Ministra alemã da Agricultura se posiciona contra acordo UE-Mercosul

Klöckner cita desmatamento da Amazônia para criticar pacto que, segundo ela, geraria “distorção da concorrência”. Ministra afirma também que seus colegas de pasta europeus estão céticos em relação ao acordo.

min da agricultura“Nós, ministros da Agricultura, estamos muito, muito céticos”, disse Klöckner

A ministra alemã da Agricultura, Julia Klöckner, se posicionou nesta terça-feira (01/09) contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul e citou o desmatamento da Floresta Amazônica para alertar que, com o pacto, agricultores europeus iriam competir com alimentos produzidos de forma prejudicial para o meio ambiente.

A declaração de Klöckner foi dada durante um encontro de ministros da Agricultura dos Estados-membros da União Europeia (UE). Segundo a política da União Democrata-Cristã (CDU), o partido da chanceler federal alemã, Angela Merkel, todos os seus colegas de pasta europeus têm dúvidas em relação ao acordo.

“Nós, ministros da Agricultura, estamos muito, muito céticos”, disse Klöckner, antes de uma reunião com os seus homólogos europeus em Koblenz, na Alemanha. “Não vejo a ratificação do acordo com o Mercosul.”

De acordo com Klöckner, os ministros da Agricultura de quase todos os países da UE são contra a ratificação do acordo em sua forma atual. A ministra destacou ainda que o desmatamento da Amazônia no Brasil para acelerar a criação de terras aráveis e produzir ração e alimento de forma prejudicial para o meio ambiente representa “uma distorção da concorrência”.

As declarações de Klöckner vão contra a postura defendida pelo novo embaixador da Alemanha no Brasil, Heiko Thoms. Em entrevista à DW Brasil, Thoms garantiu que o acordo de livre comércio está no topo de sua agenda e afirmou que a Alemanha “ainda tem a ambição” de assiná-lo no Conselho da União Europeia até o final do ano, mas que “há muita sensibilidade em todo o espectro político alemão sobre temas relativos a clima e meio ambiente”.

“A Alemanha quer o acordo EU-Mercosul, mas precisa ver queda no desmatamento”, disse Thoms. “A Alemanha está totalmente comprometida. Mas precisamos ver progressos concretos. Não promessas ou palavras, mas progresso real.”

Em junho do ano passado, após 20 anos de negociações, a União Europeia e os países que compõem o Mercosul – Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – chegaram a um acordo comercial abrangente para a criação da maior zona de livre comércio do mundo. Antes de entrar em vigor, o pacto precisa, porém, ser ratificado por todos os Estados-membros do bloco europeu.

Os parlamentos da Áustria, da Holanda e da região francófona da Bélgica já rejeitaram o acordo negociado. A ratificação do pacto também encontra resistência na França, Irlanda e Luxemburgo. A explosão do desmatamento da Amazônia no ano passado é um dos fatores que levou europeus a se posicionarem contra a proposta.

Recentemente, o acordo também perdeu o apoio de uma de suas principais defensoras, a chanceler federal alemã. Merkel afirmou ter “sérias dúvidas” sobre o pacto. O porta-voz do governo alemão disse que Berlim observa “com grande preocupação” o desmatamento e as queimadas na Amazônia.

PV/dpa/afp/dw

fecho

Este texto foi originalmente publicado pela Deutsche Welle [Aqui!  ].

Governo da Alemanha quer banir agrotóxico neonicotinóide da Bayer por causa danos em fetos

A ministra da Agricultura da Alemanha, Julia  Klöckner, anunciou  que está lutando contra a liberação de um inseticida da Bayer AG na UE à base de Thiacloprid

Landwirtschaftsministerin auf Garten-Expo in Peking 

A ministra da Agricultura da Alemanha, Julia Klöckner, que quer banir agrotóxico da Bayer por causar danos em fetos.

A ministra da Agricultura da Alemanha, Julia Klöckner, quer que a União Europeia (UE)  proíba o agrotóxico Thiacloprid, que provavelmente causa problemas de malformação congênita e perda de fertilidade. “A partir de conhecimento ingrediente ativo Thiacloprid é considerado científico e técnico recente como sendo prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente, incluindo os polinizadores”, disse a política da CDU.

Portanto, o governo alemão trabalhará para garantir que a substância produzida pela Bayer AG, que é do grupo de agrotóxicos neonicotinóides, não receba mais aprovação pela UE. A Comissão da UE também propõe não renovar a aprovação que expira em abril de 2020. Isto é claro na agenda da reunião do comitê de peritos responsáveis ​​dos representantes dos Estados-Membros da UE e da Comissão na segunda-feira passada.

O  Taz havia informado em 29 de março,  citando uma carta da Comissão Europeia, que as autoridades alemãs queriam reintegrar o inseticida naquela época. Por outro lado, protestaram contra essa reintegração, por exemplo, a organização de campanhas na internet, SumofUs, e os deputados do Partido Verde, Martin Häusling e Harald Ebner.

A Comissão Europeia classificou o Thiacloprid como “provavelmente tóxico para a reprodução” porque o mesmo interfere claramente na reprodução de animais em experimentos, e parece causar o mesmo efeito em seres humanos. Essas substâncias devem deixar de ser permitidas ao abrigo do Regulamento da UE sobre agrotóxicos- a menos que não entrem em contato com seres humanos, ou seja, absolutamente necessárias para a agricultura.

A Bayer AG baseia-se precisamente nessas exceções. Sem agrotóxicos à base Thiacloprid como a “Calypso” poderia ser difícil combater na Alemanha, por exemplo, uma das pragas mais importantes em pomares, à mariposa codling. A Autoridade de Segurança Alimentar da UE, no entanto, concluiu que existem alternativas, e também forneceu evidências de que o Thiacloprid entra em contato com os seres humanos, por exemplo, nas fábricas de sementes.

“Suspeita-se que Klöckner sempre quando uma decisão não pode ser interrompida, se converte rapidamente de bloqueadora a pioneira”, disse Ebner ao Taz, membro dos Verdes no congresso alemão. Ainda no final do ano passado, a ministra havia votado a favor de uma extensão adicional do Thiacloprid até abril de 2020. Klöckner só se posicionou publicamente contra o inseticida quando a reviravolta da Comissão da UE se tornou conhecida. Anteriormente, ela havia declarado que a avaliação científica do remédio não havia sido concluída, embora todos os fatos já estivessem sobre a mesa.

“Aparentemente, a UE proibirá o Thiacloprid”, diz a ambientalista Franziska Achterberg, do Greenpeace. Porque a Alemanha tem grande peso no voto decisivo dos países da UE. A França já proibiu agrotóxicos contendo Thiacloprid.

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Este artigo foi publicado originalmente em alemão pelo “Die Tageszeitung” (Taz) [Aqui!]