Com o mundo distraído, a floresta amazônica continua queimando

O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu um novo recorde nos quatro primeiros meses deste ano, com 1.202 quilômetros quadrados de floresta destruídos. Esse foi um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano passado, e o número mais alto nos primeiros quatro meses do ano desde o início dos registros.

fogoFumaça sobe de um incêndio em uma área da floresta amazônica perto de Porto Velho, Estado de Rondônia, Brasil. Fumaça sobe de um incêndio em uma área da floresta amazônica perto de Porto Velho, Rondônia, Brasil. Foto: Reuters

Agence France-Presse
Não recebeu muita atenção do mundo focado no coronavírus, mas o desmatamento aumentou na floresta amazônica este ano, aumentando o medo de uma repetição da devastação recorde do ano passado – ou pior.

O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu um novo recorde nos quatro primeiros meses do ano, de acordo com dados divulgados sexta-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que usa imagens de satélite para rastrear a destruição.

Um total de 1.202 Kmde floresta – uma área com mais de 20 vezes o tamanho de Manhattan – foi varrido na Amazônia brasileira de janeiro a abril, segundo ele. Esse foi um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano passado, e o valor mais alto nos quatro primeiros meses do ano desde que os registros mensais começaram em agosto de 2015.

bolso sctJair Bolsonaro, cético das mudança climática de extrema direita e presidente do Brasil. Foto: Reuters

Os números levantam novas questões sobre o quão bem o Brasil está protegendo sua parcela da maior floresta tropical do mundo sob o presidente Jair Bolsonaro, um cético de extrema direita que defende a abertura de terras protegidas para mineração e agricultura.

“Infelizmente, parece que o que podemos esperar para este ano são mais incêndios e desmatamento recorde”, disse Romulo Batista, ativista do Greenpeace.
No ano passado, no primeiro ano de Bolsonaro, o desmatamento subiu 85% na Amazônia brasileira, para 10.123 quilômetros quadrados de floresta.

Essa perda – quase do tamanho do Líbano – alimentou um alarme mundial sobre o futuro da floresta tropical, considerada vital para conter a mudança climática.

fogo 1O agricultor Hélio Lombardo dos Santos e um cachorro andam por uma área queimada da floresta amazônica, perto de Porto Velho, Rondônia, Brasil. Foto: AFP

A destruição foi causada por incêndios florestais registrados que ocorreram na Amazônia de maio a outubro, além de extração ilegal de madeira, mineração e agricultura em terras protegidas.

A tendência até agora em 2020 é ainda mais preocupante, uma vez que a alta temporada habitual para o desmatamento só começa no final de maio. “O início do ano não é o momento em que o desmatamento normalmente acontece, porque está chovendo e chovendo muito”, disse Erika Berenguer, ecologista das Universidades de Oxford e Lancaster.

“No passado, quando vemos o aumento do desmatamento no início do ano, é um indicador de que quando a estação do desmatamento começar … você também verá um aumento”.

Nesta semana, Bolsonaro  autorizou o exército a se instalar na Amazônia para combater incêndios e desmatamento a partir de 11 de maio. Ele também destacou o exército no ano passado, depois de enfrentar críticas internacionais contundentes por subestimar os incêndios.

Ambientalistas disseram que um plano melhor seria dar mais apoio ao programa de proteção ambiental do Brasil.

Sob Bolsonaro, a agência ambiental IBAMA enfrentou cortes de pessoal e orçamento. No mês passado, o governo demitiu o principal agente ambiental da agência, depois que ele autorizou uma operação contra mineradores ilegais que foi transmitida pela televisão.

caixõesTrabalhadores descarregam caixões de um navio no porto de Manaus, estado do Amazonas, para enterrar os mortos pela COVID-19. Foto: AFP

Outro problema com a estratégia militar do governo, disse Berenguer, é que ele se concentrou exclusivamente em incêndios. 

Isso ignora o fato de que os incêndios geralmente são causados ​​por fazendeiros e pecuaristas ilegais que arrasam árvores e depois as queimam, disse ela. Abordar apenas os incêndios “é como eu tomar paracetamol porque estou com dor de dente: vai reduzir a dor, mas se for uma cavidade, não vai curá-la”, disse ela.

