A sexta-feira nada santa dos despejados da Favela Oi nas mãos de Eduardo de Paes e Adilson Pires

Escrito por  Augusto Lima e Raquel Boechat, com fotos da Mídia NINJA

A Sexta-feira Santa do ano cristão de 2014 começou com madrugada fria e violenta no Rio de Janeiro.

Por volta das duas da manhã, quando ainda restavam 71 adultos e 22 crianças no acampamento de desalojados refugiados no entorno da prefeitura do Rio, o que sobrou da população sem-teto despejada da favela da Telerj no último dia 11, a Guarda Municipal (GM) apareceu ameaçadora e truculenta – apesar do salvo conduto expedido no plantão noturno da segunda-feira, 13 de abril, em favor de crianças e adolescentes garantindo judicialmente às famílias que não poderiam ser removidos do local contra a sua vontade.

Um cordão de contenção foi formado por ativistas que faziam vigília das famílias na madrugada. O isolamento em proteção aos desabrigados resistiu por um tempo, mas não foi suficiente. Havia até bebê sendo amamentado naquele exato momento – e o boato de que havia um infiltrado (supostamente da prefeitura) entre os desabrigados, dormindo com eles na rua.

Por segurança, e com medo, mulheres e crianças começaram a se afastar, mesmo assim, a GM, agora com seus uniformes robocop e escudos como se o próprio Choque fosse, avançou com pressão sobre o cordão dos ativistas que foram empurrados com força.

As pessoas gritavam que estavam se retirando do local, mas, com truculência, a GM seguiu enxotando as famílias e avançando em direção aos ocupantes. Entre gritos de desespero ativistas pediam aos guardas mais humanidade, menos opressão, lembravam que eles também tinham família, que era Páscoa, e pediam para parar de bater até em mulher.

Carregadas às pressas de suas crianças, cobertas, colchões, água e restos de comida, entre o sair dali e o se defenderem da GM, várias famílias foram para o outro lado da Avenida Presidente Vargas tentando abrigo em cabine de um ponto de ônibus. Foram perseguidos ali também.

O Choque fez uma linha de retaguarda ao ataque da Guarda Municipal, que enxotou e enxotou e enxotou as famílias até, pelo menos, a região da estação da Central do Brasil. Ao final o Choque também agiu.

A diáspora carioca, assim como a do povo hebreu e o exílio da Babilônia no século VI a.C. com a destruição de Jerusalém, e em pleno dia que o mundo cristão lembra a via crucis de Jesus, seguiu caminhando até a Catedral do Rio.

Por volta das 7h da manhã, Dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, já estava ciente de toda a tragédia e seus refugiados pedindo abrigo.

Roga-se que, por compaixão humana ou cristã, termine aqui, de algum modo, a maldição do “Serás disperso por todos os reinos da terra.”

FONTE: https://www.facebook.com/midiaNINJA/photos/a.299120590246093.1073741902.164188247072662/299120930246059/?type=1&theater

 

Os problemas de Eike Batista agora estão na esfera policial

Ainda que os problemas de Eike Batista com a justiça não sejam recentes, agora a sua situação parece estar tomando um rumo mais problemática após a Polícia Federal (PF) começar uma investigação a pedido do Ministério Público Federal sobre crimes contra a ordem financeira, como mostra a matéria do Jornal O GLOBO que vai publicada abaixo.

Essa investigação da PF poderá acelerar também o andamento da queixa-crime que 48 agricultores desapropriados no Porto do Açu deram entrada em julho de 2013 no STF (Aqui!). Como de lá para cá muitas coisas foram reveladas sobre os usos e costumes de Eike Batista, o mais provável é que essas investigações da PF se encontrem com a queixa-crime. Afinal, nunca é demais lembrar que muito do que foi feito por Eike Batista recebeu as bençãos do ex-(des) governador Sérgio Cabral e do governo federal através, principalmente do BNDES.

 

 

PF abre inquérito para investigar Eike por supostos crimes financeiros

Penas das três acusações, somadas, pode chegar a 23 anos

 DANIELLE NOGUEIRA, HENRIQUE GOMES BATISTA, MARCIO BECK

RIO – A Polícia Federal instaurou inquérito para investigar o empresário Eike Batista, controlador da ex-OGX, por supostos crimes financeiros “envolvendo negociações de ações, em tese, irregulares, realizadas em 2013”.

