“Foi uma tragédia anunciada” – Fogo destrói o Museu Nacional do Brasil e suas premiadas coleções científicas

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Incêndio no Museu Nacional do Brasil no domingo FOTO AP / LEO CORREA

Por Herton Escobar e Gretchen Vogel para a Science [1]

Um incêndio no Museu Nacional do Brasil no Rio de Janeiro destruiu uma das coleções científicas mais importantes do país. Ninguém ficou ferido no incêndio, que eclodiu depois que o museu fechou no domingo à noite. Mas o incêndio devastou os enormes arquivos e coleções do museu, com cerca de 20 milhões de itens, segundo algumas estimativas. O museu não tinha sistema de sprinklers, e apenas uma quantidade limitada de água  estava disponível em hidrantes localizados ao lado do prédio quando os bombeiros chegaram.

Fundado há 200 anos, antes da independência do Brasil de Portugal, o museu abrigava antigos artefatos egípcios, gregos e romanos, importantes coleções de paleontologia e história natural, incluindo um dos mais antigos fósseis humanos da América Latina, o crânio de 11.500 anos chamado Luzia. Nos últimos anos, os problemas orçamentários haviam atormentado o museu, e os cientistas haviam alertado, desde 2004, para uma rede elétrica precária e para a falta de proteção contra incêndios.

“É uma perda irreparável, não só para a ciência brasileira, mas para o mundo. O edifício pode ser reconstruído, restaurado e tudo mais, mas as coleções nunca poderão ser substituídas. Dois séculos de ciência e cultura estão perdidos para sempre ”, disse Sergio Alex Azevedo, paleozoologista e ex-diretor do museu.

A extensão total do dano ainda não está clara. Alguns espécimes de vertebrados e algumas coleções de botânica foram alojados em um prédio separado que não foi afetado pelo incêndio. Mas milhões de espécimens, incluindo a coleção de invertebrados globalmente importante do museu, foram destruídos. Imagens aéreas mostravam telhados desmoronados, com pilhas de cinzas e entulho no interior das paredes externas que estavam de pé. O interior do prédio era em sua maioria de madeira, e as atualizações de segurança eram difíceis de serem feitas por causa das regras federais que regem sites historicamente protegidos. (O edifício foi construído em 1808 como a residência oficial da família real portuguesa no Brasil.)

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) gerenciou o museu com recursos do governo federal, e muitos cientistas culparam o subfinanciamento crônico pelo desastre. “Todos nós sabíamos que algo assim ia acontecer mais cedo ou mais tarde; era apenas uma questão de tempo ”, disse o antropólogo Walter Neves, professor aposentado da Universidade de São Paulo, que descreveu o crânio de Luzia. “O museu foi completamente abandonado, deixado a apodrecer pelo desdém e descuido das autoridades públicas. Estou em completa tristeza ”, disse ele. (O crânio de Luzia foi coletado na década de 1970, mas permaneceu esquecido no museu até que Neves o encontrou 20 anos depois. Ele foi mantido em um estojo de metal, então os pesquisadores dizem que existe a possibilidade de ele ter sobrevivido ao incêndio.)

Outros compartilhavam a raiva e a tristeza de Neves. “Foi uma tragédia anunciada”, diz o herpetólogo Hussam Zaher, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que é natural do Rio e iniciou sua carreira científica no Museu Nacional. “O museu nunca recebeu o reconhecimento que merecia.”

Alexander Kellner, o paleontólogo que recentemente se tornou diretor do museu, usou as comemorações do aniversário de 200 anos do museu em junho para soar novamente o alarme, dizendo que o museu precisava de ajuda urgente para atualizar sua infraestrutura. A coleção de paleontologia continha vários espécimes-chave de pterossauros, a especialidade de Kellner, dinossauros e outros animais pré-históricos da América do Sul.

“Me deixa extremamente triste pensar naqueles milhões de espécimes e exibições, o produto de duzentos anos de coleta e o trabalho da vida de tantas centenas de cientistas e exploradores, apenas pegando fogo e transformando-se em pó. Isso me faz querer chorar ”, diz o paleontólogo Stephen Brusatte, da Universidade de Edimburgo, que trabalhou com as coleções de fósseis do museu.

