Primeiro privatiza, depois bloqueia os servidores e aposentados que se explodam

Tenho ouvido de colegas que existem servidores estaduais do Rio de Janeiro que ainda caem na conversa fiada de que a privatização da lucrativa Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) tinha como causa prioritária a normalização do pagamento dos salários atrasados. 

Pois bem,  hoje, exatas 48 horas após a Assmebleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovar em votação relâmpago a privatização da CEDAE, o governo “de facto” de Michel Temer bloqueou cerca de R$ 220 milhões pertencentes ao Rio de Janeiro, transformando em pó o calendário de parcelas estilo “Casas Bahia” com que os salários de janeiro seriam pagos (Aqui!).

Assim, os servidores da ativa e aposentados que já amargaram um final de ano melancólico em 2016 agora chegarão ao período do Carnaval sem qualquer noção de quando receberão o que lhes é devido do mês de Janeiro. Isso implicará em situações dramáticas para quem depende desses recursos, pois muitos estão doentes e endividados.

Espero que isto sirva de lição principalmente para as direções sindicais alojadas no Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais (MUSPE) que parecem estar contemplando o precipício sem qualquer disposição de evitar a queda.

Enquanto isso, o (des) governador Pezão continua nomeando aliados políticas para ocupar cargos com altos salários como foi o caso de quatro ex-prefeitos no governo do estado  que foram aquinhoados com gordos vencimetnos só em fevereiro  (Aqui!).

Privatização da CEDAE: quem votou CONTRA e a FAVOR da população

Como previsto, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) sob  o comando do deputado Jorge Picciani (PMDB) aprovou a toque de caixa a privatização da CEDAE. Essa é uma votação que trará amplas repercussões políticas e econômicas para o estado do Rio de Janeiro. Afinal, a venda a preço irrisório de uma empresa estatal lucrativa trará pesadas repercussões nas contas dos cidadãos que serão transformados em consumidores, especialmente para aqueles que estão nas camadas mais pobres da população.

Abaixo seguem os votos de cada um dos deputados que estiveram presentes nessa votação vergonhosa. Aos que votaram a favor da privatização e contra a população, a minha certeza de que seus nomes estarão incluídos no panteão da vergonha que já abriga nomes como Sérgio Cabral e Eduardo Cunha. Aos que votaram contra a privatização e a favor da população, a esperança de que continuem do lado certo da luta política.

VOTAM A FAVOR DA PRIVATIZAÇÃO E CONTRA A POPULAÇÃO

Ana Paula Rechuan (PMDB)

André Ceciliano (PT)

André Corrêa (DEM)

Aramis Brito (PHS)

Átila Nunes (PMDB)

Benedito Alves (PRB)

Carlos Macedo (PRB)

Chiquinho da Mangueira (PTN)

CoMte Bittencourt (PPS)

Coronel Jairo (PMDB)

Daniele Guerreiro (PMDB)

Dica (PTN)

Dionísio Lins (PP)

Doutor Gotardo (PSL)

Edson Albertasse (PMDB)

Fábio Silva (PMDB)

Fatinha (Solidariedade)

Marco Figueiredo (PROS)

Filipe Soares (DEM)

Geraldo Pudim (PMDB)

Gil Vianna (PSB)

Gustavo Tutuca (PMDB)

Iranildo Campos (PSD)

Jânio Mendes (PDT)

João Peixoto (PSDC)

Jorge Picciani (PMDB)

Marcelo Simão (PMDB)

Marcia Jeovani (DEM)

Marcos Abraão (PT do B)

Marcos Muller (PHS)

Marcus Vinicius (PTB)

Milton Rangel (DEM)

Nivaldo Mulin (PR)

Paulo Melo (PMDB)

Pedro Augusto (PMDB)

Rafael Picciani (PMDB)

Renato Cozzolino (PR)

Rosenverg Reis (PMDB)

Tia Ju (PRB)

Zé Luiz Anchite (PP)

Zito (PP)

VOTARAM CONTRA A PRIVATIZAÇÃO E A FAVOR DA POPULAÇÃO

Bebeto (PDT)

Bruno Dauaire (PR)

Carlos Minc (sem partido)

Carlos Osório (PSDB)

Cidinha Campos (PDT)

Doutor Julianelli (Rede)

Eliomar Coelho (PSOL)

Enfermeira Rejane (PC do B)

Flávio Bolsonaro (PSC)

Flávio Serefini (PSOL)

Geraldo Moreira da Silva (PTN)

Gilberto Palmares (PT)

Jorge Felippe Neto (DEM)

Lucinha (PSDB)

Luiz Martins (PDT)

Luiz Paulo (PSDB)

Marcelo Freixo (PSOL)

Márcio Pacheco (PSC)

Martha Rocha (PDT)

Paulo Ramos (PSOL)

Samuel Malafaia (DEM)

Silas Bento (PSDB)

Tio Carlos (SDD)

Wagner Montes (PRB)

Waldeck Carneiro (PT)

Wanderson Nogueira (PSOL)

Zaqueu Teixeira (PDT)

Zeidan (PT)

Nova modalidade da privataria do (des) governo Pezão: privatização relâmpago da CEDAE

cedae

Os jornais da mídia corporativa estão noticiando que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) irá tentar aprovar a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) num procedimento relâmpago que incluirá uma diferença de apenas uma hora entre o início da reunião do chamado Colegiado de Líderes e a colocação do projeto para aprovação no plenário (Aqui! e Aqui!).

