Estudo realizado por parceria UENF e UFRJ mostra impactos ampliados do Tsulama da Samarco

Enquanto a mídia corporativa brasileira já esqueceu o maior desastre da mineração mundial em mais de 300 anos, a comunidade científica continua produzindo estudos que revelam um alcance ainda maior dos impactos associados ao Tsulama da Mineradora Samarco (Vale+ BHP Billiton).

A matéria abaixo, produzida pela Assessoria de Imprensa da COPPE/UFRJ, mostra que mais de 3 anos após a ocorrência do Tsulama,  ainda existem impactos sobre o ambiente e à saúde humana, afetando a vida de dos 340 mil habitantes da região impactada pelo incidente causado pela ganância por lucros de duas das maiores mineradores do planeta, sobretudo na estação chuvosa.

O interessante é que a produção das evidências científicas do impacto continuado do Tsulama da Samarco (Vale+BHP Billiton) ocorre de forma simultânea à vitória das mineradoras na justiça mineira que concordou em recalcular os valores que deverão ser pagos a mais de 1.500 atingidos. Como se vê pelos resultados das pesquisas conjuntas da UFRJ e da UENF, estes valores deveriam ser é majorados.

Pesquisa desenvolvida na Coppe revela novos impactos do desastre ambiental de Mariana

Um projeto interdisciplinar de pesquisa derivado da dissertação de mestrado da aluna da Coppe/UFRJ Marcelle Cândido Cordeiro revelou que os rejeitos de mineração, levados ao rio Doce após o desastre de 2015, ainda causam impacto ambiental e risco à saúde dos 340 mil habitantes da região, sobretudo na estação chuvosa.  Sob a coordenação do professor Fabiano Thompson, do Programa de Engenharia de Produção (PEP) da Coppe, o estudo ganhou visibilidade internacional, com a publicação do artigo Insights on the fresh water microbiomes metabolic changes associated with the world’s largest mining disaster, no periódico Science of the Total Environment, no último mês de novembro [1].

A pesquisa aponta que a maior parte dos 45 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração que se depositou no leito e nas margens do rio Doce e afluentes da sua bacia hídrica, como os rios Carmo e Gualaxo do Norte, não é inerte. O rejeito é rico em nitrogênio e ferro. Este elemento favorece a multiplicação de bactérias nocivas à saúde, sobretudo no verão, quando as chuvas mais frequentes revolvem os sedimentos do leito dos rios.

O estudo é um dos produtos da dissertação de mestrado da aluna do PEP, Marcelle Cândido Cordeiro, intitulada “Qualidade das águas e diversidade microbiana do Rio Doce após o rompimento da barragem do Fundão”, sob a orientação dos professores Fabiano Thompson, da Coppe, e Gizele Duarte Garcia, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais e Conservação (PPG-CiAC) da UFRJ, sediado no polo de Macaé.

O estudo reuniu pesquisadores da Coppe, do Instituto de Biologia e do Instituto de Microbiologia da UFRJ, e também do Laboratório de Ciências Ambientais da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Para chegar a este resultado, os pesquisadores realizaram três expedições, recolhendo amostras em 16 pontos ao longo do rio Doce: Bento Rodrigues; Camargo Ponte Caída; rio Gualaxo; rio Carmo; rio Piranga; São José do Goiabal; Bom Jesus do Galho; Ipatinga; Governador Valadares; Tumiritinga; Resplendor; Aimorés; Baixo Guandu; Mascarenhas; Colatina; e Linhares. Estudos anteriores abordaram os impactos ambientais do desastre, mas este é o primeiro a avaliar os efeitos na diversidade microbiana ao longo do rio Doce.
 

Técnica inovadora para análise de amostras genéticas

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As coletas foram realizadas em novembro de 2015, logo após o desastre, em maio e em setembro de 2016. No Núcleo Professor Rogerio Valle de Produção Sustentável (Sage) da Coppe, o material recolhido passou pela análise físico-química e microbiológica, em especial por uma técnica inovadora denominada metagenômica, que permite estudar todos microrganismos presentes em uma amostra, utilizando fragmentos de DNA, sem a necessidade de cultivá-los.

“Por meio dessa análise de metagenômica conseguimos detectar a influência do rejeito na microbiota da água do Rio Doce. A lama não foi inerte, ao contrário do que se dizia, ela favoreceu alguns grupos microbianos. A técnica permite identificar os grupos taxonômicos e o potencial metabólico e funcional da amostra. Recuperamos onze genomas completos de micróbios, e verificamos os metabolismos que se encontravam em maior concentração. Conseguimos encontrar muitos genes relacionados ao metabolismo de ferro e ao de nitrogênio nestes genomas. Mais uma evidência da influência da lama na microbiota da região”, explica Marcelle Cordeiro, doutoranda do Programa de Engenharia de Produção.

