A greve dos garis e a nossa zelite

Por Renata Lins

Os garis. No carnaval. Tão educativo isso. Os garis pararam no carnaval. Já tinham ameaçado parar no Ano Novo, outro ponto delicado em que se nota mais do que normalmente o quanto eles são necessários. Mas não, no dia 1° as ruas estavam limpas, as praias estavam penteadas e com a areia tinindo, esperando turistas e locais que não têm que trabalhar no sol a pino do dia 1°.

E parece que os garis, esses que trabalharam duro no dia 1° para que os frequentadores das praias e das calçadas cariocas pudessem se espalhar sem medo, ficaram até o meio da tarde sem o espartano lanche e suco a que têm direito.

Não saiu uma linha nos jornais sobre isso. Viva as redes sociais.

Os garis pararam agora, no carnaval, numa jogada de mestre. O carnaval é, de fato, o momento de maior visibilidade para essa profissão invisível. Lembro do texto do menino da USP que, para fazer pesquisa de campo do seu trabalho sobre invisibilidade, foi trabalhar na limpeza da universidade. Pois bem. Nem seus colegas o reconheciam. Ninguém falava com ele. Não o reconheciam porque não o viam. O gari como árvore: faz parte da paisagem. Em silêncio, trabalhando de cabeça abaixada. Que faça seu serviço, que não atrapalhe quem estuda. Quem faz coisas sérias. Quem “faz por merecer”.

“Ah, não estudou!”.

Que lindo o país da meritocracia. Mais que isso: que lindo o país que prescinde de garis. Porque, né, claro. Os outros países, aqueles lá do primeiro mundo – assim, beeem primeiro mundo, tipo a Escandinávia … então, esses países: não têm garis, né? Afinal, lá todo mundo estudou… ah, tem? Como é isso então? Sim, entendi. Os garis são, tipo assim, imprescindíveis. Fundamentais. Essenciais.

Estão na base da nossa sociedade de consumo desenfreado. Da nossa sociedade produtora de lixo.

Os garis. Negros garis. Loiros médicos “ricos e cultos”, que se insurgiram contra os negros médicos cubanos. Em Cuba, como em todo lugar, tem garis. Negros, possivelmente. Mas também tem médicos negros em quantidade: aí a diferença.

Trabalho insalubre. Trabalho pesado.

Trabalho que necessitaria de muito mais proteção do que eles têm, por conta da exposição a doenças. Por conta do contato direto com o lixo dos outros. O lixo que eu, que você, que todo mundo produz em quantidade. Feio, fétido. O lixo que a gente não quer ver, do qual a gente não quer saber. Pois é. Quem dá conta dele são os garis.

Mas o moço branco que estudou em boas universidades e paga de liberal (mas, descubro, é um reaça de quatro costados) acha errado pagar mais aos garis. Que afinal não estudaram. Porque, diz o moço, se pagarem mais, outras pessoas vão fazer o concurso e vão desempregar os que realmente precisam desse emprego.

Ah, tá. Porque se o salário de gari fosse, vamos dizer, não os R$1.200 que eles estão pleiteando, mas … digamos… R$6.000 reais, que já é um salário bem razoável… eu vou correr lá pra fazer concurso pra gari? Ele vai? Meu vizinho?

Ah, não? Pois é, amigo, não é só o salário… o trabalho é punk, é pesado, é desagradável, é sujo, é insalubre. É essencial. Justamente por isso é que quem o faz merece dignidade. Merece ser tratado com respeito. Merece um salário que lhe permita alimentar sua família. Comprar remédios. Ter um mínimo de tranquilidade. Ter, quem sabe – oh, transgressão das transgressões – momentos de lazer.
Imagina. O gari na praia, relaxando. O gari viajando de férias. O gari vivendo a vida que não é só trabalho com lixo. Que ousado. Que revolucionário.

Só que não.

Não é nem revolucionário. Nem ousado. Nem “de esquerda”. Isso pode ser a vida de um gari na sociedade capitalista. Numa sociedade capitalista um pouco menos selvagem do que a nossa. Um pouco menos escravocrata. Um pouco menos elitista. Um pouco menos racista.

Pode ser, e certamente é.

Mas aqui não.

P.S. Recomendação de filme: “Segredos e Mentiras“.
Recomendação de texto: “Garis: um estudo de psicologia sobre invisibilidade pública

FONTE: http://chopinhofeminino.blogspot.com.br/2014/03/a-greve-dos-garis-e-nossa-zelite.html?spref=tw

Quase treze anos depois da separação, UENF e FENORTE poderão se unir pela greve

A chance de uma greve ocorrendo ao mesmo tempo na UENF e na FENORTE é uma doce ironia porque representará um momento de reunificação imposta pela absoluta necessidade.

