Ururau repercute matéria sobre disputa causada por dívida de Eike Batista no Porto do Açu

Caixa e Santander disputam na justiça meio bilhão emprestados à OSX

Em 2012, as duas instituições atuaram nas operações para a construção do Porto

Ururau Em 2012, as duas instituições atuaram nas operações para a construção do Porto
A Caixa Econômica Federal e o banco Santander travam na Justiça uma disputa por mais de meio bilhão de reais. A origem do litígio é o empréstimo de R$ 515 milhões que a Caixa fez à OSX (empresa de Eike Batista) em 2012, para a construção do Porto de Açu, em São João da Barra, no norte fluminense. Na época, o empresário dava como garantia uma carta de fiança da instituição espanhola.

Tudo mudou com a falência de Eike. O Santander agora rebate a cobrança e obteve uma liminar na Justiça para não pagar a dívida. A filial no Brasil do banco espanhol justifica o não pagamento por falta de cumprimento de obrigações do banco estatal.

A Caixa recorreu e o caso deve ser julgado pelo Tribunal Regional Federal (TRF), em São Paulo, neste mês de dezembro. No mesmo período acontece uma assembleia de credores da OSX. Há um jogo de empurra em curso. A filial do banco espanhol alegou que foi a Caixa que não cumpriu com as suas obrigações no empréstimo. Por sua vez, a Caixa informou à Justiça que, sem a fiança do Santander, terá reduzida em cerca de R$ 4,6 bilhões a sua capacidade de capacidade de contrair empréstimos, podendo prejudicar programas sociais e de infraestrutura, como o Minha Casa, Minha Vida.

Em 2012, as duas instituições atuaram nas operações para a construção do Porto de Açu . As obras do estaleiro da OSX foram avaliadas em R$ 2,7 bilhões. O dinheiro viria do Fundo da Marinha Mercante (FMM), que é administrado pelo Ministério dos Transportes e tem como objetivo investir no desenvolvimento naval brasileiro através de recursos públicos. Grande parte dessa verba do FMM vem do BNDES, mas também do Banco do Brasil e da própria Caixa.

Precisando de uma rápida recuperação, a OSX tinha urgência na conclusão das obras do porto. Mas a lentidão na liberação de verbas pelo FMM, que leva meses em procedimentos de avaliação e aprovação fez com que a empresa apelasse a empréstimos-pontes com o BNDES e com a Caixa.

Em abril de 2012, foram efetuados dois empréstimos. O da Caixa foi garantido por uma fiança de R$ 400 milhões dada pelo Santander e o BNDES recebeu a garantia do Banco Votorantim.

Em 28 de dezembro de 2012, foi repassada a primeira cota (de mais de R$ 627 milhões) pelo FMM à Caixa. O Santander contava que com a liberação desse dinheiro, o empréstimo-ponte fosse quitado, e assim não teria que pagar a fiança.

Para o banco espanhol, com a Caixa recebendo R$ 627 milhões, o empréstimo de R$ 400 milhões seria considerado quitado. E ainda restariam R$ 227 milhões. Mas não foi o que aconteceu. A Caixa, que já tinha enviado R$ 400 milhões à OSX, repassou mais R$ 627 milhões à empresa. Somando tudo, a empresa de Eike Batista recebeu mais de R$ 1 bilhão da instituição.

Depois disso, o Santander foi informado que a OSX não teria condições de honrar o empréstimo até a data de seu vencimento, previsto para ocorrer em 19 de outubro de 2013 e estendido por mais um ano depois de muita negociação. Até agora, o empréstimo não foi quitado. Nem a penhora das ações da OSX Leasing foi efetuada. E a Caixa cobra a fiança do Santander que, em valores atualizados, passa dos R$ 400 milhões de 2012 para R$ 515 milhões.

Os detalhes envolvendo essa cobrança estão nos autos a que o jornal Valor Econômico teve acesso. Eles mostram que, em 6 de novembro passado, o juiz Mauricio Kato, da 21ª Vara Cível Federal, deferiu liminar para suspender o pagamento da fiança pelo banco espanhol.