O físico Luiz Davidovich da UFRJ, presidente da Academia Brasileira de Ciências, diz que o desastre foi algo “para ser lamentado oficialmente com bandeiras a meio mastro”, para que todos soubessem que “o Museu Nacional está morto”. O incêndio é outro golpe,  além dos drásticos cortes orçamentários recentes, acrescenta. “É outro triste capítulo no desmantelamento da ciência brasileira – que afeta não só o futuro do país, mas também sua memória”.

Publicado originalmente em inglês pela revista Science [Aqui!]

CNPq, mais uma vítima da política de destruição do futuro imposta pelo governo Temer

Às ruas, cientistas!

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No mesmo dia em que o Brasil acorda sabendo que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se concederam um aumento de 16,38% em seus salários que atualmente são de “módicos” R$ 33,7 mil mensais, criando um efeito cascata que deverá gerar um custo adicional de R$ 4 bilhões para os cofres públicos, o jornalista Herton Escobar nos traz a informação de que o orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) também levou uma tesourada brutal pelo governo “de facto” de Michel Temer, o implicará na ausência de financiamento para projetos de pesquisa em 2019 [1 & 2].
Como de forma geral não há um entendimento imediato do que significa desprover a ciência brasileira de novos investimentos, é preciso lembrar que serão interrompidas e/ou perdidas pesquisas estratégicas em várias áreas sensíveis, começando, por exemplo, pela saúde, onde certamente serão interrompidas pesquisas sobre, por exemplo, doenças tropicais como a malária e a dengue. Mas ainda na área da saúde serão devastados grupos de pesquisa que estudam doenças como o câncer.
Apenas à guisa de comparação com os custos gerados pelo auto aumento concedido pelos ministros do STF que vão onerar os cofres públicos em R$ 3 bilhões, Herton Escobar nos informa que o orçamento do CNPq irá cair de R$ 1,2 bilhão para R$ 800 milhões em 2019, sendo que só as bolsas providas pela agência já custam por volta de R$ 900 milhões!
Apenas para parafrasear uma declaração do ministro Celso de Mello durante a sessão em que a maioria dos ministros do STF decidiram aumentar seus salários e mandar a conta para a víuva, , “estamos aqui em face daquelas escolhas trágicas”. A questão é que a tragédia que está se desenhando com a liquidação do ainda incipiente sistema brasileiro de ciência e tecnologia extrapola o destino de quem insiste em praticar ciência no Brasil. Com a liquidação da CAPES e do CNPq, o que está se fazendo a partir de escolhas que só são trágicas para que não está encastelado na alta burocracia do estado e para os segmentos da sociedade que se beneficiam do rentismo que sufoca a economia brasileira. O problema é que os excluídos dessas benesses representam quase a totalidade da população brasileira.
É por isso que eu repito que a comunidade científica precisa sair da sua letargia e tomar as ruas para pressionar o governo Temer para que estes cortes absurdos sejam revistos. Do contrário, estaremos diante do abismo de onde será difícil sair se os atuais cenários de asfixia orçamentária foram concretizados.
Às ruas, cientistas!


[1] https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/08/08/stf-aprova-reajuste-de-16-para-ministros-da-corte-a-partir-de-2019.htm
[2] https://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,cnpq-diz-que-so-tera-verba-para-bolsas-em-2019,70002438970

Evento discute os rumos da ciência no Brasil pós corte

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“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim” é o tema do debate que acontece no dia 1º de fevereiro, às 18h30, no espaço de eventos da livraria Fnac Paulista. Depois do ano tumultuado no Brasil – ainda sem uma perspectiva de alívio –, convidados de peso discutem por que é importante para o país investir em ciência.

Para [a membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) ] Helena Nader , que esteve por 10 anos à frente da SBPC (Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência) e participa do debate, esse investimento não é despesa. Pesquisadora da Unifesp, ela fala em impactos negativos da redução de recursos para pesquisa, que abalam a prosperidade econômica e social do Brasil.

Não falta só dinheiro. Falta estratégia. Essa é a crítica feita por Paulo Artaxo , pesquisador da USP, Universidade de São Paulo [ e Acadêmico da ABC]. Um dos cientistas brasileiros de maior prestigio internacional, Artaxo vê a diminuição da importância do Brasil no cenário mundial como uma das sequelas da perda de recursos.

Para que tenha defensores, a ciência não pode ficar restrita aos laboratórios. Esse é o trabalho que Herton Escobar, jornalista do Estadão e colaborador da Science, leva muito a sério, e que ele dará mais detalhes no debate. O jornalista é um dos organizadores da USP Talks, iniciativa que aproxima o público da universidade.

