Do Blog da Aduenf: Lindbergh Farias vai ao encontro dos grevistas da UENF

Senador Lindbergh Farias terá reunião esta tarde na sede social da ADUENF

 lindinho
OComando de Greve daADUENF vem informar a comunidade universitária daUENF que o SenadorLindbergh Farias (PT) estará nesta sexta-feira (09/05) na sede cultural a partir das 15:00 horas.

 O objetivo desta visita é dar uma oportunidade de que possamos expor ao Senador Lindbergh a situação por que passa a UENF neste momento, e a necessidade que temos do mais amplo apoio político à nossa luta.

 Todos estão convidados para participar desta importante reunião!

COMANDO DE GREVE

FONTE: http://aduenf.blogspot.de/2014/05/senador-lindberg-farias-tera-reuniao.html

 

 

Unificação das universidades estaduais vai aumentar ainda mais a pressão sobre Pezão

A UENF está em greve geral desde 12 de março, mas até hoje o (des) governo estadual comandado agora por Luís Fernando Pezão está tratando o movimento com descaso e intransigência. Pois bem, o (des) governo do Rio de Janeiro demorou tanto a resolver o problema da UENF, que agora talvez tenha que enfrentar movimentos similares na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e na Universidade Estadual da Zona Oeste (UEZO).

A principal questão que alimenta a indignação dos professores das três universidades estaduais do Rio de Janeiro é a profunda desvalorização dos salários que os coloca como os mais mal pagos no funcionalismo estadual para os detentores de títulos de pós-graduação.

unidade estaduais

E ninguém pode dizer que os professores da UENF não avisaram! Enrolaram tanto que agora podem ter que encarar uma greve geral nas três universidades estaduais. Excelente para a campanha eleitoral da oposição, Pezão!

Movimento estudantil da UENF presta contas sobre suas ações de greve

31 dias Ocupação Estudantil Reitoria UENF! A luta não para! 

estudantes alerj

Ontem (07/05) estivemos na Alerj, dialogando com nossos representantes do Legislativo Estadual, passando a luta pela educação pública, popular e de qualidade para todos.

Audiência pública período da manhã sobre a FENORTE/UENF, muito produtiva! Tarde nos Gabinetes dos Deputados Estaduais + Sessão Plenária com muitas intervenções sobre a situação da UENF e leitura da nossa carta aberta da Ocupação Estudantil pela Deputada Janira Rocha!

-Aumentos das Bolsas de assistência estudantil
-Bandejão Já
-Auxílio moradia 400 reais para 1300 estudantes UENF

+ASSISTÊNCIA -EVASÃO

FONTE: https://www.facebook.com/groups/314837891891569/724097070965647/?notif_t=group_activity

Está (quase) tudo dominado

Com a expansão dos transgênicos e a fiscalização capenga fica cada vez mais difícil saber a procedência dos alimentos que ingerimos

 

“É uma regularização ainda recente e a gente gostaria de poder confiar que os produtos que não têm o símbolo não são transgênicos, mas isso é muito difícil”

 Por Grabriela Allegrini

Mais de dez anos após ser decretada, a lei de rotulagem dos transgênicos é mais um daquele conjunto de regras que no Brasil costuma-se dizer que “não pegou”, ou, que as normas são parcialmente cumpridas e a fiscalização é falha, omissa e confusa.  O decreto 4.680 de 2003 diz que todo alimento que contém mais de 1% de substância transgênica em sua composição deve trazer em seu rótulo o símbolo de um triângulo amarelo circunscrito pela letra t maiúscula. Mas, especialistas ouvidos por Caros Amigos apontam que muitos produtos comercializados no Brasil contendo organismos geneticamente modificados (OGM) circulam sem a devida identificação. Há fortes indícios, inclusive, de que uma das bebidas mais populares do país, a cerveja, pode estar no time dos que burlam a rotulagem.

Um estudo comandado por cientistas do Centro de Energia Nuclear na Agricultura, da Universidade de São Paulo (USP) de Piracicaba, e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e divulgado em 2012 mostra que as grandes marcas de cerveja nacional utilizam cerca de 45% de milho em sua composição. Embora a matéria –prima tradicional da bebida seja a cevada, a legislação brasileira permite a substituição de até 45% do malte de cevada por outra fonte de carboidratos mais barata. O estudo aponta que as cervejarias estariam operando no limite dessa porcentagem ou mesmo tê-lo ultrapassado.

O assunto ganhou nova repercussão em março deste ano após o site da revista Carta Capital trazer um artigo com o sugestivo título de Cerveja: o transgênico que você bebe e lançar a bola. “Pense na quantidade de cerveja que você já tomou e na quantidade de milho que ela continha, principalmente a partir de 16 de maio de 2007. Foi nessa data que a CNTBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) inaugurou a liberação da comercialização do milho transgênico no Brasil”.

O texto parte do relatório divulgado pela empresa de consultoria em agronegócio Céleres indicando que 81,5% da área total de milho produzido no País na safra de 2013/2014 será de transgênico, ou, 12,5 milhões de hectares da cultura. Poderíamos conceder às cervejarias o benefício da dúvida e acreditar que elas estariam trabalhando com os 18,5% de milho não transgênicos restantes? “Não”, diz à Caros Amigos o diretor executivo da Cert-id, empresa que certifica produtos Não-OGM (não-transgênicos) no Brasil e União Europeia. “Nós tentamos certificá-las, mas as cervejarias não quiseram. Elas disseram que era impossível segregar o milho e deram mil desculpas”, afirma Augusto Freire.

A Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) que responde por 96% do mercado diz que as cervejas nacionais, conforme atestam análises laboratoriais, não contêm organismos geneticamente modificados. “As cervejarias associadas à CervBrasil – AmBev, Brasil Kirin, Grupo Petrópolis e Heineken Brasil (grupos que produzem as cervejas analisadas) – realizaram testes de detecção de DNA transgênico que comprovam a ausência de organismos geneticamente modificados em seus produtos”.

Este tipo de análise, contudo, não teria validade para detectar a procedência dos OGM, uma vez que os testes deveriam ser feitos na matéria-prima e não no produto final, cujo processo de industrialização, até o momento, tornaria impossível a detecção de DNA transgênico. “A análise no produto final não significa nada, eles teriam que fazer isso no próprio milho, caso contrário estão obrigados a rotular as cervejas como sendo transgênica”, afirma Freire.

