Parceria entre WWF-Brasil e International Paper viabiliza plantio de mudas nativas em propriedades de São Paulo e Minas Gerais

copaibaGerminação de sementes da árvore Copaíba – viveiro de mudas da ONG Copaíba em Socorro (SP) – Crédito: Adriano Gambarini / WWF-Brasil

Proprietários rurais que atuam na região da Mata Atlântica, entre os estados de São Paulo e Minas Gerais, estão contando com apoio técnico e suporte para restauração florestal em suas propriedades. Trata-se do programa Raízes do Mogi Guaçu, uma cooperação de quatro anos firmada entre a International Paper e o WWF-Brasil que visa superar os conhecidos obstáculos, como a falta de apoio técnico à restauração com espécies nativas. A execução é feita pela Associação Ambientalista Copaíba e IFEAC, empresa júnior do Instituto Federal Sul de Minas – Núcleo Inconfidentes, referência em restauração ecológica.

A expectativa dessa atuação em rede é que, até 2024, sejam restaurados pelo menos 200 hectares no entorno das nascentes e áreas ripárias do Rio Mogi Guaçu entre o Sul de Minas e São Paulo. O objetivo final é garantir condições para a provisão e resiliência hídrica das propriedades da região e da bacia hidrográfica como um todo.

Edegar de Oliveira, diretor de conservação e restauração do WWF-Brasil, afirma que o projeto aponta para a importância da colaboração entre iniciativa privada, produtores, institutos de pesquisa e sociedade civil para resgatar serviços ecossistêmicos fundamentais. “Essa atuação conjunta em uma agenda tão inspiradora, a restauração ecológica, é um passo na construção de um legado em cada propriedade e na bacia como um todo, beneficiando não só os produtores, mas toda a região atendida pelo Mogi”, comenta.

A iniciativa está inserida na Década da Restauração de Ecossistemas, instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), que propõe a adoção de medidas que combatam a crise climática e a perda da biodiversidade, que impactam diretamente na segurança alimentar e hídrica. O programa também conta com a rede de articulação das coalizões do Conservador da Mantiqueira Pacto pela Restauração da Mata Atlântica , no qual o WWF-Brasil faz parte do conselho, ambos com metas ambiciosas para restauração da Mata Atlântica, e que estão em constante troca e aprendizagem com os atores do projeto. Para Daniel Venturi, analista de conservação e restauração do WWF-Brasil, “a ação evidencia a urgência da discussão sobre crise hídrica e a necessidade de recuperação de paisagens indispensáveis para a vida saudável das pessoas que ali habitam e trabalham, dos setores produtivos e da biodiversidade”, ressalta. 

Mariana Claudio, Gerente de Engajamento com a Comunidade & Sustentabilidade da International Paper reforça que a rede de parcerias é a chave para o desenvolvimento sustentável: “O Programa Raízes é para nós, mais do que um projeto, é a forma de expressarmos o nosso propósito. A IP trabalha diariamente para sustentar florestas saudáveis e abundantes a longo prazo. A grande rede de parcerias criadas, o engajamento de todos os envolvidos e os benefícios sociais e ambientais são, para nós, a única forma possível de promover o desenvolvimento sustentável. É muito especial e único poder trabalhar lado a lado com tantos atores diferentes e que acreditam nessa transformação”, afirma.

O programa até agora (março/21) está com 64 hectares em restauração. Aproximadamente 66.000 mudas já foram plantadas e 37 nascentes protegidas pelas equipes da Copaíba, na sub-bacia do Peixe, e pelo IFEAC /IF Sul de Minas Gerais – Núcleo Inconfidentes, na sub-bacia do Alto Mogi. Em parceria com 18 proprietários, diferentes técnicas de restauração foram adotadas em áreas prioritárias para provisão hídrica nos municípios paulistas de Socorro, Serra Negra e Águas de Lindóia, além dos municípios mineiros de Inconfidentes, Bueno Brandão e Monte Sião. Nos relatos de quem participou, destaca-se o impacto positivo sobre a produção de água, bem como a redução no uso de insumos químicos e a obtenção de produtos de maior valor agregado. Além de contarem com uma rede de suporte técnico e de troca de conhecimento.

Ana Paula Balderi, coordenadora da Copaíba enfatiza a facilidade e os benefícios para propriedades que aderem ao projeto. Cabe à Copaíba a produção, plantio das mudas e a articulação com proprietários locais, incluindo o suporte técnico, a entrega de material da cerca, o preparo da terra, o plantio das mudas e as primeiras manutenções. Aos donos de terra que aderem, cabe o apoio com a mão de obra para colocação da cerca e a manutenção da plantação.

Ana lembra que a inclusão do Sul de Minas Gerais, região de fundamental importância para a manutenção dos rios regionais, é um dos pontos que fortalece o Raízes do Mogi Guaçu. “Sempre tivemos ações para desenvolver a restauração em São Paulo, ficamos mais felizes em poder beneficiar o sul mineiro que deságua suas águas no Rio do Peixe, favorecendo a região”.

Outro aspecto importante do projeto é o fato de ser executado com mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, produzidas a partir da coleta de sementes de árvores da própria região, o que assegura inúmeros ganhos, como viabilidade genética, facilidade de adaptação das espécies, contribuindo com a perpetuação da flora local, aumentando a proteção da biodiversidade, recomposição dos habitats naturais, equilíbrio climático, melhora da qualidade do ar, redução de erosão e deslizamentos, além de retenção de poluentes da atmosfera.

Dentre os proprietários que aderiram ao programa estão: Ellen Souza Pinto Fontana, produtora de café especial em Socorro/SP; os sócios Paulo Araújo e Mariana Mota – que investem na produção agroflorestal com cultivo de café especial; José Fernandes – que trabalha com turismo rural sustentável em seus quatro hotéis na região, e André Jardim – que reflorestou uma área para recuperar uma nascente em sua propriedade.

