Notificações de incêndios estruturais em hospitais aumentam 96% até outubro no Brasil

Monitoramento diário de notícias de incêndios no país, realizado pelo Instituto Sprinkler Brasil, contabiliza 45 ocorrências nos primeiros 10 meses do ano

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As notificações de incêndios estruturais em hospitais praticamente dobraram em 2020. É o que revela levantamento do Instituto Sprinkler Brasil, organização sem fins lucrativos que tem como missão difundir o uso de sprinklers nos sistemas de prevenção e combate a incêndios em instalações industriais e comerciais no país. Por meio do monitoramento diário de notícias de incêndios nacionais, o Instituto capturou 45 ocorrências de janeiro a outubro deste ano, registrando alta de 96% em relação ao mesmo período de 2019, quando foram contabilizados 23 registros.

Os sinistros são os chamados “incêndios estruturais”, ou seja, aqueles que poderiam ter sido contornados com a instalação de sprinklers e ocorreram em depósitos, hospitais, hotéis, escolas, prédios públicos, museus, entre outros.

“Começamos a contabilizar os incêndios noticiados pela imprensa por falta de dados estatísticos oficiais no país. É um indicador interessante para acompanharmos o volume e onde estão acontecendo. A partir daí, conseguimos ter um desenho de como os incêndios estão impactando nos negócios pelo País. O aumento substancial de incêndios em hospitais nos mostram que há algo de errado e que muita coisa precisa ser feita para que tragédias como estas sejam evitadas”, explica Marcelo Lima, diretor-geral do ISB.

São vários os motivos que nos proporcionam uma quantidade alta de incêndios, mas que começam com a falta de consciência da população e das autoridades. Para reverter o cenário, o Instituto Sprinkler Brasil publica informações sobre incêndios constantemente, prezando pela capacitação de profissionais e pelo progresso da área de incêndios nacional. “Por meio da disseminação do conhecimento, conseguiremos buscar mais e melhores respostas aos desafios que temos encontrados permanentemente em segurança contra incêndio”, conclui Marcelo Lima.

Mapa de Incêndios

Com o objetivo de manter os profissionais do setor atualizados, fazendo com que previnam erros similares, a instituição acaba de disponibilizar, em seu site, o Mapa de Incêndios, ferramenta que oferece as estatísticas anuais de ocorrências noticiadas pela imprensa. O recurso apresenta, de forma dinâmica e visual, os edifícios comerciais e industriais atingidos pelas chamas por todo o Brasil, com link de direcionamento para a matéria publicada na mídia. Os filtros disponibilizados permitem aos usuários refinar as buscas por estado, ano, mês ou tipo de ocupação do caso apurado. Confira a nova funcionalidade acessando o endereço eletrônico: http://bit.ly/315FqUv.

Uso de sprinklers ainda é tímido

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos junto a empresas multinacionais e de capital nacional com mais de 250 funcionários a pedido do ISB, revelou que o grau de adoção de sprinklers nas empresas é baixo. Apenas 36% das 300 companhias entrevistadas pelo Ipsos disseram contar com sistemas deste tipo em suas instalações.

O levantamento mostrou ainda que apenas 14% das entrevistadas disseram contar com sistema deste tipo em todas as suas unidades e 22% declararam contar com o sistema em apenas algumas unidades operacionais.

O estudo detectou que o uso de sprinklers é maior entre as multinacionais. 48% das empresas estrangeiras, com operações no país, ouvidas pelo levantamento, disseram ter sprinklers em suas operações. Entre as empresas nacionais, o índice é de 34%.

O porte também influi na aderência a este tipo de tecnologia. O índice de uso sprinklers em empresas com mais de 500 funcionários é de 45%. Entre empresas menores, com 250 a 499 funcionários, o percentual é de 28%.

Sobre o ISB (Instituto Sprinkler Brasil)

O Instituto Sprinkler Brasil (ISB) é uma organização sem fins lucrativos que tem como missão difundir o uso de sprinklers – também conhecidos como chuveiros automáticos – nos sistemas de prevenção e combate a incêndios em instalações industriais e comerciais no País. Fundado em 2011, o ISB defende o uso desta tecnologia como a medida mais eficaz de evitar perdas humanas e materiais.

Grandes incêndios causam alarme e preocupação na América do Sul

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Por Ulrike Bickel  para a Amerika21

Grande parte do Pantanal brasileiro está em chamas. É a maior área úmida do planeta, estendendo-se até a Bolívia e o Paraguai, e abriga uma imensa biodiversidade. Nas primeiras duas semanas de outubro, havia ali mais de 2.700 fontes de incêndios.

Porém, o desastre não se limita ao Pantanal. Os incêndios em grande escala estão destruindo ecossistemas em grandes partes da América do Sul. O Papa Francisco estava extremamente preocupado com os “incêndios provocados pelo homem, intensificados pela mudança climática”, expressou há uma semana  .

Mas Argentina, Bolívia, Venezuela e Colômbia também estão sendo afetados por incêndios. O Delta do Rio Paraná e 13 outras províncias da Argentina sofrem extensos incêndios em florestas e pastagens. Rosário, capital da província de Santa Fé, está coberta de fumaça há semanas. Mais de 2.000 km2 de floresta foram destruídos em Córdoba, dez vezes a área de Buenos Aires. Em muitas cidades, a sociedade civil forma grupos auto-organizados de combate a incêndios.

Houve 13.000 incêndios na Venezuela e duas vezes mais incêndios na Colômbia do que em anos “normais”. Lá, a destruição de florestas disparou desde o acordo de paz e o desarmamento dos guerrilheiros das Farc porque mineiros, traficantes, especuladores de terras e colonos conseguiram desenvolver áreas antes inacessíveis.

