O pequeno Duce de São Paulo

A história quase esquecida do fascismo brasileiro

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Por Niklas Franzen para o Neues Deutschland

O staccato monótono deve ter sido audível de longe: batidas de tambor, gritos de guerra, canções de marchas. Em fileiras de dois e em passos de ganso, homens em uniformes verdes e pretos marcharam pelas ruas, os braços repetidamente estendidos no ar em saudação romana. Dezenas de milhares se mudaram para São Paulo em 7 de outubro de 1934. Foi uma das primeiras manifestações de poder de um grupo que logo se transformaria no maior movimento fascista fora da Europa: os integralistas.

Em seu livro recém-publicado “Fascismo à brasileira” – Fascismo no Brasil – o jornalista Pedro Doria traça esse capítulo, quase esquecido até no Brasil. A história do fascismo brasileiro é também a história de um homem baixo e magro do interior de São Paulo. Plínio Salgado era filho de família abastada, de raízes portuguesas, estritamente católica. Quando jovem, devorou ​​livros de Karl Marx e  Mikhaiç Bakunin, trabalhou para vários jornais e teve seus primeiros sucessos como escritor. Politicamente, ele logo deveria deixar o marxismo para trás.

Na década de 1920, o Brasil era uma jovem república, impopular entre os comunistas, monarquistas e também os movimentos fascistas emergentes. O país de imigração fervilhava e havia repetidos levantes. E os acontecimentos na Europa não foram sem consequências: em 1930 o jovem Salgado viajou para a Itália, onde conheceu Benito Mussolini. O brasileiro teve uma audiência de apenas meia hora, mas o encontro impressionou profundamente Salgado e cimentou seu plano: um estado fascista no Brasil.

Mas no início sua ascensão ao Duce brasileiro foi difícil. Com seus colegas, ele viajou por todo o país: com barcos pela Amazônia, em caravanas pelo interior empoeirado, com ônibus frágeis para o sul de influência europeia. Era claro para Salgado que seu projeto só poderia ser realizado com a mobilização das massas.

Em 1930, Getúlio Vargas chegou ao poder com a ajuda dos militares, um ardente anticomunista e nacionalista. Ao mesmo tempo, ele estabeleceu a estrutura básica de um estado de bem-estar, foi celebrado como o “pai dos pobres” e habilmente incorporou sindicatos e grandes setores do movimento operário. Salgado viu este regime de forma crítica. Para ele, as democracias eram relíquias do passado. Mas ele manteve contato próximo com confidentes do presidente e compartilhou suas idéias de um Estado forte e centralizado.

Uma marcha interrompida em Roma

Dois anos depois, Salgado fundou a Ação Integralista Brasileira (AIB), que, como um partido de unidade como na Itália e na Alemanha, deveria pavimentar o caminho para o fascismo. Com marchas espetaculares, disciplina militar e cultivo de tradições míticas, Salgado apelou para uma base de massa. Os uniformes verdes e pretos e o símbolo Sigma circulado tornaram-se marcas de identificação. Um nacionalismo agressivo deve cimentar a sociedade internamente. No futuro estado do estritamente católico Salgado, a religião deve desempenhar um papel importante.

Mas, embora muitos soldados da Segunda Guerra Mundial e setores da classe trabalhadora na Europa estivessem entusiasmados com os partidos fascistas, os integralistas eram principalmente um movimento de intelectuais das classes média e alta. Os trabalhadores costumavam criticar o AIB – e resistiam.

Aquele 7 de outubro de 1934 em São Paulo era para ser uma procissão triunfal, uma marcha brasileira sobre Roma, assim Salgado tinha em mente. Mas grupos antifascistas planejaram uma emboscada. Esquerdistas radicais vêm oferecendo resistência armada há meses. O imigrante italiano Francesco Frola conseguiu unir stalinistas, trotskistas e anarquistas para formar a Frente Única Antifascista. Quando os fascistas chegaram à praça central da Sé, gritos puderam ser ouvidos: “Viva o comunismo!”, “Morte ao fascismo!” Em seguida, dispararam. O pânico estourou. No final, morreram três fascistas, um comunista e três policiais. Os fascistas foram ridicularizados nos jornais de esquerda, os fascistas passaram a ser “galinhas verdes” – uma humilhação para Salgado.

Mesmo assim, o AIB cresceu. Em 1934, o movimento tinha 180.000 membros, em 1937 mais de um milhão – de uma população total de cerca de 30 milhões na época. Surgiram escolas, clubes esportivos e colônias de férias: um mundo fascista paralelo no meio do país.

As primeiras sinagogas queimariam em breve na Europa. E no Brasil? Gustavo Barroso, número dois do movimento, era um antissemita notório. Os imigrantes alemães, em particular, incitaram o ódio contra os judeus, e uma hostilidade cristã fundamentalista contra os judeus também encontrou um lar com os integralistas. No entanto, o anti-semitismo foi muito menos formativo no Brasil do que na Europa, e em partes do AIB até mesmo desaprovado. O racismo também não desempenhou o papel principal, a AIB ainda tinha numerosos membros negros – e Salgado, como neto de um povo indígena, referia-se com segurança às suas raízes. A exclamação “Anauê!” – na língua indígena tupi significa: “Você é meu irmão” – virou até o grito de guerra dos integralistas. Salgado via os povos indígenas como os verdadeiros guardiães de uma identidade brasileira.

