Nota de falecimento do Prof. Wolfgang Christian Pfeiffer

luto-6

A ciência brasileira perdeu nesta 4a .feira (15/02) o professor Wolfgang Christian Pfeiffer cuja trajetória foi marcada por uma incansável busca pela excelência acadêmica, principalmente nos estudos relacionados à contaminação ambiental por metais pesados. Foi ele  o idealizador do Projeto de Contaminação Ambiental e Humana por Mercúrio na Amazônia que a partir de 1986 contribuiu para importantes avanços no conhecimento existente sobre os impactos da contaminação ambiental e humana pelo uso deste metal pesado na extração do ouro.

Graças à sua importante constribuição à ciência brasileira, ele foi conduzido à um grupo seleto de pesquisadores que formam parte da Academia Brasileira de Ciências desde 1987.

Nascido na Alemanha, o Prof. Pfeiffer chegou ao Brasil com apenas 6 anos, e aqui  desenvolveu uma longa e trajetória acadêmica. Além disso, apesar de ter passado uma parte significativa da sua vida profissional no Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF) da Universidde Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde ingressou como auxiliar de ensino em 1970 e ocupou paulatinamente importantes cargos de liderança científicas. Entretanto, a sua contribuição alcançou diversas instituições universitárias brasileiras, tendo o Prof. Pfeiffer ocupado um papel central na implantação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), particularmente na criação do Laboratório de Ciências Ambientais.

Em reconhecimento a esta contribuição do Prof Pfeiffer no lançamento dos seus alicerces institucionais e científicos,  a Uenf o homenageou dando o seu nome Laboratório Experimental (base de campo) que a universidade possui no interior da Reserva Biológica União que está localizada no município de Casimiro de Abreu.

wolf

Tive a oportunidade de conhecer e conviver  com o Prof. Pfeiffer  no final da década de 1980 quando ele gentilmente me possibilitou realizar no seu laboratório as análises de metais pesados nas amostras de chuva que terminaram compondo a minha dissertação de Mestrado que foi defendida em 1990 no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFRJ. Desta interação pude notar a sua profunda paixão pela ciência e, em particular, pelo Brasil.  Em função disso, pude compreender o tipo de comprometimento que se demanda daqueles que adentram os sinuosos caminhos da Ciência com a intenção de efetivamente contribuir para o avanço do conhecimento.

Que a memória do Prof. Pfeiffer continue inspirando aqueles que irão continuar o seu esforço em prol do desenvolvimento da ciência brasileira.

UFRJ sediará simpósio sobre “Mídia, estado, democracia”

Nos dias 24 e 25 de Outubro ocorrerá o simpósio “Mídia, estado, democracia” no Salão Nobre do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ.  O evento contará com mesas redondas na parte da manhã, de tarde e de noite (ver cartaz abaixo).

cartaz

Este evento é uma realização do Laboratório de Pesquisa e Práticas de Ensino de História (LPPE) do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UERJ, do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Sobre a África, Ásia e as Relações Sul-Sul (NIEAAS), do Departamento de Ciência Política da UFRJ, e do Núcleo de Estudos de História Política da América Latina (NEHPAL) da UFRRJ

Segundo  o site do simpósio, o evento têm o objetivo de ampliar a consciência crítica sobre um tema que tem tido um papel fundamental no contexto político atual não apenas nacional, como em todo mundo, onde a mídia tem assumido um papel preponderante e que merece uma reflexão mais profunda de seus efeitos.

Os interessados em participar das atividades programadas para este seminário podem se informar Aqui!

A essência do pensamento Temer(ário): “quem não tem dinheiro não faz universidade”

mar-2

Acabando de chegar aos 56 anos de idade não tenho muita ilusão na disposição das elites deste país em investir para oferecer educação de qualidade para a maioria pobre da nossa população. É que já estou há muito tempo tratando com parlamentares e (des) governantes para saber que educar a população não é de nem longe um objetivo que eles persigam com sinceridade. Aliás, muito pelo contrário.

Mas antes de chegar ao ponto central desta postagem me permitam compartilhar um pouco da minha história pessoal.  Sou o primeiro dos cinco filhos de um casal típico da classe trabalhadora tradicional: meu pai emigrou para o meio urbano em 1954 e teve o seu apogeu ocupacional na função de mestre de tubulação, apesar de ter tido apenas poucos anos de educação formal. Já a minha mãe passou boa parte de sua a vida cuidando da casa lotada de filhos, com todas as tarefas de quem não tinha um empregada doméstica.

Com esse perfil familiar comecei a trabalhar com 12 anos e tive meu primeiro registro de carteira profissional assinado aos 15 anos. Aos 18 anos decidi que não seguiria a carreira de bancáro (sim naquela época havia essa carreira) e me mandei para o Rio de Janeiro para cursar um curso de bacharelado em Meteorologia na UFRJ. Como aquela não era a minha praia, mudei para o curso de Geografia e permaneci na universidade até o final do mestrado, quando fui para os EUA trabalhar no Laboratório Nacional de Oak Ridge que fica no estado do Tennessee. Como já estava lá, aproveitei uma oportunidade e cursei um doutorado na Virginia Polytechnic Institute and State University. Ao voltar para o Brasil logo fui contratado para trabalhar na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf).

