Pericia judicial no V Distrito traz conta salgada para a CODIN

Acabo de receber de uma fonte próxima aos recursos judiciais impetrados por diversos agricultores desapropriados pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) uma informação que pode explicar a face sombria que o (des) secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, ostentava na audiência que ocorreu na manhã de hoje na cidade de São João da Barra.

julio bueno

Segundo o que me foi informado, uma nova perícia realizada por profissional indicado pela própria justiça apontou uma diferença absurda em relação ao que havia sido inicialmente apontado pelos peritos indicados pela CODIN. Assim, dos minguados R$ 300 mil sugeridos inicialmente, a nova perícia pulou para cerca de R$ 2 milhões! Essa mesma fonte ainda me informou que esse é apenas um primeiro caso, e que outros estão vindo na esteira.

Agora é que eu me pergunto: como podem ter os peritos da CODIN terem “errado” tanto?

Além disso, quem vai compensar as famílias que tiveram de conviver por quase quatro anos com a sensação (agora tornada fato pericial) de que estavam sendo injustiçadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral? É que muita gente adoeceu, e alguns até morreram, em função do estresse psicológico causado por esse processo de tomada de terras. Para essas perdas imateriais, há que haver também uma compensação justa e na proporção das perdas causadas. A questão toda é sobre quem vai arcar com os custos financeiros deste processo todo.

Audiência da ALERJ sobre Porto do Açu escancara diminuição do projeto

 

De mega complexo industrial-portuário a porto de apoio ao pré-sal

Audiência açu 1702

Abaixo segue matéria publicada pelo site “sjbonline” sobre a audiência comandada pelo deputado estadual Roberto Henriques na manhã de hoje sobre a situação do Porto do Açu. Afora o fato de que nem as presenças do (des) secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno, e da presidente da Companhia de Desenvolvimento Industrial (CODIN), Maria da Conceição Ribeiro, serviram para ocultar o esvaziamento causado por diversas ausências significativas (incluindo a da ASPRIM e a do prefeito de São João da Barra). 

Além disso, uma pessoa que esteve presente na referida audiência me disse que o Sr. Júlio Bueno parecia muito distante daquela pessoa radiante que adorava propagandear a grandeza do empreendimento de Eike Batista. Aliás, essa mesma pessoa me informou que Júlio Bueno parecia estar bastante abalado. É que mesmo sem a presença de dirigentes da ASPRIM, alguns membros da platéia questionaram a versão fantasiosa que Bueno sustentou por um bom tempo de que não ocorreram violações dos direitos dos desapropriados. 

Por outro lado, essa audiência serviu para deixar claro que o próprio (des) governo Cabral já não consegue sustentar a idéia de que um distrito industrial será construído na retroárea do Porto do Açu, já que as sinalizações  cada vez mais fortes é de que esta área servirá, quando muito, como ponto de apoio para as atividades do pré-sal. E como o filé mignon do pré-sal está até agora em áreas mais distantes do litoral norte fluminense, nem isso está garantido.

Ai é que se coloca a questão chave: por que então manter os decretos de desapropriação de 7.500 hectares de terras agrícolas do V Distrito de São João da Barra?

Audiência debate Porto do Açu

 Foto: Paulo Pinheiro

São João da Barra recebeu mais uma audiência pública realizada pela Comissão Especial da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) que apura a real situação do Porto do Açu. Os investimentos no Complexo Logístico Portuário e a situação dos trabalhadores e colaboradores do empreendimento, além do impacto na economia local, estiveram na pauta da reunião presidida pelo deputado estadual Roberto Henriques.

Estiveram presentes o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Júlio Bueno; a presidente da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Estado do Rio de Janeiro (Codin), Maria da Conceição Ribeiro; o presidente e o diretor engenheiro da Pruma (antiga LLX), Eugênio Figueiredo e Luis Baroni. O prefeito Neco, que havia confirmado presença, foi representado pelo chefe de Gabinete, Antônio Neves. O legislativo municipal foi representado pela vice-presidente da Câmara, Sônia Pereira, e pelos vereadores Jonas e Elísio.