Em 19 de novembro, a Caixa recorreu ao TRF de São Paulo, pedindo a cassação da liminar. Em seu recurso, a Caixa não explica por que o dinheiro do FMM foi repassado à OSX ao invés de ser retido para quitar o empréstimo-ponte. A argumentação do banco estatal baseia-se, exclusivamente, nos impactos negativos que o não recebimento dos R$ 515 milhões terão sobre seu balanço e suas operações. A instituição diz que, se não receber a fiança, terá que reclassificar o risco da operação de crédito por ela garantida, de modo a seguir as regras previstas para essas operações pelo Banco Central.

A Caixa alega que teria que reter, de início, 3% da operação (R$ 15 milhões), mas, em 180 dias, o valor chegaria a 100% (ou seja, R$ 515 milhões).

“Em síntese, (com a liminar) a Caixa tem prejuízo registrado em balanço que diminuirá seu lucro”, diz a petição. “Por sua vez, os valores provisionados a esse título não integram o montante que os bancos estão permitidos a emprestar no mercado financeiro. Dessa forma e pelas regras do acordo de Basileia sobre capitais, a Caixa terá reduzida em cerca de R$ 4,6 bilhões a sua capacidade de contratar operações de créditos, somente em razão da quantia que deverá ficar provisionada por conta do inadimplemento do Santander.”

A filial do banco espanhol informou que essa alegação da Caixa “não tem nenhum respaldo fático e jurídico” e foi utilizada na tentativa de sensibilizar o juiz da causa. “Por entender que a carta de fiança não é aplicável à situação, a instituição promoveu ação judicial junto à Justiça Federal para declarar a inexigibilidade do pagamento da fiança”, disse o banco ao jornal Valor Econômico. “O Santander reafirma seu compromisso com a sociedade brasileira e acredita em uma resposta positiva do Poder Judiciário ao seu pleito sem, no entanto, interromper as tratativas para uma solução amigável ao caso, que entende ser a melhor solução para a preservação da empresa”.

HISTÓRIA ANTIGA
Não é a primeira vez que um banco se envolve em empréstimos estatais e é julgado por não honrar seus compromissos. Em 1995, o Banco Econômico de Angelo Calmón de Sá estava em dificuldades econômicas. A instituição recebeu então ajuda de R$ 3 bilhões do Banco Central, por meio do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).

O agravante é que entre maio e junho daquele ano, o banco fez empréstimos fraudulentos e remessas ilegais de dinheiro para o exterior, movimentando mais de R$ 98 bilhões em operações apontadas como ilegais. O dinheiro não bastou para evitar a intervenção do Banco Central. O banco entrou em liquidação judicial no ano seguinte.

Em julho deste ano de 2014, ex-dirigentes do Banco Econômico foram condenados a sete anos de prisão por crimes contra o sistema financeiro. A decisão do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1) incluiu Calmon de Sá, e o ex-vice presidente, José Roberto de Azevedo.

No julgamento, que ocorreu dia 8 de julho, Calmon de Sá foi condenado por gestão fraudulenta, mas foi absolvido por dois outros crimes que prescreveram pelo fato de o réu ter mais de 70 anos.

Os ex-dirigentes do Banco Econômico também foram condenados a pagar cerca de R$ 600 mil de multa cada um, em valores ainda não corrigidos.

Postado por: LAILA NUNES

Fonte: JB

Fonte: http://ujornal.com.br/cidades51498_Caixa-e-Santander-disputam-na-justi%C3%A7a-meio-bilh%C3%A3o-emprestados-%C3%A0-OSX

UENF e a militarização da (in) segurança interna: a adesão ao PROEIS não era para baratear?

Ao longo de 2014 uma das questões mais controversas que ocorreram na Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) foi a adesão ao chamado “Programa Estadual de Integração na Segurança” (PROEIS) que ocorreu sem nenhuma discussão prévia dentro dos colegiados superiores da instituição. Numa verdadeira canetada, o reitor Silvério Freitas assinou um convênio para militarizar a segurança interna do campus Leonel Brizola.

A explicação apresentada  para essa adesão intempestiva e anti-democrática ao PROEIS foi a necessidade de reduzir os custos financeiros com a proteção do campus que estaria seriamente comprometida por riscos nunca antes divulgados.

