Velha política está viva e passa bem em Campos dos Goytacazes

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A entrevista com ares de lançamento de candidatura do “assessor especial” do jovem prefeito Rafael Diniz, César Tinoco, que foi publicada ontem pelo jornal Folha da Manhã é reveladora em muitos aspectos [1].

A primeira revelação está logo na apresentação quando somos informados que Rafael Diniz e César Tinoco são ligados umbilicalmente pela política desde que avô e pai, respectivamente, eram a face mais visível das oligarquias que dominaram a cidade de Campos dos Goytacazes por vários séculos. Daí que esse jovens representantes da velha política campista estão longe de representar uma mudança verdadeira, mas, quando muito, uma alternância nos grupos que dominam a prefeitura de Campos dos Goytacazes.

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A entrevista em si é cheia de obviedades, auto elogios e promessas que efetivamente contribuem para dar um ar de campanha eleitoral antecipada.  Mas escolhi dois trechos que me parecem reveladores de um certo cinismo institucional que parece caracterizar as ações da administração Rafael Diniz.

O primeiro trecho tem a ver com o fechamento e possível reabertura do Restaurante Popular.  É que indo além de declarações anteriores que colocavam a culpa do fechamento no uso do mesmo por comerciários, César Tinoco elevou o tom e colocou dentro daquele espaço também os patrões dos comerciários! Mas, venhamos e convenhamos, que comerciante estaria tão duro para ter que ir buscar comida barata no Restaurante Popular? 

Ainda nesse quesito, o anúncio de que o Restaurante Popular será reaberto, sabe-se lá quando em 2018, parece esquisito, mesmo porque a promessa é de que seria reaberto em 6 meses, tempo esse que já se esvaiu sem que nada tenha sido feito para a volta do fornecimento de refeições para os segmentos mais pobres da população campista. Nesse sentido, alguém precisa lembrar ao “assessor especial” do prefeito Rafael Diniz que quem tem fome, tem pressa.

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 Também achei curioso o destaque dado a uma suposta multiplicação por 10 dos atendidos pela Fundação Municipal de Esportes (FME), que teria saído de 1.200 para 11.000 atendimentos (faltou, aliás, dizer a que períodos os números comparados se referiam). É que estive recentemente numa atividade nas instalações da FME e fiquei surpreso com o desmazelo que ali imperava, especialmente na falta de cuidado com áreas gramadas e com as estruturas edificadas.  Aliás, de bom mesmo só encontrei a dedicação dos instrutores que ali realizam um trabalho valioso de integração social via o esporte. Mas nada disso me pareceu ter a ver com o apoio da FME, mas muito mais com a participação das famílias dos jovens e crianças, como foi o caso no dia em que ali estive presente.

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Agora, é preciso reconhecer que essa entrevista é uma boa síntese do governo de Rafael Diniz que mistura pompa e arrogância com uma completa insensibilidade com a maioria pobre da população.  Mas o que esperar de um prefeito e um grupo de menudos neoliberais que falam em mudança e aplicam as mesmas formas de fazer política que herdam de seus avôs e pais? A verdade é que mudança precisa ser mais do que ter gestores com caras bem barbeadas e trajando roupas finas e bem passadas.

Finalmente, a pergunta que não quer calar: a justiça eleitoral campista vai se manifestar ou não sobre o potencial teor de campanha eleitoral antecipada que esta “entrevista” traz? É que se fosse uma entrevista com Wladimir Garotinho nos tempos em que sua mãe, Rosinha, era a prefeita, não tenho dúvidas que haveria algum tipo de ação nesse sentido. Ou será que cuidados para impedir o uso da máquina só servem para a família Garotinho? A ver!


[1] http://www.folha1.com.br/_conteudo/2017/12/politica/1228438-hospital-sera-entregue-em-2017.html

O que nos revela a perambulação de Rafael Diniz por restaurantes caros?

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Como qualquer cidadão,  Rafael Diniz tem todo o direito de frequentar quaisquer estabelecimentos que ele desejar. Afinal, sendo o dinheiro dele, quem há de condenar a forma pela qual ele decide gastá-lo? Pessoalmente aviso logo que o local de alimentação é algo que a pessoa comum deve poder escolher no mais livre arbítrio.

Acontece que Rafael Diniz não é qualquer cidadão. Ele é também o prefeito que fechou o restaurante popular Romilton Bárbara, acabou com a passagem social, congelou o Cheque Cidadão e fechou as portas do Programa Morar Feliz. Tudo isso em menos de um ano de governo!