A participação da sociedade civil teve início com a pescadora Elezir Santos, que questionou a Prumo sobre os planos de compensação que teriam sido prometidos pela LLX, no início do empreendimento. “Vai dar continuidade aos planos de compensação pra pesca? Precisamos saber o que realmente será feito”, questionou. O diretor da empresa, Luis Baroni, afirmou que “todos os compromissos assumidos anteriormente pela LLX serão honrados pela Prumo”.

José Eulálio, presidente do Sindicato da Construção Civil, falou sobre a dificuldade de acesso a informação das empresas que operam no Porto. De acordo com Eulálio, há dificuldade até para fiscalização do Ministério do Trabalho. O presidente do Sindicato destacou ainda que não apoia a movimentos grevistas, mas entende quando os operários se organizam dessa forma. “A insatisfação do pescador é tão grande que eles precisam se manifestar”.

O Porto do Açu é fundamental para o projeto do Pré-Sal no Brasil

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Júlio Bueno, destacou a importância do Porto do Açu para o desenvolvimento da economia nacional. Para Bueno, “o projeto é uma realidade e não tem volta”.

Júlio destacou o crescimento do Porto durante o ano, afirmando que o número de trabalhadores diretos aumentou se comparados os números de dezembro de 2012 com dezembro de 2013. Para o secretário, o que houve foi uma crise do Grupo X, atingindo principalmente a OSX, mas isso nunca comprometeu o projeto do Porto.

—Até novembro de 2014 já teremos minério sendo exportado no Porto. Só isso já justificaria o projeto. Todos os indicadores mostram que o Porto do Açu será uma âncora fundamental para o desenvolvimento do Pré-Sal no país — explicou Júlio Bueno.

FONTE: http://www.sjbonline.com.br/noticias/audiencia-debate-porto-do-acu

FrancoAtirador: Como a Veja tornou Sininho líder dos black blocs

do FrancoAtirador, em comentário

A foto original de Sininho, a Fadinha de Copacabana, que foi ‘remasterizada’ no ‘photoshop’ da Revista Veja.

O Grupo Abril virou uma associação de Naspers com Fox.

PS do Viomundo: Naspers é um grupo racista da África do Sul que se associou à Abril, que edita a revista Veja; Fox é a emissora ultradireitista dos Estados Unidos que mente, distorce e manipula informação.FONTE: http://www.viomundo.com.br/denuncias/francoatirador-como-a-veja-tornou-sininho-lider-dos-black-blocs.html

O jogo perigoso da desinformação

Por Luciano Martins Costa

Os três principais jornais de circulação nacional, que ainda definem a agenda institucional no país, fecham a semana com uma proeza digna de figurar na longa lista de trapalhadas da imprensa, cujo troféu mais lustroso é o caso da Escola Base. Por uma dessas ironias da história, no dia 22 do mês que vem completam-se vinte anos do noticiário que inventou um caso de pedofilia numa escola infantil de São Paulo, e o roteiro se repete perversamente.

A morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido na cabeça por um rojão de alta potência durante manifestação no Rio de Janeiro, tem todos os ingredientes para se tornar uma versão revista e ampliada desse que foi o marco do jornalismo espetaculoso e irresponsável no Brasil.

Os ingredientes para uma grande farsa estão reunidos: os dois jovens que foram identificados como autores do homicídio são compulsoriamente representados por um advogado que ganhou dinheiro com a defesa de milicianos e – colocados no grande liquidificador da mídia –, produzem uma sucessão de declarações que, a rigor, não poderiam ser incluídas num inquérito. E tudo que dizem – ou alguém diz que disseram – vira manchete.

