Estudante da UENF fala das suas dificuldades cotidianas numa universidade sem acessibilidade

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O estudante Luiz Antonio Silva é uma prova de resistência e firmeza de propósitos e venceu muitas barreiras para integrar o corpo discente do curso de Licenciatura em Química da Universidade Estadual do Norte Fluminense em Campos dos Goytacazes.  Lamentavelmente para ele, a UENF não possui o mínimo exigido pelo Ministério de Educação e Cultura para o acolhimento de pessoas com necessidades especiais no ensino superior.

Veja abaixo um depoimento rápido que Luiz Antonio me ofereceu no dia de hoje. E não custa lembrar que a UENF gastou mais de R$ 1 milhão para supostamente tornar o campus Leonel Brizola mais acessível!

Alguém avise o (des) governador Pezão que os estudantes da UENF também estão em greve

Em sua entrevista no Programa Panorama Continental e que foi ao ar nesta segunda-feira (28/04), o (des) governador Luiz Fernando Pezão exigiu o fim da greve dos professores para negociar a solução das pendências salariais que ele prometeu resolver em Setembro de 2013 dizendo que esta prejudica os estudantes.

Pois bem, um assessor menos desavisado deveria informar ao (des) governador Pezão que os estudantes também estão em greve por uma pauta que inclui a abertura do restaurante universitário, o aumento do valor do auxílio-cotista e a criação de um auxílio-moradia que permite principalmente aos estudantes pobres a permanecerem na UENF, em vez de abandoná-la por falta de condições econômicas de estudar.

E se o (des) governador Pezão não quiser acreditar no que eu escrevo, posto abaixo vídeo produzido pelo Diretório Central dos Estudantes da UENF para explicar os motivos da greve dos estudantes.

 

Professores da UENF e o Primeiro de Maio: Pezão, deixa a gente trabalhar!

Após 46 dias de greve e se aproximando das celebrações do Dia do Trabalhador, os professores da UENF decidiram comemorar com humor o contínuo descaso a que estão sendo submetidos pelo (des) governo do Rio de Janeiro, agora (des) comandado pelo impoluto Luiz Fernando Pezão. 

O que mais me impressiona (será que deveria?) é ver a cara-de-pau com que o (des) governador Pezão vem a público na entrevista concedida no Programa Panorama Continental condicionar a realização de uma audiência com o reitor da UENF ao fim da greve geral que hoje paralisa as atividades na instituição. Algum assessor menos desavisado deveria lembrar ao Sr. Pezão que já no longínquo mês de setembro de 2013, ele se comprometeu com uma delegação da ADUENF a resolver os problemas afligindo os professores em sete dias. Assim, sete meses depois vir com a mesma ladainha de sempre é, no mínimo, um completo descaso.

É por esse tipo de postura inconsequente do (des) governo do Rio de Janeiro que os professores da UENF estarão celebrando o Primeiro de Maio com o lema “Pezão, deixa a gente trabalhar”!

Eu acrescentaria: Pezão, você precisa começar a trabalhar mais, e fazer menos campanha eleitoral!

Douglas seria Amarildo

Por João Batista Damasceno

“Participando do projeto ‘Diálogos sobre direitos humanos’, organizado pela OAB-RJ, estive ano passado no Caranguejo, favela acima do Pavão-Pavãozinho. Acima também da Favela Vietnã. É o topo do morro e o ápice da pobreza. Ouvi o relato de uma mãe sobre a morte de seu filho adolescente, após tortura e sobre a versão oficial de que “caíra do muro”. Não me surpreendeu a nota da Polícia Civil de que as escoriações no corpo de DG eram compatíveis com queda de muro. A versão era requentada. Já vi versões mais fantasiosas. No Caso Juan, a perícia — desmentida por exame de DNA — apontara que o corpo era de uma menina, e não do menino assassinado e jogado numa lixeira longe de sua casa. Mas a mãe de DG não se intimidou e declarou que seu filho tinha marcas de chutes nas costas e costelas, que não morrera pulando muro, mas pelas mãos do Estado, e que seria um novo Amarildo não fosse a comunidade, protetora e protestadora”.