Na Bolívia, quase 1,4 milhão de hectares foram perdidos para os incêndios. Além disso, existem muitas áreas em reservas naturais inacessíveis que estão queimando. Nos departamentos de Santa Cruz, onde pelo menos 830.000 ha foram destruídos por incêndios florestais, e Chuquisaca, os governadores declararam estado de desastre.

Os incêndios também ameaçam os santuários indígenas bolivianos de Charagua, Iñao e Aguarague. De acordo com a Coordenação Nacional de Defesa das Áreas de Origem Indígena e Rurais e Áreas Protegidas (Contiocap), as comunidades tradicionais estão desesperadas. Os povos indígenas isolados do Brasil também são ameaçados por incêndios criminosos, mas também por grilagem e desmatamento. A denúncia é da coordenação das organizações indígenas da Amazônia brasileira (Coiab) e da organização de direitos humanos Survival International.

Entre eles estão os Ãwa, cuja casa é a floresta de mamão na Ilha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo. Oitenta por cento de sua floresta foi queimada no ano passado. Este ano, o restante da floresta intacta está em chamas. Mais de 100.000 gado pastam na ilha. A Survival International também relata que índios isolados foram ameaçados nos estados de Rondônia e Maranhão e na área de Ituna Itatã (“cheiro de fogo”) no estado do Pará. Este território foi o mais desmatado de todas as áreas indígenas em 2019 por fazendeiros e outros ladrões de terras.

A Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) fez um apelo mundial às pessoas e empresas para boicotar produtos originados de áreas indígenas. A Survival International instou s supermercados na Europa e nos EUA a pararem de comprar produtos agrícolas do Brasil até que os direitos dos povos indígenas sejam cumpridos .

Parte dos incêndios se deve ao fenômeno climático “La Niña”, que causou uma seca histórica neste verão . Muitos dos incêndios são iniciados deliberadamente com o objetivo de ganhar novas terras ​​para fazendas de gado e cultivo de soja e para atender a demanda global por matérias-primas como soja, ração animal, carne, madeira e minerais. A União Europeia (UE), os EUA e a China importam milhões de toneladas de produtos agrícolas da América do Sul todos os anos.

Com isso em mente , várias organizações ambientais e de direitos humanos estão alertando sobre o planejado acordo de livre comércio UE-Mercosul. Isso aceleraria a destruição dos ecossistemas sul-americanos, daí as críticas. O Brasil é um exemplo claro disso. A política agrícola do presidente Jair Bolsonaro é parcialmente responsável pela penetração da indústria agrícola em diversos ecossistemas.

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pela Amerika21 [   ].

Empresa ligada a BTG Pactual e André Esteves foi quem mais devastou Pantanal, segundo Ibama

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Por DE OLHO NOS RURALISTAS

A Polícia Federal ainda não concluiu as investigações sobre os suspeitos de terem iniciado as queimadas que devastaram o Pantanal mato-grossense neste ano. Mas uma pesquisa sobre as multas históricas aplicadas pelo Instututo Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) nos sete municípios do Mato Grosso e nove do Mato Grosso do Sul nos últimos 25 anos dá bons indícios de quem são os maiores destruidores desse bioma.

O maior multado do Pantanal, conforme a pesquisa do De Olho nos Ruralistas feita para a série De Olho nos Desmatadores, é uma empresa de agropecuária ligada ao BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, instituição que se apresenta como o maior banco de investimentos da América Latina. A BRPec recebeu uma multa de R$ 57.999.500, em 12 de maio de 2018, em Corumbá, maior município do Mato Grosso do Sul, na fronteira com Bolívia e Paraguai, e uma das capitais da pecuária no Brasil.

esteves-exame-226x298André Esteves foi capa da Exame em 2011; no ano seguinte, de Época. (Imagem: Reprodução)

Multas por devastação da flora são calculadas com valor-base na área de vegetação destruída. No caso da Amazônia, os recordistas em autuações na categoria flora foram apresentados, com base nos mesmos dados, pelo De Olho nos Ruralistas, em parceria com The Intercept Brasil Carta Capital no início do ano. O observatório publica agora uma série de reportagens sobre os maiores multados no Pantanal.

Com cerca de 15 milhões de hectares, o Pantanal está dividido entre os dois estados brasileiros e partes do Paraguai e da Bolívia. A estimativa é que 85% dele fique no Brasil. Até 1.º de outubro, o bioma acumulava 18.259 focos de incêndios em 2020, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Empresa foi a única multada em mais de R$ 50 Milhões

Os valores na Amazônia são bem maiores, onde há 25 autuados por desmatamento com multas acima de R$ 50 milhões cada um — o maior deles, por sinal, é a AgroSB, antes Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, empresa dos fundos de investimentos geridos pelo banco Opportunity, de Daniel Dantas, com mais de R$ 325 milhões em atuações. No Pantanal, a BRPec é a única a receber sanção superior aos R$ 50 milhões.

A sede da BRPec fica na mesma propriedade multada em 2018, no município de Miranda (MS). Sua atividade principal é a produção de gado para corte. Apesar de não estar em nome do banco BTG Pactual, nem no de André Esteves, a ligação da empresa ao banco já foi citada até em processos judiciais.

No quadro de sócios, Antonio Carlos Canto Porto Neto e Marcelo Del Nero Fiorellini aparecem como conselheiros de administração e Marco Antonio Guimarães Vianna Filho, Antonio Carlos Canto Porto Filho e Anderson Daniel Freitas Vargas como diretores. Fiorellini e Porto Filho são sócios e têm cargos no BTG.

Outros sócios e funcionários do banco também já participaram da direção da empresa de pecuária. Eles até mesmo promoveram assembleias da BRPec na sede do BTG. Em uma das atas de reunião da empresa, a BTG Pactual Serviços Financeiros é citada como representante do Fundo de Investimento e Participações Bravo.