Em 1935, os comunistas tentaram um golpe, com o apoio da União Soviética e do Comintern. O golpe planejado pelo brasileiro Luis Carlos Prestes e pela judia alemã Olga Benario fracassou miseravelmente. O resultado foi uma lei de segurança nacional que puniu severamente distúrbios e protestos sociais. Salgado e seus integralistas haviam chegado a um acordo com o governo Vargas e pareciam cada vez mais autoconfiantes. Suas marchas faziam parte do cotidiano de muitas cidades. Salgado sonhava em concorrer às eleições de 1938 – com a abolição definitiva da democracia e a instauração de um estado fascista. Mas Vargas tinha outros planos. Em 1938, seu governo usou uma teoria da conspiração anti-semita – conhecida como Plano Cohen – para dar um golpe. Foi o início do Estado Novo. Eleições livres foram abolidas, uma nova constituição introduzida e os direitos civis suspensos. Surgiu uma ditadura – mas não aquela com que Salgado sonhou. 

Embora concordasse com Vargas em muitos pontos – centralismo, anticomunismo, clericalismo – havia diferenças significativas. Vargas dependia menos da mobilização do povo, deixava intocados os privilégios das velhas elites, apesar de sua política social e não tinha fundamento ideológico. Salgado, por outro lado, se via como revolucionário e queria construir uma nova sociedade fascista. Clericalismo – houve diferenças significativas. Vargas dependia menos da mobilização do povo, deixava intocados os privilégios das velhas elites, apesar de sua política social e não tinha fundamento ideológico. Salgado, por outro lado, se via como revolucionário e queria construir uma nova sociedade fascista. Clericalismo – houve diferenças significativas. Vargas dependia menos da mobilização do povo, deixava intocados os privilégios das velhas elites, apesar de sua política social e não tinha fundamento ideológico. Salgado, por outro lado, se via como revolucionário e queria construir uma nova sociedade fascista.

Para Vargas, os integralistas haviam sido aliados úteis contra os comunistas. No entanto, eles estavam começando a representar uma ameaça, principalmente porque receberam apoio financeiro da Alemanha nazista e da Itália de Mussolini. Vargas, que por muito tempo também manteve bons contatos com os governos fascistas na Europa, ficou do lado dos EUA na iminente guerra mundial. Os integralistas tiveram de ir – e o implacável estrategista Vargas atacou rapidamente. Em pouco tempo, o AIB e suas marchas foram proibidos, invasões realizadas em seus prédios e vários integralistas foram para a prisão. Os fascistas não tinham nada para se opor ao estado autoritário.

A coloração esverdeada de Bolsonaro

Salgado retirou-se, foi detido brevemente e teve de partir para Portugal. Meses depois, um grupo de integralistas e opositores de Vargas tentou outro golpe. Eles ocuparam o palácio presidencial por várias horas e pararam com rifles em frente ao quarto de Vargas. Mas essa revolta também falhou. Isso encerrou o capítulo do integralismo brasileiro – pelo menos por enquanto. Muitos ex-fascistas deveriam participar do golpe de 1964 contra o presidente João Goulart, eleito democraticamente, e ocupar cargos na junta militar de direita, que governou o Brasil com mão de ferro até 1985.

E mais de 80 anos depois de Salgado e suas camisas verdes marcharem pelas cidades brasileiras, outro político do sertão paulista está se firmando: Jair Bolsonaro. O presidente extremista de direita, com sua agenda neoliberal e sua orientação norte-americana fundamental, pode, de certa forma, lembrar mais Vargas do que Salgado, mas seu flerte com o golpe de 1964 torna compreensível por que um grupo foi capaz de celebrar um pequeno renascimento que duraria décadas parecia esquecido: em outubro de 2019 um punhado de rapazes de uniforme verde, braços erguidos em saudação romana, estava no centro de São Paulo – eram os integralistas. Algumas semanas depois, um integralista realizou um incêndio criminoso em uma produtora, que havia feito um filme de Natal satírico sobre um Jesus gay.  A rede integralista está em todo o país por meio da internet. Os grupos são pequenos e não são levados a sério pela maioria dos brasileiros. No entanto: o Brasil de Bolsonaro  tem uma leve coloração esverdeada.

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Este artigo foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo Neues Deutschland [Aqui!  ].

“Bolhas” de proteção local podem ter freado COVID-19 em São Paulo, aponta pesquisa

Existência de locais onde infectados estão rodeados de pessoas imunes e esgotamento de redes de contágio podem explicar recuo da covid-19 na capital paulistaluva máscaraEstudo com participação do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo e da Faculdade de Medicina da USP mostra que diminuição do número de casos de COVID-19 na cidade de São Paulo pode estar ligada à formação de bolhas de proteção local, onde infectados estão rodeados de pessoas imunes, ao mesmo tempo em que esgotaram as redes de contágio – Foto: Pixabay

Por Júlio Bernardes para o Jornal da USP

Em julho, depois de quatro meses de epidemia de COVID-19 na cidade de São Paulo, teve início uma fase de relaxamento das medidas de distanciamento social, trazendo o temor de piora da situação. No entanto, o que aconteceu foi uma redução do número de casos, mortes e de ocupação de leitos. Para entender essa situação, uma pesquisa com participação do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMTSP) e da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) usou um modelo que simula a disseminação da doença a partir dos números oficiais de distanciamento social. O estudo, publicado como pré-print (versão prévia de artigo científico, sujeita a verificação), concluiu que a diminuição pode ser causada pela formação de bolhas de proteção local, onde os infectados estão rodeados de pessoas imunes, ao mesmo tempo em que se esgotam as redes de contágio.

A pesquisa usou um modelo desenvolvido pelo Ação Covid-19, um grupo interdisciplinar que estuda como a desigualdade afeta a evolução da pandemia no Brasil, reunindo pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) e de outras instituições. O modelo combina o cronograma oficial da taxa de distanciamento social divulgado pelo governo do Estado de São Paulo com a hipótese de redução da taxa de distanciamento social para 20% em média em 100 dias, a partir de 12 de julho.

