Marco Feliciano, a síntese de uma eleição em que o Brasil corteja o fascismo

Ainda estou refletindo sobre o conjunto do resultado das eleições de ontem, pois o que é emerge é a radiografia de um país que flerta abertamente com o fascismo em meio a uma profunda crise econômica e social. Guardando as devidas proporções, esse cenário permitiu a que o Partido Nacional Socialista alemão assumisse o poder na Alemanha, abrindo o caminho para horrores que até hoje envergonham a maioria dos alemães.

Mas deixemos as reflexões mais aprofundadas para depois, pois quero me deter neste momento numa das cenas mais grotescas que ocorreram no dia de ontem, e olha que não foram poucas. Falo aqui da imagem disseminada pelo dublê de deputado federal reeleito pelo PODEMOS e pastor da Catedral do Avivamento, uma igreja neopentecostal ligada à Assembleia de Deus (ver imagem abaixo).

marco feliciano

Eu não sou cristão e minhas leituras da bíblia cristã são limitadas e ocorrem apenas quando preciso verificar a exatidão do que me é apresentado como extraído dali, como ocorreu recentemente numa tese de doutorado que examinei na Universidade de Brasília.

A minha leitura limitada da bíblia me induz a pensar que Marco Feliciano não retirou dali nenhum ensinamento teológico para produzir a mensagem abaixo. Sendo assim, o gesto da arma na mão à frente da imagem de Jair Bolsonaro resulta de outras interpretações que não as que deveriam ser seguidos por alguém que supostamente representa as ideias de solidariedade e reconexão a partir do perdão que foram deixadas por Jesus de Nazaré.

Por outro lado, essa imagem nos obriga a refletir sobre a necessidade de abandonar a postura de dizer que figuras como Marco Feliciano não podem ser questionadas em nome de um suposto direito à liberdade de religião. É que ao posicionar de forma tão frontalmente contraditórias ao que se espera da sua raiz religiosa, Marco Feliciano (e tantos outros líderes religiões) se tornam um foco legítimo de ação política para que se liberte milhões de brasileiros e brasileiras do voto de cabestro via o uso do cajado.

Afinal de contas, o que Marco Feliciano nos mostra é que ele está mais para fascista do que para um seguidor dos preceitos religiosos que deveria seguir.