A direção do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) protesta contra a decisão do jornal Folha de S. Paulo de demitir o repórter André Caramante, que passou três meses fora do país por sofrer ameaças e intimidações em função de reportagens que envolviam o ex-chefe da Rota, o vereador e coronel Paulo Telhada (PSDB). A empresa alegou “contenção de despesas” para dispensar o trabalhador. Caramante era um dos repórteres do grupo Folha a cobrir a área de segurança pública. Tinha 14 anos de empresa, período em que denunciou vários crimes da polícia de São Paulo, como o envolvimento com grupos de extermínio ou prática de corrupção. Em julho de 2012, Caramante publicou um artigo com o título: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”, sobre a atuação do coronel Telhada, então candidato a vereador pelo PSDB, mostrando que através de sua página nas redes sociais, ela incitava o ódio e a violência. E através dela mesmo, o vereador pedia que seus seguidores escrevessem à direção da Folha de S. Paulo contra o “jornalista notório defensor de bandidos”. A partir de então, sua vida não teve mais sossego. Recebeu telefonemas anônimos no jornal e em sua casa, ameaçando a ele e a sua família e passou a ser escoltado por motoristas do jornal para ir ao trabalho. O SJSP hipotecou, então, total solidariedade ao jornalista. Logo em seguida, Caramante precisou deixar o país por 90 dias, temendo pela sua integridade e de seus familiares. Após seu retorno, ele foi afastado da cobertura da área de segurança pública e passou a escrever textos no caderno “Cotidiano”, para a TV Folha e também para o caderno de Esportes. Por sua atuação marcante, Caramante foi vencedor do prêmio Santo Dias da Assembleia Legislativa de São Paulo e do Prêmio Nacional de Direitos Humanos, que recebeu das mãos da presidenta Dilma Roussef, no final de 2013, em Brasília. Novamente, a direção do SJSP se coloca à disposição de André Caramante para as ações que o repórter julgar pertinentes. E repudia a decisão do jornal de demitir jornalista que tantos serviços prestou à publicação. |
Ano: 2014
O fogueteiro mudou de cor: transmutação ou armação?
A foto abaixo revela um desses mistérios que ocorrem de tempos em tempos, no melhor estilo das teorias da conspiração. Passemos a observá-la:
Como se vê, a mesma traz imagem da pessoa que teria detonado o rojão que terminou matando o cinegrafista Santiago Andrade da Band TV. No lado direito, ele está suado e usando uma camiseta cinza, com cabelos compridos e de pele branca. De quebra, aparenta conversar com policiais do Pelotão de Choque da PM. Já no lado esquerdo aparece o Caio Silva Souza que confessou ter detonado o rojão. Caio, além de estar de cabelos curtos em diferentes momentos, também possui a pele bem mais escura, e não se assemelha em nada à pessoa mostrada incansavelmente pelas redes de TV como quem teria detonado o petardo.
Ai é que se pergunta: como as próprias imagens mostraram e analistas depuseram, a chance que o verdadeiro detonador do rojão seja a pessoa mostrada no lado direito da imagem é simplesmente escassa. Então por que Caio Silva Souza confessou o crime?
Essa discrepância que deveria estar merecendo um mínimo de cobertura pela mídia corporativa vai ter que ser apurada via as redes sociais e a blogosfera. Como de junho para cá isso já se deu em inúmeros casos, o mais provável é que nas próximas semanas possamos ter uma idéia mais clara de como esse jogo todo vai se desdobrar. Agora, que está estranho, nem é preciso insistir.
RJ: advogado e estudante são ameaçados por defender manifestantes
Por Redação
O advogado Felipe Coelho e o estudante de direito Hugo Pontes receberam ligações anônimas na última segunda-feira (10), dia em que protestos contra o aumento da passagem do transporte coletivo ocorreram no Rio de Janeiro. Ambos colaboram voluntariamente com o Instituto de Defensores dos Direitos Humanos (DDH), que presta assistência jurídica a pessoas detidas durante as manifestações.
Antes de todos os atos, o DDH publica na internet uma nota com os telefones dos profissionais que estarão trabalhando naquela ocasião. Os números de Coelho e Pontes constavam na mensagem, que foi disseminada pelas redes sociais.