“A curva epidêmica média após 238 dias de simulação, contados desde o primeiro caso da doença, registrado em 25 de fevereiro, mostra uma taxa de 12,71% de infectados e 0,12% de mortes, ou seja, 0,9% de letalidade”, afirma Gerusa Maria Figueiredo, pesquisadora do IMTSP, que participou do trabalho. “A simulação mostra a curva de transmissão diminuindo, mesmo com uma redução drástica do isolamento social, com um aumento leve e temporário a partir do 150º dia.”

De acordo com a pesquisadora, o resultado parece contraditório ao levar em conta que devido à baixa taxa de imunidade, a imunidade de rebanho está distante. “Por isso foi levantada a hipótese do surgimento de bolhas locais de proteção na cidade. As bolhas seriam locais onde existem pessoas infectadas, mas rodeadas de pessoas já imunes, quer seja pela doença sintomática ou assintomática, e estas protegendo os suscetíveis dessa mesma região”, explica.

Gerusa aponta que uma explicação adicional para a redução do contágio é o esgotamento da rede de infecção. “Isso ocorre quando o vírus está presente em uma parte da população por um período relativamente longo, nesse caso, de 138 dias desde o primeiro caso registrado. Um número substancial de infectados não encontra muitas pessoas suscetíveis no ambiente para infectar durante o período de transmissão, o que seria suficiente, a princípio, para diminuir a taxa de transmissão”, aponta. “Esses resultados podem ser encontrados em outras situações, como as de Manaus e Estocolmo, que também tiveram queda de casos após relaxamento das políticas de distanciamento social.”

Bolhas de proteção

Dado o baixo número de pessoas imunes no município de São Paulo apresentado pelos inquéritos sorológicos, essa redução representa um equilíbrio instável, que é fundamentalmente diferente da estabilidade esperada da imunidade de rebanho, observa a pesquisadora. “Essas bolhas de proteção podem estourar ou as redes podem ser reiniciadas, ou seja, novas ondas de transmissão podem ocorrer se o distanciamento social cair muito ou houver uma reintrodução do vírus em regiões da cidade onde poucas pessoas foram infectadas e, portanto, não se tornaram imunes à doença”, alerta. “Prever essas ‘bolhas estouradas’ é difícil, mas não é um fato improvável.”

“O risco de rompimento das bolhas poderia ser bastante reduzido com políticas de testes em massa ou com a combinação de testes seletivos e rastreamento de contato”, ressalta Gerusa. “No momento, onde perdeu-se a chance de lockdown, a testagem de casos pouco sintomáticos e o rastreamento de contatos com realização de testes RT-PCR seria uma estratégia razoavelmente eficaz na redução da cadeia de transmissão”, afirma. “Infelizmente, além do número total de testes realizados, não se sabe como esta estratégia está sendo efetivada nos territórios cobertos pela atenção básica, comprometendo o trabalho da Vigilância Epidemiológica. Uma estratégia de comunicação clara para a população, com mensagens não contraditórias, também é de suma importância.”

A pesquisadora observa que, embora o modelo seja adequado para abordar heterogeneidades dentro da cidade (diferenças nas vulnerabilidades dos bairros, por exemplo), a pesquisa considerou a cidade como uma unidade homogênea. “Para contemplar a heterogeneidade, seria necessário construir um modelo mais complexo com diferentes ambientes interconectados.”

As conclusões da pesquisa são detalhadas no artigo Local protection bubbles: an interpretation of the decrease in the velocity of coronavirus’s spread in the city of Sao Paulo publicado no site Medrxiv.

A pesquisa foi coordenada por José Paulo Guedes Pinto, da Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). O trabalho teve a participação de Patrícia Camargo Magalhães, da Universidade de Bristol (Reino Unido), Gerusa Figueiredo, da FMUSP, Domingos Alves, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e Diana Maritza Segura-Angel, da Escola de Aviação do Exército, em Bogotá (Colômbia).

Mais informações: e-mail gifigueiredo@usp.br, com Gerusa Figueiredo

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Este artigo foi inicialmente publicado pelo “Jornal da USP” [Aqui!  ].

Risco de morrer por COVID-19 em São Paulo é 50% maior em áreas de menor nível socioeconômico

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O mapa mostra o nível socioeconômico dos diferentes distritos administrativos do município de São Paulo de acordo com o índice GeoSES, usado no estudo. As regiões em vermelho são as de pior nível socioeconômico e, as áreas em azul, são as com melhor classificação segundo o indicador (imagem: reprodução do artigo)

Karina Toledo | Agência FAPESP – Moradores de bairros como Parelheiros ou Capão Redondo, ambos situados nas franjas da capital paulista, correram, em média, 50% mais risco de morrer de COVID-19 entre os meses de março e junho do que os paulistanos que residem em vizinhanças centrais e de alto nível socioeconômico, como Vila Mariana ou Moema.

A análise, baseada em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, foi feita com apoio da FAPESP por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). Os resultados foram divulgados na plataforma arXiv, em artigo ainda não revisado por pares.

“A diferença no risco de morrer entre os bairros paulistanos de menor e maior nível socioeconômico pode chegar a 66% no período analisado caso sejam incluídos na conta os óbitos suspeitos, muitas vezes não confirmados por falta de testes”, diz à Agência FAPESP Francisco Chiaravalloti-Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP) e coordenador da pesquisa.