Na sexta-feira (14/2), o alvo do noticiário é uma lista de doadores que contribuíram para a realização de uma festa, no dia 23 de dezembro do ano passado, intitulada “Celebração da Rua – Mais Amor, Menos Capital”. O evento foi realizado na Cinelândia, no centro do Rio, com coleta de doações em benefício de moradores de rua e vítimas das enchentes (ver aqui), juntando militantes de todos os tipos, inclusive professores e ativistas contra a Copa do Mundo. Os jornais citam vereadores, um delegado de polícia e até um juiz do Tribunal de Justiça, insinuando que eles estavam apoiando o movimento chamado Black Bloc.

Nessa corrente de declarações, suposições e especulações, a imprensa já afirmou que os atos de vandalismo que acompanham a onda de protestos no Rio de Janeiro têm o dedo do deputado Marcelo Freixo, do PSOL; depois, o Globo citou uma investigação que acusa o deputado e ex-governador do Rio Anthony Garotinho, do PR, de incentivar a violência.

Um exemplo desse jornalismo de fancaria: o título publicado no domingo (9/2) pelo portal G1, do grupo Globo (ver aqui): “Estagiário de advogado diz que ativista afirmou que homem que acendeu rojão era ligado ao deputado Marcelo Freixo”.

O fundo do poço

Nas edições de sexta-feira (14/2), os jornais fazem malabarismos para concentrar a denúncia no PSOL, PSTU e numa organização pouco conhecida chamada Frente Independente Popular.

A citação dessas organizações foi tirada de uma frase do auxiliar de limpeza Caio Silva de Souza, acusado de haver acendido o petardo que matou o cinegrafista. Segundo os jornais, o jovem disse acreditar que os partidos que levam bandeiras às manifestações são os mesmos que pagam a ativistas que se dedicam a depredações e a enfrentamentos com a polícia. Nenhuma referência às investigações sobre a participação de militantes ligados a Anthony Garotinho, ainda que tais informações tenham como fonte um inquérito oficial em vez de declarações fora de contexto.

Exatamente como no caso da Escola Base, o julgamento apressado produz desinformação: pinta-se um perfil bipolar dos dois jovens, ora como se fossem perigosos terroristas, ora como se se tratasse de duas criaturas desamparadas que foram aliciadas por forças políticas interessadas em uma espécie de “revolução bolivariana”, para usar a expressão irônica da colunista Barbara Gancia, na Folha de S. Paulo (ver aqui).

Nas duas versões, o enredo vai compondo um painel cujo resultado parece a cada dia mais claro: a demonização da política partidária, com foco muito claro em agremiações de pouca expressão eleitoral, todas coincidentemente alinhadas à esquerda do espectro político.

Pode-se discordar de objetivos e estratégias de partidos, indivíduos e organizações que se consideram artífices de uma revolução, pode-se acusá-los de tentar compensar a falta de correligionários com bumbos e palavras de ordem, mas o jogo torna-se muito perigoso quando a imprensa, hegemonicamente, atua no sentido de criminalizar o direito à manifestação pública de opiniões sobre o que quer que seja.

Nas redes sociais, esse noticiário tendencioso e irresponsável alimenta o extremismo reacionário ao ponto de inspirar chamamentos ao crime.

Se não é o fundo do poço para a imprensa, estamos quase lá.

FONTE: http://www.observatoriodaimprensa.com.br./news/view/o_jogo_perigoso_da_desinformacao

Sem resposta

Por Jânio de Freitas

Mesmo as denúncias vazias podem ter caroços; se não surgem com caroços, logo aparece quem os ponha

O advogado Jonas Tadeu enveredou por caminhos pedregosos e de direção incerta. Tanto se pode supor que levem a mais desvios da verdade para servir a seus dois clientes do momento como se pode suspeitar de objetivos muito maiores.

Ainda bem que o estranhíssimo percurso feito ontem por Jonas Tadeu foi demarcado por sugestões involuntárias de precaução dos seus ouvintes, quanto ao que ouviam. Fossem reconhecimentos de inverdades ditas nos dias anteriores, fossem respostas burladas, na longa entrevista à excelente Leila Sterenberg, da GloboNews, estava a mensagem: inverdades de antes previnem contra as verdades de hoje.

