BBC mostra repressão policial e cinegrafista ferido por bomba em protesto contra aumento de passagens no Rio de Janeiro

As previsíveis reações ao aumento de passagens de ônibus determinadas pelo (des) prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), estão sendo reprimidas com a costumeira selvageria pelas tropas da polícia militar. No dia ontem (06/02), a rotina de protesto e repressão selvagem fez uma vítima inesperada: um cinegrafista da Band TV. Felizmente, ainda que ferido gravemente, o cinegrafista não corre risco de vida.

Agora, uma coisa é certa: ainda teremos mortes de manifestantes nas ruas do Rio de Janeiro, caso a PM do (des) governo de Sérgio Cabral não aprenda a se relacionar com a crescente mobilização popular de um jeito menos truculento, visto que as atuais táticas, além de nada corresponder a uma sociedade democrática, coloca a vida de civis (participantes do protesto ou não) em grave risco.

Vídeo da BBC mostra socorro a cinegrafista ferido em protesto

Erro
Este vídeo não existe

Cinegrafista da Band é ferido em protesto no Rio | Crédito: BBCWyre Davies e Chuck Tayman, da BBC inglesa, prestam os primeiros socorros a cinegrafista ferido

Durante uma manifestação contra o aumento das passagens de ônibus na tarde de quinta-feira no centro do Rio de Janeiro, a reportagem da BBC flagrou o momento em que um cinegrafista da TV Bandeirantes foi ferido por um explosivo.

O repórter Wyre Davies e o cinegrafista Chuck Tayman, ambos da BBC inglesa, foram os primeiros a socorrer Santiago Ilídio Andrade. Tayman chegou a tirar a camisa para ajudar a estancar o sangue que escorria da cabeça do cinegrafista.

Segundo um comunicado divulgado pela TV Bandeirantes, ainda não é possível saber se Andrade foi atingido por uma bomba caseira ou por uma bomba de gás lacrimogênio.

O confronto começou do lado de dentro da estação e depois se estendeu mais intensamente nas redondezas da Central do Brasil, a principal estação de trem do Rio de Janeiro, provocando um nó no trânsito e pânico entre os que passavam pelo local.

Policiais atiraram bombas de gás e de efeito moral contra cerca de 1 mil manifestantes, que protestavam contra o aumento da passagem de ônibus de R$ 2,75 para R$ 3. O reajuste, anunciado pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, passa a vigorar a partir de sábado, 8 de fevereiro.

Andrade, da Band, chegou em coma ao Hospital Souza Aguiar, no centro da cidade, e passou por uma neurocirurgia. Ele teve afundamento do crânio e perdeu parte da orelha esquerda. Segundo o último boletim médico, seu estado de saúde ainda é grave.

Outras seis pessoas também ficaram feridas e 20 foram detidas.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigado (Abraji) divulgou uma nota de repúdio ao ataque sofrido pelo cinegrafista da Band.

Em 2013, 114 profissionais da imprensa foram feridos durante a cobertura de protestos.

FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/videos_e_fotos/2014/02/140207_cinegrafista_band_atingido_bomba_lgb.shtml

Império “X”: a crise continua

emaranhado

Quando Eike Batista criou seu império de empresas pré-operacionais ele o fez de forma de torná-las fortemente conectadas, de modo a potencializar seus próprios ganhos. A esse emaranhado fortemente ligado de empresas alguém já até deu o jocoso nome de “corrente de Santo Antonio da bolsa de valores”. Agora que a crise se abateu de forma inapelável sobre o império “X”, a conexão que antes significava chance de multiplicar lucros se tornou uma imensa fonte de problemas como, aliás mostra a matéria abaixo do Jornal Valor Econômico. É que lutando para não morrer com o mico na mão, credores da OS(X) e da OG(X) lutam para ver como jogar o pepino no colo uns dos outros.

Com isso, o que se vê é que a OG(X) ou OGP como foi rebatizada para ocultar a sua gênese “X” está em graves dificuldades, correndo o risco de sequer garantir o processo de recuperação judicial, o que aprofundaria ainda mias o inferno astral de Eike Batista e do que restou do seu império. Simples assim!

Credores de OGX e OSX negociam termos de contratos

Uma intensa negociação entre os credores da OGP (antiga OGX) e os credores internacionais do estaleiro OSX dificulta o andamento da recuperação judicial da petroleira de Eike Batista.

