Carta aponta necessidade urgente de proteção às populações vulneráveis diante do aumento de eventos extremos associados às mudanças climáticas
Em meio ao aumento das preocupações internacionais com a possível formação de um episódio muito intenso do fenômeno El Niño entre o final de 2026 e o início de 2027, organizações da sociedade civil brasileira divulgaram uma carta pública alertando o governo federal sobre a necessidade urgente de fortalecer políticas de adaptação climática e prevenção de desastres.
Segundo a reportagem publicada pelo Poder360, o documento foi elaborado pela Rede por Adaptação Antirracista em parceria com o Observatório do Clima, reunindo dezenas de entidades socioambientais e de direitos humanos. Entre os signatários estão Greenpeace Brasil, Oxfam Brasil, WWF-Brasil, SOS Mata Atlântica, Instituto Pólis, Instituto Ethos, Conectas Direitos Humanos, Coalizão Negra por Direitos e Transparência Brasil.
O alerta ocorre após estimativas divulgadas pela National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), que apontam 82% de probabilidade de formação do El Niño ainda em 2026 e cerca de 37% de chance de que o fenômeno atinja intensidade “muito forte”.
Embora o termo “super El Niño” não seja oficialmente utilizado pela NOAA, ele costuma designar episódios excepcionalmente intensos, capazes de provocar impactos severos em diferentes regiões do planeta. No caso brasileiro, especialistas alertam para a possibilidade de secas mais severas no Norte e Nordeste, além de chuvas extremas no Sul do país.
Na carta, as organizações destacam que os impactos climáticos não atingem todos da mesma maneira. Populações negras, indígenas, quilombolas, periféricas e moradores de áreas de risco estariam entre os grupos mais expostos aos efeitos de enchentes, deslizamentos, ondas de calor, secas e incêndios florestais.
O documento também critica a postura recorrente de governos que atuam apenas após as tragédias. As entidades defendem políticas permanentes de prevenção, planejamento urbano, monitoramento climático e preparação comunitária. Entre as medidas propostas estão a instalação de sirenes e sistemas de alerta, criação de centros de monitoramento, elaboração participativa de planos de fuga e atualização do Plano Nacional de Adaptação.
As organizações lembram ainda que os desastres recentes no Brasil já evidenciam os custos humanos da emergência climática. O texto menciona as chuvas catastróficas em Petrópolis e os episódios extremos registrados no litoral norte paulista, reforçando que a combinação entre mudanças climáticas, desigualdade social e ausência de infraestrutura amplia drasticamente os riscos.
O debate também ganhou repercussão nas redes sociais, onde muitos usuários defenderam a importância dos alertas preventivos diante da repetição de tragédias climáticas no país. Em discussões online, diversos comentários criticaram a falta de preparação estrutural do poder público diante de eventos extremos cada vez mais previsíveis.
A íntegra da reportagem original pode ser acessada no Poder360.

