Trabalhadores fecham novamente a entrada do Porto do Açu

As coisas parecem longe da normalidade nas obras de construção do Porto do Açu. É que nesta segunda-feira amanheceu fechada a estrada que dá acesso ao canteiro de obras do sonhado “superporto” de Eike Batista, no que parece ser uma repetição do movimento ocorrido no dia 15 de janeiro. Informações vindas das proximidades da chamada “Estrada da Servidão” dão conta que novamente o trânsito está completamente paralisado, uma indicação de que os trabalhadores resolveram “trancar” novamente o acesso ao Porto do Açu.

Esta situação exacerba ao menos duas verdades. A primeira é que o calendário de construção do Porto do Açu está distante da normalidade, o que torna sua finalização uma incógnita. Já a segunda é mais problemática e se refere à continuidade de um padrão de desrespeito aos direitos dos trabalhadores, mesmo em face da saída de Eike Batista do controle total do empreendimento.

Depois tem gente que reclama que eu sou contra o “desenvolvimento”. Na verdade, eu não sou contra o desenvolvimento coisa nenhuma. Mas dai a apoiar o que está sendo feito contra os agricultores do V Distrito e os trabalhadores do Porto do Açu, ai realmente seria esperar muito de mim.

Petrobras suspende militante de oposição por conflito em que foi agredido

 

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A foto acima mostra o resultado da agressão que sofreram dois empregados da Petrobras que militam na oposição petroleira ao Sindipetro NF num conflito com membros da diretoria do sindicato no dia 10 de janeiro no aeroporto de Macaé. Pois bem, acabo de ser informado que um deles, Jean Michel, recebeu uma suspensão de dois dias como forma de punição por esse incidente.

Afora o problema de que o agredido é que foi punido, fica a pergunta sobre quem entregou os nomes dos militantes de oposição envolvidos na confusão à Gerência Geral de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Campos a quem eles estão funcionalmente subordinados.

Agora, o mais lamentável é que fica claro que além de se preocupar em vencer eleições em ambiente conflagrado, os militantes da oposição ainda tenham que se preocupar sobre se serão punidos pela Petrobras que, pelo menos neste caso, já parece ter escolhido o seu lado preferido.

OGX, petroleira de Eike Batista, está com dificuldades para honrar compromissos assumidos com credores

OGX: Prazo para cumprir acordo com credores é estendido para dia 31

Por Natalia Viri | Valor
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SÃO PAULO  –  A Óleo e Gás Participações (antiga OGX) estendeu para o dia 31 de janeiro o prazo para entregar sua proposta de recuperação judicial e assinatura de um financiamento com os detentores de bônus. A empresa tinha se comprometido a cumprir essas condições — necessárias para o acordo com os credores — hoje, mas, conforme antecipou o Valor, não conseguiu cumprir o calendário.

A empresa tenta fechar um acordo prévio que garanta a aprovação por parte dos credores para o plano de recuperação a ser apresentado (“plan support agreement”). As negociações envolvem, além da conversão de bônus em novas ações, um empréstimo de US$ 200 milhões por parte dos bondholders, que ainda não saiu.

Enquanto isso, a companhia tomou um empréstimo “emergencial” com o Credit Suisse, no valor de US$ 50 milhões, para continuar tocando suas atividades operacionais, concentradas no campo de Tubarão Martelo, que começou a operar em dezembro.

Em fato relevante, a OGX afirmou que as tratativas com os credores que aderiram ao plan support agreement “continuam evoluindo dentro das expectativas”. A empresa tem dívidas de US$ 3,8 bilhões.

“A implementação do plano de recuperação judicial, a ser apoiado pelos detentores de bonds representando a maioria dos bonds em circulação, permitirá a superação da atual crise financeira da companhia, assegurando a continuidade de suas atividades, com pleno atendimento de seus objetivos e função social.

