Volta da inflação desmascara ainda mais a dupla Bolsonaro/Guedes

INFLAÇÃO SUBIU

Os veículos da mídia corporativa noticiam hoje que após poucos meses de retração, a inflação do mês de Outubro tomou um perfil de alta, ainda que relativamente pequena. O problema, alertam alguns analistas sérios como o economista Eduardo Moreira (ver vídeo abaixo), é que a inflação de outubro representa apenas uma retomada do que deveria ser o normal, mas que ficou escondida por uma série de manobras de cunho eleitoral que foram adotadas pelo dublê de banqueiro e ministro da Economia, o sr. Paulo Guedes.

Agora que Jair Bolsonaro já perdeu a eleição e, mais importante ainda, a capacidade de interferir no andamento das coisas, o que se vê é a perspectiva não apenas de que a inflação continue subindo e voltando para o patamar onde deveria estar, mas também uma continua depreciação da capacidade produtiva do Brasil, o que se refletirá em uma diminuição do valor do Produto Interno Bruto (PIB).

A verdade que teima em aparecer, agora que a fumaça dos piquetes da extrema-direita está baixando, é que as medidas ultraneoliberais de Paulo Guedes, que incluíram a privatização criminosa de várias estatais estratégicas,  colocaram a economia em um estado de paralisia, a qual foi fortemente agravada pelas políticas anti-ambientais que expulsaram investidores internacionais que não quiseram estar relacionados ao processo de desmatamento que hoje come solto na Amazônia e no Cerrado.

O resumo desta ópera bufa montada por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes é que o presidente eleito terá um primeiro ano de mandato muito complicado, já que a situação econômica deixará pouco espaço para erros.

Em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes planeja aplicar um forte arrocho do salário mínimo e das aposentadorias

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Em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes prepara forte arrocho sobre salários e aposentadorias

Um artigo de autoria das jornalistas Indiana Tomazelli e Juliana Sofia mostra que animado com a possibilidade de reeleição de Jair Bolsonaro, o atualmente sumido ministro da Fazenda, o Sr. Paulo Guedes está arquitetando um mega arrocho contra os trabalhadores brasileiros.

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Segundo o revelado por Tomazelli e Sofia, o plano sendo gestado por Paulo Guedes envolverá a desindexação do salário mínimo e dos benefícios previdenciários. Hoje, eles são corrigidos pelo INPC
(Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano anterior, o que garante ao menos a reposição da perda pelo aumento de preços observado entre famílias com renda de até cinco salários mínimos.

Ainda segundo as jornalistas da Folha,  trechos da proposta de Paulo Guedes afirmam que “o salário mínimo deixa de ser vinculado à inflação passada”. Assim, na nova regra que seria adotado no novo mandato de Jair Bolsonaro, o  gasto com benefícios previdenciários “também deixaria de ser vinculado à inflação passada”.  Com isso, fica aberta a possibilidade de uma correção abaixo da inflação nos benefícios previdenciários, que têm despesas projetadas em R$ 859,9 bilhões para 2023, e também do salário mínimo. Um novo piso nacional afetaria também os gastos com seguro-desemprego.

Somando todas essas informações, o que se vê é que depois de passada a fase do “Bolsonaro bonzinho”, o que se pretende mesmo é um ataque sem precedentes ao poder de compra dos trabalhadores brasileiros. E o nome disso é estelionato eleitoral, puro e simples.

Disparada da inflação no preço dos alimentos é a maior desde o início do Plano Real

Inflação dos alimentos é a maior até setembro desde o início do Plano Real. Carestia da comida reflete uma série de fatores em 2022 

carestia alimentosConsumidor tem sentido a elevação dos preços a cada vez que vai às compras(foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Por Leonardo Vieceli para a FolhaPress

Apesar dos recentes sinais de trégua dos preços no Brasil, o grupo alimentação e bebidas ainda acumula inflação de 9,54% no ano, de janeiro a setembro.

Trata-se do avanço mais intenso para o acumulado de janeiro a setembro desde 1994 (915,08%), quando o Brasil ainda vivia o reflexo da hiperinflação.

