Pastagens brasileiras ocupam área equivalente a todo o estado do Amazonas

Área de pastagens cresceu 200% na Amazônia nos últimos 36 anos. Neste período a quantidade de pastagens severamente degradadas caiu pela metade em todo o país

pastagens

O principal uso dado ao solo brasileiro é a pastagem: ela ocupa 154 milhões de hectares de norte a sul do país, com presença em todos os seis biomas. Essa área praticamente equivale a todo o Estado do Amazonas, que tem 156 milhões de hectares. Ou 6,2 estados de São Paulo. Ou mais de duas vezes e meia o tamanho da Bahia. Os dados fazem parte de um mapeamento inédito do MapBiomas que será apresentado nesta quarta-feira, 13 de outubro, a partir de 10h30, pelo YouTube.

A área destinada à pecuária é ainda maior se considerar que a ela se somam parte das áreas de campos naturais, principalmente no Pampa e Pantanal, que cobrem 46,6 milhões de hectares no país, e áreas de mosaico de agricultura e pastagem onde o mapeamento não permitiu a separação ou elas ocorrem de forma consorciada, e que cobrem 45 milhões de hectares.

A análise das imagens de satélite entre 1985 e 2020 permitiu também avaliar a qualidade das pastagens brasileiras e constatar uma queda nas áreas com sinais de degradação de 70% em 2000 para 53% em 2020. No caso das pastagens severamente degradadas houve uma redução ainda mais expressiva; representavam 29% das pastagens em 2000 (46,3 milhões de hectares) e agora representam 14% (22,1 milhões de hectares). Essa melhora foi identificada em todos os biomas, sendo que os que apresentaram maior retração nas áreas severamente degradadas foram Amazônia (60%), Cerrado (56,4%), Mata Atlântica (52%) e Pantanal (25,6%).

“A qualidade das pastagens tem importância estratégica para o produtor e para o país. Para o produtor, pela relação direta com a produtividade do rebanho, seja ele de corte ou de leite. Para o país, pela capacidade das pastagens bem manejadas de capturar carbono das. Por outro lado, pastagens degradadas agravam a contribuição do setor agropecuário para as emissões dos gases que estão alterando o clima, com efeitos perversos sobre a própria atividade agropecuária”, explica Laerte Laerte Ferreira, professor e pró-reitor de Pós-Graduação (PRPG) da Universidade Federal de Goiás e coordenador do levantamento de pastagens do MapBiomas.

De 1985 a 2020, pelo menos 252 milhões de hectares são ou já foram pastagem. A partir da análise de imagens de satélite foi possível detectar duas fases distintas no processo de conversão que transformou quase um terço do país em pastagens nesse período. Ele foi mais intenso entre 1985 e 2006, quando se registrou um crescimento de 46,3% na extensão ocupada por pastagens, que passou de 111 milhões de hectares para 162,4 milhões de hectares. Em meados dos anos 2000, a área total de pastagem parou de crescer e até encolheu, registrando uma retração de 5% de 2005 a 2020.

qualidade pastagem

Sobre o MapBiomas

O MapBiomas é uma iniciativa multi-institucional que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia que se uniram para contribuir para a compreensão das transformações do território brasileiro a partir do mapeamento anual da ocupação e uso do solo no Brasil. Em agosto de 2021, foi publicada a Coleção 6 de MapBiomas com mapas de cobertura e uso do solo do Brasil de 1985 a 2020. A ferramenta desenvolvida pela MapBiomas para todas as suas iniciativas disponibiliza informações geradas com resolução espacial de 30 metros. Os dados são processados usando algoritmos de classificação automática por meio de informações na nuvem do Google Earth Engine. https://mapbiomas.org/

Levantamento inédito do MapBiomas Amazônia mostra que perda de florestas desde 1985 equivale a um Chile

Especialistas alertam que a Amazônia poderá alcançar o ponto de ruptura ainda nesta década se o ritmo de destruição persistir

Sobrevoo no Pará (Foto Marizilda Cruppe/Amazônia Real/17/09/20

Entre 1985 e 2020, a Amazônia perdeu 52% de suas geleiras e 74,6 milhões de hectares de sua cobertura vegetal natural – uma área equivalente ao território do Chile. No mesmo período houve um crescimento de 656% na mineração, 130% na infraestrutura urbana e 151% na agricultura e pecuária. Estas são algumas das principais conclusões de um mapeamento inédito do MapBiomas Amazônia que será apresentado nesta quinta-feira, 30 de setembro, por meio da plataforma youtube.com/raisg às 9h do Peru, Equador e Colômbia; 10:00 da Bolívia e Venezuela; e 11:00 do Brasil. A Coleção 3.0 de Mapas Anuais de Cobertura e Uso do Solo da Amazônia incorpora todo o bioma, desde os Andes, passando pela planície amazônica e alcançando as transições com o Cerrado e o Pantanal.

O mapeamento temporal do uso e cobertura de solo do bioma mostrou que se em 1985 apenas 6% da Amazônia havia sido convertidos em áreas antrópicas, como pastagens, agricultura, mineração ou áreas urbanas, em 2020, esse percentual quase triplicou, chegando a 15% de toda a região. O processo varia consideravelmente entre os países, sendo apenas 1% para Suriname, Guiana e Guiana Francesa e, no outro extremo, 19% no Brasil. Estudos recentes sugerem que a perda de 20-25% da cobertura florestal da Amazônia pode significar o ‘ponto de inflexão’ (ponto de ruptura) para os serviços ecossistêmicos da Amazônia. Se a tendência atual verificada pela MapBiomas continuar, essa virada poderá ser alcançada ainda nesta década.