Como levantamentos anteriores já sugeriam, o padrão de mortalidade observado no estudo da FSP-USP foi se modificando com o passar dos meses. Até meados de abril, o risco de morrer por complicações causadas pelo novo coronavírus era maior nos bairros paulistanos centrais e de maior poder aquisitivo. A tendência se inverte na semana epidemiológica de número 16 – de 12 a 18 de abril – e, a partir desse momento, ter um bom nível socioeconômico passou a ser um fator de proteção contra a doença.

“Nossa análise indicou ainda que os óbitos por COVID-19 na cidade de São Paulo atingiram o pico na semana epidemiológica de número 20, entre 10 e 16 de maio. Depois disso é possível observar uma tendência de estabilização, que ainda não sabemos se vai se manter”, afirma Chiaravalloti-Neto.

Metodologia

Para chegar às conclusões descritas no artigo, os pesquisadores correlacionaram os registros de óbitos por COVID-19 – confirmados e suspeitos – com informações sobre o nível socioeconômico do local de moradia. Foram analisados os dados do SIM extraídos da base TabNet, da Prefeitura Municipal de São Paulo (PMSP), e os solicitados por meio do Sistema Eletrônico de Informação ao Cidadão (e-SIC), também da PMSP.

“Embora menos atualizado, o e-SIC nos forneceu dados com informação sobre as áreas de ponderação do IBGE [Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística] onde residiam os óbitos. Então correlacionamos a mortalidade por COVID-19 com as informações das áreas de ponderação do IBGE, que congregam setores censitários contíguos e trazem dados sobre escolaridade e renda, entre outros”, explica Chiaravalloti-Neto.

No estudo, o nível socioeconômico de cada local da cidade foi definido com base no Índice Geográfico do Contexto Socioeconômico para Estudos Sociais e Saúde (GeoSES), desenvolvido pela geógrafa Ligia Vizeu Barrozo, professora da USP e coautora do artigo. O indicador, que leva em conta variáveis como renda, escolaridade, riqueza e grau de segregação, varia de -1 (nível socioeconômico mais baixo) a 1 (nível socioeconômico mais alto).

“Observamos que o risco de morrer aumentou com maior intensidade nas áreas periféricas da cidade com o passar das semanas. Em todo o período analisado, vimos que o aumento de uma unidade no índice GeoSES [de -1 para 0, por exemplo] representou uma redução de 25% no risco de morrer por COVID-19 quando considerados os óbitos confirmados. Se incluirmos os óbitos suspeitos a redução foi de 33%”, conta o pesquisador. Seguindo o mesmo raciocínio, a redução seria, respectivamente, de 50% e 66% com a variação de duas unidades no índice GeoSES, ou seja, quando se passa de um extremo ao outro do indicador.

“Esse tipo de análise, que mostra a evolução da mortalidade semana a semana, pode indicar para o gestor público onde é preciso investir mais para combater a doença. Também revela áreas em que há excesso de óbitos suspeitos e, portanto, possíveis barreiras relacionadas ao controle da epidemia, como falta de acesso a testes diagnósticos, dificuldade de obter orientações e recursos para proteção individual e coletiva e menor acesso à internação e ao tratamento. O estudo enfatiza a necessidade de reconhecimento e enfrentamento da estreita relação entre os determinantes sociais e as condições de vida com o risco de morrer”, avalia Chiaravalloti-Neto.

O artigo Spatiotemporal dynamic of COVID-19 mortality in the city of São Paulo, Brazil: shifting the high risk from the best to the worst socio-economic conditions pode ser lido  [Aqui!]. 

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Este artigo foi inicialmente publicado pela Revista da Fapesp  [Aqui!].

Programação da Conferência Catalisando Futuros Urbanos Sustentáveis tem representantes de mais de 100 cidades e 20 países

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Entre os dias 16 e 20 de setembro, a cidade de São Paulo receberá a Conferência Catalisando Futuros Urbanos Sustentáveis, que reúne o 3º Encontro Anual da Plataforma Global Cidades Sustentáveis e a 2ª Conferência Internacional Cidades Sustentáveis. Durante uma semana de atividades serão debatidos os desafios e soluções para a construção de cidades mais justas, democráticas e sustentáveis.

A Conferência será realizada no Parque do Ibirapuera e receberá gestores públicos, técnicos e especialistas globais de 105 cidades e 25 países, como Brasil, Alemanha, Estados Unidos, China, Itália e Reino Unido. Pénélope Komitès, vice-prefeita de Paris; Yvonne Aki Sawyerr, prefeita de Freetown; Bruno Covas, prefeito de São Paulo; e Beugré Robert Mambe, governador de Abidjan; são alguns dos nomes que estarão presentes no evento.

Entre as 72 cidades brasileiras confirmadas estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Porto Alegre, Brasília, Belém, Curitiba, Maceió, Belo Horizonte, Vitória, Fortaleza, Boa Vista, Campo Grande, Palmas, Rio Branco e Vitória.

Um dos destaques do evento é a Rodada de Prefeitos, atividade que promoverá o encontro de gestores municipais de todo o mundo, com o objetivo de trocar experiências, discutir e compartilhar ideias sobre sustentabilidade urbana.

A programação ainda inclui treinamentos e visitas técnicas para especialistas e decisores políticos, e palestras e sessões temáticas para o público geral. Serão realizados também a Cerimônia de Entrega do Prêmio Cidades Sustentáveis 2019 e o Lançamento da Plataforma do Conhecimento e do Observatório de Inovação para Cidades Sustentáveis.