O IPCA, calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é o índice oficial de preços do país.

De acordo com analistas, a carestia da comida reflete uma série de fatores em 2022. No começo do ano, fortes chuvas prejudicaram plantações em regiões como o Sudeste. O Sul, por outro lado, amargou período de seca.

Os extremos climáticos reduziram a oferta de mercadorias diversas, como verduras e legumes, o que afetou os preços.

Também houve pressão de custos. Insumos usados no campo ficaram mais caros durante a pandemia, elevando os gastos para a produção de alimentos.

A situação foi intensificada pela Guerra da Ucrânia. Commodities agrícolas tiveram alta nas cotações após o início do conflito, em fevereiro. A guerra ainda gerou pressão adicional sobre os preços de insumos no mercado internacional.

“O diagnóstico ainda é de uma inflação alta”, diz o economista Luca Mercadante, da Rio Bravo Investimentos.

“É uma inflação que tem impacto importante, que pesa na vida das pessoas. Elas percebem isso”, completa.

Em setembro, o grupo alimentação e bebidas até recuou 0,51% no IPCA. Foi a maior baixa desde maio de 2019 (-0,56%) e a primeira desde novembro de 2021 (-0,04%).

Com o resultado, a inflação acumulada no ano desacelerou de 10,10% até agosto para 9,54% até setembro. No acumulado de 12 meses, a alta passou de 13,43% para 11,71%.

A trégua em setembro foi puxada pelo leite longa vida, que havia disparado anteriormente, em meio a período de entressafra.

“Temos uma desaceleração. Setembro foi um sinal disso, muito em razão do leite”, diz o economista Raphael Rodrigues, do banco BV.

Analistas avaliam que os alimentos tendem a ficar em um patamar elevado de preços até dezembro, mas com avanços mais moderados do que no começo do ano. Por ora, as projeções não sinalizam novas deflações para o grupo até o final de 2022.

“Tende a desacelerar, mas deve continuar pressionado, inclusive em 2023”, indica Rodrigues.

Ele acrescenta que, antes da pandemia, os preços de alimentos como as carnes já vinham em alta, devido a descompassos entre oferta e procura.

A carestia afeta sobretudo a população mais pobre, porque a compra de alimentos consome uma fatia maior do orçamento dessas famílias na comparação com faixas de renda mais elevadas.

Nesse sentido, o governo federal anunciou a ampliação do Auxílio Brasil para R$ 600 a partir de agosto. O benefício pretende aumentar o poder de compra dos mais pobres no ano eleitoral, enquanto a inflação dos alimentos ainda pesa no bolso dos brasileiros.

No acumulado do ano, o melão foi o alimento que mais subiu dentro do IPCA. A alta dos preços alcançou 74,37% até setembro.

Cebola (63,68%) e leite longa vida (50,73%) vieram em seguida. O tomate, por outro lado, teve a maior queda (-28,01%).

Auxílio só compra cesta em cinco capitais Em setembro, o preço médio da cesta básica diminuiu em 12 das 17 capitais que integram levantamento mensal do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Mesmo assim, apenas 5 das 17 metrópoles pesquisadas tinham cesta básica abaixo de R$ 600, o valor do Auxílio Brasil.

São Paulo, por outro lado, seguiu com a cesta básica mais cara em setembro: R$ 750,74. Florianópolis (R$ 746,55), Porto Alegre (R$ 743,94) e Rio de Janeiro (R$ 714,14) vieram na sequência.

Além de ampliar o Auxílio Brasil, Bolsonaro também apostou no corte de tributos para aliviar a inflação, o que atingiu itens como combustíveis e energia elétrica.

Em setembro, o IPCA, de modo geral, caiu 0,29%. A deflação foi a terceira consecutiva, movimento puxado pela baixa da gasolina.

O petróleo, contudo, voltou a subir nos últimos dias, o que pressiona os preços dos combustíveis no Brasil. A Petrobras vem evitando repasses nas refinarias às vésperas do segundo turno das eleições.

Mesmo assim, após 15 semanas de queda, o valor médio da gasolina passou a avançar nos postos brasileiros, conforme pesquisa semanal da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis). O combustível foi vendido a R$ 4,86 por litro, em média, na semana passada.


