Queimadas na Amazônia geram boicote de grandes marcas internacionais ao couro brasileiro

California wild fire near Yosemite

Em carta enviada ao ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, }Ricardo Salles,  o presidente do Centro de Indústria de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, informa que pelo menos 18 grandes marcas mundiais (Timberland,  Dickies,  Kipling,  Vans, Kodiak,  Terra,  Walls, Workrite,  Eagle Creek,  Eastpack, JanSport,  The North Face,  Napapijri,  Bulwark,  Altra,  Icebreaker,  Smartwoll,  Horace Small) suspenderam a compra de couro brasileiro “em função de notícias relacionando queimadas na região amazônica ao agronegócio do país”.  O presidente do CICB informa ainda que seria uma “informação devastadora” por atingir um setor que chega “a gerar US$ 2 bilhões em vendas ao mercado externo em um único ano“.

E pensar que o presidente Jair Bolsonaro chega a declarar que as questões relacionadas ao meio ambiente só importam “aos veganos que só comem vegetais“. O problema é que não apenas isso não é verdade, como muitos veganos entre os consumidores das marcas que estão suspendendo a compra de couro brasileiro por causa da devastação que as políticas anti-ambientais comandadas por ele e por Ricardo Salles tão eficazmente aplicaram em oito meses de governo.

Agora vamos ver como se vira Jair Bolsonaro em uma briga que não é com um presidente francês, mas com um ramo poderoso da indústria da moda e vestuário.  Aos consumidores dessas marcas resta agora ver de onde sairá o couro com que serão fabricados os produtos que eles tanto gostam. A ver!

Líderes da Finlândia estão preocupados com incêndios florestais na Amazônia e querem tomada de posição da União Europeia

O governo finlandês está monitorando de perto a situação. O primeiro-ministro Rinne espera que a UE atue hoje.

incendioLíderes finlandeses estão cada vez mais preocupados com os incêndios florestais da Amazônia  

Por Anne Orjala para a Yle

 A floresta amazônica está agora sendo queimada a uma taxa sem precedentes para o plantio de soja e a prática da pecuária .

O comissário da UE, Jyrki Katainen, disse ao Helsingin Sanomat na manhã de sexta-feira  que ele pretende descobrir ainda hoje o que a UE poderia fazer sobre os problemas que estão ocorrendo na floresta tropical do Brasil.

Mais tarde, Katainen disse à YLE que a Comissão já havia discutido a situação dos incêndios florestais no Brasil em sua reunião preparatória do G7 na sexta-feira.

Em contraste, a Comissão não realizará uma reunião de emergência no sábado, contrariamente ao que informou anteriormente o Helsingin Sanomat.

De acordo com a ministra do Ambiente, Krista Mikkonen (do Partido Verde), são necessárias outras medidas a nível da UE.

– É bom pensar amplamente sobre as diferentes maneiras pelas quais poderíamos exercer pressão sobre esta situação aguda, bem como os meios de política comercial e certamente meios diplomáticos. E também para pensar em conjunto a nível da UE, e é por isso que, naturalmente, que uma reunião conjunta da UE está sendo convocada, disse Mikkonen para a Yle.

yle 1

O primeiro-ministro Antti Rinne (sd.) Afirmou em um comunicado de imprensa que está preocupado com os incêndios florestais e descreve a situação como muito séria.

– Eles ameaçam todo o globo, não apenas o Brasil ou a América do Sul. A situação é muito séria em termos de clima e agora precisamos agir.

Rinne disse que esteve em contato com a Comissão Europeia na noite ontem (22/08) e espera que a UE tome medidas no dia de hoje

– Enquanto ocupar a Presidência da UE, a Finlândia envidará todos os esforços para combater as alterações climáticas e acompanhará a situação com especial cuidado.

O Brasil precisa fazer o máximo para pôr fim aos incêndios que são perigosos para a civilização como um todo, acrescenta Rinne.

Ele disse estar preocupado com a atual atitude do Brasil em relação às suas próprias florestas.

O presidente francês Emmanuel Macron , por exemplo, também expressou preocupação.

A ministra das Finanças, Mika Lintilä (Centro), propõe que a UE e a Finlândia examinem com urgência a possibilidade de proibir a importação de carne bovina brasileira.

yle 2

Políticos escrevem comentários fortes no Twitter

Por exemplo, a Ministra do Interior Maria Ohisalo (Green) escreveu no Twitter que a ambição da Finlândia na política climática também deve se estender à política externa.

yle 3

A Ministra da Educação Li Andersson (à esquerda) está em sintonia com Ohisalo.

yle 4

Petteri Orpo , líder da coalizão de oposição, também comentou no Twitter. Orpo exigiu que a UE condene “atos do Brasil”.

yle 5

Muitos outros políticos, por exemplo, pediram ações de política comercial para resolver a situação.

_________________________________________

Este artigo foi inicialmente publicado em finlandês pela rede estatal de TV da Finlândia Yle [Aqui!] .

