Crise hídrica: em processo de vazante, rio Madeira tende a níveis mínimos

rio madeira

Em Porto Velho (RO), o nível do rio Madeira está abaixo da média para a época do ano e tende à zona de atenção para mínimas. A previsão do Serviço Geológico do Brasil (SGB-CPRM), no primeiro Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Madeira para esse período de estiagem, é que o rio Madeira atinja a cota de 4 metros na segunda quinzena de agosto. Nesta segunda-feira (19), a estação de Porto Velho registra o nível de 5,48 metros, tendo baixado 11 centímetros nas últimas 24h. A partir da segunda quinzena de agosto, a cota pode atingir patamar em que a navegação passa a ter restrições. A Delegacia Fluvial de Porto Velho passa a adotar restrições quando o rio atinge nível inferior a quatro metros.

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Para a operação de secas, a zona de atenção é a faixa laranja no gráfico

O prognóstico indica que havendo atraso no início da estação chuvosa para além de outubro, a condição de seca poderá se aproximar de anos de estiagem mais severa, a depender também da evolução das chuvas até lá e se o regime da vazante for mais ou menos acelerado. Em 2020, o SGB-CPRM monitorou a pior seca da história em Porto Velho : o rio Madeira atingiu 1,58m.

Na última semana, a tendência geral foi de redução dos níveis dos rios nas estações da bacia monitoradas pelo SGB-CPRM, um comportamento normal para o período. Boa parte das bacias monitoradas apresentaram chuvas abaixo da climatologia. Para a próxima semana, estão previstas precipitações abaixo da climatologia no sudoeste da bacia e dentro do normal nas outras áreas da bacia. Para a semana posterior, o modelo meteorológico consultado prevê chuvas dentro da climatologia para a bacia do Madeira como um todo.

O Serviço Geológico do Brasil atualiza constantemente os dados das estações fluviométricas em cprm.gov.br/sace/madeira, onde também são publicados os boletins de monitoramento. Os dados hidrológicos utilizados nos boletins são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN) de responsabilidade da Agência Nacional de Águas (ANA), operada pelo SGB-CPRM.

Clima propício para tempos quentes

O relatório preliminar do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas prevê ondas de calor, fome e perda de habitat

CLIMATEFoto: dpa / Tobias Kleinschmidt

Por Martin Ling para o Neues Deutschland

As declarações são claras: “A vida na Terra pode se recuperar de uma mudança climática drástica, produzindo novas espécies e criando novos ecossistemas. Os humanos não podem fazer isso. «Essas frases podem ser encontradas no resumo técnico de 137 páginas de um relatório preliminar do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) com os resultados preliminares do Grupo de Trabalho II do IPCC, que examina as consequências de aquecimento global.

A AFP teria vazado para trazer a gravidade da situação ao público mundial antes da cúpula da biodiversidade da ONU em outubro e da conferência climática da ONU em novembro: Dezenas de milhões de pessoas passarão fome nas próximas décadas devido às mudanças climáticas, A seca e as doenças sofrem – esse cenário está delineado no rascunho do relatório, que a agência de notícias AFP pôde ver com antecedência com exclusividade.

Em 4.000 páginas, os mais de 700 autores mostram, entre outras coisas, como o aquecimento global afeta a saúde humana. De acordo com o relatório preliminar, o teor de nutrientes das safras está diminuindo devido ao aumento das temperaturas. O teor de proteína do arroz, trigo, cevada e batata deve diminuir de 6,4 a 14,1 por cento, como resultado do qual quase 150 milhões de pessoas também podem sofrer de deficiência de proteína.

À medida que os eventos climáticos extremos aumentam devido às mudanças climáticas, de acordo com o IPCC, há um risco crescente de que as colheitas em vários celeiros em todo o mundo fracassem ao mesmo tempo. Os autores esperam que os preços dos alimentos aumentem quase um terço até a metade do século, colocando outros 183 milhões de pessoas mais pobres em risco de fome.

climate 2O relatório detalha as consequências graves da poluição de gases de efeito estufa da humanidade. XAVIER GALIANA AFP / File

Um pouco mais da metade da população mundial já sofre com o abastecimento de água inseguro. Os autores do relatório acreditam que é provável que entre 30 e 140 milhões de pessoas na África, Sudeste Asiático e América Latina possam ser deslocadas internamente até 2050. Até três quartos das reservas de água subterrânea – a principal fonte de água potável para 2,5 bilhões de pessoas – podem secar até a metade do século – entre outras coisas, devido ao rápido derretimento das geleiras das montanhas. “A escassez de água é um dos problemas que nossa geração enfrentará muito em breve”, diz Maria Neira, da Organização Mundial da Saúde (OMS). “Haverá deslocamento massivo, migração massiva e devemos tratar tudo isso como um problema global.”

