Direto do Restaurante Popular em Campos dos Goytacazes: cenas de uma reinauguração transformada em palanque

Como previsto a reinauguração na manhã desta 6a .feira do restaurante popular em Campos dos Goytacazes teve a presença do governador Cláudio Castro e de outras autoridades e ex-autoridades. As imagens abaixo mostram um governador contrito, provavelmente temeroso de alguma manifestação popular contra os efeitos devastadores da mega operação policial (que o jornal The Washington Post classificou como operação de guerra) na comunidade do Jacarezinho.

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Um dado curioso é que a reabertura do restaurante popular teria sido postergada por causa da pandemia da COVID-19. Entretanto, para sua reinauguração e o palanque em torno dela, a aglomeração correu mais do que solta, mesmo que se saiba que uma nova variante do Sars-Cov-2 esteja circulando neste momento na região Norte Fluminense. Em outras palavras, preocupação com aglomeração só para reabrir, mas para formação de palanque está tudo liberado.

Mas passado o momento do palanque, minha expectativa é de que a comida servida seja capaz de matar a fome do número diário prometido nos discursos de hoje. Afinal, como diz a camiseta que o governador Cláudio Castro e o prefeito Wladimir Garotinho usavam: “quem tem fome, tem pressa”.

Reinações de um governador acidental: do Jacarezinho para a reinauguração do restaurante popular em Campos

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O presidente Jair Bolsonaro ao lado do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro

O governador (por acidente) do Rio de Janeiro, o cantor católico Cláudio Castro (PSC) é uma pessoa bafejada pela sorte, pois saiu da condição de um ilustre desconhecido para ocupar a chefia do executivo da segunda maior economia da federação brasileira.  Entre uma bafejada da sorte e outra, o governador acidental tem se revelado um dos melhores amigos do presidente Jair Bolsonaro por quem nutre uma amizade pública.

Pois bem, no dia de ontem, sob a batuta de Cláudio Castro à frente do governo fluminense, a polícia do Rio de Janeiro realizou uma operação na comunidade pobre do Jacarezinho onde foram ceifadas as vidas de pelo menos 24 moradores, sem que se saiba exatamente quantas dessas pessoas tinha sequer ligação com o mercado ilegal de drogas.  Mas para repetir uma marca das operações sangrentas realizadas ao longo da história fluminense, os mortos eram invariavelmente homens negros jovens.

Eis que hoje o governador acidental do Rio de Janeiro estaria vindo a Campos dos Goytacazes para fazer a reinauguração do restaurante popular que, coincidentemente, servirá suas refeições para uma maioria de pessoas negras pobres. De quebra, se vier mesmo para essa inauguração, o governador Cláudio Castro deverá ser instado a entoar uma canção de cunho religioso (talvez em um dueto com o prefeito Wladimir Garotinho que também é chegado em cantorias em cima de palanques) para marcar a ocasião e, principalmente, a oportunidade publicitária que o evento efetivamente representa.

Sei lá, não sei se sou eu o único a achar que há algo de muito contraditório nessas reinações do governador Cláudio Castro.  Mas que ninguém se surpreenda se pingar sangue da fita de inauguração antes dela ser cortada.

Restaurante Popular de Campos dos Goytacazes vai ser reaberto nesta 6a. feira

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Recebi via o Whatsapp do prefeito Wladimir Garotinho (PSD), o convite abaixo que se refere à cerimônia de reabertura do Restaurante Popular de Campos dos Goytacazes, a qual deverá ocorrer com toda pompa e circunstância amanhã de manhã (07/05), com a presença do atual governador Cláudio Castro e do casal de ex-governadores Anthony Garotinho e Rosinha Garotinho.wp-1620310897356.jpg

A primeira coisa que se pode dizer sobre esta reinauguração é de que ela repara um grave prejuízo causado aos segmentos mais pobres da população campista pelo governo do ex-prefeito Rafael Diniz que no início do seu mandato se mostrou como um “serial killer de políticas sociais”. 

Ao promover a reabertura do restaurante popular, Wladimir Garotinho restabelece uma política social relativamente barata, mas que tem uma importância crucial para os segmentos mais fragilizados da população que hoje literalmente passa fome pelas esquinas de uma cidade que possui um dos orçamentos mais caros da América Latina.