Por isso, o fato de que Rafael Diniz tem sido visto frequentando os restaurantes mais caros da cidade de Campos dos Goytacazes, inclusive setores privados do mesmo como foi o caso de ontem (09/12) no restaurante Romano que fica localizado na área nobre da Pelinca,  demonstra a sua completa insensibilidade para as consequências de seus atos enquanto prefeito. Esse trânsito por estabelecimentos nos quais os que vivem as consequências do fechamento do restaurante popular não podem passar nem da porta é um sinal da mais completa alienação em relação à situação em que colocou as pessoas mais pobres desta cidade.

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Ainda que não haja nada de ilegal nas opções culinárias do jovem prefeito de Campos dos Goytacazes, as suas preferências não deixam de mostrar uma lamentável entre a mensagem de mudança e a perpetuação de padrões de insensibilidade social que as elites brasileiras insistem em seguir.

 

Rafael Diniz e seu legado ultraneoliberal

Poucos dias atrás fui questionado na seção de comentários deste blog por um apoiador do jovem prefeito Rafael Diniz que entre um “elogio” e outro me inquiriu a demonstrar que as políticas dessa nova/velha gestão possuem um recorte ultraneoliberal.

Como em seção de comentários não há muito como oferecer respostas mais densas, ofereci apenas o exemplo do fechamento de restaurante popular como uma demonstração inequívoca da opção cristalina de penalizar os mais pobres em nome de uma suposta luta contra o déficit fiscal municipal.

Mas como aqui há mais espaço, posso incluir além do fechamento do restaurante popular, outras tantas medidas que vem pautando o governo de Rafael Diniz que são tiradas diretamente do receituário neoliberal, incluindo a colossal majoração do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) com os quais os campistas deverão ser brindados em 2018. As mais nefastas para mim são o fim do Cheque Cidadão e da Passagem Social, duas medidas que contribuíram para um profundo agravamento da crise social no município de Campos dos Goytacazes, sem que tenham representado qualquer ganho mensurável na saúde financeira municipal.

O interessante é que o fracasso das políticas neoliberais aplicadas na década de 1990 já deveria ter servido de lição para os governantes. É que ao comprimir os gastos sociais e aplicar o torniquete fiscal naqueles que ainda podem pagar alguma coisa, o que se tem é uma profunda redução da capacidade do consumo e dos níveis de poupança.

Eu inclusive tenho a desconfiança que no caso particular do IPTU turbinado por Rafael Diniz e sua bancada na Câmara Municipal, o que poderemos ter é uma explosão da inadimplência e até o encolhimento do montante obtido com os valores atuais. É que os mais pobres não terão como pagar e os mais ricos já sabem que altos níveis de inadimplência sempre são seguidos por abatimentos generosos para os maiores devedores. O que me deixa intrigado é de como nenhum dos menudos neoliberais que cercam o jovem prefeito Rafael Diniz ainda não se deu conta disso. Ou se alguém se deu conta, por que ainda fizeram aprovar mudanças que vão salgar bastante os custos com o IPTU. 

Mas voltando ao fechamento do Restaurante Popular Romilton Bárbara, ouvi de uma fonte confiável que o prefeito Rafael Diniz anda se queixando  do número de pessoas que andam procurando socorro no Mosteiro da Santa Face que se localiza no Jardim São Benedito.  Ora, para diminuir essa procura é simples e barata: que se reabra o resutante popular! Assim, as freiras do mosteiro não terão mais que alimentar as centenas de pessoas que as procuram para matar a fome todos os dias (a imagem abaixo é deste sábado).

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Ah, sim, se os impactos das políticas ultraneoliberais precisassem de uma síntese, elas estão expressas nas faces de cada um desses que esperam pela caridade em vez do oferecimento de políticas sociais municipais.

Campos dos Goytacazes no ritmo do “circo sem pão”

Enquanto a mídia corporativa nos campista distrai com as idas e vindas de Anthony Garotinho no sistema prisional, a fila de famintos no Jardim São Benedito não para de aumentar. Mais um excelente serviço da gestão do jovem prefeito Rafael Diniz que fechou o Restaurante Popular Romilton Bárbara contrariando uma promessa de sua plataforma de campanha.