Estudo da WWF mostra que 43 milhões de hectares de floresta tropical foram destruídos entre 2004 e 2017

A avaliação dos dados de satélite de 2004 a 2017 mostra uma perda de floresta tropical que é muito maior do que o tamanho da Alemanha. De acordo com o WWF, cerca de um sexto de todos os alimentos comercializados na União Europeia contribui para o desmatamento nos trópicos

mura tribeMembros da tribo Mura em uma parte desmatada de suas terras tradicionais na Amazônia perto de Humaitá, Amazonas, Brasil, em agosto de 2019. Ueslei Marcelino / Reuters

Segundo cálculos da organização ambientalista WWF, 43 milhões de hectares de floresta tropical foram destruídos nos últimos anos e 24 áreas foram particularmente afetadas. O WWF anunciou na quarta-feira em Berlim que isso se baseia em dados de satélite de 2004 a 2017. A maior perda ocorre na Amazônia no Brasil, Colômbia, Peru, Bolívia, Venezuela e Guiana com 18,3 milhões de hectares. Para colocar em perspectiva: a área da Alemanha é de mais de 35,7 milhões de hectares.

O WWF enfatizou que os consumidores na Alemanha também foram parcialmente culpados pelo desmatamento. “Para o cultivo de soja, cacau e carne bovina importados pela União Europeia (UE), as florestas são freqüentemente destruídas. Cerca de um sexto de todos os alimentos comercializados na UE contribuem para o desmatamento nos trópicos ”, disse o comunicado. “Em vez de apenas apontar o dedo para governos e agricultores em pontos críticos de desmatamento, também temos que tocar em nossos próprios narizes”, disse a gerente do programa florestal do WWF Alemanha, Susanne Winter, de acordo com a informação.

Ela explicou que as florestas tropicais são uma precaução para a saúde dos humanos e da natureza. Por exemplo, eles armazenam carbono e são um habitat importante para espécies animais e vegetais. “Precisamos urgentemente parar o desmatamento, caso contrário, a vida como a conhecemos vai parar”, disse Winter.

Os chamados hotspots de desmatamento também incluem florestas em Bornéu (Indonésia, Malásia), Paraguai, Argentina, Madagascar e Sumatra. Quase metade das florestas remanescentes nesses hotspots também estão gravemente fragmentadas, por exemplo, por estradas ou terras aráveis. “Isso torna a floresta mais suscetível à seca e ao fogo e expulsa as espécies animais que vivem lá.”

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Este artigo foi inicialmente escrito em alemão e publicado pelo “Neue Zürcher Zeitung” [Aqui!].

Exposição virtual de fotos mostra vida, morte e renascimento do Pantanal após queimadas

No Dia do Pantanal (12 de novembro), o WWF-Brasil lança uma exposição internacional de fotos da maior planície úmida do planeta. O conceito da coleção de imagens é mostrar o bioma em três momentos cruciais vividos em 2020: em seu esplendor, durante as queimadas e na fase subsequente, quando o bioma tenta se recuperar. “Pantanal: Vida, Morte e Renascimento” acontece em ambiente virtual e, portanto, está acessível à população dos três países pelos quais o bioma se estende: Brasil, Bolívia e Paraguai.

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A exposição reúne imagens poderosas e emblemáticas da riqueza da biodiversidade e sua emocionante resiliência capturadas pelas lentes de renomados fotógrafos brasileiros, bolivianos e paraguaios, como Araquém Alcântara, André Zumak, Nathália do Valle e Reynaldo Leite Martins Júnior (Brasil), Alejandro de los Rios e Stefflen Reichle (Bolívia) e Lourdes Matoso Mendez e Tatiane Galluppi Selich (Paraguai).

Em seu conjunto, as 24 fotos narram a tragédia que se abateu na região pela conjunção da ação da natureza, na forma da maior seca já registrada desde 1973, com a ação humana, que iniciou os incêndios. Embora exaustivamente expostas pela imprensa, as imagens do período de queimadas ainda são uma forte denúncia da exploração insensata da natureza – denúncia esta que se torna ainda mais forte frente ao contraste de como o bioma se encontrava antes das queimadas.

Mas a exposição visa também ressaltar a capacidade regenerativa do Pantanal e a consequente importância de preservação desse bioma nos próximos anos, notadamente as áreas destruídas em 2020. No acumulado dos dez meses deste ano, 4,2 milhões de hectares foram queimados no Pantanal, equivalentes a quase um terço do bioma – uma área que agora precisa de tempo para se recompor. Diversas imagens da exposição mostram que esse renascimento já começou e alimentam a esperança de que o Pantanal recupere sua pujança.

A exposição também mostra a resiliência dos povos da região. A brasileira Nathália do Valle optou por mostrar os rostos das pessoas que moram no bioma como símbolo de esperança e renascimento. Tatiane Galluppi Selich, por sua vez, retratou um mito da cultura Yshir Ybytoso, que só existe no Pantanal paraguaio e que, assim como o bioma, está ameaçado.

Para os Yshir, Nemurt é um ser poderoso que representa o equilíbrio do mundo através da bengala que ele segura sobre os ombros: se ele ficar cansado e o abaixar, os seres humanos deixarão de existir. A fotógrafa incluiu esta imagem para mostrar a necessidade de respeito pela cultura e tradições ancestrais, que também precisam ser preservadas.

A exposição é realizada em parceria com a Sciacco Studio (https://www.instagram.com/sciaccostudio/) e ficará disponível de 12/11 a 27/11 na plataforma https://bit.ly/ExpoPantanal

P&G anuncia compromisso de ter todas as suas operações carbono neutro nesta década e realizará projeto de restauração da Mata Atlântica no Brasil

Até 2030 a companhia reduzirá emissões de gases de efeito estufa em 50% e chegará a utilizar 100% de eletricidade renovável em todas as fábricas no mundo; parte integral desse esforço é projeto de restauração que inclui Mata Atlântica brasileira

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A P&G acaba de anunciar o compromisso de que todas as suas operações sejam neutras em carbono nesta década, com intervenções de restauração da natureza, uma vez que os próximos dez anos representam uma janela crítica na luta contra o aquecimento global. No período, a P&G se compromete a ir além das metas anteriormente definidas, desenvolvendo projetos de restaurações ambientais. Dentre as iniciativas, a companhia, em parceria com a World Wildlife Fund for Nature (WWF) e a Suzano, traz planos para a Mata Atlântica, no estado do Espírito Santo, com recuperação da paisagem florestal, gerando benefícios para a biodiversidade e as comunidades locais, além de segurança hídrica e captura de carbono.