Tragédias gêmeas

A pandemia de coronavírus só está complicando as coisas na região amazônica. O Brasil, que detém mais de 60% da Amazônia, é o epicentro da pandemia na América Latina, com quase 10.000 mortes até agora. O estado do Amazonas, amplamente coberto de florestas, foi um dos mais atingidos. Com apenas uma unidade de terapia intensiva, o estado foi dominado pelo surto. Há também temores dos efeitos potencialmente devastadores que o vírus poderia ter entre as comunidades indígenas, historicamente vulneráveis ​​a doenças externas.

Com atenção, recursos e vidas levados pelo coronavírus, o medo é que autoridades, ambientalistas e habitantes tenham menos capacidade de proteger a floresta.

O prefeito da capital do estado, Manaus, Arthur Virgilio, estabeleceu um elo entre as duas tragédias desta semana em um pedido de ajuda dos líderes mundiais. “Precisamos de pessoal médico, ventiladores, equipamentos de proteção, qualquer coisa que possa salvar a vida daqueles que protegem a floresta”, disse ele.

Não está claro se a pandemia terá impacto no desmatamento, mas o fato de terem ocorrido em conjunto no Brasil é motivo de preocupação.

“Existe uma rede de fatores conectados [impulsionando o desmatamento] e, no contexto do coronavírus, as coisas são ainda mais preocupantes”, disse a porta-voz do Greenpeace Brasil, Carolina Marçal.

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Este texto foi originalmente publicado em inglês pelo South China Morning Post [Aqui!].

Desmatamento em terras públicas da Amazônia explode e pode alimentar estação de fogo

Amazon BurntAumento de desmatamento em terras públicas deverá gerar uma estação de incêndios recorde.

Brasília, 22 de abril de 2020 – O desmatamento de 2020, somado ao que foi derrubado em 2019 e não queimou, pode alimentar uma nova estação intensa de fogo na Amazônia, especialmente em terras públicas que estão sob a guarda da União e dos Estados. Só no primeiro trimestre deste ano, 50% do desmatamento registrado pelo sistema Deter, do INPE, aconteceu nessas áreas.

O destaque fica por conta das florestas públicas ainda não destinadas, terras devolutas que são alvo de grilagem e que respondem por 15% da Amazônia. Entre janeiro e março, 33% da derrubada aconteceu nessa categoria fundiária nos três primeiros meses de 2020, mais do que em qualquer outra. No mesmo período de 2019, o índice era de 22%.

No geral, o desmatamento no primeiro trimestre deste ano foi 51% que o mesmo período do ano passado. “Quando a estação seca chegar à Amazônia, essas árvores derrubadas vão virar combustível para queimadas. Esse foi o ingrediente principal da temporada de fogo de 2019, uma história que pode se repetir em 2020 se nada for feito para impedir”, explica a pesquisadora Ane Alencar, diretora de Ciência do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).

Alencar é a principal autora de uma nota técnica que o instituto lança hoje, a terceira sobre queimadas na Amazônia. Neste documento, os autores reúnem as principais informações sobre a estação de fogo de 2019, que causou espanto em todo o planeta, e sinalizam os perigos à espreita.

O número de focos de calor registrados na região em 2019 foi 81% mais alto do que a média entre 2011 e 2018. A maior variação aconteceu nas florestas públicas não-destinadas: 37% a mais, outro importante indício de grilagem.

“Isso é roubo de patrimônio dos brasileiros, e deve ser resolvido com polícia”, diz o pesquisador Paulo Moutinho, do IPAM, um dos autores do estudo. “Essas áreas devem ser destinadas à conservação. São um importante ativo para a biodiversidade e para populações tradicionais sim, mas também para a economia brasileira, pois geram a chuva que alimenta plantações e hidrelétricas.”

Alimento para o fogo

A nota técnica ainda destaca que, no ano passado, a seca sozinha não explicou a alta das queimadas, a despeito do que sugeriu o governo federal na época, pois o volume médio de chuvas foi normal para o período. O elemento agudo foi o desmatamento crescente: os primeiros oito meses de 2019 apresentaram uma elevação de 92% da taxa em relação ao mesmo período de 2018, segundo dados do Deter. “A Amazônia é uma floresta úmida e não pega fogo naturalmente. O fogo ali tem dono, e ele se chama homem”, diz Alencar.