A morte do dançarino Douglas Rafael, o DG, é mais uma decorrente da política de ‘pacificação’ de quem pensa ser possível construir a paz com a guerra. São raras as mortes por overdose. Mas, a pretexto de cuidar da saúde pública combatendo o comércio e uso de drogas, o Estado humilha e mata os pobres. A política de segurança de confronto aos direitos humanos é um incentivo à atuação ilegal e formação de grupos paramilitares que põe em xeque o Estado de Direito. 

Denúncias de torturas, mortes e desaparecimentos se acentuaram desde o início das ‘pacificações’. O Rio de Janeiro é inovador em matéria de segurança pública desastrosa. Em 1958, o general Riograndino Kruel criou o primeiro esquadrão da morte; no início dos anos 60, Carlos Lacerda condecorou os ‘homens de ouro’ da polícia, e em 1994 o então secretário de Segurança, general Nilton Cerqueira, acusado de matar Carlos Lamarca, instituiu a ‘gratificação faroeste’, prêmio em dinheiro por ‘atos de bravura’: disparos, ferimentos ou mortes. 

Participando do projeto ‘Diálogos sobre direitos humanos’, organizado pela OAB-RJ, estive ano passado no Caranguejo, favela acima do Pavão-Pavãozinho. Acima também da Favela Vietnã. É o topo do morro e o ápice da pobreza. Ouvi o relato de uma mãe sobre a morte de seu filho adolescente, após tortura e sobre a versão oficial de que “caíra do muro”. Não me surpreendeu a nota da Polícia Civil de que as escoriações no corpo de DG eram compatíveis com queda de muro. A versão era requentada. Já vi versões mais fantasiosas. No Caso Juan, a perícia — desmentida por exame de DNA — apontara que o corpo era de uma menina, e não do menino assassinado e jogado numa lixeira longe de sua casa. Mas a mãe de DG não se intimidou e declarou que seu filho tinha marcas de chutes nas costas e costelas, que não morrera pulando muro, mas pelas mãos do Estado, e que seria um novo Amarildo não fosse a comunidade, protetora e protestadora. 

A ditadura empresarial-militar se esmerou em falsificar versões e laudos. O assassinato de Vladimir Herzog, o desaparecimento de Rubens Paiva e a bomba no Riocentro são exemplos do que é capaz o Estado Policial. O Caso Amarildo demonstra como se fabricam versões e se produzem provas para justificá-las. Quem parece tudo saber sobre segurança pública não pode alegar desconhecer estes fatos. 

Não apenas os facínoras que violam os direitos do povo hão de ser responsabilizados, mas também os que autorizam. O Ministério Público e o Judiciário podem se contrapor à violação aos direitos humanos, pois seus papéis estão relacionados à garantia dos direitos; não são partícipes da formulação de políticas públicas. Menos ainda quando atentam contra a dignidade da pessoa humana, fundamento da República. 

João Batista Damasceno é juiz de Direito e doutor em Ciência Política

FONTE: http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2014-04-26/joao-batista-damasceno-douglas-seria-amarildo.html

(Des) governador Pezão falará hoje sobre a greve na UENF na Rádio Continental de Campos

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Recebi a informação de que o (des) governador Luiz Fernando Pezão será entrevistado nesta segunda-feira no programa Panorama Continental que é transmitido pela Rádio Continental de Campos, e que ele será perguntado sobre a greve na UENF!

Para acessar  o site online da Rádio Continental de Campos basta ir para o endereço http://www.radiocontinentalam.com.br/.

Ah! O programa que vai ao ar a partir das 10 horas recebe perguntas para o entrevistado ao vivo!

Eu particularmente espero que quando perguntado, o Sr. Pezão não esqueça que foi comunicado dos problemas salariais da UENF numa reunião realizada em setembro de 2013, quando se coomprometeu a oferecer uma solução após o transcurso de 7 dias. Sete meses depois, a greve continua sem perspectivas de solução.