Os principais credores da OGX firmaram, no fim do ano, um entendimento pelo qual se tornarão acionistas da empresa. Porém, para assinar o acordo, eles querem que a OSX garanta os contratos já firmados com a petroleira para o aluguel da plataforma usada no campo de Tubarão Martelo. Sem isso, a conta feita pelos detentores de bônus da OGX para ficar com as ações deixaria de fechar.

Para a construção das plataformas de petróleo, a OSX tomou dívidas, que seriam pagas a partir do momento que em produzissem. Como a OGX não encontrou o petróleo, o estaleiro ficou sem esse fluxo de receita. Quando pegou os recursos com bancos e investidores internacionais, a OSX deu garantias de que, em caso de default, eles poderiam ficar com as plataformas ou as empresas criadas para abrigá-las.

Agora, credores da OSX estão, de certa forma, valorizando suas posições e querendo modificar contratos em termos que lhe sejam mais benéficos. Por outro lado, os detentores de bônus da OGX querem ter a segurança legal de que não existe a possibilidade de fecharem o acordo de recuperação da petroleira e, no dia seguinte, os credores da OSX executarem o direito de ficar com uma das plataformas. Também não querem ter de renegociar contratos depois.

O cerne da disputa reside na plataforma OSX-3, criada para operar em Tubarão Martelo e que teve sua construção financiada por uma emissão de bônus no mercado internacional. São os detentores desses bônus da OSX que estão à frente das conversas e já acenaram algumas vezes com a possibilidade de executar suas garantias.

De acordo com fontes ouvidas pelo Valor, essa possibilidade seria pequena, uma vez que as plataformas estão no Brasil e, portanto, protegidas pelo pedido de recuperação judicial feito pela empresa. Vender as plataformas também não seria uma saída fácil, já que foram feitas sob medida para a OGX.

Por sua vez, a OGX tem interesse em rever o valor do aluguel que paga pelo uso da plataforma OSX-3. O contrato prevê o pagamento de US$ 365 mil por dia, mas a petroleira argumenta que essa cifra se refere a uma produção em Tubarão Martelo muito maior que o volume que será efetivamente extraído do campo, já que as estimativas foram revisadas para baixo.

Nesta semana, em São Paulo, os dois blocos de credores mantiveram intensa agenda de reuniões. A expectativa é que consigam chegar a um acordo porque a liquidação das companhias não seria a melhor opção para nenhum deles.

Fonte a par das conversas diz que há, das duas partes, um entendimento de que é preciso alinhar os contratos para que as empresas tenham condições de sobreviver. Porém, até agora, não há um acerto sobre os termos do aluguel nem das condições de rescisão.

Enquanto isso não acontece, as companhias estão estranguladas. Recursos necessários à OGX não estão chegando à companhia porque as negociações com os credores do estaleiro dificultam o já complexo processo de recuperação judicial da petroleira.

É mais um desafio para a OGX, que também enfrenta dificuldades para receber o aporte de US$ 200 milhões já negociado com seus credores internacionais. Segundo uma pessoa a par do assunto, a injeção de recursos está engatilhada, mas cada investidor precisa definir a forma e as condições em que o aporte será feito, processo que está demorando mais que o previsto.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3422520/credores-de-ogx-e-osx-negociam-termos-de-contratos#ixzz2sd7EArnZ

Tiros na greve do COMPERJ são apenas a ponta de um imenso iceberg de violações dos direitos dos trabalhadores

Rio de Janeiro Dois operários do Comperj foram baleados durante o segundo dia de protesto da categoria, em Itaboraí (Foto: Reprodução/ TV Globo)

O fato de dois operários terem sido baleados a tiro numa concentração da greve que está ocorrendo na construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ) (Aqui!) permitiu saibamos mais das péssimas condições em que os trabalhos estão se dando. E como em outros mega-empreendimentos sendo construídos no Brasil neste momento, as violações começam na falta de pagamento de direitos trabalhistas, mas alcançam aspectos relacionados ao atendimento de necessidades básicas dos trabalhadores como, por exemplo, a existência de banheiros.