Como alguém que sempre defendeu a reabertura do restaurante popular, agora vou acompanhar o que os usuários terão a dizer sobre a qualidade do alimento fornecido, bem como das medidas que serão adotadas para manter o devido controle de segurança durante a vigência da pandemia.

E não é preciso dizer que reabrir o restaurante popular deverá ser apenas a primeira medida para recuperar a rede de proteção social que foi destruída por Rafael Diniz.  Afinal, sem, por exemplo, um programa de renda mínima, a fome será aliviada com a reabertura do restaurante popular, mas não deixará de ser o flagelo que hoje é.  

100 dias de governo Wladimir Garotinho: um pequeno museu de velhas novidades

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Wladimir Garotinho, cercado pela população, no momento da vitória eleitoral em 2020

Antes de iniciar minha análise dos primeiros 100 dias do governo liderado por Wladimir Garotinho (PSD) em Campos dos Goytacazes, quero recomendar aos leitores do blog que leiam a que foi feita pelo Douglas da Matta no “Diário da Pandemia” dois dias atrás.  É que sendo o Douglas uma das mentes mais astutas e argutas a observar a nossa realidade provinciana, a leitura do texto A volta na planície em 98 dias é obrigatória.

Há que se reconhecer que não se pode avaliar completamente um governo que deverá durar 1.400 dias, apenas pelo que se fez nas primeiras 100 rotações completas da Terra em torno do nosso sol, mas isso não impede que tenhamos pistas do que ainda virá. E até aqui, não temo em dizer que estamos presenciando a execução de uma pequeno museu de velhas novidades.  Pode-se até minimizar a falta de inovação em função da persistência da pandemia da COVID-19, mas não há minimização que explique algumas situações que estão se pondo diante dos olhos de quem quer enxergar.

O Restaurante Popular continua fechado e a fome continua correndo solta nas ruas da cidade

Uma das promessas que eu considero mais simples de serem cumpridas seria a reabertura do Restaurante Popular Romilton Bárbara. Em uma corrida de cavalos, essa seria uma barbada.  É que além do custo financeiro ser baixo e o retorno social ser altíssimo, inexplicavelmente esse processo vem se arrastando como uma tartaruga que está com as quatro patas quebradas. Primeiro se arvorou uma parceria com o “parça” Bruno Dauaire que ocupa silenciosamente a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos que fez parecer que a reabertura seria coisa de dias. Depois veio um estranho programa de parceria com a iniciativa privada envolvendo a concessionária Águas do Paraíba e a rede de supermercados Super Bom.  Como o envolvimento da Águas do Paraíba só resulta em alguma coisa prática quando envolve o aumento dos já fabulosos lucros da empresa subsidiária do grupo “Águas do Brasil”, de prático só vi o anúncio da parceria.

Enquanto isso, a fome continua campeando as ruas de uma cidade que possui um dos maiores orçamentos públicos da América do Sul.

A ausência de uma política municipal de renda mínima, enquanto se nomeia centenas de cargos em comissão na prefeitura e na Câmara de Vereadores

Cidades com orçamentos tão ou mais comprometidos que os de Campos dos Goytacazes criaram, ainda que tímidos, programas de renda mínima. Na situação em que centenas de milhares de famílias desta cidade se encontram, o reestabelecimento de um programa de renda mínima teria tido um efeito energizador não apenas para quem poderia ter algo na mesa para comer, mas também porque dinamizaria o comércio local e geraria empregos que andam escassos neste momento, em um verdadeiro ciclo virtuoso.   Mas até agora, não houve sequer a sinalização de que se pretende fazer isso.

Por outro lado, um observador astuto do Diário Oficial do Município, me informou que nestes primeiros 100 dias de governo a gestão de Wladimir Garotinho realizou 960 nomeações em cargos de confiança, enquanto a Câmara de Vereadores teria feito outras 168. O custo conjunto dessas nomeações? A bagatela de R$ 50 milhões por ano, deixando óbvia a questão de que um programa de renda mínima iria custar menos do que isso.