“Ninguém pagará” a Jonas Tadeu pela defesa de Caio Silva de Souza e Fábio Raposo Barbosa, os causadores da morte de Santiago Andrade. Por quê? Resposta obscura. Já defendeu outros manifestantes acusados de violência? Resposta tortuosa. Não conhecia Caio, só se falaram por telefone duas vezes sobre fuga e prisão, mas cita até o valor do aluguel pago pela mãe de Caio. “Fabinho”, sim, conhece-o há muito tempo, é amigo dos seus assistentes. A propósito, aquilo dito sobre Fábio ser tatuador era mentira, ele mora sozinho, mas é desocupado.

Já que era o capítulo dos desmentidos, outro dos vários: “Eu sabia desde o começo que Fábio conhecia o Caio”. Apesar de corrigir-se, tornou ainda maior o alegado número de intermediários até identificar Caio, rapidamente, inclusive com RG, CPF e dois endereços, para dar à polícia. “Um miserável.” “Não no sentido ruim.” Miserável por precisar do que recebe para ir às manifestações. “R$ 150.”

Foi a entrada no trecho sempre reto, longo, de aceleração invariável. “Os manifestantes violentos são pagos.” Quem paga? “Vão buscá-los em casa.” Quem vai? “Tem organização por trás deles.” Quem? “É preciso investigar vereadores, deputados, diretórios regionais de partidos.” Quem? Quais? “Minhas conversas indicaram, é preciso investigar vereadores, deputados, diretórios regionais, não só do Rio, de São Paulo e outros Estados também.” “Vereadores, deputados, diretórios”, “vereadores, deputados, diretórios” –sem fim. Quem e quais? “Não me disseram.”

Jonas Tadeu é reconhecido como muito habilidoso nas artimanhas próprias da advocacia que pratica. Para quem duvide, uma credencial de peso, no gênero: já foi advogado de Natalino Guimarães, preso em 2008 sob a acusação de chefiar uma milícia que atuava em Campo Grande (zona oeste do Rio). Não é provável que acrescentar aos dois clientes atuais a condição de mercenários convenha à defesa. Poderia, sim, abrir caminho, por exemplo, para uma delação premiada, com os dois implicando alguém ou determinadas pessoas. Mas essa é uma especulação útil apenas para lembrar que mesmo as denúncias vazias podem ter caroços. Aliás, tê-los é da sua natureza: se não surgem com caroços, logo aparece quem os ponha.

Cedo ainda, ontem já aparecia no rádio um comentarista a falar na “extrema esquerda” como a possível pagadora das arruaças. Por que não também o possível interesse da direita, que toma outras muitas providências de organização encoberta para impor-se na sucessão presidencial? Jonas Tadeu recomenda não responder a certas perguntas.

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/151966-sem-resposta.shtml

Folha da Manhã faz resumo da ópera sobre o Porto do Açu: muita desapropriação e pouca instalação industrial

(Des) governo Cabral criou latifúndio improdutivo que agora é controlado por uma corporação estrangeira

devolva

O Jornal Folha da Manhã publicou hoje (16/02) uma matéria para divulgar a evolução do projeto do Porto do Açu que, aparentemente, vai se dirigir essencialmente para a área do petróleo (Aqui!). Além das costumeiras estimativas otimistas sobre o futuro do empreendimento que hoje é controlado pelo fundo estadunidense EIG (em suma, o porto que era de Eike agora é mesmo um enclave estadunidense), a matéria traz duas informações preciosas:

1. Da área total desapropriada, menos de 10 quilômetros quadrados estão hoje ocupados. E parte disso refere-se ao estaleiro da OSX, cujo futuro é incerto.