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Este texto foi publicado pelo jornal “Estado de Minas” [Aqui!].

Termelétricas da privatização da Eletrobras agravam problemas socioambientais do Brasil, alerta IEMA

Se contratadas no leilão do dia 30, vão emitir 5,2 milhões de toneladas de carbono e gerar poluentes do ar, desmatamento e estresse hídrico no Norte e Nordeste

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As novas usinas termelétricas a serem contratadas no próximo leilão de reserva de capacidade de energia (LRCE-2022), do dia 30 de setembro, devem emitir 5,2 milhões de toneladas de tCO2e ao ano associadas à entrada de 2 gigawatts (GW) na matriz elétrica brasileira a partir do fim de 2026. Esse valor equivale a quase 30% de tudo o que foi emitido por usinas termelétricas de serviço público a gás natural no país em 2020. O alerta está disponível no novo Boletim Leilão de Energia Elétrica divulgado hoje, dia 28 de setembro, pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). 

Esse leilão é diferente dos demais. É o primeiro realizado para cumprir a Lei 14.182/2021 que prevê a contratação de usinas termelétricas para início de operação entre 2026 e 2030. Apesar de versar sobre a privatização da Eletrobras, a versão final do texto conta com os chamados “jabutis” (alusão ao ditado “jabuti não sobe em árvore”) uma vez que determina a admissão de pelo menos 50% da demanda de leilões por Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e um total de 8 GW por termelétricas a gás natural para além da abertura de capital da empresa estatal. 

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Com exceção de projetos específicos, como a construção das hidrelétricas de Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, é a primeira vez em que as usinas devem ser contratadas em regiões pré-estabelecidas: até 1.000 MW na Região Norte, 300 MW no Maranhão e 700 MW no Piauí. Vale ressaltar que essas termelétricas serão ligadas em tempo integral, ao contrário do que fazia-se antigamente no Brasil, quando eram acionadas para poupar os reservatórios das hidrelétricas em tempos de crise hídrica ou em momentos de pico de demanda. A operação de termelétricas em tempo integral quebra essa regra e reduz o espaço de participação das demais fontes de energia. Lembrando que as energias renováveis, como solar e eólica, têm custo mais barato quando comparadas às termelétricas.

Além disso, esse leilão estipula um preço ainda maior comparado ao que foi contratado nos últimos realizados. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), 37 empreendimentos se cadastraram, totalizando 11.889 MW que devem cumprir a exigência de ter um custo variável unitário (CVU) inferior ou igual a R$ 450,00/MWh. O valor anterior era de R$ 400/MW. Outra condição para os projetos participantes é sua localização em regiões sem estrutura de gasodutos e terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL), necessários para abastecer as termelétricas.

A expansão de gasodutos totaliza uma extensão de 7.476 km, quase duplicando a malha atual do país. Caso essa infraestrutura seja totalmente implantada, demandará quase R$ 57 bilhões do orçamento, com impacto direto na alteração dos usos do solo e aumento das emissões de gases de efeito estufa (GEE) desses projetos. Acrescenta-se o risco de tornar a matriz elétrica mais dependente de um combustível importado, como é o caso do GNL, sujeito a variações de preço internacional e indexado ao dólar. As consequências dessa escolha já foram sentidas na conta de luz em 2021.

Com contratos de 15 anos, até 2042 o IEMA calcula que as usinas contratadas no LRCE devem emitir 77,6 milhões de toneladas de CO2e na atmosfera: 38,8 milhões pela Região Norte; 27,2 pelo Piauí; e 11,6 pelo Maranhão. Ao todo, devem ser contratados segundo a Lei 14.182/2021 2,5 GW na Região Norte, 2,5 GW na Região Centro-Oeste, 2 GW na Região Sudeste e 1 GW na Região Nordeste que emitirão até 2045 310 milhões de toneladas de CO2e.