Coelho conta que, antes de ir à rua, às 19h22, recebeu telefonema de um número restrito. Quando atendeu, uma pessoa que não se identificou perguntou se ele se encontrava na ONG (referindo-se ao DDH) e se poderia comparecer à delegacia, onde manifestantes estariam detidos. “Achei estranho porque, quando nos ligam pedindo ajuda, não perguntam onde estamos”, aponta.
Cerca de uma hora e meia depois, o celular voltou a tocar. Novamente, o número de quem chamava não estava à mostra. A pessoa do outro lado da linha foi mais incisiva. “Disse que eu era advogado de bandido. Pra eu tomar cuidado. Isso nunca tinha acontecido antes”, revela. Em ambas as chamadas, as vozes eram masculinas, mas diferentes.
Hugo recebeu uma ligação por volta das 17h. Em seu caso, era possível ver o número que ligava. Ao atender, um homem se identificou como Thiago Tavares. “Ele se apresentou como um cidadão que estava inconformado e queria fazer uma queixa. Perguntou porque eu estava defendendo bandidos”, explica o estudante. “Falou que quem andava com assassino é assassino também. Que era melhor a gente repensar voltar pra rua ou ir para as delegacias de novo, porque ia começar a morrer mais gente nas manifestações e o próximo poderia ser eu”.
Felipe e Hugo consideram os telefonemas reflexo dos acontecimentos das últimas semanas, que acirraram os ânimos em torno dos protestos de rua. Junto a outros colegas que passaram pela mesma situação, organizam, agora, um dossiê com informações sobre as ligações – o horário em que ocorreram, tempo de duração, número, conteúdo. O registro é uma forma de se precaver, caso os episódios desta semana deixem de ser fatos isolados e passem a ser frequentes. Eles discutem, também, se vão registrar boletins de ocorrência.
FONTE: http://revistaforum.com.br/blog/2014/02/rio-de-janeiro-advogados-sao-ameacados-no-rio-por-defender-manifestantes/
Perícia judicial pode mudar rumo da desapropriação de terras no Porto do Açú
Como anunciado aqui no blog, na segunda-feira (10/02) foi realizada uma nova perícia para avaliar uma propriedade no V Distrito de São João da Barra após determinação do TJ/RJ.
Pelo que me foi informado por uma pessoa que estava presente durante a realização desta nova avaliação, a chance de que os valores sejam fortemente majorados é alta. Se isso acontecer, poderemos presenciar um efeito dominó que poderá salgar bastante a conta do rumoroso processo de tomada de terras realizado pela CODIN para beneficiar o ex-bilionario Eike Batista.
Aliás, falando em CODIN o que se viu nesta perícia é que os tempos por lá são de vacas magras, pois os seus advogados tiveram que esperar na estrada pelo andamento do processo por falta de veículos apropriados para adentrar a propriedade sendo avaliada.
Nem precisa torturar que eu confesso: tenho ligações com Marcelo Freixo!
As organizações Globo estão tentando utilizar o episódio ainda mal explicado da morte do cinegrafista Santiago da Band TV para atacar sem nenhum pudor o deputado estadual Marcelo Freixo do PSOL/RJ. Como conheço o Freixo desde antes de que ele assumisse o cargo de deputado, sei que ele não apoia ou tolera o uso de métodos violentos para fazer política. Assim, se alguém mais precisa ser ligado a ele pelo respeito que ele adquiriu na prática política, na defesa dos interesses trabalhadores e dos direitos dos que ninguém defende, por favor, me coloquem na fila.
E como eu disse, nem é preciso prender e arrebentar. Eu entro na fila de forma voluntária!
Protestos nos quatro cantos do Brasil
Como estou em São Luís, capital do Maranhão, tive a oportunidade de ver de perto um protesto de moradores de uma área paupérrima próxima do campus da Universidade Federal do Maranhão por causa da ameaça de remoção para uma região distante. Esse protesto durou mais de quatro horas, e me deu a oportunidade de ver de perto como os pobres maranhenses sofrem na pele os efeitos das mesmas táticas de periferização que está causando situações semelhantes em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
As imagens abaixo mostram um pouco desse protesto e as condições em que essas pessoas vivem atualmente. Ai alguém poderia até se perguntar porque os moradores do Sá Viana, da área Itaqui-Bacanga, em São Luís, resistem e não querem ser removidos, ainda que a prefeitura da cidade promete unidades habitacionais novinhas na forma de edifícios. Uma explicação possível é que acostumados com esse tipo de promessa, eles desconfiam desse tipo de “presente” em ano de eleição. É que o povo pode ser pobre, mas não é bobo.