2. O porto vai vingar, mas será menor e terá outro perfil”, diz uma fonte próxima ao projeto.

Essas duas informações colocadas juntas colocam definitivamente em xeque as justificativas feitas pelo (des) governo de Sérgio Cabral para ter desapropriado centenas de famílias de agricultores familiares e pescadores numa área total de 7.500 hectares (o equivalente a 75 quilometros quadrados)! Em suma, em nome de um modelo ultrapassado de desenvolvimento, o que o (des) governo Cabral está fazendo é criando um imenso latifúndio improdutivo e, ainda por cima, colocando-o de bandeja nas mãos de uma corporação estrangeira.

Como amanhã (16/02) haverá mais uma daquelas audiências organizadas pelo deputado Roberto Henriques para supostamente discutir a situação do Porto do Açu, a qual deverá contar com a presença do (des) secretário Júlio Bueno e da presidente da Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN), bem que alguém poderia perguntas à essas autoridades, por que ainda se continua desapropriando terras no V Distrito de São João da Barra!?

Rio, cidade para pobres?

Os cariocas continuam sofrendo os efeitos do que claramente é uma bolha de preços insustentável no longo prazo

Por FRANCHO BARÓN, do Rio de Janeiro 

Banhistas tomam coco no calçadão da praia de Ipanema. / DADO GALDIERI (BLOOMBERG)

O Rio de Janeiro, impulsionado por anos de bonança econômica e por sua escolha como sede da próxima Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, se encontra imerso em uma espiral inflacionária que fez saltar todos os sinais de alerta. Embora há cerca de dois anos o Rio já ocupasse uma posição de liderança nas listas das cidades mais caras do planeta para estrangeiros, a progressiva desvalorização do real supôs uma balão de oxigênio para turistas e expatriados. No entanto, a população local continua sofrendo os efeitos do que claramente é uma bolha de preços insustentável no longo prazo.

Enquanto o altíssimo custo de vida continua sendo um dos temas de conversa mais recorrentes entre os cariocas, grupos de indignados se organizam nas redes sociais para denunciar os preços abusivos. O mais criativo e relevante, já apresentado há semanas no EL PAÍS, se chama Rio Surreal e, não com pouca ironia, tem cunhada em sua página de Facebook a nova moeda de câmbio para a capital mais turística do Brasil: o “surreal” (um cruzamento óbvio entre as palavras “real”, a divisa brasileira, e “surrealismo”, o movimento artístico simbolizado por Salvador Dalí, cuja icônica imagem inclusive aparece nas cédulas e moedas virtuais).

Em uma outra iniciativa para tentar coibir os abusos de preços, a Prefeitura do Rio publicou um decreto nesta semana criando a Frente Municipal de Combate às Práticas Abusivas, que informará vendedores e consumidores sobre práticas irregulares, passando ainda a uma segunda fase em que multas serão aplicadas aos infratores.

Eduardo Crespo, professor de Economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) opina que “a Copa e os Jogos Olímpicos, somados ao boom do crédito e imobiliário, estão na origem do problema. Os aluguéis dos estabelecimentos comerciais são altíssimos, e isso tem um impacto no preço final dos produtos. Ainda assim, acho que há uma grande diferença de preços entre os bairros periféricos e as zonas turísticas”.

A inflação oficial brasileira elevou-se em 2013 a 5,91%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A priori, esse indicador não representa um sinal de alerta, já que a cifra se mantém abaixo do teto de 6,5%, fixado pelo Banco Central. Mas o Rio é um caso à parte. Aqui não se aplicam as lógicas de mercado que regem o resto do país e sempre está no ar o “fator Copa”, esse imponderável que provoca cotidianos abusos de preços ante o olhar perplexo de milhões de cariocas. O EL PAÍS elaborou uma lista de preços dos produtos e serviços que mais podem afetar o visitante. Todos eles foram reunidos em pedidos na rua nos bairros mais turísticos da cidade ou nos recibos de compra divulgados por internautas nas redes sociais.