O diretor executivo da Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange), Ricardo Sousa, opina que as cervejarias deveriam provar que a bebida não contém OGM por meio da nota fiscal da compra dos cereais que entram nas fábricas, na qual é obrigatória a discriminação da natureza da semente, se é ou não geneticamente modificada. “Eles precisam atestar para o consumidor que não utilizam transgênicos, pois qualquer produto que passa por industrialização quebra as cadeias protéicas que identifica o DNA transgênico. Então, o que eles deveriam fazer é mostrar o resultado dos laudos de testes dos cereais que entram na fábrica”, afirma.

Procuradas por Caros Amigos, as fabricantes de cerveja disseram não comprar milho geneticamente modificado, mas não informaram qual seria o fornecedor e nem como essa informação poderia ser checada. A atitude quase blasé das gigantes do mercado de bebidas chama atenção principalmente pelo fato de que, após o artigo de Carta Capital ter se espalhado pela internet como fogo em galho seco, os produtores da bebida não se deram ao trabalho de publicar nem ao menos uma nota de esclarecimento para tentar apagar o incêndio.

Conhecedor do mercado, Souza tem uma boa explicação. “Não existe milho não transgênico no Brasil”. A sua afirmação fundamenta-se no alto grau de contaminação existentes hoje na lavoura de milho, em virtude das regras estabelecidas pela CTNBio que fixou uma distância mínima de 100 metros entre uma plantação que usa sementes transgênicas e o vizinho que trabalha com o grão convencional. Segundo o dirigente da Abrange, a contaminação acontece pelo ar, num raio de pelo menos 400 metros de distância de uma plantação para outra.  Uma Ação Civil Pública aguarda julgamento na Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF4), em Porto Alegre (RS), contestando os atuais parâmetros adotados pela CTNBio, baseado em várias provas de contaminação apresentadas nos autos do processo. Os casos de contaminação, no entanto, ocorrem em outros estados.

“Quando estourou a liberação do milho geneticamente modificado no Brasil, algumas empresas vieram até a Abrange dizer que queriam trabalhar com grão não transgênico. Os nossos associados falaram que o risco de contaminação é enorme e não teríamos como garantir que toda a nossa produção não seria transgênica, e isso seria muito caro, as empresas não quiseram mais saber”. Diz Souza.

Embora a legislação assegure às cervejarias o direito de não especificar os ingredientes nos rótulos da bebida, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), subordinada ao Ministério da Justiça, diz que todos os produtos, incluindo as cervejas, estão sujeitos às regras do Código de Defesa do Consumidor, bem como às normas específicas relacionadas à rotulagem de OGM.

“Dessa forma, quando a empresa utiliza em seu produto mais de 1% de transgênico, se for o caso de milho, e não os rotulam, pode sofrer sanções administrativas por violação ao direito à informação”, diz a nota enviada a Caros Amigos. Em caso de descumprimento do que dispõe a norma, o Código de Defesa do Consumidor prevê, no artigo 56, sanções administrativas que variam desde a apreensão e inutilização do produto até o pagamento de multa que pode atingir o valor máximo de R$ 7,3 milhões.

Mais transgênicos

A cerveja não é o único produto que pode levar substância transgênica em sua composição sem fazer a devida notificação ao consumidor. O milho e a soja estão presentes em grande parte dos alimentos industrializados, com o segundo atingindo 90,1% de organismos geneticamente modificados da área total da oleaginosa produzida no País, segundo relatório do Céleres. Produtos como biscoitos, bolos, achocolatados, margarina, dentre outros, levam lecitina de soja na sua composição e poucos imprimem o T nas suas embalagens. “A lecitina de soja está presente em 55% dos produtos que estão no mercado e praticamente 100% da lecitina no Brasil é transgênica, ou seja todo produto com lecitina deveria ser rotulado”, afirma Ricardo Sousa.

A lei também dispõe sobre a obrigatoriedade de rotular produtos in natura, derivados, ingredientes e rações que contenham ou tenham sido produzidos a partir de ingredientes transgênicos, isso vale também para carnes de animais alimentados com ração contendo OGM. Essa última regra não tem sido seguida por nenhum produtor de animais no País. “Fundamentalmente aves e suínos são alimentados com ração transgênica e nenhum vai para o supermercado com rótulo”, diz Luis Fernando Luna, diretor da Opta, empresa que comercializa produtos e serviços direcionados aos segmentos de nutrição animal e agroindústria.

“Até seis anos atrás, existiam unidades que faziam uso de ração não transgênica, mas para exportação, pois lá fora a rotulagem é severa”, completa Luna referindo-se às leis de rotulagem da União Europeia. Ele salienta que por causa da contaminação do milho não transgênico pelos geneticamente modificados, essas unidades aqui no Brasil passaram a trabalhar basicamente com ração transgênica. Na UE, ao contrário da legislação brasileira que rotula alimentos contendo a partir de 1% de substância transgênica, o regulamento prevê tolerância de até 0,9% e a presença tecnicamente inevitável de até 0,1% de OGM sem rotulagem.

Luna acrescenta que o consumidor brasileiro não está informado o suficiente para identificar o T como substância transgênica. Ricardo Sousa, da Abrange, completa que “muitas pessoas pensam que o símbolo refere-se a gordura trans”. João Paulo Amaral, pesquisador do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor  (Idec), esclarece que não basta o alimento trazer na sua embalagem o triângulo com o T, de acordo com a lei é preciso que o rótulo informe por extenso, abaixo do triângulo, que contém OGM e discriminar a espécie doadora da transgenia.

Essa regra, contudo, está longe de ser seguida. Os poucos produtos que são rotulados limitam-se, em sua maioria, a usar somente o T, cujo tamanho e significado passa batido pela maior parte dos consumidores. Já para os que conhecem a lei, resta acreditar que na ausência do símbolo, aquele alimento está livre de ingredientes transgênicos. “É uma regularização ainda recente e a gente gostaria de poder confiar que os produtos que não têm o símbolo não são transgênicos, mas isso é muito difícil”, diz Amaral.

Para a indústria não existe dificuldades alguma de rotular seus produtos, diz o agrônomo e assessor técnico da organização da sociedade civil AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia, Gabriel Fernandes. “As empresa que compram a soja e o milho sabem a sua origem na nota fiscal, sem precisar fazer testes algum. Tem também a iniciativa de poder fazer a rotulagem no sentido inverso e informar que o produto é livre de transgênico”. Amaral observa que o canal mais direto para o consumidor conseguir saber se aquele item é de natureza transgênica ou não é solicitar essa informação no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa e a partir disso acionar o Ministério Público (MP) para atestar a veracidade da informação.