Esteves é um dos dez maiores bilionários brasileiros, segundo a revista Forbes. Aos 52 anos, ele ocupa o sétimo lugar no ranking, com uma fortuna de R$ 24,96 bilhões, 430 vezes mais que a multa recebida no Pantanal em 2018.

Área Pertencia a José Carlos Bumlai, condenado na Lava Jato

A relação do BTG com a BRPec já foi mais clara. Em abril de 2012, o pecuarista Jose Carlos Bumlai vendeu a fazenda Cristo Rei, de 110 mil hectares, ao BTG Pactual. Foi uma forma de abater suas dívidas com o banco. Um ano e meio depois, o banco vendeu a propriedade para a BRPec. Bumlai e Esteves foram presos em 2015, durante as investigações da Operação Lava Jato.

Uma das imagens de divulgação do site da BRPEC Agropecuária. (Foto: Reprodução)

Bumlai ficou conhecido nacionalmente durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em razão de suspeitas de que teria sido favorecido economicamente por ser próximo do presidente. O pecuarista — a rigor amigo de muitos outros políticos, de diversos partidos — também tem uma multa de R$ 2,75 milhões por devastação da flora, mas fora do Pantanal, em Campo Grande. Ele foi condenado em primeira instância, pelo então juiz federal Sergio Moro, a 9 anos e 10 meses de prisão, acusado de intermediar vantagens indevidas do Grupo Schahin em negociações com a Petrobras.

O banqueiro e pecuarista André Esteves foi investigado com base nas delações do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, por supostos atos de corrupção envolvendo a Petrobras. Em um dos casos, o Ministério Público Federal resolveu não denunciá-lo por falta de provas. Em outro, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou os mandados de busca e apreensão contra ele por considerá-los constrangimento ilegal.

Banqueiro fez doação para campanha de Tereza Cristina

Mesmo quando já não estava oficialmente à frente da fazenda, Esteves foi visto pela imprensa especializada em agronegócio como um símbolo de um avanço do setor bancário e financeiro sobre as terras da região. Em 2015, uma reportagem informava que, em parceria com o Mubadala Development Corp, um fundo com sede em Abu Dhabi, o banqueiro iniciava o cultivo de 40 mil hectares de soja na fazenda, na margem do bioma pantaneiro. A produção de gado nelore, porém, continuou sendo a principal atividade da propriedade.

Esteves sempre teve boas relações políticas. Até 2017, o economista Pérsio Arida, um dos autores dos Planos Cruzado e Real, era sócio do banco. Em 2013, o BTG pagou passagens e hospedagens para o então senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a mulher dele, logo após terem se casado, para Nova York. O senador afirmou que a viagem foi para fazer uma palestra para investidores — a assessoria do banco, na época, não quis comentar o assunto.

Durante os governos petistas, Esteves manteve boa relação com o governo e negócios com as estatais. O BTG, ao lado do Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Santander, foi acionista da Sete Brasil, criada para fornecer equipamentos à Petrobras, entre os quais sondas para exploração de petróleo e investigada pela Operação Lava-Jato.

No Mato Grosso do Sul, Esteves foi um dos financiadores, em 2014, da campanha a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS). O valor doado foi de R$ 300 mil. A deputada hoje é ministra da Agricultura do governo de Jair Bolsonaro. Antes de ser parlamentar, ela foi secretária de Desenvolvimento Agrário da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo da gestão André Puccinelli.

Empresa diz que áreas já estavam desmatadas

btg-menor-447x298Sede do BTG, na Avenida Faria Lima, em São Paulo. (Foto: Divulgação)

Confira o pronunciamento oficial enviado pela assessoria de imprensa do BTG Pactual:

“O BTG Pactual informa que a BRPec é uma empresa controlada por um fundo gerido pelo banco e pratica as melhores e mais modernas técnicas de manejo sustentável de suas fazendas, com o objetivo de manter o equilíbrio e o manejo correto das pastagens, dos rebanhos e dos recursos naturais. 

Sobre o questionamento da multa, em dezembro de 2018 a BRPec apresentou defesa administrativa que, dentre os pontos elencados, destacou: 

1. A anterioridade de uso da área da fazenda, sendo que as áreas estavam abertas muito antes da aquisição da Fazenda pelo atual proprietário, conforme comprovado por diversas imagens de satélite; e

2. As atividades de limpeza de pasto realizadas na área foram autorizadas pelo órgão ambiental estadual competente pelo licenciamento ambiental no estado do Mato Grosso do Sul (Imasul). Todas as licenças emitidas nos diversos processos do Imasul constam da defesa administrativa, inclusive fotos georreferenciadas dos técnicos do Imasul junto às leiras de aromita (espécie exótica, considerada uma praga da região) que foram objeto da limpeza. 

Em consequência o próprio Ibama desembargou praticamente toda área em questão. Atualmente, a empresa aguarda a decisão final do Ibama em relação ao tema.

Importante destacar ainda que a fazenda incentiva a pesquisa ambiental e tem câmeras de monitoramento de fauna instalada nestas áreas, que já registraram uma rica biodiversidade local, como onças pintadas, onças pardas, antas e gato mourisco.

A produção segue rigoroso controle de pragas, usando tecnologia de ponta e drones para acompanhamento das lavouras. Dentre as práticas adotadas, destacam-se o mapeamento integrado de pragas e o uso de controle biológico para controle das pragas, ambas medidas que reduzem as aplicações preventivas na lavoura e garantem melhor qualidade ambiental.

Sobre a aromita, espécie retirada das pastagens existentes, é importante esclarecer que se trata de uma praga exótica originária do Paraguai, considerada tóxica para o desenvolvimento de espécies nativas. De acordo com o WWF, no documento “Conservando Pastagens e Paisagens”, a aromita é uma das espécies invasoras mais agressivas presentes no Centro-oeste brasileiro, e prejudica o ecossistema e a produção em áreas onde ocorre”.

