Política de 0% de agrotóxicos na água mineral… só que é na Alemanha

O Brasil ocupa hoje o posto de maior consumidor mundial de agrotóxicos, mas essa evolução não tem resultado em mudanças substanciais no controle de fontes de contaminação ou, tampouco, de proteção das fontes de água. Para completar esse cenário o agronegócio e seus representantes no congresso nacional continuam pressionando para ampliar ainda mais o grau de permissividade na liberação de mais compostos para uso na agricultura brasileira.

O interessante é que na Alemanha, país que sedia algumas das maiores corporações produtoras de agrotóxicos, até a indústria da água engarrafada vem adotando medidas para impedir contaminação das suas fontes como mostra a imagem abaixo da água mineral Vittel.

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A pergunta que não quer calar é a seguinte: quando é que vamos começar a adotar as boas coisas que o capitalismo desenvolvido já adota de forma corriqueira?

FSP: Eike Batista doa aos filhos que têm valor estimado em R$ 50 milhões

Raquel Landim de São Paulo, Renata Agostini de Brasília

No ano passado, Eike Batista, o homem que já foi o mais rico do país, tornou-se um “sem-teto”. Ele doou suas principais residências -as mansões no Jardim Botânico, área nobre do Rio, e em Angra dos Reis, no litoral fluminense- para os filhos Thor e Olin, do casamento com a modelo Luma de Oliveira. Nas escrituras de doação, encontradas pela Folha em um cartório carioca, o valor dos imóveis é declarado, respectivamente, em R$ 15 milhões e R$ 3,7 milhões. Mas cálculos feitos por uma corretora apontam que as mansões valem, juntas, pelo menos R$ 50 milhões.

A residência carioca estaria avaliada em cerca de R$ 30 milhões. Já a casa de veraneio não sairia por menos de R$ 22 milhões, considerando apenas os 16.500 metros quadrados do terreno. As projeções não levam em conta os acabamentos e estruturas como hangar para os barcos, heliponto e outros luxos da propriedade.

A doação da mansão no Rio para os filhos ocorreu em junho de 2013, quando a crise no império de Eike já era evidente e o empresário renegociava dívidas bilionárias com os credores na holding EBX. As duas casas pertenciam ao ex-bilionário desde o fim da década de 1980.

A OGX enfrentava uma situação muito delicada, com as ações despencando, após confirmar que não tiraria petróleo de vários de seus campos. A petroleira e o estaleiro OSX atrasavam pagamentos para bancos e fornecedores.  Em dezembro, quando Eike passou a casa de Angra dos Reis para o nome dos dois filhos, ambas as companhias já tinham pedido recuperação judicial. Segundo advogados especializados em direito imobiliário e falências consultados pela Folha, as doações só serão consideradas lesivas aos credores se Eike não tiver dinheiro suficiente para honrar todas as dívidas que assumiu na pessoa física.

O empresário costumava avalizar com seu patrimônio pessoal empréstimos concedidos pelos bancos a suas companhias. A reportagem apurou que ele ainda possui cerca de US$ 1 bilhão de avais dados em seu nome.

Procurada, a assessoria de Eike Batista afirmou que não iria comentar o assunto e não revelou o tamanho do patrimônio que resta ao empresário. Ele vendeu, por exemplo, seu jato particular, enquanto o iate Pink Fleet virou
sucata.

EXIBICIONISMO

As mansões doadas aos filhos Thor e Olin já entraram para o “folclore” em torno da figura de Eike. Dentro da sala da casa no Jardim Botânico, Eike estacionava um Mercedes SLR MacLaren, que virou símbolo de seu estilo
exibicionista.

Era na mansão, que tem vista privilegiada do Cristo Redentor e faz divisa com o Horto Florestal carioca, que Eike recebia políticos e empresários. Até a cantora Madonna já foi fotografada saindo de lá, após jantar com o então
bilionário.

Tanto no auge quanto na queda, a casa foi palco frequente de encontro de Eike com seus executivos. Quando o império X ainda estava em construção, ficou famosa a reunião na casa em que o empresário chamou seus executivos de “guarda pretoriana”, em referência aos soldados que defendiam o imperador romano.

Também foi na mansão o encontro que Eike teve com os executivos quando sua petroleira já estava às vésperas da recuperação judicial, para acalmar os ânimos e garantir que a OGX tinha futuro. A casa de Angra dos Reis, um refúgio comum do empresário nos fins de semana, está instalada num amplo terreno de frente para o mar e conta com cinco construções diferentes, com heliponto e hangar para os iates.

Foi num fim de semana no balneário que Eike convenceu Cynthia Carrol, então presidente da Anglo American, a comprar sua mineradora MMX por US$ 5,5 bilhões -um negócio do qual ele deve se arrepender até hoje pelo prejuízo que trouxe a companhia britânica.