Fiscalização

Os transgênicos entraram de maneira clandestina no Brasil no início da década de 1990 quando produtores do Sul do País iniciaram o cultivo de soja modificada vinda da Argentina. A comercialização dessa soja só foi autorizada por medida provisória em 1995. No ano de 1998, no entanto, uma ação judicial movida pelo Idec proibiu a venda dos transgênicos, o que duraria até 2003 com a edição de nova medida provisória autorizando a comercialização.

A má vontade das empresas do ramo alimentício em rotular seus produtos motivou uma nova ação do Idec em parceria com o Greepeace, dessa vez denunciando as transnacionais Bunge (Holanda) e Cargill (EUA) de utilizar transgênicos na produção de suas marcas de óleo de soja Soya e Liza, sem que estas fossem rotuladas. As denúncias, comprovadas pelas investigações do Ministério Público Federal, fez com que a Justiça Federal obrigasse as duas empresas a rotular seus produtos com o símbolo dos transgênicos.

Buscando sepultar de vez a polêmica em torno do assunto, o Congresso aprovou em 2005 a Lei de Biossegurança (nº 11.105) estabelecendo normas para a fiscalização e a liberação de organismos transgênicos no Brasil, cabendo à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) deliberar sobre a aprovação dessas espécies. Desde então, o órgão já aprovou a utilização comercial de cerca de 50 organismos geneticamente modificados, dos quais 35 são planta.

A fiscalização dos rótulos, segundo Fernandes deveria ser compartilhada pelo Ministério da Justiça, por meio do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), com o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), num processo de cooperação mútua que possibilitasse a troca de informação entre os agentes. Na prática, o que tem acontecido é o oposto, com o completo distanciamento entre os órgãos e a falta de clareza sobre as obrigações de cada um. O que dificultou inclusive o trabalho de apuração da reportagem.

A Senacon, da qual o DPDC faz parte, diz que cabe ao Departamento instaurar Processos Administrativos e apurar infrações das normas de defesa do consumidor. “Nesse sentido, a Senacon atua sempre que provocada por outros órgãos da Administração, pelo Ministério Público, pelos demais poderes, pelo Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, por denúncias dos próprios consumidores e também de ofício”.

A Secretaria, que faz parte do Ministério da Justiça (MJ), confirma que a fiscalização é de responsabilidade conjunta entre o órgão, o Mapa e a Anvisa. Esta última, no entanto, nega fazer parte das suas atribuições deste tipo de trabalho. “A Agência deve racionalizar o uso dos seus recursos, deixando para outros órgãos da administração pública, como o DPDC-MJ, a fiscalização do Código de Defesa do Consumidor, e à Secretaria de Defesa Agropecuária – DAS, do MAPA, a fiscalização da produção e da comercialização dos grãos transgênico, como exige o Decreto 4680/03”, informa a Anvisa.

O Capítulo IV da Lei de Biossegurança que trata da fiscalização contraria o posicionamento da Agência. Segundo o texto, cabe ao “órgão competente do Ministério da Saúde emitir as autorizações e registros e fiscalizar produtos e atividades com OGM e seus derivados destinados a uso humano, farmacológico, domissanitário e áreas afins”. Ao Mapa caberia a fiscalização na agricultura, pecuária e áreas afins. Procurado por Caros Amigos, o Ministério da Agricultura demonstrou que a falta de cooperação não se restringia aos organismos oficiais e preferiu não responder aos questionamentos da revista. Com isso, ficamos sem saber o porquê de todas as carnes vendidas nos supermercados não estarem rotuladas, além de outros itens, e como o órgão assumiria a tarefa de fiscalizar os alimentos com a auto-retirada de campo da Anvisa.

Gabriel Fernandes salienta que apesar dos problemas de fiscalização, a lei da rotulagem é um importante instrumento de defesa dos direitos do consumidor que vive sob constante ameaça dos setores ligados ao agronegócio. Diferentes projetos de lei vêm sendo apresentados pela bancada ruralista desde que o decreto 4.680 foi aprovado com o intuito de derrubá-lo ou flexibilizar as normas. O principal deles é o PL 4148/08 do deputado Luiz Carlos Heinze (PP/RS) que prevê, dentre outros dispositivos, tornar facultativa a exigência da obrigatoriedade do símbolo de transgênico em produtos que não seja possível sua detecção pelos métodos laboratoriais, o que excluiria a margarina, óleo e demais produtos processados.

Lobbie das Gene Giants

Segundo o relatório do Serviço Internacional para Aquisição de Biotecnologia Agrícola (Isaaa) publicado em fevereiro deste ano, o Brasil tem a segunda maior área de cultivo de transgênicos, com cerca de 23% do total mundial, perdendo apenas para os Estados Unidos. O texto diz ainda que o Brasil é o país que mais cresce em área para produção de OGM, com um aumento de 10% em 2013, ante o 1% dos EUA.

Para Ricardo Sousa, da Abrange, uma das consequências trazidas pelo crescimento vertiginoso das sementes transgênicas, além da evidente escassez das opções de ofertas das variedades convencionais, é tornar o agricultor refém das seis multinacionais que detêm o monopólio das patentes de OGM no planeta.

“O que acontece nos EUA hoje é que o agricultor vai plantar uma safra, e na outra já aumenta o valor da semente. Como ele não tem alternativa, é obrigado a comprar o grão no preço que estão ofertando, pois não tem como comparar, ele se torna dependente dela”. O Ministério da Agricultura, cujo titular Néri Geller é produtor e comerciante de grãos, como a soja e milho, não respondeu se a expansão dos OGM poderiam colocar em xeque a soberania nacional.

“Tem um forte lobbie da indústria, principalmente da Monsanto, junto ao governo para que as sementes sejam aprovadas”, diz Augusto Freire. A CTNBio, que tem a finalidade de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao Governo Federal, tem sido acusada por entidades ligadas ao meio ambiente e trabalhadores do campo de fazer um trabalho pouco transparente e voltado aos interesses do mercado. Eles criticam a rapidez com que os transgênicos são liberados e a rejeição praticamente nula da comissão aos pedidos de aprovação dos OGM.

No dia 13 de março desse ano, os desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) decidiram, por unanimidade, anular a decisão da CTNBio que liberou do milho transgênico Liberty Link, da multinacional Bayer. A decisão se deu sob o fundamento de ausência de estudos mais contundentes de avaliação de riscos advindos do transgênico. O colegiado disse à Caros Amigos não ter recebido a notificação formal do TRF-4 e que “os organismos geneticamente modificados ao serem disponibilizados no comércio passam por rigorosas análises toxicológicas, alergênicas, nutricionais e ambientais”.