Em outubro de 2001, quando houve a separação de fato entre a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e sua então mantenedora, a Fundação Estadual do Norte Fluminense (FENORTE), quis o então governador, Anthony Garotinho, manter as duas instituições no mesmo local, ainda que sem nenhum laço efetivo. De lá para cá, a única coisa em comum que foi imposta aos servidores das duas instituições foi o descaso por seus destinos e uma impressionante corrosão das suas respectivas malhas salariais.

No caso da FENORTE, a sucessão de presidentes, que contou inclusive com o sempre lépido ex-reitor da UENF, Almy Junior, resultou numa depreciação salarial de tal tamanho que nem os minguados 22% concedidos aos servidores estaduais pelo (des) governador Sérgio Cabral em 2010 foi passada para os seus servidores. Aliás, segundo informou a Associação de Funcionários da FENORTE/TECNORTE, a última vez em que os salários da fundação foram melhorados foi em 2006! Essa negligência com as necessidades dos servidores da FENORTE nunca foi bem explicada, mas o objetivo só pode ter sido desmoralizar e quebrar espíritos, visto que não há qualquer outra razão para isso. O processo de desgaste só não se estendeu à nomeação dos ocupantes de 40 cargos comissionados que existem na estrutura da fundação, os quais continuaram a ser religiosamente ocupados, independentemente do grupo político que estivesse à frente da FENORTE.

De forma paralela, a situação dos servidores da UENF (docentes e não docentes) também foi sendo gradativamente degradada, ao ponto em que os professores doutores que trabalham em regime de Dedicação Exclusiva passaram da condição de detentores dos melhores salários do Brasil a de mais mal pagos em todo o território nacional. Além disso, a compressão orçamentária também está asfixiando o funcionamento de atividades essenciais, e contribuindo para a criação de um ambiente igualmente nebuloso e sem grandes perspectivas de melhora sob o tacão impiedoso da dupla Sérgio Cabral/ Sérgio Ruy.

Aliás, até parece que o elemento que mais conecta a UENF à FENORTE não é o seu berço comum no projeto idealizado por Darcy Ribeiro, mas o fato de estarem localizadas na cidade de Campos dos Goytacazes, berço político de Anthony Garotinho.  A verdade é que apenas por esse elemento da geopolítica fluminense seria possível explicar tanto destrato à duas instituições que cumprindo papéis distintos poderiam alavancar elementos importantes no esforço de dinamizar o desenvolvimento das regiões Norte e Noroeste do Rio de Janeiro. 

Agora, ironia das ironias, a UENF e a FENORTE que se separaram após uma longa greve dos servidores da primeira, podem se unir a partir de uma greve a partir da próxima 3a .feira (11/03). A ironia maior é que a luta dos servidores da mesma instituição é contra um (des) governo que não honra prazos e compromissos e que parece apostar sempre no pior. Pode ser que ao provocar a unidade pela greve, Sérgio Cabral esteja conseguindo exatamente isso, só que para ele e seu grupo político. Ai eu é que aproveito para avisar: se Cabral não negociar logo, quem vai pagar o custo político será o seu vice, o impoluto Pezão. O aviso está dado. E como diz o velho ditado, quem avisa, amigo é!

Telefônicas: lucra aqui, envia para lá

Por Milton Temer

lucro

A propaganda enganosa entope os canais de televisão. As teles privadas se disputam os incautos com promessas nunca cumpridas, e nunca cobradas pelos órgãos do governo que mais se preocupam de proteger seus privilégios do que em fiscalizá-las. Investimentos prometidos durante o processo de privatização, por conta da “concorrência”? Nem pensar. E a razão está aí, denunciada em matéria do insuspeito Globão. Não há investimento porque há uma deslavada e descontrolada remessa dos lucros obtidos no Brasil em direção à caixa das matrizes nos centros capitalistas do mundo. Fica a pergunta: o que faz esse governinho chinfrim para compensar tais perdas estratégicas? Nada. Está preocupado em manter boas relações com o empresariado, principalmente com os renhistes especuladores que controlam a política de juros sobre a qual se locupletam sem risco. Está preocupado com os quatro minutos de TV que seu cúmplice – PMDB – tem no horário eleitoral.

E ainda há petista histórico que acredita em Dilma como alternativa de fato a Aécio e Dudu campos, apesar da guinada que gerou esse patético neoPT? Francamente. 

Usando gíria da minha saudosa Vila Isabel, “tomem tenência. Se manquem”. E recuperem, com protestos concretos, a dignidade da legenda histórica do PT . Luta que Segue! porque a verdade não pode ser atropelada eternamente

FONTE: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=658669124169710&set=a.149176675118960.22513.100000798866786&type=1&theater

Ex-bilionário: Eike Batista tem menos de US$ 300 milhões

Brasileiro perdeu quase toda sua fortuna em dois anos, diz Forbes

Portal Terra

O homem mais rico de 2012, Eike Batista, tinha US$ 30 bilhões (R$ 70,3 bilhões) e a estimativa de que em poucos anos seria o homem mais rico do mundo. Na contramão, o empresário perdeu quase toda sua fortuna em dois anos.Atualmente, possui menos de US$ 300 milhões.