Eike Batista doa aos filhos casas que têm valor estimado em R$ 50 mi

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/05/1449061-eike-batista-doa-aos-filhos-casas-que-tem-valor-estimado-em-r-50-mi.shtml

Desapropriação no Açu é suspensa pelo TJ-RJ

Divulgação
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Área foi desapropriada para integrar o Porto do Açu

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) suspendeu mais uma desapropriação realizada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (Codin), visando à construção do Complexo Portuário do Açu, no 5º distrito de São João da Barra (SJB), no Norte Fluminense.

Na ação, interposta na Justiça contra a Codin, três irmãos agricultores alegaram que os valores oferecidos pelo Governo do Estado são irrisórios. A propriedade de 42,3 hectares está localizada em Campo de Areia. Em nota, a Codin informa que vai avaliar, sob aspecto jurídico, quais as medidas cabíveis. E reitera que atua sempre de acordo com os requisitos legais.

O advogado Rodrigo Pessanha, que representa os irmãos, disse que entrou com agravo de instrumento no TJ-RJ requerendo a cassação da decisão de primeira instância. Um dos fundamentos do pedido foi que os imóveis não foram descritos corretamente no processo e que os valores oferecidos eram “irrisórios”.

“O recurso subiu ao tribunal e a decisão pela suspensão foi prolatada pelo presidente da 11ª Câmara Cível do TJRJ, desembargador Cláudio de Mello Tavares. Foi cassada a decisão da primeira instância e a Justiça ordenou que fosse feita uma nova avaliação na propriedade”, comentou Pessanha, lembrando que o valor ofertado pelo Estado foi de R$ 1,46 por metro quadrado, mas que esta área estaria avaliada em R$ 10,18 por metro quadrado.

Jean Wyllys oferece descrição detalhada da visita à cela de Zé Dirceu

O que vi (e ouvi) em minha visita à Papuda

Por Jean Wyllys, deputado federal pelo PSOL/RJ

Recentemente a imprensa noticiou a respeito da diligência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias ao presídio da Papuda, destacando, de forma equivocada, que a diligência tentava garantir melhores condições ao ex-ministro José Dirceu, ou que foram encontradas ali regalias em seu tratamento ou suas instalações.

Inúmeras notícias dão a entender que houve uma grande divergência de opiniões, em especial entre a minha avaliação e a da minha colega, Mara Gabrilli, uma grande parceira de lutas que vão muito além da questão partidária. Temos, em comum, a luta pela inclusão como um norte em nossos trabalhos. Apenas discordamos pontualmente, o que é natural. Todos visitamos, juntos, as instalações, e pudemos, ao mesmo tempo, avaliar as condições.

Fui ali a convite da própria Comissão, para averiguar se o ex-ministro José Dirceu gozava mesmo de regalias em relação aos demais presos da unidade denunciadas pela imprensa – denúncias que serviram de motivo para o STF lhe negar o direito de trabalhar fora da prisão – e inspecionar as condições gerais da unidade prisional, com ênfase na situação dos presos paraplégicos e gays e transexuais. Para cumprir esse objetivo, nós fizemos uma oitiva demorada o com o diretor da unidade (CIR), com gestores e agentes penitenciários e com o coordenador geral do sistema carcerário do DF, e, finalmente, uma visita às celas da unidade, entre elas a de Dirceu.

Houve, entre os parlamentares, divergências em relação às condições percebidas ali. Enquanto alguns apontaram que a cela tinha um tamanho maior que a dos demais presos, a situação de insalubridade das instalações é a mesma para todos eles. Nenhum dos deputados, porém, foi até ali com o objetivo de medir colchões ou testar as instalações. O objetivo, sim, foi o de verificar – e denunciar – as condições gerais daquele presídio. Conhecer, por exemplo, a realidade de presos cadeirantes, soropositivos, LGBTs, entre outros, para que a possibilidade de um cumprimento digno da pena esteja disponível a absolutamente todos, o que é uma responsabilidade e dever do Estado.

Faço, abaixo, um relatório do que vi e ouvi ali. Não é o relatório oficial desta diligência, mas é uma forma de esclarecer o que foi por mim percebido naquela visita. Outros deputados também fizeram suas considerações a respeito, assim como o faço agora.

Segundo os gestores da unidade prisional, é parte da política carcerária manter uma separação dos apenados cujos crimes tenham repercutido muito nos meios de comunicação – despertado paixões – dos demais encarcerados, assim como é parte da mesma política separar os criminosos sexuais e os policiais criminosos dos outros detentos. O objetivo é proteger a vida do apenado – já que ele está sob a tutela do Estado – e ao mesmo tempo a própria massa carcerária (esta de motins e rebeliões). É parte da política carcerária também criar um regime diferenciado de visitas para esse tipo de apenado no intuito de evitar que seus parentes sejam tomados como reféns para negociação em rebeliões.