No Brasil existem hoje basicamente quatro cultivos de alimentos transgênicos: soja, milho, algodão e canola (outras espécies, como o feijão e a cana-de-açúcar já estão sendo testadas em laboratórios). Esses organismos que estão hoje no mercado foram modificados para serem resistentes a herbicidas e propriedades inseticidas. Segundo Gabriel Fernandes, da AS-PTA, as principais promessas dos gigantes da genética – os Gene Giants – passados dez anos da liberação do cultivo de OGM no Brasil não foram cumpridas. A primeira delas é que o uso de agrotóxico não diminuiu, sendo que hoje o Brasil é campeão mundial da utilização de veneno em suas plantações.

“O mato que cresce na lavoura também vai criando resistência aos venenos. Também foi dito que a biotecnologia abriria outras oportunidades para desenvolver novas sementes e nada disso aconteceu. Hoje temos duas commodities de soja e milho e a concentração cada vez maior desse mercado”, aponta Fernandes. “O uso de agrotóxicos ocorre em quaisquer sistemas de cultivos, independentemente de serem convencionais ou geneticamente modificados e sua segurança  advém do cumprimento rigoroso das recomendações de manejo, portanto, não é possível atribuir aos transgênicos todo o agrotóxico utilizado no Brasil”, afirma o CTNBio. “O que modificou nesses anos, foi o agricultor que não soube manejar o agrotóxico ou o aumento da produção de transgênicos?”, retruca Sousa lembrando que as empresas que fabricam as sementes são as mesmas que produzem os agrotóxicos.

Para João Paulo, do Idec, ainda faltam dados conclusivos sobre a segurança do consumo de alimentos que receberam genes de outras espécies não vegetais. “O que temos observado é que nenhum desses estudos da CTNBio passou por uma avaliação rigorosa sobre o impacto na saúde e meio ambiente”. A omissão de órgãos como o Ministério da Agricultura é sintomático de que nesse angu tem caroço, e ele pode ser transgênico.

FONTES: http://www.carosamigos.com.br/index.php/cotidiano/237-revista/edicao-205/4052-transgenicos-esta-quase-tudo-dominado

JBS Friboi segue cometendo crimes ambientais em MT

Frigorífico em Barra do Garças polui solo, ar, águas. Sema-MT local e SIF são coniventes

JBS Friboi de Barra do Garças (MT) sob investigação do Ministério Público Ambiental: chicana burocrática frustra embargo e crimes ambientais ainda estão impunes
Antonio P. Pacheco, do Brasil Notícia

Barra do Garças (MT) – Uma manobra burocrática executada pela diretoria da JBS S/A contrariou as determinações do Ministério Público Estadual de Mato Grosso (MPE-MT) e mantém em pleno funcionamento a planta frigorífica da empresa em Barra do Garças (MT). Apesar de ter sido embargada, a indústria não paralisou o abate nem um minuto sequer e segue praticando uma série de irregularidades ambientais que vão de poluição atmosférica ao lançamento de efluentes sem tratamento direto no rio Araguaia.

O embargo havia sido determinado pela agencia regional da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Mato Grosso (Sema-MT) no município, no dia 27 de março, após uma força tarefa de fiscalização articulada pelo MPE-MT ter flagrado um cemitério clandestino de bovinos dentro da área de reserva ambiental do frigorífico. Além do cemitério bovino irregular, a fiscalização constatou ainda que o incinerador da unidade estava desativado há pelo menos oito anos e que não há filtros de lavagem de gases no incinerador de partes moles como olhos, cérebro e outras.
 
A empresa também foi multada em R$ 6 milhões naquela ocasião. Apenas a unidade de Barra do Garças já acumula mais de R$ 10 milhões em multas por repetidos crimes e irregularidades ambientais diversas.

Cemitério clandestino de bois foi encontrado dentro  da área do frigorífico JBS Friboi em Mato Grosso onde foram enterrado mais de 300 animais nos últimos anos  (Foto:Arquivo Web/Ilustração)  

Enquanto a promotora Helen Ulian Kuriki, titular da Promotoria Ambiental em Barra do Garças acreditava que a indústria estava embargada até que a sua diretoria apresentasse um Plano Emergêncial de Destinação Adequada para as carcaças bovinas impróprias ao consumo humano e também um Plano de Descontaminação e Recuperação da Área Degradada (PRAD), que tem de cerca de dois hectares e que era usada como “cemitério” para os animais descartados pelo frigorífico, a indústria seguiu funcionando como se nada tivesse ocorrido.

A chicana burocrática que burlou o embargo, levada a cabo pela assessoria jurídica e pela direção da JBS Friboi S/A contou com a conivência do representante do Serviço de Inspeção Federal (SIF) naquela unidade – com apoio e conhecimento da direção regional do órgão federal em Cuiabá – e com a “compreensão” e evidente tolerância de servidores da Sema-MT local e também da capital mato-grossense.

Para “sustar” o embargo, a JBS Friboi propôs, no dia seguinte ao embargo, suspender o sepultamento de bovinos na área do frigorífico, prometendo incinerar as carcaças dos animais mortos durante o transporte ou descartados por problemas de sanidade, em uma caldeira. A medida seria uma saída temporária até que a empresa pudesse construir um novo incinerador, já que o existente na unidade está desativado há quase uma década, conforme admitiu ao MPE-MT, o gerente industrial da unidade, Leandro Serraglio.

O fabricante da caldeira, a H.Bremer, de Rio do Sul (SC), consultado pela reportagem do portal Brasil Notícia, informou que o equipamento não é projetado para a incineração de material orgânico úmido como animais de médio a grande porte ou de resíduos de difícil combustão.

As caldeiras, ainda conforme o fabricante, têm especificações técnicas rigorosas de manuseio e utilização para terem o máximo desempenho. O seu uso para outras finalidades que não sejam a geração de calor e vapor não é recomendado pela indústria. A incineração de materiais que não os recomendados pela fábrica, pode acarretar riscos que vão de perda de potencia e queda de produtividade, danos definitivos ao equipamento e até a geração de poluentes nocivos à saúde da população, já que a mesma não possui filtros para vapores tóxicos, mas apenas para particulados originados da combustão de lenha e outras biomassas vegetais.