“A mudança climática está acontecendo e são necessárias ações agora. Ao reduzir nossa pegada de carbono e investir em soluções climáticas naturais, seremos neutros em carbono em todas as nossas operações e ajudaremos a proteger ecossistemas vulneráveis e comunidades em todo o mundo”, diz David Taylor, CEO da P&G. Com base nas estimativas atuais, a companhia precisará equilibrar aproximadamente 30 milhões de toneladas de carbono de 2020 a 2030 e continuará buscando novos projetos eólicos, solares e geotérmicos para acelerar ainda mais a transição para energias renováveis.

Além de sequestrar mais carbono, um aspecto importante dos projetos de restauração é o potencial de gerar outros benefícios ambientais e socioeconômicos significativos, a fim de proteger e aprimorar a natureza, e melhorar os meios de subsistência das comunidades locais.

Junto com a Conservation International e a WWF, a P&G vem trabalhando para identificar e financiar uma série de projetos voltados para proteger, melhorar e restaurar ecossistemas críticos. Adicionalmente ao projeto no Brasil, os demais incluem:

– Evergreen Alliance com a Arbor Day Foundation:reunião de empresas, comunidades e cidadãos em ações críticas para preservar as necessidades das vidas afetadas pelas mudanças climáticas, plantio de árvores no Norte da Califórnia e na Alemanha para restaurar áreas devastadas por incêndios florestais.

– Proteção de Palawan, nas Filipinas, com a Conservation International: para proteger, melhorar e restaurar os manguezais e ecossistemas críticos de Palawan, a quarta área mais “insubstituível” do mundo para a vida selvagem única ameaçada.

No Brasil, a implementação do projeto conta com a experiência da Suzano, parceira da P&G na cadeia produtiva. “Essa aliança representa o olhar de futuro comum que une a Suzano, a P&G e o WWF em torno do desenvolvimento sustentável. A recuperação da Mata Atlântica tem importantes impactos ambientais e sociais positivos para a região e está alinhada com as nossas metas de longo prazo, que visam mitigar os efeitos causadores das mudanças climáticas e contribuir para maior desenvolvimento social das comunidades regionais”, diz Walter Schalka, Presidente da Suzano.

Período crítico

Relatórios recentes destacam que o mundo está abaixo das reduções de emissão de gases de efeito estufa necessárias, e a próxima década representa um período crítico para reduzir as emissões e estar no caminho de limitar o aumento da temperatura em até 1,5° C. Essa tarefa ficará muito mais difícil se a sociedade não começar a reduzir as emissões antes que a década acabe. Em 2050, as emissões de carbono devem cair para zero ou perto disso. A falta de ação agora colocará as gerações futuras em maior risco com os impactos das mudanças climáticas e dificultará o alcance das metas globais do Acordo de Paris.

“A natureza deve ser uma parte essencial de qualquer estratégia para combater a crise climática. Pesquisas mostram que não podemos cumprir nossas metas climáticas, a menos que protejamos, restauremos e melhoremos o gerenciamento de ecossistemas ricos em carbono. Feitos corretamente, esses esforços podem fornecer um terço das reduções de emissões necessárias na próxima década e, principalmente, apoiar os meios de subsistência das comunidades nas linhas de frente das mudanças climáticas. Estamos muito satisfeitos por trabalhar com a P&G para proteger a natureza – um investimento que é uma vitória para as pessoas e para o planeta”, explica Dr. M. Sanjayan, CEO da Conservation International.

“Trabalhamos com a P&G para impulsionar o progresso climático e salvaguardar as florestas, há mais de uma década, porque o escopo de seus negócios significa que eles podem fornecer resultados em uma escala que importa. É importante ressaltar que esse progresso não se limitou à sua presença corporativa. A P&G foi uma das primeiras parceiras da Renewable Energy Buyers Alliance que ajudou a expandir as compras corporativas de energia renovável nos EUA. O anúncio de hoje marca mais progresso, colocando um foco maior no papel que a preservação da natureza pode desempenhar – não apenas na absorção de emissões de carbono, mas no fornecimento de serviços e recursos que sustentam a vida na Terra. Esperamos trabalhar com a P&G para alcançar esses novos compromissos na próxima década”, comenta Carter Roberts, presidente e CEO dos EUA da WWF.

Complementando todos os esforços da P&G em prol do meio ambiente, em conjunto com a National Geographic, uma mesa-redonda com especialistas e líderes ambientais foi realizada para discutir o poder da natureza como uma solução climática. O CEO da P&G, David Taylor; a Chief Sustainability Officer da P&G, Virginie Helias; a CEO da Conservation International, Dr. M. Sanjayan; a CEO da Roberts, Carter Roberts, e defensores do clima, Kehkashan Basu, Jiaxuan Zhang, Vanessa Nakate e Clover Hogan, juntam-se para essa discussão, no dia 16 de julho. Para conferir o conteúdo, acesse http://www.nationalgeographic.com/its-our-home-2020/.

“Nosso papel como líderes é tornar possível uma economia e um estilo de vida com menos emissões, acessíveis e desejáveis ​​para todos. É nossa responsabilidade proteger reservas críticas de carbono e investir em soluções que regenerem nosso planeta. Os consumidores também querem fazer mais para lidar com as mudanças climáticas. Como empresa, tocamos 5 bilhões de pessoas com nossas marcas, estamos nos esforçando para fazer a diferença todos os dias, incentivando o consumo responsável com produtos eficazes e intuitivos, para adotar novos hábitos de menor emissão”, finaliza Virginie Helias, CSO da P&G.

 

França lança plano para evitar desmatamento que pode impactar soja transgênica

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Parcela da Floresta Amazônica desmatada para uso de agricultores. REUTERS/Nacho Doce

Por RFI

O governo francês adotou nesta quarta-feira (14) sua “Estratégia Nacional contra o Desmatamento Importado (SNDI)”. O plano interministerial prometido ao ex-ministro ecologista Nicolas Hulot tem como objetivo oficial “encerrar até 2030 o desmatamento causado pela importação de produtos florestais ou agrícolas não sustentáveis”, o que pode ter impacto na soja transgênica produzida no Brasil e em outros países da América Latina, destinada à alimentação do gado, além do óleo de palma do sudeste da Ásia e o cacau da África.

