Contagem Regressiva, documentário para se entender os Jogos Olímpicos

contagem

A Justiça Global e a Couro de Rato apresentam a série “Contagem Regressiva”, que relata as violações de direitos humanos que marcaram todo o processo de preparação da cidade para os Jogos Olímpicos. As remoções são o tema do primeiro episódio, um dos legados mais perversos deste período. Foi nos anos pré-olímpicos que o Rio de Janeiro conheceu a mais brutal política de remoções de sua história: mais de 20 mil famílias foram removidas desde 2009, ano do anúncio oficial da cidade sede.

Os escombros sobre o chão são apenas a face mais evidente da história arrancada a tratores e marretas.

Realização: Justiça Global e Couro de Rato 
Direçao: Luis Carlos de Alencar
Produçao Executiva: Vladimir Seixas
Poesia Original: Elaine Freitas
Música Original: MANO TEKO e Mc Lasca

Sinopse dos episódios:

Episódio 1: Na história do Rio de Janeiro as remoções forçadas foram políticas públicas usualmente exercidas contra sua população negra e pobre. A partir do dia 02 de outubro de 2009 esse processo se acentuou: a cidade carioca foi escolhida para ser sede dos Jogos Olímpicos. A Prefeitura passou a alegar que as remoções eram para dar lugar a parques esportivos olímpicos e a obras viárias ligadas aos Jogos, como a Transoeste, Transbrasil e Transolímpica. E quando se tratavam de áreas que não se encaixavam nesses casos, a justificativa mais usada era de que as remoções se dariam por risco ambiental. De 2009 até 2015 foram 22.059 famílias removidas totalizando cerca de 77.206 pessoas, segundo Dossiê do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro. O reassentamento, quando ocorre, é em locais distantes, como por exemplo o bairro de Cosmos, a 70 km do centro do Rio, onde há insuficiência de transporte, escolas e hospitais públicos.

https://www.youtube.com/watch?v=D2IdgKhkxh0 (episódio 1)

Episódio 2: É na militarização e na higienização do Rio que os Jogos Olímpicos colocam suas bases. Faltando menos de dois meses para o megaevento, o novo episódio da Contagem Regressiva mostra exatamente quem sofre o Controle Urbano na construção da cidade espetáculo.

https://www.youtube.com/watch?v=OoblOhnXCyE (episódio 2)

Episódio 3: Porto Maravilha: como tem se dado a sua implementação, descaracterizando a região portuária, que é patrimônio histórico e cultural da cidade, por sua destacada dimensão da presença negra e de moradias coletivas. A maior parceria público-privada do país , administrada pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Carioca, declara-se como financiamento privado, mas é assegurada pelo poder público em mais de R$ 8 bilhões, através dos recursos do FGTS.

https://www.youtube.com/watch?v=sT6BAbnKD68 (episódio 3)

Episódio 4: O processo de preparação do Rio de Janeiro para os mega-eventos esportivos implicou também em uma mudança radical no modo de circulação pela cidade. Não foi apenas o aumento exponencial das tarifas que afetou o cotidiano de moradoras e moradores – junto com ele também vieram os cortes das linhas de ônibus, as obras faraônicas para construção de corredores viários, políticas que não favoreceram a maior parte da população, sobretudo na Zona Oeste da cidade.

Aliado a esse processo, houve também o aprofundamento de políticas segregatórias e racistas de controle do acesso às praias da cidade. Jovens negros vindos de favelas e periferias tornaram-se alvo de revistas, apreensões injustificadas, uma clara demonstração de que a cidade maquiada para receber os Jogos Panamericanos, a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos continua de braços abertos para a Guanabara e de costas ao avesso da montanha.

https://www.youtube.com/watch?v=qt6kuxTHnJs   (episódio 4)

Justiça Global lança minissérie sobre remoções causadas pelos Jogos Olímpicos do Rio

contagem regressiva

É AMANHÃ – Lançamento de “Remoções”, o primeiro episódio da série “Contagem Regressiva” •

O legado de exclusão dos Jogos Olímpicos é colocado em foco pela série Contagem Regressiva, cujo primeiro episódio trata do maior processo de remoções da história do Rio de Janeiro, que ocorre dentro do contexto de realização dos megaeventos na cidade.