Salinização no Porto do Açu: TRF2 mantém apuração sobre possíveis efeitos lesivos de obras à rede de abastecimento de água
Procurador pediu a suspensão das obras que causaram os danos ambientais da salinização em São João da Barra

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) acatou o recurso (agravo de instrumento) do Ministério Público Federal (MPF) e suspendeu a decisão do juiz da 1ª Vara Federal em Campos, que havia recebido apenas parcialmente a ação contra as empresas EBX, OSX e LLX por conta da degradação ambiental causada por obras do Porto do Açu, em São João da Barra, no Norte Fluminense.
Na ação, o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira pediu a paralisação das obras que ocasionaram a salinização no Canal de Quitingute, com eventual alcance de áreas do solo, de águas doces em canais e lagoas e de água tratada para o consumo humano, no 5º Distrito de São João da Barra. Porém, a decisão do juiz, em fevereiro de 2013, considerou apenas os comprovados danos ambientais decorrentes da salinização no Canal do Quitingute, afastando as demais áreas apontadas na ação. (Processo n° 0000133-13.2013.4.02.5103)
Na decisão do TRF2, a desembargadora Maria Helena Cisne concordou com as alegações do MPF de que os danos da salinização podem não ter sido restritos ao Canal do Quitingute, podendo ter atingido ainda a rede de água para abastecimento humano em toda região.
Entenda o caso
Em janeiro de 2013, o MPF em Campos entrou com a ação, com pedido de liminar, contra as empresas EBX, OSX e LLX, do empresário Eike Batista, pedindo a paralisação de obras no Porto do Açu em consequência da degradação ambiental na área do 5º Distrito de São João da Barra. A ação aponta fortes indícios de que determinadas obras causaram a salinização em áreas do solo, de águas doces em canais e lagoas e de água tratada para o consumo humano. Ainda segundo a ação, pesquisas da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) detectaram um índice de salinidade sete vezes maior do que o permitido para o consumo na água disponibilizada à população local pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).
De acordo com o inquérito civil instaurado em novembro de 2012 pelo MPF, o aumento da salinidade no solo e em águas doces implica destruição de vegetação nativa e de restinga, danos ambientais evidentes em relação à fauna e flora, assim como a diminuição da fertilidade do solo, o aumento da erosão e o início de processo de desertificação na região.Também são réus na ação o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama).
FONTE: Assessoria Comunicação Social da Procuradoria da República no Rio de Janeiro
Escassez da água: a farsa do controle do consumo doméstico

A atual fase de seca está dando oportunidade a que se renove o falacioso discurso de que se controlando o consumo doméstico, os problemas de abastecimento estariam minimizados.
De quebra, temos o costumeiro problemas de se usar a escassez para culpar os pobres que são transformados em ladrões de água. Esse tipo de discurso oculta que as empresas concessionárias, como é o caso da “Águas do Paraíba”, ganham rios de dinheiro para nos entregar água de qualidade e quantidade insuficientes.
Por último, há que se lembrar que o consumo doméstico representa menos de 10,0 por cento do consumo total. Assim, querer jogar a responsabilidade da escassez no usuário doméstico é, no mínimo, errado. Melhor seria ir atrás do agronegócio que suporta um modelo que esse sim é responsável por quase 70% do consumo de água.
Ameaça de perda de rebanho: outra faceta das desapropriações no Porto do Açu

O material abaixo vem do blog do prof. Roberto Moraes e mostra, mais uma vez, como são diferentes as velocidades que operam no campo judicial quando se trata dos interesses da CODIN (e por extensão da controladora privada das terras desapropriadas no V Distrito de São João da Barra, atualmente a Prumo que é vinculada ao fundo estadunidense EIG) e os de centenas de famílias de agricultores familiares.