Um relatório recente da ONG WWF mostrou que nos últimos cinco anos a França contribuiu potencialmente para o desmatamento de 5,1 milhões de hectares apenas com a importação de sete matérias-primas, incluindo a soja, o couro e o dendê. Entre 1990 e 2015, a área florestal do planeta foi reduzida em 129 milhões de hectares, uma superfície equivalente ao dobro do tamanho do território francês. Esse desmatamento é responsável por cerca de 11% das emissões globais de gases de efeito estufa e tem consequências desastrosas para a biodiversidade.

De acordo com cálculos da ONG Envol Vert, divulgados na semana passada, os hábitos de consumo dos franceses (carne, ovos, couro, agrocombustíveis, cacau, borracha etc.) levam a um desmatamento anual massiço.

O plano de 17 medidas propõe uma mudança nas práticas de todos os atores do mercado, começando pelos países produtores dessas matérias-primas. No entanto, a iniciativa não tem caráter vinculante nem prevê sanções.

Monitoramento visual das áreas desmatadas

No início de 2019, será lançada uma plataforma onde as empresas francesas importadoras desse tipo de insumo poderão se informar sobre produtos de origem duvidosa, tendo acesso a dados de controles de fronteira aprimorados, dados alfandegários e de monitoramento por satélite da cobertura florestal. Essa plataforma também terá a missão de desenvolver até 2020 um selo de “desmatamento zero” para orientar os consumidores. O plano não prevê multas ou a proibição de importações, mas aposta numa mudança de mentalidade para reduzir o desmatamento.

As matérias agrícolas visadas inicialmente pelas medidas são soja, óleo de palma, carne bovina, cacau, borracha e madeira. Mas a lista poderá ser acrescida de outros produtos, como café, algodão, cana-de-açúcar, milho e produtos de mineração, em etapas de revisão do dispositivo previstas em 2020 e 2025.

Campanha de imagem

Em relação à soja transgênica utilizada na alimentação do gado, a intenção do governo é promover alternativas, em discussão com os produtores, para alcançar a autonomia proteica a partir de 2030. Mas nada impede que até lá atores públicos, como municípios e regiões, além de empresas, adotem a tática de “nomear para envergonhar” (“name and shame), educando os consumidores para marcas e produtos que não respeitam as florestas, disse o Ministério da Transição Ecológica.

O diretor-geral da WWF na França, Pascal Canfin, felicitou o governo pela “estratégia nacional mais completa produzida até hoje nessa área”. A iniciativa propõe “um ângulo concreto” para enfrentar o declínio da biodiversidade, afirma Canfin, um tema que ainda enfrenta lacunas jurídicas e de conteúdo político e diplomático sensíveis. Segundo Canfin, as mudanças vão depender da capacidade de liderança política e da mobilização da sociedade civil nessa direção.

Já a ONG Greenpeace considerou “tímidos” os avanços do governo e lembrou que o plano não remedia a autorização concedida à petrolídera Total para importar 550 mil toneladas de óleo de palma para sua biorefinaria de La Mède (sul). Clément Senechal, responsável pela campanha de florestas na Greenpeace França, criticou a falta de mecanismos de coerção no plano, nenhuma proibição ou regulação. “Como poderemos freiar o desmatamento dessa forma?”, questionou Senechal.

FONTE: http://br.rfi.fr/franca/20181114-franca-lanca-plano-para-evitar-desmatamento-que-pode-impactar-soja-transgenica?fbclid=IwAR0FrSGr_ODzMxxQ6uFNW4BKZZKyjOnNUVj2NaxEHekBJUB-dMoza5EywTg

 

A humanidade eliminou 60% dos animais desde 1970, segundo relatório

A enorme perda é uma tragédia em si, mas também ameaça a sobrevivência da civilização, dizem os principais cientistas do mundo.

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Gado na floresta amazônica. Fotografia: Michael Nichols / National Geographic / Getty Images

A humanidade eliminou 60% dos mamíferos, aves, peixes e répteis desde 1970, levando os principais especialistas do mundo a alertar que a aniquilação da vida selvagem é agora uma emergência que ameaça a civilização humana.

A nova estimativa do massacre da vida selvagem é feita em um grande relatório produzido pelo WWF e envolvendo 59 cientistas de todo o mundo. O estudo aponta que o vasto e crescente consumo de alimentos e recursos pela população global está destruindo a teia da vida, bilhões de anos em formação, sobre a qual a sociedade humana depende, em última análise, do ar limpo, da água e de tudo mais.

“Estamos sonambulando na beira de um precipício”, disse Mike Barrett, diretor executivo de ciência e conservação da WWF. “Se houvesse um declínio de 60% na população humana, isso equivaleria a esvaziar a América do Norte, a América do Sul, a África, a Europa, a China e a Oceania. Essa é a escala do que fizemos. ”

“Isso é muito mais do que apenas perder as maravilhas da natureza, mas é desesperadoramente triste”, disse ele. “Isso agora está colocando em risco o futuro das pessoas. A natureza não é ‘agradável de ter’ – é o nosso sistema de suporte à vida. ”

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“Estamos ficando rapidamente sem tempo”, disse o professor Johan Rockström, especialista em sustentabilidade global do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre o Impacto Climático, na Alemanha. “Somente abordando ecossistemas e clima é que temos a chance de salvaguardar um planeta estável para o futuro da humanidade na Terra.”

Muitos cientistas acreditam que o mundo começou uma sexta extinção em massa, a primeira a ser causada por uma espécie – o Homo sapiens. Outras análises recentes revelaram que a humanidade destruiu 83% de todos os mamíferos e metade das plantas desde o alvorecer da civilização e que, mesmo que a destruição terminasse agora, levaria de 5 a 7 milhões de anos para o mundo natural se recuperar. 