Já as ações de comando e controle contra as queimadas adotadas em agosto, especialmente dois decretos federais que proibiram o uso do fogo por dois meses e enviaram as Forças Armadas para a Amazônia, inibiram as queimadas. Tais ações controlaram o fósforo, mas não desligaram as motosserras. O desmatamento continuou crescendo nos quatro meses seguintes (2.758 Km2, segundo dados do Deter).

“A fiscalização do desmatamento na Amazônia é tão importante hoje quanto foi 20 anos atrás, quando o Brasil derrubava mais de 20.000 Km2 por ano de floresta. Não podemos chegar neste nível novamente”, afirma Moutinho. Os autores temem que, sem controle, a somatória das árvores no chão, se queimadas, encha novamente o ar de fumaça em 2020 – que, por sua vez, aumenta os casos de problemas respiratórios na população da Amazônia. Em tempos de COVID-19, são contornos de um cenário que ninguém deseja.

Leia a nota técnica: http://ipam.org.br/bibliotecas/amazonia-em-chamas-3-o-fogo-e-o-desmatamento-em-2019-e-o-que-vem-em-2020/

Atacar Leonardo DiCaprio foi mais um tiro pela culatra de Jair Bolsonaro

Leonardo-DiCaprio-GettyImages-1163710136Ao associar Leonardo DiCaprio aos fogos que devastaram partes da Amazônia, Jair Bolsonaro pode ter cometido um erro custoso à combalida economia brasileira

Não sei de quem foi a péssima ideia de associar o ator Leonardo DiCaprio aos incêndios que consumiram a floresta amazônica ao longo de 2019. Mas independente de quem teve a ideia, o rosto e a voz que apareceram dando maior ressonância a essa besteira foi a do presidente Jair Bolsonaro. Esse é mais um tiro pela culatra do governo Bolsonaro que deverá causar ainda mais prejuízo ao Brasil em 2020.

O fato que parece ter passado despercebido a quem idealizou o desastre ataque a Leonardo DiCaprio, além de astro de Hollywood, é que ele se tornou um personagem de alto impacto em questões relacionadas à formulação de políticas de investimento porque já ultrapassou faz muito tempo o status nada desprezível de ator bilionário.

Para quem não sabe,  ainda em 1998, pouco depois do sucesso de Titanic,  DiCaprio criou a The Leonardo DiCaprio Foundation, instituição dedicada a proteger o bem-estar de todos os habitantes da Terra, incluindo um projeto de proteção à regiões ecológicas ao redor do mundo. Além disso,  DiCaprio se envolveu com outros grupos como o Natural Resources Defense Council,  organização não governamental  que existe desde a década de 1970; a Global Green USA, que faz parte da Cruz Verde Internacional; a International Fund for Animal Welfare, e o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal.

Em outras palavras, mexer com Leonardo DiCaprio e acusá-lo de ser, pelo menos, parcialmente responsável pelos incêndios devastadores que consumiram a Amazônia em 2019 é, no minimo, uma besteira tremenda. É que atacando DiCaprio, a chance maior é de que o ator saia ainda mais fortalecido, até em função de quem e do porquê dele estar sendo atacado.

Obviamente a imensa maioria dos grandes veículos da mídia de língua inglesa já deu amplo destaque ao ataque cometido contra DiCaprio, sendo que a maioria das reportagens tem enfatizado que esse é um ataque despropositado e sem que se tenha oferecida qualquer evidência que permitisse corroborar tamanho despautério.  Abaixo posto um vídeo com 10 das centenas de matérias que foram publicadas ao longo desta 6a. feira (29/11).

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A verdade é que o estrago causado pela tentativa de jogar nas costas de Leonardo DiCaprio a culpa pelos incêndios devastadores que ocorreram na Amazônia em 2019 só vai aparecer ao longo do próximo ano, já que este está literalmente chegando ao seu fim inglório.

A  minha hipótese é que o principal estrago virá de uma de debandada ainda maior de investidores, especialmente daquele grupo que vem se notabilizando por evitar investimentos em atividades degradadoras do meio ambiente e coloquem em risco a existência de povos tradicionais, os chamados socially conscious investors“, ou “investidores com consciência social”. 