A desastrosa opção de se majorar o pagamento do IPTU e de outros impostos municipais

Uma das facetas do governo do ex-prefeito Rafael Diniz foi realizar uma pequena derrama fiscal, principalmente no chamado Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e na famigerada Taxa de Iluminação, acrescentando-se aí os generosos aumentos nas contas de água e esgoto.  Ao assumir a prefeitura, o que fez Wladimir Garotinho? Não só manteve as maldades do governo anterior, mas também diminuiu o desconto para aqueles que decidissem pagar de uma só vez o IPTU, implicando na prática em um aumento no valor do imposto. 

Com isso, o que temos notícia é que a arrecadação inicial com o pagamento do IPTU ficou aquém do esperado, para surpresa dos “jênios” que decidiram por essa opção de oneração dos contribuintes municipais que já se encontram à beira da asfixia financeira por causa dos efeitos prolongados da pandemia da COVID-19.

A falta de uma política de recuperação das vias municipais

Outra faceta marcante do governo anterior foi o completo abandono das vias municipais que se transformam em um paraíso para os donos de oficina de automóveis e lojas de vendas de pneus. E o que fez o governo de Wladimir Garotinho nos seus primeiros 100 dias para reverter essa situação calamitosa.  Essa é fácil…. nada.  Com isso, a maioria das ruas na malha urbana principal estão transformadas em uma espécie de área de treinamento para o Rally Paris-Dacar.  

A mesma coisa pode ser dita para o sistema de sinalização que possui incontáveis semáforos operando, quando operam, em condições lamentáveis.

E mais uma vez, a ação para reparar essa situação não seria tão cara para a cidade, caso houvesse uma efetiva mordernização na forma de gerir os próprios municipais.

A insistência na aposta com a monocultura da cana de açúcar

Por relações umbilicais com o setor canavieiro, o governo Wladimir Garotinho embarcou, ainda que timidamente, em um suposto projeto de ressurreição que está sendo embalado pelos grandes proprietários rurais do município. É preciso que se tenha claro que não existe qualquer possibilidade de que os investimentos públicos ou privados para esse fim venham a ocorrer.  

E isso se dá por um motivo simples e inescapável: a fronteira do açúcar e do álcool se moveu para fora das regiões tradicionais e o que há de mais moderno e capitalizado no setor está no Centro Oeste e em São Paulo e Minas Gerais. Por que grupos monopolistas voltariam a se fixar no Norte Fluminense se estão se dando muito melhor em outras paragens? 

A única saída  viável para a agricultura em Campos dos Goytacazes está na produção de alimentos, e que ocorre de forma mais produtiva em pequenas propriedades, como aquelas geradas pela reforma agrária.

A hesitação frente às pressões para conter o avanço da pandemia da COVID-19 em Campos dos Goytacazes

Uma das áreas críticas em qualquer município brasileiro é o da gestão e controle da pandemia da COVID-19.  Nessa área, apesar de Campos dos Goytacazes estar chegando a 1.000 mortos oficiais (temos que levar em conta a subnotificação que está objetivamente ocorrendo) com um ritmo de infecção que ultrapassa os 100 casos diárias. o que faz com o estoque de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) estejam em 100% de ocupação.

Mas até aqui não apenas os esforços de educar a população são praticamente inexistentes, mas como se mostra uma incrível hesitação em se impor medidas restritivas mais fortes. E mesmo diante dentro cenário, ainda se conjectura fragilizar um sistema já raquítico de controle de circulação de pessoas porque um punhado de necrocormerciantes se pôs a protestar. Se essa fragilização se confirmar, o que teremos, com certeza, será a prosperidade de um único setor do comércio, o das funerárias.

O pequeno museu de velhas novidades

Por todas essas questões que selecionei para abordar é que não há como deixar de apontar que nos primeiros 100 dias dp governo de Wladimir Garotinho, o que temos é um pequeno museu de velhas novidades. E pior velhas novidades deixadas por um governo anterior que foi fragorosamente derrotado nas urnas. 

Há que se reconhecer que, diferente de Rafael Diniz, Wladimir Garotinho tem se colocado a cara na rua e ido até onde as coisas estão acontecendo.  Além disso, salvo alguns momentos de contrariedade, Wladimir tem tido uma postura de “fair play” com os críticos. Mas isso não o desobriga de procurar formas ágeis de resolver problemas que custariam pouco enquanto criaram uma dinâmica positiva na população, fator esse que será fundamental para qualquer esforço de retomada na ainda distante pós-pandemia.