Sessões temáticas

Nove sessões temáticas cobrirão uma ampla gama de tópicos centrais para a compreensão dos problemas urbanos atuais, as oportunidades e desafios da sustentabilidade. Os temas contemplam: Geoprocessamento e Planejamento Espacial; Inclusão e Moradia Acessível; O Papel da Gestão Pública na Geração de Oportunidades, Trabalho e Renda; Regeneração Urbana e Desenvolvimento de Orlas Local; Biodiversidade Urbana e Capital Natural; Planejamento Urbano: Enfrentando Desigualdades de Gênero e Raça; Financiando o Desenvolvimento Urbano Sustentável; Desenvolvimento Orientado à Mobilidade; e Participação Social: Caminhos e Desafios da Gestão Pública.

Sobre a Conferência

Organizada conjuntamente pelo Programa Cidades Sustentáveis, pela Plataforma Global para Cidades Sustentáveis e pela Prefeitura de São Paulo, o evento recebe o apoio estratégico do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações e do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF – Global Environment Facility).

O público estimado é de 800 pessoas, entre prefeitos (as), técnicos (as), acadêmicos (as), gestores (as) públicos, líderes empresariais, pesquisadores (as), jornalistas, especialistas de instituições financeiras, organizações internacionais, agências da ONU, líderes da iniciativa privada e de organizações da sociedade civil.

Mais informações sobre o evento, programação e inscrições podem ser obtidas pelo site:www.cidadessustentaveis.org.br/conferencia2019

Pesquisadores descrevem trajetória do “rio de fumaça” que escureceu São Paulo

plumaPartículas de queimadas vindas das regiões Centro-Oeste e Norte interagiram com nuvens trazidas por frente fria vinda do sul, causando escurecimento do céu e da água da chuva (imagem: CPTEC)

Karina Toledo | Agência FAPESP – Dois sistemas que permitem o monitoramento de poluentes atmosféricos – desenvolvidos nas últimas duas décadas com apoio da FAPESP – estão ajudando cientistas a entender fenômenos raros observados na cidade de São Paulo na última segunda-feira (19/08): o escurecimento repentino do céu no meio da tarde e a chuva acinzentada observada logo depois em algumas partes da Região Metropolitana.

Ainda no domingo (18/08), uma intensa pluma de material particulado com mais de 3 mil metros de altitude foi detectada por uma equipe do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) por meio do sistema Lidar, do Centro de Lasers e Aplicações (CLA). Posteriormente, com auxílio de imagens de satélites da Nasa – a agência espacial norte-americana – e de um modelo que prevê a trajetória percorrida por massas de ar, os pesquisadores concluíram se tratar de partículas provenientes de queimadas ocorridas nas regiões Centro-Oeste e Norte, entre Paraguai e Mato Grosso, abrangendo trechos da Bolívia, Mato Grosso do Sul e Rondônia.

Acrônimo para light detection and ranging (detecção de luz e medida de distância), o Lidar é um radar de laser que permite o sensoriamento remoto ativo da atmosfera para a detecção de poluentes. Vem sendo desenvolvido desde 1998 por Eduardo Landulfo, por meio de vários projetos  financiados pela FAPESP.

“O sistema ilumina o céu e as partículas presentes na atmosfera refletem a luz, que captamos com um telescópio. Ao analisar esse sinal, conseguimos identificar o tipo de partícula e a distância da superfície em que ela se encontra”, explicou Landulfo.

Segundo o pesquisador, a pluma de poluição começou a pairar sobre a Região Metropolitana de São Paulo entre 4 e 5 horas da tarde de domingo – resultado de queimadas que ocorreram muito provavelmente de quatro a sete dias antes.

Como explicou Saulo Ribeiro de Freitas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a massa de ar poluído gerada pelas queimadas nas regiões Norte e Centro-Oeste geralmente é empurrada a 5 mil metros de altitude por ventos que sopram do Atlântico para o Pacífico (de leste para oeste), até esbarrar na Cordilheira dos Andes. A fumaça começa então a se acumular sobre o leste do Amazonas, Acre, Venezuela, Colômbia e Paraguai – até que o chamado sistema anticiclone, com ventos que circulam a 3 mil metros de altitude no sentido anti-horário, começa a transportar a massa poluída na direção sul, margeando os Andes.

“O que ocorreu no início desta semana foi a convergência dessa massa de ar poluído que vinha do norte com uma frente fria vinda do sul. Os ventos convergiram e fizeram o rio de fumaça se curvar em direção à região Sudeste. Além da fuligem, outros poluentes presentes na atmosfera – como monóxido de carbono, dióxido de carbono, ozônio, óxido nitroso e metano – interagiram com as nuvens trazidas pela frente fria e potencializaram a formação de smog [termo em inglês que representa a mistura entre fumaça e neblina]”, disse.

O transporte atmosférico de emissões de queimada sobre a América do Sul vem sendo monitorado no Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe desde 2003, por meio do sistema CATT-BRAMS (Coupled Aerosol and Tracer Transport model to the Brazilian developments on the Regional Atmospheric Modelling System), desenvolvido por Freitas em colaboração com Karla Longo e Luiz Flávio Rodrigues (ambos do Inpe) e com apoio da FAPESP.

“Trata-se de um produto pioneiro que faz previsão para até três dias da qualidade do ar e que tem sido adotado em vários centros do mundo, entre eles o National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos”, contou o pesquisador. As previsões da qualidade do ar feitas no CPTEC podem ser consultadas diariamente pelo endereço http://meioambiente.cptec.inpe.br.

Nas imagens obtidas pelo modelo BRAMS (foto) é possível ver que no dia 16 de agosto o “rio de fumaça” descia no sentido sul, atingindo Porto Alegre (RS) e parte da Argentina. Aos poucos, vai sendo desviado para o Sudeste e, no dia 20 de agosto, já cobre boa parte do Estado de São Paulo.