A nota formal emitida pela Petrobras dizendo-se preocupada com a situação que ocorre no COMPERJ é só isso mesmo, uma formalidade. É que as práticas e costumes que marcam a relação da Petrobras com as empreiteiras contratadas para construir o empreendimento indicam que determinados abusos não poderiam ocorrer sem o conhecimento da empresa. Em suma, se dizer preocupada para a direção da Petrobras é apenas um jeito de não fazer nada para impor o cumprimento da lei pelas suas contratadas.  E bem sabem disso os pescadores artesanais que atuam na Baía da Guanabara que vem sofrendo na carne, inclusive com a morte de vários membros da categoria, o que significa ficar no caminho dos interesses corporativos da Petrobras.

(Des) secretário Júlio Bueno está na Inglaterra contando estórias da Carochinha para os ingleses

A Assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico (SEDE) postou uma nota no sítio da internet do governo do Rio de Janeiro dando conta que o (des) secretário Júlio Bueno estaria na Inglaterra tentando atrair investimentos na área de subsea, ou de exploração de gás e petróleo (Aqui!). Para quem não conhece, Júlio Bueno é o responsável por uma das frases mais insensíveis já ditas sobre a situação causada por ele e pelo (des) governador Sérgio Cabral em centenas de famílias de agricultores famíliares do V Distrito de Sâo João da Barra que tiveram suas terras expropriadas em nome da construção de um suposto distrito industrial na retroárea do Porto do Açu. Em determinado momento, pressionado para dar respostas sobre o drama social que eclodia no entorno do Porto do Açu, Bueno declarou que “muito mais importante fazer aço do que plantar maxixe, com todo respeito a quem planta maxixe” (Aqui!).

Pois bem, um trecho da nota da ASCOM da SEDE que me chamou a atenção, e que parece ter sido ignorada por alguns jornalistas da mídia local, diz o seguinte: “Outra área destinada a receber essas empresas é a que está localizada na retroárea do Porto do Açu e integra distrito industrial da Codin, onde já estão se instalando a NOV e a Technip, ambos fabricantes de tubos flexíveis para o pré-sal, a Wartsila e a Intermoore.” A primeira questão é que o Porto do Açu não é a área preferencial dessa campanha de marketing de Júlio Bueno, mas apenas “outra área”.  Já a segunda informação de que a Nov, a Technip, a Warstila e a Intermoore já estão se instalando numa porção do distrito industrial de São João da Barra, omite o fato que essas empresas todas estão na verdade dentro da área imediata ao porto, e nas áreas desapropriadas pela CODIN que continuam literalmente abandonadas.

Mas o que esperar de um (des) secretário como Júlio Bueno que conseguiu dizer em uma audiência na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro que nas áreas desapropriadas no V Distrito só existiam 15 famílias residentes (Aqui!), que diga a verdade para os investidores ingleses? Ai, convenhamos, é que seria acreditar em estórias da dona Carochinha.

Seguranças de braços cruzados na UENF: empresa alega falta de pagamentos

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Os seguranças privados que prestam serviços na UENF estão reunidos desde manhã na entrada principal do campus, deixando a universidade efetivamente desguarnecida. Aos seguranças a informação que foi dada é que a paciência da empresa estaria chegando ao final, após cinco meses de falta de pagamentos. O limite que teria sido dado para o cumprimento das obrigações já teria sido ultrapassado, o que poderia ocasionar, segundo o que me foi dito por vários seguranças, é o cancelamento do contrato.

Dois pontos que mereceriam o devido esclarecimento por parte da reitoria da UENF e do (des) governo de Sérgio Cabral:

1) a empresa HOPEVIG está mesmo sem receber o que tem a receber da UENF há cinco meses?

2) Qual é o plano de contingência para um eventual abandono da empresa do campus Leonel Brizola?

Essa situação já vinha sendo ventilada de maneira mais subliminar pelos seguranças desde meados de 2013, mas agora parece que a coisa ficou crítica. É que as empresas que possuem contratos com o Estado adoram quando tudo está sendo pago de acordo com o que foi acertado (muitas vezes a preços bem salgados), mas não hesitem em abandonar o barco quando as coisas não vão de acordo com a necessidade básica de qualquer empresa que é ter lucros.

Agora, o fato é que a falta de pagamentos de empresas terceirizadas é apenas a ponta do iceberg da situação em que o (des) governo de Sérgio Cabral colocou as universidades estaduais.  Lamentavelmente isso não fica mais claro por causa da omissão e cumplicidade das reitorias.