Agora, se continuar insistindo em velhas estratégias de acomodação com grupos que sempre se beneficiaram da máquina pública, o mais provável é que Wladimir fique preso em uma teia mortal que sufocará suas chances de ser o gestor moderno que ele anuncia querer ser.

Campos dos Goytacazes e a fome que ronda por suas ruas: o terrorismo fiscal não será a resposta

rp-cgO fechamento do restaurante popular  pelo prefeito Rafael Diniz em 09 de junho de 2017 desmantelou uma importante política social, e o principal disso foi o aumento da fome em Campos dos Goytacazes

As estatísticas apontam que o município de Campos dos Goytacazes possui pelo menos 45 mil famílias em condições de pobreza extrema (perfazendo menos de R$ 100 de renda mensalmente). A fome é uma realidade objetiva para algo em torno de 200 mil pessoas, pouco menos do que a metade da sua população total.

Pois bem, enquanto isso prosseguem os esforços para ocultar essa situação inaceitável sob o argumento de que vivemos uma crise econômica sem precedentes, a qual demanda decisões extremas que deverão atingir principalmente os servidores públicos, apontados como uma fonte de sangramento das finanças públicas.

Segundo dados levantados pelo economista Ranulfo Vidigal no Portal da Transparência do governo federal, o problema da fome só não está pior porque temos algo cerca de 180 mil campistas que estão recebendo recursos via o chamado “Auxílio Emergencial” que foi aprovado no valor de R$ 600 pelo congresso nacional, a contragosto do presidente Jair Bolsonaro e seu ministro/banqueiro Paulo Guedes.

Como essa boia de salvação para os mais pobres tem inimigos poderosos na república, a começar pelo presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), a fome que hoje campeia as ruas de Campos dos Goytacazes deverá aumentar exponencialmente a partir de janeiro de 2021, caso os planos de acabar o Auxílio Emergencial sejam concretizados.

fome 1Pessoas pobres em busca de comida no Mosteiro Santa Face (Foto: Carlos Grevi)

Diante desse cenário crítico, me parece que é passada a hora de que os mais ricos sejam instados a abrir de parte de suas fortunas para impedir uma catástrofe social.  O suposto valente prefeito Rafael Diniz alega ter aumentado a renda própria do município em cerca de R$ 100 milhões.  O que ele não diz é que boa parte dessa renda não foi obtida com os mais ricos que desfilam com seus carrões importados (alguns valendo mais que apartamentos construídos em áreas nobres da cidade) pelas mesmas ruas onde uma legião de pobres tenta obter algum dinheiro para assegurar uma micro-renda que os permita comer alguma coisa ao final do dia. Os grandes punidos pela mini derrama fiscal de Rafael Diniz foram os pobres, essa é a verdade.

Desta forma, me parece urgente cobrar dos candidatos que pretendem substituir Rafael Diniz (o próprio já disse que vai manter o que está fazendo, por isso seria inútil perguntar a ele o que mudaria se por alguma surpresa do destino conseguisse se reeleger) propostas claras para aumentar a renda própria do município sem ter que apelar para a tentação de demitir ou reduzir os salários de servidores públicos. Essa cobrança é urgente, pois, do contrário, quem quer que seja eleito ficaria livre para repetir a agenda desastrada que se aplicou no município pelo chamado “governo da mudança”.

Antes que digam que estou com ideias extremadas,  sugiro que se comece a aumentar a renda própria do município, por exemplo, pela cobrança das dívidas milionárias acumuladas pelo chamado Fundo de Desenvolvimento de Campos (Fundecam) que , segundo um balanço feito em 2017,  amargava um prejuízo que beirava os R$ 450 milhões, em função de dívidas acumuladas por 40 empresas e negócios que pegaram os recursos do fundo e não realizaram os pagamentos devidos.  Apenas com esses valores seria possível reabrir e manter aberto o Restaurante Popular por mais de 100 anos!

Finalmente, tenho que concordar com alguns candidatos a prefeito que são defensores do terrorismo fiscal no sentido de que não se deve fazer promessas incumpríveis. Basta apenas prometer que vai se cobrar o que é devido ao município pelos mesmos ricos que sugerem a demissão de servidores públicos para garantir o equilíbrio das finanças públicas. Parece justo, não?