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Marcelle Cândido Carneiro, aluna de doutorado da Coppe.

De acordo com Marcelle, também foram usados dados próprios das coletas feitas pelos pesquisadores envolvidos no projeto e também dados públicos do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), que monitoram o rio Doce desde 1997, no âmbito do projeto Águas de Minas. “Em dezembro de 2016, pelos dados secundários do Igam, houve um aumento de turbidez muito maior que a média histórica da região e também 67 vezes maior do que o determinado pelo Conselho Nacional do Meio-Ambiente (Conama). Embora haja leve melhora nos níveis de turbidez, em dezembro de 2017 os valores de turbidez ainda eram 15 vezes maiores do que o limite (100 NTU) preconizado pelo Conama. Usamos como referencial a resolução 357 do Conama que estabelece o padrão mínimo de qualidade da água de acordo com o uso preponderante da mesma”, esclarece.

Em 2018, não há dados disponíveis. “Mas o nível continua sendo muito acima do tolerável, e não há previsão de quando será atingido um patamar seguro para o consumo. Além disso, as chuvas revolvem o solo e o material que suspende aumenta a turbidez da água e há aumento significativo na concentração de cianobactérias, anterobactérias, nutrientes orgânicos, inorgânicos, metais. É uma ameaça à saúde humana”, avalia o professor Fabiano Thompson.

Segundo a aluna da Coppe, o rio Doce é considerado Classe 2 pelo Conama, o que permite o uso de suas águas para consumo após tratamento, fins recreativos, pesca, irrigação de hortaliças. “Mas encontramos concentrações muito acima do nível de turbidez, o que acarreta prejuízo de todas essas atividades. Outra coisa foi o aumento no número de genes relacionados à virulência, isso é indicativo do risco à saúde humana, causado pelo derramamento de lama após o rompimento da barragem em Mariana”, explica a pesquisadora.

A microbiota avaliada pelos pesquisadores indicou a forte presença de metabólitos de ferro e nitrogênio, o que, segundo Marcelle, sugere a presença de nitrogênio no rejeito. Os pesquisadores utilizaram como parâmetro para comparação o rio Paraguaçu, cujo bioma é similar ao rio Doce. “A concentração deste grupo microbiano no rio Paraguaçu é muito inferior, o que reforça a conclusão de que a proliferação destes microrganismos decorre da deposição de ferro e nitrogênio no leito e nas margens do rio, na enxurrada que seguiu ao rompimento da barragem”.

Ameaça à saúde humana

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Professor Fabiano Thompson, do Programa de Engenharia de Produção (PEP) da Coppe

Na opinião do professor da Coppe (foto acima, o monitoramento das águas é um passo fundamental para avaliar as medidas subsequentes, dentre as quais as alternativas para o tratamento avançado das águas do rio Doce. “O monitoramento permite também que se faça a análise comparativa com os cenários passados e a projeção do futuro, a partir deste ambiente doente para o ambiente saudável, biodiverso, que permita filtrar o material causador da turbidez”, explica.

O professor destaca ainda a importância do uso da metagenômica no estudo. “Se não tivéssemos feito a análise de metagenômica, não teríamos constatado a importância do nitrogênio, e a proliferação de genes ligados ao seu metabolismo. Ou seja, mesmo que haja escamoteamento do que foi, de fato, liberado na enxurrada de rejeitos de mineração, a metagenômica age como uma análise forense. Essa nova técnica faz com que o próprio Conama precise atualizar os seus parâmetros, que embora úteis, certamente não capturam a totalidade de interferências antropogênicas e industrais no ambientes. É preciso dar respostas ágeis, confiáveis e independentes para a recuperação do rio Doce”, avalia Thompson.

Segundo o professor, os relatos da população local sobre problemas de saúde variados, tanto agudos quanto crônicos, reforçam a percepção acerca dos problemas ambientais existentes.

Fonte: COPPE/UFRJ

LEHC UFRJ lança quinta edição do Boletim de Conjuntura: Eleições 2018 – América Latina e Europa

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Por Pedro Martinez

O ano de 2018 até o momento representa um ponto marcante nas duas regiões que são tema desse boletim. Tanto na América Latina quanto na Europa processos eleitorais representam parte da remoldagem uma conjuntura que está sendo analisada há três anos pelo Laboratório de estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro nesse periódico.

