Prumo e seu fantástico viveiro de mudas. Ah, se meu Greenwashing falasse a verdade!

Mencionei aqui no dia de ontem (23/02) o emprego pela Prumo Logística da tática do “Greenwashing” para tentar melhorar um pouco a desgastada imagem do Porto do Açu. Aparentemente em resposta à minha postagem, a Assessoria de Comunicação da Prumo colocou imediatamente no ar a propaganda abaixo.

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As informações sublinhadas são para mim as mais reveladoras do “Greenwashing” que  a Prumo realiza. É que informações vindas do entorno da Fazenda Caruara me dão conta que 40 funcionários atuando no interior da propriedade só se forem os seguranças patrimoniais que riscam o terreno em motocicletas e pick ups.

Além disso, chamo a atenção para a informação que aponta que o viveiro da Prumo comportaria o plantio de até 500 mil mudas por ano e seria o maior da América Latina. Mas afinal, qual é a produção atual de mudas? E o viveiro é o maior da América Latina em que quesito?  

Em minha experiência com mudas florestais com mais de 20 anos de acompanhamento de um projeto agroflorestal na Amazônia Ocidental, eu teria duas coisas a apontar para os que se enebriam com o “Greenwashing” da Prumo.  A primeira é que quanto maior o viveiro maior é a chance do aparecimento de doenças que dizimam populações inteiras de mudas. Dai é que fico cético com o número anunciado.  Já a segunda coisa é uma consequência da primeira. É que mudas doentes ou com trato inadequado tendem a aumentar a taxa de mortalidade dos plantios em campo.

Assim, mais importante do que dizer quantas mudas PODEM ser geradas, a Prumo deveria informar quantas foram efetivamente PLANTADAS e qual tem sido a taxa de SOBREVIVÊNCIA das mudas no campo. Do contrário, tudo o que for propalado sobre esse “fantástico” viveiro será apenas o que é, qual sejam “Greenwashing“.  

Ah, e antes que eu me esqueça, como as imagens acima são antigas e um dos funcionários mostrados aparentemente não trabalha mais no empreendimento, o mínimo que deveria ser mostrado são exemplos de mudas que deram certo. É que isso aumentaria a chance de céticos como eu acreditarem que a coisa não é tão artificial como se pensa ser.

Violência: é esse o “progresso” que o Porto do Açu tem para o V Distrito?

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Em pleno ano eleitoral, onde os partidos hegemônicos em São João da Barra certamente vão vir com a conversa de que o Porto do Açu é a redenção do município, as evidências do mundo real mostram que a coisa pode muito distante disso.

Em uma pesquisa de mestrado que orientei na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), os resultados mostravam que embora apoiando a instalação do porto, a maioria dos moradores do V Distrito tinha uma visão pessimista sobre o efeito que isto teria sobre suas vidas, especialmente na disseminação da violência.

Eis que 6 anos depois daquela pesquisa, eis que a realidade que os moradores do V Distrito mais temiam se confirmou. Pelo menos é o que podemos entender do relato que recebi hoje de uma pessoa com intensa relação familiar com o Distrito. Vejamos o que diz a mensagem que eu recebi:

” Professor, suponho que o senhor esteja sabendo da onda de assaltos que vem ocorrendo no V Distrito de S.J.B.  A população pacata do V Distrito não tem mais paz! É preciso que as autoridades responsáveis tomem providências e prendam logo esses assaltantes. O senhor com seu grande conhecimento poderia dar uma divulgada nesse assunto?”

Eu não apenas divulgo esse grave efeito colateral da instalação via criação de um enclave do Porto do Açu.  A disseminação da violência é um produto mais do que conhecido do processo de atração de novos contingentes populacionais para participar da construção de megaempreendimentos que acabam se fixando de maneira precária nas áreas onde isso ocorre. 

Agora, onde andam a Prefeitura de São João da Barra e a Prumo Logística para investir não apenas na melhoria do aparato de segurança, mas, principalmente, para oferecer possibilidades reais de aperfeiçoamento profissional para os contingentes que foram atraídos pelas obras? Pelo jeito, tal como a Companhia de Desenvolvimento Industrial (Codin) estão mais preocupados com o avanço da expropriação das terras da agricultura familiar no V Distrito do que com a solução dos graves problemas sociais e ambientais que estão emergindo após a instalação do Porto do Açu.

E a pergunta final: é isso que Estado e empresa chamam de progresso? A população do V Distrito pacatamente (até hoje) discorda!

