Globo: a imparcialidade fica para depois do filé mignon do almoço?

A notícia de que Flávio Bolsonaro se reúne com a cúpula da Globo poucas horas antes de sua sabatina coloca sob suspeita a equidistância que se espera da emissora. Segundo a reportagem do Brasil 247, o candidato participa nesta sexta-feira de um almoço reservado com dirigentes da empresa. A apuração original, de Igor Gadelha, no Metrópoles, acrescenta um elemento decisivo: segundo auxiliares de Lula, o presidente não teria recebido convite semelhante antes de sua entrevista. Se confirmada essa diferença, a desigualdade de tratamento começa antes de as câmeras serem ligadas.

É necessário precisar a agenda: o compromisso de Flávio nesta noite de 16 de outubro é uma sabatina; o debate da Globo está previsto para 23 de outubro. A distinção reforça a pertinência do questionamento: numa entrevista, a emissora controla diretamente a seleção dos assuntos, a formulação das perguntas e a insistência diante de respostas evasivas.

Um almoço, por si só, não prova combinação de perguntas, favorecimento editorial ou acordo político. Mas a confiança no jornalismo exige procedimentos que permitam verificar sua independência. Receber reservadamente um candidato, acompanhado do coordenador de sua campanha, no dia em que ele será entrevistado exige transparência sobre o propósito do encontro e sobre a oferta de condições equivalentes ao adversário. A presença de Rogério Marinho, relatada pelo Metrópoles, torna particularmente insuficiente tratar a reunião como simples gentileza social. 

A contradição central está entre a igualdade apresentada ao telespectador e o acesso aos bastidores. Cronômetros iguais e cenários idênticos não bastam para assegurar equidade. Ela também depende da relevância das perguntas, do rigor na contestação de informações falsas, da cobrança por propostas concretas e do espaço concedido a cada candidato para escapar de assuntos incômodos. Uma entrevista pode parecer dura pelo tom e ser confortável pelo conteúdo.

Há ainda uma contradição política: a narrativa bolsonarista de perseguição pela imprensa precisa ser confrontada com essa interlocução reservada com dirigentes de uma das principais empresas de comunicação do país. O acesso relatado não combina facilmente com a imagem de um candidato permanentemente excluído ou hostilizado pelo sistema midiático.

Como esperar tratamento equânime? Cobrando evidências de equidade, em vez de aceitar uma declaração de imparcialidade. Cabe à Globo esclarecer o encontro e a alegada diferença de convites. Cabe ao público examinar a sabatina desta noite e o eventual debate com atenção ao conteúdo e aos critérios aplicados. A reportagem não permite antecipar que haverá favorecimento, mas oferece razão concreta para fiscalizar. A credibilidade da emissora depende de explicar por que a igualdade prometida diante das câmeras aparentemente não chegou à mesa do almoço.

A Paulista lotada, a Globo mostrando robôs: a seletividade da televisão em plena eleição presidencial

Enquanto milhares de brasileiros ocupavam a Avenida Paulista em defesa da democracia, a cobertura das grandes redes de TV levantou dúvidas sobre suas prioridades editoriais e os efeitos políticos da invisibilidade de uma manifestação popular

Neste domingo, 11 de outubro, milhares de brasileiros ocuparam a Avenida Paulista na chamada Marcha pela Democracia, em uma demonstração expressiva de mobilização popular em apoio à candidatura do presidente Lula. Segundo reportagem do UOL, a manifestação ocupou sete quarteirões da avenida, reunindo estudantes, movimentos sociais, artistas e lideranças políticas. A concentração foi tamanha que a estação Trianon-Masp do metrô precisou ser temporariamente fechada. Entretanto, o que deveria ser um acontecimento de grande destaque na televisão brasileira parece não ter recebido, nas principais redes abertas, uma cobertura proporcional à sua dimensão. Essa discrepância merece ser examinada, especialmente quando estamos a apenas duas semanas de um segundo turno presidencial marcado por intensa polarização.