Mas o mais preocupante é que a empresa Hopevig teria informado hoje aos seus empregados na UENF para que não contem com seus salários de janeiro! Como assim? A UENF não honra suas obrigações e quem sofre as consequências são os empregados? Essa situação, se confirmada, deverá merecer a mais rigorosa apuração do Ministério Público do Trabalho, Afinal, só relógio trabalha de graça e, até onde eu saiba, as leis trabalhistas ainda não foram abolidas no Brasil.

As vozes do Açu continuam contando a história que a propaganda oficial quer esconder

Nas últimas semanas tenho recebido vários depoimentos via comentários postados por este blog que mostram novas facetas da crise social (e ambiental) instalada no V Distrito de São João da Barra a partir das desapropriações realizdas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) para beneficiar o ex-bilionário Eike Batista e seu outrora “superporto do Açu”.

Vejam abaixo mais um desses depoimentos, pois ele nos permite realizar uma reflexão coletiva sobre o modelo de desenvolvimento que queremos para a nossa região e, por extensão, para o Brasil.

Eis o depoimento:

“Sou um grande leitor desse BLOG. Fico atento todos os dias as notícias divulgadas com relação as desapropriações do V Distrito de São João da Barra, e não poderia deixar de escrever algo. A maioria dos agricultores (pessoas idosas) nem sequer receberam dinheiro algum por suas terras! Pegaram mas não pagaram, e dizem que são os donos! Como assim? Nas minhas andanças pelo V Distrito verifiquei que alguns agricultores, além de ter perdido as lavouras devastadas pelas máquinas, tiveram que vender seus poucos gados leiteiros por falta de pastagens. Não tinha mais suas terras! Queijo da roça e leite do V Distrito não se acha mais!

Nós é que estamos pagando pelo desgoverno! Esses agricultores não sabem fazer outra coisa a não ser plantar e colher, pois foi a cultura passada de geração em geração.O que eles vão apender nessa idade? Trabalhar no porto? Tomara que a perícia seja favorável a esses agricultores tão sofridos e que haja justiça finalmente!”

Esse relato nos dá acesso a outras dimensões do encurtamento do cobertor econômico dos agricultores que, além de terem suas terras tomadas por preços irrisórios e nem isto receberem, tiveram que vender seu gado por absoluta falta de pasto. Enquanto isso, milhares de hectares jazem improdutivos à espera de um distrito industrial que já se sabe dificilmente sairá do papel. E no dicionário que eu olhei, o nome disso não é desenvolvimento.

Perícia judicial para avaliar real preço de terras desapropriadas poderá entornar de vez o caldo no Porto do Açu

No dia 15 de outubro de 2013 informei aqui neste blog que o Tribunal de Justiça havia atendido a quatro agricultores do V Distrito de São João da Barra e suspendido a desapropriação de suas terras por causa do preço irrisório pago pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janiero (CODIN), o que contraria a legislação vigente no Brasil (Aqui!).

Pois bem, a nova perícia judicial que foi determinada para verificar o real valor das terras desapropriadas pela CODIN deverá ocorrer na próxima segunda-feira (10/02). Se for mantida a tendência que está ocorrendo em casos semelhantes de reavaliação é bem provável que o custo inicial que foi calculado pela CODIN vá subir substancialmente. E se isto se confirmar, todo o processo de desapropriações promovido pelo (des) governo de Sérgio Cabral para beneficiar o empreendimento conhecido como superporto do Açu, liderado ex-bilionário Eike Batista, vai resultar em custos astronômicos para o tesouro estadual.

A questão agora é a seguinte: se não foi a CODIN que pagou pelas desapropriações de baixo custo, mas a empresa Grussaí Siderúrgica do Açu, quem é que vai pagar a salgada diferença? Afinal, como prevê a constituição, se não houver o justo ressarcimento pela desapropriação de uma propriedade, a mesma de voltar para o seu legítimo proprietário.

E no presente caso, os legítimos proprietários são humildes agricultores que tiveram suas vidas devassadas e seus direitos básicos desrespeitados.  Assim, no frigir dos ovos, quem é que vai pagar por todos os prejuízos que essa gente sofreu?

Quem está pagando pelas novas desapropriações sendo feitas pela CODIN no Porto do Açu?

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No ano passado notei que a desconhecida Grussaí Siderúrgica do Açu  estava pagando pelas desapropriações realizadas pela Companhia de Desenvolvimento Industrial do Rio de Janeiro (CODIN) e estava se tornando uma grande proprietária de terras no V Distrito de São João da Barra (Aqui! e Aqui!). Além disso, descobri que a GSA era, na verdade, propriedade da LL(X), e sua finalidade precípua era aparentemente se apropriar das terras arrecadadas pela CODIN via as escabrosas desapropriações realizadas contra centenas de famílias do V Distrito de São João da Barra, muitas vezes com o uso de um grande contingente policial militar.