A partir dessa constatação é que fica evidente que o ódio que transparece contra Anthony Garotinho em notas jocosas travestidas de informação jornalística se dá mais pelos seus acertos do que pelos seus erros. Esse ódio tem uma clara conotação de classe e do mesmo tipo destinado, por exemplo, a Lula e outros personagens que na história brasileira tentaram, ainda que precariamente, minimizar a fome que aflige boas parcelas da população brasileira.

Mas para não perder a oportunidade, convido aos leitores deste blog que façam um esforço de solidariedade e apoiem materialmente o trabalho comunitário desenvolvido pelas freiras do Jardim São Benedito. É que em meio à falência óbvia do aparelho governamental em impedir o recrudescimento da fome no nosso município, há que se recorrer à solidariedade ativa.

Rafael Diniz e suas prioridades tortas: fechou o restaurante popular para conter o déficit, mas apoia Festival Gastronômico

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A gestão comandada pelo jovem prefeito Rafael Diniz tem sido marcada por uma verdadeira guerra às políticas sociais voltadas para minimizar a situação aflitiva que afeta os segmentos mais pobres da população de Campos dos Goytacazes.  O discurso que procura legitimar essa guerra é a de que cortar programas sociais é uma necessidade frente a uma suposta “herança maldita” deixada pela prefeita Rosinha Garotinho.

Entretanto, esse esforço de controle do suposto déficit fiscal herdado não se alcança outras atividades, a começar por “festivais”  cujos principais beneficiados são aqueles que não precisam, ou não deveriam precisar, de recursos públicos para executar seus projetos privados.  Já tivemos de tudo um pouco, incluindo um festival de cervejas artesanais. Mas agora, contradição das contradições, o novo “apoio” de Rafael Diniz vai para um “festival gastronômico” que envolve estabelecimentos localizadas na região da Pelinca, onde matar a fome é, digamos,  a parte menor de um programa social mais amplo.

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Enquanto isso se avolumam os que precisam viver de esmolas para conseguir um prato de comida, comida essa que era fornecida pelo Restaurante Popular a um custo irrisório para o município.

Um mérito desse apoio de Rafael Diniz ao 3o. Festival Gastronômico de Campos é explicitar quais são suas prioridades como prefeito. E matar a fome dos mais pobres agora ficou claro não está entre elas.

 

 

A guerra aos pobres do governo Rafael Diniz gera o risco de uma grave insurreição social em Campos dos Goytacazes

O maior erro que se cometer em política é provar que o seu adversário está certo. Partindo dessa questão básica das disputas entre diferentes correntes que emergem no esforço do controle de governos, não tenho como não observar o papel que o jovem prefeito Rafael Diniz está cumprindo para assegurar que o ex-governador Anthony Garotinho e seu grupo político possam ressurgir das cinzas menos de um ano depois de sofrerem uma acachapante derrota eleitoral.

É que se lembrarmos o que diziam os anúncios da campanha eleitoral do candidato derrotado Chicão Oliveira, o futuro das políticas sociais construídas para mitigar a profunda desigualdade social que existe em Campos dos Goytacazes estaria ameaçado caso o candidato Rafael Diniz fosse eleito. 

E pimba! Primeiro se fechou o restaurante popular, agora se acaba de vez com a passagem social., deixando na fila da guilhotina o “Cheque Cidadão” e o “Morar Feliz”. Esse desmanche se mostra irreversível, mesmo que os anúncios vindos pela boca do jovem prefeito ou de seus menudos neoliberais sejam menos explícitos, tornando o fim inevitável em “ajustes” para melhorar o que está sendo exterminado.

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O problema que, além de garantir a proeminência política de Anthony Garotinho no município de Campos dos Goytacazes, esse extermínio das políticas sociais de mitigação da desigualdade social extrema também está servindo para gestar uma crise sem precedentes na história recente deste rico/pobre município. É que confrontada com uma gravíssima crise econômica, a maioria da nossa população agora se verá diante de um custo insuportável até se precisar ir procurar empregos onde eles ainda existem.

Ao conversar na noite passada com um amigo que mora no entorno da Lagoa do Vigário (aliás, essa pessoa conhece o jovem prefeito desde que este era menino), ele me assegurou que há uma crescente revolta dentro da população mais pobre e que está sendo atingida em cheio pelos cortes (seletivos) que estão sendo operados em nome de um ajuste fiscal tão seletivo quanto o realizado pelo (des) governador Pezão no plano estadual. Como esse meu interlocutor é uma pessoa normalmente calma e sempre bastante lúcida, o vaticínio dele deveria preocupar Rafael Diniz e seus menudos neoliberais.  É que quem gesta a revolta aberta deveria estar preparado para conviver com seus efeitos sob pena de ser arrastado pela corrente. Friso que este meu interlocutor é um trabalhador de carteira assinada e que nunca precisou recorrer a quaisquer uma das políticas sociais ora exterminadas. Em outras palavras, em suas observações ele não se move por sentimentos individualistas, mas apenas exerce sua alta capacidade analítica.