Com o aquecimento global, os mosquitos e outras espécies transmissoras de doenças como a dengue estão se espalhando. O risco de malária e borreliose aumentará e mais crianças morrerão de diarreia devido ao clima. Com AFP

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Este texto foi escrito originalmente em alemão e publicado pelo Neues Deutschland [Aqui!].

‘A próxima pandemia’: a seca é uma crise global oculta, diz a ONU

Países instados a tomar medidas urgentes para gerenciar a água e a terra e enfrentar a emergência climática

seca

Recipientes são expostos quando as águas do lago Sun Moon em Nantou, Taiwan, recuam durante uma seca nacional, Fotografia: Annabelle Chih/Reuters

Por Fiona Harvey para o “The Guardian”

A seca é uma crise global oculta que corre o risco de se tornar “a próxima pandemia” se os países não tomarem medidas urgentes na gestão da água e da terra e no enfrentamento da emergência climática, afirmou a ONU.

Pelo menos 1,5 bilhão de pessoas foram afetadas diretamente pela seca neste século, e o custo econômico ao longo desse período foi estimado em US $ 124 bilhões (£ 89 bilhões). O verdadeiro custo provavelmente será muitas vezes maior porque essas estimativas não incluem muito do impacto nos países em desenvolvimento, de acordo com um relatório publicado na quinta-feira .

Mami Mizutori, representante especial do secretário-geral da ONU para redução do risco de desastres, disse: “A seca está prestes a se tornar a próxima pandemia e não há vacina para curá-la. A maior parte do mundo viverá com estresse hídrico nos próximos anos. A demanda superará a oferta durante certos períodos. A seca é um fator importante na degradação da terra e no declínio da produção das principais safras ”.

Ela disse que muitas pessoas imaginam que a seca está afetando as regiões desérticas da África, mas esse não é o caso. A seca agora é generalizada e, no final do século, todos, exceto um punhado de países, sofrerão de alguma forma, de acordo com o relatório.

“As pessoas vivem com a seca há 5.000 anos, mas o que estamos vendo agora é muito diferente”, disse Mizutori. “As atividades humanas estão exacerbando a seca e aumentando o impacto”, ameaçando inviabilizar o progresso na retirada das pessoas da pobreza.

Os países desenvolvidos não ficaram imunes . Os Estados Unidos, a Austrália e o sul da Europa sofreram secas nos últimos anos. A seca custa mais de US $ 6 bilhões por ano em impactos diretos nos Estados Unidos e cerca de € 9 bilhões (£ 7,7 bilhões) na UE, mas também é provável que sejam graves subestimações.

O crescimento populacional também está expondo mais pessoas em muitas regiões aos impactos da seca, diz o relatório.

A seca também vai além da agricultura, disse Roger Pulwarty, cientista sênior da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos e co-autor do relatório.

Ele citou o Danúbio na Europa, onde secas recorrentes nos últimos anos afetaram os transportes, o turismo, a indústria e a geração de energia. “Precisamos ter uma visão modernizada da seca”, disse ele. “Precisamos ver como gerenciar recursos como rios e grandes bacias hidrográficas.”

Mudar os padrões de chuva como resultado da desagregação do clima é um fator-chave para a seca, mas o relatório também identifica o uso ineficiente dos recursos hídricos e a degradação da terra sob a agricultura intensiva e práticas agrícolas inadequadas. O desmatamento, o uso excessivo de fertilizantes e pesticidas, o sobrepastoreio e a extração excessiva de água para a agricultura também são grandes problemas, diz o relatório.

Mizutori pediu aos governos que tomem medidas para ajudar a prevenir a seca, reformando e regulamentando como a água é extraída, armazenada e usada, e como a terra é administrada. Ela disse que os sistemas de alerta precoce podem fazer muito para ajudar as pessoas em perigo, e que técnicas avançadas de previsão do tempo estão agora disponíveis.

Ela disse que trabalhar com a população local é essencial, porque o conhecimento local e indígena pode ajudar a informar onde e como armazenar água e como prever os impactos dos períodos de seca.