E então Pezão, vai ajoelhar?

O trabalho escravo está vivo no Rio de Janeiro

É corriqueiro imaginar que o trabalho escravo é algo que ocorre apenas em locais mais distantes das regiões mais desenvolvidas do Brasil, mas isso é um ledo engano. O Rio de Janeiro, segunda economia da federação brasileira, continua sendo um local onde trabalhadores são escravizados. A prova concreta disso acaba de emergir no município de São Fidélis, localizado na região Norte Fluminense, e este é apenas mais um caso dentre muitos que permanecem sem vir à tona como mostra a matéria abaixo do site “São Fidélis Noticias”.

Enquanto isso, o Projeto de Emenda Constitucional 438, a chamada PEC do Trabalho Escravo continua engavetada no Congresso Nacional sob pressão da bancada ruralista e as bençãos omissas do governo Dilma Rousseff.

Assim, que ninguém se engane!  O Brasil já ganhou uma copa do mundo em 2014, a Copa do Mundo do Trabalho Escravo!

 

Polícia Civil estoura cativeiro e liberta escravos em São Fidélis

Por: Vinícius Cremonez

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Homens da Polícia Civil de São Fidélis, estouraram um cativeiro na tarde deste sábado(26) na localidade de Angelim, no terceiro distrito da cidade.

Segunda informações da polícia, quatro homens eram mantidos trancados em um quarto há pelo menos dez anos numa residência em Angelim.

Na noite de ontem(25), um deles conseguiu fugir e procurou a delegacia no centro de São Fidélis para denunciar o fato.

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Uma operação envolvendo policiais da 141ª Delegacia Legal de São Fidélis e policias da 134º DP de Campos, foi montada para resgatar os três, que eram mantidos como escravos. Em depoimento, uma das vítimas disse que um caseiro, os retiravam do quarto às 8h da manhã e levava para uma fazenda ou outros lugares onde eles eram obrigados a trabalhar durante todo dia e só voltavam para o quarto às 17h.

As vítimas não possuíam carteira assina e não recebiam nada pelo trabalho, além de viverem numa situação sub-humana, recebendo uma ou duas refeições por dia.

Ainda segundo a polícia, toda vez que um parente ia até o local procurar pelas vítimas, eram informados que eles já haviam ido embora.

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Nossa equipe acompanhou um perito da Polícia Civil que foi até o local, constatando a precariedade do local. No imóvel havia apenas duas camas e um colchonete, além de um armário, um banheiro e uma pia com uma grelha de churrasqueira em cima. O imóvel se quer possuía uma geladeira e um fogão.

O proprietário da fazenda  identificado como Paulo Cezar Azevedo Girão, de 59 anos, o filho Marcelo Conceição Azevedo Girão, de 33 anos, e o caseiro Roberto Melo da Araújo, de 38 anos, foram presos em flagrante e encaminhados para a 141ª delegacia de São Fidélis, onde começou a ser feito o registro da ocorrência.

As vítimas também foram levadas para a delegacia de São Fidélis onde foram ouvidas e em seguida, foram encaminhadas para a 134ª DP de Campos, assim como os acusados.

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FONTE: http://saofidelisnoticias.com.br/policia-civil-estoura-cativeiro-e-liberta-escravos-em-sao-fidelis/

Crônica de uma pacificação falida

A violência sacode a favela carioca de Pavão-Pavãozinho onde esta semana foi assassinado um jovem bailarino

Por FRANCHO BARÓN

Enterro de Douglas Rafael da Silva Pereira no Rio, no último dia 24/FELIPE DANA (AP)

