The Guardian: Apoiadores de Bolsonaro declaram guerra às florestas da Amazônia

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Apoiadores de Bolsonaro declaram guerra às florestas

A maioria na fronteira do oeste do Brasil, altamente desmatada, apoia Jair Bolsonaro e suas promessas de progresso em vez de proteção

Por Dom Philips, em Porto Velho (RO) [1]

O rugido de uma motosserra e o uivo de um motor de trator foram suficientes para atrair as autoridades do meio ambiente para um caminho esburacado na floresta.

Na clareira no final da estrada, três jovens madeireiros silenciaram suas máquinas e ofereceram seus documentos. Eles foram pagos em dinheiro, disseram – quase quatro vezes o salário mínimo brasileiro para enviar até dois caminhões por dia de enormes toras de madeira.

E como a maioria das pessoas no estado de Rondônia, fortemente desmatado, na fronteira oeste do Brasil, elas têm certeza de quem vão votar na votação presidencial de domingo.

“Tem que ser Bolsonaro. Ele nos apoia ”, disse Edivaldo da Silva, 22.

As pesquisas mostram que Jair Bolsonaro, o ex-capitão do Exército de extrema-direita, tem 78% de apoio em Rondônia, deixando seu rival de esquerda, Fernando Haddad, na poeira. Na Amazônia, Bolsonaro prometeu progresso em vez de proteção. E suas propostas radicais – neutralizar as agências federais de meio ambiente, dar luz verde a represas hidroelétricas destrutivas, congelar a demarcação de novas reservas indígenas e abrir as já existentes para a mineração – com os eleitores daqui, inclusive os que violam leis ambientais. Madeireiros, garimpeiros ilegais e posseiros em uma reserva protegida disseram ao Guardian que estão votando em Bolsonaro porque acreditam que ele facilitará suas vidas.

Ambientalistas argumentam que os planos de Bolsonaro serão desastrosos para a Amazônia e 33 grupos não-governamentais advertiram que suas propostas representam “riscos concretos e irreversíveis” para as florestas brasileiras, a biodiversidade e até mesmo a reputação de seus produtores do agronegócio.

Os aliados de Bolsonaro esquecem essas preocupações. Seu chefe de gabinete e seu candidato a governador de Rondônia criticavam a “interferência” estrangeira na Amazônia e disseram ao “The Guardian” que tinham dúvidas sobre a ciência do aquecimento global. 

Tais visões são comuns em um estado onde os pequenos produtores dizem que são injustamente penalizados por violarem as regras ambientais e argumentam que a responsabilidade pela mudança climática deve ser compartilhada globalmente. 

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Lucemar Kouchut  dirige um carregamento de toras.  Fotógrafo: Dom Phillips

Os três madeireiros mostraram aos funcionários ambientais documentos que, segundo eles, mostraram que seu trabalho foi licenciado sob um plano que permite o corte de árvores “sustentável”. 

Mas os fiscais concluíram depois que os documentos se referiam a outro trecho de terra a 400 metros de distância – não essa área próxima a uma floresta protegida e uma reserva indígena. 

Esse é um estratagema comum, disse Sebastiana Almeida, engenheira florestal na agência de desenvolvimento ambiental de Rondônia. “Com esse documento em suas mãos, eles roubam madeira de dentro da área protegida ou da reserva indígena”, disse ela.  

As pessoas em Rondônia – 43% de seu território foram desmatadas – concordam em grande parte em duas coisas: que votarão em Bolsonaro e que o estado está ficando mais quente e seco.  

Dados do governo confirmam isso. As temperaturas médias anuais na parte norte de Rondônia tiveram uma média entre 26C-28C em 2017, dois graus a mais do que cinco anos antes. A precipitação anual também caiu em todo o estado.  

“O tempo está todo confuso”, disse Wagner Matos, 37 anos, um motorista do Uber em sua capital Porto Velho, que culpou o desmatamento.  