O relatório, intitulado Relatório de Avaliação Global sobre Redução de Risco de Desastres: Relatório Especial sobre a Seca 2021 , foi publicado na quinta-feira e alimentará as discussões em uma importante conferência climática da ONU conhecida como Cop26, que está programada para acontecer em Glasgow em novembro.

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Este artigo foi inicialmente escrito em inglês e publicado pelo jornal “The Guardian” [Aqui].

A “seca planejada” do Rio Paraíba do Sul

O Rio Paraíba do Sul apresenta as menores cotas e níveis de vazão desde que o monitoramento fluvial teve início, há noventa anos. Não estamos, porém, diante do período mais seco, sendo o atual apenas o 13o ano menos chuvoso, superado, e muito, pelas estiagens de 1934, 1941, 1954 e 1964.

 Por Emiliano Castro de Oliveira

A bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul abrange 56.500 km2, percorrendo São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Dos três estados, os dois primeiros possuem maior parte no percurso do rio, que totaliza 1.130 km. As nascentes, originadas na Serra do Mar, em São Paulo, formam dois rios, o Paraibuna e o Paraitinga, que após confluírem dão origem ao Paraíba do Sul.

Apesar da origem associada a um local com altos níveis pluviométricos (1.360 mm/ano), a estiagem prolongada e intensa deste ano tem colaborado para a queda expressiva dos níveis dos reservatórios1 associados à área de nascente. Nessa mesma tendência, todo o volume do rio vem apresentando níveis muito baixos, como em Campos dos Goytacazes (RJ), já próximo à foz, onde o rio atingiu a menor cota, 4,5 m, desde que o monitoramento começou, há noventa anos.2 e 3

Além dos transtornos relativos à falta de água para abastecimento urbano, um grave problema de erosão vem afetando o distrito de Atafona (São João da Barra, RJ), situado na foz do rio. Por causa do baixo volume do rio, sua carga sedimentar também diminuiu, não fornecendo sedimentos suficientes para manter em equilíbrio o processo de construção do delta sedimentar presente na foz. O resultado é um intenso processo erosivo, no qual o mar retira o sedimento já depositado e ameaça mais ainda a população local.4 Esse processo de erosão iniciou-se a partir da década de 1950, quando foi terminada a obra de transposição do Rio Paraíba do Sul para o Rio Guandu, a fim de abastecer a Baixada Fluminense. Desde então, a partir desse ponto de transposição, até 60%5 do volume de água do rio pode ser desviado (em média 25%),5 deixando o restante do curso completamente alterado no que diz respeito ao volume. Para o transporte sedimentar ocorrer é fundamental haver água em quantidade compatível com o tipo do rio e sedimentos disponíveis. Estes últimos também diminuíram no rio6 no período analisado, ficando retidos nas nove barragens presentes no curso total do Paraíba do Sul.

Em termos de eventos de estiagem, o atual não é o mais severo,7 tanto na área de nascente em São Paulo quanto na de deságue, no Rio de Janeiro, sendo apenas o 13o ano mais seco registrado nos últimos noventa anos. As cotas do rio, em Campos dos Goytacazes, haviam chegado à casa dos 4,8 m apenas em 1954.6 E, apesar desse intenso evento de seca, as médias pluviométricas associadas às nascentes e ao curso do rio em São Paulo mostram aumentos de até 40 mm/ano,6 enquanto no trecho do Rio de Janeiro as médias pluviais apresentam diminuição de até 10 mm/ano.6

 Se não estamos passando pelo maior evento de seca já registrado, por que então desta vez o Rio Paraíba do Sul está apresentando os menores níveis de vazão? A resposta dessa pergunta não tem a ver com a estiagem atual nem com nenhuma outra. Um estudo estatístico, conduzido por Marengo e Alves,8 do CPTEC/Inpe, já demonstrava a tendência de queda acentuada na vazão do rio, piorando ano a ano, desde 1960. E pior: essa tendência de queda não apresenta atenuação em função do sutil aumento de chuvas.

O crescimento das regiões que se beneficiam das águas do Rio Paraíba do Sul, em especial do Vale do Paraíba,9 em São Paulo, e da Baixada Fluminense,9 representou diretamente o aumento no Consumo das águas do rio. Com grande expansão industrial, as regiões citadas têm crescimento econômico comparável ao da China,10 e 11 com a instalação de diversas indústrias automobilísticas, aeroporto, porto, refinaria e, consequentemente, o crescimento populacional atrelado a esse desenvolvimento.