A iniciativa emergencial proposta pela direção da JBS Friboi, portanto, não seria tecnicamente viável e nem ambientalmente recomendável. No entanto, os médicos veterinários Luciano Frosi e Eduardo Mesquita Freire, fiscais federais do SIF na unidade, bem como o gerente regional da Sema-MT, Cléber Fabiano Ferreira, aceitaram e endossaram a queima dos animais na caldeira sem exigir, antes de concordarem com a medida, sequer um laudo ou uma consulta prévia formal ao fabricante do equipamento sobre eventuais riscos ou limitações para tal procedimento.

Confrontada com as informações de que a empresa não havia paralisado o abate, que a alternativa cogitada para incinerar os bovinos não seria tecnicamente viável e que por isso os sepultamento de animais dentro da área do frigorífico pode também não ter sido suspenso, a promotora Helen Kuriki mostrou-se indignada. A representante do MPE-MT disse que vai requisitar formalmente uma análise da viabilidade técnica do procedimento, bem como um laudo do fabricante da caldeira e o acompanhamento de um fiscal in loco na incineração de carcaças bovinas no equipamento.

Helen Ulian Kuriki, promotora ambiental e sua luta com o “gigante” da carne: manobra da empresa pode levar à embargo judicial e paralisação  total do frigorífico (Foto:BNoticia)

“Vamos checar se tal medida é eficaz de fato, se não há riscos de danos ambientais e se a empresa realmente está agindo no sentido de corrigir-se. Caso seja comprovado que a medida por ela sugerida não é viável tecnicamente, vamos então recorrer buscar o embargo judicial da unidade já que o embargo administrativo e as multas não parecem surtir os efeitos pedagógicos desejados por esta promotoria e os órgãos ambientais não parecem ter força para exigir que a empresa cumpra as normas legais”, revelou a promotora.  

 Conivência com crime ambiental – Procurado pela reportagem do Brasil Noticia em Barra do Garças para esclarecer porque o SIF não interpôs nenhuma barreira à prática de sepultamento de bovinos na área de preservação da planta industrial e sobre quais foram as os critérios técnicos que sustentaram a convicção dos fiscais federais de que a caldeira poderia ser utilizada como crematório, o médico Eduardo Freire – que assinou sozinho o termo de anuência em favor do uso da caldeira como incinerador –  não foi localizado. Já o seu superior imediato, Luciano Frosi, disse que não poderia falar sem autorização de seu superintendente regional, Leandro Machado.

O superintendente do SIF em Mato Grosso, Leandro Machado, por sua vez, defendeu que os fiscais agiram “estritamente dentro do regulamento das responsabilidades do SIF” ao autorizar a cremação dos animais bovinos mortos durante o transporte na caldeira. Conforme Machado, tal procedimento só é obrigatório quando há suspeita de que a morte tenha sido causada por doença infectocontagiosa. 

Para ele, as informações técnicas fornecidas pelos diretores da indústria frigorífico sobre a capacidade da caldeira para efetuar o procedimento e as técnicas utilizadas para a movimentação dos animais mortos nas dependências da unidade foram “consistentes” o suficiente para convencer os fiscais do SIF de que não haveria problemas sanitários.

Questionado sobre se, ao endossarem o uso da caldeira para a incineração de carcaças bovinas, mesmo que não contaminadas por doenças infecciosas, os fiscais do SIF não estariam sendo coniventes com um crime ambiental, uma vez que tinham o conhecimento de que o crematório da unidade está desativado há quase uma década – período em que, se algum animal doente tivesse morrido naquela indústria não seria possível cremá-lo no local conforme determina a legislação sanitária e as leis ambientais que regulamentam a atividade dos frigoríficos – Machado preferiu ignorar a pergunta e ser sarcástico em sua resposta.

“O problema ambiental é competência da Sema, não do SIF. Somos responsáveis pela sanidade dos animais que chegam vivos e da carne após o abate e quanto a isto, o frigorífico tem atendido às normas. Quanto aos bois que morrem durante o transporte, após a necropsia, se não for constatada nenhuma doença, a destinação da carcaça não compete ao SIF. Se estavam sendo enterradas e sem licenciamento ambiental para isso, o problema é da industria e da Sema. Onde estavam os fiscais da Sema todo este tempo que não viram isso?”.

Cleber Fabiano Ferreira, gerente regional da Sema  em Barra do Garças: embargo “pro-forma”  e jogo de empurra facilitou manobra para JBS Friboi  evitar paralisação de abates e prejuízos (Foto:BNoticia)


Jogo de “empurra-empurra” – O gerente regional da Sema em Barra do Garças, Cléber Fabiano Ferreira, também considera que a incineração dos animais mortos na caldeira não acarretará mais danos ao meio  ambiente além do que já foi causado pela empresa. O gestor do órgão ambiental disse que concordou com a proposta da JBS Friboi “porque o SIF não fez nenhuma objeção e aprovou primeiro a medida”. 

Questionado se não foi precipitado ao endossar a medida sem uma análise da viabilidade técnica e de riscos para o uso do equipamento que, a própria Sema de antemão sabe que não possui sistema de filtragem de gases, Ferreira insistiu na tese de que a prática seria segura “e provisória” e que “será por pouco tempo”. 

O gerente da Sema em Barra do Garças disse que a empresa já teria apresentado o  PRAD  e também as licenças. “A licença de operação do frigorífico está em dia”, garantiu. No entanto, a licença apresentada à promotora Helen Ulian é uma licença provisória, a Licença de Instalação (L.I), e não a definitiva, a Licença de Operação (L.O.), que nunca foi expedida porque o frigorífico jamais cumpriu integralmente todas as exigências legais necessárias para a conclusão do processo. 

Mesmo a L.I. apresentada ao MPE-MT pela JBS, segundo revelou a promotora, pode ser inválida, pois há indícios de que teria sido emitida com data retroativa a fim de favorecer a empresa. A emissão de documentos com data retroativa é crime. Caso seja comprovada as suspeitas da promotora, servidores e gestores da Sema poderão ser processados. 

O gerente da Sema também disse desconhecer que haja outras irregularidades na planta industrial, como por exemplo, o lançamento de efluentes in natura da linha vermelha, do lava-jato de caminhões que funciona dentro da unidade e da graxaria direto no rio Araguaia.