Mas o congressista Onyx Lorenzoni, provável chefe de gabinete de Bolsonaro, contesta que o aquecimento global seja um problema.  “Há coisas que são sólidas e há coisas que são ideológicas”, disse ele ao The Guardian, antes de criticar o Greenpeace por se intrometer no meio ambiente brasileiro. “Os brasileiros estarão no comando da Amazônia, meu irmão, não dos europeus.”

Outros aliados de Bolsonaro pediram mais indústria na Amazônia. O coronel João Chrisóstomo, engenheiro aposentado do exército eleito como um dos deputados federais do estado em 7 de outubro para o Partido Social Liberal (PSL) de Bolsonaro, disse que os militares deveriam asfaltar suas estradas de terra. “O meio ambiente não pode atrasar o desenvolvimento”, disse ele.  

Estradas melhores agradariam a habitantes de Rondônia, como Sheila Barros, 44, que mora com o marido de pescador Adegilton Lopes, 44, e seus dois filhos dentro da reserva protegida do Lago do Cuniã.

 “Não há estrada, não há maneira de obter nossos produtos”, disse ela. A reserva fica a apenas 70 km de Porto Velho, mas chegar nela envolve dirigir por estradas de terra, duas viagens de barco e uma motocicleta que deixa os cabelos em pé por uma estreita trilha na floresta. 

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“Onde mais há tanto verde?”, Diz o pescador  Mabel Lopes, morador  da reserva protegida do Lago do Cuniã. Foto: Dom Phillips

Mas a história da Amazônia mostra que a pavimentação de estradas traz desenvolvimento e destruição para reservas florestais como o Lago do Cuniã, administrado pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio), que só permite a pesca de pequena escala e agricultura sustentável para 400 moradores que moram ao lado de uma lagoa majestosamente bela. para jacarés e bandos de pássaros. 

A pescadora Mabel Lopes, de 65 anos, disse que até a criação da reserva em 1999, a lagoa foi sobrepujada por pessoas de fora. Hoje em dia, ele disse, há muitos peixes. Acenando para a floresta exuberante, ele perguntou: “Onde mais há tanto verde?

“Bolsonaro já  prometeu retirar o Brasil do acordo climático de Paris, embora na quinta-feira ele tenha dito que mudou de idéia ao sair do acordo. 

Mas ele prometeu pôr um fim ao “ativismo ambiental” do ICMBio, e da agência ambiental Ibama, e pode passar o ministério do meio ambiente para o Ministério da Agricultura – cujo chefe será escolhido pelo lobby do agronegócio. 

Ele também prometeu ajuda para os garimpeiros artesanais conhecidos simplesmente como “garimpeiros”, alguns dos quais trabalham ilegalmente, dragando lama dos rios da Amazônia em busca de ouro – e, no processo, despejando toneladas de mercúrio e envenenando as populações de peixes. 

Em uma tarde recente, várias barcaças garimpeiras de madeira foram ancoradas no rio Madeira, perto do Lago do Cuniã. Dois homens que manejam as bombas a bordo de uma barcaças admitiram que estavam trabalhando ilegalmente, e temiam ataques do IBAMA – depois disseram que a promessa de “dignidade e segurança” de Bolsonaro havia obtido seus votos.  

“Ele prometeu legalizá-lo, para que trabalhássemos”, disse Aroldo da Silva, 53 anos, dono da barcaça, enquanto uma tempestade açoitava o rio. “Ele prometeu mudanças na lei.”  Marcos Rocha, um coronel da polícia aposentado do PSL de Bolsonaro, que está liderando as pesquisas para o segundo turno do governo de Rondônia, também acredita que os garimpeiros deveriam ser legalizados porque as pessoas precisavam trabalhar. 

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Barcaça garimpeira de Aroldo da Silva. Foto: Dom Phillips

“Os garimpeiros e os madeireiros eram as pessoas que começaram nosso estado, mas hoje são marginalizados. Há muitas pessoas na pobreza”, disse ele em uma entrevista. “Queremos gerar riquezas e renda para o nosso país”.  