A partir daí podem-se notar os problemas estruturais relativos ao consumo de água na região, que não foi ampliado adequadamente e continua calcado apenas no aumento da captação da água do rio. O cenário atual, de crise hídrica, demonstra que o limite de captação foi excedido, e no atual panorama não é possível projetar quanto tempo os reservatórios irão durar, uma vez que não havia previsão de consumo em uma situação de seca intensa. O processo erosivo atuante na foz do rio indica que o Paraíba do Sul não tem condições médias de prover água para todos aqueles que hoje se utilizam dele.

Além do desastre natural que representa a superexploração de um rio da importância hídrica do Paraíba do Sul, a falta de planejamento no abastecimento de água de regiões com grande crescimento econômico e demográfico é um fato de irresponsabilidade e descomprometimento dos poderes públicos estaduais. O rio não pode continuar sendo a única fonte de abastecimento dessas regiões.

A administração desse recurso fundamental foi concedida à iniciativa privada nos dois estados. Além disso, os mesmos reservatórios de água estão associados a usinas de geração de energia, também concedidas à iniciativa privada. Claramente, a gestão das vazões nessas situações é ponderada pelos contratos de concessão, uma vez que a diminuição desta implica queda no faturamento com abastecimento e geração de energia. Esse fato representa um conflito de interesses muito perigoso para a segurança do abastecimento hídrico das populações atendidas.

E o prognóstico, em termos de planejamento, para essa crise é crítico. O governo de São Paulo, representado diretamente pelo governador reeleito Geraldo Alckmin, tenta obter junto à Agência Nacional de Águas (ANA) a autorização para uma nova transposição11 das águas do rio, agora em território paulista, a fim de abastecer o também negligenciado sistema de abastecimento Cantareira,12 ou seja, a solução para um sistema de abastecimento exaurido será usar outro sistema também exaurido.

Estamos diante de uma crise na qual não há planejamento futuro e as medidas tomadas já se iniciam ultrapassadas. Realmente, o planejamento dos atuais governantes parece visar ao fim dos recursos hídricos.

Emiliano Castro de Oliveira é doutor em Sedimentologia, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e membro da Rede Braspor (Brasil-Portugal) de pesquisas de impactos ambientais em rios e na costa.

Ilustração: Elias Francioni/cc

1    Disponível em: www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/08/1500161-nivel-dos-reservatorios-do-rio-paraiba-do-sul-e-o-pior-desde-2003.shtml.

2  Disponível em: http://www.odiariodecampos.com.br/nivel-do-paraiba-ja-assusta-14973.html

3  Disponível em: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/10/rio-paraiba-do-sul-atinge-o-nivel-mais-baixo-dos-ultimos-90-anos.html

4  Disponível em: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rj/atafona+a+cidade+que+esta+sendo+engolida+pelo+mar/n1300019862044.html

5  Disponível em: http://www.cedae.com.br

6  Disponível em:http://hidroweb.ana.gov.br

7  Disponível em: http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2014/05/16/seca-atual-em-sao-paulo-e-a-maior-em-45-anos-mostram-dados-da-usp.htm

8  José A. Marengo e Lincoln Muniz Alves, “Tendências hidrológicas da Bacia do Rio Paraíba do Sul”, Revista Brasileira de Meteorologia, 20.2, p.215-226, 2005. Disponível em: http://mtc-m18.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/ePrint%4080/2005/05.11.13.21/doc/v1.pdf

9  Disponível em: http://ibge.gov.br.

10            Disponível em: http://www.diariosp.com.br/mobile/noticia/detalhe/56334/Vale+do+Paraiba+cresce+em+ritmo+chines

11            Disponível em: http://www.meon.com.br/noticias/regiao/empresas-formalizadas-cresce-10-em-tres-meses-em-pindamonhangaba

12    Disponível em: www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/03/1428252-o-rio-tambem-sera-beneficiado-diz-alckmin-sobre-transposicao-do-rio-paraiba.shtm

FONTE: http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1783

O risco que corremos: ir da seca à inundação

seca inundação

Recentemente dei uma entrevista no programa “De olho na cidade” na TV Alto Litoral onde ofereci um vaticínio que agora compartilho aqui: depois de meses de seca, agora viveremos o risco das inundações na maioria das cidades ribeirinhas que existem ao longo dos rios Paraíba do Sul, Muriaé e Pomba. 