Um exemplo particularmente revelador dessa situação foi a opção da TV Globo de dedicar espaço a uma competição universitária de robótica realizada em São Paulo, conforme demonstra vídeo disponibilizado pela própria emissora no portal G1. Nada tenho contra competições de robótica, muito pelo contrário. O problema está na hierarquia das prioridades jornalísticas. Enquanto milhares de pessoas ocupavam a principal avenida de São Paulo, em um ato de evidente importância política, a Globo encontrou espaço para mostrar robôs. A existência dessa reportagem não comprova, isoladamente, que tenha ocorrido uma substituição deliberada da cobertura da manifestação. Mas o contraste é suficientemente significativo para exigir uma pergunta: por que uma mobilização dessa magnitude não recebeu uma cobertura televisiva à altura de sua relevância?

A resposta pode estar nas escolhas editoriais dos grandes conglomerados de comunicação, que estão longe de ser politicamente neutras em seus efeitos. Não é necessário que uma emissora declare apoio a Flávio Bolsonaro para que suas decisões sobre o que mostrar, quanto mostrar e quando mostrar possam produzir consequências favoráveis à sua candidatura. A reduzida visibilidade de uma manifestação em apoio a Lula, caso confirmada por uma comparação sistemática da programação, representa uma desvantagem objetiva na circulação de imagens e informações sobre a mobilização de seus apoiadores. Em uma disputa eleitoral tão polarizada, a capacidade de demonstrar força nas ruas é parte importante da construção da percepção pública sobre as candidaturas. Limitar essa visibilidade pode, portanto, produzir efeitos eleitorais, ainda que não seja possível demonstrar uma intenção deliberada de favorecer determinado candidato.

Há outro aspecto que torna a cobertura televisiva dessa manifestação especialmente relevante: a forte presença da juventude. As imagens da Paulista desafiam a narrativa de que a esquerda brasileira perdeu sua capacidade de mobilização e de diálogo com as novas gerações. O protagonismo de estudantes e de coletivos juvenis é, por si só, um acontecimento político relevante, independentemente das preferências partidárias de quem o observa. Não deixa de ser pertinente perguntar se uma manifestação de dimensão semelhante organizada por apoiadores de Flávio Bolsonaro receberia o mesmo tratamento das grandes redes de televisão. A resposta exigiria comparar as coberturas, mas a própria necessidade dessa comparação revela a importância de submeter as decisões editoriais ao escrutínio público.

É preciso reconhecer que veículos como UOL, Folha de S.Paulo e CNN Brasil noticiaram a manifestação. Entretanto, publicar uma notícia em um portal e oferecer cobertura robusta na televisão aberta são coisas distintas. A televisão continua sendo um instrumento poderoso de construção da percepção coletiva, sobretudo entre os segmentos da população que não acompanham continuamente as redes sociais. Nesse contexto, a decisão de conceder maior ou menor visibilidade a uma manifestação pode interferir na compreensão pública da realidade política. Não se trata de exigir que as emissoras promovam Lula ou qualquer outro candidato, mas de questionar critérios editoriais que possam resultar em tratamento desigual de acontecimentos de relevância comparável.

A situação é ainda mais preocupante porque a concentração do poder de informar nas mãos de poucos grupos empresariais constitui um problema estrutural da democracia brasileira. A existência de transmissões independentes, como as realizadas pela DiaTV e pela TVT, permite que acontecimentos pouco destacados pela televisão convencional alcancem outros públicos. Entretanto, essa alternativa também depende de plataformas digitais controladas por grandes corporações, cujos algoritmos e mecanismos de moderação podem restringir a circulação de conteúdos. Assim, entre as escolhas editoriais dos conglomerados televisivos e o poder das big techs, a sociedade brasileira permanece sujeita a filtros privados que influenciam profundamente o que pode ser visto, conhecido e debatido.

O que aconteceu neste domingo na Avenida Paulista deveria servir como oportunidade para uma discussão mais ampla sobre o papel político das grandes redes de televisão. Não é necessário comprovar uma conspiração entre emissoras para reconhecer que a hierarquização das notícias possui consequências políticas e que essas consequências podem prejudicar uma candidatura em benefício de outra. A questão fundamental é saber se os critérios utilizados para definir a importância dos acontecimentos estão sendo aplicados de maneira consistente, especialmente durante uma eleição presidencial.