FONTE: http://www.pautaextra.com.br/rec_tudo.php?id=1785

Nigéria: como Ocidente alimenta os terroristas

petróleo

Dois fatores favorecem grupo que sequestrou duzentas meninas: pilhagem do país por transnacionais petroleiras e assassinatos praticados pelos EUA, por meio de drones

É quase inacreditável que mais de duzentas garotas possam ter sido ser sequestradas de uma escola no norte da Nigéria — em ação  realizada pelo grupo terrorista Boko Haram — e ameaçadas em um vídeo, exibido no mundo inteiro, sendo vendidas como escravas por seus capturadores. A descrença é ampliada pelas notícias de hoje de que, ao longo da noite, mais oito meninas foram sequestradas por homens armados, supostamente do Boko Haram, no nordeste da Nigéria. A tragédia toca o coração de todos, evocando um sentimento de asco não só pelo perigo e a perda da própria liberdade, mas pelo pressuposto de que para jovens garotas, seu destino deve ser o casamento forçado e a servidão, não a educação.

Existe uma revolta justa, pelo fato de que tão pouco tenha sido feita pelo governo nigeriano para encontrar as meninas, e por terem sido acusados de causar tumulto, ou mesmo presos temporariamente, muitos dos que se manifestaram contra o presidente Goodluck Jonathan.

Mas devemos ser cautelosos com a narrativa que está emergindo. Ela segue um padrão familiar desgastado, que já vimos no sul da Ásia e do Oriente Médio, mas que está sendo crescentemente aplicado também na África.

É o refrão de que algo deve ser feito; e que “nós” — o ocidente iluminado — deveríamos nos encarregar de fazê-lo. A fala da senadora norte-americana Amy Klobuchar é exemplar a esse respeito: “Este é um daqueles momentos em que nossa ação ou inação será sentida não apenas por aquelas garotas da escola que estão sequestradas e por suas famílias que esperam em agonia, mas pelas vítimas e criminosos de tráfico de mulheres ao redor do mundo. Agora é o momento de agir.”. Começa a surgir um chamado por intervenção ocidental para ajudar a encontrar as garotas, e a “estabilizar” a Nigéria no rescaldo de seu sequestro. O governo britânico já ofereceu “ajuda prática”.

As intervenções do ocidente têm falhado, uma após a outra, ao lidar com problemas particulares. Pior: levam a mais mortes, deslocamentos e atrocidades do que já eram enfrentados originalmente. Tudo isso tem sido justificado, frequentemente, com referências ao direito das mulheres. É como se as forças militares pudessem criar uma atmosfera em que terminam a violência e o abuso. As evidências apontam para o contrário.

O direito das mulheres foi um grande pretexto para a guerra do Afeganistão, iniciada em 2001, quando Laura Bush e Charlie Blair — as esposas dos chefes de governo dos EUA e Grã-Bretanha — apoiaram os planos bélicos de seus maridos, apresentando-os como suposto meio de libertar as mulheres afegãs. Hoje, após milhões serem desalojados e dezenas de milhares mortes, o Afeganistão continua sendo um dos piores países do mundo para mulheres viverem, com casamento forçado, casamento infantil, estupro e outras atrocidades ainda amplamente presentes.

E já há intervenção ocidental na África. Ela não tem o mesmo perfil do Afeganistão ou Iraque, porque as guerras passadas dificultaram as tentativas de agir diretamente por meio de tropas. Mas Barack Obama tem forças militares mobilizadas na África Ocidental através de sua base de drones Predator, no Níger, que faz fronteira com a Nigéria. Esta também é vizinha do Mali (cena de intervenções recentes da França e da Inglaterra) e da Líbia, alvo de uma guerra ocidental de bombardeios desastrosa em 2011, que deixou o país em estado de guerra civil e colapso.

Os drones norte-americanos também operam no Djibuti, Etiópia e logo além lado do Mar Vermelho, no Iêmem. O Ocidente envolveu-se em guerras por procuração recentes, na Somália. Se o terror islâmico tornou-se ameaça em cada vez mais pontos da África, os países ocidentais desempenharam um grande papel em sua criação.

Mas há outra guerra acontecendo na África: a econômica. Um continente tão rico em recursos naturais vê muitos de seus cidadãos viverem em condições indignas. Na Nigéria do presidente Jonathan, o crescimento econômico não foi direcionado aos pobres. A saúde e a educação estão fora do alcance de muitos.

A corrupção espalha-se. Exércitos e armas são mobilizados para proteger os ricos e as empresas estrangeiras, como a Shell — que quer acesso aos recursos do país, especialmente o petróleo. Corrupção e desigualdade estão associadas  ao papel do Ocidente. Fazem parte de um sistema que está preparado para começar uma guerra por recursos como  petróleo e gás, mas não entrará em guerra contra a pobreza, ou para garantir educação para todos.

É neste cenário que está inserido o terrível sofrimento das meninas sequestradas na Nigéria. E não vai melhorar com mais armas ocidentais e exércitos — na terra ou no ar.

FONTE: http://outraspalavras.net/destaques/nigeria-como-ocidente-alimenta-os-terroristas/

Sepe: assembleia unificada decide por greve dos profissionais da educação no Rio de Janeiro

GREVE COMEÇA NA SEGUNDA, DIA 12/05

sepe

Os profissionais das redes públicas da educação estadual e municipal do Rio de Janeiro, reunidos esta tarde (dia 7/05) em assembleia no Clube Municipal, na Tijuca, decidiram entrar em greve unificada, nas duas redes, a partir da segunda-feira, dia 12.

O Sepe convoca a categoria das duas redes para se prepararem para a greve, mobilizando suas escolas. Agora é o momento da mobilização para arrancarmos nossas reivindicações!

Calendário aprovado na assembleia:

Segunda (dia 12): início da greve;

Quarta (dia 14): Conselho deliberativo, 18h, na sede do Sepe;

Quinta (15/05): assembleia unificada, 10h, Clube Municipal – logo após a assembleia, ato público.

As duas redes têm uma pauta de reivindicações unificada, que listamos a seguir:

1) Plano de carreira unificado;

2) Reajuste linear de 20% com paridade para os aposentados;

3) Contra a meritocracia e pela autonomia pedagógica;

4) Não à privatização da educação;

5) Contra o repasse das verbas para empresas, bancos, Organizações Sociais, fundações;

6) Fim da terceirização;

7) Cumprimento de 1/3 de planejamento extraclasse Já!

8) 30 horas para os funcionários administrativos, já!

9) Eleição direta para diretores;

10) Uma matrícula uma escola;

11) Equiparação salarial entre PEI, PI e PII;

12) Reconhecimento do cargo de cozinheira (o) Escolar;

13)15% de reajuste entre níveis.