Eis que agora, como mostra a imagem abaixo, a UENF acaba de homologar um novo contrato com a empresa de segurança patrimonial HOPEVIG que implicará no custo milionário de R$ 7.32 milhões por 12 meses de serviço. 

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Se ao valor a ser gasto com os serviços da HOPEVIG for acrescentado aquele à ser entregue ao PROEIS. o custo com a segurança interna da UENF terá sido aumentado para além dos R$ 8 milhões por ano, e não reduzido, o que desnuda o argumento da economia que foi apresentado pela reitoria da UENF em suas explicações oficiais.  

Aliás, há que se dizer que eu nunca engoli essa explicação, e tenho uma hipótese que só poderá ser testada quando ocorrer algum momento de maior ebulição dentro da UENF como, por exemplo, uma greve.

Enquanto isso, as bolsas estudantis continuam com valores congelados e a inauguração do bandejão continua se arrastando no ritmo de cágado com patas quebradas.

Mas somados todos esses fatos, nenhuma surpresa. Isso tudo é bem a cara de uma reitoria que se vê completamente paralisada diante de sua própria incompetência e submissão ao (des) governo Pezão/Cabral.

Economista adverte que portos planejados para construção no Espírito Santo são economicamente inviáveis

Portos planejados para o Estado são economicamente inviáveis, adverte economista

Para o professor e economista Arlindo Villaschi, impacto econômico dos empreendimentos é exclusivo às empresas, sem reversão à população e com danos ambientais irreversíveis

“Os projetos portuários planejados para o litoral do Espírito Santo são pelo menos um absurdo do ponto de vista temporal”, classifica o professor e economista Arlindo Villaschi, em análise sobre o cenário planejado para o setor no Estado. A maioria deles com previsão de implantação em locais isolados, com infraestrutura logística precária e em áreas de preservação e de ecossistema frágil, normalmente vizinhos a pescadores tradicionais.

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O professor compara os impactos e a utilidade dos projetos portuários aos danos ambientais que serão provocados nas áreas de instalação. De acordo com Arlindo, como a maioria destes portos têm foco exclusivo na exportação de recursos não-renováveis, como petróleo e minério, as instalações não terão mais utilidade em um prazo entre 100 e 200 anos, que é o tempo que esses recursos ainda deverão durar, uma vez que não são renováveis.

“Os impactos econômicos são restritos às empresas, já que o uso e a carga que trabalham são quase exclusivos. Em contrapartida, o impacto ambiental dessas construções é forte, pois a ecologia marinha é muito sensível a mudanças. Se compararmos essas variantes, o resultado econômico é muito limitado, assim como a reversão do lucro para a economia local”, ressaltou.

Villaschi afirma que a modernização portuária seria possível e traria muito menos danos caso as instalações portuárias que já existem, a exemplo do Porto de Tubarão, fossem ampliadas e modernizadas para receber cargas e contêineres. “Não é uma articulação política fácil”, reconhece. “Mas as forças políticas têm que estar atentas para que o diálogo seja construtivo”. Desta forma, se tornariam portos de usuários múltiplos, sem que o foco estivesse apenas sob uma ou poucas empresas que trabalham no mesmo seguimento.

Além disso, detalha, a localização do Porto de Tubarão é propícia para que ali seja formado o porto de águas profundas, uma necessidade para a economia capixaba dados os tamanhos cada vez maiores dos navios. A Ponta da Fruta, em Vila Velha, localização levantada como possibilidade, tem sobre si um ecossistema frágil e igualmente rico que poderia ser preservado. Também há, sobre essa localização, o fato de que não há um ramal ferroviário que possa atender com segurança o porto, ao contrário da região de Tubarão, que conta com a estrutura de uma ferrovia. A construção de uma ferrovia acarretaria em ainda maiores danos sociais e ambientais, e o transporte viário é inseguro para a população que vive às margens das rodovias. “Do ponto de vista capixaba, é importante que se diversifique tanto o porto como a ferrovia”, avalia.