Os três crimes investigados pela PF –manipulação de mercado, insider trading (uso de informação privilegiada) e lavagem de dinheiro –, somados, podem resultar em pena de até 23 anos.

Em nota, a PF informou apenas que abriu uma investigação, em caráter sigiloso, para apurar crimes que teriam sido cometidos pelo “acionista controlador de uma empresa que atuou na área de petróleo”, sem mencionar o nome do empresário nem da empresa.

O pedido de investigação havia sido feito pelo Ministério Público, no dia 7 deste mês, e foi confirmado pela PF na última terça-feira.

Conforme antecipou O GLOBO, o procurador se baseou em um parecer técnico feito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que aponta “crime de ação penal pública”.

O mesmo documento serve de base para outro processo contra o empresário, no âmbito da CVM, que pode resultar em multa de até R$ 500 mil. A CVM vai acompanhar a investigação da PF.

Os crimes de manipulação de mercado e insider trading estão previstos na Lei Lei 6.385/76, com pena de 1 a 8 anos e de 1 a 5 anos, respectivamente. Já a lavagem de dinheiro está prevista na Lei nº 9.613/98 e pode resultar em pena de 3 a 10 anos de prisão.

A EBX disse que ainda não foi oficialmente notificada da decisão da PF e mantém a posição de que não houve irregularidades na atuação do empresário à frente da OGX. O GLOBO também entrou em contato com os advogados de Eike Batista, mas ainda não recebeu resposta.

 * Colaborou Antônio Werneck


FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/pf-abre-inquerito-para-investigar-eike-por-supostos-crimes-financeiros-12230774#ixzz2zEiRTOVZ  cast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

Valor informa que auditor da OSX não atesta viabilidade de estaleiro no Porto do Açu

A situação das empresas que ainda são do ex-bilionário Eike Batista continua sendo para lá de problemática, afetando diretamente o Porto do Açu. Abaixo segue matéria publicada pelo Valor Econômico dando conta que a Ernst and Young, empresa que auditou as contas da OS(X) se absteve de dar opinião sobre a situação financeira da empresa, e não teve como garantir a viabilidade da recuperação do estaleiro no Porto do Açu. Em outras palavras, a coisa está feia para a OS(X!

Agora, o que eu gostaria de saber se aqueles que aqui na região diziam ter investido nas empresas da franquia “X” e que ficariam com as ações até o fim, fizeram isso ou era só outro blefe.

OSX: Auditor não teve acesso a plano sobre viabilidade de estaleiro

Por Natalia Viri | Valor

SÃO PAULO  –  A Ernst & Young informou que não teve acesso a documentos que mostram a viabilidade da recuperação do estaleiro do Açu, que está sendo construído pela OSX. A informação consta no parecer de auditoria do balanço de 2013 da empresa de construção naval da empresa de Eike Batista, apresentado na noite de quarta-feira.

Divulgação

 “Não nos foram apresentadas as documentações que dão suporte ao […] plano de negócios que sustenta a recuperação da unidade de construção naval por seus fluxos de caixa”, informou a firma de auditoria no documento. A  Ernst & Young deu um parecer com “abstenção de opinião”, jargão que significa que não é possível garantir que os valores apresentados estejam corretos.

A auditoria ressaltou ainda que, como o plano de recuperação judicial da OSX ainda não foi apresentado e aprovado pelos credores, não é possível saber se os números deveriam ser apresentados com base na continuidade normal dos negócios ou no valor de liquidação de seus ativos.

A OSX encerrou 2013 com prejuízo de R$ 2,4 bilhões, ocasionado sobretudo por baixa de ativos. Ao fim do ano passado, a empresa tinha apenas R$ 164 milhões em caixa, contra dívidas de curto prazo de mais de R$ 4 bilhões.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3520276/osx-auditor-nao-teve-acesso-plano-sobre-viabilidade-de-estaleiro#ixzz2z9q00uY2

A crise da água em São Paulo

POR MARUSSIA WHATELY   


 
O cenário de escassez de água em São Paulo está dramático. A situação é grave e previsões apontam para um colapso do sistema Cantareira entre agosto e outubro de 2014. A decisão pelo racionamento esteve até agora com a SABESP, que tem como principal fonte de receitas a venda de água, e ao que tudo indica, vai secar até a última gota os mananciais da região e apostar em chuvas torrenciais durante o período de seca.