Mas essa ordem, que não tem como ser cumprida pelos agricultores simplesmente porque suas terras foram tomadas pela CODIN, desnuda vários aspectos do mito disseminado pelo (des) governo Cabral de que as desapropriações não estariam afetando mais do que 15 famílias que viviam na região desapropriada. Afinal, se há ainda gado nas terras desapropriadas, há que existir por perto quem trate delas.
Outro mito é de que todos os que tinham direito foram reassentados na chamada Vila da Terra. Como o número estimado ultrapassa e bem a capacidade de pequenos agricultores acumularem individualmente um rebanho desses, o pequeno número de moradores da Vila da Terra não comporta o número de proprietários dessas cabeças que agora correm risco de serem leiloadas pela justiça de São João da Barra.
Por último, uma questão prática: quem vai arebanhar, tratar e leiloar todo esse rebanho? A CODIN? A Prumo? Ou seria a Grussai Siderúrgica do Atlântico que detém o controle das terras desapropriadas? Com a palavra a justiça de São João da Barra!
Finalmente, essa ação da CODIN poderá ser o catalisador que a ASPRIM andava precisando para engrossar as fileiras no ato que deverá realizar brevemente para denunciar esse e outros absurdos que vêm ocorrendo na esteira das desapropriações promovidas no V Distrito de São João da Barra.
Justiça de SJB dá 5 dias para proprietários rurais tirarem 1,2 mil cabeças de gado
Segundo fonte do blog seriam cerca de 1,2 mil cabeças de gado. Essas teriam avançado sobre áreas desapropriadas, por conta da retirada de cercas e avançaram para áreas que hoje estão sob o controle da LLX (atual Prumo).
Os proprietários mais uma vez reclamam que decisões contra eles são rápidas, o mesmo não acontecendo com os processos em que questionam na justiça os valores das desapropriações feitas pelo Estado (através da Codin) e pago pela LLX, que efetivamente é quem controla a área.
Além disso, alegam que não haveria no 5º Distrito área disponível para acolher todas estas cabeças de gado, ainda mais com a seca. Segundo eles, áreas melhores para pastagem foram quase todas desapropriadas. Também reclamam que a movimentação de 1,2 mil cabeças de gado em 5 dias seria absurdo.
Abaixo a notificação do Mandado de Intimação recebida nesta segunda-feira por um dos proprietários rurais. O blog apenas retirou o número do processo e o nome do réu para evitar pressões.
Ação e Reação
Por Marcelo Chalréo*

Redijo essa por conta do incidente que causou graves e sérias lesões em um cinegrafista de um grupo de mídia na cidade do Rio de Janeiro na última quinta-feira. A Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária da OAB RJ esteve presente no Hospital Souza Aguiar na noite da ocorrência para não só emprestar toda solidariedade à família, mas também para melhor se inteirar do ocorrido e compartilhar com dirigentes do Sindicato dos Jornalistas e amigos do atingido sua expectativa de que tudo corresse da melhor forma possível, buscando, outrossim, junto à administração do Hospital, todas as informações possíveis que pudessem dar um quadro real da situação existente.
Na ocasião, declaramos à imprensa que seria precipitado e leviano naquele momento, como já faziam alguns órgãos de mídias, imputar a este ou aquele a responsabilidade pelo artefato que atingira o mencionado profissional de imprensa. Constatamos no ato um fato que já vinha sendo posto: o repórter não portava durante seu trabalho qualquer identificação claramente visível de ser profissional de imprensa nem usava qualquer equipamento de proteção individual, como capacete, máscara antigases etc, apetrechos essenciais em coberturas que podem implicar em risco à integridade física, como praxe em certos segmentos da mídia. O uso desses equipamentos de identificação e proteção, reclamados há meses pelo Sindicato dos Jornalistas ao empresariado da mídia, porém não fornecidos aos profissionais de imprensa, poderiam ter evitado ou minorado, a contundência sofrida.
