PC do B, um partido da sinceridade

Muito se fala que na política brasileira inexistem partidos e pessoas sinceras, e que tudo é só falsidade.  Felizmente, graças ao PC do B e sua pré-candidata presidencial, a deputada estadual  Manuela D´Ávila, podemos todos agora respirar aliviados e dizer que há sim sinceridade na política brasileira.

É que em entrevista ao jornal “O ESTADO DE SÃO PAULO”,  Manuela D´Ávila disse com todas as letras que o mercado (leia-se as oligarquias tupiniquins e as corporações transcionais) não têm razão para se assustar com o PC do B [1].

pcdob sincero

O mais curioso, e aí me parece que faltou a sinceridade ser completa,  Manuela D´Ávila afirmou que a razão para que não haja sobressaltos entre os capitalistas que reinam soltos no Brasil é que o PC do B é “um partido sério”.

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É que se fosse para ser totalmente sincera, Manuela D´Ávila deveria ter dito que o PC do B é um partido que há décadas sobrevive com alianças fisiológicas à direita e à esquerda, e que comunismo no PC do B só mesmo no nome.

Mas vá lá, pelo menos no atacado Manuela D´Ávila já foi brutalmente sincera, Então para quê nos prender em detalhes de varejo? Epa! Nem tão de varejo assim. 


[1] http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,nao-ha-razao-para-o-mercado-se-assustar-com-o-pcdob-diz-manuela-davila,70002078965

Esquerda, ma non troppo

lula

Agora que vemos o desgaste inevitável na imagem do Partido dos Trabalhadores (PT) como um legítimo representante de um pensamento de esquerda para o Brasil, há um processo concomitante de caça a partidos que ameaçam crescer no vácuo deixado pela derrocada da agremição liderada pelo ex-presidente Lula.

Como é de se esperar a ira é dirigida principalmente contra o Partido Socialismo e Liberdade (PSol), mas eventualmente sobra para o ressurgente Partido Comunista Brasileiro (PCB).  Pior destino ainda sofre o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (Pstu) que defende que não houve golpe de estado, mas golpe de ex-aliados do PT. Ao Pstu sobram as mais graves designações por sua posição de ultraesquerda.

As alegações que eu vejo aparecendo mais comumente é que ao criticar o PT e o partido satélite que lhe restou dos tempos de domínio absoluto, o pragmático Partido Comunista do Brasil (PC do B) é que equivalente a uma traição na luta contra o golpe de estado via parlamento que foi operado contra a presidente Dilma Rousseff.

Primeiro é importante dizer que a bancada do Psol com apenas 6 militantes foi mais atuante do que a do PT na luta pela manutenção do mandato legítimo de Dilma Rousseff. Sempre notei a desproporção da energia gasta pela bancada do PT em relação à do Psol que parecia ser sempre dez vezes maiores do que era. Segundo, que o Psol e o PCB não estão defendendo nada muito diferente do que defenderam ao longo dos últimos anos, quando criticavam as políticas de cunho neoliberal implantadas por Lula e Dilma.

Para mim, não há como cobrar total alinhamento e ausência de crítica aos candidatos do PT e do PC do B em nome da luta contra o golpe. É que, para começo de conversa, os golpistas eram até recentemente membros da suposta base aliada do governo Dilma. Segundo, é que ao longo dos anos, quem abandonou o campo das alianças de esquerda em nome de um governabilidade que se mostrou fajuta foram o PT e o PC do B.

Ainda que eu considere as posições do Psol como sendo marcadas por uma crença excessiva na capacidade de resolver os problemas nacionais via o parlamento, não há como negar que o partido se manteve coerente a partir de uma posição de defesa dos interesses da maioria da população pobre. Além disso, ao se aliar ao PCB na cidade do Rio de Janeiro, o Psol expressou um avanço no sentido da formação de alianças eleitorais que vão além dos interesses momentâneos e fisiológicos que partidos como o PT e o PC do B continuam adotando. Tanto isso é verdade que o PT está aliado aos chamados partidos golpistas em mais de 1.000 municípios nas atuais eleições.

Finalmente, como eleições são apenas uma espécie de momento “the flash” na luta de classes, a minha expectativa é que estejamos vivenciando um processo de reagrupamento da esquerda no Brasil.  Mas não aquela esquerda “ma non troppo” que só esquerda no momento de pedir votos. É que dessa esquerda, não há mais muito o que esperar.