No Estado, os principais casos que geram preocupação são o do Estaleiro Jurong de Aracruz (EJA), que usurpou grande parte de uma área de pesca em Barra do Riacho, em Aracruz (norte do Estado), e ainda degrada, com recentes obras de dragagem, um lamaçal necessário à manutenção do pescado; o superporto da Manabi, porto de minério de impactos comparados ao do Porto de Tubarão, da Vale e da ArcelorMittal, planejado para o povoado de Degredo, em Linhares (norte do Estado); e os portos da Edson Chouest e Itaoca Offshore, que criam problemas para comunidades de pesca e unidades de conservação, ambos planejados para o município de Itapemirim (litoral sul).

O governo federal anunciou investimentos da ordem de R$ 13,3 bilhões em portos no Espírito Santo, até 2017. Os recursos fazem parte do “Programa de Investimentos em Logística: Portos” e englobam nove plataformas portuárias, oito com investimentos exclusivamente particulares, a partir de licitação, e o superporto, que deve ser construído a partir de uma parceria público-privada (PPP).  Entidades ambientalistas calculam, porém, que as nove plataformas são apenas o “carro-chefe” das pretensões do governo do Estado. Com os projetos previstos, serão ao todo 30 portos, entre empreendimentos já em operação, em licenciamento ou apenas previstos. Nenhum deles debatido com a sociedade, apesar dos impactos sociais e ambientais, muitos não passíveis de compensação.

 FONTE: http://seculodiario.com.br/20087/10/portos-planejados-para-o-estado-sao-economicamente-inviaveis-adverte-economista

Impactos do neoextrativismo na América Latina são denunciados em seminário internacional

Enviado especial a Aracruz e Vitória (ES) No Espírito Santo, no litoral do município de Aracruz (ES), um complexo produtor de celulose composto por latifúndios de eucaliptos, usinas de processamento de celulose e lagos para decantação polui os entornos de uma área povoada por pescadores artesanais. Ainda na região, um estaleiro é construído em ritmo acelerado para suprir as necessidades de exploração da bacia do Pré-Sal. Neste contexto, a comunidade local que vive da pesca tem tido dificuldades em manter seu modo de vida, tradicional e de baixo impacto na natureza. Na capital Vitória (ES), por sua vez, o equilíbrio ambiental é afetado pelo Porto de Tubarão, que libera pó de ferro e outros resíduos poluindo bairros próximos e a praia de Camburi, uma das mais extensas do Estado.

Comunidade de pescadores em Aracruz (ES) enfrenta impactos da extração de celulose na região. Foto: Guilherme Zocchio
Comunidade de pescadores em Aracruz (ES) enfrenta impactos da extração de celulose na região. Foto: Guilherme Zocchio

Não são casos isolados ou restritos às terras capixabas. Centenas de outros episódios do tipo multiplicam-se Brasil afora, e por toda a América Latina. São grandes projetos ligados à exportação de commodities, isto é, recursos primários extraídos das reservas mineiras e/ou vegetais com baixo valor agregado, direcionados para a venda no exterior. A construção da Usina de Belo Monte, na porção sul do Pará, ou mesmo os empreendimentos de mineração e beneficiamento de ferro na porção amazônica do Maranhão entram neste mesmo conjunto de projetos patrocinados direta e indiretamente pelo Estado com alto impacto social e ambiental.

Apresentadas como medidas para desenvolver o país, tais iniciativas fazem parte de um modelo comumente chamado de “desenvolvimentista”, mas ao qual ambientalistas, acadêmicos, ativistas e populações atingidas têm chamado de outra forma: neoextrativismo.

Reunidos no “Seminário Neoextrativismo na América Latina: estratégias de resistência e de produção de alternativas”, realizado entre 7 e 9 de novembro na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) em Vitória (ES), atores sociais e políticos trouxeram casos e discutiram os impactos e as alternativas possíveis ao modelo neoextrativista, hegemônico no Brasil e em outros países da América Latina. “Quando falamos em neoextrativismo, nossa crítica é direcionada aos megaprojetos das grandes corporações, que impossibilitam, por sua vez, a vida de comunidades tradicionais”, explica Cristiana Losekann, coordenadora do Organon, programa de extensão da UFES, uma das entidades envolvidas na organização do evento.

O seminário também foi organizado pelo núcleo Política Economia Mineração Ambiente e Sociedade (PoEMAS) da Univerisade Federal de Juíz de Fora (UFJF), a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE), o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), a Justiça nos Trilhos, o Comitê Nacional em Defesa dos Territórios frente à Mineração e a Rede Brasileira de Justiça Ambiental.