No primeiro artigo, Carlos Serrano passa pelos processos eleitorais europeus a partir do avanço de partidos e movimentos de extrema direita, muitas vezes substituindo ou ameaçando uma hegemonia bipartidária.

Seguimos com três artigos sobre países na América Latina aonde processos políticos distintos estão em marcha: No Brasil,  Carlos Eduardo Martins analisa o fenômeno da popularidade de Bolsonaro e um processo de escalada do fascismo no maior país da américa do sul. Na Venezuela, a consolidação do governo de Nicolás Maduro após constituinte e eleição são o tema do artigo de Mayra Goulart com Beatriz Lourenço e Júlio Cesar Pereira de Carvalho.

Joana Coutinho analisa a eleição de López Obrador no México, o quê representa a maior vitória dos campos progressistas na América Latina no ano.

Por fim, Ísis Camarinha e Pedro Martinez apresentam um mapeamento de governos e regimes a partir do cenário eleitoral desse ano.

Quem desejar baixar a 5a. edição do Boletim de Conjuntura do LEHC UFRJ, basta cliar [Aqui!]

SEMINÁRIO UFRJ: Política do Petróleo, Educação, Ciência Tecnologia e Saúde

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O que significa a descoberta e exploração das reservas de petróleo do Pré-sal para o desenvolvimento do País e de nosso povo? Os recursos advindos dessa riqueza descoberta por brasileiros, com tecnologia brasileira precisam ser entregues para empresas estrangeiras?

O que significa Cessão Onerosa? Contrato de Partilha? Os recursos do Pré-sal serão mesmo alocados para as áreas de Educação, Saúde, Ciência e Tecnologia? Qual o real montante desses recursos? Como dar continuidade ao papel da Petrobras como instrumento estratégico do desenvolvimento brasileiro?

Qual a Política de Petróleo que realmente interessa ao Brasil?
A Universidade não pode se omitir e precisamos discutir com urgência a Política Nacional do Petróleo e a destinação dos seus recursos.

Mais do que convidar, estamos convocando e mobilizando todo o corpo social da UFRJ para discutir, conhecer e, se for necessário, resistir aos rumos atuais que estão impondo à nossa Política do Petróleo e à Petrobras.

Vamos todos, Professores, funcionários técnico-administrativos em Educação, estudantes de graduação e pós-graduação, organizações da sociedade civil, sindicatos, associações de classe e o público em geral debater, questionar e encontrar respostas!!!

PROGRAMAÇÃO

8:00 as 8:30 – Recepção com Café da manhã
8:30 às 10:05 – Mesa de Abertura – Estado e Política do Petróleo. O Papel da Universidade.
Presidente da Mesa – Professor Roberto Leher (Reitor da UFRJ)
Arthur Raguso – Diretor de Formação da Federação Única dos Petroleiros
Prof. Luiz Pinguelli Rosa (COPPE/UFRJ).
Guilherme Estrela – Geólogo, Ex diretor de Exploração e Produção da Petrobrás.

10:05 às 10:35 – Debate com os participantes

10:35 às 10:45 – Intervalo para troca da mesa

10:45- as 12:05 – Mesa Redonda: Política do Petróleo e Orçamento Federal. Recursos para Educação, Ciência, Tecnologia e Saúde. Royalties, Fundo Social e Pré-sal, Fundos Setoriais, Dívida Pública.
Presidente da Mesa – Prof. Carlos Levi da Conceição (Ex-Reitor da UFRJ)
Prof. Eduardo Costa Pinto(I.E./UFRJ)
Prof. Roberto Leher (Reitor / UFRJ)
Profa. Esther Dweck (I.E./UFRJ)

12:05 às 12:35 – Debate com a plateia

12:35 – Encerramento

Realização:
Reitoria da UFRJ
Fórum de Ciência e Cultura – FCC

Apoio: DCE Mário Prata, ADUFRJ, SINTUFRJ
Detalhes do evento:

Dia(s): 18/09/2018
Horário: 8:30 – 13:00

Local: Auditório CGTEC-CT2
R. Moniz de Aragão, 360 – Cidade Universitária/Ilha do Fundão
Rio de Janeiro – CEP 23058-440

Evento Gratuito
Sem inscrição

http://ufrj.br
contato: jessicalemos.ufrj@gmail.com
Telefone de contato: 021-3938-2722

Coordenadoria de Comunicação da UFRJ

Sérgio Sá Leitão Filho, o ministro que é a cara do governo Temer

Sa Leitao, the new Minister of Culture gestures during his inauguration ceremony, at the Planalto Palace, in Brasilia

Estou atualmente em Portugal para um período de pesquisas no Centro de Pesquisas em Ecologia, Evolução e Mudanças Ambientais da Universidade de Lisboa. Nessa condição fui hoje inquirido pela supervisora sobre como o dito ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão Filho, não ter sido imediatamente demitido após o incêndio que devorou mais de 90% do acervo do Museu Nacional. 