Foto principal (Corpo de Bombeiros Militar/MT): fogo toma conta do Pantanal mato-grossense.

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Esta reportagem foi inicialmente publicado pelo “De olho nos ruralistas” [Aqui!].

Dados oficiais sobre focos de incêndio e rebanho bovino desmentem a falácia do “boi bombeiro” no Pantanal

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Enterrando de vez a falácia do “Boi Bombeiro” reiteradamente usada pelos ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente?)  Thereza Cristina (Agricultura) para se eximir da destruição em curso no bioma Pantanal, o  gráfico abaixo mostra que cada ponto azul representa um município e o número de cabeças de gado obtidos pelo IBGE e o número de focos de calor do Monitoramento de Queimadas fornecido pelo Inpe  no respectivo município).

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A conclusão da observação deste gráfico é  que existe uma relação direta entre o aumento do número de focos de incêndio e o tamanho do rebanho bovino no Pantal, onde quanto maior o rebanho, maior será o número de focos de calor, e não o contrário.

Assim, qualquer tentativa do governo Bolsonaro de se eximir das responsabilidades da pecuária extensiva em relação à destruição do bioma Pantanal deve ser ignorado, pois não passa de mais uma “fake news” bolsonarista.

Brasil: jacarés, onças-pintadas, ariranhas … Incêndios devastam biodiversidade no Pantanal

O Pantanal, maior área úmida tropical do planeta, vive um desastre ecológico sem precedentes, com danos irreparáveis ​​à biodiversidade. 

Por Hamza Hizzir

“Você sabe que as ONGs não têm voz comigo. Estou firme com essas pessoas, mas não posso matar esse câncer que a maioria das ONGs tem”, disse com certa medida. que o caracteriza, Jair Bolsonaro, o presidente do Brasil, quinta-feira, 3 de setembro. É porque a raiva está rugindo. Do Greenpeace ao Human Rights Watch, por meio de uma campanha na Internet intitulada “Defundbolsonaro.org”, o ator Leonardo Di Caprio ou mesmo um grupo de fundos de investimento de US $ 4 trilhões: todos exortam o chefe de estado a reagem, enquanto as chamas mais uma vez assolam a Amazônia, e mais particularmente o Pantanal, a maior área úmida tropical do planeta.

Mais de 2,3 milhões de hectares já viraram fumaça desde o início do ano, segundo dados compilados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa-UFRJ). Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) já identificaram 12.567 incêndios no Pantanal desde janeiro, um total já maior do que todos os anos de 2018 e 2019 juntos. E acima de tudo, o recorde de um ano inteiro (de 12.536 residências), datado de 2005, acaba de ser batido, em menos de nove meses, segundo novos dados atualizados quarta-feira, 9 de setembro.

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Mas, além dos números, é uma verdadeira tragédia que se desenrola neste santuário de biodiversidade com fauna excepcional, localizado no extremo sul da floresta amazônica e que se estende do Brasil ao Paraguai e à Bolívia. . No local, isso resulta em incontáveis ​​cadáveres de ariranhas e jacarés carbonizados, cobrindo um solo deserto com toda a água e vegetação. “Uma vez que o animal anda no chão brilhante, seu corpo queima, e ele não consegue mais se mover” , explica ao TF1, Felipe Coutinho, médico veterinário que, com outros voluntários, percorre essa paisagem infernal para emprestar a mão forte para os bombeiros.

Daniel, dono de um hotel na região, dá o alerta: “Nos mobilizamos com todos os vizinhos. Uma das maiores áreas de biodiversidade do mundo está desaparecendo. E não estamos recebendo nenhuma ajuda. ! ”  O Exército brasileiro foi de fato enviado em agosto para combater os incêndios. Mas é como escavar o oceano com uma colher de chá. Nesta semana, o Parque Natural Encontro das Águas, conhecido por abrigar a maior concentração de onças-pintadas do mundo, foi atingido por chamas … Felipe Coutinho, no entanto, tenta manter a coragem. E esperança: “ É um trabalho árduo. Não podemos salvar toda a região , confidencia. Mas se cada um de nós fizer a sua parte todos os dias.

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Este texto foi originalmente escrito em francês e publicado pelo canal de TV LCI [ Aqui!].

Enquanto o Pantanal é consumido pelo fogo, Ricardo Salles faz piada

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O ministro (ou seria anti-ministro?) do Meio Ambiente, arranjou tempo hoje para produzir o vídeo abaixo e postá-lo na sua página oficial no Twitter, provavelmente com o propósito de fazer humor (de péssima qualidade) com as críticas que lhe são feitas em função da imposição de sua política de “passa boiada” em um dos principais ministérios em qualquer governo que se pretenda minimamente sério.

O humor canhestro de Salles já seria de gosto duvidoso se pouco acima de sua vídeo em minha linha do tempo no mesmo Twitter, eu não tivesse visualizado o vídeo abaixo que provém do Pantanal, um bioma que neste momento enfrenta um dos piores ciclos de destruição da história, mostrando um rebanho tentando escapar das fortes chamas que encurralam seus membros que fogem de um lado para outro em claro desespero.

Dizer que Ricardo Salles é a pessoa errada no lugar já é um daqueles lugares comuns que marcam a tragédia socioambiental em desenvolvimento no Brasil sob Bolsonaro e seu governo biocida. Mas além de seu vídeo trazer uma piada de mau gosto, o que a postura explicitada por um ministro ainda no exercício do cargo é um desdenhar que, em outros países, levaria não apenas à demissão, mas provavelmente à instauração de um processo criminal por omissão.