Sendo assim, o isolamento de Dirceu da massa carcerária e o regime diferenciado de visitas não são regalias, como noticiado na imprensa, mas uma política carcerária já posta em prática muito antes de seu ingresso na unidade. Ele não tem mais visitas que os demais presos, apenas as recebe em dia e hora diferentes por uma questão de segurança.

É também parte da política carcerária permitir a visita de advogados a seus clientes na hora e no dia que eles, os advogados, solicitarem. Se Dirceu recebe mais visitas de advogados que os demais presos não é porque isso seja uma “regalia”, mas tão somente porque a maior parte da massa carcerária – em sua quase totalidade pobre, jovem e negra – é privada do acesso à Justiça e não conta com advogados. A culpa não é de Dirceu, mas de um sistema excludente e injusto que priva contingentes de direitos, com o aval de boa parte da sociedade que advoga que, “bandido bom é bandido morto”.

Sendo assim, não se pode dizer que a visita dos advogados de Dirceu seja uma regalia, quanto menos a feijoada que José Dirceu comeu em um sábado. Segundo a administração do presídio, o funcionamento, dentro da unidade, de uma cantina com alimentos, cigarros e material de higiene é também parte da política carcerária; esses alimentos podem ser comprados com o dinheiro que os familiares são autorizados a deixar a cada visita (R$ 125 reais). Aquilo, então, não era uma “regalia”, mas tão somente fruto dessa política.

Todos os presos recebem café com leite no café da amanhã. Já frutas – exceto as cítricas e com cascas -, só as recebem os presos com dietas recomendadas pelos médicos e profissionais de saúde que os atendem, como é o caso de Dirceu.

Os gestores negaram peremptoriamente que Dirceu tenha feito uso de celular. Sindicância realizada sob fiscalização do Ministério Público mostrou que a denúncia não procede. Os gestores, entretanto, admitem que, apesar da rigorosa fiscalização, celulares já foram apreendidos em celas de outros presos e que os aparelhos entram na unidade prisional “intocados” nas vaginas e ânus de familiares em dias de visita (segundo os gestores, o scanner de corpo é eficiente mas não infalível, dado os tamanhos e as levezas dos novos aparelhos celulares).

Na visita à cela de Dirceu, constamos que a mesma era uma antiga cantina que foi adaptada como cela para receber os réus do mensalão. Neste espaço em que cabem oito pessoas, foram colocadas 11. Dirceu encontrava-se sozinho porque os demais trabalham durante o dia, já que estão em regime semi-aberto. A cela continha infiltração e estava limpa. Havia uma tevê pequena. Nenhum dos diligentes testou o chuveiro da cela, portanto não há como saber se havia, ali, água quente ou não. Neste ponto, faço uma observação: apesar de todos termos visitados, juntos, as instalações, a entrada da minha colega, Mara Gabrilli, foi impossível, já que sua cadeira não passava pela porta, o que é algo realmente questionável em uma instalação que também precisa atender cadeirantes (Mas essa posição não impedia Mara de observar a Cela nem de conversar com Dirceu). Mais abaixo, falo das péssimas situações destes cadeirantes presenciadas por nós.

Visitamos também outras celas em que haviam mais aparelhos e conforto (tevê, microondas, sanduicheira e fogão) que a de José Dirceu. De acordo com os gestores, nem todas as celas dispõem desses bens porque 1) a maioria dos presos é pobre e seus familiares idem, o que lhes impede de comprar esses bens; 2) a direção da unidade não pode liberar a presença desses bens nas celas em que haja presos que possam causar dano a um colega ou à estrutura da prisão (como botar fogo em colchão ou queimar a mão de um colega na sanduicheira, por exemplo).

Vistamos, ainda, celas em que há mais presos que a capacidade máxima e constatamos que presos em cadeiras de rodas nem sempre são contemplados por uma política diferenciada que leve em conta sua vulnerabilidade e especificidades (banho de sol em horários diferentes e separação da massa carcerária para que sua cadeira de rodas não seja tomada para ser transformada em arma). Na mesma cela em que havia dois cadeirantes – acompanhados de um preso cuidador, o que é bom e recomendado – havia também dois com doenças infecto-contagiosas que não foram especificadas.