De Berlim, capital da Alemanha, um dos países que mais investem em pesquisas científicas, Nina Mikolaschek, da Humboldt-Universität zu Berlin, trará exemplos de como o investimento é considerado uma das prioridades. Berlim, que carregou por décadas o slogan “É pobre, mas é sexy”, tenta cumprir à risca um planejamento para se tornar a “cidade cérebro”, novo slogan a ser emplacado.

O evento será mediado pela jornalista Nádia Pontes, que organizou o debate como parte das atividades do Berlin Science Communication Award, concedido pela Humboldt-Universität zu Berlin e financiado pela Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG), com apoio do Ministério de Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF).

Serviço:
“É o fim? Um debate sobre os rumos da ciência no Brasil. E inspirações de Berlim”
Data: 01/02
Horário: Às 18h30
Local: Fnac Paulista (Av. Paulista, 901 – Bela Vista, São Paulo). 
Entrada livre

FONTE: http://www.abc.org.br/centenario/?Evento-discute-os-rumos-da-ciencia-no-Brasil-pos-corte

Governo Temer coloca em xeque monitoramento da Amazônia e previsão do tempo

O jornalista Herton Escobar publicou uma ampla matéria sobre os impactos que estão sendo causados pelos cortes feitos pelo governo “de facto” de Michel Temer na capacidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de realizar o monitoramento da Amazônia Legal e de continuar fornecendo informações relacionadas à previsão do tempo no território nacional [1]

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O primeiro aspecto óbvio nesta matéria se refere ao avanço do processo de desmonte do sistema científico brasileiro do que o Inpe é um dos principais pilares de sustentação.  O fato é que além de já ter estabelecido mecanismos robustos de monitoramento dos processos de mudança na cobertura da terra e de previsão do tempo, o Inpe participa ativamente do complexo processo de fabricação e lançamento de satélites, colocando o Brasil numa posição avançada no controle das tecnologias espaciais.

O segundo aspecto igualmente importante é que sem as ferramentas de controle e previsão que o Inpe possui os danos aos ecossistemas naturais será inevitável, na medida em que os degradadores do ambiente estarão livres para praticar crimes ambientais, especialmente os relacionados à extração ilegal de madeiras e ao desmatamento. Além disso, sem a capacidade de previsão do tempo, a agricultura brasileira estará diante de um cenário de voo cego mediante às condições mais imprevisíveis causadas pelas mudanças climáticas por que a Terra passa neste momento.


[1http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,corte-no-orcamento-do-inpe-ameaca-satelites-e-monitoramento-da-amazonia,70002097320

Amazônia será tema do próximo USP Talks

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Como desenvolver a Amazônia sem destruí-la? Como fomentar o desenvolvimento social e econômico da região sem colocar a floresta abaixo para isso? Agropecuária, mineração e conservação ambiental podem conviver pacificamente no mesmo espaço?

Este será o tema da próxima edição do USP Talks, que acontece no dia 25 de outubro, com os pesquisadores Carlos Nobre e Eduardo Assad.

Carlos Nobre é um dos maiores especialistas em mudanças climáticas e Amazônia no Brasil. Foi pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) durante 30 anos, com protagonismo internacional nas discussões sobre desmatamento e o futuro da floresta amazônica em grande escala.

Eduardo Assad é engenheiro agrícola, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde 1987; considerado um dos maiores especialistas do país no estudo das interações entre agricultura, clima, economia e sustentabilidade na Amazônia e no Cerrado.

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USP Talks – Amazônia


Data: 25 de outubro de 2017
Local: Faculdade Cásper Líbero – Edifício Gazeta (Av. Paulista, 900)
Horário: 18h30 às 19h30
Lotação máxima do auditório: 420 lugares (Não é necessária inscrição prévia nem haverá distribuição de senhas no dia do evento. Basta chegar no horário e participar).
O evento tem duração de uma hora, com duas apresentações de 15 minutos, mais meia hora de debate com o público. A entrada é gratuita e haverá transmissão ao vivo pela internet. Ao início da sessão, as portas serão fechadas para garantir a acomodação de todos os presentes.

