O coronavírus é ainda mais contagioso após a mutação – o que isso significa para nós?

Curso da doença, grupos de risco e descoberta de vacina

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Variantes de vírus mais recentes são mais contagiosas – o que isso significa para o número de casos?

Cientistas do Hospital Metodista de Houston compararam amostras do coronavírus em dois momentos diferentesO resultado: nas amostras coletadas posteriormente – durante a segunda onda corona na cidade de Houston, nos Estados Unidos, em julho – eles encontraram mais células infectadas do que antesQuase todas as fitas de DNA da segunda onda tinham uma mutação – a chamada D614G. Segundo os pesquisadores, essa mudança garante que o vírus seja mais contagioso do que o da primeira onda. Mas o que exatamente isso significa para nós? Devemos agora nos preparar para o número extremamente crescente de casos? No vídeo, Dr. Georg-Christian Zinn, Diretor do Hygiene Center Bioscientia, o que poderia acontecer conosco.

Não mais patogênico, mas mais facilmente transferível

O estudo dos cientistas de Houston não é o primeiro a sugerir que as variantes mutantes da corona podem ser mais contagiosas. Um estudo com quase 1.000 pacientes Covid-19 em Sheffield , Reino Unido , mostrou que os pacientes infectados com a mutação D614G tinham, em média, uma carga viral mais alta em seus corpos. A boa notícia: os dados clínicos mostraram que isso não aumentou a gravidade do processo da doença.

Existe um risco maior para grupos de risco?

No entanto, a mutação ainda pode significar um risco aumentado para grupos de risco . “Se o vírus for transmitido mais facilmente, a probabilidade de afetar mais facilmente as pessoas mais velhas com doenças subjacentes é maior”, diz o Dr. Georg-Christian Zinn. No entanto, ainda existem boas oportunidades para proteger a si e aos outros. As conhecidas medidas de higiene como distância , lavagem das mãos e uso de máscara também atuaram contra as cepas do coronavírus mais facilmente disseminadas, segundo o especialista.

O que a mutação significa para a descoberta da vacina?

Felizmente, as descobertas sobre as variantes da corona mutadas até agora não foram de grande importância para encontrar a vacina, diz o Dr. Zinn. “As mutações que rastreamos até agora não são tão significativas a ponto de o vírus ter mudado completamente. Vemos pequenas mudanças individuais – por exemplo, que temos mais vírus em nossa garganta e podemos liberar mais vírus – mas não isso o vírus parece muito diferente. “

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Este texto foi originalmente escrito em alemão e publicado pela RTL.de [Aqui!].

Uma hecatombe química paira sobre o Brasil. Governo Temer quer liberar agrotóxicos cancerígenos e teratogênicos

O Brasil faz alguns anos é o campeão mundial no uso de agrotóxicos, tendo ultrapassado nesse rumo ao topo os Estados Unidos da América. Em artigo do qual fui co-autor na revista “Crop Protection” mostramos que aqui mesmo em Campos dos Goytacazes, agricultores estavam utilizando agrotóxicos que estavam banidos em outras parte do mundo, inclusive na China (Aqui!)

Eis que agora o Ministério da Agricultura sob o comando do dublê de latifundiário e senador Blairo Maggi quer afrouxar a já frouxa legislação brasileira para ampliar o uso de agrotóxicos com potencial para causar câncer, má formação de fetos e mutações celulares.

Se esta medida provisório for realmente editada,  as áreas agrícolas brasileiras serão transformadas de vez em campos da morte com o objetivo único de aumentar os ganhos do latifúndio agro-exportador.

A questão é a seguinte: vamos aceitar passivos a mais este brutal ataque à nossa condição de vida?

MP pode afrouxar regras para agrotóxicos

Lígia Formenti

O governo prepara uma medida provisória para afrouxar as regras de registro de agrotóxicos no País. O texto, redigido pelo Ministério da Agricultura com a colaboração do setor produtivo, cria uma brecha para o uso de defensivos que hoje seriam classificados como cancerígenos, teratogênicos (com risco de má-formação nos fetos) ou com capacidade de provocar mutações celulares. Atualmente, qualquer produto que preencha alguma dessas características é proibido de ser lançado no Brasil.

