GESTA completa 25 anos de pesquisa, extensão e compromisso com a justiça ambiental

O Grupo de Estudos em Temáticas Ambientais (GESTA/UFMG) chega aos seus 25 anos celebrando uma trajetória construída não apenas dentro da universidade, mas, sobretudo, em diálogo e colaboração com populações atingidas por barragens, mineração e outros grandes projetos de desenvolvimento que transformam territórios, ameaçam modos de vida e frequentemente atropelam direitos.

Para marcar esse percurso, o GESTA realizará, entre 9 e 11 de setembro de 2026, na FAFICH/UFMG, em Belo Horizonte, o encontro “Conflitos Ambientais, Desastres e Resistências: 25 anos gestando pesquisa e extensão em redes colaborativas”.

Mais do que uma celebração, o evento propõe um balanço crítico de 25 anos de produção de conhecimento, formação acadêmica, extensão universitária e construção de redes comprometidas com a justiça ambiental. Afinal, em um país marcado pela multiplicação dos conflitos territoriais e por desastres socioambientais de enorme magnitude, produzir conhecimento sobre essas realidades significa também disputar interpretações, denunciar desigualdades e contribuir para fortalecer aqueles que resistem nos territórios.

O encontro reunirá pesquisadoras e pesquisadores, docentes, estudantes, egressos, movimentos sociais, coletivos, associações comunitárias, comissões de atingidos e outros interlocutores envolvidos com temas como conflitos ambientais, desastres, justiça ambiental, direitos territoriais, mineração, expansão energética, mudanças climáticas, povos e comunidades tradicionais e extensão universitária.

Os 25 anos do GESTA representam, assim, uma oportunidade para olhar criticamente para o caminho percorrido, mas também para discutir os desafios que se apresentam em um momento no qual a pressão sobre territórios e bens naturais continua avançando, enquanto comunidades atingidas seguem demonstrando que não existe justiça ambiental sem participação social, defesa dos territórios e reconhecimento dos direitos daqueles que pagam os custos do chamado desenvolvimento.

📅 9, 10 e 11 de setembro de 2026
📍 FAFICH/UFMG — Belo Horizonte (MG)

🔗 Inscrições:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfFpFZCEGdBTOmjQj_Fura3DZ5xqNgGR83ROwGeXMha8Qcfaw/viewform

As inscrições serão realizadas por mesa. A organização solicita que os participantes cheguem com 15 minutos de antecedência. A emissão de certificados estará condicionada ao registro de presença nos primeiros 30 minutos de cada atividade.

IV SIMGAT: Geografia Ambiental, Ecologia Política e Justiça Ambiental se encontram em Niterói em 2027

Entre os dias 7 e 10 de junho de 2027, a Universidade Federal Fluminense (UFF), no Campus Praia Vermelha, em Niterói (RJ), sediará o IV Simpósio Nacional Geografia, Ambiente e Território (IV SIMGAT), um dos mais importantes espaços de encontro para pesquisadores, estudantes, movimentos sociais e profissionais que atuam nas áreas de Geografia Ambiental, Ecologia Política e Justiça Ambiental.

Organizado pela Rede de Pesquisadores em Geografia (Socio)Ambiental – RP-G(S)A, criada em 2017 com o objetivo de fortalecer pesquisas, debates e ações voltadas às questões socioambientais no Brasil e na América Latina, o evento chega à sua quarta edição celebrando uma década de construção coletiva e produção de conhecimento crítico.

Com o tema Territórios, Saberes e Lutas em Tempos de Incerteza: Ecologia Política e Justiça Ambiental na América Latina”, o simpósio propõe uma reflexão sobre os desafios contemporâneos relacionados às mudanças ambientais, aos conflitos territoriais, à emergência climática, às desigualdades socioambientais e às formas de resistência e construção de alternativas protagonizadas por povos, comunidades tradicionais, movimentos sociais e pesquisadores comprometidos com a transformação social.

Ao longo de quatro dias, o IV SIMGAT reunirá mesas-redondas, conferências, grupos de trabalho, apresentações de pesquisas e atividades de integração entre diferentes áreas do conhecimento, consolidando-se como um espaço privilegiado para o intercâmbio de experiências e o fortalecimento das redes de pesquisa em Geografia Ambiental e Ecologia Política.

Pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, docentes e todos aqueles interessados nas questões ambientais e territoriais estão convidados a acompanhar a programação e participar deste importante encontro acadêmico e político.

Mais informações e acesso à primeira circular:
https://www.even3.com.br/iv-simposio-nacional-geografia-ambiente-e-territorio-734977/

Acompanhe as novidades pelo Instagram
https://www.instagram.com/ivsimgat/

Dilúvio, adaptação climática negligenciada e neoliberalismo: quem paga o preço são os pobres

Ao longo desta terça-feira, ficou mais claro o tamanho da tragédia que se abateu sobre as cidades de Juiz de Fora e Ubá, ambas localizadas na Zona da Mata de Minas Gerais. Afora o número incerto de mortos, as imagens evidenciaram um processo de destruição de grande magnitude nas duas cidades. Fatores naturais, como relevo e orientação geográfica, contribuíram para exponencializar os problemas decorrentes de grandes volumes de precipitação em curtos períodos de tempo. 

Mas o que se viu em termos de destruição é apenas uma pequena amostra do que deverá ocorrer em grandes partes do território brasileiro nos próximos anos e décadas, caso medidas urgentes de adaptação urbana não sejam adotadas para tornar as cidades minimamente ajustadas ao novo padrão climático, caracterizado por eventos meteorológicos cada vez mais extremos, como o observado ontem em Juiz de Fora e Ubá.

O problema é que o Brasil vive hoje sob uma combinação mortífera que mistura negacionismo climático com regras orçamentárias de viés neoliberal. Essa combinação é particularmente grave na medida em que, em todos os níveis de governo (federal, estadual e municipal), há um desprezo pelo conhecimento científico e uma adesão aos cânones neoliberais que implicam pouca ou nenhuma destinação de recursos para pesquisa científica e adaptação climática.

Se essa combinação não for drasticamente revertida, os próximos anos e décadas serão dramáticos nas cidades brasileiras, sobretudo nas regiões habitadas pelos segmentos mais pobres da população. Isso porque, no momento de melhorar a infraestrutura urbana — mesmo nas formas ultrapassadas que continuam sendo adotadas —, são as áreas mais ricas as principais beneficiadas. Para agravar a situação, aos mais pobres são destinadas as áreas rejeitadas pela especulação imobiliária.

É preciso, mais do que nunca, retomar a discussão sobre a reforma do solo urbano, de modo a democratizar o acesso à terra — condição básica para que as cidades deixem de ser tão segregadas. É fundamental alterar a estrutura da propriedade urbana, pois somente assim será possível iniciar a formulação e a execução de políticas de adaptação que sejam justas para todos, e não restritas aos segmentos que hoje hegemonizam os escassos recursos destinados ao aprimoramento das estruturas urbanas.

Diante desse quadro, não se trata apenas de reconhecer a gravidade dos eventos recentes, mas de romper com a inércia política que os transforma em rotina. É imperativo recolocar o planejamento urbano, a ciência e a justiça socioespacial no centro das decisões públicas, com investimentos consistentes em adaptação climática, revisão das prioridades orçamentárias e enfrentamento direto das desigualdades no acesso à terra. Sem isso, cada nova tragédia deixará de ser exceção para se consolidar como regra — não por fatalidade natural, mas por escolha política.