A Amazônia precisava de “mais indústria”, disse ele, antes de sugerir que os alarmantes aumentos de temperatura do planeta poderiam ser cíclicos e ocorrer naturalmente.  O atual governador do estado de Rondônia, Daniel Pereira, e seu legislativo estadual estão trancados em um impasse judicial sobre 11 novas reservas florestais criadas por seu antecessor e depois derrubadas por deputados estaduais. Rocha ficou do lado dos legisladores e disse que as pessoas que se agacham em reservas protegidas deveriam poder ficar.  

Alguns desses posseiros moram em Jaci Paraná, uma reserva administrada pelo governo estadual a cerca de 100 km de Porto Velho, que só permite a agricultura sustentável em pequena escala por membros de uma cooperativa. O gado é proibido, mas a reserva foi amplamente desmatada por fazendeiros.  

Na semana passada, um grupo de fiscais estaduais do meio ambiente visitou a reserva com uma escolta policial armada. Eles pararam em uma fazenda de madeira cercada por gado pastando, onde Jessica da Silva, 23 anos, estava sentada com seus dois filhos pequenos enquanto seu marido, Alex dos Santos, cuidava do rebanho. 

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Um oficial de proteção ambiental do estado de Rondônia, Nei Peres, examina uma área desmatada na reserva de Jaci Paraná. Foto: Dom Phillips

Da Silva disse que não planejava votar porque está matriculada em outra cidade, mas que o marido votaria em Bolsonaro.  

Mais abaixo na estrada de terra, passaram por uma motocicleta cujo ocupante estava carregando uma motosserra no colo. Os policiais acenaram com a bicicleta e se aproximaram, mas antes que eles tivessem chegado longe com suas perguntas, o passageiro correu para a vegetação rasteira. Um dos oficiais disparou um tiro e o homem foi trazido de volta algemado – mas ele foi liberado mais tarde.  

Ninguém presta muita atenção às leis ambientais aqui.  

Ednesio Diogo, 51 anos, e Jonas Dantas, 22 anos, estavam preparando o almoço ao lado da estrutura de uma casa de madeira que estavam construindo quando os fiscais ambientais chegaram.

Diogo disse que a casa era para seu filho, Wallan, 21 anos, que recebeu a terra onde planejava criar gado, plantar café e construir um viveiro de peixes. Quando o oficial de proteção ambiental Nei Peres disse aos homens que eles estavam lá ilegalmente e teriam que sair, Diogo apenas assentiu. Os dois homens disseram que votariam em Bolsonaro.

No sábado, veículos do IBAMA foram incendiados em Buritis, um dia depois que os agentes do ICMBio em uma missão anti desmatamento ficaram abandonados quando moradores incendiaram uma ponte no Pará, outro estado do Amazonas. 

 nova guerra do Brasil contra suas florestas e aqueles que as defendem já começou.


Artigo publicado originalmente pelo jornal “The Guardian” [1]

Ação do Ibama e da Receita no Porto de Itajaí (SC) impede a distribuição de 1,7 tonelada de mercúrio para a Amazônia

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Agentes do Ibama e da Receita Federal inspecionam conteiner com carga de mercúrio no porto de Itajaí (SC)

O Ibama e a Receita Federal determinaram à maior importadora de mercúrio do país, com sede em Joinville (SC), a devolução de 1,7 tonelada da substância ao país de origem, a Turquia. A empresa, que inicialmente estava autorizada a importar e comercializar mercúrio, teve suas atividades suspensas após a constatação de que um carregamento da substância abasteceria garimpos ilegais de ouro na Amazônia.

A carga, que chegou ao Porto de Itajaí (SC) em 29 de março, vinha sendo monitorada pelo Ibama desde fevereiro, quando agentes ambientais apreenderam 430 quilos de mercúrio na sede da importadora. Na ocasião, os responsáveis foram autuados em R$ 1,5 milhão por venda ilegal e apresentação de informações falsas ao Instituto.