O brasileiro e outros 99 executivos serviram de exemplo para a revista Forbes publicar que até negócios bilionários podem ter desfechos muito ruins.

Nos Estados Unidos, a publicação cita uma lenda do petróleo texano, T. Boone Pickens, que perdeu cerca de US$ 300 milhões com iniciativa envolvendo gás natural e energia verde. Já Manoj Bhargava fez fortuna a partir de um tipo diferente de energia alternativa, mas sua empresa enfrenta denúncias sobre seu produto. O patrimônio líquido estimado caiu de US$ 1,5 bilhão em março de 2013 para US$ 800 milhões.

Segundo a revista, bilionários americanos se saíram melhor que os estrangeiros no quesito desvalorização de fortunas. A Ásia teve o maior número de baixas, 47. O Oriente Médio e a África ficou em segundo com 20, quase todos eram da região da Turquia.

FONTE: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2014/03/08/ex-bilionario-eike-batista-tem-menos-de-us-300-milhoes/

Garis do Rio de Janeiro provam que greve resolve sim!

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Vitória da greve deverá trazer efeitos pedagógicos para outras categorias que lutam por melhores salários e condições dignas de trabalho

As notícias que estão sendo disseminadas pela mídia corporativa dão conta que o movimento grevista dos garis da cidade do Rio de Janeiro acaba de arrancar uma vitória robusta que efetivamente humilha o (des) prefeito Eduardo Paes do PMDB. Após querer dar míseros 9% de aumento e chamar os grevistas de amotinados, Eduardo Paes teve que negociar e conceder ganhos que chegam bem próximo do que os garis demandavam. Assim, agora o salário base que era de R$ 803,00 passou para R$ 1.100,00. Os garis arrancaram ainda o pagamento de um adicional de insalubridade de 40% e um vale refeição de R$ 20,00 (que aliás é maior do que o que é pago hoje aos servidores da UENF!).

Apesar de parecer pouco, e é para o tipo de trabalho estratégico que os garis realizam, este resultado mostrou que quando uma categoria se organiza, não há (des) governo, sindicato pelego ou mídia comprada que impeça a vitória dos trabalhadores.

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Por outro lado, uma das repercussões importantes dessa greve vitoriosa dos garis é pedagógica. Afinal, que melhor exemplo para outras categorias de servidores públicos e do setor privado do exemplo que está sendo oferecido pelos garis da COMLURB? Eu pessoalmente espero que nos próximos movimentos que ocorrerem dentro da UENF eu não tenha mais que perder tempo explicando que greve continua sendo um instrumento essencial na luta dos trabalhadores por melhores salários e condições de trabalhos dignas! Aliás, o exemplo pedagógico dessa greve é ainda maior dados todos os obstáculos que os garis tiveram de superar para conseguir algo que já lhes deveria ter sido garantido há muito tempo.

Por essa magistral aula de como lutar por salários dignos e respeito pelo serviço que se faz, estamos todos em dívida com os garis cariocas.

Porto do Açu: placas velhas levantam questão sobre a propriedade das terras desapropriadas

Apesar do grupo estadunidense EIG ter se tornado o controlador do Porto do Açu desde outubro de 2013 e a LL(X) ter mudado de nome em dezembro passado, quem anda pelas estradas do V Distrito do município de São João da Barra continua encontrando as mesmas placas dos tempos em que Eike Batista e seu conglomerado de empresas pré-operacionais reinavam absolutos. Como o Grupo EIG acaba de ser abastecido com mais um generoso financiamento do BNDES para concluir a construção do porto, a manutenção das placas velhas deve ter algum outro motivo que a falta de dinheiro para fazer as novas.

Aliás, quem se der ao trabalho de verificar o sistema do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para verificar os múltiplos processos que existem envolvendo o conflito agrário instalado no V Distrito de São João da Barra encontrará apenas a LLX Logística seja como réu ou como reclamante, enquanto o mesmo não ocorre com a Prumo, a sua suposta sucessora. Ainda que isto possa ainda vir a ocorrer num futuro imediato, mesmo porque muitos agricultores continuam querendo ser ressarcidos pelos problemas causados pela salinização de suas terras e águas, este fato não deixa de ser curioso.

E isso tudo levanta uma questão importante para a discussão em torno a luta que os agricultores familiares do Açu travam neste momento em defesa de sua cultura e modo de vida: quem controla hoje as terras desapropriadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN)?

Mas para que restem dúvidas sobre o que eu estou falando, vejam as placas que ainda hoje avisam aos passantes para que não entrem nas terras da finada LLX.

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O que não sai nos jornais sobre a extrema-direita na Ucrânia

Na principal reportagem sobre a Ucrânia que publicou hoje, a versão digital do New York Times diz que o Right Sector é “controverso” por causa de sua organização “semi-militar”. Mas, como você verá abaixo, é muito mais que isso.