A sequência começa um dia qualquer na praia de Copacabana. O bailarino Douglas Rafael da Silva Pereira, 26 anos, conhecido como DG, joga futebol tranquilamente com um grupo de amigos. Quando acaba a partida, começa o caminho a favela de Pavão-Pavãozinho, encravada em uma colina do bairro mais turístico do Rio de Janeiro. O jovem, mulato e forte, caminha pelos becos íngremes do subúrbio cumprimentando os vizinhos. Nota-se sua popularidade na comunidade. Recebe fruta de um vendedor ambulante e ajuda uma senhora a carregar suas sacolas de compra. Um pastor evangélico lhe dá sua benção sob um sol atroz. E lá vai Douglas, bamboleando feliz pelas ruas, brincando e batendo nas mãos de conhecidos quando, de repente, escutam-se os tiros e em um beco deserto aparecem três policiais militares fora de si. O acurralam, o socam e chutam. Douglas, com voz entrecortada e olhos de pânico, pede misericórdia e tenta esclarecer sem êxito que é “um trabalhador”. Então é quando o agarram pelos cabelos e, sem lhe dar a mínima oportunidade de se defender, lhe descarregam um tiro na cabeça. Pelas costas. Douglas estira-se agora no solo, sem vida, enquanto os agentes entram em estado de histeria frente a evidência de que este “auto de resistência” (licença da polícia para matar em defesa própria” será muito difícil de justificar.

Todo o anterior não é mais que uma breve narração do curta-metragem que DG protagonizou um ano antes de morrer na mesma favela. Tirando alguns detalhes, como o lugar exato da execução, o número de policiais ou a velocidade do ocorrido, os primeiros indícios mostram que Douglas, como em seu próprio filme, morreu depois de receber um tiro da Polícia Militar. Ainda é cedo para concluir se tratou-se de uma execução, ainda que vários elementos apontem a tese que DG foi vítima de uma violência policial fora do controle. Várias testemunhas presentes em um raio próximo ao local dos acontecimentos asseguram que aquela noite fatídica não houve nenhum confronto armado entre os traficantes e policiais, como sustenta a Polícia Militar para manter a tese da morte por “bala perdida”. Os mesmos vizinhos de Pavão-Pavãozinho, que exigem anonimato, dizem que escutaram alguns disparos concentrados em um período muito curto de tempo, ao redor da uma hora da madrugada de terça-feira 22 de abril. Passaram nove ou dez horas até que corresse a voz que o cadáver de DG estava no interior de uma creche. Ainda que esta noite não tenha chovido, estava molhado. Seus documentos haviam sido retirados pela polícia e na área não havia cartuchos de bala.

Alertado por um movimento não usual de policiais, um grupo de vizinhos montou guarda na porta do local. Alguns tiraram fotos e gravaram vídeos. Segundo a mãe de Douglas, Maria de Fátima Silva, a intervenção do bairro foi crucial para evitar que os agentes se desfizessem do cadáver de DG. A onda de protestos que protagonizaram desembocaram nos graves distúrbios da última terça em Copacabana. Os investigadores da Polícia Militar já interrogaram várias testemunhas e os nove agentes que participaram da operação, mas a instituição ainda não chegou a nenhuma conclusão.

A primeira informação perita realizada in loco negou que o cadáver apresentasse marcas de disparo. Uma segunda análise do corpo, realizada pelo Instituto Médico Legal (IML) frente a pressão da imprensa confirmou “uma hemorragia interna desencadeada por laceração pulmonar gerada por objeto transfixante”. Sem rodeios: os peritos certificaram que um disparo penetrou a zona lombar esquerda e saiu pelo ombro direito do jovem. Maria de Fátima sustenta desde então que os policiais o mataram e que o plano inicial incluía fazer desaparecer o cadáver.

Em conversa telefônica com o EL PAÍS, a mãe de Douglas repete até a saciedade “Meu filho foi assassinado”. Também assegura que irá até onde for necessário para que “se saiba a verdade”, custe o que custar. Seus planos incluem a cooperação da Amnistia Internacional e de doisexperts norte-americanos independentes, que também trabalharão nas investigações. E se for necessário, pedirá que o cadáver seja exumado. Enquanto fala, nervosa, a TV Globo emite em seu principal jornal uma reportagem sobre a morte de seu filho. Quando o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, aparece muito sério na tela assegurando que encontrará os responsáveis, a mulher grita: “É tudo mentira”. Horas antes, Maria de Fátima deixou Pezão plantado, que pretendia recebe-la em frente as câmeras de televisão do palácio do Governo. “Não vou permitir que a morte do meu filho se transforme em uma plataforma política”, justificou.