Essa pressa toda não se deve a nenhuma urgência para pagar os salários e direitos atrasados dos servidores públicos, mas para impedir uma discussão mais ampla sobre o preço para de lá irrisório que se pretende vender a CEDAE (querem vender por  R$ 3,5 bilhões uma empresa que vale algo em torno de R$ 20 bilhões!).

O interessante é que nem a motivação de vender a CEDAE para garantir um empréstimo bancário existe mais, pois esta manobra foi impedida a partir de um decisão monocrática do ministro Luiz Fux do Supremo Tribunal Federal.

A verdade é que essa privatização relâmpago é apenas mais uma face obscena da privataria que foi instalado por Sérgio Cabral e está sendo continuada por Luiz Fernando Pezão no Rio de Janeiro.

E adivinhe quem vai ficar com a parte mais salgada desta conta? Se pensou nos mais pobres, acertou.

Privataria fluminense: o preço irrisório da privatização da CEDAE

O (des) governo Pezão está querendo aprovar na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o projeto Lei 2345/2017 que visa privatizar a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) por R$ 3,5 bilhões de reais para viabilizar um empréstimo bancário que supostamente seria utilizado (não há qualquer garantia de que isso vai realmente ocorrer) para pagar os salários atrasados dos servidores públicos estaduais.

Mas além dos inevitáveis custos sociais que esta privatização trará, especialmente para os setores mais pobres da população fluminense, há uma forte controvérsia sobre qual seria o valor real da CEDAE, já que esse processo de privatização está sendo feito a toque de caixa, e sem que uma estimativa prévia do valor da empresa tenha sido feita por auditores independentes.

Aí é que temos especialistas que colocam o valor da CEDAE como sendo de quase R$ 14 bilhões, aproximadamente cinco vezes mais do valor pela qual o (des) governo Pezão pretende doá-la à iniciativa privada. Um desses especialistas, o economista Gilberto Braga, ofereceu explicações claras sobre esse valor ao jornalista Fernando Molica em seu programa na CBN Rio (Aqui!).

Se os números que Gilberto Braga estão corretas, o que temos para acontecer com a eventual aprovação do projeto de Lei 2345/2017 é um ataque ao patrimônio público que foi amealhado pelo povo do Rio de Janeiro. E, pior, em troca desse “presentão”, ao que tudo indica para futuros de investimentos internacionais como o canadense Brookfield Asset Management,  o que teremos será um encarecimento nas contas de água da maioria da população, justamente num período de recessão forte e alto nível de desemprego.

E ainda por cima temos que o (des) governo que pretende fazer isso está claramente desprovido de um mínimo de legitimidade para conduzir este negócio.  Assim, não é preciso ser vidente que esta venda da CEDAE, pelo preço e nas condições políticas em que está sendo conduzida, poderá ser o estopim do mesmo tipo de revolta social que ocorreu na Bolívia em 2000 quando houve a privatização dos serviços de água em Cochamba (Aqui! e Aqui!). 

Pelo jeito,  o (des) governo Pezão e sua base política dentro da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro estão contando com a mansidão da população para levar esse negócio a cabo. O problema é que o isolamento dentro de palácios nunca foi bom conselheiro. Que o diga a familia Romanov da Rússia. 

Michel Temer e Pezão vão colocar as Forças Armadas nas ruas para “ajudar na segurança” ou para viabilizar a privatização da CEDAE?

A mídia corporativa está informando que o presidente “de facto” Michel Temer acaba de autorizar, a pedido do (des) governador Luiz Fernando Pezão, o uso das forças armadas brasileiras para “garantir a segurança” no estado do Rio de Janeiro, inclusive na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Aqui!Aqui!, Aqui!Aqui!).

Cá entre nós, esse uso das forças armadas para garantir a segurança pública é uma bela desculpa para usar contingentes militares para sufocar pela força os inevitáveis protestos que irão ocorrer quando a base do (des) governo na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro tiver um mínimo de coesão para aprovar a privatização a lucrativa Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE). Entretanto, essa é uma jogada que traz graves perigos não apenas para o Rio de Janeiro, mas para todo o Brasil.

Não custa lembrar que um dos episódios mais trágicos do início da chamada “Nova República se deu exatamente no estado do Rio de Janeiro em 1988, quando tropas do Exército foram enviadas pelo presidente José Sarney para reprimir uma greve que ocorria na então estatal Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e acabaram promovendo um verdadeiro massacre que ainda é lembrado de forma viva pelos habitantes da cidade de Volta Redonda  (Aqui!).

O risco que se corra com essa operação de uso de contingentes militares para garantir a privatização de uma empresa pública é justamente produzir um cadáver ou mais cadáveres que certamente faria eclodir uma grave convulsão social. É que está mais do que evidente que o (des) governador Luiz Fernando Pezão perdeu completamente a condição política de continuar à frente do executivo fluminese. E usar as Forças Armadas para garantir uma sobrevida momantânea ao seu (des) governo morimbundo trará inevitavelmente os riscos que estou apontando.

Mas como estamos diante de um (des) governo que se encontra numa encruzilhada encrencada, não me parece que devamos esperar qualquer grau de razoabilidade da parte dos seus componentes. Por outro lado, é possível que a repetição do uso de forças militares para resolver um problema que deveria ficar na esfera das decisões políticas possa apressar o final da agonizante Nova República, o que seria uma grande ironia histórica.