Como agora a LL(X) virou Prumo que, por sua  vez, pertence ao fundo estadunidense EIG, eu me pergunto sobre quem está pagando pelas desapropriações que continuam acontecendo neste início de 2014 no V Distrito (desafiando até o senso comum visto que não há nenhum distrito industrial sendo construído nas terras expropriadas pelo (des) governo de Sérgio Cabral)? É a GSA? Se não, quem está “pagando” pelas desapropriações? Mas se for a GSA, que agora deve ser parte da Prumo, o que teríamos é uma corporação estrangeira entregando recursos financeiros para o Estado expropriar terras da agricultura familiar? Se isso se confirmar, o nome que se dá para isso lá na minha terra natal é escândalo.

Aliás, esse escândalo fica ainda mais evidente quando se vê o preço que está sendo pago pelo metro quadrado de terra nas desapropriações conduzidas pela CODIN. Um estudo realizado pelo sociólogo Felipe Alvarenga, como parte de sua dissertação de mestrado pelo Programa de Políticas Sociais da UENF, mostrou que o valor da terra nas desapropriações realizadas no V Distrito oscilaram entre R$ 1,09 e R$ 8,30. Tamanha discrepância de valores apenas reforça a impressão de que algo de muito errado andou acontecendo na forma com que as propriedades foram avaliadas pela CODIN.

De toda forma, os agricultores ligados à ASPRIM já anunciaram que não vão ficar quietos em 2014. Bom seria se o Ministério Público Estadual saísse de sua posição olímpica que na prática ignora o que anda ocorrendo no V Distrito e começasse a investigar essa situação. E o quanto antes melhor!

Vai ter Copa. Só não para você

Evento privado, gasto público, lucro privado

“Ingressos caros, gasto público com lucro privado, violações aos direitos humanos e ataques à democracia. Esse é o grande legado da realização da Copa do Mundo no Brasil. Revertê-lo em ganhos de mobilização política e transformação social é possível”

Edemilson Paraná *

A “Copa das Copas” vai acontecer, já aconteceu, já está acontecendo. Pelo menos para a Fifa. Uma projeção feita pela BDO (empresa de auditoria e consultoria especializada em análises econômicas, financeiras e mercadológicas) aponta que a Copa do Mundo de 2014 no Brasil vai render para a entidade, que supostamente não tem fins lucrativos, a maior arrecadação de sua história: nada menos do que US$ 5 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões). O valor é 36% superior em comparação ao montante obtido com o Mundial da África do Sul (US$ 3,6 bilhões), em 2010, e 110% maior do que o arrecadado na Copa de 2006, na Alemanha, que rendeu US$ 2,3 bilhões. Os números foram confirmados pelo secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, em entrevista coletiva realizada em junho de 2013.

Os governos têm feito sua parte para ajudar… os cartolas. Com isenção de cerca R$ 1 bilhão em impostos, o Mundial no Brasil já é um ótimo negócio para a entidade. Ao todo, cerca de R$ 28 bilhões serão gastos em obras de infraestrutura e construção e reforma de estádios para receber o torneio. Desse montante, quase R$ 8 bilhões estão sendo gastos em estádios. Metade desse valor é financiada por bancos federais. Apenas R$ 820 milhões gastos nos estádios foram financiados com recursos privados (segundo valores da CGU). O restante dos recursos foi aportado por governos locais, como é o caso de Brasília, onde o valor do Mané Garrincha passou de R$ 1,2 bilhão.

Cerca de um terço do valor total das obras (R$ 8,7 bilhões) está sendo financiado por bancos federais – Caixa Econômica Federal, BNDES e bancos estaduais. Boa parte desses empréstimos é tomada pelos próprios governos estaduais, sozinhos ou em parcerias com o setor privado, embora alguns empréstimos também sejam contraídos por entes privados (como os mais de R$ 400 milhões liberados pelo BNDES para o Corinthians construir o Itaquerão). E antes que surja o papo de que o dinheiro desses bancos é privado, lembremos que o BNDES, por exemplo, é uma empresa pública. Recebe dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para emprestar em condições privilegiadas a empresários. O fundo é formado por parte da receita de um tributo, a contribuição ao PIS/Pasep, cujo custo é incorporado pelas empresas aos preços dos bens pagos pelos consumidores.