Margens da praia estão assoreadas e dificultam a atuação dos pescadores. Foto: Guilherme Zocchio
Margens da praia estão assoreadas e dificultam a atuação dos pescadores. Foto: Guilherme Zocchio

No encontro, os participantes debateram o atual momento político e econômico na América Latina e alternativas. O neoextrativismo é entendido, sobretudo, como o momento de conjuntura dos países da região após o ciclo neoliberal, o período iniciado entre o final dos anos 1990 e o começo dos anos 2000, com a eleição do primeiro governo mais à esquerda na América Latina –Hugo Chavez, na Venezuela, em 1998, seguido por Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, no Brasil.

Estado forte com mercado forte.Com os governos considerados mais progressistas, o neoliberalismo passou a dar lugar a um novo paradigma na América Latina, o do neoextrativismo. “A negativa ao modelo neoliberal abriu espaço para este modelo”, explica o argentino Martin Carcione, da Multisecotrial Contra la Fractura Hidraulica (processo de extração de gás de xisto, conhecido em inglês como fraking), um dos integrantes de organizações internacionais participantes. Na avaliação dos grupos presentes, apesar das conquistas sociais alcançadas com as mudanças, o novo modelo não é necessariamente melhor que o anterior.

A principal diferença entre um e outro modelo diz respeito ao papel do Estado. Enquanto o neoliberalismo prega a liberdade dos mercados, associada a menos intervenções na economia orientadas pela noção de Estado mínimo, o neoextrativismo depende de uma relação profunda entre entidades públicas e privadas. Ao contrário do modelo neoliberal, governo e mercado teriam, na perspectiva neoextrativista, um papel complementar em que ambos se fortaleceriam mutuamente. Prova disso é o protagonismo que agentes públicos assumem de forma ativa em parcerias com empresas de setores primários da economia.

Grandes empresas brasileiras produtoras de commodities contam, por exemplo, com financiamentos públicos ou alguma participação do governo na sua totalidade de acionistas: a Petrobras, detentora do monopólio da exploração de petróleo, é controlada pelo governo federal brasileiro; a Vale, principal mineradora do país, não só originalmente era uma empresa estatal como, além disso, ainda conta com participação acionária do Estado brasileiro; o grupo JBS/Friboi, entre os maiores produtores de carne bovina no mundo, recebe volumosos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Isso quer dizer que, de um lado, o Estado é indutor dos investimentos e, de alguma forma, orienta a produção dessas grandes empresas. Além da extração de minerais do solo e de petróleo da terra e do mar, há as produções monocultoras (celulose, soja, cana-de-açúcar, entre outras) que também contam com investimentos públicos. Por outro lado, a produção das empresas destes setores servem, por sua vez, para financiar projetos e orientar políticas públicas. Proposições como 10% dos royalties do petróleo para a educação são parte, portanto, desta nova conjuntura social e política. “Se eu quero mais investimentos na educação, tenho que extrair mais petróleo. A ideia é que os governos ajam para legitimar essas atividades como indutoras do desenvolvimento”, detalha Bruno Millanez pesquisador do núcleo PoEMAS, da UFJF.

Monocultivo de eucalipto voltado para a produção e exportação de celulose. Foto: Guilherme Zocchio
Monocultivo de eucalipto voltado para a produção e exportação de celulose. Foto: Guilherme Zocchio

No contexto neoextrativista, os governos também trabalham no sentido de reduzir as desigualdades, através de programas sociais, sem que, no entanto, isso signifique a redistribuição de riquezas. A ideia principal é que haja um estado forte, que estimula a produção e garante um patamar de vida acima da miséria, acompanhado de um mercado forte, entendimento que é consenso entre os participantes do seminário na UFES.

Com o neoextrativismo, problemas como a capacidade de se continuar com tal modelo e sustentá-lo entram em questão. “As commodities vão para fora. Os ganhos com esta produção não se mantêm a longo prazo”, salienta Bruno Millanez, ao lembrar que o neoextrativismo depende, antes de qualquer coisa, da exploração de recursos naturais não-renováveis, com baixo valor agregado e que estão sujeitos às flutuações do mercado de capitais futuros –ou seja, às manipulações do sistema financeiro mundial.