Mesmo que o atual contexto político do Brasil não traga qualquer sinal de que Ricardo Salles seja punido por poster esse vídeo já que não foi punido por tantas outras ações durante sua permanência no Ministério do Meio Ambiente, é importante denunciá-lo. É que não há como tolerar tamanha irresponsabilidade frente ao que está acontecendo tanto no Pantanal como na Amazônia como bem demonstra o vídeo abaixo.

Agora me digam, há algum motivo para rir da piada de Ricardo Salles?

Estação recorde de incêndios no Brasil

Maior perda de floresta desde o início do monitoramento por satélites

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Por Norbert Suchanek para a Neues Deutschland

Enquanto o coronavírus faz mais e mais vítimas no Brasil e está se espalhando por todo o país, apesar das medidas de quarentena, outra tragédia já dura semanas. No sul e no oeste do Brasil, as florestas estão queimando desde o início do ano como não acontecia há décadas.

De 1º de janeiro a 25 de maio deste ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), responsável pelo monitoramento ambiental por satélite no Brasil, contabilizou 2.646 florestas e incêndios florestais nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, 338% a mais que no mesmo período do ano anterior. O INPE nunca registrou tantos incêndios nesta região nos primeiros cinco meses do ano, desde o início do monitoramento por satélite em 1999.  Os incêndios ocorrem principalmente em áreas de Mata Atlântica. Neste ano, 3.859 quilômetros quadrados desse ecossistema florestal, extremamente rico em espécies, foram destruídos por chamas. O estado recordista na destruição da floresta por supostos incêndios antrópicos é Santa Catarina, onde o INPE registrou 711% mais incêndios neste ano do que em 2019.

Incêndios recordes como nunca antes também são registrados nos vizinhos do sul do Brasil. Desde o início do ano, os satélites registraram 14.078 focos de fogo, 314% a mais que no ano anterior. No Paraguai, por outro lado, mais de três vezes mais incêndios florestais e selvagens estão ocorrendo este ano do que em 2019 e no Uruguai quase quatro vezes mais.

No oeste brasileiro, por outro lado, o Pantanal, conhecido por sua abundante fauna, está queimando como nunca desde o início do ano. Até o final de maio, o INPE contabilizou 2.040 incêndios nesta maior área úmida do mundo, 185% a mais do que no mesmo período do ano anterior. No final de abril deste ano, as chamas devoraram uma área de 3.686 quilômetros quadrados nos 138.183 quilômetros quadrados da parte brasileira deste pantanal transfronteiriço. A própria estação seca e a estação dos incêndios florestais na região, de julho a outubro, ainda estão por vir.

Uma das causas desses numerosos incêndios florestais e incêndios florestais neste canto de quatro países do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, que é dominado por plantações de soja e fazendas de gado, é uma seca incomum para esta época do ano, o que torna o trabalho dos incendiários muito mais fácil. Segundo especialistas, a maior parte dos incêndios no Pantanal foi iniciada por mãos humanas, como foi o caso dos incêndios recordes no segundo semestre do ano passado, para a criação de novas pastagens. Só em abril passado, o Tribunal de Justiça Mato Grosso do Sul autorizou a agroindústria Majora Participações a desmatar 42,5 mil hectares no Pantanal Sul.

De fato, esta paisagem inundada, única no mundo, está há anos exposta a uma mudança estrutural almejada pelo estado no sentido de uma intensificação da pecuária, independentemente da vegetação natural. “As mudanças na pecuária do Pantanal são a principal causa do desmatamento na região”, disse Elton Antônio Silveira, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de Mato Grosso no ano passado. As pastagens nativas seriam substituídas por gramíneas exóticas para atender às necessidades da raça Nelore de gado zebu, que substituiu o tradicional gado pantaneiro.

Há mais de 250 anos, a pecuária extensiva e sustentável, utilizando a paisagem natural, é praticada no Pantanal. Do cruzamento de onze velhas raças de gado de Portugal e da Espanha, surgiu o robusto gado pantaneiro, adaptado à planície de inundação tropical. Há vários anos, porém, uma nova geração de engenheiros agrônomos e empresas do agronegócio que estão comprando grandes áreas contam com a produção intensiva de carne com raças otimizadas de gado em pastagens com gramíneas africanas. Medida que o instituto estadual de pesquisas agropecuárias Embrapa recomenda aos pecuaristas para aumentar a produtividade e que também está legalmente aprovada desde 2012.

As perdedoras são as espécies animais e vegetais do Pantanal e do Gado Pantaneiro, que agora está na lista vermelha das espécies extintas da pecuária. Apenas cerca de 500 animais dessa raça milenar, dos quais cerca de três milhões já perambularam pelo Pantanal, sobreviveram à transformação estrutural, segundo dados da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS).

Outra possível causa da conflagração é o avanço das fazendas de soja, que agora ocupam grandes pastagens na orla do Pantanal. Entre 2009 e 2016, a área plantada com soja dobrou de 300 mil para cerca de 600 mil hectares, segundo dados do instituto ambiental SOS Pantanal, que vê a expansão da soja como a maior ameaça ao pantanal hoje. O cultivo da soja, com ou sem variedades geneticamente modificadas, não só leva os pecuaristas a desmatarem novas áreas, como também contamina as águas com agrotóxicos e fertilizantes artificiais.

A epidemia de coronavírus e a atual alta taxa de câmbio do dólar em relação às moedas sul-americanas drasticamente desvalorizadas, como o real e o peso, são mais um incentivo para cortar e queimar. Os agricultores de soja que produzem para exportação estão, portanto, tendo lucros mais altos do que nunca. Lucros elevados, por sua vez, geralmente levam à expansão da área plantada com soja, geralmente comprando ou deslocando pastagens para gado, vizinhos e pequenos proprietários, o que por sua vez estimula o corte e a queima.