E não esqueçamos que a resposta que DiCaprio der a esse ataque sem base real poderá aumentar ainda mais o estrago já causado na imagem brasileira no exterior. A ver!

 

 

Queimadas na Amazônia geram boicote de grandes marcas internacionais ao couro brasileiro

California wild fire near Yosemite

Em carta enviada ao ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, }Ricardo Salles,  o presidente do Centro de Indústria de Curtumes do Brasil (CICB), José Fernando Bello, informa que pelo menos 18 grandes marcas mundiais (Timberland,  Dickies,  Kipling,  Vans, Kodiak,  Terra,  Walls, Workrite,  Eagle Creek,  Eastpack, JanSport,  The North Face,  Napapijri,  Bulwark,  Altra,  Icebreaker,  Smartwoll,  Horace Small) suspenderam a compra de couro brasileiro “em função de notícias relacionando queimadas na região amazônica ao agronegócio do país”.  O presidente do CICB informa ainda que seria uma “informação devastadora” por atingir um setor que chega “a gerar US$ 2 bilhões em vendas ao mercado externo em um único ano“.

E pensar que o presidente Jair Bolsonaro chega a declarar que as questões relacionadas ao meio ambiente só importam “aos veganos que só comem vegetais“. O problema é que não apenas isso não é verdade, como muitos veganos entre os consumidores das marcas que estão suspendendo a compra de couro brasileiro por causa da devastação que as políticas anti-ambientais comandadas por ele e por Ricardo Salles tão eficazmente aplicaram em oito meses de governo.

Agora vamos ver como se vira Jair Bolsonaro em uma briga que não é com um presidente francês, mas com um ramo poderoso da indústria da moda e vestuário.  Aos consumidores dessas marcas resta agora ver de onde sairá o couro com que serão fabricados os produtos que eles tanto gostam. A ver!

Líderes da Finlândia estão preocupados com incêndios florestais na Amazônia e querem tomada de posição da União Europeia

O governo finlandês está monitorando de perto a situação. O primeiro-ministro Rinne espera que a UE atue hoje.

incendioLíderes finlandeses estão cada vez mais preocupados com os incêndios florestais da Amazônia  

Por Anne Orjala para a Yle

 A floresta amazônica está agora sendo queimada a uma taxa sem precedentes para o plantio de soja e a prática da pecuária .

O comissário da UE, Jyrki Katainen, disse ao Helsingin Sanomat na manhã de sexta-feira  que ele pretende descobrir ainda hoje o que a UE poderia fazer sobre os problemas que estão ocorrendo na floresta tropical do Brasil.

Mais tarde, Katainen disse à YLE que a Comissão já havia discutido a situação dos incêndios florestais no Brasil em sua reunião preparatória do G7 na sexta-feira.

Em contraste, a Comissão não realizará uma reunião de emergência no sábado, contrariamente ao que informou anteriormente o Helsingin Sanomat.

De acordo com a ministra do Ambiente, Krista Mikkonen (do Partido Verde), são necessárias outras medidas a nível da UE.

– É bom pensar amplamente sobre as diferentes maneiras pelas quais poderíamos exercer pressão sobre esta situação aguda, bem como os meios de política comercial e certamente meios diplomáticos. E também para pensar em conjunto a nível da UE, e é por isso que, naturalmente, que uma reunião conjunta da UE está sendo convocada, disse Mikkonen para a Yle.

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O primeiro-ministro Antti Rinne (sd.) Afirmou em um comunicado de imprensa que está preocupado com os incêndios florestais e descreve a situação como muito séria.

– Eles ameaçam todo o globo, não apenas o Brasil ou a América do Sul. A situação é muito séria em termos de clima e agora precisamos agir.

Rinne disse que esteve em contato com a Comissão Europeia na noite ontem (22/08) e espera que a UE tome medidas no dia de hoje

– Enquanto ocupar a Presidência da UE, a Finlândia envidará todos os esforços para combater as alterações climáticas e acompanhará a situação com especial cuidado.

O Brasil precisa fazer o máximo para pôr fim aos incêndios que são perigosos para a civilização como um todo, acrescenta Rinne.

Ele disse estar preocupado com a atual atitude do Brasil em relação às suas próprias florestas.