Essa é mole: quem fechou o restaurante popular, que reabra

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Um dos atos mais cruéis do estelionato eleitoral cometido pelo jovem prefeito Rafael Diniz contra a população mais pobre do município de Campos dos Goytacazes. Isso ocorreu com a promessa de que após saneadas irregularidades nunca claramente explicadas, o restaurante popular seria reaberto.

Pois bem, o fechamento ocorreu no já longínquo dia 09 de junho de 2017, e Rafael Diniz nem chegou perto de reabrir o restaurante popular. Enquanto isso, com seu trabalho incansável, as freiras do Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria têm assegurado que o número de pessoas passando não seja maior do que já é.

Agora, em pleno ano eleitoral, vejo uma falsa polêmica envolvendo apoiadores do prefeito e candidatos à sua sucessão sobre de quem seria a culpa do restaurante popular não estar aberto para matar a fome dos cidadãos mais pobres e economicamente marginalizados da nossa cidade.

Essa polêmica é falsa porque quem fechou, prometeu reabrir e manteve fechado o restaurante popular foi o prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais.  Se eles quiserem acabar com essa falsa polêmica, a coisa é simples: reabram imediatamente o restaurante. Do contrário, assumam que se comportaram e continuam se comportando de forma insensível e cruel com os que passam fome e não têm recursos financeiros para ter um prato de comida nas mãos.

Simples assim!

Restaurante Popular, a primeira vítima de um governo pífio

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O fechamento do restaurante popular de Campos dos Goytacazes pelo prefeito Rafael Diniz em 09 de junho de 2017 desmantelou uma importante política social

Li uma curiosa notícia (vou chamar assim por falta de substantivo melhor) postada no blog “Opiniões” hospedado no jornal Folha da Manhã sobre uma suposta parceria entre o jovem prefeito de Campos dos Goytacazes, Rafael Diniz (PPS), e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (Solidariedade) em prol da reabertura do restaurante popular em parceria com o governo estadual comandado por Wilson Witzel (PSC) (ver ilustração abaixo).

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Primeiro, há que se lembrar que o fechamento do restaurante popular já completou dois anos no mês de junho, sendo até o momento um dos exemplos mais cabais da insensibilidade do prefeito Rafael Diniz e seus menudos neoliberais contra os segmentos mais pobres e necessitados da população de Campos dos Goytacazes.

Segundo, também há que se lembrar que em breve Rafael Diniz poderá soprar as velinhas da promessa que fez de reabrir o restaurante popular em outubro de 2018. Naquela ocasião, como agora, Rafael Diniz prometia uma pronta reabertura desse instrumento essencial para matar a fome dos mais pobres.  Mas desde então a única coisa que mudou mesmo foi o ocupante da cadeira de secretário municipal de Desenvolvimento Social e Humano, com a troca até aqui inócua de Sana Gimenes pelo ex-vereador ainda em atividade,  Marcão Gomes.

O fato é que qualquer alegação de que o restaurante popular foi fechado por causa da alegada crise financeira que o município de Campos dos Goytacazes atravessa não resiste a uma checagem mínima dos fatos. Essa alegação foi e continua sendo uma verdadeira “fake news”.  É que o que efetivamente guiou o extermínio das políticas sociais herdadas de outros governos (incluindo a alimentação dos setores mais pobres) foi a espécie de prelúdio do governo Bolsonaro que Rafael Diniz resolveu executar em Campos dos Goytacazes.  No caso do restaurante popular, a relação custo/benefício entre mantê-lo aberto ou fechado nunca deu suporte à decisão que foi executada de maneira fria e calculada por Rafael Diniz. 

A verdade, é que o restaurante popular foi apenas a primeira vítima de um governo pífio que chegou ao poder prometendo mudança, mas que logo se mostrou um dos maiores estelionatos eleitorais da história do nosso município.   Assim, qualquer insinuação que agora Rafael Diniz está realmente interessado em reabrir algo que nunca quis aberto não pode ser tomada seriamente.