De acordo com o professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) Paulo Artaxo, durante sua trajetória rumo à região Sudeste, a pluma das queimadas interagiu com o vapor d’água na atmosfera, alterando as propriedades das nuvens.

“As partículas funcionam como núcleo de condensação da água. Assim, gotículas de chuva menores são formadas, mas em grande quantidade e isso faz com que uma maior parte da radiação solar seja refletida de volta para o espaço, a ponto de escurecer o solo, como aconteceu no último domingo”, disse.

Segundo Freitas, a chuva de cor acinzentada também foi resultado dessa interação da fuligem com as nuvens. “A fumaça entranhou nas gotículas de chuva, sendo depois depositada na superfície da cidade de São Paulo”, disse.

Trata-se de um fenômeno esperado do ponto de vista da química atmosférica, afirmou Artaxo, e não deve causar alarde. “Essa chuva não faz mal para as pessoas. Apenas caiu de uma nuvem com alta influência de queimadas”, disse.

Análises feitas com uma amostra da água turva colhida na Zona Leste da capital pela bióloga Marta Marcondes, professora da Universidade Municipal de São Caetano (USCS), revelaram uma quantidade de sulfetos 10 vezes maior que a média normalmente observada em águas pluviais. “Essas substâncias normalmente estão relacionadas com a queima de biomassa e de combustíveis fósseis. Também chamou a atenção a grande quantidade de material particulado que ficou presa no filtro e a turbidez sete vezes maior que o normal”, disse.

Pesquisadores do Instituto de Química da USP identificaram na água da chuva a presença de reteno, substância proveniente da queima de biomassa e considerada um marcador de queimadas. O estudo foi coordenado pela professora Pérola de Castro Vasconcellos.

A boa notícia, segundo os especialistas, é que, como a pluma de poluição estava a mais de 3 mil metros da superfície, não chegou a comprometer a qualidade do ar na capital paulista. De fato, monitores da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) indicaram boas condições na última semana.

“As cidades mais próximas da região onde ocorrem as queimadas, como Cuiabá, Manaus e Porto Velho, são as que mais sofrem com a degradação da qualidade do ar”, disse Freitas.

Tanto o pesquisador do Inpe quanto Landulfo, do Ipen, afirmam que a chegada das emissões de queimadas na Região Sudeste é relativamente comum no período de seca, entre julho e setembro.

“Mas para ter causado todos esses efeitos observados nos últimos dias deve ter sido uma quantidade de fumaça muito grande. Ainda não sabemos distinguir se é um fogo provocado ou acidental, que também é comum no período da seca”, afirmou Landulfo.

Em nota técnica divulgada no dia 20 de agosto, porém, cientistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) afirmaram que “a Amazônia está queimando mais em 2019 e o período seco, por si só, não explica este aumento”.

Segundo o texto, o número de focos de incêndios para a maioria dos estados já é o maior dos últimos quatro anos – até 14 de agosto eram 32.728 focos registrados, número 60% superior à média dos três anos anteriores. A estiagem, por outro lado, está mais branda. Tal fato, afirma a nota, indica que “o desmatamento possa ser um fator de impulsionamento às chamas”. “Os 10 municípios amazônicos que mais registraram focos de incêndios foram também os que tiveram maiores taxas de desmatamento”, diz o texto. Os pesquisadores se basearam em dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, do sistema de detecção de focos de calor do satélite AQUA, da Nasa, e dados de precipitação do CHIRPS (Climate Hazards Group Infrared Precipitation and Station Data).

Dados do Sistema Deter, do Inpe, que emite alertas diários de áreas desmatadas para ajudar na fiscalização, indicam que o desmatamento na Amazônia cresceu 50% em 2019. Julho foi o pior mês da série histórica, com 2.254 quilômetros quadrados (km²) de alertas – alta de 278% em relação a julho do ano passado. De agosto de 2018 a julho de 2019, o Deter apontou 6.833 km² desmatados, contra 4.572 km² no ano passado (agosto de 2017 a julho de 2018). A taxa oficial da destruição será dada no fim do ano pelo sistema Prodes, também do Inpe. 

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Este artigo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP [Aqui!].

Mudanças climáticas e seus padrões extremos de precipitação encontram um Brasil despreparado e nas mãos de governantes ineptos

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As chuvas torrenciais que estão causando inundações e quedas de barreiras na cidade de São Paulo e em toda a sua região metropolitana não surpreendem quem acompanha a evolução das mudanças climáticas e dos chamados eventos atmosféricos extremos que são parte do padrão que as acompanha (ver gráfico abaixo por Marengo e colaboradores, 2013 que mostra a variação das chuvas extremas em São Paulo entre 1930 e 2010).

EVENTOS EXTREMOS

Entretanto, no plano dos governos, esse padrão que combina grandes volumes de precipitação em pequenos períodos de tempo tem sido literalmente ignorado, como mostram os dados do desinvestimento promovido por Bruno Covas e João Dória, ambos do PSDB, como mostra reportagem da Rede Brasil Atual, onde se gastou um terço da verba de combate a enchentes em 2017 e 2018. Esta política de imprevidência frente às mudanças climáticas causou, entre outras coisas, a paralisação das obras de piscinões. O resultado dessa postura negacionista estão sendo vistos por toda a cidade de São Paulo, que acumula 601 pontos de inundação.

Pior ainda tem sido a postura do ainda ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que vem trabalhando de forma decisiva para tornar o Brasil ainda mais despreparado para reagir aos crescentes desafios trazidos pelos novos padrões de precipitação associados às mudanças climáticas. É de Ricardo Salles, a frase pérola de que “a discussão de mudança climática deve ser feita pela academia. Temos questões mais prementes a resolver“.

eventos extremos 1

O problema agora é que não apenas o número de mortos e desabrigados em São Paulo vem aumentando ao minuto, mas como ainda estão previstas chuvas fortes para as próximas 48 horas, o que poderá aumentar ainda mais o rastro de destruição em face da rápida elevação das águas nas áreas já afetadas (ver abaixo vídeo com imagens estarrecedoras com a chegada das águas da chuva em uma residência).