Agora no “O Globo” Lauro Jardim lembrou do Porto do Açu

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Se fosse eu a dizer da forma que está dita abaixo, diriam que eu peguei pesado e fui injusto. Mas como foi o jornalista Lauro Jardim quem disse em seu blog no “O Globo”, o mais provável é que os áulicos do Porto do Açu leiam, façam contrição e esperem que péssimas notícias como essa não recebam o mesmo rótulo.

E o pior é que elas estão vindo. Só não sei se de carroça de burro ou a Jato.

Mico no Porto do Açu

POR LAURO JARDIM

Vista aérea do Porto do Açu
Vista aérea do Porto do Açu | Divulgação

Micou a negociação  de seis meses entre a Prumo (empresa que hoje toca o projeto do Porto do Açu) e a Bolognesi para que a empresa gaúcha de energia desenvolvesse projetos de gás natural no local idealizado por Eike Batista.

FONTE: http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/mico-no-porto-do-acu.html

Desapropriações no Porto do Açu: perguntas que não param de chegar

O estado de paralisia em que se encontra o pagamento da maioria das indenizações devidas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin) pela tomada de terras de agricultores no V Distrito de São João da Barra é regularmente acrescido de notas públicas onde o órgão afirma que pagou ou está pagando o que é devido aos desapropriados.

Pois bem, vejamos uma mensagem que me chegou hoje no endereço eletrônico do blog e que me foi enviado pela filha de um agricultor desapropriado na localidade de Água Preta:

“Bom dia professor!

Seguem fotos da terra desapropriada de meu pai, onde tinha uma lavoura de abacaxi com 40 mil pés. Até a presente data meu pai não recebeu nem a lavoura nem a terra que eles pegaram. Está totalmente abandonada. Até quando vai o descaso com o povo do Quinto?

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Essas perguntas vindas não de um observador externo como eu, mas de uma pessoa que foi criada a partir do trabalho que foi colocado nesse terra por seus pais desvela ainda mais a farsa que tem sido, entre outras coisas, a fábula de que os agricultores desapropriados já foram indenizados.  

E o pior, tenho notícias de repetidas ações de procrastinação que visam, ao que tudo indica, apenas retardar o pagamento das indenizações. Provavelmente isto se dá porque, segundo fontes que acompanham a luta jurídica dos agricultores, a Codin não possui o orçamento necessário para fazer o pagamento.

O tudo ou nada de Malu Gaspar: a ascensão e queda de Eike Batista, e a ameaça da Fênix

Passei os últimos dias de 2014 e os primeiros de 2015 lendo os capítulos que me restavam da obra “Tudo ou Nada” da jornalista Malu Gaspar cujo mote é analisar a ascensão e queda do império “X” de Eike Batista. A obra que está dividida em um prologo, 22 capítulos e um epílogo e que consome 494 páginas para realizar uma narrativa de tirar o fôlego de todas as idas e vindas, peripécias e personagens que serviram de escada de Eike Batista em seu processo de passar de milionário e bilionário, e depois, como ele mesmo disse, de volta à “classe média”.

Como Malu Gaspar reconhece que o livro começou a ser escrito em 2006, eu até entendo porque os capítulos que narram a ascensão e a incipiente permanência de Eike Batista no topo da glória são mais cativantes e ocupam um número maior de capítulos, enquanto a maioria dos dedicados à debacle são mais curtos e menos detalhados. Eu atribuo isso à debandada de funcionários, diretores e Chief Executive Oficcers (CEOs) que certamente abasteceram a autora com detalhes tão íntimos quanto picantes sobre o cotidiano de Eike Batista e seu conglomerado financeiro. No entanto, no conjunto da obra, este desiquilíbrio acaba não afetando a qualidade do seu conteúdo.  Não como negar, o livro de Malu Gaspar é muito informativo e elucida as entranhas do maior colapso financeiro ocorrido na história das bolsas de valores latino-americanas.

Uma reserva que eu tenho é o roll restrito de vítimas desse processo, já que Malu Gaspar acabou restringindo sua análise ao âmbito do mundo financeiro. Fora disso, todos são invisíveis e aparentemente secundárias na grande narrativa estabelecida no livro. Esse é um detalhe que pode parecer secundário, mas não é. É que se levarmos o único caso em que Malu Gaspar vislumbra a oportunidade de que haja algum tipo de legado histórico, o Porto do Açu, existem tantas vítimas deixadas na obscuridade que, se reveladas, deixariam os acionistas minoritários da G(X) parecendo apenas como personagens merecedoras de seu cadafalso. É que, para começo de conversa, ninguém colocou a Polícia Militar para obrigar ninguém a comprar as ações turbinadas da OG(X), como aconteceu com os agricultores do V Distrito de São João da Barra, os quais continuam até hoje abandonados à própria sorte. Neste aspecto em particular, Malu Gaspar simplificou o enredo. Mas como nunca declarou que iria dar uma fotografia completa, talvez nem devesse ser criticada por essa “pequena” lacuna.