Conferência de Assistência Social: espaço de fiscalização e de luta do povo campista

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Por Ass.: Bruna Machel – Conselheira do CMAS /  Associação Resista Campos

É muito comum que as pessoas desconheçam a existência de instâncias de participação e controle social nas políticas públicas, como os conselhos municipais consultivos e deliberativos. Isso porque, apesar de existirem tais espaços, a classe trabalhadora esteve historicamente condicionada a uma posição de subalternidade na sociedade, completamente à margem das decisões políticas. Até mesmo o mais elementar rito da democracia, o ato de poder votar e eleger o Presidente da República, só voltou a realidade do povo brasileiro em 1985. Ou seja, a democracia brasileira é muito jovem, fragilíssima, e mesmo havendo uma Constituição Federal progressista, na prática os trabalhadores e trabalhadoras pouco podem incidir sobre os rumos da suas cidades, estados e nação.

De toda forma, é certo que quando há participação social, por menor que seja, há disputa, tensionamento e fiscalização, capaz de desnudar certas contradições do sistema. É justamente neste ponto que reside a fragilidade de grande parte dos governos: Manter a aparência de uma governança supostamente comprometida com as demandas populares, enquanto na realidade estão a gerir interesses daqueles que financiam suas campanhas eleitorais, daqueles que compram vantagens em licitação, daqueles que concentram influência por toda a parte, ou seja, às elites econômicas. Em um país onde 6 pessoas concentram a mesma riqueza que a metade da população mais pobre, fica fácil entender quem é o elo forte da corrente, quem de fato manda na política.

Então notem, esvaziar instâncias de controle social é trabalhar pela manutenção das relações profundamente desiguais de poder; É silenciar as vozes que muitas vezes se levantam contra as injustiças sociais. Portanto, não é difícil presumir às razões pelas quais o governo Bolsonaro tratou de destruir boa parte dos canais existentes de controle social no Brasil. Ainda que insuficientes e frágeis, eles sem dúvida incomodam muita gente.

Em Junho, por exemplo,  foram desmontados os Conselho das Cidades e a Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil, entre muitos outros. Seguindo a tática autoritária remanescente da ditadura, o governo de Jair Bolsonaro  também atacou o conselho de assistência social, ao revogar a resolução que convocava a realização de sua XII Conferência Nacional. Porém, graças a iniciativa da sociedade civil,  a conferência será realizada e terá como tema Assistência Social: Direito do Povo com financiamento Público e Participação Social . O fascismo não conseguiu frear a mobilização da sociedade. Felizmente a convocação tem ampla adesão de Estados e Municípios.

A Conferência em Campos – Restaurante Popular e Cheque-Cidadão em foco

Em Campos, o Conselho de Assistência aprovou em sua última plenária – realizada no dia 06 de Setembro – resolução que estipula a Conferência como instância de prestação de contas do governo Rafael Diniz, referente aos programas sociais interrompidos, em especial, o Restaurante Popular e o Cheque-Cidadão.

Está cada vez mais evidente que o Governo não consegue dar respostas práticas de enfrentamento ao problema da fome no município, mesmo havendo programação orçamentária em 2019 para reativação destas políticas. É inadmissível que o Prefeito Rafael Diniz siga optando pela reprogramação do orçamento, retirando verba da assistência para outras finalidades desconhecidas. Parafraseando Betinho, um dos maiores nomes do combate a fome no país, existem várias formas de cometer um erro,mas só sabemos disso quando acontece. No caso de Campos, nós já sabemos. O erro tem sido a indiferença do governo com aquilo que ele aparentemente não vê, ou não quer ver, a extrema pobreza.

Para virar esse jogo façamos da Conferência Municipal de Assistência Social um espaço de luta e resistência.

A conferência ocorrerá na UENF, na próxima quarta-feira (11/09), a partir das 8 horas da manhã. O evento contará com delegações de trabalhadores de assistência social, entidades, usuários referenciados nos Cras1 , representantes do governo e conselheiros do CMAS2. Além dos delegados que terão direito a voto, qualquer cidadão e cidadã pode e deve participar.

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1. Centro de Referência de Assistência Social (Cras) é a porta de entrada da Assistência Social. É um local público, localizado prioritariamente em áreas de maior vulnerabilidade social, onde são oferecidos os serviços de Assistência Social
2. Conselho Municipal de Assistência Social

(In) feliz aniversário! Fechamento do restaurante popular de Campos completa 2 anos

restaurante-popularFechamento do restaurante popular completa 2 anos enquanto a fome grassa no município de Campos dos Goytacazes.