Vale lembrar que a Sabesp é uma empresa mista, controlada pelo governo do estado, fragmentada em unidades de negócios e que teve um lucro líquido de R$ 2 bilhões ano passado. Por essas e outras, não deveria caber a ela a decisão do racionamento.

O argumento de que São Paulo tem pouca água deve ser usado com cautela. Tem pouca água porque poluiu e continua poluindo a água que tem – vide Guarapiranga, Billings e Rio Tietê. Esse argumento tem servido para novas obras de transposição e aumento da oferta de água na região, inclusive para outros usos que não o residencial. Além do Cantareira, em breve, o Rio São Lourenço, afluente do Rio Ribeira de Iguapé, fará parte das fontes de água para São Paulo. O próximo alvo – anunciado em meio à atual crise – é o Rio Paraíba do Sul, a despeito dos intensos conflitos de uso já existentes naquela região. Para piorar, a perda de água declarada pela Sabesp é de 25% do que é retirado, o que equivale a Guarapiranga e Billings juntas, ou o abastecimento de 3,7 milhões de pessoas.

O mais próximo da situação atual do Cantareira ocorreu há 10 anos. O Instituto Socioambiental (ISA) fez muita pressão naquela época e acompanhou de perto a negociação da outorga do sistema. Mas de lá para cá, pouco foi feito para usar melhor a água disponível. Ao contrário, o consumo aumentou – e com ele o faturamento da Sabesp –, os grandes consumidores residenciais (prédios) continuam com hidrômetros coletivos, o fornecimento em regiões mais carentes sofre interrupções constantes, os rios continuam poluídos e os esgotos sem tratamento.

O que acontecerá agora? O governo do estado e a Sabesp vão adiar ao máximo o racionamento, na expectativa de chuvas, a despeito de recomendação expressa da ANA (Agência Nacional de Águas) para adoção imediata de medidas restritivas. Para suprir o Cantareira, os demais reservatórios serão exauridos durantes esses meses de seca, com impactos ainda não dimensionados. Como essa água não será suficiente para todos, bairros mais distantes e carentes sofrerão mais, mas outras regiões, como a área central de São Paulo, também deverão ser afetadas.

E o que pode ser feito? Ainda é cedo para afirmar se a seca irá se prolongar em 2014 ou nos anos posteriores, então, a curto prazo, não resta outra alternativa a não ser a adoção de medidas drásticas para reduzir consumo: racionamento. A médio prazo, as medidas de redução de consumo devem continuar, somadas a medidas de conservação de água e sistemas de prevenção e gerenciamento de eventos climáticos extremos como esse.

 Para que isso funcione, no entanto, é necessário rever a atual política de gestão de águas na grande São Paulo, onde o papel da cidade de São Paulo pode ser decisivo, uma vez que o consumo dos paulistanos corresponde a mais de metade da receita da Sabesp. Nova Iorque é um dos exemplos inspiradores: na década de 90, implantou programa de “produção de água” com duas frentes: diminuição de consumo promovendo, entre outras ações, troca de caixas de descarga e chuveiros; e conservação dos mananciais, por meio de pagamento por serviços ambientais a produtores rurais.

A cidade de São Paulo tem um contrato de concessão de uso com a Sabesp desde 2010 que prevê que 7,5% da receita de faturamento obtida na região, equivalente a 54% da receita da Sabesp no estado, seja repassada para um Fundo Municipal de Saneamento Básico (Lei Municipal nº 14.934/2009). A estimativa é de R$ 250 milhões/ano, que poderiam ser investidos em medidas de redução de consumo na cidade a curto prazo. Ao que tudo indica esse repasse ainda não ocorreu.