Gerada por técnicos e especialistas de cada um dos países que integram a Amazônia a partir de imagens de satélite, esta terceira coleção de dados inclui novas classes de uso, como Mineração e Infraestrutura Urbana, além de mapas e dados sobre os vetores de pressão nas florestas e outras coberturas, como concessões de mineração, blocos de petróleo, estradas e usinas hidrelétricas. O objetivo é contribuir para o conhecimento da situação atual da região amazônica de forma integral – tanto das mudanças no uso do solo em toda a Amazônia como das pressões sobre suas florestas e ecossistemas naturais.

“Reconstruir a história de nossa Amazônia olhando as mudanças ano a ano em suas coberturas naturais, identificando perdas de coberturas tão importantes como geleiras e florestas em geral, nos ajuda a construir e propor estratégias de conservação mais precisas”, destaca Beto Ricardo, coordenador geral da RAISG. “A Coleção 3.0 do MapBiomas Amazônia mostra uma antropização profunda e rápida em curso na região”, afirma Tasso Azevedo, coordenador geral da MapBiomas. “Nos atuais mapeamentos do MapBiomas em toda a América do Sul este é um padrão marcante. Os dados são inestimáveis ​​para o entendimento da dinâmica de uso dos recursos naturais da região, além de contribuir para a modelagem climática e o cálculo das emissões e remoções de gases de efeito estufa devido às mudanças e uso do solo na região”, completa.
 
mapbiomas amazonia

Sobre Mapbiomas Amazônia

MapBiomas Amazônia é uma iniciativa liderada pela Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas (RAISG) com o apoio do MapBiomas. Em 2019, lançou a Primeira Coleção, abrangendo o período de 2000 a 2017; em 2020, a Segunda Coleção, que cobre 1985-2018. Agora, após intenso trabalho dos integrantes da (RAISG) e colaboração técnica da equipe da MapBiomas Brasil, a Terceira Coleção abrange os 36 anos entre 1985 e 2020: https://amazonia.mapbiomas.org

São mais de 3 décadas de história de Ocupação e Uso de solo da Amazônia em mapas anuais de 1985 a 2020 com resolução de 30 metros. As informações do mapeamento são de livre acesso e download e compatíveis para todos os países da região. A plataforma oferece a possibilidade de visualização dos mapas em nível regional, nacional e até local, identificando as áreas cobertas por florestas, campos naturais, manguezais, agricultura, rios, entre outros, permitindo conhecer a situação da cobertura vegetal, bem como tendências, na unidade que se deseja trabalhar. Permite também entender a dinâmica das mudanças de uso da terra segundo recortes fundiários, como dentro e fora de uma Terra Indígena ou Área Protegida, graças ao fato de que a plataforma oferece não só mapas, mas também estatísticas apresentadas em tabelas e gráficos dinâmicos com as mudanças de uso no período que o usuário necessita.

A ferramenta de mapeamento do uso do solo foi desenvolvida pelo MapBiomas para ser aplicada inicialmente no Brasil. Para a totalidade do bioma amazônico, foi aprimorada com a contribuição das organizações membros da RAISG para adequar os resultados e análises à geografia de cada um dos países. Em particular, foi necessário levar em consideração as variações altitudinais típicas da Amazônia andina. Atualmente, a ferramenta de mapeamento MapBiomas inclui 28 classes, que vão desde geleiras andinas a formações florestais nas planícies amazônicas.

Sobre a Raisg

RAISG é a Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas, um consórcio de organizações da sociedade civil dos países amazônicos voltado para a sustentabilidade socioambiental da Amazônia, com o apoio da cooperação internacional. A RAISG gera e dissemina conhecimento, dados estatísticos e informações socioambientais geoespaciais da Amazônia, elaborados com protocolos comuns para todos os países da região; tornou possível visualizar a Amazônia como um todo, bem como as ameaças e pressões que pairam sobre ela. RAISG é o resultado da cooperação de oito organizações da sociedade civil que atuam em seis países amazônicos: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. https://www.amazoniasocioambiental.org/es/

Sobre Mapbiomas

O MapBiomas é uma iniciativa multi-institucional que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia que se uniram para contribuir para a compreensão das transformações do território brasileiro a partir do mapeamento anual da ocupação e uso do solo no Brasil. Em agosto de 2021, foi publicada a Coleção 6 de MapBiomas com mapas de cobertura e uso do solo do Brasil de 1985 a 2020. A ferramenta desenvolvida pela MapBiomas para todas as suas iniciativas disponibiliza informações geradas com resolução espacial de 30 metros. Os dados são processados ​​usando algoritmos de classificação automática por meio de informações na nuvem do Google Earth Engine. https://mapbiomas.org/

Sacrifício para o agronegócio: Caatinga, floresta rica em biodiversidade, está em chamas por causa da expansão da soja

soja bahiaMonocultivo de soja na Bahia deve enriquecer ainda mais as empresas

Por Norbert Suchanek, Rio de Janeiro, para Junge Welt

Quando se trata de destruição natural no Brasil, geralmente é a Amazônia. Outro desastre está ocorrendo atualmente no país, mas desta vez no Nordeste. Afetada é a Caatinga, a floresta seca rica em espécies do Brasil, que pode resistir a longas secas, mas não provocou incêndios intencionalmente. Está em chamas desde o início de 2021. O Instituto Brasileiro de Pesquisas Espaciais (INPE) contabilizou 3.040 focos de fogo em meados de agosto, mais de 160 por cento a mais do que no mesmo período do ano anterior.