O papel dos nacionalistas de extrema-direita nos protestos da Ucrânia

por Ivan Katchanovski, no Moscow Times

A primeira vítima do atual conflito na Ucrânia é a verdade. Houve uma enxurrada de informação não confirmada, selecionada, distorcida e incorreta sobre vários aspectos tanto dos protestos quanto da política ucraniana em geral, tanto na mídia pró-governo quanto na mídia pró-oposição.

O papel-chave da direita radical em transformar o conflito de um protesto pacífico em algo crescentemente violento e em colocar a Ucrânia à beira de uma guerra civil e fragmentação foi ignorado, minimizado ou deturpado pela mídia, políticos e especialistas, na Ucrânia e, em menor medida, no Ocidente.

Enquanto isso, na Rússia, uma atenção muito maior na extrema-direita inclui aparentes tentativas de associar os protestos com nacionalistas radicais e elementos neonazistas e seus predecessores históricos da facção de Stepan Bandera da Organização dos Nacionalistas Ucranianos, OUN.

Os protestos começaram no final de novembro contra a decisão do presidente Viktor Yanukovych de abandonar o acordo de associação e livre comércio com a União Europeia. Então, a dispersão brutal de protestos majoritariamente pacíficos de manifestantes pró-UE pela unidades da polícia especial geraram mais protestos. Mas a direita radical jogou papel-chave na tomada da prefeitura de Kiev e nas tentativas de atacar o palácio presidencial em primeiro de dezembro e o Parlamento em 19 de janeiro.

Muito da mídia ucraniana e os principais líderes de oposição inicialmente disseram que os ataques violentos contra o palácio presidencial e o Parlamento tinham sido liderados por agentes provocadores a serviço do governo ucraniano ou da Rússia. Eles citaram um canto em russo de alguns dos que atacavam como prova-chave de sua afirmação, embora este canto seja usado por fãs extremistas de times de futebol ucranianos, como o Dynamo Kiev.

Em contraste, a mídia ignorou a admissão na página do Right Sector do Vkontakte [Nota do Viomundo: o Facebook deles] de que seus membros eram os que entoavam o canto. Se é possível que provocadores possam ter sido infiltrados na liderança e em posições das organizações de extrema-direita, é um exagero dizer que eles controlavam a extrema-direita e lideraram os ataques.

Grupos de torcedores extremistas, de nacionalistas radicais e organizações neonazistas, como a Trident, Patriotas da Ucrânia, Martelo Branco e UNA-UNSO, formaram o Right Sector e participaram nos grandes ataques violentos em Kiev e contra governos regionais. Embora o principal partido de extrema-direita, o Svoboda, tenha se distanciado publicamente dos ataques ao palácio presidencial e ao Parlamento, há provas de envolvimento de ativistas do Svoboda e de organizações associadas nos ataques.

Estes grupos de extrema-direita se consideram em várias extensões como herdeiros da OUN ou glorificam a OUN. Alguns deles são responsáveis por usar símbolos neonazistas, como a cruz celta e o sinal 14/88, cujos números fazem referência a supremacistas brancos, além do “Heil Hitler”.

No entanto, símbolos e cantos da OUN, como a bandeira vermelha e negra, as saudações coreografadas “Glória à Ucrânia, Glória aos Heróis”, “Glória à Nação”, “Morte aos Inimigos” e “Ucrânia acima de tudo” foram usados muitos mais amplamente pela extrema-direita durante as ações violentas. O Svoboda fez um comício com tochas acesas em honra ao aniversário de Bandera, no primeiro de janeiro, diante do prédio da Prefeitura de Kiev, que ocupa.

Muitos órgãos da mídia, políticos nacionalistas e historiadores da Ucrânia apresentam Bandera e sua facção da OUN como heróis nacionais que lutaram pela independência da Ucrânia contra a União Soviética e a Alemanha nazista. Eles negam, justificam ou falsificam a colaboração da OUN com a Alemanha nazista no início e no final da Segunda Guerra Mundial e o envolvimento da OUN e do Exército Insurgente Ucraniano nos assassinatos em massa de judeus, poloneses, russos e ucranianos.

Por exemplo, cerca de 1.500 judeus, ucranianos e poloneses, vítimas de execução em massa dos nazistas, cujos restos foram exumados recentemente em Volodymyr-Volynskyi, foram apresentados falsamente como vítimas da [polícia política] NKVD soviética, a predecessora da KGB.

A mesma distorção acontece sobre a participação da polícia local nestas execuções: ela era controlada pela OUN, cuja maioria se juntou ao Exército Insurgente Ucraniano. Meu estudo demonstra que pelo menos 63% dos líderes da OUN e do Exército Insurgente Ucraniano serviram durante a ocupação nazista como policiais, milicianos, administradores locais, nos batalhões Nachtigall e Roland Battalions, na divisão da SS da Galicia, no Bergbauern-Hilfe ou colaboraram com as agências de segurança e inteligência da Alemanha nazista, primariamente no início e no fim da guerra.