A favela de Pavão-Pavãozinho vive estes dias sob a comoção gerada pela morte de Douglas e os distúrbios de terça-feira, que incluíram barricadas incendiadas, artefatos explosivos, intensos tiroteios e um morto. Vários vizinhos consultados por este jornal concordam que a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) instaurada na favela em 2009 tem a rejeição total do bairro. Também asseguram que são frequentes as agressões e os insultos por parte dos agentes pacificadores. Paulo Henrique dos Santos, 37 anos e bombeiro de profissão, conta que 48 horas antes da morte de Douglas foi intimidado por um agente que o ameaçou. “É um vagabundo e vive rodeado de delinquentes”. No momento do incidente Douglas estava do lado de Paulo Henrique. “Agora tenho claro que existe uma conexão direta entre esta ameaça velada e o assassinato de Douglas”, afirma.

“Se a pacificação estivesse sendo um êxito, isso não estaria acontecendo”, reflete Alzira Amaral, presidenta da Associação de Vizinhos do Pavão-Pavãozinho, que admite não haver presenciado nos últimos 40 anos protestos como os de esta semana. “As pessoas estão saindo do armário porque não se sentem escutadas. Esta pacificação consiste em colocar a polícia na comunidade, mas o resto segue praticamente igualmente ruim”, denuncia.

A sensação de que esta favela estava saindo pouco a pouco do poço da violência e o crime se evaporava de repente. À presença de pequenas células da rede criminosa Comando Vermelho (CV), que atualmente controlam a venda de drogas na dimensão mais alta de Pavão-Pavãozinho, há que somar a proliferação repentina nas ruas de pitadas da principal milícia do Rio, denominada Batman. Segundo várias fontes locais, os paramilitares, que tem como objetivo expulsar os traficantes dos territórios onde desembarcam e controlam sua economia local, já estariam infiltrados nas formações da UPP local e aqui estaria o verdadeiro germe da deterioração da convivência entre a tropa e a população. Pavão-Pavãozinho onde vivem umas 18.000 pessoas é um caso sintomático do câncer que corre o processo de pacificação das favelas cariocas.

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/26/politica/1398535146_877900.html

Que atire um saco de confetes quem nunca gastou dinheiro público em shows e outros quetais

Tenho acompanhado com algum ceticismo a atual onda de críticas e indignações acerca dos gastos municipais com os ditos shows, especialmente agora que o ex- superintendente da Fundação Trianon, Prof. João Vicente Alvarenga decidiu, digamos, botar tardiamente a boca no trombone (grifo meu) sobre gastos que ocorreram na atual gestão da prefeita Rosinha Garotinho. E que não me confundam com um apologético do poder cultural dos shows, pois acho este tipo de dispêndio inútil e contrário ao estabelecimento de uma política de democratização da cultura e do lazer.

Aliás, já me dispus a examinar a questão do lazer e as políticas públicas municipais nessa área em duas ocasiões. Na primeira vez, o resultado foi a defesa de uma dissertação de mestrado no Programa de Políticas Sociais há 10 anos sob o título de “Políticas de lazer e segregação sócio-espacial: o caso de Campos dos Goytacazes-RJ“. Ali a hoje mestre Denise Rosa Xavier examinou a realização de shows na administração de Arnaldo França Vianna, e de com havia um favorecimento para as classes médias e altas no acesso aos shows com artistas “top de linha” realizados então no Jardim São Benedito, enquanto o destino dos pobres eram espetáculos com artista de menor quilate no Farol de São Thomé.  Em 2011, no primeiro mandato da prefeita Rosinha Garotinho, voltei a orientar outro trabalho, agora uma monografia de graduação no curso de Ciências Sociais do hoje bacharel Michel Loreto, cujo título foi “A questão da oferta de lazer em áreas urbanas segregadas: um estudo de caso na Comunidade Tira Gosto, Campos dos Goytacazes, RJ.” E o que encontramos foi uma quase repetição do mesmo padrão de ações pontuais que ignoraram o direito dos mais pobres de terem o mesmo tipo de lazer garantido aos segmentos mais privilegiados da população. E sim, com a realização de shows aos quais os pobres continuaram tendo dificuldade de acessar!