Esse tipo de pergunta está sendo feito por todos os cantos da Europa, na medida em que parece impensável por aqui que um ministro não seja demitido depois de um incidente tão grave como o que acometeu o Museu Nacional.

Mas ainda bem que não havia ainda lido a entrevista publicada pela rede inglesa BBC onde o ministro Sá Leitão Filho não só se exime das suas responsabilidades, como joga o problema para os anos de governo do PT e para a reitoria da UFRJ [1]. 

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Não fosse Sá Leitão Filho um quadro egresso PT,  o qual ascendeu ao cargo muito em função trajetória que lhe foi construída nos anos dourados de Lula no Palácio Planalto, a coisa já seria feia. Mas o fato é que os dados apresentados pelo ainda ministro para defender sua gestão são tão frágeis que não resistem a um exame que seja minimamente crítico. Teria sido mais honesto e corajoso dizer que ele dirige um ministério de fachada e que nessa condição ele apenas cumpre a parte ritualística do cargo, não tendo capacidade real de resolver qualquer problema que seja.

Entretanto, honestidade e coragem não são definitivamente características fáceis de serem encontradas dentro do governo “de facto” de Michel Temer.  Aliás, muito pelo contrário. O que transparece na fala de cada componente desse governo ilegítimo é a capacidade para fazer troça com a desgraça estabelecida no Brasil.  Nesse sentido, Sérgio Sá Leitão Filho é mais do que ninguém a cara do governo Temer. Sem tirar, nem por.


[1] https://www.bbc.com/portuguese/brasil-45398965

Museu Nacional e o incêndio que é a cara do Brasil

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Estive incontáveis vezes no Museu Nacional da Quinta da Boa Vista nos anos em que morei na cidade do Rio de Janeiro. Para mim aquele local sempre trazia descobertas incríveis em cada uma das visitas, e na minha memória estão fixadas imagens e aromas das coleções que viraram cinza na noite deste domingo (02/09) (ver vídeo abaixo).

A culpa por este incêndio é de tantas pessoas que não dá para apontar o dedo apenas para o atual ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão Filho, ainda que ele tenha o seu quinhão de responsabilidade. Aliás, pensando bem, a culpa por este incêndio que extermina coleções inteiras e transforma em cinzas um rico patrimônio histórico e cultural do povo brasileiro não é apenas de pessoas, mas também de instituições e empresas.

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Agora que tudo foi transformado em cinza, aparecerão políticos de diferentes matizes para nos oferecer um lamento cínico. Mas os deputados federais e senadores do Rio de Janeiro que votaram na chamada PEC dos gastos têm uma parcela não desprezível de culpa nessa catástrofe para a memória nacional. E o “ainda (des) governador” Luiz Fernando Pezão e seus (des) governo mambembe que torraram bilhões em isenções fiscais, mas que nunca se lembraram de, por exemplo, exigir contrapartidas das empresas beneficiadas com a farra feita com o dinheiro do povo do Rio de Janeiro para a conservação dos diversos museus existentes no território fluminense?

Mas não nos esqueçamos dos ultrarricos brasileiros que vivem pedindo “estado mínimo” enquanto acumulam fortunas imensas, mas que nunca se deram ao trabalho de oferecer doações para o Museu Nacional conduzir as reformas que estão bloqueadas pela asfixia financeira imposta à Universidade Federal do Rio de Janeiro por seguidos governos e suas agendas neoliberais.  A começar pelas “fundações” mantidas por banqueiros, que acumulam bilhões de reais em fortunas apenas para fazer projetos pontuais e insignificantes, os ultrarricos brasileiros adoram pisar e se deixarem fotografar em museus europeus, mas abominam a possibilidade de que os pobres do Rio de Janeiro possam ter a mesma possibilidade em sua própria cidade. 