Mas seria incorreto associar os protestos na Ucrânia com a extrema-direita. Os manifestantes violentos da extrema direita representam uma minoria relativamente pequena. Pesquisas de opinião mostram que o Svoboda e seu líder, Oleh Tyahnybok, são muito menos populares entre os ucranianos que líderes não-nacionalistas de oposição como Vitali Klitschko e Arseny Yatsenyuk e seus partidos.

Da mesma forma, pesquisas conduzidas pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev mostram que a OUN, o Exército Insurgente Ucraniano, Stepan Bandera e Roman Shukhevych são populares apenas entre a maioria dos eleitores do Svoboda e residentes da Galicia, um ex-reino no oeste da Ucrânia. A opinião positiva é minoritária entre os eleitores de todos os outros grandes partidos, de todas as gerações e residentes de todas as outras regiões, inclusive Kiev. Apenas 1% dos ucranianos expressam uma visão positiva a respeito de Adolf Hitler.

Ainda assim, muitos líderes de oposição e manifestantes adotaram a saudação da OUN em Maidan [a praça central de Kiev]. Eles cooperam com o Svoboda e não se distanciam completamente dos manifestantes violentos da extrema-direita. Existe até apoio para os manifestantes violentos, mas alguns pesquisadores acadêmicos dizem que o envolvimento de nacionalistas radicais e simpatizantes neonazistas está sob pressão. Tais ações não são compatíveis com os valores liberais e democráticos associados com a União Europeia.

Uma resolução pacífica do conflito, com a intermediação do Ocidente e da Rússia, cria a possibilidade de remover e escolher o presidente e o governo através de eleições. Para o futuro da Ucrânia como um país unitário isso é preferível que se a oposição ou o governo usarem violência e tentarem uma estratégia de vitória total, que possivelmente pode levar à guerra civil e à partilha de uma Ucrânia já profundamente dividida.

*Ivan Katchanovski é professor da escola de estudos políticos e do departamento de comunicações da Universidade de Ottawa. Ele é autor de Cleft Countries: Regional Political Divisions and Cultures in Post-Soviet Ukraine and Moldova e co-autor de Historical Dictionary of Ukraine, Second Edition.

FONTE: http://www.viomundo.com.br/denuncias/ucrania.html

Colmeias eliminadas por agrotóxicos são problema mundial

Por Redação, com ACS/MST – de São Paulo

Estudos em realizados em todos os continentes mostram que abelhas, marimbondos, borboletas, morcegos, formigas, moscas, vespas, além do beija-flor, estão seriamente ameaçados

Estudos em realizados em todos os continentes mostram que abelhas, marimbondos, borboletas, morcegos, formigas, moscas, vespas, além do beija-flor, estão seriamente ameaçados

Os estudos com inseticidas do tipo neonicotinóides devem estar concluídos no primeiro semestre de 2015. Trata-se de um problema de escala mundial, presente, inclusive, em países do chamado primeiro mundo, e que traz como consequência grave ameaça aos seres vivos do planeta, inclusive o homem.

De acordo com o coordenador geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas e Produtos Perigosos do Ibama, Márcio Freitas, o órgão está reavaliando, desde 2010, vários produtos suspeitos de causar colapsos e distúrbios em colmeias paulistas e mineiras. Segundo Freitas, que integra o Comitê de Assessoramento da Iniciativa Brasileira para Conservação e Uso Sustentável dos Polinizadores, a intoxicação prejudica a comunicação entre as abelhas e isto impede que elas retornem às colmeias, levando ao extermínio dos enxames.

Proibição

Enquanto as análises dos produtos investigados não são concluídas, o órgão proibiu sua aplicação aérea (por avião) e na época da florada para não prejudicar a ação de insetos, aves e morcegos.

– Interessa ao Ibama conhecer o comportamento dos polinizadores, entender seu comportamento e estabelecer medidas de mitigação para protegê-los – explica Freitas.

Estudos em realizados em todos os continentes mostram que abelhas, marimbondos, borboletas, morcegos, formigas, moscas, vespas, além do beija-flor, estão seriamente ameaçados de desaparecer em função do uso indiscriminado de pesticidas e agrotóxicos na agricultura.

É claro que o balé harmônico de polinizadores como o beija-flor em volta das flores, à procura do néctar, encanta homens e mulheres de todas as idades. Mas a maioria desconhece como eles são essenciais à existência e manutenção da vida no planeta.

Dependência

Documentos divulgados em dezembro 2013, durante a reunião da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços de Ecossistêmicos (IPBES), em Antalya, Turquia, mostram que pelo menos três quarto (75%) das culturas do mundo dependem da polinização por abelhas e outros polinizadores para se desenvolver e gerar frutos. O evento contou com a participação de cerca de 400 delegados representantes de mais de 100 países.

