Votei para marcar o fim da onda Bolsonarista

ondaOnda bolsonarista não se repetirá nas eleições de 2020, e isso deverá aumentar os problemas de Jair Bolsonaro

Acabo de retornar do campus da Uenf onde fui votar nos meus candidatos para prefeita (Profa. Natália Soares – 50) e vereador (Cristiano Papel – 50123).  Afora as ruas do entorno que foram emporcalhadas por candidatos sujismundos, a área de votação estava bastante calma e a tranquilidade imperava.

Imagem

Além dos meus votos específicos, essa eleição marca para mim o fim da breve onda Bolsonarista que varreu o Brasil em 2018. Pela forma que as eleições transcorreram em meio à pandemia letal da COVID-19 não tenho dúvidas de que o breve reinado de Jair Bolsonaro e  as forças retrógradas chegará ao fim já neste primeiro turno com a derrota da maioria dos candidatos que tentaram colar a sua imagem no presidente da república.

Em Campos dos Goytacazes, a vitória eleitoral pode até não ser dela, mas o lançamento da candidatura do PSOL marcou um ponto de inflexão em relação à inação das forças de esquerda ocorrida em 2016. Além disso, a desenvoltura apresentada pela Professora Natália Soares em um plantel de candidatos majoritariamente masculino é um excelente sinal que aponta para as possibilidades existentes de se fazer uma forma diferente de política, que começa por não ter nenhuma ligação com as oligarquias familiares que controlam a política local.

Entendo que em ocorrendo um segundo turno, o melhor seria que se evitasse a judicialização da disputa e que os candidatos restantes façam vários debates em  que se concentrem a explicar as suas propostas e não em atacar o DNA alheio. Só assim o eventual vencedor poderá ter a real legitimidade para mudar o rumo catastrófico em que o jovem prefeito Rafael Diniz entregará a cadeira de prefeito a quem quer que vença. 

Aliás, falando no brevemente ex-prefeito Rafael Diniz, eu só espero que ele possa aprender algo com o resultado amargo que as urnas deverão lhe confirmar que a maioria da população de Campos dos Goytacazes não mais o quer como chefe de executivo, muito em parte em função do estelionato eleitoral que sua gestão representou desde o dia em que ele tomou posse. Quem sabe assim, ele possa um dia voltar a transitar com alguma tranquilidade pelas ruas da cidade.

Já no plano nacional, antecipo que os resultados das urnas não apenas trarão mais dissabores ao presidente da república que, certamente, será o maior derrotado de um processo eleitoral em que ele não conseguiu lançar o seu próprio partido político. Com isso, seus apoiadores espalhados por dezenas de siglas caminham em sua maioria para a derrota, fato esse que deverá se somar a uma série de dificuldades já vividas por Jair Bolsonaro. 

Candidata do PSOL envia resposta sobre como ficará contrato com a concessionária “Águas do Paraíba”

No dia 21 de outubro lancei neste blog uma pergunta dirigida aos 11 candidatos a prefeita ou prefeita do município de Campos dos Goytacazes sobre o que será feito em relação ao contrato de concessão dos serviços municipais de água e esgotos do qual hoje a empresa “Águas do Paraíba” é a detentora, com efeitos conhecidos em termos do campista pagar por uma das tarifas mais caras da América Latina, sem que haja uma contrapartida visível pela universalização do acesso a estes serviços.

Passados cinco dias de que a pergunta foi publicada, eis que recebi a primeira resposta a uma questão que deveria estar mobilizando todos os candidatos e, aparentemente, até agora não está.  A responsável pela resposta até aqui solitária é a Professora Natália Soares, candidata a prefeita pelo PSOL.

Abaixo posto na íntegra a resposta que me foi enviada pela candidata do PSOL, e fico no aguardo dos demais.

natália soares

No dia 21 de outubro de 2020, o professor Marcos Antonio Pedlowski fez a seguinte pergunta em seu blog:  “caso seja eleita ou eleito, o que fará para rever os termos do contrato firmado pelo Município de Campos dos Goytacazes com a concessionária dos serviços de água e esgoto “Águas do Paraíba”, especialmente no que tange à definição dos preços cobrados à população?” 

O nosso programa logo de início sinaliza para a grande desigualdade no nosso país, e Campos dos Goytacazes não é uma exceção, sendo fruto da herança colonialista e escravocrata que visa principalmente o lucro de uma elite que sistematicamente atinge diretamente a classe trabalhadora e mais pobre. Um dos exemplos é exatamente a concessão para comercialização das águas e tratamento dos esgotos, tendo sido Campos dos Goytacazes um dos primeiros municípios a realizar este tipo de procedimento para prestação de serviços. 

Não é possível que após 20 anos de concessão tenhamos 1.472 famílias sem banheiro nas suas moradias e 18.841 não tendo acesso à rede pública de água, e ainda dependente de poços ou nascentes em suas residências. Portanto, sob nossa gestão estaremos cumprindo a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas que prevê e assegura a disponibilidade e gestão sustentável das águas e saneamento para todos (Objetivo 6). Inclusive cabe ressaltar que o nosso município aparentemente está em desacordo com muitos dos itens inclusive no que tange a proteger e restaurar ecossistemas relacionados com a água, incluindo montanhas, florestas, zonas úmidas, rios e lagos que estavam previstos como meta para 2020.

Em nosso plano de governo citamos explicitamente que iremos revisar o contrato com a empresa “Águas do Paraíba” por entender que precisamos redimensionar os preços que tem sido cobrado à população, iremos estabelecer o controle social do serviço de água e esgoto, e fiscalizar o cumprimento dos termos do contrato dentro do município como um todo. O comitê de gestão das águas (Comitê do Baixo rio Paraíba do Sul) deverá incluir representação dos pescadores, trabalhadores sem terra e pequenos agricultores, previstos na Agenda 2030, mas hoje controlado principalmente pelos grandes proprietários rurais. 

Por último, o nosso Plano de Gestão Municipal inclui o conceito de Saúde Única que reconhece a conexão entre saúde humana, animal e o ecossistema. E sob esta perspectiva, a qualidade das águas de abastecimento, para agricultura e recreação será fundamental para a saúde e bem-estar da população. Afinal, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) cada real investido em água e saneamento resulta em uma economia de 5 reais na saúde. Portanto, conservar os recursos hídricos resulta em economia, saúde e bem-estar para toda população.