Com uma área de cerca de 850 mil quilômetros quadrados, a Caatinga é o quarto maior bioma do Brasil, mas quase não é protegida. Como ecossistema de floresta natural no semi-árido nordestino, se estende por dez estados. Seu nome significa “floresta branca” como realmente aparece durante os meses de seca. Assim que chove, porém, a caatinga fica verde. Mais da metade desse ecossistema endêmico que só ocorre no Brasil já foi devastado ou convertido em monoculturas. Apenas 2% da caatinga está sob proteção da natureza.

Neste ano, as operações legais e ilegais de corte e queima se concentram no oeste do bioma – no Piauí e na Bahia, onde o cerrado, cada vez mais destruído para o cultivo da soja em grande escala, se transforma em caatinga. Os dois estados fazem parte da frente do agronegócio Matopiba, que também inclui os estados do Maranhão e Tocantins. Desde o início de 2000, com o apoio do Estado brasileiro e de investidores internacionais, as áreas de cultivo de monoculturas de soja vêm se expandindo às custas do cerrado.

De acordo com os últimos dados da Mapbiomas, rede de cientistas, instituições de pesquisa e organização de proteção ambiental que monitora os biomas brasileiros, um total de 61.373 hectares de floresta seca no Nordeste foram destruídos em 2020. A maior área, 32.956 hectares, foi perdida na Bahia.

Além do Matopiba, outra frente agrícola ameaça o Nordeste desde 2015. A Embrapa, agência estadual de desenvolvimento agrícola do Brasil, deu o nome de “Sealba” em homenagem aos estados afetados de Sergipe, Alagoas e Bahia. A região com área superior a cinco milhões de hectares possui condições edafoclimáticas favoráveis ​​e grande potencial para se tornar uma área de grande importância agrícola, principalmente para o cultivo industrial de soja e milho, segundo os engenheiros agrônomos da Embrapa . O agronegócio aqui está de olho sobretudo nos Tabuleiros Costeiros, planaltos litorâneos do Nordeste. Devido às monoculturas, os preços da terra na região aumentaram dramaticamente. Segundo o canal Canal Rural , eles aumentaram vinte vezes desde 2010.

Se você não consegue acompanhar, você tem que ceder. Criadores de gado deslocados e famílias de pequenos agricultores se deparam com a opção de abrir novas áreas na Caatinga ou ingressar no exército de desempregados das cidades.

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Este texto foi escrito inicialmente em alemão e publicado pelo jornal “Junge Welt” [Aqui!].

Mata Atlântica: o desafio de ZERAR o desmatamento para permitir a recuperação do Bioma onde vivem mais de 70% da população brasileira

Levantamento inédito do MapBiomas mostra que importantes bacias hidrográficas da região têm cobertura florestal baixa, ao redor de apenas 20%

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Um quarto da cobertura florestal da Mata Atlântica está preservado. O dado, inédito, foi obtido pelo MapBiomas a partir do mapeamento de imagens de satélite entre 1985 e 2020 segundo os contornos determinados pela Lei n° 11.428 de 2006, também conhecida como Lei da Mata Atlântica. Com isso, foram analisados todos os remanescentes florestais do bioma, incluindo partes do Piauí e Ceará. Os 465.711 km2 remanescentes da Mata Atlântica são encontrados em 17 estados (a área contínua estende-se por apenas 15 estados). Este e outros dados serão divulgados nesta quarta-feira (15/09), em webinar no canal do YouTube da organização, a partir das 10h30.
O mapeamento das transformações da Mata Atlântica indica que a cobertura florestal passou de 27,1% em 1985 para 25,8% em 2020. Atualmente, outros 25% são ocupados por pastagens; 16,5% por mosaicos de agricultura e pastagens; 15,% pela agricultura; 10,5% por formação savânica e outras naturais.

A cobertura florestal manteve-se praticamente estável nos últimos 30 anos, após um período de alto desmatamento ocorrido entre 1985 e 1990. Por trás dessa estabilidade, no entanto, esconde-se a perda de florestas maduras e a regeneração de matas jovens. Entre 1985 e 2020 a perda de vegetação primária foi de 10 milhões de hectares. Nesse mesmo período, a área de vegetação secundária ganhou 9 milhões de hectares. Essa perda ainda pode ser observada em determinadas regiões do bioma, como as florestas de araucárias do Paraná e ao norte de Minas Gerais, na fronteira com a Bahia. O mesmo processo ocorre em áreas de campos naturais, como na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre 1985 e 2020, a perda de formações campestres foi de 28%.

“A aparente estabilidade da cobertura florestal da Mata Atlântica é enganosa porque existe uma diferença de qualidade entre uma mata madura, rica em biodiversidade e com carbono estocado, de uma área em recuperação”, alerta Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas. Além disso, uma área abandonada por quatro ou cinco anos já tem floresta em estágio inicial, mas muitas vezes ela é desmatada, evitando que essa floresta se recupere. “Precisamos interromper essa tendência de destruição de florestas maduras e fomentar a manutenção das matas recuperadas para garantir os serviços ambientais prestados pelo bioma”, afirma Luís Fernando Guedes, coordenador da equipe Mata Atlântica e Pantanal do MapBiomas. Na região da Mata Atlântica vivem mais de 70% dos brasileiros, que dependem dos serviços ambientais do bioma para manter a qualidade do ar e o abastecimento de água e energia. Incentivar a recuperação de florestas no entorno dos rios, áreas de nascentes e de recarga dos sistemas de abastecimento urbano pode reduzir o risco hídrico para essa população.