Os participantes decidiram, para os próximos cinco anos, desenvolver um programa de trabalho visando preparar um conjunto de avaliações acerca da polinização e sua relação com a produção de alimentos, degradação da terra e espécies invasoras. O objetivo é fornecer aos formuladores de políticas as ferramentas destinadas a enfrentar a pressão decorrente dos desafios ambientais.

Intoxicação

Espera-se que a primeira avaliação esteja disponível em dezembro de 2015, e o foco será a polinização e a produção de alimentos. Pesquisadores vinculados à IPBES acreditam ser necessárias mais informações a fim de se compreender melhor como a polinização sustenta a produção de alimentos, e avaliar a eficácia das políticas atuais.

Cientistas de todos os continentes concordam que a intoxicação dos polinizadores por agrotóxicos representa uma grave ameaça inclusive à sobrevivência do ser humano, caso nenhuma medida seja adotada.

De acordo com a analista ambiental e doutoranda em ecologia e conservação de recursos naturais do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ceres Belchior, esses produtos podem provocar a morte de polinizadores e aves e sugere restringir sua aplicação pelo menos durante a florada.

Como o assunto integra as políticas e ações estruturantes do MMA, o secretário de Biodiversidade e Florestas, Roberto Cavalcanti, enumerou seis eixos temáticos a serem trabalhados sobre vários eixos.

Eles incluem as relações entre a polinização e a cultura agrícola; a política para apicultura no Distrito Federal, situado numa região que abriga mais de 500 espécies de abelhas nativas; a elaboração de um projeto de lei voltado ao pagamento por serviços ambientais com polinização; a conservação da biodiversidade e dos ecossistemas naturais, que, no Cerrado, somam pelo menos 12 mil espécies de plantas lenhosas da preferência das variedades de abelhas; as avaliações da política de mudanças do clima e os impactos na polinização; e uma reavaliação do licenciamento de agrotóxicos e pesticidas.

Importância Econômica

A mortandade disseminada das abelhas devido ao uso de agrotóxicos foi tema de explanação de Cavalcanti, em audiência pública na Câmara dos Deputados. De acordo com o secretário, 87,5% das espécies de plantas com flores conhecidas no mundo dependem de polinizadores (insetos, aves, mamíferos) para gerarem frutos e sementes sadios.

Segundo Cavalcanti, os polinizadores são tão importantes que 75% da alimentação humana dependem, direta ou indiretamente, de plantas polinizadas ou beneficiadas pela polinização.

E esclareceu: “Sem polinizadores, as plantas dependentes não se reproduzem e as populações que delas necessitam declinam e a abelha do mel (Apismellifera) é o polinizador de importância agrícola mais utilizado no mundo”.

Ele se lembrou da importância econômica dos polinizadores, que movem economia mundial. Dados de 2007 mostram que verduras e frutas lideram as categorias de alimento que necessitam de insetos para a polinização, gerando riquezas em torno de R$ 160 bilhões (50 bilhões de euros) para cada uma dessas áreas.

Em 2009, o valor econômico anual total da polinização girou na cada dos R$ 489,6 bilhões (cerca de 153 bilhões de euros), o que representou 9,5% do valor da produção agrícola mundial para alimentação humana em 2005.

Frutas e verduras

A cada ano, os polinizadores naturais geram uma economia superior a R$ 483 bilhões, no caso das culturas beneficiadas pela polinização por insetos, e a quantia astronômica de R$ 2,435 trilhões quando se trata dos cultivos dependentes da ação dos polinizadores.

O alerta, repassado aos parlamentares, é de que o declínio da quantidade de polinizadores pode levar à redução da produção de frutas, verduras e estimulantes (como café) abaixo do necessário para o consumo atual global.

Insetos, aves e animais polinizadores, como o morcego, estão ameaçados por causa da fragmentação dos habitats naturais, do uso indiscriminado de pesticidas, pela falta de práticas agrícolas amigáveis à sua conservação; surgimento de doenças; e mudanças climáticas inesperadas.

A Iniciativa Internacional para Uso Sustentável dos Polinizadores (IPI, na sigla em inglês), criada no ano 2000 e articulada pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), está empenhada em monitorar o declínio de polinizadores, suas causas e seu impacto; resolver a falta de informações taxonômicas (que define os grupos de organismos biológicos) sobre polinizadores; medir o valor econômico da polinização; e promover a conservação, restauração e uso sustentável da diversidade de polinizadores na agricultura e em ecossistemas relacionados.

Falta pesquisa

Nos Estados Unidos, a desordem e a desorientação das abelhas melíferas provocaram a perda de 90% das colmeias. Na Alemanha, França, Suíça e Península Ibérica, o desaparecimento das abelhas foi relacionado ao uso de inseticidas.

O problema chegou ao Brasil e causou preocupação o extermínio de 5 mil colmeias de abelhas africanizadas no estado de São Paulo. A questão, segundo Roberto Cavalcanti, é que existem poucos estudos toxicológicos avaliando os efeitos dos pesticidas sobre outras espécies de abelhas, inclusive internamente.

