Escândalo dos cargos secretos da Fundação Ceperj tem braço em Campos dos Goytacazes. Quem se surpreende?

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A mais recente reportagem do portal UOL acerca do rumoroso caso dos quase 30 mil cargos secretos da Fundação Ceperj coloca luz sobre a cidade de Campos dos Goytacazes, de onde partiu a indicação para que um dado servidor receba dois salários para os quais não possui boas explicações para as funções que cumpriria para ter recebido vultosos 122 mil reais apenas nos primeiros sete meses de 2022.

As esquisitices envolvendo este caso são inúmeras, pois os autores da matéria, os jornalistas Ruben Berta e Igor Mello, levantaram dados mostrando que apenas em um dia foram sacados 500 mil reais na “boca do caixa” em uma agência do Bradesco, o que não teria como passar sem ser notado pelo volume de dinheiro retirado, mas que só agora se tornou público via o UOL.

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Outra curiosidade é que o vereador que indicou o profissional para um cargo secreto na Fundação Ceperj sabia que havia indicado, mas não exatamente para quê, o que torna o caso ainda mais singular, dados os salários envolvidos. Como servidor público concursado há 23 anos, posso relatar que essa situação não seria possível dentro qualquer órgão estadual onde alguém entra via concurso, já que ao se submeter a um cargo, não apenas não é necessário um “padrinho”, mas ninguém entra sem saber qual função terá de cumprir e com quais obrigações. Em outras palavras, nos cargos públicos não é aceitável que alguém não saiba declarar o que faz para receber os salários devidos pelo Estado. Mas, como se vê agora, essas condições básicas não se aplicam aos cargos secretos da Fundação Ceperj.

Mas quem conseguir ler o inteiro teor da reportagem notará que o único critério para alguém acessar salários polpudos com os cargos secretos da Fundação Ceperj é ter algum tipo de ligação de fidelidade com o governador acidental Cláudio Castro ou, como os deputados que sejam da sua “base” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Com isso, não apenas vai para o espaço qualquer menção a critérios meritocráticos que são tão usados para permitir progressões funcionais dos servidores concursados, mas também se deixa evidente o viés eleitoreiro das indicações, pois o único critério aparente para alguém ocupar cargos é estar, de alguma forma, ligado ao governador acidental do Rio de Janeiro.

O revelador silêncio sepulcral na Câmara de Vereadores 

Eu que estou acostumado a acompanhar declarações cáusticas (muitas delas mais do que justas) de determinados vereadores contra as práticas do governo municipal comandado por Wladimir Garotinho, estou curioso sobre as razões pelas quais o escândalo da Fundação Ceperj não tem merecido um minuto sequer para que nossos nobres parlamentares de oposição sobre este assunto tão polêmico. Aliás, também não ouvi qualquer palavra dos vereadores da base de apoio do governo municipal, o que torna o caso ainda mais curioso.

O interessante é que está ficando mais público que o esquema de cargos secreto trazia consigo o esquema da “rachadinha“, inclusive nos valores liquidados pela agência do Bradesco em Campos dos Goytacazes, o que torna essa situação toda ainda mais capaz de causar grande alvoroço, já que agora todos os olhos parecem ter se voltado para a Fundação Ceperj.

Finalmente, o mais triste nesse negócio todo é que apesar de causar espécie em alguns, todo esse mar de lama não causa surpresa. E isso diz muito sobre o estado de coisas que continuam vigentes no estado do Rio de Janeiro sob o comando do governador acidental Cláudio Castro.

 

UOL coloca a gênese esquema de rachadinhas no gabinete de Jair Bolsonaro

bolsonaro rachadinhas

Um dos pilares dos esforços diversionistas do presidente Jair Bolsonaro tem sido o chamado “esquema das rachadinhas” que, até agora, estava centrado no gabinete do seu primogênito, o agora senador Flávio Bolsonaro.  Para abafar as grossas evidências de que, quando era deputado federal, Flávio Bolsonaro comandava um esquema de recolhimento de parte substancial dos salários dos servidores colocados à sua disposição pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Entretanto, sempre pairou a desconfiança de que Flávio Bolsonaro não era o criador, mas apenas o continuador de um esquema bem azeitado de apropriação indevida de salários. Essa desconfiança acaba de ser transformado em grande possibilidade por uma série de reportagens que acaba de ser lançada pelo site UOL. Essas matérias indicam que o esquema das rachadinhas teria começado com Jair Bolsonaro, usando parentes e uma rede de pessoas que entregavam seus salários a uma série de “cobradores” que envolveria até militares (ver vídeo abaixo).

A crise política que cerca Jair Bolsonaro por causa do escândalo em torno da compra superfaturada de vacinas certamente irá aumentar com as evidências apontadas pelas reportagens do UOL. Como isso irá influenciar o humor do congresso nacional não apenas sobre as contrarreformas propostas por Paulo Guedes, mas principalmente sobre os 120 pedidos de impeachment que dormem debaixo do assento do deputado Arthur Lira (PP/AL). Os próximos dias prometem ser de alta temperatura em Brasília.