Um dos cadeirantes é um jovem rapaz mineiro, atingido por um tiro que o deixou paraplégico durante um assalto. Mesmo não tendo cometido crime contra a vida, está preso nestas condições degradantes – o que está muito distante de um cumprimento digno de uma pena e é uma situação que, em geral, não recebe atenção por parte de nenhum veículo de imprensa.

Constatamos ainda o total despreparo dos gestores e agentes carcerários para lidar com as vulnerabilidades e especificidades do contingente de gays e transexuais presos, situação que pode ser mudada com o apoio dos deputados da Frente LGBT.

Em resumo, constatamos que a unidade, em que pese ser uma das melhores do país no quesito respeito aos direitos humanos da população carcerária, ainda tem muito que avançar. A maior parte da massa carcerária está privada de condições dignas para cumprir a pena devido a um processo de exclusão e violação de direitos que antecede o ingresso na prisão.

De forma pessoal, constatei que o senhor José Dirceu não goza de qualquer das “regalias” apontadas pela imprensa e que serviram de justificativa para o STF lhe negar o direito a um trabalho fora. O que espero é que seja feita a justiça de forma honesta e consciente, e que esta independa das condições do apenado. E, acima de tudo, nós, os deputados comprometidos com o respeito aos direitos humanos, cobramos que as cadeias ofereçam um espaço digno para que os presos possam ser reinseridos à sociedade, ao contrário do senso comum de que as cadeias devam ser apenas um depósito de seres que um dia foram humanos.

FONTE: http://jeanwyllys.com.br/wp/o-que-vi-e-ouvi-em-minha-visita-a-papuda

JB:MPF vai investigar governo do Rio e empreiteiras nas obras do PAC

Suspeita de irregularidades diz respeito às licitações realizadas para as obras e desvio de material

Jornal do Brasil, Cláudia Freitas

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito para investigar supostas irregularidades nas licitações realizadas para as obras públicas financiadas com o recurso do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas comunidades da Rocinha, na zona Sul do Rio de Janeiro, no Conjunto de Favelas do Alemão e na Mangueira, ambos na zona Norte. O MPF considera como possíveis responsáveis pelas fraudes o Governo do Estado e as empreiteiras Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e Noberto Odebrecht. A Andrade Gutierrez entrou em contato com o Jornal do Brasil  para negar a acusação e alegou não ser responsável por nenhuma das obras mencionadas. O pedido de investigação é do Ministério Público do Estado (MPE), após os líderes comunitários das áreas atingidas procurarem o órgão para mover uma ação judicial contra os envolvidos com as obras do PAC nessas regiões.

Na Rocinha, Teleférico é desaprovado pela comunidade
Na Rocinha, Teleférico é desaprovado pela comunidade

O inquérito civil movido pelos líderes comunitários está tramitando na 2a.Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Ordem Urbanística do Ministério Público do Rio, desde novembro de 2013, e tem como finalidade apurar a suposta ausência de finalização das intervenções do Programa de Aceleração do Crescimento (Pac 1) na comunidade da Rocinha, cuja finalização estava prevista para o mês de abril de 2011. A ação pede ainda uma investigação dos gastos de verbas federais nas obras do Pac 1 na comunidade, em conformidade com a legislação para esse tipo de investimento.

O conteúdo da ação do MPE cita que o patrimônio público e social do PAC 1 na Rocinha pode ter sido alvo de supostos desvios de material de construção destinados às obras na comunidade, representando possíveis irregularidades. O pedido de apuração ao MPF se estende para as licitações realizadas para as obras públicas financiadas com o recurso federal nas comunidades do Complexo do Alemão e Manguinhos.

Ainda de acordo com o processo, a secretaria de Obras do Estado recebeu um ofício do MPE no dia 12 de março de 2014, assinado pela promotora de Justiça Roberta Rosa Ribeiro, comunicando sobre a ação e solicitando esclarecimentos sobre a ausência de finalização das intervenções da primeira etapa do PAC na Rocinha. O Chefe de gabinete da secretaria Estadual de Obras, José Orlando Rabelo, pediu prazo de mais 30 dias para apresentar um parecer sobre o fato. O pedido foi aceito pela promotoria.

>> Rocinha e Alemão pretendem processar Estado por causa de Teleférico

Os representantes do movimento “Rocinha Sem Fronteiras” entraram com as representações de resistência à implantação do Teleférico na comunidade aliados ao Instituto Raízes em Movimento do Complexo do Alemão. As entidades procuraram o MPE-RJ para denunciar o governo do Rio de praticar violação dos direitos humanos e pelo não cumprimento de lei federal 10.257, que determina a participação da população em decisões nas obras de intervenção governamental, no caso do Alemão, e pela não execução das obras do Pac 1, na Rocinha.