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pela Neues Deutschland [Aqui!].

Greenpeace registra imagens de focos ilegais na Amazônia

Com falta de fiscalização e inteligência no combate aos danos ambientais, Brasil pode registrar novos recordes de fogo na Amazônia neste ano

unnamed (12)Foto: © Foco de calor direto em floresta, próximo a área recém desmatada, com alerta Deter, em Alta Floresta (MT). Christian Braga / Greenpeace.

Manaus, 17 de julho de 2020 – Mesmo com a medida que proíbe queimadas em Mato Grosso a partir de 1 de julho, o Greenpeace registrou imagens de focos de incêndio na floresta amazônica no Estado em sobrevoo realizado na semana passada. Além das áreas completamente queimadas, o Greenpeace também registrou imagens de áreas sendo preparadas para a queima. Com 4.437 focos de incêndio até o dia 13 de julho, o Estado de Mato Grosso já conta com o maior número de queimadas na Amazônia brasileira este ano, representando 49,52% de todas as queimadas na região em 2020.

Acesse as imagens aqui

“Essas imagens e o aumento recorde do desmatamento este ano são o resultado da política antiambiental do governo para a Amazônia, que ainda tenta usar a crise provocada pela Covid-19 como uma cortina de fumaça para permitir ainda mais desmatamento, grilagem e garimpo na floresta. A única coisa que este governo está fazendo é colocando o clima e mais vidas em risco, especialmente as dos povos indígenas”, afirma Rômulo Batista, porta-voz da campanha de Florestas do Greenpeace Brasil.

Em junho de 2020, 2.248 focos de incêndio foram registrados na Amazônia, um aumento de 19,57% comparado a junho de 2019 (1.800) e o maior número registrado para o mês desde 2007. Entre 1 e 13 de julho, 1.057 focos de incêndio foram registrados no bioma. Atualmente, todos os focos de incêndio na Amazônia são considerados ilegais devido a um decreto, publicado essa semana, proibindo queimadas entre julho e setembro.

“Incêndios não ocorrem de forma natural na Amazônia. O fogo é ateado por fazendeiros e grileiros para remover a floresta ou quando ela já está derrubada e seca pelo sol, visando aumentar as áreas de pastagem ou agrícola, especulação de terras e grilagem. A prática se tornou ainda mais comum com a falta de fiscalização e desmantelamento dos órgãos ambientais promovido por este governo, pois gera a sensação de certeza da impunidade. Hoje, os criminosos já esperam que o governo aprove leis e medidas que venham a conceder anistia da grilagem e desmatamento ilegal. Como se não bastasse a ameaça do novo coronavírus, com a temporada de fogo os povos indígenas estarão ainda mais vulneráveis, pois a fumaça e a fuligem das queimadas prejudicam ainda mais sua saúde”, explica Batista.

Mesmo com a ameaça de saída de investidores e os impactos resultantes na reputação e a economia do país, a resposta do governo tem sido teatral e ineficiente: com orçamento de R$ 60 milhões por mês, a Operação Verde Brasil 2, via Garantia da Lei e da Ordem (GLO), não tem diminuído o desmatamento. “As imagens da Amazônia em chamas em Mato Grosso são um claro exemplo de que a moratória do fogo, não funcionará se não estiver acompanhada de um trabalho eficiente de comando e controle, que Bolsonaro segue enfraquecendo. Afinal, criminoso não é conhecido por seguir a lei. Não podemos nos enganar com a propaganda do governo, pois ela não resultará em proteção à floresta e seus povos”, finaliza Rômulo.

O Ártico está pegando fogo: onda de calor siberiana alarma cientistas

artico em fogoEsta foto tirada na sexta-feira, 19 de junho de 2020 e fornecida pelo Serviço de Mudança Climática do ECMWF Copernicus mostra a temperatura da superfície da terra na região da Sibéria na Rússia. Uma temperatura recorde de 38 graus Celsius (100,4 graus Fahrenheit) foi registrada na cidade ártica de Verkhoyansk no sábado, 20 de junho, em uma onda de calor prolongada que assustou cientistas de todo o mundo. (Serviço de Mudança Climática do ECMWF Copernicus via AP)

Por Daria Litvinova e Seth Beronsteins para a Associated Press

MOSCOU (AP) – O Ártico está febril e em chamas – pelo menos partes dele. E isso preocupa os cientistas com o que isso significa para o resto do mundo.

O termômetro atingiu um recorde provável de 38 graus Celsius (100,4 graus Fahrenheit) na cidade russa de Verkhoyansk no Ártico no sábado, uma temperatura que seria uma febre para uma pessoa – mas essa é a Sibéria, conhecida por estar congelada. Organização Meteorológica Mundial disse na terça-feira que está olhando para verificar a leitura da temperatura, o que seria sem precedentes para a região ao norte do Círculo Polar Ártico.

“O Ártico está figurativamente e literalmente pegando fogo – está esquentando muito mais rápido do que pensávamos em resposta ao aumento dos níveis de dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa na atmosfera, e esse aquecimento está levando a um rápido colapso e aumento de incêndios florestais” O reitor da escola ambiental da Universidade de Michigan, Jonathan Overpeck, um cientista climático, disse em um e-mail.

“O aquecimento recorde na Sibéria é um sinal de alerta de grandes proporções”, escreveu Overpeck.

Grande parte da Sibéria teve altas temperaturas este ano que foram além do tempo fora de época. De janeiro a maio, a temperatura média no centro-norte da Sibéria ficou cerca de 8 graus Celsius (14 graus Fahrenheit) acima da média, de acordo com a organização sem fins lucrativos Berkeley Earth.

“Isso é muito, muito mais quente do que nunca naquela região naquele período de tempo”, disse Zeke Hausfather, cientista climático da Terra de Berkeley.