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Realização: Pró-Reitoria de Pesquisa da USP e Estadão
Apoio: Faculdade Cásper Líbero

 

Em carta a Michel Temer, 23 vencedores do Prêmio Nobel condenam cortes orçamentários na C&T

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Publico abaixo a reportagem assinada pelo jornalista Herton Escobar, que foi publicada hoje pelo O ESTADO DE SÃO PAULO,  e que dá a devida repercussão a uma carta enviada ao presidente “de facto” Michel Temer por 23 vencedores do prêmio Nobel para denunciar os efeitos desastrosos que os cortes orçamentários sendo realizados na área de ciência e tecnologia terão sobre o futuro do Brasil.

Essa carta é um movimento inédito e deverá tornar aumentar ainda mais  em nível internacional o grande desprestígio que cerca o governo nascido do golpe parlamentar realizado contra a presidente Dilma Rousseff.

A minha expectativa é que esta carta sirva para mobilizar a até agora maioria silenciosa da comunidade científica brasileira. É que os impactos que serão impostos ao desenvolvimento nacional ainda não serviram para que haja um movimento robusto de denúncia dos cortes sendo realizados nos principais órgãos de fomento da ciência brasileira. Esperemos que este apoio vindo de alguns dos principais cientistas do mundo sirva como um estopim da necessária reação ao processo de desmanche em curso, o qual pode implicar num grave êxodo de quadros científicos brasileiros.

Cortes na Ciência ameaçam o futuro do Brasil, dizem ganhadores do Nobel

Carta enviada a Temer traz assinatura de 23 ganhadores do prêmio; mesmo argumento está em outro texto, enviado por 250 pesquisadores da área de Matemática

Por Herton Escobar

 

Os cortes orçamentários em Ciência e Tecnologia “comprometem seriamente o futuro do Brasil” e precisam ser revistos “antes que seja tarde demais”, segundo um grupo de 23 ganhadores do Prêmio Nobel, que enviou nesta sexta-feira, 29, uma carta ao presidente Michel Temer, recomendando mudanças na postura do governo com relação ao setor.

Cortes na Ciência ameaçam o futuro do Brasil, dizem ganhadores do Nobel
Marcha. Pesquisadores protestam contra corte de verbas  Foto: Felipe Rau/Estadão

O documento, enviado por e-mail ao gabinete da Presidência, faz referência ao corte de 44% no Orçamento deste ano do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), assim como à perspectiva de um novo corte em 2018 – que deverá ser da ordem de 15%, caso o Projeto de Lei Orçamentária Anual enviado pelo governo ao Congresso seja aprovado como está.

“Isso danificará o Brasil por muitos anos, com o desmantelamento de grupos de pesquisa internacionalmente reconhecidos e uma fuga de cérebros que afetará os melhores jovens cientistas” do País, escrevem os pesquisadores.

A carta, à qual o Estado teve acesso com exclusividade, é assinada pelo físico francês Claude Cohen-Tannoudji e outros 22 laureados com o Prêmio Nobel nas áreas de Física, Química e Medicina. “Sabemos que a situação econômica do Brasil é muito difícil, mas urgimos o senhor a reconsiderar sua decisão antes que seja tarde demais”, conclui a carta.

Repercussão

“É uma iniciativa que mostra a importância da ciência brasileira e a gravidade da situação”, disse o presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, que também recebeu uma cópia da carta. A Presidência da República foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até as 21 horas.

“A situação é trágica, não há outra palavra para descrevê-la”, disse ao Estado o pesquisador David Gross, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, vencedor do Nobel de Física em 2004 e também signatário da carta. Ele prevê que muitos jovens pesquisadores brasileiros vão desistir da carreira científica ou migrar para outros países, mais favoráveis à ciência. “Eles vão embora e não voltarão”, alertou. “É uma política estúpida, autodestrutiva”, completou Gross, referindo-se aos cortes horizontais aplicados pelo governo em todas as áreas, sem definição de prioridades. 

A ciência, de acordo com ele, é uma área que precisa de investimentos consistentes e de longo prazo para produzir resultados que são essenciais para qualquer sociedade moderna. “Não é algo que você liga e desliga sem ter consequências graves.”

A carta dos laureados reproduz argumentos que vem sendo usados exaustivamente pela comunidade científica brasileira nos últimos anos. Em uma carta enviada à Presidência da República no início da semana, mais de 250 pesquisadores da área de Matemática pedem também a Temer que reconsidere os cortes orçamentários do setor.