 

A Amazônia em chamas nas lentes de Araquém Alcântara

O catarinense Araquém Alcântaraque é um dos principais fotógrafos, da atualidade acaba de divulgar em sua página oficial da rede social Facebook uma série de imagens de sua recente visita ao círculo de fogo em que as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro estão transformando a Amazônia brasileira.

Estou tomando a liberdade de postar essa série de fotografias que mostram com riqueza de detalhes a destruição que está em curso neste momento na porção brasileira da bacia Amazônica. Disseminar essas imagens é uma das formas de desvelar o profundo crime ambiental que está sendo cometido contra os povos e a biodiversidade da Amazônia.

araquem 1araquem 2araquem 3araquem 6araquem 7araquem 8araquem 9

Incêndios na Califórnia como vitrinas das mudanças climáticas

incendio 1

O estado da Califórnia está sendo devorado neste momento por pelo menos três grandes incêndios, e pelo menos 22 milhões de pessoas estão sob alerta apenas na região sul do estado, que compreende a cidade de Los Angeles e sua região metropolitana.

O que está acontecendo é atribuído a uma combinação de uma seca prolongada que acelera os efeitos de ressecamento do material caído dentro de suas florestas e a intrusão de áreas urbanas para o interior de regiões onde elas são mais abundantes.

Um aspecto menos divulgado é que a atuação de fenômenos climáticos regionais tem servido como uma espécie de alimentador dos incêndios, na medida em que prevalecem ventos de até 80 km que funcionam como grandes ventiladores que terminam aumentando a capacidade de propagação e a intensidade das chamas [1]. 

Colocados juntos todos esses fatores demonstram a força das modificações que estão ocorrendo no clima da Terra, condição para a qual a maioria dos países ainda não está nem próxima do nível de preparação que a situação já está demandando para que se evitem grandes catástrofes como a que está ocorrendo na Califórnia, com pesadas perdas materiais e humanas.

Mas se a Califórnia parece distante demais para que se tenha a noção do tamanho da encrenca, imaginemos então o que acontecerá no comportamento climático do centro sul do Brasil se o ritmo de perda das florestas na Amazônia continuar no viés de alto com propensão a aumentar. É que a comunidade científica brasileira já produziu conhecimento suficiente para que saibamos que poderemos enfrentar um processo de ressecamento que colocará em risco o fornecimento de água nas principais regiões metropolitanas brasileiras [2]. O problema é que até agora predomina a postura de ignorar o óbvio.

Para piorar ainda teremos um governo comandando por pessoas que não apenas ignoram as evidências científicas, mas como também estão dispostas a adotar uma postura negacionista do que já está estabelecido de forma robusta pela ciência do clima. O resultado para o Brasil poderá ser, no mínimo, desastroso. Aliás, para quem se interessa pelo tema do negacionismo que ampara as refutações pseudo científicas sobre as mudanças climáticas em curso na Terra, sugiro a leitura do artigo intitulado “Learning from mistakes in climate research” de Benestad et colaboradores [3].

 


[1] https://www.theguardian.com/us-news/2018/nov/12/california-fires-latest-what-is-happening-climate-change-trump-response-explained

[2] https://jornal.usp.br/atualidades/cientistas-alertam-que-o-planeta-ainda-esta-longe-de-resolver-o-problema-do-aquecimento-global/

[3] https://link.springer.com/article/10.1007/s00704-015-1597-5

 

Depois de ter sua casa queimada em incêndio florestal, Neil Young critica Donald Trump por desafiar a ciência

2229

Má gestão das florestas não é a causa dos incêndios. Neil Young. Foto: Dan Steinberg / Rex/ Shutterstock

Por Laura Snapes [1]

Neil Young criticou Donald Trump por sua relutância em agir sobre as mudanças climáticas depois que incêndios na Califórnia destruíram a sua casa.

Em um tweet postado em 10 de novembro, o presidente dos Estados Unidos culpou a “má gestão das florestas” da Califórnia pelos danos causados pelos incêndios no norte e no sul da Califórnia. Trump sugeriu que o financiamento federal seria retirado se a situação não fosse corrigida.

Em um post em seu site, Young respondeu: “A Califórnia é vulnerável – não por causa do manejo florestal deficiente como a DT (nosso chamado presidente) nos faria pensar. Somos vulneráveis por causa das mudanças climáticas; os eventos climáticos extremos e nossa prolongada seca são parte disso. ”

No domingo, o chefe dos bombeiros de Los Angeles, Daryl Osby, disse ao “The Guardian” que as mudanças climáticas eram inegavelmente uma parte do motivo pelo qual os incêndios foram mais devastadores e destrutivos do que nos anos anteriores. Osby disse que as mudanças ambientais aumentaram a temporada de incêndios em todo a Califórnia, sobrecarregando os recursos. 