As razões para isso são múltiplas, indo desde o desmatamento, passando pelo assoreamento das calhas fluviais, e desembocando na inoperância dos governos municipais que nada fazem para melhorar o cenário degradado desses rios dentro de seus limites municipais.

Aliás, no caso específico de Campos dos Goytacazes, um problema sério e nunca tratado seriamente é a situação dos diques que impedem a chegada das águas do Rio Paraíba do Sul dentro da área urbana nos períodos de grandes cheias. Se um levantamento compreensivo fosse feito (se já não o foi e esqueceram de nos informar) ficaria evidente que existem trechos inteiros que foram comprometidos por diversos tipos de intervenção irregular que ameaça a estabilidade estrutural dos diques. Melhorar e ampliar as áreas protegidas por diques, isso então nem pensar.

Mas se as inundações vierem, que ninguém culpe São Pedro. Afinal, as chuvas que agora estão caindo resultam das preces de muitos que agora podem começar a querer culpá-lo por atendê-las.

E quanto à maioria de nós? Vai ser sempre aquela máxima do “salve-se quem puder”. A ver!

Quatro reservatórios do Rio Paraíba do Sul estão com o nível mais baixo da sua história

Para especialista, situação pode piorar: unidades, hoje com 6% da capacidade, podem descer para 4,5% ainda em novembro

POR O GLOBO
RIO — O Rio não está longe de enfrentar problemas com os reservatórios de água ao longo do Rio Paraíba do Sul, se a estiagem se prolongar. Dados da Agência Nacional de Águas (ANA), que faz o acompanhamento da bacia, mostram que o nível de água disponível nos quatro reservatórios do principal rio que abastece o estado — Paraibuna, Santa Branca e Jaguari, estes localizados fisicamente em São Paulo, e Funil, em Itatiaia, no Rio — está hoje em 6% de sua capacidade. Essa média, chamada de reservatório equivalente, é a menor em 36 anos, desde 1978, quando todos esses reservatórios passaram a operar juntos, com a conclusão do Paraibuna. Se voltarmos ainda mais no tempo, um nível tão crítico só foi registrado em 1955, quando os três reservatórios então existentes chegaram a funcionar com apenas 12% da capacidade.

INFOGRÁFICO: Água escassa

E a situação pode piorar. De acordo com o especialista em meio ambiente e representante da Firjan no Comitê de Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul (Ceivap), Jorge Teron, a previsão é que os reservatórios desçam a um nível de até 4,5% no final deste mês. O quadro crítico preocupa especialmente após chegar à ANA a proposta de São Paulo de passar a transferir cinco metros cúbicos de água por segundo de Jaguari para o reservatório de Atibainha, a 15km de distância, para abastecer a Região Metropolitana do estado, que enfrenta uma grave crise de abastecimento.

— Estamos num momento de exceção. A quantidade de chuva no último verão foi a pior dos últimos 80 anos. Se chover a média histórica de novembro, teremos 4,5% (nível de água nos reservatórios). Mas pode chover mais ou menos. Não sabemos o que nos espera — afirma Teron, acrescentando que o quadro tem mudado muito rapidamente, já que, em abril, o nível estava entre 38% e 40%.

PROJETO DE TRANSPOSIÇÃO PREOCUPA

O projeto de transposição de parte da água do Paraíba do Sul para atender a Região Metropolitana de São Paulo, em discussão na ANA, preocupa os membros do comitê, especialistas e prefeitos de cidades banhadas pelo rio. O temor é que sua aprovação, sem medidas compensatórias, como a construção de novas represas, possa trazer a crise para o Paraíba do Sul. Segundo a vice-presidente do Ceivap, Vera Lúcia Teixeira, a medida sem compensações “afetaria muito o Paraíba do Sul”. Além de uma eventual falta de água, ela alerta para o perigo de propagação de bactérias nocivas à saúde do rio.

— Hoje, no Funil, já temos uma concentração de cianobactérias preocupante, por conta da estiagem. Elas não desceram o rio. Mas, com a chegada do verão, a tendência é o problema avançar. Além disso, se o nível da represa descer mais três metros, já poderá comprometer a geração de energia na Barragem de Santa Cecília, em Barra do Piraí, que atende o Estado do Rio — diz Vera Lúcia.

O Ceivap é composto por 60 membros do Rio, de São Paulo e Minas Gerais. O comitê participa das discussões na ANA sobre a transposição e quer esclarecimentos técnicos sobre os possíveis impactos da medida.