Isso posto, resta pontuar que têm sido recorrentes desde o ano passado ferimentos, lesões, danos físicos de maior ou menor gravidade em decorrência dos protestos que têm tomado as ruas brasileiras, em sua maior medida, como mais de uma vez apurado, mas sem a devida responsabilização dos seus causadores, originários de atos e ações da polícia. Mais uma razão, repete-se, para que os profissionais destacados para essas coberturas portem os necessários equipamentos de proteção individual como meio e modo de resguardarem sua incolumidade física.
Nesse contexto, as reações dos manifestantes às ações policiais, que na maioria das vezes usaram e usam força desmedida, desproporcional e até incontrolável, têm sido um fato. O uso de táticas e métodos contraofensivos é mecanismo mais que antigo na seara do protesto social em face da truculência policial, bastando retroagir aos acontecimentos de Paris em 68, aos protestos estudantis do Rio em 67 e 68 ante a ditadura civil-militar, às greves do ABC no fim dos anos 70, às ações militantes da Alemanha no início dos anos 80, à greve da CSN em 88, às manifestações contra o aumento das passagens de ônibus no Rio no fim dos anos 80, às passeatas de Buenos Aires no início dos anos 90 e mais recentemente aos protestos sociais na Espanha, em Portugal, no Chile, na Turquia, na Colômbia, no Egito e no Brasil.
Frente a uma polícia despreparada, na verdade na ausência de uma política de segurança pública cidadã e que não veja e não tenha o manifestante como um inimigo a ser batido (a propósito, ver reportagem de “O Globo” do dia 02/09 : “Sem Preparo . Em pesquisa, 64% dos policiais assumem não ter treinamento adequado para agir em manifestações”) impera a força a qualquer custo e preço, o que, segundo os próprios policiais ouvidos (em todo o Brasil) decorre da “… (a) atuação da tropa é determinada pelos governos estaduais”, não é impensável, muito menos improvável (e os exemplos mais uma vez vêm do nosso próprio e não distante passado e de outros países), que os manifestantes se preparem para o pior e portem o que consideram necessariamente defensivo em face da brutalidade policial iminente. No mesmo diapasão, a reforçar ações contraofensivas de maior alcance, insere-se o perfil de uma força de segurança militarizada dos pés à cabeça, das mais violentas e que mais mata no Mundo.
Não bastasse, houve e há um conjunto de medidas administrativas e legais draconianas, muitas vezes inconstitucionais e ilegais, adotadas por nossos governantes municipais, estaduais e federal a jogar mais gasolina na fogueira da insensatez pura e simplesmente repressiva, como se não houvesse um estado geral de insatisfação com um conjunto de práticas e políticas governamentais que fizeram e fazem eclodir os protestos em inúmeros pontos do Brasil, o que obviamente não se restringe aos grandes centros e às grandes cidades.
Nessa linha, ação e reação se combinam e se enlaçam em um contexto sócio-político-econômico explosivo (e isso só não ver quem não quer), onde o diálogo cessa ou é escasso, com valoração da força bruta do Estado para tentar inibir e conter o que é crescente: uma insatisfação popular cada vez menos latente e mais explícita na qual a juventude precariada é aríete claro à qual se somam outros estamentos sociais de oposição a um modelo excludente e permissivo de tudo que não que seja sua própria negação.
Para finalizar, não podemos deixar de apontar que até momento a grande massa dos que deram entrada nos hospitais públicos e privados brasileiros após os confrontos em nossas ruas, estradas, vilas, favelas, universidades foram os atingidos por ações e artefatos disparados pelas forças policiais, alguns dos quais com lesões irreversíveis, sem que se tenha notícia de quaisquer atos governamentais (administrativos ou judiciais) que de fato tenham buscado apurar e responsabilizar os praticantes desses “ excessos “, o que, por óbvio, só faz reforçar o sentido e a necessidade de uma autodefesa por parte do mais fraco, gerando, em consequência do aviltamento da cidadania violada em seu direito de manifestação e protesto, cenas como as vistas no Rio na quinta passada e muito provavelmente se voltarão a repetir em razão da falta de uma cultura efetivamente democrática, distributiva, partícipe, cidadã e de transparência no trato da coisa pública.
A violência, como parteira da história, se apresenta (na verdade sempre esteve presente) indelevelmente aos nossos olhos de hoje.
Marcelo Chalréo é o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB do Rio de Janeiro)