Afinal, o problema não é a Globo mostrar robôs. O problema é a possibilidade de que uma multidão de brasileiros nas ruas receba menos atenção televisiva do que merece. E quando a visibilidade de manifestações políticas depende das conveniências editoriais de grandes corporações, o que está em jogo não é apenas a cobertura de uma eleição, mas a qualidade da própria democracia brasileira.

A Globo perdeu a hegemonia!

Lá se ia o ano de 1989. Às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, Fernando Collor e Lula estavam diante das câmeras da TV Globo. Collor tinha uma pilha de pastas, entre elas a rosa, que ficaria mais famosa. Nunca se soube o que elas continham, mas a edição meticulosa da emissora fez parecer que ali havia segredos que Lula temia ver expostos durante o debate. Com a edição das imagens, Collor venceu a eleição. Depois, confiscou as cadernetas de poupança e sofreu impeachment, tudo em rápida sucessão. Ficou a demonstração de que, quando queria, as Organizações Globo podiam eleger quem bem entendessem.

Trinta e sete anos depois, com outra eleição presidencial em curso, assistimos a uma espécie de fantasma da TV Globo tentando operar mais uma disputa. Mais uma vez, Lula se defronta com o aparente escolhido dos irmãos Marinho: o controverso Flávio Bolsonaro. Diante dele, duas perspectivas: tornar-se presidente e ganhar imunidade temporária ou enfrentar um número indefinido de pendências judiciais, algumas com potencial para levá-lo à prisão. Nada no currículo do primogênito de Jair Bolsonaro, porém, parece abalar a preferência dos irmãos Marinho, que têm trabalhado consistentemente para oferecer a Flávio a melhor cobertura, na expectativa de derrotar Lula mais uma vez.

No meio do caminho, surgiu outro debate, para o qual a TV Globo havia preparado um roteiro cheio de armadilhas para Lula. A coisa parecia tão evidente que Lula, supostamente contrariando até sua equipe de campanha, decidiu dar de ombros para a emissora e gastar seu tempo no Flow, um podcast com público expressivo, mas sem a amplitude da cobertura da TV Globo. A emissora se preparou para tirar o melhor proveito da ausência: colocou uma cadeira vazia com o nome do presidente e abriu espaço para perguntas dirigidas ao “participante fujão”.

Tudo ia bem até o TSE e o STF entrarem em campo para retirar a cadeira e as perguntas e ainda colocarem no debate o estrepitoso candidato do Missão, Renan Santos, de quem Flávio Bolsonaro parece ter mais pavor do que de Lula. Com isso, o primogênito de Jair também resolveu fugir do palco da TV Globo e se dedicar a uma transmissão ao vivo em seu próprio canal no YouTube. Restou à emissora suspender o debate. O resto é história.

Uma história que marca uma mudança profunda na forma de fazer comunicação no Brasil — e talvez no mundo. Como o próprio Lula disse, com bastante acerto, o formato da TV Globo, com muitos candidatos, já não acompanha as formas e a velocidade que a comunicação de massa assumiu na era das lives e dos podcasts. Enquanto a emissora e muitos outros veículos da mídia corporativa ainda lutam para se ajustar, a decisão inicial de Lula mostrou-se particularmente aguda e sintonizada com esses novos tempos.

A esquerda, em geral, já deveria ter percebido que a banda agora toca assim. Mas ainda insiste em formas ultrapassadas de comunicação, abrindo espaço para a hegemonia da extrema direita nesse terreno.

Para os irmãos Marinho, a manhã desta sexta-feira deve estar sendo particularmente dura. Não apenas pela suspensão de um debate de primeiro turno, mas porque ficou mais claro do que nunca que a TV Globo, seus articulistas e seus produtores de conteúdo perderam a hegemonia que mantiveram por décadas — e que agora estamos diante de uma nova fronteira da comunicação, mais caótica e acelerada. Pensando bem, só por isso já valeu a pena acompanhar eleições que pouco discutiram os grandes desafios postos diante da sociedade brasileira.

Como diz a frase: “O rei está morto. Viva o rei!”