A Sibéria está no Guinness Book of World Records por suas temperaturas extremas. É um local em que o termômetro oscilou 106 graus Celsius (190 graus Fahrenheit), de um mínimo de 68 graus Celsius (menos 90 Fahrenheit) para agora 38 graus Celsius (100,4 Fahrenheit).

Para os residentes da República Sakha no Ártico russo, uma onda de calor não é necessariamente uma coisa ruim. Vasilisa Ivanova passou todos os dias desta semana com sua família nadando e tomando banho de sol.

“Passamos o dia inteiro na margem do rio Lena”, disse Ivanova, que mora na vila de Zhigansk, a 430 quilômetros de onde o recorde de calor foi estabelecido. “Estamos vindo todos os dias desde segunda-feira.”

Mas, para os cientistas, “os alarmes devem tocar”, escreveu Overpeck.

Esse calor prolongado da Sibéria não é visto há milhares de anos “e é outro sinal de que o Ártico amplia o aquecimento global ainda mais do que pensávamos”, disse Overpeck.

As regiões árticas da Rússia estão entre as áreas de aquecimento mais rápido do mundo.

A temperatura na Terra nas últimas décadas tem aumentado, em média, 0,18 graus Celsius (quase um terço de um grau Fahrenheit) a cada 10 anos. Mas na Rússia aumenta 0,47 graus Celsius (0,85 graus Fahrenheit) – e no Ártico russo, 0,69 graus Celsius (1,24 graus Fahrenheit) a cada década, disse Andrei Kiselyov, o principal cientista do Observatório Geofísico Principal de Voeikov, com sede em Moscou.

“Nesse sentido, estamos à frente de todo o planeta”, disse Kiselyov.

O aumento da temperatura na Sibéria tem sido associado a incêndios florestais prolongados, que se tornam mais severos a cada ano e ao degelo do permafrost – um enorme problema porque edifícios e tubulações são construídos sobre eles. O degelo do permafrost também libera mais gás captador de calor e seca o solo, o que aumenta os incêndios, disse Vladimir Romanovsky, que estuda permafrost no Fairbanks da Universidade do Alasca.

“Nesse caso, é ainda mais grave, porque o inverno anterior era extraordinariamente quente”, disse Romanovsky. O permafrost derrete, o gelo derrete, o solo desaparece e, em seguida, pode desencadear um ciclo de feedback que piora o degelo do permafrost e “os invernos frios não conseguem detê-lo”, disse Romanovsky.

Um vazamento de óleo catastrófico de um tanque de armazenamento desmoronado no mês passado, perto da cidade ártica de Norilsk, foi parcialmente atribuído ao derretimento do permafrost. Em 2011, parte de um edifício residencial em Yakutsk, a maior cidade da República de Sakha, entrou em colapso devido ao degelo e à subsidência do solo.

Em agosto passado, mais de 4 milhões de hectares de florestas na Sibéria estavam em chamas, segundo o Greenpeace. Este ano os incêndios já começaram muito antes do início de julho, disse Vladimir Chuprov, diretor do departamento de projetos do Greenpeace na Rússia.

O clima quente persistentemente, especialmente se combinado com incêndios florestais, faz com que o permafrost derreta mais rapidamente, o que agrava o aquecimento global ao liberar grandes quantidades de metano, um potente gás de efeito estufa 28 vezes mais forte que o dióxido de carbono, disse Katey Walter Anthony, uma Universidade do Alasca Especialista em Fairbanks na liberação de metano do solo ártico congelado.

“O metano que sai dos locais de degelo do permafrost entra na atmosfera e circula pelo mundo”, disse ela. “O metano que se origina no Ártico não fica no Ártico. Tem ramificações globais. ”

E o que acontece no Ártico pode até deformar o clima nos Estados Unidos e na Europa.

No verão, o aquecimento incomum diminui a diferença de temperatura e pressão entre o Ártico e as latitudes mais baixas, onde mais pessoas vivem, disse Judah Cohen, especialista em clima de inverno da Atmospheric Environmental Research, empresa comercial nos arredores de Boston.

Isso parece enfraquecer e às vezes até paralisar a corrente de jato, o que significa que sistemas climáticos como aqueles que trazem calor ou chuva extremos podem ficar estacionados em locais por dias a fio, disse Cohen.

De acordo com meteorologistas da agência meteorológica russa Rosgidrome t, uma combinação de fatores – como um sistema de alta pressão com céu claro e sol muito alto, horas diurnas extremamente longas e noites quentes curtas – contribuiu para o aumento da temperatura na Sibéria.

“A superfície do solo esquenta intensamente. (…) As noites são muito quentes, o ar não tem tempo para esfriar e continua a esquentar por vários dias ”, disse Marina Makarova, meteorologista-chefe da Rosgidromet.

Makarova acrescentou que a temperatura em Verkhoyansk permanece incomumente alta de sexta a segunda-feira.

Os cientistas concordam que o aumento é indicativo de uma tendência muito maior ao aquecimento global.

“O ponto principal é que o clima está mudando e as temperaturas globais estão esquentando”, disse Freja Vamborg, cientista sênior do Serviço de Mudança Climática do Copernicus, no Reino Unido. “Estaremos quebrando recordes cada vez mais.”

“O que está claro é que o aquecimento do Ártico acrescenta combustível ao aquecimento de todo o planeta”, disse Waleed Abdalati, um ex-cientista chefe da NASA que agora está na Universidade do Colorado.

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Borenstein informou de Washington. Os autores da Associated Press Jim Heintz em Moscou, Frank Jordans em Berlim, Jamey Keaten em Genebra e Roman Kutukov em Yakutsk, Rússia, contribuíram para este relatório.

fecho

Este texto foi originalmente escrito em inglês e publicado pela Associated Press [Aqui!].