Outra novidade importante é um parecer do STF, de 2013, que trata de um dos grandes impasses do setor de saneamento: a quem cabe a concessão de serviços em áreas metropolitanas? O STF decidiu que, até março de 2015, o estado do RJ e o município devem criar novas entidades conjuntas para supervisionar o planejamento, a regulação e a fiscalização dos serviços de saneamento básico em regiões metropolitanas. Essa decisão do STF abre um precedente importante e pode resultar em uma nova estrutura de gestão da água para São Paulo.

Marussia Whately é arquiteta e urbanista, consultora em sustentabilidade, recursos hídricos e gestão ambiental. Foi coordenadora do Programa Mananciais do Instituto Socioambiental. Atualmente mora em Belém onde atua como consultora para o Programa Municípios Verdes

Publicado originalmente no blog da urbanista e relatora da ONU pelo direito à moradia Raquel Rolnik.

Alguém sabe a quantidade de agrotóxico num simples pé de alface?

Alguém sabe a quantidade de agrotóxico num simples pé de alface?

Por Cândido Grzybowski*

O anúncio sobre a alta da inflação em março veio com a informação de que os preços dos alimentos novamente pesaram mais. Quem vai ao mercado atrás de alimentos sabe disto muito bem. Na verdade, se a gente considerasse a inflação específica dos preços dos alimentos ela seria muito maior que o tal índice médio.

Sem dúvida a inflação de alimentos é um pesadelo muito grande para todo mundo, mas especialmente para quem tem o salário mínimo como referência de sua renda doméstica. Um real a mais aqui, um e setenta centavos acolá, dois e trinta ali, e assim vai. Tudo isto vira uma conta que dá como resultado real a redução da quantidade e da qualidade de alimentos na sacola de compras.

Mas a fome em casa não é gerida pelo tal mercado. As necessidades e desejos de comer se inscrevem na própria qualidade de vida que a gente leva. O alimento é central, pois sem ele nem há vida. Mas não é só isto. Alimentar-se tem tanto uma incontornável determinação fisiológica natural – a necessidade de consumo diário de calorias, proteínas e tudo mais – como uma profunda dimensão cultural e civilizatória. Alimento é convivência em família, é celebração e festa, é identidade cultural.

Pensemos na feijoada aqui no Rio, no vatapá na Bahia, no pato ao tucupi no Pará, na polenta com frango dos italianos no Sul, no churrasco gaúcho – meio hegemônico na questão de carnes entre nós. São alguns dos exemplos mais claros de comidas associadas a verdadeiras culturas e identidades que resultam na vibrante diversidade de nosso povo.

O direito ao alimento envolve tudo isto e é parte dos direitos fundamentais de nossa Constituição Cidadã. Soberania e Segurança Alimentar são bandeiras cidadãs no Brasil e mundo afora que clamam por políticas públicas para assegurar o direito de todas e todos ao alimento adequado à vida e à própria cultura.

Só que o mercado não se organiza em torno dos direitos e nem se limita pelos direitos. O mercado e os preços são uma grande invenção humana para realizar as trocas de produtos e serviços. Afinal, na medida em que as sociedades se complexificam e aumenta-se a divisão do trabalho, não há como funcionar sem troca.

A moeda, como expressão e medida do valor, e as trocas são indispensáveis. Nunca é demais lembrar que foi nas praças públicas que surgiram os mercados, e ali também surgiu a própria democracia. O problema é que os mercados se autonomizaram da democracia, se tornaram livres e… escravizaram as pessoas e a própria democracia. Até a fome está subjugada pelo mercado. Isso é aceitável?

Pelos preceitos dos oráculos da economia, para enfrentar a alta de preços de alimentos o jeito é ajustar a fome aos preços e ao mercado. Buscar alimentos mais baratos, substituir alimentos, se necessário for, reduzir o consumo. Enfim, segundo a economia, não dá para controlar o mercado. É mesmo? E como ficam os direitos fundamentais de cidadania? Eles também dependem do mercado? Não é mercado demais e democracia de menos?

O problema é que o direito cidadão à Soberania e à Segurança Alimentar não se limita aos preços. Os preços no mercado não mostram as outras qualidades fundamentais que o produto (o alimento, no caso) carrega e não são evidentes. Alguém sabe que quantidade de agrotóxico – veneno que pode fazer mal e matar – está num simples pé de alface? No feijão? No tomate e no pimentão? No arroz de cada dia? Naquele franguinho gostoso? Na margarina e no óleo de soja?