Por conta da queima de combustíveis, usinas termelétricas emitem gases e partículas que, em elevadas concentrações na atmosfera, têm efeitos negativos comprovados na saúde humana e no meio ambiente. Entre eles, destacam-se o material particulado (MP), o monóxido de carbono (CO), os óxidos de nitrogênio (NOx) e os óxidos de enxofre (SOx). Alguns desses poluentes participam de reações na atmosfera, dando origem a poluentes secundários como o ozônio troposférico (O3). A degradação da qualidade do ar tem sido associada ao agravamento de doenças respiratórias, cardiovasculares e neurológicas, bem como diferentes tipos de câncer. Porém, em nenhuma das áreas habilitadas para a contratação das usinas há estações de monitoramento da qualidade do ar em operação e que disponibilize para a sociedade as concentrações de poluentes aferidas.

O investimento em térmicas que estarão em operação no sistema até pelo menos 2042, além de representar custos adicionais de gasodutos em relação a outras opções energéticas menos custosas para o atendimento dos maiores centros de carga do país, estarão sendo comprometidos em uma fonte energética que tornará mais distante a necessária descarbonização da matriz elétrica brasileira, na contramão do cenário global de transição energética. 

Por fim, outro fator importante e preocupante é a dificuldade em encontrar informações técnicas e de licenciamento sobre as unidades geradoras participantes de forma fácil e acessível. Até o dia 22 de setembro de 2022, data de finalização do boletim, foi impossível encontrar informações sobre o licenciamento de sete das 33 unidades geradoras habilitadas para o leilão. Mesmo para aquelas em que o processo de licenciamento foi encontrado e consta a emissão de algum documento, apenas estão disponíveis para download as Licenças Ambientais de 13 unidades e para apenas 5 delas foi possível o acesso ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA) dos empreendimentos a serem construídos. “A ausência de informações mais detalhadas sobre as tecnologias empregadas nos empreendimentos, sua localização e uso de água, entre outros dados, torna a avaliação dos impactos ambientais desafiadora e incompleta tanto por parte do poder público quanto por parte da sociedade civil”, ressalta Raissa Gomes, pesquisadora do IEMA.

Sobre o Boletim Leilão de Energia

Essa é a quarta publicação realizada pela organização sobre os leilões de energia elétrica. O objetivo é analisar as implicações dos projetos concorrentes em relação aos seus atributos ambientais como emissão de gases de efeito estufa (GEE), poluentes locais, uso de água, conformidade com requisitos de licenciamento e atendimento ao sistema elétrico para alertar a população e o poder público sobre os possíveis problemas. 

Nas eleições de 2022, o carrinho de supermercado vencerá as redes sociais

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Em meus poucos dias de férias que ocorreram em julho, tive um debate rápido com um típico eleitor do presidente Jair Bolsonaro. Após um rápido intercâmbio de ideias, aquele eleitor convicto me garantiu que as redes sociais (quer dizer os grupos de Whatsapp, Telegram e Tik Tok) iriam garantir a reeleição de Jair Bolsonaro, já que por eles o “povo” se manteria informado e definiria em quem votar.

Do alto da minha pouca sabedoria lembrei ao eleitor bolsonarista que esse ano as coisas seriam diferentes, pois a decisão sobre quem votar se daria com base nas idas ao supermercado nas quais os trabalhadores estavam sua capacidade de encher o carrinho cada vez mais menor, ainda que gastando até mais.

Foi o bastante para o meu interlocutor franzir a testa e eu me retirar do local onde a conversa ocorria, sob pena de enveredarmos para uma fase menos educada da conversa. É que sabemos que se há uma coisa que um bolsonarista típico mais detesta é se confrontar com a realidade da maioria, e não apenas dos grupos de convertidos que espalham ódio de forma escondida nos grupos formados nos aplicativos.

Para dificultar ainda mais, em 2023 não temos mais os procuradores e os juízes da “Lava Jato” operando para gerar distrações por meio de operações espetaculosas que, em sua maioria, acabaram sendo anuladas, apenas porque eram completamente eivadas de ilegalidades. Sem a “mãozinha” da Lava Jato e o fluxo livre de fake news, retornamos a uma situação em que a realidade do bolso e do estômago acabaram falando mais alto.