Para quem quer poupar em alimentação, o supermercado é indiscutivelmente a melhor opção. Em um dos grandes centros comerciais que oferecem as melhores ofertas da cidade, um litro de leite custa 2,29 reais (0,95 dólar), uma lata de cerveja nacional 1,49 real (0,62 dólar), um quilo de arroz 2,99 reais (1,24 dólar), um quilo de carne de primeira 19,90 reais (8,3 dólares) e um quilo de açúcar 4,25 reais (1,77 dólar).

Se fizermos um percurso pelos quiosques das praias de Copacabana ou Ipanema, epicentro do turismo, o tradicional coco gelado beira 6 reais (2,5 dólares) e alugar um guarda-sol pode superar os 15 reais (6,25 dólares). Em qualquer bar da zona sul, o normal é não pagar menos de 6 reais (2,5 dólares) por uma cerveja pequena ou 5 reais (2,08 dólares) por um café. E se o objetivo for comer, o principal telejornal da TV Globo divulgou recentemente o que poderia ser considerado o cúmulo da especulação: em um restaurante de Copacabana uma omelete feita com 6 camarões e quatro ovos custa 99 reais (41,25 dólares). Em um estabelecimento vizinho de sucos e lanches, um sanduíche misto chega a 17,90 reais (7,45 dólares), enquanto um croissant recheado com presunto e queijo sai por 25,90 reais (10,79 dólares). Dez reais (4,16 dólares) pode custar meio litro de suco de laranja em uma tradicional “casa de sucos”. Um cálculo realizado pelo portal G1 chega à conclusão de que com esse dinheiro podem ser compradas 48 laranjas em um supermercado.

Para se deslocar pela cidade, um trajeto em táxi do bairro de Leblon até o centro (pouco mais de 13 quilômetros) não custará menos de 35 reais (14,58 dólares). Se a opção for o metrô (que ainda não chega ao Leblon) ou o ônibus, terá de calcular 3,20 reais (1,33 dólar) no mínimo. Não obstante, é importante saber que o atual sistema de transporte público deixa muito a desejar.

O alojamento é, sem dúvida, o assunto mais sensível quando se fala de especulação no Rio. As 34.000 habitações ofertadas nos hotéis da cidade parecem não cobrir a crescente demanda e isso leva inevitavelmente a uma brutal escalada de preços. Por exemplo, já se sabe que a tarifa média de um quarto em 18 de junho próximo, quando se enfrentarão no Maracanã as seleções da Espanha e do Chile, chega a 1.520 reais (633 dólares). Um apartamento de três quartos com vista para o mar na Avenida Atlântica de Copacabana (sem mobiliário) se aluga nessas mesmas datas por 2.850 reais por dia (1.187 dólares).

Outros anunciantes mais comedidos oferecem um apartamento de três quartos no rico Leblon por 16.000 dólares para todo o mês da Copa do Mundo. Na Lagoa Rodrigo de Freitas, um apartamento de luxo custa 250.000 reais (104.166 dólares) durante o mesmo período.

Segundo Cidinha Campos, secretária estadual de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro, a única forma de combater esse fenômeno é que “os cariocas se organizem e tomem suas iniciativas para se proteger desses abusos”. “Por exemplo, evitando o consumo de produtos com preços abusivos ou levando a comida à praia. Tem que acabar a cultura de que levar comida à praia é feio. Como consumidora, todos os dias levo minha comida ao escritório, já que estava gastando 500 reais (208 dólares) por semana para almoçar. É uma loucura.”

FONTE: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/13/sociedad/1392329423_491883.html

Exame: Império ‘verde e amarelo’ de Eike vai para múltis

Sem crédito na praça, Eike Batista acabou encontrando em investidores externos a solução para uma saída honrosa das companhias que idealizou

Mariana Durão, do 

Marcos Issa/Bloomberg 

O empresário Eike Batista

 O empresário Eike Batista: fim do império verde e amarelo

 Rio de Janeiro – A derrocada do grupo X enterrou o projeto de construção de um império industrial verde e amarelo.

Sem crédito na praça, Eike Batista acabou encontrando em investidores externos a solução para uma saída honrosa das companhias que idealizou, mas não tirou do papel.