Uma parte desse processo já está em curso: as imagens de satélite mostram recuperação em Áreas de Preservação Permanentes (APPs) em torno dos rios, principalmente no interior de São Paulo e do Paraná, onde o pasto foi substituído pela agricultura, como cana de açúcar. “As áreas de pastagem ocupavam até a margem dos rios, favorecendo a erosão e o assoreamento dos cursos d’água. Com a substituição pela agricultura, a APP na borda dos rios foi respeitada e se recuperou – naturalmente ou com plantio de nativas. Essa vegetação, principalmente no entorno das nascentes, é fundamental para a qualidade e quantidade da água”, detalha Marcos.

Apesar disso, a situação de importantes bacias hidrográficas para o abastecimento de água desses estados, onde se concentram grandes centros urbanos, é preocupante. Muitas têm baixa cobertura vegetal e isso afeta a produção de águas. A bacia do Paraná, por exemplo, teve sua cobertura nativa reduzida de 24% em 1990 para 19% em 2020. A do Rio Grande também teve uma leve oscilação negativa, de 21% (1990) para 20% (2020). A bacia do Tietê passou de 19% (1990) para 20% (2020). Paranapanema permaneceu estável em 23% nas duas datas. A bacia do Paraíba do Sul oscilou levemente para cima (de 27% em 1990 para 29% em 2020).

“O planejamento da recuperação florestal da Mata Atlântica de acordo com as bacias hidrográficas é uma enorme oportunidade para gestores públicos”, destaca Marcos. “Como metade da vegetação nativa da Mata Atlântica está em áreas privadas, políticas como a de Pagamento por Serviços Ambientais e criação de corredores assume papel estratégico para a recuperação e conservação do bioma”, completa.

Nos últimos 36 anos, 12 estados perderam vegetação nativa. A Bahia foi o campeão em perda (com 9.642 km2), seguido pelo Rio Grande do Sul (6.899 km2), Santa Catarina (6.359 km2) e Paraná (com 3.744). A década de maior recuperação de áreas florestais ocorreu entre 2000 e 2010, quando a Mata Atlântica ganhou 5.754 km2 de florestas. Por duas décadas, desde 2000, o estado de São Paulo manteve o crescimento da área de florestas.

Imagens de satélite comprovam que terras indígenas são as áreas mais preservadas do Brasil nas últimas décadas

Levantamento do MapBiomas mostra também que entre 1985 e 2020 a área de agropecuária cresceu em 5 dos 6 biomas brasileiros. No caso da soja, o total ocupado equivale ao estado do Maranhão
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Maloca de indígenas em isolamento voluntário na Terra Indígena Kampa e Isolados do Rio Envira. — Foto: Gleilson Miranda/Funai

Apenas 1,6% da perda de Florestas e Vegetação Nativa no Brasil entre 1985 e 2020 ocorreu em terras indígenas. O dado provém da análise de imagens de satélite desse período desenvolvida pela equipe de pesquisadores do MapBiomas utilizando recursos de inteligência artificial. Nesses 36 anos, os territórios indígenas já demarcados ou aguardando demarcação foram os que mais preservaram suas características originais, comprovando o valioso serviço que essas comunidades prestam ao Brasil.

“Se queremos ter chuva para abastecer os reservatórios que provêm energia e água potável para consumidores, indústria e o agronegócio, precisamos preservar a floresta amazônica. E as imagens de satélite não deixam dúvidas: quem melhor faz isso são os indígenas”, explica Tasso Azevedo, Coordenador do MapBiomas.

Se os territórios indígenas permaneceram quase intactos nas últimas décadas, o mesmo não se pode dizer do resto do Brasil. O crescimento da área ocupada por atividades agropecuárias entre 1985 e 2020 foi de 44,6%. Juntas, agricultura e pecuária ganharam 81,2 milhões de hectares no período. Essas atividades cresceram em cinco dos seis biomas brasileiros, com exceção da Mata Atlântica.

Nesses 36 anos, a área de plantio de soja e cana alcançou a mesma extensão de toda a formação campestre do Brasil. A soja já equivale a um Maranhão e a cana ocupa o dobro da área urbanizada do país. O padrão de expansão da agropecuária nesse período é o avanço das pastagens sobre áreas de vegetação nativa enquanto a agricultura se expande principalmente sobre áreas de pastagem. Com isso a área total de pastagem parou de crescer em meados dos anos 2000 e começou a encolher registrando uma retração de 4% de 2005 a 2020, depois de crescer 45% entre 1985 e 2005.

Atualmente, as pastagens representam o principal uso da terra no Brasil, ocupando um quinto do território nacional. Elas serão tema de análise mais aprofundada do MapBiomas, em estudo sobre a qualidade das pastagens a ser lançado ainda este ano.

Dos 27 estados da federação, 24 perderam vegetação nativa. Os campeões são Rondônia (-28%), Mato Grosso (-24%) e Maranhão (-16%). Apenas dois estados conseguiram manter as áreas de vegetação nativa – ambos na região Sudeste, principalmente na Mata Atlântica: Rio de Janeiro e Espírito Santo. No caso do Rio de Janeiro, houve inclusive um leve crescimento (de 34% em 1985 para 35% em 2020).

A principal cobertura vegetal nativa no Brasil é a floresta, que cobre 59,7% do território nacional. Mas esse percentual está majoritariamente concentrado na região amazônica. Ou seja, excluindo-se a Amazônia, o retrato do Brasil é bem diferente. No Pampa, 42,7% do território é ocupado pela agropecuária. Na Mata Atlântica, a área de agropecuária é ainda maior, ocupando dois terços (64,3%) do bioma. Cerrado (44,2%) e Caatinga (35,2%) têm a terceira e quarta maior ocupação por atividades agropecuárias.

