UFES realiza seminário sobre o modelo de extrativismo mineral

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No dia 10 de outubro acontecerá o “Seminário Modelo de Extrativismo Mineral sob Crítica”, no Anfiteatro 1 no anexo do CCNH/UFES, com organização conjunto dos Grupos de Pesquisa Organon e PoEMAS.

Confira a programação e não deixei de realizar sua inscrição. Vagas limitadas!

Link para inscrição: https://franciscoguilherme.typeform.com/to/pdtjri

-Análise de conjuntura boom e pós-boom da mineração
Rodrigo Santos – Doutor em Sociologia e Professor da UFRJ/(PoEMAS)

-As zonas de sacrifício no Espírito Santo – sistemas portuários, infraestrutura de mineração
Cristiana Losekann – Doutora em Ciência Política e Professora da UFES/(Organon) e Roberto Vervloet – Doutor em Geografia Física/USP/(Organon)

-O extrativismo mineral em Goiás – os mega projetos de extrativismo mineral e os conflitos com as comunidades rurais.
Ricardo Gonçalves – Doutor em Geografia e professor da UEG/(PoEMAS)

-Debates: Maíra Mansur – Doutoranda em Sociologia na UFRJ/(PoEMAS)
Rafaela Dornelas – Mestra em Ciências Sociais/(Organon)

Concepções do social em mineração:

-Os riscos da política e a política dos riscos. Estratégias empresariais diante da contestação social no setor de mineração.
Raquel Giffoni – Doutora em Planejamento Urbano e Regional e Professora do IFRJ/(PoEMAS)

-O que é licença social?
Júlia Castro – Mestranda em Ciências Sociais na UFES/(Organon)

-Resistência e contra informação: relatórios sombras e suas efetividades
Maíra Mansur – Doutoranda em Sociologia na UFRJ/(PoEMAS).

Maiores detalhes: https://www.facebook.com/events/1253598201358144/

Concentração de ferro no mar de Regência aumentou 20 vezes, aponta pesquisa da Ufes

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Quase 60% das espécies de fitoplâncton desapareceram do mar de Regência, Norte do Espírito Santo, após a chegada da lama de rejeitos de minério da Samarco, de acordo pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). A análise do mar, realizada no final do ano passado, identificou a presença de ferro, manganês, cromo e alumínio na água.

O estudo apontou que a concentração de ferro no mar aumento 20 vezes. Com isso, a diversidade marítima da região está diminuindo. Antes da chegada da lama, cerca de 60 espécies de fitoplâncton eram encontradas nas região, recentemente, esse número não passa de 25.
Todas essas informações serão apresentadas ao Ibama, na manhã desta terça-feira (15), durante um workshop. No evento, pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul também vão apresentar o resultado da análise de contaminação de peixes e crustáceos da região.

Fase crônica

De acordo com o coordenador de Estudos do Meio Marinho para o Impacto da Lama do Rio Doce e professor da Ufes, Alex Bastos, durante a chegada da lama de rejeitos, o mar de Regência estava na fase aguda da contaminação, agora, o mar passa pela fase crônica, quando o nível de metais pesados diminuiu, mas tende a permanecer assim por um longo período.

“O que observamos preliminarmente é que o momento agudo do impacto passou, os teores de metais diminuíram e a produção de clorofila voltou a uma condição não tão absurda como estava antes. Entendemos que essa é a fase do impacto crônico, que seria um novo estabelecimento no sistema marinho na região do Rio Doce, no mar de Regência”, contou à Rádio CBN Vitória.

Recuperação

O coordenador da pesquisa explica que ainda é cedo para saber quando o mar de Regência será totalmente recuperado. Bastos destacou que os estudos precisam continuar por, no mínimo, um ano para que seja feito um raio x do ecossistema.