Volto a dizer que tudo indica que falta neste jovem/velho governo aquela espécie do “ministro do vai dar merda” preconizado por Luís Fernando Veríssimo. É que tudo indica que a ausência dessa figura que nos governos de Rosinha Garotinho era ocupado com alto nível de eficiência pelo glacial Suledil Bernardino.  Como ainda não chegamos nem ao final do primeiro ano de governo “da mudança” me parece urgente que alguém ocupe este posto para evitar, inclusive, que tenhamos a ocorrência de algo muito pior do que possibilitar a que Anthony Garotinho reassuma a supremacia política no município.  É que nem mesmo Anthony Garotinho vai conseguir, ainda que queira, impedir que a revolta popular que borbulha discretamente nas regiões mais pobres de Campos dos Goytacazes tome ares de insurreição aberta. A ver!

Singelas dicas para o prefeito Rafael Diniz reabrir imediatamente o restaurante popular

Desde que o jovem prefeito Rafael Diniz decidiu fechar o Restaurante Popular Romilton Bárbara em nome de uma economia que considero canhestra [1], venho usando o valor de R$ 250.000,00 para estimar o custo mensal daquela importante unidade de mitigação da fome a que muitos cidadãos campistas estão sentindo neste momento de grave crise econômica. 

Também já apontei minha quase incredulidade que após o fechamento do restaurante popular, o prefeito “da mudança” tenha assinado um contrato de R$ 5.000.000,00 para abastecer a fábrica de propaganda oficial por 12 meses e outro no valor de R$  R$ 4.566.306,74, também por 12 meses, para manter em funcionamento o aeroporto Bartolomeu  Lysandro, perfazendo um gasto total de R$ 9.566.306,74 apenas nestes dois contratos [ 2 e 3

Pois bem, hoje li uma nota publicada pela jornalista Suzy Monteiro sobre um processo que será aberto pela Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes contra o  ex-governador Anthony Garotinho pelo valor que teria sido distribuído ilegalmente na forma de “cheques Cidadão” no total de R$ 11.000.000,00 (ver reprodução abaixo).

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Nessa nota é que surge uma informação interessante. É que segundo declaração atribuída ao prefeito “da mudança”, o valor de R$ 11.000.000,00 possibilitaria o funcionamento do restaurante popular por 4 anos (ou 48 meses).  Desta forma, o custo do oferecimento mensal de refeições a pessoas pobres pela Prefeitura de Campos dos Goytacazes não custaria os aludidos R$ 250.000,00, mas sim R$ 229.166,67!

Aí é que fazendo um pouco mais de contas, agora usando os dois contratos supramencionados que custarão R$ 9.566.306,74 aos cofres municipais, se o prefeito Rafael Diniz tivesse optado por alimentos os mais pobres, este montante permitiria manter o restaurante popular funcionando por 41 meses! Mas como ele optou por pagar por propaganda e por manter um aeroporto que serve a um grupo seleto de munícipes, e, é claro,  por fechar o restaurante popular e deixar um monte de gente  desprovida de pelo menos uma refeição diária.

Desta forma, que se aja para recuperar os tais R$ 11.000.000,00 que teriam sido desviados para utilizar indevidamente o “Cheque Cidadão”.  Entretanto, que não se coloque o fechamento do restaurante popular nesse balaio, já que foi o prefeito Rafael Diniz que optou por fazer propaganda e manter o aeroporto aberto.  É o famoso cada um, cada qual. simples assim!


[1] https://blogdopedlowski.com/2017/06/11/redes-sociais-sao-usadas-para-convocar-ato-em-defesa-do-restaurante-popular/

[2] https://blogdopedlowski.com/2017/09/11/governo-rafael-diniz-e-suas-prioridades-tortas-tem-dinheiro-para-propaganda-mas-nao-tem-para-alimentar-os-pobres/

[3] https://blogdopedlowski.com/2017/07/28/rafael-diniz-e-suas-curiosas-prioridades-fecha-se-o-restaurante-popular-para-economizar-enquanto-se-gasta-milhoes-para-manter-aeroporto-aberto/