O Living Planet Index, produzido pela WWF pela Zoological Society of London, usa dados sobre 16.704 populações de mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios, representando mais de 4.000 espécies, para rastrear o declínio da vida selvagem. Entre 1970 e 2014, os últimos dados disponíveis, as populações caíram em uma média de 60%. Quatro anos atrás, o declínio foi de 52%. A “verdade chocante”, disse Barrett, é que a queda na vida selvagem continua inabalável. 

A vida selvagem e os ecossistemas são vitais para a vida humana, disse o professor Bob Watson, um dos cientistas ambientais mais eminentes do mundo e atualmente presidente de um painel intergovernamental sobre biodiversidade que disse em março que a destruição da natureza é tão perigosa quanto a mudança climática

“A natureza contribui para o bem-estar humano cultural e espiritualmente, bem como através da produção crítica de alimentos, água limpa e energia, e através da regulação do clima da Terra, poluição, polinização e inundações”, disse ele. “O relatório Planeta Vivo demonstra claramente que as atividades humanas estão destruindo a natureza a um ritmo inaceitável, ameaçando o bem-estar das gerações atuais e futuras.”

A maior causa de perdas de vida selvagem é a destruição de habitats naturais, em grande parte para criar terras agrícolas. Três quartos de todas as terras da Terra são agora significativamente afetados por atividades humanas. Matar por comida é a segunda maior causa – 300 espécies de mamíferos estão sendo destruídas – enquanto os oceanos são excessivamente explorados, com mais da metade sendo pescada industrialmente.


Artigo publicado originalmente em inglês pelo jornal “The Guardian [1]

Títulos minerários em áreas protegidas são risco potencial, diz estudo do WWF-Brasil

Num momento em que aumentam as pressões para impedir a criação e reduzir o tamanho e o status de proteção de Unidades de Conservação no país, a existência de pedidos de pesquisa e autorizações de lavra em UCs e Terras Indígenas, ainda que suspensas, são risco potencial.

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Estudo do WWF-Brasil divulgado hoje identificou nas Terras Indígenas e Unidades de Conservação (UCs) de proteção integral na Amazônia 5.675 processos de exploração mineral ativos, que vão de pedidos de pesquisa a autorizações de lavra. A sobreposição de um volume grande de títulos minerários em áreas protegidas dá a dimensão da pressão por redução de tamanho ou de status de proteção que essas áreas enfrentam, além da pressão por liberar a atividade, restrita hoje ao garimpo ilegal. O estudo cruzou dados dos títulos minerários ativos da Agência Nacional de Mineração (ANM) com as poligonais das Terras Indígenas e das Unidades de Conservação na Amazônia Legal. O trabalho levou em conta informações constantes nas bases da ANM, da Fundação Nacional do Índio e do Ministério do Meio Ambiente.

Apenas uma parcela dos títulos minerários encontra-se bloqueada pela ANM, responsável por autorizar a atividade mineral em todo o país. A legislação atual proíbe a exploração mineral em Terras Indígenas sem expressa autorização do Congresso e em Unidades de Conservação de proteção integral, Reservas Extrativistas ou Reservas Privadas do Patrimônio Natural. Nas demais UCs de uso sustentável do país, a exploração de minérios depende de previsão nos planos de manejo.

A agência informou que o bloqueio de pedidos de pesquisa ou mesmo autorizações de lavra já concedidas em Terras Indígenas e UCs de proteção integral é automático em seu banco de dados. Mas o estudo identificou que o bloqueio alcança 24% dos títulos nas UCs de proteção integral federais, 46%, nas UCs estaduais e 76% dos títulos nas Terras Indígenas. Há muitos requerimentos de pesquisa e lavra ativos e áreas consideradas de futura disponibilidade para mineração.

Análise complementar nas áreas protegidas vedadas à mineração onde o estudo detectou autorizações de lavra ativas revelou que os títulos não correspondiam à exploração legal de recursos minerais. É o caso, por exemplo, do Parque Nacional Mapinguari, criado em 2008 numa área de quase 18 mil quilômetros quadrados na divisa do Amazonas com Rondônia, numa área de pressão por desmatamento. O estudo identificou autorizações para a exploração de minério de ouro e cassiterita concedidas a três empresas. O gestor do parque informou que os títulos caducaram, mas revelou a pressão sofrida pela exploração mineral na borda da UC.

A Funai reconhece que há várias autorizações de concessão de pesquisa mineral e autorizações de lavra dentro de terras indígenas. Mas alega que a efetiva exploração ou mesmo a pesquisa dependem da regulamentação do artigo 231 da Constituição. Esse artigo diz que a pesquisa e a lavra de minérios em terras indígenas só podem ser feitas mediante autorização do Congresso Nacional e ouvidas as comunidades na forma como a lei definir.

A área mais extensa sob ameaça em Unidades de Conservação é o Parque Nacional do Monte Roraima, na fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana. A área impactada por títulos minerários em diferentes estágios é de 477 quilômetros quadrados, equivalente a 40% da área total da UC de proteção integral. No ranking, é seguido pelos parques nacionais doJamanxim e Serra do Pardo, no Pará, onde foram registrados requerimentos e processos de pesquisa autorizada para a exploração de ouro, minério de ouro e cobre e minério de platina.

A área indígena mais ameaçada em extensão é a Terra Indígena Yanomami, na fronteira com a Venezuela. Quase cem pedidos alcançam uma área de 11 mil quilômetros quadrados, pouco mais de 10% do território homologado em 1992 e onde já foi detectada a presença de garimpo ilegal. A lista de minérios cobiçados nessa área é grande. A Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, aparece na sequência no ranking das mais ameaçadas.

“Num momento em que aumentam as pressões para impedir a criação e reduzir o tamanho e o status de proteção de Unidades de Conservação no país, a existência de pedidos de pesquisa e autorizações de lavra, ainda que suspensas, representam um risco potencial”, destaca o diretor executivo do WWF-Brasil, Maurício Voivodic.

A abertura de Terras Indígenas à exploração mineral também é uma ameaça latente, objeto de projeto de lei que tramita no Congresso Nacional desde 1996, de autoria do senador Romero Jucá (MDB-RO). “Se aprovado, o projeto colocará em risco a floresta e os modos tradicionais de vida dos povos indígenas”, prevê Jaime Gesisky, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil, coordenador do estudo.