O agronegócio, o modelo empresarial de produção de nossos alimentos, de quase todos eles, tem o uso intensivo de agrotóxicos com uma condição. Somos o país de maior consumo de agrotóxicos por hectare do mundo. Sem falar que alguns agrotóxicos usados aqui já são proibidos há muito tempo em lugares onde se leva a sério a questão de saúde associada ao alimento. Não procure nos rótulos das embalagens algum indício do veneno usado, pois não existe!

Além dos venenos, escondidos naquela beleza de folhas, grãos e carnes, temos ainda a questão dos alimentos transgênicos. Hoje os transgênicos já ocupam um lugar de destaque na composição de nosso prato, em casa e no restaurante. Você sabia?

Comecemos por reconhecer que, no mínimo, existem controvérsias científicas já provadas de que os transgênicos não são um alimento seguro. Um cientista francês, contestado pelas grandes multinacionais dos grãos, provou por “A mais B” que ratos comendo milho transgênico durante mais tempo do que os tais quatro meses de teste estipulados por órgãos reguladores, morrem de câncer simplesmente todos, enquanto os alimentados de outra forma continuam vivos. E aí?

Não somos ratos, evidentemente! Vamos ter que testar em humanos o risco e só então exigir mais precaução na liberação de produtos transgênicos? O princípio da precaução faz partes dos acordos da Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU de 1992, realizada no Rio, a Eco-92. Bem, acordos sim, mas negócios e livre mercado à parte.


No Brasil adotamos quase por completo a liberação dos transgênicos. O caso mais complicado é de milho e soja, de que somos grandes produtores e exportadores, e que são essenciais na teia alimentar de hoje em dia, no nosso prato. No Brasil se adota parcialmente o T, de transgênico, em alguns produtos. Escrito em letra bem pequenina no rótulo, mas está lá. Quem vê? Bem, está na maior parte das embalagens de óleo de soja e de milho.

Os que tem T são mais baratos – olha aí o tal mercado. Mas margarina é feita de soja, exatamente pelas mesmas grandes corporações de agronegócio do óleo de soja. Alguém viu o T no rótulo das margarinas? Mas o problema não acaba aí. Frango come ração com soja e milho, muito provavelmente transgênicos. A vaca, do leite, manteiga e queijo, também come ração.

O porco, hoje tão baratinho, é um transgênico completo pelo que come. Seus derivados deliciosos como a linguiça, o bacon, o salame e aqueles maravilhosos complementos da feijoada, todos têm alta dose de transgênicos. Onde está o tal T pequeninoo, difícil de ver? Pela via do mercado, não temos escolha: comemos transgênicos! Será que segurança alimentar é comer uma bomba assim?

Tem outro problema ligado a esse mercado de alimentos: a procedência. Pode ser, e muitas vezes é, que o preço de certas frutas importadas da Argentina ou do Chile sejam mais baratas que as nossas. Falo de uvas e maçãs, por exemplo. O Brasil é talvez o maior pomar do mundo, pela quantidade e pela diversidade tanto de frutas nativas como das chamadas exóticas.

Pois bem, o Brasil é o maior produtor e exportador de laranja e cítricos em geral. Precisa importar laranja e tangerina do exterior? Tornamo-nos um dos grandes produtores de maçã – um fruta essencial, segundo médicos e nutricionistas. Por que importar maçãs da Argentina? Somos um dos maiores produtores de uva de mesa, infelizmente não adequada para vinhos. Será que precisamos de uvas de mesa do Chile?

Ainda não é uma prática recorrente a indicação de procedência dos alimentos oferecidos nos mercados. Aliás, é coisa rara. Aqui estamos diante de uma grande questão de sustentabilidade associada ao alimento. As culturas alimentares se desenvolveram graças à biodiversidade e aos próprios sistemas ecológicos do Planeta Terra.

Como humanos, soubemos tirar partido do que a natureza nos propiciava. A migração de plantas, como dos próprios seres humanos, é um direito. Ao menos eu reconheço e pratico na minha pequena chácara, dada a minha origem e tradição de camponês.