Para o líder do movimento “Rocinha sem Fronteiras”, José Martins de Oliveira, a execução do PAC 1 e 2 na comunidade foi marcada por muitas falhas e irregularidades. O Teleférico é considerado por ele o maior engano no planejamento estratégico do governo do Estado. “Essa obra [Teleférico] no projeto do PAC 2 mobiliza a maior parte da verba do plano e não atende as verdadeiras reivindicações da população daqui. É um presente de grego”, avalia Martins. Segundo o líder comunitário, as obras do PAC 1 foram discutidas com o governo em 2005, e dava prioridade ao saneamento básico na Rocinha, além do prazo de execução dado pelas autoridades era de 10 anos, através do Plano de Desenvolvimento Social. Martins afirmou que em nenhum momento durantes as inúmeras reuniões foi citada a construção do Teleférico.

Teleférico no Alemão é criticado pela comunidade
Teleférico no Alemão é criticado pela comunidade

No ano de 2007 as obras tiveram início, foram paralisadas pelo governo estadual em 2010, com mais de 25% do projeto pendente, inclusive o saneamento básico. O PAC 2, no entanto, prevê a finalização das obras, mas dá prioridade ao Teleférico. A maior preocupação dos moradores da Rocinha é acontecer uma situação semelhante a do Complexo do Alemão. “Estivemos reunidos com os líderes comunitários do Alemão e eles nos contaram que o Teleférico que deveria atender os moradores da região só tem serventia para os turistas. Muitas obras que estavam previstas não aconteceram e o saneamento que também era prioridade da comunidade não chegou até os dias de hoje. Na verdade, o governo não discute com os moradores como a verba deve ser empregada”, disse Martins.

Desde o final do ano passado, a Rocinha e o Alemão se uniram nas revindicações para o MPE investigar a paralisação das obras e para que o Ministério das Cidades acolha as suas prioridades. O inquérito instaurado pelo MPF é um dos frutos mais recentes dessa parceria entre comunidades. Alan Brum, coordenador do Instituto Raízes em Movimento do Complexo do Alemão, em parceria com a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), presidida pelo deputado Marcelo Freixo (PSOL), entrou também com uma representação no Tribunal de Contas do Estado (TCE) contra o governo do Rio, exigindo o retorno das obras inacabadas do PAC e a prestação de contas aos moradores de todos os gastos do referentes ao projeto.

O Teleférico do Alemão foi indicado como principal investimento das melhorias apresentadas pelo governo estadual à comunidade pacificada, como parte integrante do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e recebeu o recurso de R$ 210 milhões investidos pelos governos federal e estadual. Porém, dois anos depois da sua inauguração, no dia 7 de julho de 2011, o Teleférico Alemão é alvo de crítica dos moradores e, segundo eles, não atende às necessidades básicas de mobilidade, integração social e melhorias na qualidade de vida, como sugerido no seu projeto original, que teve como inspiração o modelo da cidade colombiana de Medellín.

FONTE: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2014/05/03/mpf-vai-investigar-governo-do-rio-e-empreiteiras-nas-obras-do-pac/

Amarildo e Douglas

Por Frei Betto*

Primeiro, mataram Amarildo de Souza. Ajudante de pedreiro, pai de família, reputação ilibada, caiu em mãos de policiais da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da favela da Rocinha, no Rio, e desapareceu.

Sabe-se, hoje, que sofreu espancamentos até a morte atrás da cabina da Policia Militar, na Rocinha. Seu corpo continua desaparecido. Paira a suspeita de que teria sido triturado em uma caçamba de caminhão de lixo.

Agora assassinaram o bailarino Douglas Rafael Pereira, encontrado morto, com um tiro nas costas, na creche da favela Pavão-Pavãozinho, na divisa de Copacabana com Ipanema. Testemunhas viram-no em mãos de policiais militares da UPP local.

Favela não é reduto de bandidos nem a Polícia Militar uma corporação de assassinos. Moram em favelas famílias trabalhadoras sem recursos para adquirir um imóvel melhor ou pagar aluguel em áreas urbanizadas, dotadas de saneamento e vias asfaltadas.

Há, sim, entre os moradores da comunidade, bandidos e traficantes de drogas, assim como eles também são encontrados em bairros como o Morumbi de São Paulo e a Barra da Tijuca, no Rio, onde residem famílias de alto poder aquisitivo.

Nas décadas de 1970-80, a expansão de movimentos populares no Brasil se estendeu para o interior das favelas. Por razões pastorais, morei na de Santa Maria, em Vitória, entre 1974 e 1979. Naqueles cinco anos participei de uma comunidade relativamente bem organizada em torno do Centro Comunitário. No Rio e em São Paulo multiplicavam-se Associações de Moradores.