Garimpo

Completa o quadro de ameaça apontado pelo WWF-Brasil, um estudo recente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), segundo o qual o garimpo ilegal se transformou num dos principais vetores de desmatamento nas Unidades de Conservação, inclusive no Parque Nacional Mapinguari.

Ainda que não seja objeto desse estudo, o garimpo ilegal já é oficialmente reconhecido como um importante vetor de desmatamento das áreas protegidas na Amazônia. A indicação da presença de minérios em seus territórios pode estimular a expansão do garimpo ilegal, que cada vez mais exige esforços na área de fiscalização e controle. “Por esse motivo, recomendamos o rápido indeferimento e caducidade dos requerimentos e títulos no âmbito das áreas protegidas, visando minimizar a corrida por minérios e expansão da atividade ilegal nessas áreas”, sugere Jaime Gesisky.

Além dos danos ambientais e do risco de contaminação, o garimpo ilegal financia a grilagem de terra e episódios de violência, como os registrados em 2017 em Humaitá (AM), após a fiscalização ambiental coibir o garimpo no rio Madeira.

Sobre o WWF

O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza, com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996, o WWF-Brasil desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede mundial independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

FONTE: JB Press House

Estudo do WWF-Brasil identifica pressões para reduzir áreas protegidas na Amazônia

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Dados preliminares do estudo foram lançados no IX Congresso de Unidades de Conservação (CBUC) em Florianópolis

Dados preliminares de um estudo do WWF-Brasil divulgados nesta quinta-feira (2) durante o IX Congresso de Unidades de Conservação (CBUC) em Florianópolis apontam que das 316 unidades de conservação federais e estaduais Amazônia, 110 estão potencialmente ameaçadas por projetos de infraestrutura, somando aproximadamente 30 mil km2, ou 2% do território protegido. Pará e Amazonas são os estados que concentram o maior número das áreas sob risco por esses projetos.

O desmatamento aparece como fator de pressão em 204 UCs no bioma amazônico e atinge áreas de proteção integral e de uso sustentável. São 18 UCs com mais de 50% de suas áreas desmatadas. As UCs estaduais de uso sustentável são as que mais sofrem com o desmatamento, a exemplo da Floresta Estadual de Rendimento Sustentado Araras, em Rondônia, com 84% da área desmatada. Em 181 unidades de conservação, os pesquisadores notaram a existência de pastagens ilegais. Em 247 UCs há também sobreposição dos limites das unidades com cadastros ambientais rurais. Em 29 unidades, essa sobreposição atinge a totalidade da área, abrindo brechas, em alguns casos, para a grilagem de terras.

Os indicadores de pressão sobre as UCs identificados no estudo, entre os quais projetos de infraestrutura, desmatamento e sobreposição ao CAR são apenas alguns dos fatores por trás das tentativas de extinção, redução ou recategorização de áreas protegidas na Amazônia. Somam-se a eles, a pressão de políticos com interesses diversos que vão desde a extração de recursos naturais à ocupação irregular das terras. As investidas se dão principalmente por iniciativas de parlamentares.

Trata-se de um fenômeno a que os pesquisadores denominam pela sigla de PADDD (Protected Areas downgrading, downsizing and degazettement), ou seja recategorização, redução e extinção de áreas protegidas. O PADDD ocorre em todos os continentes, sendo um fator de risco para as áreas designadas para a conservação da biodiversidade e os modos de vida de povos indígenas e populações tradicionais.

No Brasil, o ano de 2017 foi rico em processos de PADDD. Este tema foi pauta do Congresso Nacional e de Assembleias Legislativas estaduais. Casos como o da Floresta Nacional do Jamanxim (PA) e do Parque Estadual Serra de Ricardo Franco (MT) são alguns exemplos.

Um dos mais recentes casos de PADDD na Amazônia encontra-se neste momento em julgamento no Judiciário em Rondônia e envolve a criação de 11 unidades de conservação estaduais. As áreas criadas por lei no ano passado pelo governo local somam cerca de 600 mil hectares. Elas representam um ganho em termos de vegetação nativa, biodiversidade, água e segurança climática para um estado campeão em desmatamento. Mesmo assim, a Assembleia Legislativa insiste em acabar com as UCs. O governo ganhou recentemente uma liminar favorável, mas as UCs seguem sob a mira dos deputados.

Prevenção

É justamente para antecipar e alertar o país sobre casos como este que o estudo do WWF-Brasil está mapeando os indicadores e identificando as fontes de pressão. A ideia é oferecer elementos de análise prévia de territórios e movimentações legislativas que apontem as possibilidades de PADDD no futuro próximo e a longo prazo.

“A premissa do estudo é a de que usando uma lente para enxergar o futuro com um bom grau de previsibilidade, apoiado em indicadores objetivos, será possível agir de maneira preventiva e efetiva na defesa das Unidades de Conservação”, explica Mariana Napolitano, coordenadora do Programa de Ciências do WWF-Brasil.

A partir da análise das condições e contextos dos eventos de PADDD até o primeiro trimestre de 2018, o estudo gera pela primeira vez indicadores mensuráveis, específicos, relevantes e, algumas vezes, passíveis de georeferenciamento.

“Fizemos duas leituras simultâneas. Uma delas olhou os processos de PADDD ocorridos nas duas últimas décadas, a outra nos atuais projetos de lei e programas de governo que implicam em alterações das unidades de conservação”, conta Maria Cecília Wey de Brito, co-autora do estudo.

Ela ressalta que o trabalho também avaliou a qualidade da gestão das unidades de conservação mais vulneráveis ao PADDD. O que se viu é que apenas 13% das UCs vulneráveis apresentam um bom status de efetividade de gestão, evidenciando uma baixa capacidade da maioria das UCs em enfrentarem essas ameaças.

“Focamos no bioma Amazônia por ser a região do país que concentra o maior número de casos de PADDD, por sua relevância estratégica na conservação das florestas, da biodiversidade e no papel chave que tem para a discussão climática global”, diz Marco Lentini, da Iniciativa de Florestas do WWF-Brasil.