A obra é concluída com um interessante capítulo de Epilogo que soa como uma lembrança de que Eike Batista pode, afinal de contas, não estar acabado como muitos vaticinam neste momento, e que ele pode, dadas condições novamente propícias, irromper no cenário restrito dos bilionários. Malu Gaspar sintetiza essa possibilidade do dito galego de que “não creio em bruxas, mas que elas existem, existem“. 

Agora, algo que deveria ser mais bem analisado por todos os interessados nos problemas econômicos afligindo a economia fluminense, e que é apenas insinuado por Malu Gaspar, se refere ao impacto do tombo de Eike Batista sobre as chances de algum tipo de crescimento econômico sustentado no Rio de Janeiro. E se alguém se dispor a fazer essa análise, provavelmente encontrará pela frente não apenas Eike Batista, mas também Sérgio Cabral e todos os que orbitaram ao seu redor nos anos dourados do ex-bilionário.

Finalmente, eu indicaria o livro aos que ainda se iludem com as chances do Porto do Açu vir a ser uma Roterdã dos trópicos. É que apesar de não se prender a prognósticos sobre o futuro do empreendimento “legado”, Malu Gaspar coloca definitivamente “os pingos definitivamente no is”.  Depois de ler o livro, que se iluda quem quiser.

Erosão no Açu: MPF apura responsabilidade do Inea e do Porto

O avanço do mar no Açu pode ser uma das consequências dos já esperados impactos ambientais causados pelo Complexo Portuário)

O avanço do mar do Açu é tema de investigação do Ministério Público Federal (MPF). Com base nos pareceres técnicos emitidos por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Estadual Norte Fluminense (Uenf), o procurador Eduardo Santos Oliveira, acredita que a erosão do mar pode ser uma das consequências dos já esperados impactos ambientais causados pela implantação do Complexo Logístico Industrial Portuário do Açu, no 5º distrito de São João da Barra.

No dia 23 de setembro, os moradores do Açu foram surpreendidos pela invasão do mar na principal avenida da localidade. No dia seguinte, uma equipe do MPF fez um levantamento na área, onde foram coletados depoimentos da população residente, além de fotos e vídeos. Segundo o procurador, durante a ação, a equipe técnica considerou que, do ponto de vista ambiental, as alterações observadas eram irreversíveis.

A pedido do MPF, os pesquisadores Eduardo Bulhões (UFF) e Marcos Pedlowski (Uenf) encaminharam pareceres técnicos nos quais afirmam que o avanço do mar acontecia em função das obras do Porto do Açu. Esses danos também foram apontados em alguns Relatórios de Impactos Ambientais (Rima) emitidos antes mesmo do Instituto Nacional do Ambiente (Inea) conceder a licença que autorizou o início das intervenções no local. “Ao que tudo indica, o avanço do mar não é natural como a erosão em Atafona, por exemplo. Mas o que podemos afirmar neste momento é que os danos não são surpreendentes”, disse o procurador.

Eduardo Oliveira ressalta que os impactos ambientais têm gerado preocupações, não somente ambientais, mas também sociais e de saúde pública. “No âmbito ambiental é possível notar que, além da perda da faixa de areia, existe ainda um mangue que provavelmente será coberto pelo mar. Já na questão social, a equipe técnica que esteve na localidade observou que a população está temerosa. E a saúde pública também é um ponto a ser levado em consideração porque, devido à salinização do rio Paraíba do Sul, a Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) em São João da Barra tem encontrado dificuldades para captar água”, explicou.

Neste momento, o MPF está analisando o levantamento coletado pela equipe técnica – em conjunto com os pareceres dos pesquisadores das universidades – para apurar quem são os responsáveis pelos danos. O próximo passo, segundo o procurador, seria intimar o Inea e a empresa responsável pela construção do Porto, Prumo Logística, para comparecer ao Ministério Público e explicar as razões pelas quais os riscos passaram despercebidos. A partir de então, o MPF vai avaliar se é possível corrigir o rumo e minimizar os impactos. “Ainda não podemos apontar um culpado, por isso estamos investigando o caso minuciosamente. Mas posso afirmar que estamos com os olhos voltados para o Inea por ter licenciado uma obra que cause tantos dados ao meio ambiente e à população”, declarou.