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Agentes ambientais constataram que a importadora simulava a venda e o transporte de mercúrio para uma empresa de fachada em Várzea Grande (MT). No endereço do suposto comprador, informado ao Ibama no Cadastro Técnico Federal (CTF), funciona uma mercearia.

Desde então, estava prevista a chegada de navio do Oriente Médio com aproximadamente 1,7 tonelada de mercúrio.

A mercadoria foi interceptada no momento do desembarque e permanece retida na zona alfandegária. Em 2 de maio, a Receita Federal determinou que o carregamento de mercúrio seja devolvido ao país de origem em 30 dias. Se a exigência não for atendida no prazo, a importadora será multada por descumprimento das normas alfandegárias brasileiras.

“Com a suspensão do comércio de mercúrio pela empresa e o retorno desse carregamento à Turquia, o Ibama impediu que mais de duas toneladas da substância pudessem ser lançadas no meio ambiente”, diz o analista ambiental Bruno Barbosa. Segundo ele, é a maior apreensão de mercúrio já realizada pelo Ibama.

Usado para separar o ouro de outros minerais no garimpo, o mercúrio se espalha pelos rios e contamina a cadeia alimentar, causando graves impactos ambientais e danos à saúde.

O Brasil é um dos signatários da Convenção de Minamata, da Organização das Nações Unidas (ONU), que restringe o uso do mercúrio. O país ratificou a adesão em 08 de agosto de 2017.

FONTE: http://www.ibama.gov.br/noticias/436-2018/1457-acao-do-ibama-e-da-receita-no-porto-de-itajai-sc-impede-a-distribuicao-de-1-7-tonelada-de-mercurio-para-a-amazonia

Mercúrio nos oceanos triplicou, aponta estudo

Uma das características do metal tóxico que mais preocupam os cientistas é sua capacidade de se acumular na cadeia alimentar

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Vanessa Barbosa, de

Jenny W / SXC

Peixes vermelhos

Ameaça: o mercúrio se acumula na cadeia alimentar e expõe espécies no topo a uma maior concentração

São Paulo – Um novo estudo publicado nesta semana na revista científica Nature indica que a concentração de mercúrio nos oceanos triplicou em comparação com os níveis pré-industriais.

Por trás desse aumento, segundo a pesquisa, está a poluição causada por atividades humanas, como mineração e queima de combustíveis fósseis.

Além disso, o lançamento de esgoto sem tratamento na água também pode criar condições que potencializam os efeitos da substância ao torná-la mais solúvel.

A contaminação ambiental pelo metal altamente tóxico é uma realidade mundial. Mas só agora começou a ser dimensionada. E os resultados preocupam.

O estudo destaca que a concentração do mercúrio triplicou nas camadas de águas superficiais, onde a presença de vida marinha é grande.

Uma das características do mercúrio que mais preocupam os cientistas é sua capacidade de biomagnificação.

Ele se acumula ao longo da cadeia alimentar, fazendo com que as espécies mais altas na cadeia sejam expostas a uma maior concentração tóxica, o que aumenta, eventualmente, a exposição humana ao metal.

No entanto, falta quantificar essa acumulação nos animais aquáticos e seus possíveis efeitos, incluindo os riscos para os seres humanos.

Em entrevista ao jornal birtânico The Guardian, Simon Boxall, professor de Universidade de Southampton, disse que é difícil dizer, a partir da pesquisa, o tamanho do dano que já foi feito para a vida marinha.

“Eu não iria parar de comer peixes por conta disso”, ponderou. “Mas esse aumento de mercúrio é um bom indicador do nosso impacto no meio ambiente marinho. É um alerta para o futuro”, disse.