“Para resistir à ofensiva contra as UCs, é preciso monitorar o movimento de parlamentares que tentam aprovar projetos de lei e o lobby dos setores econômicos”, afirma Michel dos Santos, coordenador de Políticas Públicas do WWF-Brasil. Para isso, ressalta, é estratégico compreender a dinâmica dos fatores que levam aos processos de PADDD e mapear as tendências futuras desse fenômeno.

Também é essencial a criação de mecanismos ou ferramentas que possam registrar dados, antecipar situações conflituosas, bem como propor soluções preventivas e abordagens inovadoras para as UCs. O estudo é o primeiro passo para uma ferramenta pública de controle de PADDD no Brasil.

Temas prioritários para monitoramento preventivo de iniciativas de PADDD

FONTE: JB PRESS HOUSE

Marcha pelos Oceanos é realizada pela primeira vez no Brasil

Evento mundial também vai acontecer em Washington, Chicago, Nova York, Las Vegas, São Francisco, Londres, Dublin, no domingo, dia 09/06, em comemoração ao Dia Mundial dos Oceanos


No dia 9 de junho, junte-se à marcha que ocorrerá no Rio de Janeiro e em diversos outros locais ao redor do mundo.

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Marcha pelos Oceanos é um movimento global da sociedade civil que acontece no próximo domingo, dia 9, um dia depois do Dia Mundial dos Oceanos (8 de junho). A marcha vai rolar pela primeira vez no Brasil, no ano em que a ONU chama a atenção para o problema dos plásticos nos oceanos.

A produção de plástico vem crescendo de forma alarmante e, segundo a Ocean Conservancy, nos próximos 10 anos a produção e consumo de plástico no mundo deve duplicar. Isso vem acontecendo por causa do baixo custo do plástico e tem uma série de benefícios econômicos, mas precisamos também pensar nos nossos oceanos.

Um estudo de 2016 do Fórum Econômico Mundial e Ellen McArthur Foundation mostrou que só 14% de todo o plástico produzido no mundo é coletado e reciclado, projetando que, até 2050, haverá mais plásticos do que peixes nos oceanos. Se continuarmos consumindo e descartando incorretamente plástico como fazemos hoje, esta projeção pode se tornar realidade.

Atualmente, 95% do plástico é desperdiçado após a primeira utilização por descarte inadequado e 8 bilhões de toneladas de plástico são despejadas por ano nos oceanos.

“Basicamente o que está acontecendo é que um caminhão de lixo vem sendo despejado por minuto nos nossos oceanos! E não podemos esperar 10 anos para reverter este cenário.”, alerta Gabriela Yamaguchi, diretora de Comunicação e Engajamento doWWF-Brasil, uma das instituições que organizam o evento no Brasil.

E qual o impacto disso?
Devido a este descarte inadequado, 90% das aves marinhas têm plástico em seus estômagos e, estudo recente da Ocean Conservancy apontou que 100% das tartarugas coletadas e amostradas tinham em seu estômago algum tipo de plástico. Isso não significa que eram quantidades altas o suficiente para matá-las, mas mostra o quanto o problema é real e urgente!

Além dos impactos causados pelo plástico nos ambientes marinhos, também há impactos para humanos: a diminuição da produção de peixes afetará atividades de comunidades que dependem da pesca para a sobrevivência.

O que podemos fazer?
Cidadãos conscientes e engajados diminuem seu consumo de plástico, com atitudes simples, não usando canudinhos e substituindo sacolas plásticas, por exemplo. Mas governos engajados também são essenciais para a mudança deste quadro.

Assim, a Marcha pelos Oceanos apoia o Projeto de Lei do Senado n° 92 e a Sugestão nº 10, oriunda do Programa e-Cidadania, ambas de 2018. O projeto de lei prevê a retirada gradual de plástico em bandejas, pratos, talheres e copos descartáveis, sugerindo que, no prazo de 10 anos, o plástico seja substituído por materiais biodegradáveis nos itens destinados a alimentos prontos para consumo. Já a sugestão oriunda do Programa e-Cidadania propõe a proibição de distribuição de canudos, sacolas plásticas e uso de microplástico em cosméticos no Brasil.

Participe!
No dia 9 de junho, junte-se à marcha que ocorrerá no Rio de Janeiro e em diversos outros locais ao redor do mundo. Caso não possa estar presente, você também pode participar compartilhando nosso material, reduzindo seu consumo de plástico e engajando outras pessoas neste movimento. Precisamos agir agora e precisamos de você!

A atividade faz parte da programação mundial March for the Ocean (marchfortheocean.org), que estará sendo realizada simultaneamente em diversas cidades do mundo, como Washington, Chicago, Nova York, Las Vegas, São Francisco, Londres, Dublin e muitas outras.

Programação: 
Data: 09/06/2018 | Local de saída: Leme, Rio de Janeiro (RJ)
10h às 11h – Apresentação de peça infantil “Um passeio Mar Adentro”
Ação lúdica que busca sensibilizar a sociedade na proteção ao meio ambiente marinho, combatendo a poluição das praias e mares, por meio de peça musical divertida para crianças e adultos.

11h às 11h40 – Oficina de criação de cartazes
Nesta atividade, convidamos você, defensor dos oceanos, a criar seu próprio cartaz para a nossa marcha! Vamos oferecer cartolinas, tintas e canetas, para que sejam escritas mensagens que representem sua percepção sobre a importância dos oceanos.

11h40 às 12h – Aquecimento para a marcha
Para reunir e animar todo mundo antes da nossa marcha, vamos ter uma apresentação musical de uma mini bateria, concentrada no ponto de saída para a marcha, no Leme.

12h às 13h – Marcha pelos Oceanos
Grande momento da nossa caminhada pacífica e simbólica, pela orla do Leme até Copacabana (altura do Posto 4), com o intuito de chamar a atenção sobre a importância da proteção e conservação dos oceanos. Venham todos com camisetas azuis!