As obras consumirão R$ 6,5 bilhões do orçamento federal e R$ 7,3 bilhões de governos locais (estaduais e municipais). Dos R$ 28,1 bilhões totais, apenas R$ 5,6 bilhões serão recursos privados (que se concentram principalmente nos aeroportos). Balela dizer que não há dinheiro público na jogada. O preço dos ingressos todos nós já conhecemos, as obras de infraestrutura urbana, propagandeados como o grande legado do evento, poucos viram até agora.

Em resumo, a lógica é bastante simples. A Fifa faz uma festa privada e se você quiser sediá-la precisa aceitar as condições da entidade. A verdade é que não há nenhum comprometimento com o desenvolvimento econômico, esportivo ou humano dos países que sediam grandes eventos esportivos.

Não por acaso, a Suécia – que notoriamente tem problemas sociais menos agudos do que os brasileiros – acaba de negar a oportunidade de uma candidatura para sediar as Olimpíadas de 2022. A justificativa é assustadoramente simples: o país tem outras prioridades como habitação, desenvolvimento e providência social.

Gastos incalculáveis: o retrocesso nos direitos humanos

Não bastasse a matemática contábil básica ignorada pelos defensores dos grandes eventos, um conjunto de abusos e violações aos direitos humanos completa o pacote de “gastos” sociais incalculáveis.

Um mapeamento divulgado na Suíça pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa (Ancop) em parceria com a ONG Conectas, no final de maio passado, calcula que mais de 200 mil pessoas estão sendo despejadas arbitrariamente de suas casas por causa de obras para os preparativos da Copa em todo o Brasil. Durante os preparativos de megaeventos esportivos, estima-se que 15% dos moradores de Seul foram expulsos de suas casas e, na África do Sul, 20 mil pessoas foram despejadas.

Além das milhares de famílias desalojadas, algumas outras pagaram com a vida o preço de obras superfaturadas, feitas às pressas, com baixa remuneração, cargas de trabalho extenuantes e pouca fiscalização. De junho de 2012 a dezembro de 2013, o Brasil registrou sete mortes relacionadas à preparação do país para a Copa do Mundo. Número mais de três vezes maior do que o registrado na África do Sul.

Contra a revolta social produzida por tais abusos, muita repressão. Além de outros milhões de reais gastos com aparato de repressão adicional (bombas de gás, spray de pimenta, armas e balas de borracha, equipamentos de dispersão, entre outros), uma tropa de choque especial com 10 mil homens, especialmente recrutados para isso, será responsável por agir em caso de manifestações nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014.  Além das tropas, robôs irão monitorar por imagens a movimentação de pessoas nos entornos dos estádios, e a vigilância a aplicativos de celulares e mídias sociais já está em andamento. O Exército está a postos e também se prepara para a necessidade de ser convocado a conter as manifestações. O (não) preparo dessas “tropas” para lidar com seus próprios cidadãos exercendo seu livre direito de manifestação, como se fossem inimigos da pátria, já é amplamente conhecido.

No apagar das luzes de 2013, o Ministério da Defesa baixou uma portaria normativa que “Dispõe sobre a Garantia da Lei e da Ordem” pelas Forças Armadas. Entre outras coisas o documento aponta a necessidade de conter “sabotagem nos locais de grandes eventos” e aponta como “força oponente” os “movimentos ou organizações” que causem dificuldades no objetivo de “manter ou restabelecer a ordem pública”.

No Congresso, tramitam mais de 13 propostas que “normatizam” manifestações. As propostas, muitas flagrantemente inconstitucionais, tratam de criminalização, aumento de penas, tipificação de terrorismo, entre outros ataques ao direito de organização social. Além da Lei Geral da Copa, um abuso em si, que já revoga vários direitos democráticos, tramita um projeto de lei no Senado que, entre outras coisas, proíbe greves durante o período dos jogos e inclui o “terrorismo” no rol de crimes com punições duras e penas altas para quem “provocar terror ou pânico generalizado”.

Ganhos inesperados: articulação e mobilização social

Ingressos caros e avanço do processo de elitização do futebol no Brasil, gasto público com lucro privado, violações aos direitos humanos e ataques à democracia. Como pano de fundo desse cenário, um país desigual, com saúde e educação precarizadas e péssimos serviços de mobilidade urbana. O resultado não poderia ser outro que não revolta social.