A minissérie em quatro episódios é uma realização da Justiça Global e da Couro de Rato. Acompanhe.

FONTE: https://www.facebook.com/justicaglobal/photos/a.297913546906650.78246.168262279871778/1148254001872596/?type=3&theater

Justiça Global lança relatório de inspeção sobre desastre socioambiental em Mariana

Bento Rodrigues, destruída no crime cometido pela Samarco / Foto: Daniela Fichino

A Justiça Global lança nesta quinta-feira (14) o relatório “Vale de Lama – Relatório de inspeção em Mariana após o rompimento da barragem de rejeitos do Fundão” sobre as violações de direitos humanos decorrentes do maior desastre da história da mineração no país: o rompimento da barragem operada pela Samarco (Vale/BHP). O relatório aborda situações de grave violação ao direito à vida, à água, à moradia, ao trabalho, à saúde e ao meio ambiente, para as quais empresas e Estado têm falhado em fornecer respostas rápidas e efetivas. São também relatadas situações de hostilidade e criminalização de defensores e defensoras de direitos humanos e movimentos sociais.

O relatório aborda as características da operação da Samarco na região, que vinha em processo de expansão de suas atividades nos últimos anos. Trata ainda das deficiências de procedimentos de prevenção e segurança da empresa, sobretudo em seu Plano de Ações Emergenciais (PAE), que excluía a realização de simulações com as comunidades em caso de emergência e não contemplava a participação efetiva da população de comunidades situadas próximas das barragens. As deficiências dos procedimentos de alerta também foram ressaltadas pelos moradores das localidades entrevistados pela Justiça Global nas visitas em campo.

Foram igualmente constatados inúmeros impactos psicossociais entre os atingidos pelo rompimento da barragem de rejeitos. Aos sintomas de mal estar físico, como vômitos e diarreia, soma-se o trauma decorrente da violência vivenciada com a chegada da torrente destruidora de rejeitos. Diversas pessoas perderam também a sua fonte de trabalho e renda, seja porque suas criações e plantações foram completamente arrasadas, seja porque dependiam dos rios da região para abastecer o rebanho e os cultivos.

Do ponto de vista legal, o relatório aborda as estratégias de desresponsabilização adotadas empresas acionistas.Vale e BHP Billiton, duas das três maiores mineradoras do mundo, ocultam-se sob o manto de outra personalidade jurídica (a Samarco Mineração) para não assumir suas obrigações no campo dos direitos humanos. Enquanto a BHP Biliton aposta na estratégia de “desresponsabilização operacional”, comportando-se apenas como um investidor da Samarco, as declarações dos diretores da Vale vão além e ignoram as suas operações de descarga de rejeitos na barragem rompida, realizadas enquanto empresa autônoma. A estratégia das empresas é tratar este desastre sem precedentes no âmbito da responsabilidade social corporativa, aderindo a ações voluntárias que resguardem sua imagem e valor de mercado.

Para a advogada Raphaela Lopes, da Justiça Global, o desastre ressaltou a necessidade de ampliar o debate sobre responsabilização de empresas e do Estado em desastres como o de Mariana. “Situações como essa expõem a fragilidade das garantias fundamentais da população quando passam por situações calamitosas. A análise desse caso no relatório busca exatamente contribuir com esse debate, para que os mecanismos de precaução e de resposta sejam mais eficientes, evitando ao máximo violações de direitos como vimos no caso da Samarco, que é controlada pela Vale e pela BHP”. Veja o relatório aqui (ISSUU) ou aqui (Google Drive)

FONTE: http://global.org.br/programas/justica-global-lanca-relatorio-de-inspecao-sobre-desastre-socioambiental-em-mariana/