As elites brasileiras e seu infame chamado à normalidade

Os que clamam pela volta a um suposto normal vão fazer o quê pelos milhões de brasileiros que hoje vagam pelas ruas sem nenhum tipo de apoio ou um teto sobre suas cabeças? O Brasil vive várias tragédias simultâneas, muito em parte por causa da insensibilidade de suas elites.

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Moradores de rua em Campos dos Goytacazes em plena pandemia do coronavírus.

Sérgio Cabral transforma cerimônia da FAPERJ em palanque para Pezão e expõe a miséria da ciência fluminense

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No dia de hoje (01/04), o (des) governador Sérgio Cabral usou de forma descarada uma cerimônia de entrega de termos de outorga de projetos de pesquisa da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) (que reuniu pouco mais de 500 pesquisadores fluminenses) para fazer palanque eleitoral para o vice (des) governador Luiz Fernando Pezão.  Sem maiores cerimônias, Cabral apresentou os números dos investimentos feitos em ciência e tecnologia ao longo de seus 7 anos de governo, e que deveriam deixá-lo rubro de vergonha. Segundo Cabral, em seu (des) governo foram investidos cerca de R$ 2,1 bilhões de reais na FAPERJ, o que daria cerca de 300 milhões anuais e míseros R$ 25 milhões mensais.

Apenas para vias de comparação, a Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (FAPESP) teve um resto de caixa apenas em 2012 de R$ 1,02 bilhão. Já a Universidade de São Paulo (USP) teve apenas em 2013 um orçamento alocado de R$ 4,03 bilhões (Aqui!). Por comparação,  a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) precisaria de mais de 20 anos para chegar ao mesmo montante do que a USP recebeu apenas em um.

Quanto a Pezão, o que ele já deve saber é que vai precisar dar uma pronta resposta às demandas dos três segmentos da comunidade universitária da UENF que estão hoje em greve justamente pela situação calamitosa que o (des) governo de Sérgio Cabral causou nas três universidades fluminenses.

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Mas a cerimônia que já beirava o constrangedor teve um ápice surpreendente quando uma mãe invadiu o recinto da cerimônia para cobrar respostas de Sérgio Cabral sobre o ocorrido com o seu filho.  Um novo Amarildo era a última coisa que Cabral deveria querer no palanque de Pezão. Mas as coisas nem sempre saem como os (des) governantes planejam. Felizmente!

Eu fico imaginando onde andam o Ministério Público Eleitoral e o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro que ainda não tomaram nenhuma medida crível para parar esses eventos de campanha eleitoral fora de época que Sérgio Cabral para tentar alavancar a patinante candidatura de Pezão. Ou será que eles só se preocupem com os brindes de Anthony Garotinho e as propagandas de Lindbergh Farias?

Finalmente, pensando bem, como hoje é Primeiro de Abril, vai ver que Sérgio Cabral quis apenas pregar uma mentira a mais.