Isso quer dizer que as eleições já estão decididas? Longe disso, pois como já tentei demonstrar aqui neste espaço, o processo eleitoral brasileiro está longe de ser democrático e equilibrado. Entretanto, não viveremos um repeteco de 2018, ano que provavelmente será estudado pelos historiadores como algo muito atípico e que resultou de uma conjunção de forças e situações de difícil repetição.

Why Social Media Marketing Is Important For Businesses In Brazil? - The Rio  Times

E com isso, teremos a vitória do carrinho de supermercado sobre as redes sociais. E querem saber, esta talvez seja a melhor e mais bem vinda novidade destas eleições.

China está acumulando mais de metade dos alimentos no mundo

O resultado desse movimento de compras veio em forma de inflação mundial

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Por Leonardo Gottems para o Agrolink

A China vai controlar 69% das reservas de milho de todo o mundo já no primeiro semestre de 2022, além de 60% das reservas de arroz e 51% do trigo. As projeções são do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), segundo o qual esse acúmulo aumentou em cerca de 20 pontos percentuais nos últimos 10 anos.

Considerando que as afirmações vieram do maior adversário dos chineses, a informação poderia ter um viés suspeito. No entanto, a “fome” do gigante asiático é comprovada por declarações vindas do próprio governo comunista. 

“A China detém atualmente um estoque de alimentos em níveis historicamente altos […] que conseguem responder a uma demanda equivalente a um ano e meio”, afirmou no último mês de novembro Qin Yuyun, responsável pelo departamento de cereais da Administração Nacional de Alimentos e Reservas Estratégicas de Pequim.

Apenas em 2020 a China gastou US$ 98,1 bilhões de dólares em importações de alimentos, de acordo com os dados da Administração Geral e Alfandegária do país asiático. De janeiro a setembro de 2021, Pequim reforçou as suas reservas nos maiores níveis desde 2016 comprando mais soja, milho e trigo entre duas a doze vezes mais que Brasil e EUA, por exemplo.

O resultado desse acúmulo de reservas veio em forma de inflação: segundo os dados da Agência para a Alimentação e Agricultura da ONU, os preços dos alimentos dispararam 30% num ano em todo o mundo. Em novembro, o índice alimentar das Nações Unidas voltou a registar um novo máximo de 10 anos. “A acumulação da China é uma das razões para o aumento dos preços”, afirmou Akio Shibata, presidente do Instituto de Investigação de Recursos Naturais de Tochigi, em entrevista ao Nikkei Asia.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo site especializado “Agrolink” [Aqui!].

Inflação pelo IPC-S sobe 1,07% na segunda quadrissemana de dezembro

O IPC-S da segunda quadrissemana de dezembro de 2021 variou 1,07% e acumula alta de 9,89% nos últimos 12 meses

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Nesta apuração, três das oito classes de despesa componentes do índice registraram decréscimo em suas taxas de variação. A maior contribuição para o resultado do IPC-S partiu do grupo Transportes cuja taxa de variação passou de 2,92%, na primeira quadrissemana de dezembro de 2021 para 2,00% na segunda quadrissemana de dezembro de 2021. Nesta classe de despesa, cabe mencionar o comportamento do item gasolina, cujo preço variou 4,13%, ante 6,57% na edição anterior do IPC-S.

Também registraram decréscimo em suas taxas de variação os grupos: Despesas Diversas (0,18% para 0,12%) e Alimentação (0,65% para 0,64%). Nestas classes de despesa, vale destacar o comportamento dos itens: alimentos para animais domésticos (0,79% para 0,49%) e hortaliças e legumes (3,86% para -0,25%).

Em contrapartida, os grupos Habitação (0,70% para 0,94%), Educação, Leitura e Recreação (2,76% para 2,94%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,10% para 0,16%), Vestuário (0,24% para 0,30%) e Comunicação (0,06% para 0,07%) apresentaram avanço em suas taxas de variação. Nestas classes de despesa, vale citar os itens: tarifa de eletricidade residencial (1,48% para 2,49%), passagem aérea (15,67% para 16,74%), serviços de cuidados pessoais (0,18% para 0,39%), roupas femininas (0,21% para 0,41%) e serviços de streaming (0,23% para 0,35%).