Uma análise mais detalhada da cobertura e uso de terra no Brasil mostra que os 66,3% de vegetação nativa que as imagens de satélite mostram não correspondem necessariamente a áreas preservadas. “Uma parte significativa passou por processo de degradação ou está em regeneração depois de ter sido desmatada, por isso aprofundar o entendimento destes processos de degradação é um dos focos atuais do MapBiomas”, afirma Tasso Azevedo. “Com a plataforma de monitoramento das cicatrizes de fogo, descobrimos que 57 milhões de hectares, ou 11% da floresta existente no Brasil em 2020, pegaram fogo pelo menos uma vez nos últimos 36 anos”, detalha Ane Alencar, coordenadora do mapeamento do Cerrado e do mapeamento do fogo.

Em outra frente de trabalho, os pesquisadores mapearam as áreas de regeneração no Brasil. “A área de vegetação secundária no Brasil superou 45 milhões de hectares em 2020, o que representa 8% de vegetação nativa no Brasil”, explica Marcos Rosa, Coordenador Técnico do MapBiomas. “Essa vegetação secundária também precisa ser protegida e monitorada, especialmente aquela nas faixas de proteção dos corpos d’água e nascentes, ampliando a captura do carbono, aumentando a quantidade e qualidade das águas e a recuperação dos mananciais”.

O percentual de área natural identificado pelo MapBiomas engloba também vegetação secundária, ou seja, que já foi destruída e se recuperou, capturando carbono da atmosfera. “Quando a vegetação secundária é suprimida, e isso acontece com frequência, não só liberamos mais carbono para a atmosfera como interrompemos o processo de captura”, informa Marcos Rosa, Coordenador Técnico do MapBIomas. “Ou seja, para favorecer o cumprimento de nossas metas climáticas, o Brasil precisa parar de desmatar florestas primárias e também as secundárias”.

A Coleção 6 dos Mapas Anuais de Cobertura e Uso da Terra no Brasil foi atualizada e ampliada contando com 25 classes mapeadas (eram 21 da última edição) e está disponível gratuitamente para todos os públicos a partir de hoje.

Sobre MapBiomas

Iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Todos os dados, mapas, método e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa: mapbiomas.org

Nova série do MapBiomas revela que quase 20% do território brasileiro pegou fogo ao menos uma vez entre 1985 e 2020

Iniciativa pioneira de mapeamento histórico das cicatrizes do fogo no Brasil gera o mais abrangente banco de dados sobre áreas queimadas e incêndios florestais do País, com dados inéditos – e preocupantes
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Incêndio queima cerca de mil hectares no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães | Mato Grosso
Uma casa que pega fogo todos os anos: esse é o retrato do Brasil obtido pelo MapBiomas após analisar imagens de satélite entre 1985 e 2020 para entender o impacto do fogo sobre o território nacional. Na média, em cada um desses 36 anos, o Brasil queimou uma área maior que a Inglaterra: foram 150.957 km² por ano, ou 1,8% do país. O acumulado do período chega a praticamente um quinto do território nacional: 1.672.142 km², ou 19,6% do Brasil.

“Analisar as cicatrizes do fogo ao longo do tempo permite entender as mudanças no regime de fogo e seu avanço sobre o território brasileiro”, destaca Ane Alencar, Coordenadora do MapBiomas Fogo.

Quase dois terços (65%) do fogo ocorreram em áreas de vegetação nativa, sendo que os biomas Cerrado e Amazônia concentram 85% de toda a área queimada pelo menos uma vez no país. No caso do Cerrado, a área queimada por ano desde 1985 equivale a 45 vezes a área do município de São Paulo.

“Um dado preocupante é que cerca de 61% das áreas afetadas pelo fogo entre 1985 e 2020 foram queimadas duas vezes ou mais, ou seja, não estamos falando de eventos isolados. No caso da Amazônia, 69% do bioma queimou mais de uma vez no período, sendo que 48% queimou mais de três vezes”, ressalta.

Os estados com maior ocorrência de fogo foram Mato Grosso, Pará e Tocantins. Formações savânicas foram o tipo de vegetação nativa com mais ocorrência de fogo; pastagens foram o tipo de uso antrópico com mais ocorrência de fogo.

Embora os grandes picos de área queimada no Brasil tenham ocorrido principalmente em anos impactados por eventos de seca extrema (1987, 1988, 1993, 1998, 1999, 2007, 2010, 2017), altas taxas de desmatamento principalmente na Amazônia e antes de 2005 e depois de 2019 tiveram um grande impacto no aumento da área queimada nesses períodos. A estação seca, entre julho e outubro, concentra 83% da ocorrência de queimadas e incêndios florestais.

A análise por bioma mostra que o Pantanal é o que mais queimou nos últimos 36 anos: 57% de seu território foi queimado pelo menos uma vez no período, ou 86.403 km². Ele é seguido pelo Cerrado (733.851 km², 36%) e pela Amazônia (690.028 km², 16,4%). “O caso da Amazônia é preocupante. Os dados do MapBiomas Fogo revelam que as florestas do bioma têm queimado em grandes proporções e alta frequência, o que não é esperado em um bioma que não é naturalmente adaptado ao fogo”, explica Ane Alencar.