A única forma de não ficarmos assistindo repetidas catástrofes causadas pela combinação de padrões extremos de precipitação e governantes ineptos será uma ampla mobilização social que force o desenvolvimento de novas formas de gestão urbana no Brasil. Ainda que a conjuntura política atual pareça adversa, a comunidade científica e a sociedade civil organizada terão de cumprir um claro papel de organizar as demandas sociais para que o atual modelo calcado num modelo de forte segregação sócio-espacial que isola pobres e ricos dentro de nossas cidades seja superado o quanto antes.  Do contrário, continuaremos contabilizando prejuízos e, pior, contando o número de mortos.

E que ninguém se deixe enganar por Ricardo Salles, não há questão mais premente na atualidade do que as mudanças climáticas. E nos preparar para isso será fundamental, a despeito dos Covas, Dòrias e Salles que lamentavelmente estão em postos chaves do Estado brasileiro.

Incêndios e o o ciclo nada virtuoso da higienização social em São Paulo

 Imagem relacionada

Já perdi a conta de quantas vezes assisti nos últimos anos à imagens nas redes de TV mostrando incêndios gigantescos que devoravam barracos em alguma favela na cidade de São Paulo. A suspeita de muitos é que o fogo se tornou a principal ferramenta de higienização social na capital paulista, pois os incêndios rotineiramente começam de forma misteriosa, e terminando destruindo comunidades inteiras, deixando os que já têm pouco com menos ainda.

Mas o problema é que apesar de até existir uma bibliografia acerca do fenômeno dos incêndios em favelas situadas nas regiões mais centrais de São Paulo, não há efetivamente um processo de investigação mais profundo sobre como o fogo começa, nem como terminam as famílias que perdem tudo quando os mesmos ocorrem.

Entretanto, há quem suspeite de quem não há nada de espontâneo na combustão que consome favelas que não raramente são substituídas por empreendimentos privados destinados ao consumo das classes mais abastadas. Afinal, nos últimos 20 anos, mais de 1,2 mil incêndios foram registrados nas favelas da cidade de São Paulo, sendo que metade deles ocorreu entre 2008 e 2012 [1].

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Por isso tudo é que o incêndio que consumiu o edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo. me deixou com a pulga atrás da orelha. É que incêndio sucedido por desabamento completo é algo que até pode acontecer, mas que nem por isso deixa de ser estranho.

Agora, a pulga fica do tamanho de um elefante quando se lê que um anúncio de um empreendimento imobiliário para “pessoas de bem” já traz a área onde o mesmo se localiza sem a incômoda presença do prédio que desabou, matando sabe-se lá quantas pessoas pobres (ver imagens abaixo) [2].

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Área destacada na imagem devia conter o prédio ocupado que desabou no dia 1º devido ao incêndio de grandes proporções

Podem me chamar de cínico, mas não vou me surpreender nem um pouco se no futuro se descobrir que o anúncio que eliminava o edifício Wilton Paes de Almeida não tinha nada de premonição, e que repentinamente se descubra que fogo foi a ferramenta preferida na aceleração da gentrificação da região central de São Paulo. Afinal, aonde há fumaça, há fogo.


[1] https://www.cartacapital.com.br/blogs/speriferia/documentario-expoe-o-que-esta-por-tras-de-incendios-nas-favelas-de-sao-paulo-7454.html

[2] http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2018/05/em-anuncio-lancamento-imobiliario-ja-eliminava-predio-ocupado-que-desabou

JAPAN HOUSE SÃO PAULO abriga atividades da designer japonesa Risa Kojo

Promovido em parceria com o Consulado-Geral do Japão em São Paulo, o evento contempla uma breve exposição, palestra e workshops com a papercut artist. Os eventos são abertos e gratuitos

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Foto divulgação/Risa Kojo

Nos dias 24 e 25 de fevereiro, a JAPAN HOUSE São Paulo realiza em parceria com o Consulado-Geral do Japão em São Paulo, uma série de atividades com a designer gráfica japonesa, Risa Kojo. Com a finalidade de ressaltar o Japão contemporâneo, durante o último final de semana de fevereiro, serão oferecidos palestras, workshops e uma exposição exclusiva. Todas as atividades têm o objetivo de proporcionar vivências com o design nipônico tradicional, porém com nuances vanguardistas. A primeira visita de Risa Kojo ao Brasil é promovida pelo Japan Brand Program, iniciativa do Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo do Japão (MOFA).

Com 11 peças únicas, a exposição visa transmitir como o tradicional design japonês e sua respectiva concepção tem sido representado na atualidade. Tal apresentação será realizada por meio de 11 peças, que incluem o universo do quimono, de suas estampas e de moldes usados para seu tingimento; algumas apresentações do kiri-ê, uma espécie de recorte extremamente sofisticado feito no papel; e exemplares de Noren, um tipo de cortina muito presente na entrada dos estabelecimentos japoneses. A mostra conta ainda com painéis explicativos sobre métodos milenares de tingimento usando moldes como ferramenta. Entre elas, a “katazome”, uma técnica feita com o papel washi, uma das poucas que ainda se mantém viva no mundo.