Além da pauta, os governos do estado e do município, até agora, não atenderam às reivindicações da categoria e nem cumpriram os compromissos firmados, que determinaram o fim das greves nas redes, no ano passado.

Na sexta-feira, dia 9, ocorrerá uma audiência com a Secretaria Municipal de Educação sobre as reivindicações do município.

As redes estadual e municipal do Rio atendem mais de 1,6 milhão de alunos (1.380 escolas estaduais e 1.076 escolas municipais). Nelas, trabalham mais de 140 mil professores e funcionários. O piso do professor da rede municipal é de R$ 1.587,00. Os funcionários recebem de piso R$ 937,00. Na rede estadual, o professor recebe um piso de R$ 1.081,00 e o funcionário R$ 903,00.

Outras redes municípais estão em greve ou se mobilizando, com uma pauta de reivindicações semelhante: São Gonçalo está em greve desde o dia 25 de março; Duque de Caxias está realizando desde ontem uma greve de advertência de 72 horas, que poderá se ampliar, caso o prefeito Alexandre Cardoso não aceite as reivindicações da categoria; Niterói também começou hoje uma greve de 48 horas.

Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ
Endereço: Rua Evaristo da Veiga, 55 – 8º andar – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Telefone: (21) 2195-0450

Questionado sobre propina no Metrô, senador tucano manda blogueiro à ‘pqp’

Abordado por blogueiro no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP) se recusa a responder sobre suposto envolvimento em desvio de dinheiro público no governo paulista e tenta agredir entrevistador

por Diego Sartorato, da RBA 
MOREIRA MARIZ/SENADO
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Em nota, o parlamentar negou que tenha ofendido o repórter, afirmando que apenas chamou a segurança

São Paulo –  O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi flagrado ontem (6), em vídeo, agredindo verbalmente um blogueiro conhecido como Rodrigo Pilha, que o havia abordado para perguntar sobre a importância das Comissões Parlamentares de Inquérito e o motivo pelo qual deputados estaduais tucanos em São Paulo barraram mais de 70 CPIs durante as gestões de José Serra (PSDB), aliado de Nunes, e Geraldo Alckmin (PSDB).

Visivelmente incomodado com os questionamentos, o senador perdeu o controle ao ser questionado sobre o envolvimento no esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propina em contratos de prestação de serviços à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e ao Metrô. “Vai pra puta que o pariu”, grita o senador, antes de começar a avançar contra o blogueiro. “Eu vou comer o seu cu”, repete, por duas vezes, antes de ameaçar: “Vou te dar um cacete”.

Pilha foi detido pela Polícia Legislativa do Senado na sequência. Aloysio seguiu normalmente para o trabalho e, em nota oficial, ofereceu explicação diferente para o que ocorreu: “Diante da ofensa, tentei segurá-lo até que a segurança do Senado acudisse. Ele, entretanto, fugiu às carreiras, e ameaçou publicar vídeo com xingamentos a mim nas redes sociais. Voltei à carga na saída do Anexo I, quando foi detido pela polícia do Senado”, afirmou.

Nunes, que foi vice-governador e secretário de Assuntos Metropolitanos no governo de Luiz Antônio Fleury (PMDB, 1991-1994) e secretário da Casa Civil no governo Serra (2007-2010), foi citado em e-mails que integram a investigação da Polícia Federal e do Ministério Público sobre a corrupção nos contratos da CPTM e do Metrô. Em mensagem eletrônica de 2008, Jorge Fagali Neto, lobista da Alstom e sucessor de Nunes na secretaria de Assuntos Metropolitanos no governo Fleury, sugeria ao senador o aditamento de um contrato da multinacional francesa em R$ 95 milhões, valor concedido no mesmo ano.

Ainda em 2006, quando era um dos coordenadores da campanha de Serra ao governo do estado, Nunes teria se reunido com lobistas de prestadoras de serviço da CPTM e do Metrô para receber instruções sobre como o governo deveria agir no setor de transportes. O senador nega envolvimento no caso.

Já Pilha, que seria ex-assessor da deputada federal Érika Kokay (PT-DF), envolveu-se recentemente em outra polêmica: em Brasília, vaiou e xingou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, que estava almoçando num restaurante. Pilha, acompanhado de militantes do PT, chamou o ministro de “autoritário”, “corrupto” e “projeto de ditador”, e postou o vídeo do ato nas redes sociais.

Nunes também tem histórico de agressão contra jornalistas: durante as eleições de 2010, durante a realização do debate presidencial da TV Record, o tucano negou-se a dar entrevista à Rede Brasil Atual sob o pretexto de que “essa revista é do PT”, e ofendeu o repórter João Peres, da RBA. “Não vou conversar com você, seu pelego filho da puta”, disse. Da mesma forma que com a agressão contra Rodrigo Pilha, o senador depois contou a história de forma diferente da registrada pelos gravadores dos jornalistas. “Chamei de pelego, mas filho da puta, não”, disse, no Twitter.

FONTE: http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2014/05/questionado-sobre-propina-no-metro-senador-tucano-manda-blogueiro-a-pqp-1029.html

Exame: Justiça decreta sequestro de bens de Eike Batista

De acordo com coluna Radar On-line, valor dos bens apreendidos é de R$ 122 milhões

 

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Daniela Barbosa, de 

VEJA SÃO PAULO

Eike Batista

 Eike Batista: Justiça decretou sequestro de bens do empresário

 São Paulo – Eike Batista já declarou publicamente que não estava preocupado com as investigações envolvendo seu nome. Agora, no entanto, o cenário mudou

Segundo a coluna Radar On-line, do site da revista Veja, a Justiça do Rio de Janeiro teria decretado o sequestro de bens do empresário no valor de 122 milhões de reais.

A decisão, tomada a partir de uma solicitação do Ministério Público, cabe recurso, disse a reportagem.

Eike é investigado pela Polícia Federal do Rio de Janeiro desde o mês passado. A PF abriu inquérito para apurar a possibilidade de crimes financeiros cometidos pelo empresário em 2013, quando ele ainda estava no comando da OGX.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/justica-decreta-sequestro-dos-bens-de-eike-batista

Uma reflexão sobre o linchamento do Guarujá

Se já estivesse em vigor a lei que inclui o estudo e a valorização da herança cultural africana nas escolas, talvez o linchamento não tivesse ocorrido. 