Em outras palavras, entre os criticados de ontem e que criticam hoje, há a persistência de uma visão de lazer segregado onde a realização de shows é apenas um instrumento de perpetuação da desigualdade sócio-espacial que historicamente existe na cidade de Campos dos Goytacazes. E mais, se examinarmos quem estava no comando no passado e no presente, vamos verificar uma grande coincidência de personagens que apenas se alternam nos papéis de oposição e situação, dependendo principalmente do atendimento (ou não) de determinados interesses.

Assim, que atire o primeiro saco de confetes quem nunca gastou dinheiro público em shows e outros quetais. Depois disso, podemos começar a discutir a formulação de políticas culturais que impeçam o desaparecimento de um amplo rol de manifestações culturais que hoje agonizam no esquecimento oficial. 

E que venham logo os investimentos que impeçam o extermínio cultural do Jongo, da Cavalhada, da Mana-Chica e dos Boi-Pintadinhos!

Greve dos rodoviários só expõe a péssima qualidade do transporte público em Campos

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A greve dos rodoviários que está ocorrendo na cidade de Campos dos Goytacazes tem um mérito inquestionável que é o de mostrar a ruindade dos serviços que são prestados pela maioria ( se não pela totalidade das empresas que operam no município). Um desavisado que chegasse na cidade no meio da semana passada que se encontrasse com outro chegado no dia de hoje não poderia contar grande diferença, pois a ausência de hoje é quase a mesma de todos os dias. 

Essa situação me é exposta frequentemente por uma pessoa que trabalha comigo e precisa vir sair de Travessão de Campos logo cedo. Segundo o que já me foi dito de forma repetida, a situação do transporte piorou muito depois da instalação da dita política da passagem a R$ 1,00, pois a frequência teria, contraditoriamente, diminuído. Isto tem obrigado a que muitas pessoas usem formas irregulares de transporte. Eu mesmo já mostrei aqui a existência de uma “fila da bandalha” que opera no centro da cidade todos os dias, sem que nenhum fiscal da PMCG se dê ao trabalho de ir verificar o que aquilo. Deve ser porque todo mundo já sabe do que se trata.

Enfim, acho muito estranho que a PMCG seja tão célere para questionar na justiça o direito de greve dos rodoviários e faça tão pouco para impor um padrão mínimo de qualidade ao transporte público numa cidade que não para de crescer. 

Em dificuldades, Pezão deve participar de procissão em São João da Barra. Vai ajoelhar?

Uma fonte bem informada me deu uma informação valiosa: o atual (des) governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, deverá estar amanhã(28/04) em São João da Barra para participar da procissão de Nossa Senhora da Penha que anualmente é acompanhada por milhares de pessoas, vindas de diversas partes do Brasil. Como a situação de seu (des) governo beira o desespero completo, especialmente agora que a política das UPPs faz mais água do que cano furado da CEDAE, é até compreensível que Pezão esteja querendo rezar na esperança de tempos melhores.

Mas com Pezão está vindo para uma região onde estão em greve professores, estudantes e servidores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF), e também servidores da Fundação Estadual do Norte Fluminense (FENORTE), seria aconselhável que Pezão também viesse pronto para ajoelhar no sentido menos bíblico, e aproveitasse a ocasião para trazer soluções para uma greve que se estende apenas e unicamente por causa da inapetência de seus secretários para a solução de problemas que foram arrastados ao longo dos sete anos em que Pezão e seu mentor Sérgio Cabral ocupam o timão desgovernado do executivo fluminense.

E ai Pezão, vai ajoelhar?