Complementando a série, dia 24, serão realizadas duas atividades com Risa Kojo: às 14h, a designer ministra palestra sobre a singularidade do tradicional design concebida pelas quatro estações do Japão, abordando ainda a forma como os trabalhos manuais são projetados no futuro. Já às 16h, será realizado um workshop de Kiri-ê para ensinar a confecção de cartões comemorativos com o papel base “shibugami”. Esta atividade também será realizada no domingo, dia 25, às 11h e 15h. Os interessados em participar da palestra e workshop deverão retirar senhas na recepção da JAPAN HOUSE São Paulo, uma hora antes de cada evento.

Graduada pela Escola de Artes Visuais (BFA) em 2004, Risa Kojo iniciou sua atuação como designer freelance, em Nova York. Atualmente, vive e trabalha em Tóquio, Japão. Em 2011, ela conheceu os artesãos japoneses, Shiro Nakano, um tintureiro “wasarasa”; Isao Uchida, fabricante de estêncil e o Sr. Masao Aida, o dançarino de kimono “edo-komon”, este acontecimento marcou sua carreira e transformou sua percepção com relação ao design. Atualmente, seus trabalhos envolvem a responsabilidade de transmitir o legado histórico do artesanato para as próximas gerações.

O Japan Brand Program, iniciativa do Ministério dos Negócios Estrangeiros do governo do Japão (MOFA), que visa promover a variedade de encantos do Japão, incluindo tradição, formação cultural e valores únicos que compõem a sociedade japonesa moderna. O programa busca compartilhar valores e experiências por meio de workshops, seminários e palestras de profissionais japoneses com atuações relevantes em vários segmentos, com o objetivo de nutrir o interesse nas atrações do Japão, bem como cultivar uma melhor compreensão da cultura japonesa. Além disso, espera-se que o Japan Brand Program se torne um catalisador para relações internacionais com indivíduos que partilham valores comuns, bem como na promoção de intercâmbio econômico entre países.

Foto de Ryu Kodama

JAPAN HOUSE São Paulo 
Exposição Kojo Risa, Designer gráfica 
24 e 25 de fevereiro

Palestra “A singularidade do tradicional design concebida pelas quatro estações do Japão e a forma como os trabalhos manuais dos artesãos são projetadas ao futuro”, com Risa Kojo
Dia 24 de fevereiro, às 14h

Workshop de Kiri-ê, com Risa Kojo
Dia 24 de fevereiro, às 16h 
Dia 25 de fevereiro, às 11h, 15h

Local: JAPAN HOUSE São Paulo – Avenida Paulista, 52 (1º Andar)
Entrada gratuita
Senhas disponíveis uma hora antes de cada sessão devem ser retiradas na recepção.
Tradução consecutiva
Informações para a imprensa:
JAPAN HOUSE São Paulo
Fernanda Araujo: fernanda.araujo@jhsp.com.br | (11) 94543-2079
Mayumi Orimoto: mayumi.orimoto@jhsp.com.br | (11) 94543-3624

Consulado Geral do Japão em São Paulo
Regina Erika Shiino: cgjcultural2@sp.mofa.go.jp / Ramal 353
Rui Taro Taguchi: cgjcultural1@sp.mofa.go.jp / Ramal 352
Departamento de Assuntos Culturais e de Imprensa 
(11) 3254-0100

Em São Paulo, desperdício da água volta aos níveis pré-crise hídrica

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Recuperado da crise hídrica que quase secou seus principais reservatórios em 2015, o estado de São Paulo parece ter aprendido muito pouco com o sufoco por que passaram milhões de pessoas, especialmente na sua capitale em sua região metropolitana.

Pelo menos isso é o que pode se depreender quando se verifica que os níveis de desperdícios existentes na rede de distribuição da Sabesp voltaram ao valor d0 ano de 2015, em contraste com 2016 quando medidas de contingenciamento foram adotadas para impedir uma crise total de abastecimento (ver figura abaixo).

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Para que se tenha ideia do desperdício, o montante de litros perdidos em vários pontos da rede de distribuição da Sabesp equivale ao volume da represa de Guarapiranga!

Mas em vez de investir em mudanças estruturais no sistema de captação e distribuição, bem como no processo de educação dos usuários (principalmente o “agrobusiness” que responde por mais de 70% do consumo), o governo de Geraldo Alckmin continua apontando na direção de custosas transposições como a dos Rios Paraíba do Sul e Itapanhaú (Aqui!).

É preciso frisar que essas transposições além de não resolver o problema da escassez hídrica estrutural que continua rondando o estado de São Paulo, ainda cria outros de natureza social e ambiental.

Toda essa indisposição para soluções estruturais se deve ao fato de que a prioridade no modelo de gestão da Sabesp está na distribuição de juros aos seus acionistas, e não no sentido de evitar que a crise de 2014-2016 volte a se repetir. 

Com tanto desprezo para olhar o problema dentro da escala que deveria ser tratado, não será nenhuma surpresa que o caos hídrico volte a se instalar em São Paulo num futuro muito distante. 

Defensoria Pública realiza audiência pública sobre os riscos dos agrotóxicos em São Paulo

Nos próximos dias 29 e 30 de Agosto, a Ouvidoria Geral da Defensoria Pública Pública de São Paulo realizará uma audiência pública para discutir os riscos da exposição a agrotóxicos  sobre a saúde humana e  o ambiente.

Essa é uma atividade de especial importância, não apenas porque São Paulo é um dos líderes nacionais no consumo destas substâncias, mas como também passamos por um processo de pressão para facilitar ainda mais o uso de agrotóxicos no território brasileiro, inclusive para produtos banidos em outras partes do  mundo.

Para maiores detalhes sobre como a audiência irá funcionar, basta clicar (Aqui!)

Abaixo o cartaz com a programação completa e ifnormações sobre local onde o evento ocorrerá.

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