Hoje temos uma riqueza de plantas e animais, base de alimentos, muito diversificada e espalhada pelo mundo, graças inclusive ao próprio engenho humano, que ajudou a descobrir ambientes e adaptar vidas de plantas e animais a eles. Mas uma coisa é produzir no Brasil o abacate, originário do México, que se dá muito bem aqui, e outra é importar.

Isto vale para muitos alimentos. Um princípio básico da sustentabilidade hoje são os circuitos curtos: produzir aqui para consumir aqui. Claro que isto não resolve todas as necessidades e desejos alimentares. Mas o essencial pode e deve ser resolvido por nós aqui, sim!

Que sentido tem exportar maçãs e importar maçãs? Onde está a lógica de exportar uvas do vale do São Francisco e importar uvas do Chile? Por que importar alhos e cebolas se podemos produzir tais hortaliças por aqui, até melhores? Como cidadão consumidor e preocupado com a sustentabilidade da vida – que nada tem a ver com negócios “sustentáveis” que alimentam as trocas internacionais – reivindico o direito de ser informado sobre a origem do alimento que estou comprando.

Enfim, como dá para ver, tratar de alimento é lidar com algo que condensa contradições de um direito humano básico. As questões são muitas. O preço dos alimentos é, na verdade, muito mais do que preço. Nele está encoberta toda uma história de soberania e segurança alimentar, essencial para pensarmos a sustentabilidade da vida e do planeta. Democracia para valer deve tratar disto com o cuidado e a radicalidade que merece.

Por Cândido Grzybowski, Sociólogo, diretor do Ibase

FONTE: http://jornadaagroecologia.com.br/node/353

Valor: OS(X) teve prejuízo bilionário em 2013

OSX termina 2013 com prejuízo de R$ 2,4 bilhões

Por Ligia Tuon | Valor
PREJUIZ
SÃO PAULO  –  A empresa de estaleiros OSX divulgou um prejuízo de R$ 2,4 bilhões em 2013, ante uma perda de R$ 32,7 milhões no ano anterior. O resultado foi influenciado por uma baixa de R$ 2,38 bilhões, devido a “não recuperabilidade de ativos”.
A companhia explica que as unidades de construção naval e leasing foram negativamente impactadas pela constituição de provisão para redução do valor recuperável de ativos (impairment), de R$ 2,4 bilhões, e pela baixa de ativos, no montante de R $ 830 milhões. Desta forma, o resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações foi negativo em R$ 2,26 bilhões.
As despesas financeiras aumentaram 46,4% frente a 2012, devido, substancialmente, aos juros incidentes sobre os financiamentos das plataformas FPSO OSX-1, FPSO OSX-2 e FPSO OSX-3 que, uma vez concluídas as obras de construção e disponibilização da unidade para entrada em operação, passaram a ser reconhecidos no resultado financeiro da companhia.
A receita da grupo, por outro lado, teve avanço de 71,8% em comparação ao ano anterior, para R$ 745,1 milhões. O aumento aconteceu em decorrência de afretamento e operação e manutenção das unidades FPSOs OSX-1 e OSX-3 e à construção do PLSV para o cliente Sapura, segundo a empresa.
Durante o segundo semestre de 2013, a OSX enfrentou um agravamento da sua situação financeira, incluindo o cancelamento de encomendas de unidades, que seriam construídas tanto na Unidade de Construção Naval do Açu quanto em estaleiros contratados.
Em novembro, a OSX, a OSX Construção Naval e a OSX Serviços tiveram seus pedidos de recuperação judicial ajuizados.

 

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3519844/osx-termina-2013-com-prejuizo-de-r-24-bilhoes#ixzz2z62YUqBy

Grevistas da UENF e da FENORTE aprofundam unidade e fecham a BR-101

Toda greve tem seus momentos de altos e baixos, mas cada um desses movimentos inevitavelmente traz consequências que vão para além do momento de sua realização. No caso atual da greve que paralisa toda a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e a Fundação Estadual do Norte Fluminense (FENORTE), as repercussões internas e externas deverão ser múltiplas. tal tem sido a coesão demonstrada entre todos os setores envolvidos no movimento.