O presidente francês Emmanuel Macron , por exemplo, também expressou preocupação.

A ministra das Finanças, Mika Lintilä (Centro), propõe que a UE e a Finlândia examinem com urgência a possibilidade de proibir a importação de carne bovina brasileira.

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Políticos escrevem comentários fortes no Twitter

Por exemplo, a Ministra do Interior Maria Ohisalo (Green) escreveu no Twitter que a ambição da Finlândia na política climática também deve se estender à política externa.

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A Ministra da Educação Li Andersson (à esquerda) está em sintonia com Ohisalo.

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Petteri Orpo , líder da coalizão de oposição, também comentou no Twitter. Orpo exigiu que a UE condene “atos do Brasil”.

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Muitos outros políticos, por exemplo, pediram ações de política comercial para resolver a situação.

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Este artigo foi inicialmente publicado em finlandês pela rede estatal de TV da Finlândia Yle [Aqui!] .

 

A Amazônia em chamas nas lentes de Araquém Alcântara

O catarinense Araquém Alcântaraque é um dos principais fotógrafos, da atualidade acaba de divulgar em sua página oficial da rede social Facebook uma série de imagens de sua recente visita ao círculo de fogo em que as políticas anti-ambientais do governo Bolsonaro estão transformando a Amazônia brasileira.

Estou tomando a liberdade de postar essa série de fotografias que mostram com riqueza de detalhes a destruição que está em curso neste momento na porção brasileira da bacia Amazônica. Disseminar essas imagens é uma das formas de desvelar o profundo crime ambiental que está sendo cometido contra os povos e a biodiversidade da Amazônia.

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Incêndios na Califórnia como vitrinas das mudanças climáticas

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O estado da Califórnia está sendo devorado neste momento por pelo menos três grandes incêndios, e pelo menos 22 milhões de pessoas estão sob alerta apenas na região sul do estado, que compreende a cidade de Los Angeles e sua região metropolitana.

O que está acontecendo é atribuído a uma combinação de uma seca prolongada que acelera os efeitos de ressecamento do material caído dentro de suas florestas e a intrusão de áreas urbanas para o interior de regiões onde elas são mais abundantes.

Um aspecto menos divulgado é que a atuação de fenômenos climáticos regionais tem servido como uma espécie de alimentador dos incêndios, na medida em que prevalecem ventos de até 80 km que funcionam como grandes ventiladores que terminam aumentando a capacidade de propagação e a intensidade das chamas [1]. 

Colocados juntos todos esses fatores demonstram a força das modificações que estão ocorrendo no clima da Terra, condição para a qual a maioria dos países ainda não está nem próxima do nível de preparação que a situação já está demandando para que se evitem grandes catástrofes como a que está ocorrendo na Califórnia, com pesadas perdas materiais e humanas.

Mas se a Califórnia parece distante demais para que se tenha a noção do tamanho da encrenca, imaginemos então o que acontecerá no comportamento climático do centro sul do Brasil se o ritmo de perda das florestas na Amazônia continuar no viés de alto com propensão a aumentar. É que a comunidade científica brasileira já produziu conhecimento suficiente para que saibamos que poderemos enfrentar um processo de ressecamento que colocará em risco o fornecimento de água nas principais regiões metropolitanas brasileiras [2]. O problema é que até agora predomina a postura de ignorar o óbvio.

Para piorar ainda teremos um governo comandando por pessoas que não apenas ignoram as evidências científicas, mas como também estão dispostas a adotar uma postura negacionista do que já está estabelecido de forma robusta pela ciência do clima. O resultado para o Brasil poderá ser, no mínimo, desastroso. Aliás, para quem se interessa pelo tema do negacionismo que ampara as refutações pseudo científicas sobre as mudanças climáticas em curso na Terra, sugiro a leitura do artigo intitulado “Learning from mistakes in climate research” de Benestad et colaboradores [3].

 


[1] https://www.theguardian.com/us-news/2018/nov/12/california-fires-latest-what-is-happening-climate-change-trump-response-explained

[2] https://jornal.usp.br/atualidades/cientistas-alertam-que-o-planeta-ainda-esta-longe-de-resolver-o-problema-do-aquecimento-global/

[3] https://link.springer.com/article/10.1007/s00704-015-1597-5