Na média anual, o bioma Cerrado assume a liderança, com 67.833 km²/ano – mais que a Amazônia, cuja média ficou em 64.955 km²/ano. ” O Cerrado é um bioma com vegetação o nativa onde o fogo faz parte de sua ecologia”, explica Vera Arruda, da equipe do MapBiomas Fogo responsável pelo mapeamento do Cerrado. “Entretanto a extensão e frequência da área queimada no bioma nas últimas quase quatro décadas revela que algo está errado com o regime de fogo no bioma”, ressalta.

No bioma Pantanal é possível identificar os anos de 1999 e 2020 com os recordes de áreas queimadas. Foram anos secos e de grande acúmulo de biomassa. “O Pantanal tem uma vegetação adaptada ao fogo, mas em regime de frequência muito grande, ele torna-se prejudicial à biodiversidade de flora e fauna. O combate ao fogo no Pantanal é especialmente desafiador, portanto, ações de manejo integrado e preventivo do fogo, devem ser discutidas para proteção do bioma”, explica Eduardo Rosa, do MapBiomas.

No caso da Mata Atlântica, os meses de agosto, setembro e outubro constituem o período em que mais ocorrem queimadas, sendo que mais de 80% das queimadas ocorreram em áreas agropecuárias ou campestres, “É possível observar uma queda após 2004, quando começam a entrar em vigor leis para regulamentar a queimada em lavouras”, explica Marcos Rosa, Coordenador da equipe do MapBiomas Fogo responsável pelo mapeamento da Mata Atlântica.

Para chegar a esses números, inéditos, a equipe do MapBiomas processou mais de 150 mil imagens geradas pelos satélites Landsat 5, 7 e 8 de 1985 a 2020. Com a ajuda de inteligência artificial, foi analisada a área queimada em cada pixel de 30 m X 30 m dos mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro ao longo dos 36 anos entre 1985 e 2020, em todos os tipos de uso e cobertura da terra. Ao todo, foram 108 terabytes de imagens processadas, revelando áreas, anos e meses de maior e menor incidência do fogo. O método também permite identificar a área queimada em cada mês em todo o período, bem como o tipo de uso e cobertura do solo que queimou.

Os dados de áreas queimadas e incêndios florestais estão disponibilizados em mapas e estatísticas anual, mensal e acumulada em para qualquer período entre 1985 e 2020 na plataforma https://mapbiomas.org/, aberta a todos. Ela também inclui dados de frequência de fogo, indicando as áreas mais afetadas nos últimos 36 anos. A resolução é de 30 m, com indicação do tipo de cobertura e uso do solo que queimou, permitindo recortes territoriais e fundiários por bioma, estado, município, bacia hidrográfica, unidade de conservação, terra indígena, assentamentos e áreas com CAR.

Sobre MapBiomas: iniciativa multi-institucional, que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia, focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Todos os dados, mapas, método e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site da iniciativa: mapbiomas.org

Mato Grosso é campeão de desmatamento no Centro-Oeste; derrubada pelo fogo cresceu na Amazônia e no Pantanal

desmatamento-amazonia-1583883706-1000x666Área desmatada ilegalmente na Floresta Amazônica. Foto: marcio isensee / Shutterstock.com

Quando: sexta-feira, 23 de julho, às 10h (horário de Brasília)

O Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2020 para a região Centro-Oeste será apresentado nesta sexta-feira, 23, às 10h (horário de Brasília). O evento on-line será ao vivo terá participação de órgãos de monitoramento e fiscalização.

Produzido a partir dos dados do MapBiomas Alerta, o estudo expõe algumas contradições: uma redução no desmatamento no Cerrado fez com que o Centro-Oeste registrasse queda de 10% no número de alertas entre 2019 e 2020. Mas o fogo no Pantanal e na Amazônia cresceu.

Foram registrados 5.617 alertas na região e 239.255 hectares de vegetação nativa suprimida no período. Dos 467 municípios da região, 308 tiveram desmatamento, segundo o relatório. Entre os dez municípios do Centro-Oeste que registraram maior subtração de vegetação nativa, nove estão no Mato Grosso e um em Mato Grosso do Sul.

Mato Grosso do Sul foi o segundo Estado do Centro-Oeste que mais desmatou e o único que registrou aumento na área desmatada, com 34% a mais no comparativo – o que representou 178.183 hectares em 2020.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) atua na coordenação científica do projeto e na coordenação do bioma Cerrado.

Sobre o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) é uma organização científica, não governamental, apartidária e sem fins lucrativos que desde 1995 trabalha pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Nosso propósito é consolidar, até 2035, o modelo de desenvolvimento tropical da Amazônia, por meio da produção de conhecimento, implementação de iniciativas locais e influência em políticas públicas, de forma a impactar o desenvolvimento econômico, a igualdade social e a preservação do meio ambiente.

Sobre o MapBiomas Alerta

O MapBiomas Alerta é um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento, degradação e regeneração de vegetação nativa com imagens de alta resolução. Sua construção tem como base a experiência exitosa do MapBiomas de trabalho multi institucional, em rede, com processamento distribuído de imagens e dados em larga escala, disponibilizados de forma gratuita, transparente e acessível para a sociedade em geral. O MapBiomas Alerta não é mais um sistema de alertas de desmatamento, mas um esforço para potencializar a usabilidade e eficácia dos alertas já gerados.

Sobre o MapBiomas

O MapBiomas é uma iniciativa Observatório do Clima e é produzido por uma rede colaborativa de co-criadores formada por ONGs, universidades e empresas de tecnologia organizados por biomas e temas transversais.