Em fins dos anos 1980 e início da década seguinte, lideranças comunitárias da periferia começaram a ser cooptadas por prefeitos e governadores. Como ocorre hoje com a UNE e as centrais sindicais, as entidades comunitárias perderam credibilidade na medida em que se transformaram em agentes do poder público junto à população, quando deveriam atuar na direção inversa.

A acefalia abriu espaço ao narcotráfico, que passou a monitorar favelas e bairros da periferia. Na ausência de serviços públicos básicos, o narcotráfico desempenha o papel de assistente social, assegurando tratamento de saúde, bolsas de estudos, transporte e crédito aos desfavorecidos.

Por sua vez a PM, um resquício da ditadura, tornou-se, no Rio e em São Paulo, o avatar na guerra contra o narcotráfico. A ação preventiva deu lugar à mera ação repressiva. Sem preparo pedagógico e psicológico, policiais militares encaram moradores de favelas como o governo dos EUA jovens muçulmanos: todos são suspeitos até prova em contrário.

Como declarou um amigo e vizinho de Douglas, os PM tratam os moradores da favela com arrogância. Muitos não admitem que a pessoa abordada mire em seus olhos. Sentem prazer sádico em ver o cidadão humilhado, de cabeça baixa, suplicando por clemência. Achacam o comerciante local, bebem e comem de graça em bares e lanchonetes da comunidade, recebem propinas do narcotráfico para fazer vista grossa frente ao crime organizado.

O governo do PMDB no Rio, com apoio do PT, acreditou ter inventado a roda ao instalar UPPs em áreas de conflitos. Cometeu duplo erro: por não fazer os serviços públicos acompanhar a entrada de policiais nas comunidades e por não capacitar os integrantes das UPPs.

A ação repressiva não veio casada com a ação educativa. Crianças e jovens continuaram sem escolas de qualidade, oficinas de arte, áreas de lazer e esportes. E por vestirem uma farda e portarem armas, PMs se arvoram em senhores acima do bem e do mal. Revistam um trabalhador como um senhor de engenho tratava um escravo em tempos coloniais.

O estranho é que muitos policiais, moradores em favelas, não se reconhecem em seus amigos de infância e vizinhos, e agem como se não fossem um deles.

Amarildo e Douglas, como tantos outros anônimos, foram sacrificados pela prepotência. Quem será a próxima vítima?

Amarildo e Douglas são mortos insepultos. Seus sacrifícios clamam por um Estado que efetivamente reduza a desigualdade social, construa mais escolas que prisões, incuta nos policiais o sagrado respeito aos direitos humanos, e puna com rigor bandidos de colarinho branco e assassinos fardados.

Se até hoje o Estado brasileiro não obrigou as Forças Armadas a abrir os arquivos da ditadura nem puniu os torturadores, não é de se estranhar que policiais se sintam no direito de ignorar a lei e a cidadania, para agir como se fossem apenas UPPs – Unidades de Policiais Pervertidos.

Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou” (Saraiva), entre outros livros.

(Adital)

FONTE: http://www.mercadoetico.com.br/arquivo/amarildo-e-douglas/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

El País: As favelas se levantam contra a violência policial

O Rio registra mais de 500 mortos por mês, além dos milhares de desaparecimentos, provocados por uma violência desmedida

 
 Rio de Janeiro 

Quatro ônibus foram incendiados neste sábado em Niterói. / AGÊNCIA O GLOBO

Não é notícia que no Rio do Janeiro os principais indicadores de segurança tenham piorado de forma alarmante no último ano. Mas é notícia que os moradores das favelas, cansados de pagarem a conta das intervenções policiais indiscriminadas contra as quadrilhas de traficantes e das tristemente populares balas perdidas, tenham decidido romper o silêncio e encarar um Estado que historicamente os trata como cidadãos de segunda. Uma imagem que vem sendo habitual nos últimos meses é a de grupos de moradores de diferentes favelas cariocas interrompendo o tráfego de ruas e avenidas, incendiando ônibus e veículos públicos, montando barricadas ou recebendo a polícia a pedradas. As fotos são muito claras: nelas se observam mulheres e homens de idade avançada, mães e jovens sem armas de fogo que, estimulados pelas permanentes manifestações que se estendem pelo Brasil, lançam agora um grito de cansaço desesperado, contido durante décadas.