O combate dos governos e seus aliados às manifestações é de ruborizar pela falta de consistência política. O argumento de que “os protestos causarão prejuízos ao Brasil” até faria algum sentido se os vultosos lucros com a realização do evento não fossem parar no bolso de meia dúzia de gestores, empresários e cartolas em detrimento dos altos preços cobrados de torcedores e contribuintes.

A ideia de que o “movimento é partidário e, portanto, orquestrado para prejudicar a reeleição da presidenta Dilma” desmonta-se diante de uma primeira visita a qualquer um dos protestos: há tudo e todos, diferentes movimentos e colorações ideológicas, trata-se de um espaço amplo, aberto, caótico e fragmentado. Estrutura-se, pois, em anseios legítimos da população brasileira, que se expressam da maneira possível diante do atual quadro de esvaziamento representativo. Se prejudicam a imagem de governos, o problema está, obviamente, nas medidas que estes resolveram adotar à revelia do que precisa e pede o país neste momento, à revelia de nossas reais prioridades.

Chega a ser irônico ver um governo dirigido por um partido que até ontem se apresentava como de esquerda e nacionalista se mobilizar de modo tão uníssono – e por que não dizer, desesperado – em defesa da submissão do Estado e da sociedade na garantia dos lucros de uma instituição privada internacional que concorre na Suíça ao prêmio Public Eye Awards como a pior companhia do mundo, honraria já concedida às “benévolas” Vale do Rio Doce, Shell e ao Banco Goldman Sachs, um dos responsáveis pelo estouro da crise financeira mundial em 2008.

Por fim, o argumento de que os protestos são “autoritários” é risível diante do fato de que em nenhuma etapa do processo – a eleição do Brasil como sede, a aprovação da abusiva Lei Geral da Copa ou a remoção de centenas de milhares de famílias – a população foi consultada. Tudo foi decidido, para variar, entre as cúpulas do poder dominante.

As preocupações dos governos e seus partidos dirigentes, no entanto, têm razão de ser. A revolta crescente aos poucos se organiza politicamente e procura, sim, os responsáveis pelos abusos. Já em 2013 a Ancop (Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa) cumpriu um papel importante nas manifestações de junho lançando o importante questionamento “Copa para quem?”. A articulação, um dos catalisadores das manifestações à época com atos em todo o Brasil, reúne comitês nas 12 cidades-sede da Copa, que por sua vez agregam movimentos sociais, universidades e entidades de sociedade civil que lutam contra a violação de direitos humanos. Poucos ganhos podem ser maiores para uma sociedade do que os de conscientização e organização política em defesa de seus direitos. Esse pode ser o nosso maior legado.

Desde o ano passado, essa articulação vem se ampliando. O debate a respeito dos abusos da realização da Copa do Mundo no Brasil, aos poucos, se desloca ao centro da agenda política. No bradar de vozes opositoras, que já se autonomearam em relação à ação inicial dos comitês, uma consigna se destaca mais do que outras, para o pânico do andar de cima: “Não vai ter Copa”.

Não vai ter Copa?

Tudo somado, os gastos envolvidos, os interesses em jogo e o aparato de repressão mobilizado, é difícil que não haja. Trata-se de ano eleitoral, de uma das Copas mais lucrativas da história e da subjetividade de um país que passou – também graças a insistente propaganda oficial ao longo de anos – a enxergar-se como o país do futebol. Vai, sim, ter Copa. Só não para você.

Para quem ela será, já sabemos. Sabemos também que o preço será alto para todos os lados: governos, empresários, torcedores e manifestantes. Como o cenário não é favorável para nenhuma mudança de rumos na organização do evento, engana-se quem acha que a tensão social diminuirá até lá. Mas será que a palavra de ordem “Não vai ter Copa” é a melhor nesse momento?

Particularmente, creio que não. A consigna “Copa para quem?” denuncia de modo mais claro os problemas que apontamos, articulando-o a outras dimensões de nossas desigualdades estruturais, o que abre cenário para a politização sistêmica desse processo, mesmo após a finalização do evento.