Relatório de 2020 do Mapbiomas mostra avanço acelerado do desmatamento na Amazônia

'Like a bomb going off': why Brazil's largest reserve is facing destruction. Gold prospectors are ravaging the Yanomami indigenous reserve. So why does President Bolsonaro want to make them legal?

As imagens da floresta amazônica sob ataque do garimpo ilegal do ouro são uma pequena amostra dos efeitos da paralisação dos instrumentos de controle ambiental pelo governo Bolsonaro

O projeto Mapbiomas lançou hoje o seu relatório anual sobre o desmatamento nos diferentes florestais brasileiros relativo ao ano de 2020, e os resultados apresentados demonstram o avanço da perda da cobertura florestal como via de regra, ainda que as maiores perdas tenham ocorrido na Amazônia e no Cerrado (ver gráfico abaixo).

desmata biomas

No tocante à distribuição do desmatamento na Amazônia, os estados responsáveis pelas maiores taxas continuam sendo aqueles que compõe o chamado “Arco do Desmatamento”, com uma liderança clara do Pará cuja taxa de desmatamento chegou a dramáticos  24.49%, sendo seguido pelo Mato Grosso (12,86%), Maranhão  (12,08%) e Rondônia (10,05%) (ver figura abaixo).

desmata estados

Um dos detalhes mais significativos do avanço do desmatamento nos biomas brasileiros é que a velocidade da perda diária florestas chegou a igualmente dramáticos 3.209 hectares. Se considerarmos que o Mapbiomas está se referindo apenas a corte raso da floresta (i.e., desmatamento),  há ainda que se levar em conta que a alteração dos biomas é ainda mais grave, na medida em que também deve estar ocorrendo, de forma também acelerada, o processo de degradação de florestal cujos efeitos sobre serviços ambientais e perda da biodiversidade são igualmente significativos.

A gravidade dos números verificados para Mapbiomas para 2020 é ainda maior quando se verifica que nos primeiros meses de 2021, quando historicamente ocorre uma desaceleração da mudança na cobertura florestal da Amazônia, os valores encontrados estão os maiores da última década e em aceleração. Com isso, o que teremos em 2021 não será apenas ainda mais desmatamento e degradação via atividades como garimpo e extração seletiva de madeira, e, obviamente, um aumento no número de incêndios florestais (que também são uma forma particularmente eficiente de degradação florestal).

Curiosamente, as consequências econômicas desta destruição em larga escala da biodiversidade e dos serviços ambientais fornecidos pelos biomas amazônicos e do Cerrado já estão sendo medidas e os números são tão devastadores quanto os associados ao desmatamento e à degradação florestal. O problema é que neste momento a dinâmica imposta pelo governo Bolsonaro é de paralisar toda a estrutura de comando e controle em nome de uma forma tosca de geração de receita.

Quem desejar baixar o relatório de 2020 do Mapbiomas, basta clicar [Aqui!].

95% do desmatamento do primeiro trimestre foi ilegal, informa o novo sistema MapBiomas Alerta

MapBiomas-Alerta

Uma epidemia de desmatamento está afetando todos os biomas e estados, e 22% dos municípios. O diagnóstico, de um período de apenas seis meses, é do MapBiomas Alerta, sistema de alertas de desmatamento que entra no ar hoje (7/6), relata Fabiano Maisonnave na Folha.

Segundo o G1, 95% dos alertas já processados pelo novo sistema incidiram sobre áreas não autorizadas.

“A ferramenta busca garantir que, não importa quando alguém promoveu o desmatamento legal ou ilegal, a gente vai enxergar e vai poder reportar”, disse Tasso Azevedo, coordenador de desenvolvimento do MapBiomas Alerta em entrevista coletiva via internet.

Matéria d’O Globo relata que, com custo zero para instituições públicas, o MapBiomas Alerta é iniciativa da rede de ONGs Observatório do Clima, de universidades e empresas de tecnologia. Entre os financiadores estão o instituto Arapyaú e a Iniciativa Internacional de Clima e Floresta da Noruega. Entre as organizações que investiram com a tecnologia e o serviço estão a Google, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Universidade Estadual de Feira de Santana.

A nova ferramenta foi matéria ontem no Jornal Nacional da TV Globo. E o evento de lançamento poderá ser acompanhado a partir das 9h da manhã na página oficial do TCU no Facebook.

ClimaInfo, 7 de junho de 2019.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo ClimaInfo [Aqui!].

Amazônia perdeu ‘1 Equador’ em florestas apenas neste século

MapBiomas produz mapeamento inédito das mudanças de cobertura vegetal nos nove países do bioma e vê redução de 29,5 milhões de hectares entre 2000 e 2017

mapbioma

Mapa da Pan Amazônia feito pelo MapBiomas

A Amazônia perdeu 29,5 milhões de hectares de floresta neste século, o equivalente ao território do Equador. Os dados são de uma nova ferramenta de mapeamento, lançada nesta quinta-feira (21) em Lima, que permite monitorar mudanças de uso do solo nos nove países que abrigam o bioma e acompanhar as pressões sobre suas florestas.

Batizada MapBiomas Amazônia, a plataforma é resultado de uma parceria entre a rede MapBiomas, da qual o OC faz parte, e a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG), que busca contribuir para o conhecimento e análises da região amazônica de forma integral.

O produto inaugural do MapBiomas Amazônia é a Primeira Coleção de Mapas Anuais de Cobertura e Uso do Solo da Pan-Amazônia (2000-2017), um território de mais de 7 milhões de quilômetros quadrados que abrange Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Foram feitos mapas anuais de toda a região, elaborados pelas equipes técnicas de cada país.