Nas imediações da favela do Caramujo, em Niterói, os moradores interromperam uma rodovia nesta sexta-feira e atearam fogo a quatro ônibus e três carros em resposta a duas mortes registradas nas últimas horas na mesma região. Pouco depois de deixar a igreja de Nossa Senhora de Nazaré, Anderson Santos Silva, de 21 anos, se viu encurralado em um fogo cruzado entre narcotraficantes e policiais que pretendiam reprimir um baile funk que acontecia naquela noite na favela. Ao tentar proteger a seus familiares do tiroteio, Anderson recebeu um disparo e morreu horas depois. Sua irmã também ficou ferida. O jovem Emanoel Gomes circulava de moto pelo mesmo subúrbio quando foi atropelado por um blindado do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Ambas as mortes levaram um nutrido grupo de moradores a tomar a justiça nas próprias mãos, incendiando ônibus e carros e interrompendo o trânsito. Protestavam contra uma polícia que parece retornar aos velhos hábitos de perseguição e destruição dos traficantes, geralmente agindo sem muitos melindres com a população local.

A ONG Rio de Paz resumiu as estatísticas publicadas durante os últimos oito anos (2007-2014) pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio do Janeiro. E os números são alarmantes: no Estado de Rio, foram registados neste período 35.879 homicídios dolosos, 285 lesões corporais seguidas de morte, 1.169 roubos seguidos de morte, 5.677 mortes derivadas de intervenções policiais, 155 policiais militares e civis mortos em ato de serviço. Total: 43.165 falecidos. Ou seja, mais de 500 mortes por mês provocadas por uma violência desmedida. Esses números não levam em conta os mais de 38.000 desaparecidos nem as mais de 31.000 tentativas de homicídio.

No Complexo da Maré, recém-ocupado pelo Exército brasileiro, também foram registrados nos últimos dias duas mortes de civis suspeitos de trabalharem para o narcotráfico. O fato gerou uma onda de indignação entre os moradores do complexo, que não entendem como uma ocupação militar com fins pacificadores pode começar causando vítimas mortais desde o primeiro momento. Claudia Silva Ferreira, a mulher de 38 anos que no último dia 16 de março morreu vítima de balas perdidas numa favela da zona norte do Rio e que, para maior escárnio, foi arrastada ao longo de 250 metros por um veículo da Polícia Militar que a levava para ser atendida em um hospital, se tornou outro dos ícones dos últimos tempos contra a violência policial. A morte de Claudia também desatou a ira dos moradores e uma enxurrada de críticas à polícia nas redes sociais.

No começo de abril, um grupo de moradores da favela do Cantagalo, no rico bairro de Ipanema, desceu do morro, interrompeu as ruas e incendiou caçambas de lixo depois que dois dos seus moradores ficaram feridos a tiros. Nas imediações da favela de Vila Kennedy, outro grupo de cidadãos interrompeu no fim de fevereiro a movimentada Avenida Brasil. A morte de um morador em um confronto armado entre policiais e narcotraficantes foi igualmente o estopim da fúria coletiva. Dias depois, o Batalhão de Operações Especiais ocupava a mesma comunidade para sua futura pacificação.

Mas o caso que mais rios de tinta e mais protestos gerou foi o do ajudante de pedreiro Amarildo de Souza, torturado até a morte e desaparecido por um grupo de policiais pacificadores na favela da Rocinha. A pressão gerada pelos constantes protestos e mobilizações organizados pelos moradores da maior favela do Rio conseguiu algo inédito até hoje: que os responsáveis tenham sido identificados e estejam respondendo perante a Justiça. Enquanto isso, as operações policiais continuam ocorrendo nas favelas do Rio, a menos de dois meses do início da Copa do Mundo. Nelas, registram-se mortos e feridos, mas raramente a polícia se responsabiliza por eles.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/20/politica/1397952771_527057.html

Ônibus gratuito em Campos? Como assim, cara-pálida?

As imagens abaixo são parte de um esforço de propaganda da Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes que, aparentemente, visa promover a ideia de que medidas sérias estão sendo tomadas para superar a grave crise que atravessa o sistema de transporte público na nossa cidade. E o interessante é que as faixas que aparecem promovendo a ideia de que a gratuidade está na ordem do dia aparecem com créditos para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

gratuito

A questão que se abate sobre a minha pessoa enquanto pagador de impostos é a seguinte: transporte gratuito, como assim transporte gratuito? Até onde eu saiba na administração pública não há nada de gratuito. O pior é que na imensa maioria das vezes, esse tipo “gratuidade” acaba saindo muito caro. E adivinha quem acaba pagando a conta? Sim, nós, os contribuintes.

 

Audiência reúne mais de 400 atingidos em Cachoeiras de Macacu

Por CombateRacismoAmbiental

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Nesta segunda-feira (28), a Audiência Pública organizada pela Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) reuniu mais de 400 pessoas em Cachoeiras de Macacu (RJ), localizada a cerca de 100 km da capital, para debater o projeto de barragem previsto para o rio Guapiaçu.