“Temos que ter certeza, passado um ano, por exemplo, onde teremos variações de temperatura, chuva, hidrologia do rio, tirando todas essas variáveis do sistema, como o ecossistema se comportou a partir de uma nova realidade em termos de metais, nutrientes, características da lama e maior aporte de sedimento”, explicou. Durante o workshop será definido quais serão os próximos passos da pesquisa.

Fonte: CBN Vitória (93,5 FM)

FONTE: http://www.gazetaonline.com.br/_conteudo/2016/03/noticias/cidades/3933623-concentracao-de-ferro-no-mar-de-regencia-aumentou-20-vezes-aponta-pesquisa-da-ufes.html

Samarco se dispõe a “ajudar” Ufes a analisar amostras de água do Rio Doce. O que será que estão pedindo em troca?

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Segundo a matéria abaixo, assinada por Pedro Permuy, e publicada pelo site Espírito Santo Hoje, a Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) está se  disponibilizando a “ajudar” pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) a analisar as amostras de água coletadas no Rio Doce, afim de estabelecer os níveis de contaminação associadas à passagem do TsuLama que a negligência da empresa causou em Mariana (MG).

Eu só espero que em troca dessa “ajuda” não apareça com contratos de confidencialidade para a UFES assinar, o que representaria um grave prejuízo aos interesses da população que está sendo afetada pela negligência da Samarco.

É que no caso deste tipo de “ajuda” a prática comum das corporações é que a moeda de troca seja a proibição da publicização dos resultados.  A ver!

Samarco quer ajudar a Ufes a analisar amostras d’água do rio Doce

Foto: Fred Loureiro/Governo do ESFred Loureiro/Governo do ES

A fim de que as 2.785 amostras coletadas da Foz do rio Doce, rio São Mateus, rio Mucurici e rio Caravelas possam ser analisadas mais rapidamente, a Samarco Mineração S.A está firmando parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) para disponibilizar ajuda que colabore nesse trabalho.

A mineradora diz que pretende efetivar o conchave que ajudará na execução das análises físico-químicas e biológicas da água e do sedimento referente ao diagnóstico dos locais nos quais foram retiradas amostras. A preocupação pode ter vindo na última semana, quando a Ufes divulgou os resultados prévios das análises e pediu prazo de ao menos seis meses para que o relatório final fosse entregue. Os pesquisadores encontraram ferro, manganês, alumínio e cromo com níveis elevados.

Considerado o maior desastre ambiental da história do país, o evento – que aconteceu no dia 05 de novembro de 2015 – foi responsável por matar 17 pessoas, destruir comunidades ribeirinhas e, ainda, extinguir a vida aquática do rio Doce e afetar os animais marinhos. Cerca de três toneladas de peixes mortos foram retirados do manancial e aproximadamente 500 quilos do mar. Além disso, a pesquisa leva a crer que a lama, por ser constituída de partículas finas, é o que está soterrando o que ainda resta dos seres vivos do Doce.

De acordo com o pesquisador da Ufes do departamento de oceanografia Alex Bastos, os estudos mostram o que pode acontecer a princípio. Ele esclarece que a coleta de amostras aconteceu a partir de quatro dias após a chegada da lama de rejeito na foz do rio Doce numa expedição que durou treze dias diluídos em três viagens.

O pesquisador esclarece que o que mais chama a atenção, depois do acúmulo de sedimentos anormal na calha do Doce, é o desequilíbrio que existe entre nascimento e morte da população de fitoplânctons. “Existe um descontrole, principalmente na taxa de mortandade, que está elevada”, pondera. Ele explica que esse contingente pode levar ao desaparecimento de peixes na região, pois os plânctons servem de alimento no primeiro nível trófico da cadeia.

“Como foi observado um aumento na concentração de ferro e nutrientes como nitrato, nitrogênio amoniacal e silício, esses elementos podem ser responsáveis pela alta proliferação e alta mortandade desses espécimes”, conta o pesquisador. Ele destaca que, se antes eram encontradas até 70 espécies diferentes de fitoplânctons, agora, esse quantitativo não passa de 39.