O mapeamento inédito incorpora toda a bacia e floresta amazônica, desde os Andes passando pela planície amazônica chegando até as transições com Cerrado e Pantanal. Os resultados obtidos indicam que, apesar da perda, a região ainda conserva 85% de suas florestas. Nesse mesmo período houve um acréscimo de 41% da área de agropecuária.

Beto Ricardo, coordenador da RAISG, afirma que este é um passo importante para o objetivo de “construir e promover uma visão integral da Amazônia, considerando aspectos políticos de uma região compartilhada entre nove países, bem como aspectos socioambientais de grande significado: a presença de cerca de 400 povos indígenas, bacias hidrográficas compartilhadas, conectividade entre unidades de conservação, e processos de alteração de uso do solo -desmatamento-, entre outras pressões e ameaças que pairam sobre a maior floresta tropical do planeta”.

Para Tasso Azevedo, coordenadot técnico do Observatório so Clima e coordenador geral do MapBiomas, o lançamento da Coleção 1 do MapBiomas Amazônia é um passo importante para garantir o mapeamento de toda a América do Sul com um grau de detalhe espacial e temporal sem precedentes para outros continentes.

“Com o lançamento da Coleção 3 do MapBiomas Brasil, a Coleção 1 do MapBiomas Amazônia e a primeira coleção de MapBiomas Chaco, que será apresentada nos próximos meses, vamos cobrir quase 90% do território da América do Sul. Esta base de dados é inestimável para a compreensão da dinâmica de uso dos recursos naturais na região além de contribuir para a modelagem climática e o cálculo de emissões e remoções de gases de efeito estufa por mudança e uso solo na região”.

As informações contidas na ferramenta de mapeamento são compatíveis e padronizadas para todos os países da região e revelam o estado da cobertura da vegetação, bem como as tendências em uma unidade territorial qualquer. Também identifica mudanças no uso do solo em um determinado período (um ano, cinco anos, etc.) entre 2000 e 2017. Por exemplo, você pode identificar as áreas onde houve mudanças significativas, como a substituição floresta para agricultura ou pastagem.

É uma novidade ter esta informação para a região Pan-Amazônica com uma resolução espacial de 30 metros, com o detalhe e precisão de análise que permite a ferramenta desenvolvida pela MapBiomas Amazonia. Da mesma forma, alguns dos países amazônicos têm esse tipo de informação e análise pela primeira vez.

Todo o processamento de dados é feito usando algoritmos de classificação automática através da computação em nuvem na plataforma do Google Earth Engine.

A plataforma de acesso público é interativa e permite obter figuras e gráficos. O público em geral pode visualizar mapas da região amazônica, países, áreas protegidas e territórios indígenas. Para cada país é possível visualizar as informações em diferentes unidades territoriais: estado, municípios, bem como para áreas protegidas e territórios indígenas.

Para a elaboração dos mapas, o trabalho é feito em rede pela RAISG, aproveitando a expertise das organizações membros em seus respectivos países. Desta forma, o conhecimento existente a nível local permitiu melhorar a ferramenta e refinar a interpretação dos dados. A informação de cada um dos países é compatível com a do resto dos países, permitindo uma visão abrangente da região amazônica. Da mesma forma, o método utilizado permitiu padronizar os biomas incluídos na análise: os nove países amazônicos compartilham o bioma Amazônico, enquanto Peru, Equador e Bolívia compartilham o bioma dos Andes.

Inicialmente, a ferramenta de mapeamento do uso do solo foi desenvolvido pelo MapBiomas para ser aplicado no Brasil, e deverá ser melhorada com a entrada de organizações membros da RAISG para ajustar os resultados e análises da geografia de cada país amazonense. Em particular, foi necessário levar em conta as variações altitudinais típicas da Amazônia andina. Atualmente, a ferramenta de mapeamento inclui 13 classes, seis biomas – Amazônia, Cerrado, Pantanal, Andes, Chaco-Chiquitano e Tucumano Boliviano, variando de geleiras andinas para as formações florestais tropicais da planície amazônica. Aperfeiçoar a ferramenta exigiu um trabalho intenso, que se concretizou em apenas um ano e meio depois de estabelecer o consórcio RAISG – MapBiomas.

SOBRE RAISG

A RAISG é a Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada, um consórcio de organizações da sociedade civil dos países amazônicos voltada para a sustentabilidade socioambiental da Amazônia, com o apoio da cooperação internacional. A RAISG gera e dissemina conhecimento, dados estatísticos e informações socioambientais geoespaciais da Amazônia, elaborados com protocolos comuns para todos os países da região. Os produtos da RAISG permitem visualizar a Amazônia como um todo, bem como as ameaças e pressões que pairam sobre ela.

https://www.amazoniasocioambiental.org/es/

SOBRE MAPBIOMAS

O MapBiomas é uma iniciativa multi-institucional que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia que se uniram para contribuir para o entendimento das transformações do território brasileiro a partir do mapeamento anual da cobertura e uso da terra de todo o país. Em agosto de 2018, a Coleção 3 do MapBiomas foi publicada com mapas de cobertura e uso da terra no Brasil de 1985 a 2017.

http://mapbiomas.org/

Para conhecer os parceiros que compõem o MapBiomas Amazonia, veja a seção Quem somos: http://amazonia.mapbiomas.org

Para mais informações, entre em contato:

PERU: María Rosa Montes: mrmontes@ibcperu.org Celular. +51 992780172


Este artigo foi publicado originalmente no site do Observatório do Clima [Aqui!]