“Temos assistido ao aumento da emergência de conflitos sociais em torno de projetos de mineração nos últimos anos. Não necessariamente a proposta de um recurso ser estatal faz com que ele seja usado em prol da maioria”, acrescenta a antropóloga Gabriela Scotto, do Núcleo de Estudos Socioambientais da Universidade Federal Fluminense (NESA/UFF).

A multiplicação de conflitos sociais e ambientais é o principal nó que uniu os integrantes do seminário na UFES. Pela América Latina, estes problemas apenas se multiplicam e entre os participantes sobravam relatos e histórias de comunidades tradicionais e outros grupos atingidos diretamente por megaprojetos.

Conflitos e alternativas
Os participantes do seminário destacam que um dos principais problemas acarretados pelo neoextrativismo diz respeito à incapacidade que este modelo tem de conviver com outras formas de vida. Trata-se de uma perspectiva homogeneizadora que se sobrepõe a outras formas de trabalhar, produzir riquezas e viver não cabíveis dentro da exploração para exportação de recursos naturais. “Existe uma naturalização de que a mineração, a extração do petróleo, deva se sobrepor às populações tradicionais e à conservação da natureza”, observa Julianna Malerba, da FASE. Isto faz com que este modelo seja não só predador e destruidor da natureza, como também agudize os problemas de desigualdade social. E a questão afeta, de maneira irrestrita, todos os países latino-americanos.

  “Todos somos cada vez mais extrativistas. E vemos com isso cada vez mais conflitos crescentes em todos os países da América Latina”, ressalta Marco Gandarilas, do Centro de Docmentación e Informacióin Bolivia (CEDIB). Mesmo naqueles Estados que em suas constituições nacionais reconhecem a natureza como sujeito de direitos e que assumem o “bem viver” como um dos objetivos fundamentais o modelo neoextrativista é hegemônico e acompanha uma série de consequências sociais e ambientais. No Equador, por exemplo, o presidente Rafael Correa recentemente anunciou, com apoio do Legislativo nacional, que pretende explorar as reservas de petróleo na porção amazônica de seu território. Para isso, umas das principais porções de terra visadas pelo governo equatoriano é o Parque Nacional Yasuní, patrimônio reconhecido pela Unesco e área de reserva cuja exploração de recursos não renováveis é vetada pela Constituição do país, mas que pode ser autorizada pelo Executivo com o aval do Congresso.

“Enfrentamos as mazelas de um modelo de desenvolvimento econômico dentro de governos que têm alguma identificação com a esquerda. Nossa ideia é construirmos uma outra proposta de desenvolvimento à esquerda”, afirma Cristiana Losekann, do Organon/UFES. Durante o seminário, a preocupação não foi apenas em criticar e apontas os problemas do modelo neoextrativista, mas principalmente propor alternativas, outros modelos de desenvolvimento que sejam sustentáveis, distribuam riquezas e respeitem os saberes tradicionais de comunidades quilombolas, pescadoras, ribeirinhas, agricultoras, coletoras, entre outras.

Segundo os representantes das entidades presentes na UFES, é preciso “reafirmar os modos de vida tradicionais como alternativa ao modelo neoextrativista, pós-neoliberal”. Intercalado com as mesas e discussões do encontro, era servido aos participantes lanches cuja origem vinha da produção do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) do norte do Espírito Santo, uma região em que a luta pela reforma agrária e a organização de trabalhadores da terra consegue produzir com técnicas de agroecologia e a orientação de promover a segurança alimentar. Não só lá, mas em outras áreas de assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), como o interior de Pernambuco, no nordeste brasileiro, comunidades inteiras produzem de maneira sustentável, de modo a oferecer alternativas ao modo vigente hoje no Brasil e na América Latina.