O saldo até aqui inclui a transferência de ativos ou participações a sete grupos: a turca Yildirim, a alemã E.On, a americana EIG, a suíça Acron, a argentina Corporación América, a holandesa Trafigura e o Mubadala, fundo soberano de Abu Dabi.

Apontado muitas vezes como megalomaníaco, Eike resgatou a imagem do empreendedor nacionalista e o “espírito animal” constantemente evocado pelo ministro Guido Mantega em momentos de crise.

Carismático, imprimia um tom ufanista a seus discursos e encerrava fatos relevantes de suas empresas com expressões como “Viva o Brasil!”.

Se tivesse entregado o que prometia, o País teria hoje uma “mini-Petrobrás” (a petroleira OGX), uma “mini-Vale” (MMX), a “Embraer dos mares” (OSX) e o “Roterdã dos trópicos” (Porto do Açu).

Antes de cair em descrença, o controlador da EBX recebeu elogios do Planalto e amealhou forte capital político, além do apoio de banqueiros e a admiração de seus pares na indústria nacional.

A pergunta no ar é por que nenhum grupo nacional disputou para valer os ativos ofertados em meio à crise do grupo?

Alguns deles acabaram vendidos na chamada “bacia das almas”. Foi o caso das minas de carvão da CCX na Colômbia, que serão alienadas ao grupo turco Yildirim por US$ 125 milhões.

O acordo divulgado no dia 3 tem valor 72% inferior ao que constava no memorando assinado entre as duas companhias em outubro. O montante de US$ 450 milhões estava sujeito à análise operacional do negócio e acabou reduzido, revelando a fragilidade do projeto.

X da questão. Para Cláudio Frischtak, sócio da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, um dos X da questão está justamente no fato de muitas dessas companhias ainda serem pré-operacionais.

Isso se soma a um momento em que o investidor brasileiro está com o freio de mão puxado diante da economia menos aquecida, do cenário de indefinição política e de juros em alta, abrindo a janela para aplicações financeiras em detrimento de apostas no setor real.

“Há uma percepção de risco alta em relação a empresas que não performaram. Depois da maior debacle da história empresarial do País, as pessoas estão mais cautelosas. É mais difícil um ‘projeto de papel’ decolar”, diz Frischtak.

De acordo com fontes que participaram do processo de venda de ativos, grupos nacionais fizeram propostas por alguns ativos, mas quase sempre indecorosas do ponto de vista estratégico e de preço.

A Odebrecht tentou comprar uma área do Porto do Açu que pode operar como base de apoio offshore para o setor de petróleo e gás. Eike recusou porque seria como vender o filé mignon do gigantesco complexo.

Se loteasse o Açu, o empresário ficaria com um elefante branco na mão. Com a venda do controle da LLX, dona do porto, para a americana EIG, ele manteve 20,9% do negócio.

Já no caso da mineradora MMX, Eike acabou aceitando separar os ativos e vender somente o controle do Porto do Sudeste, por onde escoaria o minério de ferro da MMX, à trading holandesa Trafigura e ao Mubadala.

O fundo soberano de Abu Dabi detém uma fatia da EBX e chegou a ter exposição de US$ 2 bilhões ao grupo, um fator que certamente pesou nas tratativas.

“O tombo aqui foi muito forte e o julgamento dos brasileiros sobre o Eike mais duro. O distanciamento permitiu aos estrangeiros enxergar o potencial de recuperação dos ativos”, diz um investidor internacional.

Não foi só isso. O apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pesou 100% na análise dos estrangeiros. A americana EIG Global Energy Partners já tem engatilhado novo pedido de financiamento para o Açu.

Na Eneva (ex-MPX) e na SIX Semicondutores o banco detém participações relevantes (10,34% e 33,02%, respectivamente). No caso do Hotel Glória, o financiamento de R$ 190,6 milhões depende apenas de documentação para ser repassado à Acron.