No campo das políticas ambientais, o MMA está imerso em projetos e ações destinadas a evitar maiores prejuízos aos polinizadores. Nos próximos anos, os esforços também se destinam a apoiar estudos acadêmicos, como os inseridos no Projeto de Conservação e Manejo de Polinizadores para uma Agricultura Sustentável através de uma Abordagem Ecossistêmica, iniciado em 2009 e com previsão de término para 2014, mas foi prorrogado até o final de 2015.

O Projeto recebeu investimentos de R$ 67 milhões, executados pelo Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), tendo esses recursos destinados ao Brasil, Gana, Índia, Quênia, Nepal, Paquistão e África do Sul. O apoio também veio do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), no valor de R$ 20,4 milhões.

Mais conhecimento

A iniciativa visa ampliar o conhecimento e oferecer ferramentas acessíveis aos profissionais que trabalham com a polinização; disponibilizar orientações e publicações sobre as limitações desta prática, manejo de serviços relacionados com agroecossistemas (que são a interpretação, avaliação e manejo do sistema agrícola, que permitem conduzir a produção com base nas inter-relações entre os elementos constitutivos desses sistemas, como homem e recursos naturais – solo, água, plantas e organismos e microrganismos – e entre outros sistemas externos, do ponto de vista econômico, social, cultural e ambiental), e valoração socioeconômica da polinização, além de fornecer ferramentas fáceis de serem utilizadas na identificação de polinizadores.

Uma das vertentes do projeto prevê a capacitação de agricultores para conservar e utilizar os serviços dos polinizadores silvestres, bem como melhorar a capacidade de pesquisa e construir ferramentas para desenvolvimento e manejo dos serviços de polinização.

Várias culturas já se beneficiam dos resultados desses esforços, como é o caso da produção de melão, maracujá, melancia, abóbora, caju, castanha do Brasil, maçã, canola, tomate e algodão, entre outras.

No caso do algodão, a Rede de Pesquisas dos Polinizadores do Algodoeiro no Brasil, realizou um estudo sobre a atuação das abelhas no incremento da produção nas áreas de Cerrado, no sul da região amazônica e na Caatinga.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Carmem Pires, apesar de o algodoeiro não necessitar de polinização para produzir, ficou demonstrado pela Rede de Pesquisas que as flores desta cultura que recebem a visita de abelhas apresentam um aumento de 12%.

FONTE: http://correiodobrasil.com.br/ultimas/colmeias-eliminadas-por-agrotoxicos-sao-problema-mundial/690035/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=b20140308

De xícara a frigobar, Eike Batista leiloará 700 itens da OGX

Produtos serão leiloados nesta segunda, dia 12, em razão da mudança de escritório da companhia

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Tatiana Vaz, de 

FERNANDO FRAZAO

Eike Batista, presidente da holding EBX

 Eike Batista: até vasos da empresa de petróleo do empresário entrarão em leilão

São Paulo – Quer comprar algum item que foi usado pelo empresário e, segundo a Forbes, ex-bilionário Eike Batista em sua empresa OGX? Se sua resposta for sim, esta pode ser a sua chance.

Na próxima segunda, dia 12, a partir do meio-dia, 700 itens que eram da empresa serão leiloados por meio da Sold Leilões na Internet em razão da mudança de escritório.

Entre os produtos está uma mesa de reuniões, um frigobar, notebooks, cadeiras, xícaras e até vasos da companhia de petróleo. O lance inicial varia de 20 a 500 reais e, para se cadastrar, basta fazer inscrição pelo site.

Como em qualquer leilão, leva o produto quem der o maior lance. A confirmação da compra acontece em no máximo cinco dias.

Quem quiser conferir os estados dos produtos antes de fazer uma oferta pode ir até o depósito onde os itens estão guardados – o endereço difere a cada lote e essa informação aparece no site de cada um dos leilões.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/de-xicara-a-frigobar-eike-batista-leiloara-700-itens-da-ogx

TCU aponta falhas graves e risco à saúde na liberação de agrotóxicos no Brasil

Uma das mais graves é a ausência de documentos e de estudos que a indústria de veneno deve apresentar quando pede ao País o parecer que determinará se produto pode ser comercializado

Por Vasconcelo Quadros – iG São Paulo 

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) encontrou falhas gritantes no setor responsável pela avaliação de riscos dos agrotóxicos para a saúde da população. Uma das mais graves é a ausência de documentos e resultados de estudos que a indústria de veneno deve apresentar quando requisita o parecer que determinará se um produto pode ou não ser comercializado.

A Gerência Geral de Toxicologia (GGTOX) da Anvisa, segundo o TCU, liberava o Informe de Avaliação Toxicológica (IAT) – parecer imprescindível para registro e comercialização dos produtos – mediante um simples termo de compromisso, sobre o qual não há comprovação de cumprimento em muitos dos casos analisados. Em pelo menos 17 processos analisados, foram encontrados pareceres favoráveis a registros amparados em singelos termos de compromisso.