A verdade é que o incêndio que acaba de destruir o Museu Nacional é ao mesmo um tempo uma síntese de tudo o que está acontecendo de errado neste momento no Brasil, mas também uma espécie de janela para o futuro que queremos.  Em função disso, não há como ficar calado diante da enormidade do crime que acaba de ser cometido contra a cultura e a ciência no Brasil (sim, porque o Museu Nacional também era um ponto focal para a pesquisa antropológica no nosso país). 

Diante do tamanho do desastre que foi criado, temos não apenas que protestar, mas também exigir recursos não apenas para reconstituir o prédio e as coleções do Museu Nacional mas, mais importante ainda,  para evitar que outros casos se repitam, já que outros museus federais correm o mesmo risco neste momento em todo o Brasil, a começar pelos que ainda estão em pé na cidade do Rio de Janeiro (por ex: Museu Histórico Nacional, o Museu da República, o Museu de Belas Artes, a Casa de Rui Barbosa, Museu de Ciências da Terra).

E antes que eu me esqueça: Fora Temer!

 

 

Sou uma testemunha viva do poder transformador da universidade pública

Defender seu caráter gratuito é minha obrigação

Há quem não entenda o papel das universidades públicas e gratuitas na vida de estudantes pobres. Pois bem, mexendo em coisas pessoais guardadas numa mala durante uma pintura da casa onde moro, encontrei o certificado de ex-morador do Alojamento de Estudantes da UFRJ, assinado pelo senhor Alberto Claudio dos Santos.

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Este certificado mostra mais do que meu tempo de moradia, pois o aprendizado que tive lá carreguei até comigo. Por ser devedor das futuras gerações é que não posso deixar de me indignar com os partidos políticos que querem negar a outros jovens pobres, a mesma oportunidade que me foi dada pela UFRJ e pelo seu alojamento estudantil.

E quem me vê hoje como professor universitário detentor de um título de doutor numa boa universidade estadunidense, pode até querer me apontar com um exemplo de que a chamada meritocracia capitalista funciona.  Nada mais longe da verdade, pois se não fosse pelo investimento feito em mim pelo Estado e muitas pessoas que se solidarizam com o meu esforço ao longo dos meus anos de formação universitária, eu certamente não teria conseguido alcançar o que alcancei.

A verdade nua e crua é que quem corta gastos em investimentos em educação pública sabe bem o que faz para a imensa massa de jovens pobres, que é decretar uma vida longe da plenitude de oportunidades que é reservada aos filhos das elites brasileiras.

Por isso, defender as universidades públicas é uma obrigação de todos aqueles que querem um futuro melhor para a imensa maioria da população brasileira que, na maioria das vezes, só passa pelas universidades para construir prédios, limpar o chão e proteger os que lá estão.

E, sim, negue seu voto a quem vier com propostas que coloquem em perigo o caráter gratuito das universidades públicas. A começar pelo senhor Geraldo Alckmin que já declarou que irá instalar a cobrança de mensalidades nos cursos de pós-graduação!

Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ promove curso sobre “Ciência, política e pós-verdade”

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A noção de pós-verdade, até pouco tempo, encontrava-se restrita a pequenos círculos,
constituídos, majoritariamente, por membros da academia ou da intelectualidade. Contudo, e por razões que ainda estão por ser conhecidas, tal noção passou a ser objeto de discussões fora dos limites do circuito universitário. Tais discussões vêm acompanhadas de um sentimento negativo sobre a pós–verdade. Isso porque ela é vista como a responsável pelo enfraquecimento de valores e perspectivas caros à chamada sociedade ocidental, especificamente aqueles que contribuíram para que a ciência
desfrutasse da reputação que teve até recentemente. Não podemos desconsiderar as consequências políticas da disseminação dessa noção. Se, provavelmente, sua disseminação é explicada pelo respaldo dado a relativistas, pluralistas, multiculturalistas – entre outras vertentes –, nos dias de hoje, aquelesque empregam a noção de pós-verdade o fazem contra tais perspectivas.

Este curso discutirá a seguinte questão: em que medida a noção de pós-verdade tornou-se conhe-cida, não apenas no circuito acadêmico-universitário, mas, sobretudo, na sociedade em geral? De forma mais precisa, queremos entender como as críticas que a ciência vem recebendo desde, pelo menos, a década de 1960, contribuíram para a disseminação da pós-verdade. Em particular, pretende-se analisar se a simplificação do relativismo pode ser entendida como um dos principais fatores responsáveis pelo enfraquecimento da crença na ciência e pelo fortalecimento da noção de pós-verdade.

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