Para muitos áulicos do capitalismo, eu posso ser uma daquelas provas de que o sistema premia quem trabalha, independente de onde se começa. Eu já penso que sou uma rara exceção, pois existem no Brasil milhões de jovens com o meu perfil social original que jamais sonharão sequer em entrar numa universidade pública, muito menos cursar um doutorado numa boa universidade estadunidense.

Muitos poderão se perguntar sobre as causas de eu ter sido uma exceção. Eu começo dizendo que provavelmente o fato de eu ser branco, já que apesar de ter crescido pobre, eu nunca tive que esconder onde eu morava dado que minha aparência física era de classe média. Além disso, tive uma forte demanda familiar para estudar já que não fazer isso seria considerado uma afronta à disciplina, o que normalmente era punido severamente. Mas eu também tive a extrema felicidade de encontrar pessoas que me incentivaram a exceder as minhas expectativas sociais. Aí entraram vários professores que sempre me empurraram com a doação de livros que eu jamais poderia comprar.  Entre estes muitos apoiadores uma das pessoas fundamentais foi o primeiro orientador, Prof. Irving Foster Brown, que abriu diversas portas importantes, desde a Iniciação Científica até o Doutorado.

Mas em que pese tudo isso, eu sou sim uma exceção. Mas se sou exceção, qual é a regra? A regra é que a maioria nossas crianças e jovens pobres (a maioria negra) está destinada a não ter as oportunidades que eu tive, tendo que se preocupar mais em chegar ao próximo dia sem ser aniquilada, seja pelo aparelho de repressão do Estado, pelo narcotráfico ou pelas milicias. Quando sobrevivem a tudo isso, essa maioria tem sido historicamente impedida de sonhar com um futuro melhor para sí e para seus descendentes.

Entretanto, o que já é ruim está para piorar. É que com a aprovação da PEC 241 estão aparecendo aqueles que dizem com todas as letras quais são os seus planos para a  nossa juventude. Não basta para eles congelar os investimentos em educação, eles querem mais, muito mais. Vejamos, por exemplo, o caso do Nelson Marquezelli (PTB-SP) que afirmou antes da votação da PEC 241 que “quem não tem dinheiro não faz universidade” (Aqui!).  E quem é o deputado Marquezelli?  Ora, um dos muitos políticos paulistas implicados no “Escândalo da Merenda” que roubou milhões de reais dos cofres públicos que deveriam ser usados para alimentar estudantes da rede pública de ensino (Aqui!).

Alguém se surpreende com essa dupla moral? Eu particularmente não. Mas mais do que mostrar a contradição entre quem defende cortes na educação para conter o déficit público para depois ser relacionado ao achaque à coisa pública, o que o caso do deputado Marquezelli bem exemplifica é o fato de que as elites brasileiras estão se lixando para o futuro de milhões de jovens brasileiros, ainda que isto apareça sob o manto de um neoberalismo tosco.

E que ninguém se engane. Se continuarmos apenas assistindo ao desmanche dos poucos avanços que foram trazidos pela Constituição Federal de 1988, daqui a pouco vai tentar a anular a Lei Áurea. É que a disposição social regressiva das elites não tem fim. Simples assim!

Para quem desejar assistir ao vídeo já célebre onde o deputado Nelson Marquezelli discorre suas ideias sobre quem pode ou não estudar, basta clicar (Aqui!)

Divulgando a Jornada de Lutas contra os Jogos da Exclusão  de 01 a 05/08 na cidade do Rio de Janeiro

jornada 0

A Rio 2016 já vai começar e o (não)legado está claro. Uma cidade segregada, na qual bilhões são gastos, com qual resultado? Juventude negra sendo morta nas favelas, colapso do transporte, Estado quebrado sem pagar salários e golpe no governo federal para garantir ainda mais dinheiro na repressão.

A lista de violações é grande, mas a resistência também será! Na Copa das Confederações em 2013 e na Copa do Mundo em 2014 estávamos nas ruas e agora voltaremos à luta contra todas as violações cometidas em nome dos megaeventos!

De 1 a 5 de agosto: JORNADA DE LUTAS CONTRA RIO 2016, OS JOGOS DA EXCLUSÃO.

jornada

Serão cinco dias intensos de atividades, culminando em um grande ato no dia da abertura dos Jogos.

Abaixo a programação que começa na segunda- feira (01/08) c0m a Vigília da Dignidade, que ocorrerá das 14h às 21h, no Centro do Rio, e continuará no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) da UFRJ de 02 a 04/08

jornada 1jornada 2jornada 3jornada 4

E lembrando que, no dia 05/08 haverá o Ato “Rio 2016 – Os Jogos da Exclusão”

Em uma cidade onde o abismo da desigualdade cresce cada vez mais, a base de tratores, tiros e bombas, é fundamental prosseguir e avançar na luta pelo direito à cidade, pela democracia e pela justiça social.

Vamos denunciar este projeto de cidade segregada, Rio Olimpíada 2016: os Jogos da Exclusão!