Globo arma o palco; os protagonistas fogem — e sobram as candidaturas anãs

Até poucas horas atrás, a ausência de Lula no debate da TV Globo era tratada como uma oportunidade para Flávio Bolsonaro ocupar sozinho o centro do palco. À esquerda, a crítica era direta: ao trocar o confronto com os adversários por uma entrevista no Flow Podcast, Lula deixaria o espaço televisivo aberto para que seu principal concorrente reinasse sem contestação. A decisão do TSE alterou esse roteiro. A ministra Estela Aranha proibiu a exibição do púlpito vazio reservado a Lula e também que os candidatos presentes lhe dirigissem perguntas, por entender que isso permitiria ataques sem resposta no próprio debate. Flávio Bolsonaro anunciou então que não participaria, chamando a decisão de censura.  

O episódio teve outro elemento judicial decisivo. O TSE autorizou a participação de Romeu Zema, do Novo, considerando a composição atual da bancada do partido. Renan Santos, do Missão, também tentou entrar no debate, mas seus pedidos foram rejeitados pelo TSE e pelo STF. A ausência de Lula, portanto, não abriu automaticamente uma vaga para Renan: a emissora tinha liberdade para convidar outro candidato, mas não obrigação de fazê-lo.  

O resultado é um roteiro que ninguém parecia ter previsto: Lula estará fora do estúdio, mas terá uma entrevista no Flow na mesma noite; Flávio, que inicialmente pretendia comparecer e explorar a ausência do presidente, agora também desistiu. O candidato que, segundo a leitura de seus estrategistas, poderia transformar o debate em confronto com Lula acabou sem o palco que esperava — e, ao menos por enquanto, com um vazio na agenda pública a poucos dias do primeiro turno.  

A cadeira que a Rede Globo não poderá mostrar para representar a ausência de Lula acabou ganhando uma irmã: a cadeira que ficará vazia porque Flávio Bolsonaro desistiu de comparecer. A emissora terá de se contentar com um debate que não reunirá nenhum dos dois principais candidatos à Presidência — um verdadeiro debate de candidaturas anãs, esvaziado justamente quando deveria concentrar a atenção do eleitorado. A ironia é que Flávio, que pretendia fazer da ausência de Lula o eixo de sua atuação, retirou-se depois que as condições do debate mudaram. Lula estará em outro palco, no Flow Podcast; Flávio, por ora, não estará em palco algum.

Isso não significa que a decisão de Lula esteja acima de crítica. Debates públicos são espaços importantes de prestação de contas, e o presidente poderia ter escolhido enfrentar diretamente seus adversários. Mas também é preciso reconhecer que ele não desapareceu da cena: optou por outro formato de comunicação, com grande alcance digital, enquanto a campanha adversária avaliou que o debate seria uma oportunidade de concentrar ataques sobre sua ausência. O eleitor terá de julgar as duas escolhas — comparecer a um podcast ou a um debate, e desistir de um confronto depois que suas condições mudaram.

Há aqui uma ironia política evidente. A cadeira vazia de Lula, que em 2006 foi exibida pela Globo e se converteu em poderosa imagem de campanha contra o então presidente, não poderá ser reproduzida neste debate. A decisão judicial limita a capacidade da emissora de transformar a ausência em peça visual e impede que os candidatos façam do presidente ausente um interlocutor fictício, sem direito de resposta. Flávio, que parecia contar com esse recurso, decidiu não comparecer.  

O episódio revela, ainda, uma transformação mais ampla na política brasileira. A Globo continua sendo uma organização de enorme alcance e capacidade de pautar o debate público, mas já não controla sozinha o palco, o formato e a audiência da disputa. Um candidato pode trocar seu debate por um podcast; decisões judiciais podem alterar as regras do espetáculo; e um concorrente pode abandonar o programa quando percebe que o roteiro previsto deixou de funcionar. Em um passado não distante, seria difícil imaginar que o debate final da maior emissora do país perdesse, na véspera, os dois candidatos mais votados nas pesquisas.  

A democracia brasileira aparece, nesse episódio, ao mesmo tempo resistente e vulnerável. Resistente porque há regras eleitorais, contestação judicial e limites à tentativa de converter a ausência de um candidato em arma unilateral de campanha. Vulnerável porque a discussão programática cede lugar à disputa por formatos, vantagens de imagem e controle da narrativa; porque os principais candidatos podem evitar o confronto direto; e porque decisões judiciais, ainda que fundamentadas, passam a definir em tempo real o desenho de um dos espaços mais visíveis da campanha.