Há exatamente dois anos o governo do jovem prefeito Rafael Diniz (PPS) fechou o restaurante popular de Campos dos Goytacazes sob a alegação de que a cidade vivia uma crise financeira sem precedentes na história do município.  Algumas centenas de milhões tendo sido gastos depois e com a conversa da herança maldita de Rosinha Garotinho esquecida como se nunca tivesse existido, os mais pobres desta cidade continuam privados de um importante instrumento de alívio da fome que os persegue cotidianamente.

O interessante é que no já longínquo dia 31 de Outubro de 2018, a prefeitura de Campos fez informar que havia um plano de reabertura do restaurante popular que seria reaberto sob o pomposo nome de “Centro de Segurança Alimentar e Nutricional” (ver imagem de matéria publicada pelo jornal Terceira Via logo abaixo).

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Esta demora toda é inexplicável, não apenas para mim que tenho o que comer todos os dias, mas principalmente para aqueles cidadãos que estão no lado perdedor de um modelo social que enriquece poucos às custas da miséria da maioria. 

A fome, alguém deveria informar o jovem prefeito de Campos, é algo urgente e inescapável.  A fome é como já disse um representante da FAO, Jean Ziegler, órgão das ONU para a questão da alimentação, a fome é uma espécie de genocídio silencioso que se abate sobre os mais pobres.  Por isso, minimizar a fome de centenas de pessoas deveria ser a primeira prioridade de um governo que prometeu mudar a forma de governar a nossa cidade. Mas está cada vez mais óbvio que matar a fome dos mais pobres e despossuídos não é prioridade para este governo.

Por isso, no dia desse (in) feliz aniversário de 2 anos do fechamento do restaurante popular, não há nada que possa ser celebrado. Quando muito podemos lamentar que um político jovem e que se elegeu ao fomentar com êxito a esperança de milhares de pessoas, tenha gerado um governo com práticas tão antigas como a de aparecer para aplicar veneno contra mosquitos transmissores de doenças, apenas depois que se constatou que o nosso município está na inglória segunda posição de mais acometido pela dengue no estado do Rio de Janeiro (ver imagem abaixo).

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Placar do Marcão Gomes: Buffet 1 X 0 Restaurante Popular

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Uma conversa ao pé do ouvido entre Rafael Diniz e Marcão Gomes que não deve ter sido sobre a reabertura do Restaurante Popular.

Eu sinceramente pensei que o primeiro ato notável do vereador Marcão Gomes (PR) após assumir a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social seria dar a grande notícia de qual seria o dia de reabertura do Restaurante Popular Romilton Bárbara, uma demanda para saciar a fome diária de milhares de cidadãos pobres da pobre/rica cidade de Campos dos Goytacazes.

Mas ao ler a página que o sempre atento jornalista Saulo Pessanha mantém na rede social Facebook, vejo que novamente depositei expectativas positivas de um mato de onde não sai coelho.  Como mostra a reprodução digital abaixo,  um dos primeiros atos do agora secretário Marcão Gomes foi contratar uma empresa especializada na prestação de serviço de buffet, para atender a eventos do órgão pelo “módico” preço de R$ 68.558,00 por 4 meses.

 

marco buffet

Vá lá que os canapés diários que são servidos na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social não podem sofrer solução de continuidade, mas e a fome dos mais pobres pode?

É como eu venho dizendo desde que foram realizados pelos primeiros atos de ataques às políticas sociais herdadas de governos anteriores pelo governo de Rafael Diniz: vão acabar conseguindo que o grupo político de Anthony Garotinho volte para o comando da Prefeitura de Campos dos Goytacazes sem sequer precisar fazer esforço. 

Se sofrer uma vitória acachapante em 2020 que o jovem prefeito Rafael Diniz não venha reclamar da sapiência dos eleitores pobres desta cidade. A verdade é que ele só terá a si próprio para culpar pelo desperdício do capital político que o catapulpou para a cadeira de prefeito em primeiro turno em 2016. A ele mesmo e a seus insensíveis menudos neoliberais.