O massacre do casal Garotinho, por Luis Nassif

Por Luís Nassif

Pouco sei da carreira política do casal Garotinho. Cada vez que escrevo sobre eles, amigos correm para sugerir cautela. Mas a perseguição que lhes é movida pelo sistema do Rio de Janeiro – Tribunal de Justiça, procuradores e Globo –, sob silêncio geral, é um massacre.

Garotinho é um político local que tentou um voo mais alto. Não conseguiu se transformar em um líder nacional, capaz de mntar alianças com os sistemas de poder – Judiciário, Congresso, mídia -, mas ficou grande demais para se abrigar nas asas de algum padrinho político, em partidos ou nos tribunais superiores. Não tem vinculação nem com esquerda, nem com direita, nem com intelectuais, nem com juristas. Não tem aliados nos partidos maiores, menos ainda na mídia.

Mesmo assim, é politicamente atrevido nos desafios que faz e fez. Já desafiou o Tribunal de Justiça do Rio, a Globo.

Com esse atrevimento – e essas vulnerabilidades – tornou-se um prato para esse pessoal. Podem aprontar o que quiser com seus direitos que não haverá gritos de revolta, manifestações dos órgãos de defesa dos direitos humanos, clamor dos juristas mais conhecidos ou a defesa do Gilmar Mendes. Não haverá manifestações internas, menos ainda as internacionais.

Leio, agora, que o bravo TJ-RJ tirou os direitos políticos de Rosinha Garotinho por 2 a 5 anos, pela acusação de ter usado recursos públicos para um anúncio no qual respondia a ataques a uma política que implementou em Campos. Seu advogado diz que é armação.

A prisão do casal Garotinho, a humilhação a que foram expostos por procuradores – que permitiram cenas da prisão no Fantástico -, a perseguição implacável da mídia, cobrando até a submissão de Rosinha às faxinas do presídio, mostram o Rio de Janeiro definitivamente como uma terra de ninguém.

É covardia dos eminentes magistrados, é covardia da Globo, é covardia de todos os que se calam, porque as vítimas não se enquadram a nenhum dos escaninhos do poder ou da oposição.

Defender Garotinho não enriquece currículos.

Por isso, mais do que os prisioneiros políticos da Lava Jato, a prisão do casal Garotinho é o maior desafio que os direitos individuais enfrentam nesse país sem leis.

FONTE: https://jornalggn.com.br/noticia/o-massacre-do-casal-garotinho-por-luis-nassif

Organizações Globo e a sua síndrome do Flautista de Hamelin

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O Flautista de Hamelin é um conto folclórico, reescrito pela primeira vez pelos Irmãos Grimm e que narra um desastre incomum acontecido na cidade de Hamelin, na Alemanha, em 26 de junho de 1284, que estava sofrendo com uma infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um “caçador de ratos” dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos – uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser. 

Apesar de obter sucesso, o povo da cidade esqueceu  da promessa feita e recusou-se a pagar o “caçador de ratos”, afirmando que ele não havia apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.  

Fecha o pano em Hamelin.

Agora, cheguemos ao Brasil e presenciemos o espetáculo diário que a TV Globo está realizando para enfeitiçar os brasileiros, tendo como mote as propinas e as verbas ilegais de campanha pagas pela empreiteira Odebrecht.  Ainda que não tenhamos solicitado esse serviço que se apresenta como de limpeza dos ratos da política nacional, a família Marinho insiste em tentar hipinotizar com seus “jornalistas” e intelectuais homologados.

Antes que eu me estenda muito sobre mais esse ato da família Marinho contra a frágil democracia brasileira, quero compartilhar uma indagação com os leitores deste blog: quem é que está realmente surpreso com as revelações acerca das relações íntimas entre as empreiteiras e a maioria dos partidos brasileiros? É que desde que se começou a liberar as contas de campanha, sabemos que todas as empreiteiras, começando pela Odebrecht, sempre investiram pesado nos seus candidatos. E, mais, que a influência das corporações não se resumia a elas, pois empresas como a Vale também colocavam fortunas para garantir que teriam a devida contrapartida na hora de se formular leis ou de afrouxar as existentes.

E mais, quem ainda não leu o livro “Brazilionnaires” do jornalista Alex Cuadros (Aqui!) pode até se surpreender, mas o chefão da Odebrecht, Emílio Odebrecht, já nos deu a pista. O  esquema de financiamento ilegal de partidos é algo que começou há mais de três décadas. Aliás, começou durante o regime militar de 1964!

E se mais gente ler o livro de Alex Cuadros, maior será a consciência de que as investidas dessas corporações não tem se restringido ao legislativo e executivo, mas também atingem o judiciário e, tchã tchã, a mídia corporativa! Em outras palavras, parte da explicação para a decisão da TV Globo de se comportar como um tipo de Flautista de Hamelin midiático é a simples necessidade de se afastar do fogaréu. Se tomarmos o exemplo do Rio de Janeiro onde a família Marinho deu completa cobertura aos (des)governos do PMDB, é óbvia a necessidade de lançar todos às chamas para que sejam esquecidos os investimentos gastos com “publicidade” .que propiciaram injeções milionárias na Rede Globo pelo hoje ex (des) governador e atual presidiário Sérgio Cabral.

Desta forma, em vez de se ficar prestando atenção nas encenações da família Marinho é partir para o fortalecimento de instâncias autônomas de ação política, incluindo partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais. Com isso, talvez nos livremos não apenas de uma democracia tutelada pelas corporações, mas também das ações de encantamento da mídia corporativa cujo único objetivo é manter a nossa sociedade completamente alienada.

 

Beneficiários do modelo

Por Milton Temer

Aí vai a relação das 15 “famiglias” que mais se locupletaram ao final de duas décadas de governos pautados por privatizações financiadas pelo próprio Tesouro, e por isenções tributárias ao grande capital – simultâneas à manutenção da injusta tributação indireta, via consumo (onde miliardários e sem-teto pagam o mesmo imposto em tudo o que compram). Governos dos tucano-pefelistas e governos do neoPT, ambos sob a companhia do austero e íntegro PMDB. 

Empreiteiros, latifundiários do agronegócio e banqueiros, estão aí os principais maganos. Para completar a lista, os proprietários das maiores empresas de comunicação, aquelas que organizam o pensamento dos mais reacionários segmentos da sociedade brasileira, e que continuam contempladas com as maiores fatias publicitárias das verbas do governo e das estatais ainda existentes. 

Tragédia difícil de recuperar no futuro mais imediato,

bilionáris 1 bilionários 2

 

FONTE: https://www.facebook.com/miltontemer/posts/686704681366154