No fim, a cadeira que não poderá ser mostrada acabou expondo outra ausência: a de um debate político capaz de reunir os principais concorrentes diante do eleitorado. A Globo terá uma cadeira a menos — a de Flávio Bolsonaro — e um debate sem Lula e sem Flávio, reduzido às candidaturas que restaram no estúdio. O fato de a emissora já não conseguir garantir esse encontro como acontecimento central talvez seja o sinal mais eloquente de que o sistema político e comunicacional brasileiro mudou. Resta saber se essa mudança amplia a pluralidade democrática ou apenas fragmenta ainda mais a esfera pública.

O massacre do casal Garotinho, por Luis Nassif

Por Luís Nassif

Pouco sei da carreira política do casal Garotinho. Cada vez que escrevo sobre eles, amigos correm para sugerir cautela. Mas a perseguição que lhes é movida pelo sistema do Rio de Janeiro – Tribunal de Justiça, procuradores e Globo –, sob silêncio geral, é um massacre.

Garotinho é um político local que tentou um voo mais alto. Não conseguiu se transformar em um líder nacional, capaz de mntar alianças com os sistemas de poder – Judiciário, Congresso, mídia -, mas ficou grande demais para se abrigar nas asas de algum padrinho político, em partidos ou nos tribunais superiores. Não tem vinculação nem com esquerda, nem com direita, nem com intelectuais, nem com juristas. Não tem aliados nos partidos maiores, menos ainda na mídia.

Mesmo assim, é politicamente atrevido nos desafios que faz e fez. Já desafiou o Tribunal de Justiça do Rio, a Globo.

Com esse atrevimento – e essas vulnerabilidades – tornou-se um prato para esse pessoal. Podem aprontar o que quiser com seus direitos que não haverá gritos de revolta, manifestações dos órgãos de defesa dos direitos humanos, clamor dos juristas mais conhecidos ou a defesa do Gilmar Mendes. Não haverá manifestações internas, menos ainda as internacionais.

Leio, agora, que o bravo TJ-RJ tirou os direitos políticos de Rosinha Garotinho por 2 a 5 anos, pela acusação de ter usado recursos públicos para um anúncio no qual respondia a ataques a uma política que implementou em Campos. Seu advogado diz que é armação.

A prisão do casal Garotinho, a humilhação a que foram expostos por procuradores – que permitiram cenas da prisão no Fantástico -, a perseguição implacável da mídia, cobrando até a submissão de Rosinha às faxinas do presídio, mostram o Rio de Janeiro definitivamente como uma terra de ninguém.

É covardia dos eminentes magistrados, é covardia da Globo, é covardia de todos os que se calam, porque as vítimas não se enquadram a nenhum dos escaninhos do poder ou da oposição.

Defender Garotinho não enriquece currículos.

Por isso, mais do que os prisioneiros políticos da Lava Jato, a prisão do casal Garotinho é o maior desafio que os direitos individuais enfrentam nesse país sem leis.

FONTE: https://jornalggn.com.br/noticia/o-massacre-do-casal-garotinho-por-luis-nassif

Organizações Globo e a sua síndrome do Flautista de Hamelin

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O Flautista de Hamelin é um conto folclórico, reescrito pela primeira vez pelos Irmãos Grimm e que narra um desastre incomum acontecido na cidade de Hamelin, na Alemanha, em 26 de junho de 1284, que estava sofrendo com uma infestação de ratos. Um dia, chega à cidade um homem que reivindica ser um “caçador de ratos” dizendo ter a solução para o problema. Prometeram-lhe um bom pagamento em troca dos ratos – uma moeda pela cabeça de cada um. O homem aceitou o acordo, pegou uma flauta e hipnotizou os ratos, afogando-os no Rio Weser. 