Participantes do seminário realizam cerimônia de encerramento. Foto: Adriano Monteiro
Participantes do seminário realizam cerimônia de encerramento. Foto: Adriano Monteiro

As saídas para o que está colocado hoje, porém, ainda podem ser muitas. Entre os participantes do seminário na UFES, somam-se ideias como a busca por instrumentos legais que determinem áreas livres de mineração ou de exploração petrolífera, campanhas para a preservação de territórios tradicionais e uma série de iniciativas que busquem preservar outros modos de trabalhar e de viver, fora do modelo neoextrativista. Caso contrário, defendem, o que está colocado pode cada vez mais extinguir os recursos naturais e cercear modos de vida saudáveis pelo planeta. Em um momento da conjuntura mundial em que se problemas ambientais tornam cada vez mais latentes, procurar alternativas torna-se urgente.

A moqueca é um prato tipicamente capixaba e, se os pescadores no Espírito Santo enfrentam dificuldades, é porque os impactos de empreendimentos são tantos que os peixes estão morrendo ou se afastando. E, em meio às discussões teóricas aprofundadas sobre neoextrativismo, um dos participantes sintetizou, ao final do evento, de um jeito simples e direto a emergência de tudo que estava sendo discutido:

“Sem peixe, afinal, não há moqueca”.

Fonte: http://reporterbrasil.org.br/

Recomendação de leitura: Thomas Piketty e o Segredo dos Ricos

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Os estudos do economista francês Thomas Piketty sobre desigualdade social lançaram um novo olhar para o funcionamento do capitalismo contemporâneo e os efeitos da alta concentração de renda na economia, no meio ambiente e no exercício da democracia.

Organizado pelo Le Monde Diplomatique Brasil, este livro apresenta esse debate, em 11 artigos do próprio Piketty e de autores como os economistas Luiz Gonzaga Belluzo, Ladislau Dowbor, Kostas Vergopoulos e o diplomata Samuel Pinheiro Guimarães, entre vários outros. Uma excelente síntese do debate em torno das transformações que o capitalismo vem sofrendo neste início do século 21.

No artigo “Capital Financeiro e Desigualdade”, Belluzo analisa as condições que levaram à grande crise financeira de 2008. Já Pinheiro Guimarães discute a perigosa relação entre poder econômico e poder político em “Alternativas Brasileiras”, enquanto os auditores fiscais Fátima Gondim e Marcelo Lettiere mostram como a política tributária pode ser um instrumento de distribuição de renda em “Tributação e Desigualdade”.

Para além de discutir as ideias do economista francês e sua enorme repercussão, “O Segredo dos Ricos” é uma excelente síntese do debate em torno das transformações que o capitalismo vem sofrendo neste início do século 21.

Quem tiver interesse em comprar essa obra fundamental para elevarmos o nível da discussão sobre os efeitos da concentração da riqueza no mundo, pode clicar Aqui!

Podas de árvores em áreas públicas: quem vigia as motosserras da AMPLA em Campos dos Goytacazes?

Há mais de uma década participei de um esforço para coibir a realização de podas drásticas e/ou desnecessárias nas ruas de Campos dos Goytacazes. É que além de cortar além do necessário, os responsáveis pela retirada das tão necessárias árvores que nos protege dos limites climáticos também se esqueciam de usar a calda bordalesa para impedir a proliferação de doenças e infiltrações.

Pois bem, nos últimos tempos tenho notado que as podas sendo realizadas principalmente pela empresa concessionária AMPLA estão repetindo velhas práticas, inclusive deixando de usar as caldas protetoras. Um exemplo disto pode ser visto na imagem abaixo onde as áreas marcadas com círculo vermelho não foram cobertas após a conclusão da poda por trabalhadores uniformizados da AMPLA.

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E ai é que eu fico me perguntando sobre o que anda fazendo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente para coibir eventuais danos à nosso patrimonial ambiental. Com a palavra, o eminente secretário municipal de meio ambiente, o longevo (ao menos em termos de exercício deste importante cargo) Sr. Zacarias Albuquerque.

É que , se eu bem me recordo, ele estava à frente da secretaria quando o então prefeito de Campos, Arnaldo França Vianna, assinou um termo de ajustamento de conduta (TAC) se comprometendo junto ao Ministério Público Estadual de envidar esforços justamente para evitar esse tipo de agressão ao patrimônio ambiental municipal.