O fechamento por algumas horas na manhã desta 4a. feira (16/04) de um trecho da BR-101 é certamente um demonstrativo efetivo de que há um novo momento sendo criado pelo movimento de greve de professores, estudantes e servidores. É que depois de muitos anos,  a ação política de diferentes categorias se dirige diretamente a questionar o modelo de financiamento do ensino superior público do estado do Rio de Janeiro. Assim, é que as bandeiras vão além das demandas salariais, e englobam questões fundamentais para a manutenção dos estudantes dentro da UENF.

Um aspecto que deveria ser considerado pelo (des) governador Luiz Fernando Pezão que, aparentemente, decidiu cozinhar o movimento de greve da UENF e da FENORTE em fogo baixo (talvez na esperança de extingui-lo pelo cansaço) é que quanto mais tempo o seu (des) governo demorar a resolver o problema, maior será o desgaste. Já para a reitoria da UENF e para a direção da FENORTE as notícias são igualmente desanimadoras. É que todo o descaso imposto pelo (des) governo estadual com a cumplicidade das direções institucionais parece ter levado muita gente a perder a paciência não só a ineficiência e incompetência que elas demonstram, mas principalmente com a falta de disposição de defender questões essenciais para a sobreviência da UENF e da FENORTE.  Aliás, o caso da FENORTE é pior porque muitos servidores já chegaram à conclusão de que o melhor mesmo é a sua extinção.

Abaixo algumas imagens do fechamento da BR-101 onde fica claro um arco-íris de cores e demandas que embalam este vigoroso momento de contestação do modelo de sucateamento que foi imposto por Sérgio Cabral e Pezão tanto na UENF como na FENORTE.

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Estudante reivindica melhores condições de acessibilidade na UENF

 

EU, LUIZ ANTÔNIO, estudante da UENF (UNIVERSIDADE ESTADUAL DO NORTE FLUMINENSE) curso Licenciatura em Química, reivindico ACESSIBILIDADE para todas as deficiências.

ACESSIBILIDADE É PLENA E SEM FRONTEIRAS !!! .

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ALÉM  do restaurante universitário,aumento da bolsa universitária,alojamento; venho chamar a atenção e reivindicar as acessibilidades da UENF.

Acessibilidade não apenas  para  pessoas com deficiências ou mobilidades reduzidas, mas para todos os membros da sociedade para que possam se adaptar e se locomover, eliminando as barreiras.

NÃO à exclusão.As inclusões sociais, incluem os usos de produtos, serviços e informações.

        Semáforo sonoro, Inscrições e Material em braille. Os bebedouros e orelhões ao alcance de todos. Acessibilidade é o respeito da limitação de cada um.

        Calçadas: Piso tátil (são faixas em alto relevo fixadas no chão para fornecer auxílio na locomoção pessoal de deficientes visuais ).

A falta de acessibilidade no setor de ensino influência em muito no psicológico,no caráter,na aprendizagem,nas potencialidades,no convívio social,na habilidades, na formação de um raciocínio lógico, nos valores morais, e nas competências do aluno.

         Acessibilidade não é difícil, é preciso. A lei garante como direito de todo cidadão!

                 CAMPOS DOS GOYTACAZES,15/04/2014.

Eduardo Paes e as mentiras da Favela Oi

Uma coisa que a imprensa corporativa anda disseminando sobre o destino das centenas de famílias que foram expulsas do prédio da Oi no Engenho Novo é que elas estariam sendo encaminhadas para  Programa “Minha Casa, Minha Vida”.  Essa apenas mais uma mentira de toda essa situação trágica, onde as forças do Estado estão sendo usadas para massacrar famílias pobres que apenas demandam o direito à moradia.

Uma prova disso é o documento que as famílias “cadastradas” pela Prefeitura do Rio de Janeiro recebem em troca da aceitação dessa falsa solução. É só ler para ver que as famílias não estão recebendo nada além de um pedaço de papel que contém, quando muito, promessas vazias.

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Enquanto isso, bilhões de reais estão sendo canalizados para as grandes empreiteiras que remodelam partes da cidade para ampliar ainda mais  processo de segregação social que historicamente existe no Rio de Jsneiro.