Apesar de obter sucesso, o povo da cidade esqueceu  da promessa feita e recusou-se a pagar o “caçador de ratos”, afirmando que ele não havia apresentado as cabeças. O homem deixou a cidade, mas retornou várias semanas depois e, enquanto os habitantes estavam na igreja, tocou novamente sua flauta, atraindo desta vez as crianças de Hamelin. Cento e trinta meninos e meninas seguiram-no para fora da cidade, onde foram enfeitiçados e trancados em uma caverna. Na cidade, só ficaram opulentos habitantes e repletos celeiros e bem cheias despensas, protegidas por sólidas muralhas e um imenso manto de silêncio e tristeza.  

Fecha o pano em Hamelin.

Agora, cheguemos ao Brasil e presenciemos o espetáculo diário que a TV Globo está realizando para enfeitiçar os brasileiros, tendo como mote as propinas e as verbas ilegais de campanha pagas pela empreiteira Odebrecht.  Ainda que não tenhamos solicitado esse serviço que se apresenta como de limpeza dos ratos da política nacional, a família Marinho insiste em tentar hipinotizar com seus “jornalistas” e intelectuais homologados.

Antes que eu me estenda muito sobre mais esse ato da família Marinho contra a frágil democracia brasileira, quero compartilhar uma indagação com os leitores deste blog: quem é que está realmente surpreso com as revelações acerca das relações íntimas entre as empreiteiras e a maioria dos partidos brasileiros? É que desde que se começou a liberar as contas de campanha, sabemos que todas as empreiteiras, começando pela Odebrecht, sempre investiram pesado nos seus candidatos. E, mais, que a influência das corporações não se resumia a elas, pois empresas como a Vale também colocavam fortunas para garantir que teriam a devida contrapartida na hora de se formular leis ou de afrouxar as existentes.

E mais, quem ainda não leu o livro “Brazilionnaires” do jornalista Alex Cuadros (Aqui!) pode até se surpreender, mas o chefão da Odebrecht, Emílio Odebrecht, já nos deu a pista. O  esquema de financiamento ilegal de partidos é algo que começou há mais de três décadas. Aliás, começou durante o regime militar de 1964!

E se mais gente ler o livro de Alex Cuadros, maior será a consciência de que as investidas dessas corporações não tem se restringido ao legislativo e executivo, mas também atingem o judiciário e, tchã tchã, a mídia corporativa! Em outras palavras, parte da explicação para a decisão da TV Globo de se comportar como um tipo de Flautista de Hamelin midiático é a simples necessidade de se afastar do fogaréu. Se tomarmos o exemplo do Rio de Janeiro onde a família Marinho deu completa cobertura aos (des)governos do PMDB, é óbvia a necessidade de lançar todos às chamas para que sejam esquecidos os investimentos gastos com “publicidade” .que propiciaram injeções milionárias na Rede Globo pelo hoje ex (des) governador e atual presidiário Sérgio Cabral.

Desta forma, em vez de se ficar prestando atenção nas encenações da família Marinho é partir para o fortalecimento de instâncias autônomas de ação política, incluindo partidos de esquerda, sindicatos e movimentos sociais. Com isso, talvez nos livremos não apenas de uma democracia tutelada pelas corporações, mas também das ações de encantamento da mídia corporativa cujo único objetivo é manter a nossa sociedade completamente alienada.

 

Beneficiários do modelo

Por Milton Temer

Aí vai a relação das 15 “famiglias” que mais se locupletaram ao final de duas décadas de governos pautados por privatizações financiadas pelo próprio Tesouro, e por isenções tributárias ao grande capital – simultâneas à manutenção da injusta tributação indireta, via consumo (onde miliardários e sem-teto pagam o mesmo imposto em tudo o que compram). Governos dos tucano-pefelistas e governos do neoPT, ambos sob a companhia do austero e íntegro PMDB. 

Empreiteiros, latifundiários do agronegócio e banqueiros, estão aí os principais maganos. Para completar a lista, os proprietários das maiores empresas de comunicação, aquelas que organizam o pensamento dos mais reacionários segmentos da sociedade brasileira, e que continuam contempladas com as maiores fatias publicitárias das verbas do governo e das estatais ainda existentes. 

Tragédia difícil de recuperar no futuro mais imediato,

bilionáris 1 bilionários 2

 

FONTE: https://www.facebook.com/miltontemer/posts/686704681366154