A próxima apuração do IPC-S, com dados coletados até o dia 22.12.2021 será divulgado no dia 23.12.2021.

Mais informações e release completo no Portal IBRE [Aqui!].

Dos brioches aos restos de comida, Paulo Guedes incorpora Maria Antonieta

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Uma das frases mais famosas da História, mas que jamais teriam sido ditas, é aquela em que a imperatriz responde aos franceses que pediam pão que eles deveriam comer brioches. A frase que não teria sido dita é sempre apresentada como um exemplo de como a insensibilidade dos poderosos resulta em levantes populares.  Quase 200 anos depois da frase emergir, eis que no Brasil o dublê de banqueiro e ministro da Fazenda, Paulo Guedes, resolveu incorporar a imperatriz francesa que terminou decapitada, e resolveu dizer que uma das saídas para matar a fome de milhões de brasileiros pobres seria aproveitar os restos de comida que sobram nos pratos da classe média (ver vídeo abaixo);

Paulo Guedes parte do princípio do esquecimento da situação real que a maioria dos brasileiros atravessa neste momento com a combinação dos efeitos devastadores da pandemia da COVID-19 com o avanço da inflação que apresenta valores recordes, sem que haja qualquer medida de reação efetiva por parte do governo Bolsonaro para reverter ambas as situações.

Mas Paulo Guedes aposta na nossa ignorância coletiva ao afirmar que os pratos dos europeus tem menos comida do que a dos brasileiros porque eles são mais educados do que nós.  A primeira coisa é que essa é uma mentira porque os europeus se alimentam muito bem, não tendo hoje em suas populações a mesma proporção de famélicos que o Brasil possui.  Outra coisa é que já é conhecimento corrente que boa parte da destruição ambiental que ocorre hoje no Brasil, e no sul global como um todo, se deve ao atendimento de demandas alimentares dos europeus. 

Não chega a ser nenhuma surpresa que Paulo Guedes tenha o tido de raciocínio elitista e eurocentrista que verbalizou em vídeo, mas que ele não esteja firmemente repudiado por movimentos sociais e partidos que se dizem de esquerda.  É que este comportamento além de não ser novo por parte de Paulo Guedes ocorre em um momento especialmente agudo da pandemia. Ao se deixar passar batido este tipo de fala, o que se faz é que as políticas que decorrem da postura que ela expressa. Com isso, a boiada vai passando com toda tranquilidade. 

Vídeo “agradece” Paulo Guedes de forma bem humorada

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Recentemente o ministro Paulo Guedes, comentou em uma live que as pessoas que o encontravam em supermercados aproveitavam a ocasião para agradecer para a sua gestão à frente do Ministério da Economia. Aproveitando a deixa, um grupo de “entusiastas pauloguedianos” resolveu lançar o vídeo abaixo para agradecer publicamente a situação dos preços nos supermercados brasileiros.

Espiral inflacionária de Bolsonaro e Guedes prejudica os mais pobres

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A inflação dos alimentos, que recai sobre os mais pobres, está explodindo no Brasil em 2020. De janeiro a dezembro, óleos e gorduras subiram 55,22%; cereais, 54,84%; legumes, 51,28%. Óleo de soja saltou 94,1%; tomates, 76,5%. Inflação dos alimentos já está em 15,7% desde o início do ano. Os números, com base no  IPCA do IBGE foram consolidados pelo NAPP Agrícola, da Fundação Perseu Abramo.

Os números são expressivos: óleo de soja, 94,1%; tomates, 76,5%; arroz, 69,5%; feijão fradinho, 60%; batata 55.9%. Por grupos alimentares, a inflação está acima de 50% em três deles: óleos e gorduras; cereais, leguminosas e oleaginosas; e tubérculos, raízes e legumes. Seguem-se os grupos de hortaliças e verduras (17,68%), frutas (17,49%), leites e derivados (15,62%) e carnes (13,9%).

Veja o quadro elaborado pelo NAPP Agrícola, da Fundação Perseu Abramo.

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Este texto foi inicialmente publicado pelo Brasil 247 [Aqui!].