Por Jean Wyllys

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Cenas do vídeo que mostra o linchamento de Fabiane Maria de Jesus, no Guarujá

Não sou membro da Comissão de de Segurança Publica e de Combate ao Crime Organizado, mas, como deputado do PSOL – partido que apresentou à Procuradoria Geral da República uma representação contra a jornalista Rachel Sheherezade quando esta apoiou publicamente o linchamento como resposta à sensação de insegurança nas grandes cidades – e como parlamentar que recentemente aprovou requerimento na Comissão de Direitos Humanos e Minorias para discutir a situação da violência urbana no Rio de Janeiro, além de (e antes de qualquer coisa) como cidadão que se encontra estarrecido com os recentes casos de linchamento no país, não pude deixar de participar da audiência pública que nesta terça-feira à tarde debateu o tema “justiça com as próprias mãos”.

Um dos pontos que achei importante levantar em minha intervenção foi o de que, se não podemos tratar do racismo que hoje perpassa as relações sociais no Brasil sem levar em conta a escravidão que, por séculos, moveu a economia do Brasil; se não podemos caracterizar as elites de hoje sem pensarmos na aristocracia de outrora – e ambas têm a perspectiva dos privilégios e não do direito -, também não podemos tratar dos recentes linchamentos sem levar em conta nossa história mais recente.

As duas décadas da ditadura militar foram tempo suficiente para criar uma cultura na qual certas pessoas são desprovidas de dignidade a ponto de serem vítimas de um crime de lesa-humanidade como a tortura, que continua sendo praticada em delegacias, prisões e nas comunidades mais pobres onde a polícia tem uma presença maior ou onde vigoram estados paralelos como o tráfico e a milícia. Quando pensarmos no “justiçamento” hoje praticado no Brasil, não podemos nos esquecer no modelo de desenvolvimento implantado pela ditadura militar, que provocou migração de pessoas do campo para as grandes cidades, criando as grandes periferias urbanas e todos os problemas que elas enfrentam.

Em que pesem os avanços sociais inegáveis da chamada “era Lula”, o Estado ainda não pagou o débito em educação, saúde, moradia de qualidade, acesso à cultura e à justiça com esse contingente. Sobretudo o débito com a educação de qualidade, que, junto à cultura, tem papel central na construção da ‘vida com pensamento’ e do processo civilizatório. Podemos até ter massificado a educação, mas a qualidade da educação oferecida ainda é baixa. Só uma Educação de qualidade e um acesso amplo a equipamentos de cultura, esporte e lazer – algo a que a grande maioria da população não tem acesso – podem produzir a cultura do respeito à vida e à diversidade humanas.

Não se pode pensar nos linchamentos sem pensar em como a ausência do Estado permitiu, nas periferias, do início do anos 80 até os anos 90, a emergência dos chamados “embriões de Estado”: o narcotráfico e as milícias, que também promovem “justiçamento” à margem do Estado Democrático de Direito e no vácuo da legalidade.

O caldeirão cultural de violências decorrentes dessa negligência institucional também tem sua parcela de responsabilidade nesses atos de justiçamento.

Qualquer um de nós pode ser vítima de linchamento, mas, na prática, as pessoas mais pobres estão mais vulneráveis a ele porque, historicamente, foram alijadas de direitos e descartadas da comunidade de direitos por do ponto discursos que as desqualificam como humanos. Não há exclusão da comunidade de direito sem, antes, haver desqualificação das pessoas excluídas. Os telejornais e, antes, a mídia impressa desqualificam as populações mais pobres, associando-as à criminalidade e à violência urbana – o que justifica a presença apenas da polícia como braço do Estado nessas comunidades. Se estas pessoas são desqualificadas e expulsas da comunidades de direitos, a polícia, ainda que saindo dessa própria comunidade, não as respeitará como sujeitos. Isso fica muito claro quando lembramos dos casos Cláudia, arrastada em um carro da polícia, Amarildo, ambos ocorridos no estado do Rio de Janeiro.

Nós, parlamentares, juramos proteger os princípios da Constituição Cidadã no dia da nossa posse. Mas, a despeito deste juramento, muitos colegas levantam as bandeiras “bandido bom é bandido morto” e “direitos humanos são direitos de bandidos” com uma desonestidade intelectual e falta de discernimento – e isso, de alguma forma, tem relação com os linchamentos.

Algo que não podemos desprezar no linchamento do Guarujá, por exemplo, é o fato de a vítima ter sido, antes, alvo de uma difamação nas redes sociais digitais que a transformara em sequestradora de crianças para sacrifício em rituais de “magia negra”. Ora, além de a expressão “magia negra” ter uma forte conotação racista, já que cunhada pelos colonizadores brancos e cristãos para designar as práticas religiosas dos negros escravos, hoje ela é confundida no senso comum com as próprias religiões de matriz africana, graças à difamação e perseguição que estas sofrem por parte de muitos pastores e obreiros neopentecostais em cultos e telecultos. Ou seja, está claro que os linchamentos têm relação com a promoção da ignorância e com a decorrente prática da intolerância.

Se o governo federal já tivesse, por meio de uma articulação entre Ministério da Educação e das secretarias de Promoção da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, implementado a Lei 10.639 (que inclui o estudo e a valorização da herança cultural africana no currículo escolar), talvez – talvez – o linchamento do Guarujá não tivesse ocorrido. Se os percentuais do orçamento para educação e a cultura fossem maiores que o atuais (pífios!) e empregados em políticas públicas de qualidade nos três níveis da federação, talvez um contigente maior soubesse distinguir uma difamação nas redes sociais de uma notícia apurada ou denúncia fundamentada e não saísse espancando pessoas por causa de boatos que despertam seus preconceitos.

Não quero dizer, com isso, que a culpa seja só do governo federal. Eu seria desonesto e injusto se o dissesse. Os governos estaduais e municipais também são culpados, sobretudo porque gangrenados por esquemas de corrupção que desviam os recursos da educação e da cultura para enriquecimento privado. Como expliquei acima, o poder Legislativo também tem sua parcela de culpa; parte da mídia também (uma grande parcela!) e, claro, o poder Judiciário, que ainda funciona de maneira seletiva e exclui os mais pobres do acesso à justiça e à mediação de conflitos.

Mas jamais nos esqueçamos de que governos, poderes, mídia e instruções são pessoas; e de que, em última instância, colocar-se contra “justiçamentos” e linchamentos é um questão individual. Que o defensor e praticante do linchamento consiga, num lampejo de lucidez, imaginar que, dado esse caldeirão de ignorância e ódio, a próxima vítima pode ser ele mesmo. E aí?

FONTE: http://www.cartacapital.com.br/politica/ainda-os-linchamentos-3650.html