 
Outras investigações

O Complexo Logístico Industrial Portuário do Açu vem sendo investigado pelo MPF desde 2008 quando foi instaurada uma ação civil pública para apurar o licenciamento do Porto do Açu, da extração do minério, em Minas Gerais, e do mineroduto. De acordo com o procurador Eduardo Oliveira, a obra do complexo logístico causa impactos em três estados brasileiros e, por esse motivo, a licença deveria ser concedida em conjunto por um órgão federal, como manda a lei.  “O MPF acredita que o Ibama deveria ser o órgão responsável por emitir o licenciamento, mas ao contrário disso, diferentes órgãos autorizaram as obras, o que não se sustenta legalmente”, argumentou.

O procurador salienta que o complexo portuário é privado, o que está fora dos padrões constitucionais. “O Porto será uma porta marítima para entrada no Brasil e o mar territorial pertence à União. Consta na Constituição Federal que os portos devem ser públicos, embora possam ser explorados por empresas particulares mediante concessão da União, como acontece no Porto de Santos. A preocupação do MPF é com a fiscalização dos contêineres que chegarão diariamente no Brasil. O porto possibilita uma entrada estratégica no país e esses contêineres podem abrigar materiais ilícitos – como drogas – e o Estado Brasileiro é obrigado a garantir que esses produtos não entrem no país. Queremos saber como a Receita Federal, a Alfândega e a Polícia Marítima vão fiscalizar essa nova rota”, questiona. Atualmente, essas investigações estão arquivadas.

FONTE: http://jornalterceiravia.com.br/noticias/norte-noroeste-fluminense/57374/eros

Audiência na Câmara de SJB sobre erosão na Praia do Açu é notícia no O DIÁRIO

Audiência na câmara de SJB debate avanço do mar no Açu

Blog do Pedlowski
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Risco. Nos dias de maré alta as ondas têm avançado na área residencial do Açu

Danielle Macedo

A Câmara Municipal de São João da Barra (SJB) realiza nesta quarta-feira (1º/10), às 19h, reunião pública para esclarecer questionamentos do vereador Franquis Arêas sobre as obras do Porto do Açu, que estariam contribuindo para a erosão e o avanço do mar na praia do Açu. A empresa Prumo, que já confirmou presença através da assessoria à Câmara, promete prestar esclarecimentos sobre a evolução da linha de costa adjacente aos molhes do Terminal TX2 do Porto do Açu e a necessidade de transposição de sedimentos.

No último dia 23, com uma maré cheia, houve avanço do mar sobre a área costeira na praia do Açu, atingindo um trecho da Avenida Principal, assustando os moradores. O Ministério Público Federal (MPF) em Campos enviou uma equipe técnica um dia após o ocorrido para uma inspeção na área, ouviu a comunidade e fez averiguações onde estão sendo construídos o quebra mar e o canal, que é mantido aberto a todo tempo pela empresa Prumo Logística.

O diagnóstico do MPF ainda não foi concluído pelo procurador Eduardo Oliveira, que ficou de divulgar o mesmo para que as providências fossem tomadas em relação ao problema enfrentado com cada vez mais frequência pela comunidade da praia do Açu, que tem aproximadamente dois mil moradores, representando percentual significativo da população de SJB.

Sobre as possíveis causas do problema, ambientalistas, moradores e Prumo divergem nas opiniões. O ambientalista Aristides Soffiati pesquisou o assunto num estudo do colega Eduardo Bulhões, da Universidade Federal Fluminense (UFF), segundo o qual o alagamento poderia até ser até considerado normal para a estação do ano, tradicionalmente de marés altas. Mas segundo ele, desde as primeiras audiências públicas em 2011 e 2012, já era prevista a erosão e, de alguma forma, a areia tem que ser reposta na praia. “Açu e Barra do Furado jamais poderiam ter estaleiros. No Furado há o mesmo problema de erosão e começaram a projetar a transposição da areia, mas está tudo parado”, alerta Soffiati.

Sem monitoramento – Segundo Denis Toledo, morador e comerciante da praia do Açu que acompanha o processo de instalação do estaleiro desde o início, nenhum tipo de monitoramento é feito sobre o grande impacto ambiental que vem ocorrendo desde 2012. “Vamos participar dessa reunião na Câmara, porque desde o início do projeto em 2012, ninguém da empresa UCN ex OSX, hoje Prumo Logística, esteve aqui na praia para monitorar nada, e nem nos questionar sobre essa grande erosão na nossa faixa de areia”, afirmou.

FONTE: http://www.odiariodecampos.com.br/audiencia-na-camara-de-sjb-debate-avanco-do-mar-no-acu-15365.html