Instituições lançam a Aliança pela Ação Climática – Brasil (ACA-BR)

O grupo irá mobilizar a sociedade em apoio à ação climática
Pernambuco se une a movimento nacional por Ação Climática - Folha PE

A mudança climática global representa o maior desafio do tempo atual. Evidências científicas sugerem que o nível atual de gás carbônico na atmosfera é o mais alto em 3,5 milhões de anos.

O Brasil sofre diretamente os impactos das mudanças climáticas. O país enfrenta problemas como a escassez de água, incêndios e inundações cada vez mais frequentes e intensos e com impactos diretos na saúde humana, na produção de energia e na produtividade agrícola. A crise climática também está mudando a face dos ecossistemas únicos, desde a Amazônia e a Mata Atlântica até o Cerrado e o Pantanal. Quando combinadas com a destruição do habitat, a mudança climática pode alterar para sempre a estrutura e a composição desses ecossistemas, comprometendo os serviços ecossistêmicos dos quais a população depende. A menos que se enfrente o desafio climático de frente, ele gerará impactos econômicos, sociais e humanos ainda mais negativos do que os causados ​​pela nova pandemia do novo coronavírus.

Em 2015, países de todo o mundo uniram forças para enfrentar este desafio à humanidade ao adotar o Acordo de Paris, se comprometendo a enviar contribuições nacionais para reduzir as emissões e adaptar seus territórios aos impactos da mudança climática. No entanto, com base nas contribuições submetidas até agora, mesmo se os compromissos nacionais forem implementados, as temperaturas deverão subir 3°C, bem acima da recomendação de 1,5°C, o que indica que os esforços devem ser ainda mais ambiciosos em todo o mundo e, para tal, a contribuição de todos os atores da sociedade é essencial.

O Brasil tem sido reconhecido como líder global no enfrentamento da mudança climática, como articulador na busca de consensos para ações climáticas coletivas. Embora o país seja o sexto maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, possui o necessário para construir um novo modelo de desenvolvimento: é o país mais biodiverso, com a maior área de floresta tropical do planeta e com um potencial incomparável de energia renovável. Apesar da pandemia que assolou o país, os líderes locais estão dando o exemplo de que atender às necessidades dos brasileiros pode andar de mãos dadas com a solução da crise climática.

O Brasil tem a responsabilidade e a oportunidade de estar na vanguarda dos esforços globais para enfrentar a mudança climática, se recuperar da pandemia da Covid-19 de uma forma que desvincule o crescimento do país das emissões de gases de efeito estufa e crie resiliência socioecológica. Podemos aplicar soluções baseadas na natureza e colocar sistemas em funcionamento para construir uma economia neutra em carbono e resiliente, com potencial de gerar milhões de empregos verdes, reduzir as desigualdades estruturais e melhorar a qualidade de vida de nosso povo. Este é um momento que exige que todos os líderes façam a sua parte, trabalhem juntos para construir um futuro melhor para todos os brasileiros. Da mesma forma, as empresas e organizações devem alinhar suas estratégias e operações com uma economia neutra em carbono. Quando se lidera pelo exemplo da ação climática, se torna parte da solução

Sabendo que o Brasil precisa da voz coletiva e fortalecida de todas as instituições comprometidas para trazer a ação climática para o centro do debate público, a Aliança pela Ação Climática – Brasil (ACA-BR) foi criada para mobilizar líderes empresariais, investidores, autoridades locais e estaduais, academia, imprensa, entidades religiosas, federações indígenas, organizações da sociedade civil e jovens em apoio à ação climática no Brasil. O objetivo da aliança é complementar o ecossistema existente de ação climática no Brasil, reunindo esses atores para inspirar ações climáticas mais ousadas por meio da colaboração; engajar o público brasileiro sobre a urgência e os benefícios da ação climática embasado em análises sólidas; e apoiar as condições políticas que podem acelerar a transição do Brasil para uma sociedade resiliente para o benefício de todos os brasileiros e de todo o mundo, em consonância com o Acordo de Paris.

O lançamento da ACA Brasil acontece dia 28 de janeiro de 2021, às 14 horas, ainda respirando os ares do aniversário de cinco anos do Acordo de Paris. À medida que o mundo olha para o próximo marco climático na COP26 em Glasgow, a ACA Brasil trabalhará para mobilizar toda a sociedade brasileira rumo à COP26 e durante esta década decisiva.

No dia 28 de janeiro, o evento de lançamento será moderado por Daniela Lerário, Líder Brasil da equipe de Campeões do Clima da COP26, acompanhada por Gonzalo Muñoz, Campeão de Alto Nível da COP25; e Suzana Kahn, Diretora Adjunta da Coppe (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

O evento de lançamento da ACA Brasil também incluirá depoimentos de governadores, prefeitos, investidores, acadêmicos, empresários e jovens líderes e será transmitido ao vivo no YouTube a partir das 14 horas (horário de Brasília).

Serviço

Data: 28 de Janeiro

Horário: 14h (Brasília)

Sobre Alianças para Ação Climática

A ACA-Brasil faz parte das Alianças para Ação Climática, uma rede diversificada de alianças nacionais dedicadas à ação climática ambiciosa, aumentando o apoio público para enfrentar a crise climática e engajando seus respectivos governos nacionais para descarbonizar mais rapidamente e, por fim, alcançar reduções de emissões alinhadas com os objetivos do Acordo de Paris com os quais cada país se comprometeu. Saiba mais sobre as Alianças para Ação Climática em: https://www.alliancesforclimateaction.org/

O Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas divulga obras sobre gestão resiliente em tempos de COVID-19

covid19

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),  está circulando duas publicações recentemente traduzidas para o português com potencial uso por formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão. O PNUMA é a principal autoridade ambiental global que determina a agenda internacional sobre o meio ambiente, promove a implementação coerente da dimensão ambiental do desenvolvimento sustentável no Sistema das Nações Unidas e serve como autoridade defensora do meio ambiente no mundo.

Diante de nossa missão e da situação de pandemia que a humanidade enfrenta, enxergamos a COVID-19 como um lembrete de que a saúde humana está profundamente ligada à saúde do planeta. Seguindo essa linha, gostaríamos de compartilhar dois materiais que acreditamos ter grande serventia na formulação de políticas públicas, nacionais e locais. 

O primeiro é a cartilha “Trabalhar com o meio ambiente para proteger as pessoas: resposta do PNUMA à COVID-19”, publicado pelo PNUMA  em maio de 2020. Nela, discutimos a origem de doenças zoonóticas, tais como a COVID-19 que nos aflige atualmente. Buscamos também apresentar suas origens e implicações, destacando o papel da natureza e de sua preservação na interrupção do ciclo de doenças zoonóticas. Por fim, apresentamos como o PNUMA se reorganizou para responder à crise atual e evitar crises futuras. As zoonoses representam cerca de 75% de todas as doenças infecciosas emergentes. Para evitar futuros surtos, devemos enfrentar as ameaças aos ecossistemas e à vida selvagem, incluindo perda de habitat, comércio ilegal, poluição e mudanças climáticas.

O segundo é o relatório “Construindo sociedades resilientes após a pandemia do COVID-19: principais mensagens do Painel Internacional de Recursos”, publicado pelo PNUMA e pelo Painel Internacional de Recursos (IRP) em maio de 2020, que fornece recomendações de políticas e exemplos extraídos de avaliações científicas do IRP para apoiar uma recuperação econômica inteligente em termos de recursos, guiada pela proposta de repensar a maneira como geramos riqueza, a maneira como nos movemos, vivemos e comemos.