‘Estamos num momento de exceção. A quantidade de chuva no último verão foi a pior dos últimos 80 anos. Se chover a média histórica de novembro, teremos 4,5% (nível de água nos reservatórios). Mas pode chover mais ou menos. Não sabemos o que nos espera’

– JORGE TERON especialista em meio ambiente e representante da Firjan no Ceivap

Teron diz que qualquer alteração de vazão do Paraíba do Sul terá impacto no fornecimento para uma população de 13,5 milhões de pessoas e para indústrias. Segundo ele, para contornar o problema, foi feita uma diminuição da captação de água para o Rio Guandu na Barragem de Santa Cecília. Em março, era de 120 metros cúbicos por segundo; hoje, é de 110.

O geólogo e especialista em recursos hídricos Edilson de Paula Andrade, que estuda os impactos na Bacia do Paraíba do Sul há duas décadas, diz que, se a capital paulista conseguir êxito na transposição, a medida vai significar impactos no coração do sistema que abastece a Região Metropolitana do Rio:

— Se essa retirada estivesse acontecendo, já estaríamos no chamado volume morto do Paraíba do Sul. O que não quer dizer que o sistema entraria em colapso, mas indica um alerta. Se o Guandu passar a receber menos água, inevitavelmente isso exigirá um esforço de todos.

No meio da polêmica da água, o governador Luiz Fernando Pezão voltou a adotar, ontem pela manhã, um tom conciliador sobre a decisão que está para ser tomada pela ANA. Pezão disse que o “espírito é de conciliação” e que não fará do estado “uma trincheira para briga”. Ele afirmou ainda acreditar que “nenhuma autoridade tomará decisão que prejudique o Rio”.

— Sempre tive da ministra Izabella Teixeira (Meio Ambiente) a garantia de que o Rio não será prejudicado. Tem que se confiar em quem regula e legisla sobre o rio. Sempre falei que o espírito é de conciliação — afirmou o governador. — O momento é de ter calma e tranquilidade e de torcer para que chova nos lugares certos. A Cedae garante que dá para abastecer (o Rio), e estamos começando o período das chuvas.

Pezão disse, no entanto, que cidades do Norte e Noroeste fluminenses já sofrem com a estiagem:

— Fui a São Fidélis, e está tudo muito seco. Em Itaperuna também. Alguns prefeitos já decretaram estado de emergência, e há perda de gado. É uma das maiores secas da história.

A possibilidade de a crise da água chegar à capital do Rio é menor porque o Sistema Guandu opera com folga. Ele recebe 110 metros cúbicos de água por segundo do Paraíba do Sul, enquanto o consumo da Cedae é de 45 metros cúbicos.

O presidente da Cedae, Wagner Victer, garante que a captação do sistema Guandu não foi afetada, mas afirmou que não há estudos sobre o impacto da transposição de água para São Paulo:

— Há dois anos estamos fazendo nosso trabalho de casa. Nos preparamos, investimos. Fizemos mudanças no sistema de captação de água. Ele é adaptável: a captação muda conforme o nível dos rios.

PREFEITO: MUNICÍPIOS TÊM DE RECEBER GARANTIAS

O prefeito de Volta Redonda, Antônio Francisco Neto, disse que hoje a cidade não enfrenta problemas de abastecimento, mas afirmou que os municípios têm de ser “informados das discussões” e receber “garantias de que não serão prejudicados”. Para ele, a decisão sobre a transposição “não pode ser política, mas técnica”.

— Todos têm preocupação com o ser humano, com o que está acontecendo com São Paulo. Mas o Rio não pode ser prejudicado — defende.

O secretário municipal do Meio Ambiente de São Fidélis, Leandro Peixoto, disse que o município decretou situação de emergência no último dia 30 de outubro, sobretudo por conta de sua zona rural, onde a produção de legumes e a pecuária já estariam sendo afetadas. Segundo ele, não há racionamento na área urbana:

— A seca é tremenda na área rural.