Apesar de contar com fianças bancárias para garantir os empréstimos dados às empresas X, o banco ficaria em situação desconfortável caso não houvesse uma solução ordenada que viabilizasse os projetos.

Os juros subsidiados do BNDES ajudaram na hora de fechar a conta de dívida dos novos sócios das empresas.

O professor de economia da PUC-SP Antonio Correa de Lacerda destaca que o Brasil é o 5.º no ranking global de atração de Investimento Estrangeiro Direto (IED), por isso é natural que o capital externo esteja atento às oportunidades de investimento no País.

Além disso, Eike Batista sempre fez questão de dar visibilidade às companhias no exterior, onde fez uma série de road shows.

Para Lacerda, a desnacionalização do grupo X preocupa por reduzir a inserção do País nas cadeias globais de produção.

A aquisição de fatias das empresas X foi uma porta de entrada desses grupos para o Brasil ou em um novo setor.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/imperio-verde-e-amarelo-de-eike-vai-para-multis?page=1

Mais uma tentativa de golpe

É preciso exigir o fim da violência política das forças desestabilizadoras da democracia

Por João Batista Damasceno

Protesto-no-Rio

Rio – Já não bastam manifestos por uma cultura de paz. É preciso exigir o fim da violência política das forças desestabilizadoras da democracia. Ao Estado cabe possibilitar o desarmamento dos ânimos e fazer valer os preceitos da Constituição.

A morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, não é a primeira morte de profissional de comunicação em cobertura de conflitos. A morte do repórter cinegrafista Gelson Domingos, também da Band, já denotava a necessidade de segurança aos profissionais das empresas de comunicação. A violência que suportam não é apenas a simbólica, entremeada no produto de suas atividades.

A Associação Brasileia de Jornalismo Investigativo (Abraji) apurou casos de agressões contra jornalistas durante as manifestações e protestos. Agentes do Estado cometeram 75% delas, e manifestantes, 25%. Ninguém, menos ainda um trabalhador no exercício da função, há de ser agredido.

Assim como a opção pela luta armada serviu para justificar a truculência do regime empresarial-militar, a ação de infiltrados nas manifestações concorre para legitimar o Estado Policial que ascende. Da resistência à ditadura participaram jovens que hoje dirigem o país, a quem compete evitar a supressão dos direitos.

A liberdade de imprensa não há de ser apenas um discurso ou um artigo da Constituição. Há de compreender garantias, também, aos jornalistas. Desde junho, milhões de cidadãos se expressam pelo Brasil, demonstrando a vitalidade da nossa democracia.

Mas há quem — dentre os manifestantes e no aparato do Estado — acrescente a elas o ingrediente inapropriado da violência. O direito de manifestação não há, também, de ser apenas um discurso ou um artigo da Constituição. O Golpe de Estado que não se consumou quando da denúncia do Mensalão — porque faltou povo que o apoiasse — nem durante as legítimas manifestações de junho não pode ser convertido em golpe contra os direitos, seja de manifestação, de reunião, de ampla defesa e de exercício da advocacia.

Com tal golpe, o legado da Copa haverá de ser o entulho do autoritarismo. É inadmissível a supressão dos direitos e o ataque aos que os defendem, sejam militantes, jornalistas, defensores públicos, promotores, magistrados ou advogados.

Quem ler matérias em determinados veículos de empresas de comunicação que patrocinaram o golpe empresarial-militar de 1964 saberá o quanto os ministros Victor Nunes Leal, Hermes Lima e Evandro Lins e Silva foram atacados por seus posicionamentos em favor das liberdades públicas. Ao final, restaram todos vitimados pelo arbítrio: os ministros cassados e a liberdade de informação cerceada. Havemos de reafirmar o Estado Democrático de Direito.

João Batista Damasceno é doutor em Ciência Política pela UFF e juiz de Direito

FONTE: http://odia.ig.com.br/noticia/opiniao/2014-02-15/joao-batista-damasceno-mais-uma-tentativa-de-golpe.html