FONTE: http://www.eshoje.jor.br/_conteudo/2016/02/noticias/geral/37907-samarco-quer-ajudar-a-ufes-a-analisar-amostras-d-agua-do-rio-doce.html

Professores e estudantes da UFES visitam o V Distrito, uma sala de aula a céu aberto

Depois que eu digo que o V Distrito de São João da Barra por causa do Porto do Açu se transformou numa sala de aula a céu aberto tem gente que duvida.  Neste sábado (20/06) acompanhei professores e estudantes do curso de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)  em diferentes partes do território no entorno do megaempreendimento, onde pudemos verificar diferentes dimensões dos problemas sociais e ambientais que ali estão ocorrendo

Também verificar “in loco” o esforço de controle estrito que é realizado para impedir a livre circulação de pessoas e, em muitos momentos das atividades, estivemos acompanhados por veículos da empresa de segurança privada contratada pela Prumo Logística

Uma coisa que deixou os professores e estudantes surpresos foi a dimensão do empreendimento e das modificações que estão ocorrendo na paisagem do V Distrito em função das múltiplas intervenções que foram feitas em seu ambiente físico.

Afora a observação da paisagem física, os professores e alunos da UFES tiveram excelentes oportunidades de ver de perto e ouvir personagens importantes nos conflitos em curso no V Distrito de São da Barra. E a impressão que eu obtive é que as lições aprendidas no Porto do Açu vão ser muito úteis para que eles possam estudar o que também está acontecendo no Espírito Santo, onde estaleiros e estruturas portuários estão igualmente transformando para pior a vida de milhares de famílias que ocupavam historicamente os territórios que estão sendo ocupados por esses empreendimentos.

Um fato a ser notado é que a comitiva tentou obter permissão para conhecer o interior do Porto do Açu. Entretanto, em que pesem as múltiplas tentativas de obter autorização para a visita,  isto não ocorreu. Esta situação me reforça a impressão de que visita no interior do Porto do Açu é coisa destinada à membros da imprensa corporativa e políticos muy amigos  que se dispõe a serem fotografados vestindo o “flamboyant” colete da Prumo Logística. Mas uma coisa é certa: depois que ninguém reclame se só um lado da moeda for conhecido por membros da comunidade científica que hoje enxergam o V Distrito de São João da Barra como uma sala de aula a céu aberto.

Finalmente, uma dica de leitura oferecida pelo professor Maurício Sogame que foi um dos responsáveis por eu participar dessa atividade. Segundo o Prof. Sogame, a leitura para entender bem esse e outros processos de remoção de populações tradicionais de territórios que ocupam tradicionalmente é o livro “Limites do Capital” do também geógrafo David Harvey. Fica ai a dica!

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UFES sedia seminário sobre Neoextrativismo na América Latina

O Organon convida a todos para o seminário “Neoextrativismo na América Latina” visa debater as estratégias de resistência e de produção de alternativas ao modelo de desenvolvimento que vem sendo caracterizado como “neoextrativista”. Entre os assuntos específicos em debates estão: o diagnóstico do neoextrativismo latino americano; a problematização de instrumentos institucionais, tais como, o licenciamento ambiental, os Termos de Ajustamento de Conduta, a Convenção 169 e a Consulta Prévia; a discussão sobre estratégias de resistência e a produção de alternativas: as áreas livres de mineração e petróleo, a articulação entre resistências e construção de alianças, a Vigilância Popular em Saúde, a Avaliação de Equidade Ambiental, as Cartografias e contranarrativas, as Tecnologias de informação e comunicação, e o Observatório das Ações Judiciais lançado pelo Programa de Extensão Organon.

O seminário reunirá pesquisadores, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e população afetadas por grandes projetos extrativistas do Brasil e de outros países da Amárica Latina. Acontece na UFES, nos dias 07, 08 e 09 de novembro de 2014.

Mais informações sobre o evento em: http://seminarioneoextrativismo.wordpress.com/