FONTE:  http://oglobo.globo.com/rio/quatro-reservatorios-do-rio-paraiba-do-sul-estao-com-nivel-mais-baixo-da-sua-historia-14493564#ixzz3IO3AQ100

 

 

Transposição do Paraíba do Sul não sana escassez, diz Apecs

Tomaz Silva/Agência Brasil

Estiagem no rio Paraíba do Sul

Paraíba do Sul: é preciso mais do que obras para garantir abastecimento, diz presidente da Apecs

Stefânia Akel, do Estadão Conteúdo

São Paulo – A transposição de volume do Sistema Paraíba do Sul para o Cantareira é uma solução provisória e não resolve o problema da escassez de água, afirma o presidente da Associação Paulista de Empresas de Consultoria e Serviços em Saneamento e Meio Ambiente (Apecs), Luiz Roberto Gravina Pladevall.

“É uma solução que já estava prevista em um estudo de aproveitamento de recursos hídricos para a macro metrópole paulista, mas não resolve o problema”, diz ele.

Nesta quarta-feira, 5, o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu, disse que a solução de transposição de volume do Sistema Paraíba do Sul para o Cantareira está “em vias de se viabilizar”.

Ele considerou perfeitamente possível conciliar interesses do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, apesar das sinalizações públicas de desacordo entre as partes.

Para Pladevall, mais estudos do sistema de abastecimento da Grande São Paulo precisam ser realizados diante de novas variantes que surgiram nos últimos anos.

“A falta de chuvas deve ser levada em consideração na elaboração de novos estudos e projetos”, diz.

Segundo ele, mesmo com a entrada em operação do sistema São Lourenço em 2018, já licitado por meio de uma Parceria Público Privada (PPP), novas soluções devem ser buscadas.

“O sistema Cantareira abastece quase 50% da população da Região Metropolitana de São Paulo com vazão de 33 metros cúbicos por segundo. O São Lourenço terá apenas vazão de 4,7 metros cúbicos por segundo, que representa aproximadamente 15% do Cantareira”, explica.

O presidente da Apecs destaca ainda que é preciso mais do que somente a realização de obras para garantir o abastecimento da população.

“A lição de casa para todos é a economia de água, com as operadoras fazendo o seu trabalho com eficiência, a população sendo rigorosa com o gasto de água e as concessionárias reduzindo as perdas físicas”, ressalta.

FONTE: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/transposicao-do-paraiba-do-sul-nao-sana-escassez-diz-apecs

A seca no sudeste brasileiro e o desmatamento na Amazônia e no cerrado

O meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Antonio Nobre, está causando furor internacional com seu alerta de que o desmatamento na bacia Amazônica é responsável pela falta de chuvas que castiga atualmente partes do Brasil (Aqui! e Aqui!). A tese de Nobre, a qual ele defende já faz algum tempo e tem bases científicas que é a da “savanização da Amazônia”, estipula, entre outras coisas, que o desmatamento diminui a taxa de umidade que chega ao centro sul do Brasil e contribui para a ocorrência de chuvas.

Como venho estudando as mudanças da cobertura vegetal na Amazônia há mais de duas décadas, acredito que Nobre está parcialmente correto e, na prática, não está afirmando nada que a ciência já não tenha prognosticado. A novidade real é que Nobre está colocando em xeque a versão idílica que foi propagada nos últimos três governos, com a ajuda preciosa de “cientistas amigos”, de que o problema do desmatamento estaria controlado na parte brasileira da Amazônia.  O fato é que não está, e as ações estruturantes no âmbito do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) acabaram contribuindo para o aumento da remoção da cobertura vegetal a partir de projetos hidrelétricos, ferrovias e estradas.

Essa separação entre programas de fortalecimento da infra-estrutura e a proteção ambiental foi iniciada de forma mais objetiva no primeiro mandato do ex-presidente Lula, sob a batuta do “ecologismo de resultados” de Marina da Silva, e ganhou aceleração após a entrada de Carlos Minc e Izabella Teixeira no comando do Ministério do Meio Ambiente. Esses dois passaram de uma versão mais pragmática para outra de concessão escancarada de licenças ambientais e de falta de controle sobre os diferentes agentes que causam o aumento da perda da floresta amazônica.

Agora com as declarações de Nobre é provável que ele caia em desgraça dentro do governo Dilma Rousseff, onde ocupou cargos importantes. Por outro lado, é provável que a pressão (cínica é preciso dizer) dos países ricos para que o Brasil faça alguma coisa para conter o processo de desmatamento, visto que as repercussões climáticas da perda da floresta amazônica ultrapassam os limites nacionais, impactando até parte do hemisfério norte. É esse aumento da pressão que talvez, eu disse talvez, causem algum tipo de tratamento sério do problema. Do contrário, a soma de projetos do PAC com a ação descontrolada do agronegócio vão causar ainda mais perda de floresta nativa na Amazônia.