Trinta e uma pessoas morreram nos incêndios com mais de 200 pessoas desaparecidas, segundo os números mais recentes. A emergência agora equivale ao desastre de 1933 do Griffith Park, em Los Angeles, como o incêndio florestal mais letal da Califórnia já registrado. Young continuou: “Imagine um líder que desafia a ciência, dizendo que essas soluções não devem fazer parte de sua tomada de decisão em nosso nome. Imagine um líder que se importe mais com sua opção conveniente do que com as pessoas que lidera. Imagine um líder inadequado. Agora imagine um que seja adequado

Young está entre vários músicos conhecidos por terem sido afetados pelos incêndios florestais. O pianista de longa data de David Bowie, Mike Garson, twittou no sábado sobre a perda de sua casa e estúdio. Lady Gaga twittou que ela havia sido evacuada de sua residência. “Estou sentada aqui com muitos de vocês se perguntando se minha casa vai explodir em chamas.” 

Katy Perry e Rod Stewart também criticaram Trump por seus tweets. “Esta é uma resposta absolutamente sem coração”, twittou Perry. Stewart disse: “A Califórnia precisa de palavras de apoio e encorajamento, não ameaças ou acusações e acusações”.

Artigo publicado originalmente em inglês pelo jornal The Guardian [1]

Incêndios e o o ciclo nada virtuoso da higienização social em São Paulo

 Imagem relacionada

Já perdi a conta de quantas vezes assisti nos últimos anos à imagens nas redes de TV mostrando incêndios gigantescos que devoravam barracos em alguma favela na cidade de São Paulo. A suspeita de muitos é que o fogo se tornou a principal ferramenta de higienização social na capital paulista, pois os incêndios rotineiramente começam de forma misteriosa, e terminando destruindo comunidades inteiras, deixando os que já têm pouco com menos ainda.

Mas o problema é que apesar de até existir uma bibliografia acerca do fenômeno dos incêndios em favelas situadas nas regiões mais centrais de São Paulo, não há efetivamente um processo de investigação mais profundo sobre como o fogo começa, nem como terminam as famílias que perdem tudo quando os mesmos ocorrem.

Entretanto, há quem suspeite de quem não há nada de espontâneo na combustão que consome favelas que não raramente são substituídas por empreendimentos privados destinados ao consumo das classes mais abastadas. Afinal, nos últimos 20 anos, mais de 1,2 mil incêndios foram registrados nas favelas da cidade de São Paulo, sendo que metade deles ocorreu entre 2008 e 2012 [1].

latuff fogo

Por isso tudo é que o incêndio que consumiu o edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo. me deixou com a pulga atrás da orelha. É que incêndio sucedido por desabamento completo é algo que até pode acontecer, mas que nem por isso deixa de ser estranho.

Agora, a pulga fica do tamanho de um elefante quando se lê que um anúncio de um empreendimento imobiliário para “pessoas de bem” já traz a área onde o mesmo se localiza sem a incômoda presença do prédio que desabou, matando sabe-se lá quantas pessoas pobres (ver imagens abaixo) [2].

anúncio

Área destacada na imagem devia conter o prédio ocupado que desabou no dia 1º devido ao incêndio de grandes proporções

Podem me chamar de cínico, mas não vou me surpreender nem um pouco se no futuro se descobrir que o anúncio que eliminava o edifício Wilton Paes de Almeida não tinha nada de premonição, e que repentinamente se descubra que fogo foi a ferramenta preferida na aceleração da gentrificação da região central de São Paulo. Afinal, aonde há fumaça, há fogo.


[1] https://www.cartacapital.com.br/blogs/speriferia/documentario-expoe-o-que-esta-por-tras-de-incendios-nas-favelas-de-sao-paulo-7454.html

[2] http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2018/05/em-anuncio-lancamento-imobiliario-ja-eliminava-predio-ocupado-que-desabou

Amazônia em chamas

fogo

Peguei as imagens abaixo na página pessoal do jornalista Altino Machado na rede social Facebook  (Aqui!) e o que elas mostram é uma situação bastante marcante no número de focos de incêndio na parte ocidental da Amazônia.

Essa alta incidência de focos de incêndio sucede a outras informações de que as taxas de desmatamento estão novamente experimentando um forte crescimento na Amazônia brasileira, como já vem apontando ao longo de 2016 o  Imazon (Aqui!). 

Tal contexto de avanço de desmatamento em áreas novas e antigas de ocupação da Amazônia brasileira reflete não apenas o avanço da fronteira da pecuária e das monoculturas da soja e da cana, mas também da construção de novas estradas e hidrelétricas. De quebra, ainda temos as violações continuadas das disposições colocadas no chamado “Novo Código Florestal”.

Pata quem desejar acessar as imagens em tempo real dos incêndios ocorrendo na Amazônia, o jornalista Altino Machado disponibilizou o seguintes links:

INPE: http://www.dpi.inpe.br/proarco/bdqueimadas/.

NASAhttps://lance.modaps.eosdis.nasa.gov/imagery/subsets/… e  https://lance.modaps.eosdis.nasa.gov/imagery/subsets/…

De minha parte, eu que nunca acreditei na conversa de que as políticas federais haviam dobrado o dragão do desmatamento, fico imaginando como iremos conter a sanha devastadora de todos os agentes econômicos envolvidos no processo de destruição de nossos principais biomas florestais. É que com Zequinha Sarney no Ministério do Meio Ambiente, ainda vamos acabar sentindo saudade da ex-ministra Izabella Teixeira que, convenhamos, já era bastante limitada.