Sobre o WWF

O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza, com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996, o WWF-Brasil desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede mundial independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.
FONTE: JB Press House  www.jbpresshouse.com

Estudo revela como União, Estados e municípios gastam com meio ambiente

Queda nas despesas em conservação e fiscalização do meio ambiente no país marca a última década,  aponta estudo do WWF-Brasil e Associação Contas Abertas

Financiamento público em meio ambiente © WWF-Brasil

O ano de 2018 começou com R$ 3,7 bilhões de gastos autorizados no Ministério do Meio Ambiente e suas autarquias, como o Ibama, o ICMBio, a Agência Nacional de Águas (AANA) e Serviço Florestal Brasileiro. O valor é menor do que o autorizado por lei pelo Congresso para 2017 (R$$ 3,9 bi) e ainda menor do que a autorização de gastos concedida em 2013 (R$ 5 bi), melhor ano da década, em valores corrigidos pela inflação.

Os números apontam uma queda no investimento público provocada pela crise fiscal e agravada pela falta de visão política sobre a importância estratégica em se conservar o meio ambiente e os recursos naturais renováveis no Brasil. Os dados integram o mais amplo estudo sobre os gastos públicos em meio ambiente no país e que abarca os gastos da União, Estados e municípios nos últimos dez anos.

O estudo do WWF-Brasil e da Associação Contas Abertas divulgado hoje revela uma preocupante tendência, com cortes em áreas vitais como o monitoramento e fiscalização do desmatamento, a conservação da biodiversidade e a gestão dos recursos hídricos, áreas que provêm serviços essenciais para a sociedade, como o equilíbrio climático, alimentos e água.

As ações orçamentárias que tratam das áreas protegidas, por exemplo, começam o ano com R$$ 236 milhões, contra uma autorização de gastos de R$$ 252 milhões em 2017. A ação orçamentária que apoia a criação, gestão e implementação das unidades de conservação chegou a perder recursos no Congresso em relação à proposta do governo, o que revela um Legislativo insensível à importância do tema ambiental.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, responsável pelas UCs, é, entre as autarquias vinculadas ao Ministério de Meio Ambiente, a mais atingida pela redução de gastos. Tem R$$ 708 milhões no Orçamento de 2018, contra R$$ 1,256 bilhão de gastos autorizados em 2017, uma redução de 44%.

O corte mais profundo atingiu o Bolsa Verde, programa que paga R$$ 300 a cada três meses a famílias extremamente pobres e que moram em áreas protegidas, como incentivo à conservação. O programa desembolsou R$$ 61,7 milhões em 2017, R$$ 78 milhões em 2016 e R$$ 106,1 milhões em 2015. Veio perdendo recursos até desaparecer no Orçamento de 2018, por proposta do Executivo, acatada pelo Congresso. O governo informou que busca repassar a conta ao Fundo Amazônia, que também sofreu corte nos aportes, em decorrência do aumento do desmatamento na Amazônia, como lembra o estudo.

No ano da realização do 8° Fórum Mundial da Água, que reunirá representantes de mais de cem países em Brasília no mês que vem, a Agência Nacional de Águas também perde recursos em relação ao Orçamento de 2017. Na principal ação da área em volume de verbas, a proposta para a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos cai de R$$ 181,7 milhões autorizados para R$$ 136 milhões, em 2018.

Outra importante fonte de recursos para o combate ao desmatamento na Amazônia foi alvo de corte em 2017, cujos impactos aparecerão em 2018. O governo da Noruega reduziu a menos da metade o aporte anual de recursos ao Fundo Amazônia, administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Em dezembro, o governo norueguês repassou ao fundo US$$ 41.791 mil, cerca de 43%% do valor transferido em dezembro de 2016, de US$$ 97.953 mil. Em nota, o governo norueguês atribuiu a redução do repasse ao aumento do desmatamento registrado no Brasil entre agosto de 2015 e julho de 2016.

Estados e municípios

De 2013 para cá, o volume de recursos destinados ao financiamento vem diminuindo ano a ano em todas as esferas de governo. A avaliação do comportamento das despesas na função Gestão Ambiental que constam do estudo do WWF-Brasil e Contas Abertas tem como base informações prestadas pela União, Estados e municípios ao Tesouro Nacional, por exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, reunidas no Balanço do Setor Público Nacional.

Entre 2007 e 2016, União, Estados e municípios juntos gastaram com Gestão Ambiental metade do orçamento anual do programa Bolsa Família. Foram, em média, R$$ 13,1 bilhões de despesas na função no período, contra R$$ 28,1 bilhões pagos pelo Bolsa Família em 2016.

O conjunto de gastos na década sugere uma montanha, com um grande movimento acidentado de aclive seguido por uma queda acentuada: as despesas crescem até 2013 e caem a partir de 2014, quando começa a recessão econômica, e a redução nas receitas tributárias impõe aperto nas contas públicas. Nos municípios, a queda começa em 2015.

O Estado e o município de São Paulo lideram o ranking dos que mais gastaram em Gestão Ambiental tanto em 2016 como num período de quatro anos. No Estado, 42%% do valor registrado no ano passado pagou pessoal, e os investimentos consumiram pouco mais de um a cada quatro reais.

No município, a maior fatia das despesas com conservação ambiental foi destinada à conservação, operação e manutenção de parques, de acordo com informações do portal da transparência paulistano.

A distância no volume de gastos entre Estados e municípios é notável. Em 2016, depois de registrar queda de 21%% nos gastos em relação ao ano anterior, o município paulista ainda registrou despesa três vezes maior do que todo o Estado do Pará ou 6,5 vezes o montante gasto pelo Estado do Amazonas. Dos Estados que compõem o bioma Amazônia, o Mato Grosso foi o que lançou o maior volume de gastos na função Gestão Ambiental. (JG).

Sobre o WWF

O WWF-Brasil é uma organização não governamental brasileira dedicada à conservação da natureza, com os objetivos de harmonizar a atividade humana com a conservação da biodiversidade e promover o uso racional dos recursos naturais em benefício dos cidadãos de hoje e das futuras gerações. Criado em 1996, o WWF-Brasil desenvolve projetos em todo o país e integra a Rede WWF, a maior rede mundial independente de conservação da natureza, com atuação em mais de 100 países e o apoio de cerca de 5 milhões de pessoas, incluindo associados e voluntários.

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FONTE: JB PRESS HOUSE