Com o mundo distraído, a floresta amazônica continua queimando

O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu um novo recorde nos quatro primeiros meses deste ano, com 1.202 quilômetros quadrados de floresta destruídos. Esse foi um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano passado, e o número mais alto nos primeiros quatro meses do ano desde o início dos registros.

fogoFumaça sobe de um incêndio em uma área da floresta amazônica perto de Porto Velho, Estado de Rondônia, Brasil. Fumaça sobe de um incêndio em uma área da floresta amazônica perto de Porto Velho, Rondônia, Brasil. Foto: Reuters

Agence France-Presse
Não recebeu muita atenção do mundo focado no coronavírus, mas o desmatamento aumentou na floresta amazônica este ano, aumentando o medo de uma repetição da devastação recorde do ano passado – ou pior.

O desmatamento na Amazônia brasileira atingiu um novo recorde nos quatro primeiros meses do ano, de acordo com dados divulgados sexta-feira pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), que usa imagens de satélite para rastrear a destruição.

Um total de 1.202 Kmde floresta – uma área com mais de 20 vezes o tamanho de Manhattan – foi varrido na Amazônia brasileira de janeiro a abril, segundo ele. Esse foi um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano passado, e o valor mais alto nos quatro primeiros meses do ano desde que os registros mensais começaram em agosto de 2015.

bolso sctJair Bolsonaro, cético das mudança climática de extrema direita e presidente do Brasil. Foto: Reuters

Os números levantam novas questões sobre o quão bem o Brasil está protegendo sua parcela da maior floresta tropical do mundo sob o presidente Jair Bolsonaro, um cético de extrema direita que defende a abertura de terras protegidas para mineração e agricultura.

“Infelizmente, parece que o que podemos esperar para este ano são mais incêndios e desmatamento recorde”, disse Romulo Batista, ativista do Greenpeace.
No ano passado, no primeiro ano de Bolsonaro, o desmatamento subiu 85% na Amazônia brasileira, para 10.123 quilômetros quadrados de floresta.

Essa perda – quase do tamanho do Líbano – alimentou um alarme mundial sobre o futuro da floresta tropical, considerada vital para conter a mudança climática.

fogo 1O agricultor Hélio Lombardo dos Santos e um cachorro andam por uma área queimada da floresta amazônica, perto de Porto Velho, Rondônia, Brasil. Foto: AFP

A destruição foi causada por incêndios florestais registrados que ocorreram na Amazônia de maio a outubro, além de extração ilegal de madeira, mineração e agricultura em terras protegidas.

A tendência até agora em 2020 é ainda mais preocupante, uma vez que a alta temporada habitual para o desmatamento só começa no final de maio. “O início do ano não é o momento em que o desmatamento normalmente acontece, porque está chovendo e chovendo muito”, disse Erika Berenguer, ecologista das Universidades de Oxford e Lancaster.

“No passado, quando vemos o aumento do desmatamento no início do ano, é um indicador de que quando a estação do desmatamento começar … você também verá um aumento”.

Nesta semana, Bolsonaro  autorizou o exército a se instalar na Amazônia para combater incêndios e desmatamento a partir de 11 de maio. Ele também destacou o exército no ano passado, depois de enfrentar críticas internacionais contundentes por subestimar os incêndios.

Ambientalistas disseram que um plano melhor seria dar mais apoio ao programa de proteção ambiental do Brasil.

Sob Bolsonaro, a agência ambiental IBAMA enfrentou cortes de pessoal e orçamento. No mês passado, o governo demitiu o principal agente ambiental da agência, depois que ele autorizou uma operação contra mineradores ilegais que foi transmitida pela televisão.

caixõesTrabalhadores descarregam caixões de um navio no porto de Manaus, estado do Amazonas, para enterrar os mortos pela COVID-19. Foto: AFP

Outro problema com a estratégia militar do governo, disse Berenguer, é que ele se concentrou exclusivamente em incêndios. 

Isso ignora o fato de que os incêndios geralmente são causados ​​por fazendeiros e pecuaristas ilegais que arrasam árvores e depois as queimam, disse ela. Abordar apenas os incêndios “é como eu tomar paracetamol porque estou com dor de dente: vai reduzir a dor, mas se for uma cavidade, não vai curá-la”, disse ela.

Tragédias gêmeas

A pandemia de coronavírus só está complicando as coisas na região amazônica. O Brasil, que detém mais de 60% da Amazônia, é o epicentro da pandemia na América Latina, com quase 10.000 mortes até agora. O estado do Amazonas, amplamente coberto de florestas, foi um dos mais atingidos. Com apenas uma unidade de terapia intensiva, o estado foi dominado pelo surto. Há também temores dos efeitos potencialmente devastadores que o vírus poderia ter entre as comunidades indígenas, historicamente vulneráveis ​​a doenças externas.

Com atenção, recursos e vidas levados pelo coronavírus, o medo é que autoridades, ambientalistas e habitantes tenham menos capacidade de proteger a floresta.

O prefeito da capital do estado, Manaus, Arthur Virgilio, estabeleceu um elo entre as duas tragédias desta semana em um pedido de ajuda dos líderes mundiais. “Precisamos de pessoal médico, ventiladores, equipamentos de proteção, qualquer coisa que possa salvar a vida daqueles que protegem a floresta”, disse ele.

Não está claro se a pandemia terá impacto no desmatamento, mas o fato de terem ocorrido em conjunto no Brasil é motivo de preocupação.

“Existe uma rede de fatores conectados [impulsionando o desmatamento] e, no contexto do coronavírus, as coisas são ainda mais preocupantes”, disse a porta-voz do Greenpeace Brasil, Carolina Marçal.

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Este texto foi originalmente publicado em inglês pelo South China Morning Post [Aqui!].