Um problema que parece ter sido esquecido por Antonio Nobre, ou omitido pela imprensa, é que outros biomas importantes estão sendo alvo do avanço do desmatamento, principalmente o cerrado e a caatinga. Esses dois biomas são igualmente importantes para a regulação climática e para o equilíbrio hídrico, mas são convenientemente tratados como secundários, coisa que não são. E aqui, novamente, há que se lembrar dos diversos projetos do governo federal que contribuem para a perda de áreas desses biomas, e que são apresentados sob a capa protetora do “desenvolvimento econômico”. 

Finalmente, a seriedade da questão deveria ser objeto de uma discussão prática e responsável por parte das autoridades federais que seguram boa parte da estrutura logística que poderia ser usada para começar a atacar o problema. Contudo, com os anúncios de que Kátia Abreu, dublê de latifundiária e senadora, poderá ser a próxima ministra da Agricultura não me deixa muito otimista sobre a capacidade do governo Dilma mudar o seu curso de comportamento. A reação se vier terá que vir da sociedade brasileira e dos movimentos sociais organizados. Ai é que mora a chave do problema: quem é que vai ousar atacar a esfinge?

População mineira sofre com seca histórica. Mas isso não impede anúncio de que mineroduto vai começar a funcionar

A notícia abaixo, se confirmada, mostra o verdadeiro paradoxo que está estabelecido neste momento em Minas Gerais. De um lado, o estado vive os piores efeitos de uma seca histórica com pelos menos 159 municípios em condição de calamidade pública e, de outro, é anunciado o início do funcionamento do transporte de minério de ferro no Porto do Açu. E o que uma coisa tem a ver com a outra? É que o minério que sairá do Porto do Açu deverá chegar, após percorrer mais de 500 quilômetros, através de um sistema que mistura água e o material base triturado. 

A questão aqui é a água tão escassa nas áreas produtoras em Minas Gerais vai ficar por aqui mesmo, o que deverá aumentar a crise hídrica que já é grave. 

Talvez seja por isso que em vez de festejar, a Prumo Logística Global e a Anglo American tenham declinado oferecer maiores informações. É que até para a mais insensível das corporações, este desperdício de água num momento tão crítico para a população de Minas Gerais não pega bem. Aliás, pega péssimo!

Exclusivo: primeiro navio atraca no Porto do Açu nesta terça (21)

O navio veio da Índia e será carregado com 75 mil toneladas de minério de ferro

Nesta terça-feira (21 de outubro), será atracado o primeiro navio no Porto do Açu, em São João da Barra. O navio – chamado de “Keylight” – veio da Índia e será carregado com cerca de 75 mil toneladas de minério de ferro. Atualmente, o Porto do Açu tem quase 200 mil toneladas de minério estocado.

 O navio Keylight teria chegado ao Rio de Janeiro entre os dias 15 e 18 de outubro para fazer algumas regularizações. A informação foi passada por uma fonte de uma das empresas ligadas ao porto.

Procuradas pela reportagem do jornal Terceira Via, as assessorias de imprensa da empresa Prumo Logística Global – atual responsável pelas obras do Porto do Açu – e da Anglo American – responsável pelo projeto Minas-Rio ¬–, não confirmaram e nem negaram a informação, alegando que o expediente terminava às 17h de segunda-feira (20).

 Minério de Ferro

No dia 24 de agosto, o Porto do Açu recebeu a primeira polpa de minério bombeada pelo mineroduto do projeto Minas-Rio, da Anglo American. A operação aconteceu como parte do cronograma de testes e de comissionamento do empreendimento. Naquela ocasião, a fonte informara a redação sobre o bombeamento – não confirmado pelas assessorias – mas revelado no dia seguinte.

O Minas-Rio – maior mineroduto do mundo, com 529 km de extensão e que atravessa 32 municípios mineiros e fluminenses – está em fase de obras e atingirá, em sua primeira fase, uma capacidade de produção de 26,5 milhões de toneladas de minério de ferro. O empreendimento inclui uma mina de minério de ferro e unidade de beneficiamento em Conceição do Mato Dentro e Alvorada de Minas, em Minas Gerais.

FONTE: http://jornalterceiravia.com.br/noticias/norte-noroeste-fluminense/58092/exclusivo:-primeiro-navio-atraca-no-porto-do-a