Brasil 247 repercute disputa entre CEF e Santander por dívida contraída por Eike Batista para construir Porto do Açu

Porto do Açu: cobrança de fiança leva CEF e Santander à Justiça 

 

Apesar de todo o esforço da mídia corporativa regional, nem tudo que sai na imprensa são flores para o Porto do Açu. Hoje, o  Jornal Valor Econômico informa que um empréstimo concedido para a construção do Porto de Açu  contrapõe Caixa Econômica Federal e Santander em uma disputa na Justiça.  A Caixa, que fez o empréstimo em 2012, cobra R$ 515 milhões do Santander por conta da fiança prestada pelo banco espanhol para a construção do megaempreendimento que um dia foi liderado pelo ex-bilionário Eike Batista.

Como estamos em tempos bicudos para o governo de Dilma Rousseff, essa dívida não ficará sem ser cobrada. Ai vamos ver como é que o Santander vai se ressarcir se tiver que pagar o que a Caixa está cobrando.

 

Folha de São Paulo mostra problemas sociais e ecológicos causados pelo mineroduto Minas-Rio

O jornal Folha de São Paulo colocou hoje no ar uma matéria sobre os graves problemas sociais e ambientais que estão sendo causados na região de Conceição do Mato Dentro (MG) pelo início do funcionamento do mineroduto Minas-Rio que é operado pela multinacional Anglo American (Aqui!).

O título da matéria é “Maior mineroduto do mundo começa a funcionar em meio a queixas” apresenta uma coleção de problemas ambientais e de perturbação do cotidiano dos moradores de município. Além da mortandade de peixes, contaminação de nascentes e uso excessivo de água em um período de seca histórica (o mineroduto consome 2.500 litros cúbicos de água por hora, o que seria suficiente para abastecer uma cidade de 220 mil habitantes!), há também a ocorrência da trepidação das casas dos moradores que causam rachaduras nas casas próximas pelos locais onde o mineroduto passa.

Mas um detalhe que conecta os moradores de Conceição do Mato Dentro aos seus congêneres no V Distrito de São João da Barra, não é o mineroduto propriamente dito, se relaciona às disputas em torno da venda de propriedades já que os agricultores reclamam dos preços pagos por suas terras.

Aliás, há outro detalhe que conecta os dois pontos do mineroduto Minas-Rio: o descompromisso da Anglo American com a resolução dos problemas que está causando, tudo em nome da geração de lucros. 

O mais lamentável é notar que também os problemas causados pela omissão dos órgãos governamentais no que tange à exercer o que a legislação determina em termos de proteção ambiental e de defesa dos direitos dos agricultores que tiveram o azar no caminho deste megaempreendimento. E aproveito para frisar que o nome disso não é desenvolvimento, nem aqui, nem na China, que para onde a Anglo American planeja mandar o minério de baixa qualidade que o ex-bilionário Eike Batista lhes vendeu.

 

Artigo científico na Science mostra que mineração e hidrelétricas ameaçam Amazônia

Em um artigo publicado na renomada revista “Science” um grupo de pesquisadores liderados pela pesquisadora Joice Nunes Ferreira da “EMBRAPA Amazônia Oriental” alerta para os riscos que estão sendo colocados sobre as unidades de conservação da natureza existentes na Amazônia por causa da construção de hidrelétricas e de autorização de projetos de mineração (Aqui!). Ainda que esse problema já esteja em efervescência desde o desmanche do IBAMA que resultou na criação do ICMBIO, o problema se agravou bastante durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff, e promete se agravar ainda mais no segundo.

A figura abaixo mostra a sobreposição que existe entre as unidades de conservação e terras indígenas com hidrelétricas e projetos de mineração. A análise destas imagens deixa claro que a lógica do modelo neodesenvolvimentista do PT que privilegia a exportação de commodities agrícolas e minerais representa uma grave ameaça à proteção dos diversos biomas existentes no Brasil, mas é mais grave na bacia Amazônica.

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Essa ameaça à conservação da natureza, especialmente na região Amazônica, é que deveria receber grande atenção de todos os que se preocupam com efeitos sociais, econômicos, culturais e ambientais da forma neopetista de gerar crescimento econômico. É que essa forma de sobrepor o econômico a outros aspectos igualmente estratégicos do desenvolvimento econômico ameaça não deixar nada intocado, com custos inimagináveis para toda a sociedade, e benefício restritos aos mesmos de sempre.