O evento – realizado à beira da área que pode ser alagada pelo lago da barragem – contou com a presença do Ministério Público Federal, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Levante Popular da Juventude, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sub Comitê de Bacia da Guanabara, sindicatos rurais da região, professores e estudantes da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), além representantes do legislativo federal, estadual e municipal.

Proposto pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, o projeto para o rio Guapiaçu faz parte da compensação ambiental imposta ao Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) – maior obra da história da Petrobrás -, que atualmente se encontra em fase de construção no município de Itaboraí, localizado ao lado de Cachoeiras de Macacu.

Atualmente empregando 29 mil trabalhadores, o Comperj deverá iniciar sua operação apenas em 2016. Apesar disso, os municípios do Leste Fluminense já sofreram um grande impacto com a chegada do empreendimento, que pode se tornar um dos maiores centros de refino de petróleo do mundo.

Entre os impactos está o aumento populacional da região e, conseqüentemente, o acrescimento nos níveis do consumo de água. A barragem do Guapiaçu serviria para suprir essa demanda.

A barragem, se construída, poderá atingir diretamente três mil pessoas, além de incidir sobre uma cadeia produtiva de quinze mil trabalhadores, que gera anualmente aproximadamente R$ 100 milhões. A região movimenta uma produção diária de 55 toneladas de alimentos, liderando o plantio de aipim e milho, produtos destinados principalmente ao consumo da cidade do Rio de Janeiro.

Nesse sentido, grande parte dos atingidos ressalta a importância de continuar em suas terras. “É minha sobrevivência, eu não sei fazer mais nada, dependo desta terra, sem essa terra eu não sou nada. Você vai fazer o que com 60 anos por aí em outro lugar? Temos que lutar contra a barragem. Pra barragem aqui a resposta é não e não”, afirma o agricultor Dionísio, morador de um dos 142 lotes da antiga fazenda Serra Queimada, submetida à reforma agrária no ano de 2002.

Dionísio vive na região há mais de 50 anos e retira de seus três hectares uma média de 20 mil reais anualmente a partir da sua plantação de mandioca. A agricultura familiar é a principal fornecedora de alimentos básicos para a população brasileira, segundo dados do IBGE. A produção do seu Dionísio integra os 87% de toda a mandioca produzida pelos pequenos agricultores que chega à mesa dos brasileiros.

dionisio macacu

Para o membro da coordenação nacional do MAB, Leonardo Maggi, as obras devem ser suspensas até que o Governo do Estado abra um canal de diálogo com os atingidos e apresente todas as informações referentes à barragem. “Exigimos a suspensão imediata de todas as obras em andamento no leito da barragem, que já foi provada ser totalmente ilegal, imoral e injusta. O governo tem que explicar para o povo quais são seu verdadeiros planos para o rio Guapiaçu”, afirma.

Ao final do evento foram tirados como encaminhamentos a abertura de uma Audiência Pública permanente para consulta da população, além da criação de um Grupo de Trabalho específico na Alerj para pensar alternativas ao projeto de barragem de Guapiaçu.

Uma nova audiência foi agendada para o próximo mês.

Irregularidades

O membro da Associação de Geógrafos Brasileiros e do Grupo de Trabalho sobre os impactos de grandes empreendimentos no espaço agrário do Rio de Janeiro, Eduardo Barcellos, aponta diversas irregularidades no processo de licenciamento da barragem do Guapiaçu.

A primeira e mais grave é o duplo papel exercido pela Secretaria de Meio Ambiente, que ao mesmo tempo é proponente e avaliadora do projeto. “Ela está avaliando uma proposta que ela mesma propôs. É uma fragilidade enorme do ponto de vista institucional, você não tem um licenciamento isento”, afirma.

Além disso, o pesquisador assinala irregularidades nos decretos expropriatórios, publicados pelo Governo Estadual em setembro e novembro de 2013, sem um parecer oficial do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), órgão ambiental responsável no Rio de Janeiro. “Eles declararam uma área de utilidade pública que nem sequer foi avaliada pelo órgão ambiental. Isso fratura todo o processo de licenciamento, que seria apresentar os estudos ambientais, fazer as audiências públicas, consultar a população pra depois decidir a viabilidade do projeto”, ressalta.

O decreto ainda prevê uma indenização de 5 mil reais para cada hectare desapropriado. Como a região do Guapiaçu é formada por pequenas propriedades – minifúndios de 3 a 4 hectares – a indenização para cada família ficaria entre 15 e 20 mil reais em média. “Você não consegue comprar um barraco na região metropolitana do Rio de Janeiro por esse valor”, ressalta Eduardo.

FONTE: http://racismoambiental.net.br/2014/04/rj-audiencia-reune-mais-de-400-atingidos-em-cachoeiras-de-macacu/