“À fria luz dos fatos e além de qualquer partidarismo, repudiamos os repetidos e substanciais cortes de verba que sabotam o potencial transformador da ciência brasileira”, diz o documento. Entre os signatários está o matemático Artur Avila, ganhador da Medalha Fields, considerada o Prêmio Nobel da Matemática.

Cortes

O orçamento deste ano do MCTIC é o menor de todos os tempos, com cerca de R$ 3,2 bilhões disponíveis (depois do contingenciamento de 44% no início do ano) para o financiamento de pesquisas e pagamentos de bolsas em todo o País. Isso equivale a um terço do que o ministério tinha quatro anos atrás (antes de ser unificado com a pasta de Comunicações), e a proposta inicial do governo para 2018 é reduzir esse valor ainda mais, para R$ 2,7 bilhões.

Signatários

Nobel de Medicina

Harold Varmus (1989)

Jules Hoffman (2011)

Tim Hunt (2001)

Torsten Wiesel (1981) 

Nobel de Química

Martin Chalfie (2008)

Johann Deisenhofer (1988)

Robert Huber (1988)

Ada Yonath (2009)

Dan Shechtmann (2011)

Venkatraman Ramakrishnan (2009)

Jean-Marie Lehn (1987)

Yuan Lee (1986) 

Nobel de Física

Albert Fert (2007)

David Gross (2004)

Serge Haroche (2012)

Claude Cohen-Tannoudji (1977)

Andre Geim (2010)

Robert Laughlin (1998)

Frederic Haldane (2016)

Klaus von Klitzing (1985)

Arthur McDonald (2015)

Takaaki Kajita (2015)

Jerome Friedman (1990)

FONTE: http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,cortes-na-ciencia-ameacam-o-futuro-do-brasil-dizem-ganhadores-do-nobel,70002021809

Ciência brasileira sob grave perigo. CNPq está à beira da falência

 

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Em matéria bastante completa, o jornalista Herton Escobar do “O ESTADO DE SÃO PAULO” mostra que o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico Tecnológico (CNPq) se encontra objetivamente em estado falimentar por causa do processo de congelamento de seu orçamento pelo governo “de facto” de Michel Temer  [Aqui!].

A situação é tão crítica que já em Setembro, o CNPq ficará sem orçamento e, consequentemente, impedido de pagar bolsas e liberar os recursos para projetos científicos. Isto se dá por uma decisão deliberada de contingenciar recursos de áreas estratégicas para continuar alimentando a ciranda financeira e também o intenso processo de lobby que está sendo realizado no congresso nacional para impedir o início do processo de impeachment do presidente Temer. Aliás, chega a ser vexaminoso comparar o sufoco imposto ao CNPq com a milionárias verbas que foram angariadas a toque de caixa pelos parlamentares que irão rejeitar hoje o início do processo de impeachment de um presidente acusado de corrupção passiva.

Por outro lado, um dos gráficos mostrados na matéria e que vai logo abaixo mostra que em termos nominais os investimentos feitos pelo CNPq retornaram aos níveis de 2004, o que representa uma verdadeira tragédia para a manutenção do sistema nacional de ciência e tecnologia e perdas ainda maiores para o Brasil, já que a importação de tecnologia aumentará brutalmente os gastos nacionais.

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Mas o que pode ser uma perda incalculável para o desenvolvimento econômico do Brasil num futuro muito previsível poderá se tornar um drama presente para mais de 90 mil bolsistas e 20 mil pesquisadores que dependem diretamente dos desembolsos feitos pelo CNPq para sobreviverem enquanto se dedicam ao avanço da ciência nacional. Contudo, o que pode ser um drama pessoal momentâneo pode ser um agravante grave para o sucateamento da ciência brasileira, na medida em que muitos dos pesquidadores que serão afetados deverão sair do Brasil para continuar as suas carreiras científicas.

A verdade é que é preciso que seja iniciada uma ampla mobilização para pressionar o governo Temer a aplicar o orçamento aprovada numa área tão estratégica como é a da ciência e tecnologia. É que se depender de Michel Temer e Henrique Meirelles todo o dinheiro cortado do CNPq vai ser entregue aos bancos que hoje são os únicos a lucrarem com a grave crise econômica em que estamos afundados.

Nunca é demais lembrar que a China aprovou e já está implementando fortes investimentos no seu ministério voltado para o desenvolvimento científico. Não fica difícil prever quem vai tornar ainda mais forte economicamente nas próximas décadas se o atual ataque ao CNPq não for imediatamente revertido.