O procedimento é uma espécie de “gambiarra” e, segundo o TCU, contraria frontalmente o que prevê a legislação sobre a emissão de pareceres toxicológicos. Também leva riscos à população na medida em que produtos são liberados sem a comprovação de análise laboratorial – como estudos de resíduos, intervalo de segurança e limites -, que a indústria de produtos formulados deve apresentar quando requisita o registro.

O pior, diz o TCU, é a possibilidade do pedido de registro ser rejeitado quando o produto já tiver sido despejado nas lavouras. 

Como se trata de uma exigência explicitamente exigida pela lei dos agrotóxicos, o TCU não contemporiza com a irregularidade. “Tal iniciativa afronta a legalidade pela qual o agente público deve se pautar. Não lhe é dada a faculdade de ignorar exigências normativas, nem exigir documentos não previstos em substituição a outros”, diz um dos trechos do relatório do acórdão.

A fragilidade é tão visível que a própria Anvisa, nos processos por ela auditados, não encontrou nenhum laudo laboratorial demonstrando a composição quantitativa e qualitativa dos produtos para os quais havia pedido de registro. O documento previsto em lei foi substituído por uma declaração de compromisso que, conforme lembra o TCU, pode representar riscos à saúde pública.

No acórdão 2303/2013, publicado depois de uma auditoria operacional especial solicitada pelo Congresso Nacional diante de denúncias de irregularidades na Gerência de Toxicologia da Anvisa, o TCU esmiuça uma série de irregularidades encontradas no setor e é contundente em relação à fragilidade na emissão dos IATs.

O TCU determina então que o órgão “abstenha-se de emitir Informe de Avaliação Toxicológica sem que todos os documentos e estudos exigidos pelo Decreto 4.074/2002 e necessários à avaliação toxicológica estejam disponíveis no processo, abolindo o uso de Termo de Compromisso para entrega a posteriori de documentos”.

Nos três meses que passaram na Anvisa, os técnicos do TCU encontraram um setor sucateado, carente de recursos humanos e de meios tecnológicos, um contraste com sua função reguladora dos insumos usados no agronegócio. Retrato da fragilidade, havia até pessoas estranhas ao quadro de servidores do setor realizando “atividades finalísticas” de processos abertos para emissão de IATs. Pelo menos cinco pessoas que não pertenciam ao GGTOX foram identificadas atuando nas etapas de “regulamentação, controle e fiscalização dos limites de contaminantes orgânicos e resíduos de agrotóxicos”.

Outra falha, segundo o TCU, é o modelo de registro de resultados dos estudos de produtos com pedido de registro. Em vez do Sistema de Informações sobre Agrotóxicos (SAI), que permitiria fluxo e auditagem, mas que, embora previsto em lei, nunca chegou a ser implantado, ou do Sistema de Produtos e Serviços sob Vigilância Sanitária (Datavisa), desenvolvido para cadastrar, tramitar e gerenciar documentos no âmbito da agência, a GGTOX se utiliza de planilhas Excel.

Esse sistema permite, por exemplo, que uma mesma pessoa insira, altere ou exclua dados e fica arquivado em ambiente que compartilha outras informações do mesmo setor.

“A falta de segregação nesta atividade prejudica os controles internos e, consequentemente, permite a utilização indevida da fila de análise”, diz o relatório do TCU.

A auditoria foi instaurada depois que o ex-gerente do GGTOX Luiz Cláudio Meirelles denunciou adulteração em seis processos sobre pedidos de registro de agrotóxicos – um deles com sua assinatura falsificada. Além do TCU, o caso está sendo investigado por uma sindicância interna da Anvisa cujo resultado o órgão está mantendo em sigilo, e por dois inquéritos, um na Polícia Federal e outro no Ministério Público Federal, ainda não encerrados. Os inquéritos apuram suspeitas de corrupção envolvendo servidores na liberação ilegal de pareceres sobre agrotóxicos.

Na conclusão do relatório, em agosto do ano passado, os ministros Aroldo Cedraz, presidente do TCU, e Walton Alencar Rodrigues, relator do acórdão, determinam que a Anvisa promova mudanças estruturais para fortalecer o setor de toxicologia.

Também deram um prazo de 180 dias, que expira na próxima terça-feira, para que a Anvisa informe se as mudanças foram implantadas e entregue cópias da conclusão das sindicâncias internas que apuraram as irregularidades.

Procurada pelo iG, a assessoria de imprensa da Anvisa informou que os seis casos denunciados por Meirelles estão sendo investigados na devassa interna que abrange todos os processos concluídos desde 2008. Sobre o relatório do TCU, não se manifestou.

FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-03-07/tcu-aponta-falhas-graves-e-risco-a-saude-na-liberacao-de-agrotoxicos-no-brasil.html