FONTE: https://www.facebook.com/events/1763662637246720/

Sinal de luz na academia: UFRJ lança frente em defesa do MCTI

foto4a

Ainda que de forma mais lenta e com menor cobertura midiática, começou a reação da comunidade científica contra a extinção do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) pelo presidente interino Michel Temer.

Uma mostra dessa reação se deu a partir da criação da “Frente da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) contra a extinção do MCTI”, e que mereceu até uma nota bem formulada por parte da reitoria da principal instituição de ensino superior no âmbito federal (Aqui!) que foi emitida no dia 25 de maio.

A extinção do MCTI, como bem aponta a nota da reitoria da UFRJ, representa uma grave ameaça de retrocesso no ainda tenro processo de desenvolvimento de uma comunidade científica capaz de produzir conhecimento autônomo e útil para a formulação de uma política de inovação tecnológica que nos permita superar o eterno ciclo de dependência na exportação de commodities agrícolas e minerais.

Aliás, como já frisei aqui neste blog, a opção adotada pelo governo da República Popular da China, que também enfrenta problemas de natureza econômica e política por causa do atual ciclo de crise do sistema capitalista, foi no sentido completamente inverso do adotado pelo governo interino do Brasil. Lá na China, no lugar de cortar investimentos, a decisão foi de aumentar em 70% o orçamento do ministério das Ciências. E, curiosamente, fortalecer o ensino de Filosofia e Sociologia, o que também contraria as tendências sendo observadas no Brasil, onde essas disciplinas são completamente desvalorizadas.

Mas voltando à Frente em defesa do MCTI, é necessário que a comunidade cientifica e as múltiplas sociedades e associações científicas saiam da postura vacilante (para não dizer omissa) que marcou as primeiras semanas sem a existência de um ministério próprio da área.  Essa postura vacilante está em direto contraste com o que se viu por parte da comunidade artística, onde ocupações e atos de figuras de proa forçaram um recuo do governo interino.  

A verdade é que não se trata apenas de defender a existência de um ministério que já se mostrou importante na estruturação de uma política de estado para o fortalecimento da ciência nacional. É que, por detrás da extinção do MCTI, há uma clara opção pelo enfraquecimento dos centros de pesquisa e das universidades públicas que garantem quase a totalidade do que é produzido em ciência, tecnologia e inovação no Brasil. Não entender isso poderá nos remeter aos primórdios do Século XIX quando, sob a tutela de Portugal, vivíamos nas trevas, enquanto em nosso redor já existiam universidades consolidadas, como no caso do Peru onde a Universidad de San Marcos foi fundada pelos conquistadores espanhóis já em 1551!

Abaixo um vídeo com um depoimento do Prof. Ildeu Moreira, vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência sobre as potenciais perdas que serão ocasionadas pela extinção do MCTI.

Equipe de pesquisadores da UENF e da UFRJ faz coletas entre Regência e Mariana para estudar os impactos ambientais do incidente da Samarco (Vale+ BHP Billiton)

redenção 0000

Uma equipe de pesquisadores ligados ao Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e do Laboratório de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) realizou um périplo entre Regência (ES) e Mariana (MG) para coletar amostras de água e sedimentos do Rio Doce. A intenção desta expediência científica foi coletar material para realizar um estudo de amplo espectro acerca dos impactos físico-químicas que o rejeitos que escaparam da represa da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton) deverão ter sobre o sistemas bióticos e abióticos dentro do Rio Doce e seus afluentes diretos.  

A expectativa em torno dos resultados dessa expedição e do potencial que a mesma possui para que se estabelece um entendimento científico qualificado do que efetivamente ocorreu em Mariana se dá pelo fato não apenas por causa da alta capacidade analítica instalada nos dois laboratórios, mas também porque os pesquisadores envolvidos possuem longa experiência em pesquisas que relacionam diferentes compartimentos ambientais.

Uma informação que me deixou surpreso foi de que durante a visita à área onde fica a barragem Fundão, os pesquisadores verificaram que o vazamento dos rejeitos ainda não havia sido totalmente controlado e que ainda havia material escapando para a calha do Rio Doce quase 20 dias após o início do incidente no distrito de Bento Rodrigues. Essa é uma informação muito importante, mas que estranhamente não vem aparecendo na cobertura da mídia corporativa.  

A continuidade do vazamento dos rejeitos, ainda que em volume muito menor ao que ocorreu nos primeiros dias do incidente, levanta uma série de questões sobre a efetiva amplitude do derrame de rejeitos, seja em quantidade de material, mas também no tocante na distribuição temporal do problema. É que somadas as dimensões de tempo e espaço, o que pode se ter para começo de conversa é que quaisquer sinalizações de que o problema já foi superado serão precoces, levando a erros de estimativa, por exemplo, no tratamento da água que será disponibilizada à população dos municípios atingidos pelo tsunami de rejeitos. Além disso, a ampliação do duração do evento também deverá trazer complicações para o início da recuperação da fauna e da flora que foram e estão sendo duramente atingidos pelo derrame de rejeitos.