“Não vai ter Copa”, em contrapartida, anima as manifestações para um objetivo que não parece muito crível no momento, encaminhando as reivindicações para uma derrota. Derrotas, sabemos, têm um impacto consideravelmente negativo em um processo de lutas sociais, já que é de vitórias e conquistas, ainda que pontuais, que se alimenta um ascenso político dessa natureza. Denunciar de modo firme e claro os desmandos da realização do evento, desgastando e constrangendo os responsáveis e privilegiados por tais abusos, já aponta uma importante vitória parcial, que pode ser ampliada posteriormente em articulação com outras denúncias, reconfigurando com isso a conjuntura da política brasileira.

Peçamos hospitais e escolas padrão Fifa, moradias para os sem-teto, transparência nos investimentos para a Copa, denunciemos a corrupção, a suspensão da liberdade de manifestação durante a Copa. Dessa forma, temos mais possibilidades de obter algumas vitórias; a maior delas, sem dúvida, será o fortalecimento de um amplo e enraizado movimento de contestação social.

A maioria do povo brasileiro não é contrária à realização da Copa do Mundo no país. É contrária, sim, aos atropelos e usurpações que cercam a organização do evento. Não fosse isso, tal maioria gostaria de uma Copa no “país do futebol”. De alguma forma, então, a palavra de ordem “Não vai ter Copa” pode confundir as coisas e fazer com que uma parcela da opinião pública que poderia apoiar o movimento acabe se opondo a ele, ampliando, inclusive, a violência da repressão. Quem surfa nessa ambiguidade? O governismo mal intencionado e os defensores da realização dos grandes eventos tal qual estão sendo organizados.

De qualquer forma, com a palavra de ordem que for, nosso lado é claro – e não é o lado dos governos e da Fifa. Se a palavra de ordem “Não vai ter Copa” é a quem vem das ruas, não devemos cerrar fileiras com o oportunismo político governista a combatê-la. Podemos e devemos contribuir com a discussão de táticas alternativas, mas o nosso dever é, antes de tudo, a unidade; é estar ao lado daqueles que lutam contra o superfaturamento das obras, a corrupção aberta e o uso de dinheiro público sem um mínimo de respeito às reais prioridades do país, a submissão do governo federal a exigências absurdas da Fifa, as restrições à liberdade de manifestação, às remoções, entre outros inaceitáveis ataques em nome da alegria do futebol. Provemos ao mundo que somos sim, apaixonados por futebol, mas negamos ser humilhados e oprimidos por essa paixão.

 *Edemilson Paraná é vice-presidente do Psol-DF e mestrando em Sociologia na UnB.

FONTE: http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/forum/vai-ter-copa-so-nao-para-voce/

Cabralistas deveriam saber que tempo de TV sozinho não ganha eleição

O (des) governador Sérgio Cabral anda a montar uma frente partidária para ficar com um número bem maior de minutos para o seu candidato, o vice (des) governador Luiz Fernando, o Pezão. Analistas oficialistas mais apressados estão a trombetear que essa quantidade maior de minutos é algo que coloca os demais candidatos numa condição quase sepulcral. Apesar de ser geógrafo, me aventuro a prever que só Pezão for confiar só no tempo de TV para ser resgatado da situação abissal em que se encontra a sua popularidade, eu diria que corremos o risco de ter Anthony Garotinho eleito já no primeiro turno.

E por que tal previsão que deverá deixar os anti-rosáceos da planície goitacá irritados comigo? Primeiro que Pezão representa uma candidatura tão pesada que poderia servir de âncora para alguma plataforma da Petrobras operando na Bacia de Campos. Além disso, o vice (des) governador carrega o fardo de ser o segundo homem de um (des) governo que conseguiu aglutinar um ódio profundo da população fluminense e nos quatro cantos do território fluminense.

Mas se isto não fosse suficiente, preciso lembrar da campanha de Marcelo Freixo para a prefeitura do Rio de Janeiro em 2012, quando com poucos mais de um minuto de TV, o deputado anti-milícias conseguiu estupendos 28,5% dos votos, deixando a máquina do PMDB tremendo de medo por alguns dias. Como Lindbergh Farias tem a mesma persona jovem de Freixo, somando quatro minutos de TV e muito dinheiro vindo da máquina de campanha que deverá ser azeitada por gente experiente, o provável é que a disputa real acabe sendo entre ele e Anthony Garotinho.

Em suma, Pezão poderá até ter bastante tempo de TV, mas com seu peso paquidérmico, o mais provável é que esse tempo todo seja só mais uma fonte de sofrimento e hemorragia de votos.