência e tecnologia extrapola o destino de quem insiste em praticar ciência no Brasil. Com a liquidação da CAPES e do CNPq, o que está se fazendo a partir de escolhas que só são trágicas para que não está encastelado na alta burocracia do estado e para os segmentos da sociedade que se beneficiam do rentismo que sufoca a economia brasileira. O problema é que os excluídos dessas benesses representam quase a totalidade da população brasileira.
É por isso que eu repito que a comunidade científica precisa sair da sua letargia e tomar as ruas para pressionar o governo Temer para que estes cortes absurdos sejam revistos. Do contrário, estaremos diante do abismo de onde será difícil sair se os atuais cenários de asfixia orçamentária foram concretizados.
Às ruas, cientistas!


[1] https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/08/08/stf-aprova-reajuste-de-16-para-ministros-da-corte-a-partir-de-2019.htm
[2] https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,cnpq-diz-que-so-tera-verba-para-bolsas-em-2019,70002438970

Evento discute os rumos da ciência no Brasil pós corte

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“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim” é o tema do debate que acontece no dia 1º de fevereiro, às 18h30, no espaço de eventos da livraria Fnac Paulista. Depois do ano tumultuado no Brasil – ainda sem uma perspectiva de alívio –, convidados de peso discutem por que é importante para o país investir em ciência.

Para [a membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) ] Helena Nader , que esteve por 10 anos à frente da SBPC (Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência) e participa do debate, esse investimento não é despesa. Pesquisadora da Unifesp, ela fala em impactos negativos da redução de recursos para pesquisa, que abalam a prosperidade econômica e social do Brasil.

Não falta só dinheiro. Falta estratégia. Essa é a crítica feita por Paulo Artaxo , pesquisador da USP, Universidade de São Paulo [ e Acadêmico da ABC]. Um dos cientistas brasileiros de maior prestigio internacional, Artaxo vê a diminuição da importância do Brasil no cenário mundial como uma das sequelas da perda de recursos.

Para que tenha defensores, a ciência não pode ficar restrita aos laboratórios. Esse é o trabalho que Herton Escobar, jornalista do Estadão e colaborador da Science, leva muito a sério, e que ele dará mais detalhes no debate. O jornalista é um dos organizadores da USP Talks, iniciativa que aproxima o público da universidade.

De Berlim, capital da Alemanha, um dos países que mais investem em pesquisas científicas, Nina Mikolaschek, da Humboldt-Universität zu Berlin, trará exemplos de como o investimento é considerado uma das prioridades. Berlim, que carregou por décadas o slogan “É pobre, mas é sexy”, tenta cumprir à risca um planejamento para se tornar a “cidade cérebro”, novo slogan a ser emplacado.

O evento será mediado pela jornalista Nádia Pontes, que organizou o debate como parte das atividades do Berlin Science Communication Award, concedido pela Humboldt-Universität zu Berlin e financiado pela Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG), com apoio do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF).

Serviço:
“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim”
Data: 01/02
Horário: Às 18h30
Local: Fnac Paulista (Av. Paulista, 901 – Bela Vista, São Paulo). 
Entrada livre

FONTE: http://www.abc.org.br/centenario/?Evento-discute-os-rumos-da-ciencia-no-Brasil-pos-corte

Governo Temer coloca em xeque monitoramento da Amazônia e previsão do tempo

O jornalista Herton Escobar publicou uma ampla matéria sobre os impactos que estão sendo causados pelos cortes feitos pelo governo “de facto” de Michel Temer na capacidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de realizar o monitoramento da Amazônia Legal e de continuar fornecendo informações relacionadas à previsão do tempo no território nacional [1]

herton amazonia

O primeiro aspecto óbvio nesta matéria se refere ao avanço do processo de desmonte do sistema científico brasileiro do que o Inpe é um dos principais pilares de sustentação.  O fato é que além de já ter estabelecido mecanismos robustos de monitoramento dos processos de mudança na cobertura da terra e de previsão do tempo, o Inpe participa ativamente do complexo processo de fabricação e lançamento de satélites, colocando o Brasil numa posição avançada no controle das tecnologias espaciais.

O segundo aspecto igualmente importante é que sem as ferramentas de controle e previsão que o Inpe possui os danos aos ecossistemas naturais será inevitável, na medida em que os degradadores do ambiente estarão livres para praticar crimes ambientais, especialmente os relacionados à extração ilegal de madeiras e ao desmatamento. Além disso, sem a capacidade de previsão do tempo, a agricultura brasileira estará diante de um cenário de voo cego mediante às condições mais imprevisíveis causadas pelas mudanças climáticas por que a Terra passa neste momento.


[1http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,corte-no-orcamento-do-inpe-ameaca-satelites-e-monitoramento-da-amazonia,70002097320

Amazônia será tema do próximo USP Talks

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Como desenvolver a Amazônia sem destruí-la? Como fomentar o desenvolvimento social e econômico da região sem colocar a floresta abaixo para isso? Agropecuária, mineração e conservação ambiental podem conviver pacificamente no mesmo espaço?

Este será o tema da próxima edição do USP Talks, que acontece no dia 25 de outubro, com os pesquisadores Carlos Nobre e Eduardo Assad.

Carlos Nobre é um dos maiores especialistas em mudanças climáticas e Amazônia no Brasil. Foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) durante 30 anos, com protagonismo internacional nas discussões sobre desmatamento e o futuro da floresta amazônica em grande escala.

Eduardo Assad é engenheiro agrícola, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde 1987; considerado um dos maiores especialistas do país no estudo das interações entre agricultura, clima, economia e sustentabilidade na Amazônia e no Cerrado.

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USP Talks – Amazônia


Data: 25 de outubro de 2017
Local: Faculdade Cásper Líbero – Edifício Gazeta (Av. Paulista, 900)
Horário: 18h30 às 19h30
Lotação máxima do auditório: 420 lugares (Não é necessária inscrição prévia nem haverá distribuição de senhas no dia do evento. Basta chegar no horário e participar).
O evento tem duração de uma hora, com duas apresentações de 15 minutos, mais meia hora de debate com o público. A entrada é gratuita e haverá transmissão ao vivo pela internet. Ao início da sessão, as portas serão fechadas para garantir a acomodação de todos os presentes.

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