A mudança seria possível graças à inclusão da expressão “nas condições recomendadas para uso” no texto da lei atual, de número 7.802, de 1989. Essa incorporação, prevista na MP, permitiria liberar produtos considerados nocivos à saúde em testes de laboratório, desde que algumas condições fossem atendidas para reduzir os riscos desses efeitos. Entre essas condições estão o uso de equipamentos de proteção individual durante a aplicação do agrotóxico ou de pulverizadores protegidos com cabines com pressão negativa.

“O Brasil segue a filosofia do perigo. O ideal é que passássemos a adotar o gerenciamento de risco”, afirmou o diretor da Associação dos Produtores de Soja do Brasil (Aprosoja Brasil), Fabricio Rosa. Para ele, o novo texto proporcionaria um avanço no setor. “O risco de toxicidade não é equivalente ao do que ocorre no laboratório”, defende.

A diretora executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produto para Defesa Vegetal (Sindiveg), Sílvia Fagnani, tem avaliação semelhante. Ela afirma que as regras atuais são excessivamente rígidas. “O fogo, por si só, é perigoso. Mas a fogueira, onde o risco está controlado, pode ajudar a aquecer quem está próximo. A avaliação de risco segue a mesma filosofia”, comparou. Ela argumenta que resultados de testes em laboratórios, feitos com animais, não podem ser usados como parâmetro de risco para o que ocorre com seres humanos, no campo.

Segurança

Embora recebida com entusiasmo pelo agronegócio, a proposta enfrenta resistências dentro do próprio governo. Em nota técnica, integrantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) foram contrários à mudança. “A edição da MP poderá gerar insegurança na população quanto à exposição de pessoas e recursos naturais a substâncias preocupantes e, também, quanto à contaminação de produtos agrícolas”, informa o texto.

Em documento de três páginas, a instituição argumenta que a avaliação de riscos de agrotóxicos é um tema relevante, mas que sua aplicação requer uma estrutura ainda não disponível no País. “Neste momento é uma medida prematura, precipitada e que, na prática, poderá não vir a ser atendida, especialmente em se tratando das fases mais avançadas de avaliação, que envolvam a realização de estudos de maior complexidade”, diz a nota.

O Ibama observa que os resultados de testes de avaliação de risco feitos em outros países não podem ser simplesmente considerados como aplicáveis no Brasil. Os riscos do produto, acrescenta a instituição, têm de ser avaliados nas espécies locais e sob condições encontradas no País. O texto lembra ainda que a simples recomendação de uso do produto não garante, por si, a redução de riscos. Para isso é preciso que sejam cumpridas à risca. Algo que não há como ser garantido, sobretudo diante das deficiências na fiscalização.

Entre as críticas de integrantes do Ibama à medida provisória que deve alterar o registro de agrotóxicos está a previsão de supressão de uma regra que prevê que somente podem ser registrados no Brasil produtos que tenham ação tóxica comprovadamente igual ou menor do que os existentes atualmente.

Analistas da área de saúde ouvidos pela reportagem têm avaliação semelhante. Eles argumentam que a regra atual serve como incentivo para que a indústria redobre seus esforços em lançar produtos mais seguros tanto para saúde quanto para o meio ambiente.

Ibama e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) integram, com o Ministério da Agricultura, o Comitê Técnico de Assessoramento, encarregado de avaliar os critérios para o uso de agrotóxicos no País. Cabe à Anvisa analisar se o produto é seguro à saúde. O Ibama, por sua vez, procura mensurar o impacto do uso do agrotóxico no meio ambiente.

“Não são apenas critérios econômicos que devem ser avaliados. Há outros pontos importantes, como segurança, que têm de ser levados em consideração”, afirma um analista de saúde.

A redação do texto foi apresentada no comitê há menos de três meses. Nem Anvisa nem Ibama participaram da elaboração do documento. Procurada, a Anvisa não se manifestou. A diretora executiva do Sindiveg, Sílvia Fagnani, disse que o sindicato participou das discussões para a preparação do texto. O Ministério da Agricultura afirmou apenas que a MP está em avaliação. O Ministério da Saúde disse desconhecer o tema. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 FONTE: http://atarde.uol.com.br/economia/noticias/1855193-mp-pode-afrouxar-regras-para-agrotoxicos