Ameaça tóxica

Getty Images

Crianças fazem mineração de ouro em Kalimantan, na Indonésia Em um relatório de 2010, a organização ambiental Blacksmith Institute listou os principais poluentes tóxicos que ameaçam o mundo. O mercúrio é um deles.

Usado em centenas de aplicações, da produção de gás cloro e soda cáustica à composição de amálgamas dentárias e baterias, o mercúrio assume sua forma mais ameaçadora à saúde humana durante o garimpo de ouro.

Na mineração, ele auxilia o processo de purificação do metal valioso conhecido como “amalgamação”, sendo liberado na forma de vapor no meio ambiente.

Na literatura médica, o mercúrio é caracterizado como uma neurotoxina potente, capaz de causar danos irreversíveis ao cérebro.

Entre os sintomas da contaminação estão dormência em braços e pernas, visão nebulosa, letargia e irritabilidade, problemas renais e intoxicações pulmonares, além de prejudicar o desenvolvimento fetal.

FONTE: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/mercurio-nos-oceanos-triplicou-mostra-estudo

MPF/BA aciona Braskem por contaminação com mercúrio na Enseada dos Tainheiros

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MPF requer que empresa repare danos ambientais causados e pague indenização por danos morais coletivos

O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) ajuizou ação civil pública contra a Braskem S. A. por contaminação com mercúrio na Enseada dos Tainheiros, localizada na península de Itapagipe, em Salvador (BA). Na ação, o MPF requer que a empresa repare os danos ambientais causados e pague indenização por danos morais coletivos.

De acordo com a ação, a Companhia Química do Recôncavo Baiano (CRQ), posteriormente incorporada pela Braskem, que funcionou nas proximidades da Enseada dos Tainheiros por cerca de 11 anos, produzia cloro-soda pelo processo eletrolítico de célula de mercúrio e lançava efluentes líquidos sob a forma inorgânica de cloreto de mercúrio diretamente no mar, poluindo a área e expondo a população a alto risco de intoxicação.

A empresa se mudou para o Polo Petroquímico de Camaçari em 1978, mas os resultados do lançamento dos efluentes permanecem até hoje depositados nos sedimentos de fundo da Enseada, na forma inorgânica, que não é tóxica. Segundo estudos realizados no local, embora os níveis de mercúrio presentes no mar se encontrem dentro dos limites aceitáveis pela legislação brasileira, existe o risco de que uma movimentação dos sedimentos em decorrência do fluxo das marés ou da própria atividade humana possa provocar um processo de metilação do mercúrio e sua dispersão na forma orgânica, que pode bioacumular na cadeia alimentar, atingindo o homem. Vale ressaltar que essa contaminação é altamente tóxica e pode causar graves danos à saúde humana.

Segundo a ação, de autoria da procuradora da República Caroline Queiroz, as ações promovidas pela Braskem nos últimos anos, a exemplo do monitoramento da área, não se revelam suficientes, buscando-se com a ação civil pública proposta “a integral e devida reparação dos gravíssimos danos materiais e extrapatrimoniais causados”. Assim, é imperioso que a empresa demandada responda civilmente pelos danos ambientais perpetrados na área da Enseada dos Tainheiros, bem como pelos danos morais infligidos à coletividade.

Pedidos – O MPF requer que a Braskem repare in natura, no que for possível, os danos materiais decorrentes do lançamento de efluentes líquidos sob a forma inorgânica de cloreto de mercúrio no mar da Enseada dos Tainheiros, com a apresentação de um Plano de Recuperação de Área Degradada, com acompanhamento técnico e anuência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema); em relação aos danos irrestauráveis, requer compensação ambiental e pagamento de indenização equivalente. Requer, ainda, o pagamento de indenização por danos morais coletivos em valora ser arbitrado judicialmente.

Número para consulta processual: 0014843-08.2014.4.01.3300

FONTE: http://www.ecodebate.com.br/2014/05/02/mpfba-aciona-braskem-por-contaminacao-com-mercurio-na-enseada-dos-tainheiros/