FONTE: http://www.valor.com.br/empresas/3406860/ogx-prazo-para-cumprir-acordo-com-credores-e-estendido-para-dia-31#ixzz2rWRTdLW3

Um ano sem Cícero Guedes e Regina dos Santos

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Participei na sexta-feira do “Encontro de amigos e amigas do MST no Norte Fluminense” e um dos pontos altos do evento foi a celebração da vida dos militantes Cícero Guedes e Regina dos Santos Pinho que foram assassinados no início de 2013. Soube da morte do Cícero quando voltava de uma visita a Itaocara, e o baque da notícia foi forte. Não posso dizer que era amigo dele, mas éramos parceiros de jornada, cada um na sua lida. Já Regina, eu somente a encontrei em poucas ocasiões, mas ela esteve sempre presente nas pesquisas que meus orientandos vem fazendo no Assentamento Zumbi dos Palmares desde sua criação em 1998. Mas sei que de um jeito muito diferente do Cícero, Regina era igualmente firme e decidida na luta pela reforma agrária. Somada a perda dos dois, digo que tivemos foi uma profunda lacuna de liderança que só agora começa a ser coletivamente preenchida.

Por outro lado, quem conhecesse a vida desses dois não poderia deixar de considerá-los como pessoas notáveis. Afinal, viverem sempre em meio às dificuldades que marcam a vida da maioria dos brasileiros, combatendo a própria pobreza mas, mais importante do que isso, combatendo a pobreza alheia. Cada um dos seu jeito, Cícero e Regina eram pessoas que se preocupavam com os seus camaradas. Tanto isto é verdade que foram mortos porque continuaram defendendo o direito de outros pobres terem o seu pedaço de terra para cultivar. Se tivessem se acomodado dentro de seus lotes é provável que ainda estivessem vivos. Entretanto, viveram e morreram por manter suas idéias coladas às suas práticas, e isto é muito mais do que muitos doutores e mestres podem fazer. Para compromisso e firmeza de propósito, a melhor escola ainda é a vida, e, nestes quesitos, esses dois bravos brasileiros não foram apenas estudantes, mas profundos educadores de todos nós.

Não obstante meu entendimento de que os dois seguiram o caminho que escolheram, a ausência deles é sentida. Não porque suas mortes acabaram com o MST no Norte Fluminense. Aliás, neste aspecto é bem provável que o martírio dos dois tenha reforçado a chama da indignação e da disposição para aprofundar a luta pela reforma agrária nos militantes que continuam vivos e lutando, muitos inspirados no que Cícero e Regina significaram e significam para eles. A perda que não se resolve é a da presença física dessas duas pessoas firmes e enérgicas em suas idéias, mas igualmente generosas e dedicadas à Humanidade. Esse tipo de pessoa é singular dentro de um sistema econômico que nos empurra todos ao consumismo fútil e ao individualismo mais grosseiro. São pessoas do quilate de Cícero e Regina que nos lembram que é possível manter as melhores características que um ser humano pode ter, mesmo que tendo sido a eles negados alguns dos direitos básicos que nossa precária sociedade já adotou.

Por tudo o que significaram, Cícero e Regina sempre vão me inspirar. Espero que inspirem a muitos outros mais, mesmo aqueles que não tiveram como eu, o privilégio de conhecê-los em vida.

(Des)governador Sérgio Cabral anuncia demissão de 700 petistas por e-mail

Ação é manobra para unidade no segundo turno ou é só destempero mesmo?

O (des) governador do Rio de Janeiro comunicou ontem a direção regional do PT via correio eletrônico que vai demitir os mais de 700 petistas que ocupam cargos no seu (des) governo (Aqui!) por causa da decisão do partido de lançar candidato próprio para o governo do estado nas eleições de 2014.  Uma coisa há que se reconhecer: Cabral inovou ao demitir por e-mail companheiros de quase oito ano de (des) governo, incluindo ai o seu grande amigo, o ex-ambientalista e atual (des) secretário de ambiente, Carlos Minc.

Esse tipo de manobra pode refletir duas coisas: a) que Cabral está se preparando para vender mais caro seu apoio num eventual segundo turno ou b) que Cabral teve mais um daqueles destemperos que ocorrem toda vez que ele é contrariado.

De qualquer forma, essa ação relativamente abrupta cai como uma luva nas mãos do senador Lindbergh Farias que há muito tempo pressionava a direção estadual a abandonar o barco de Cabral que, aliás, já faz água desde a revelação do escândalo da Farra dos Guardanapos em Paris e das manifestações de junho de 2013.

Por outro lado, o deputado federal Anthony Garotinho, não tem nada a ver com a briga de Cabral com o PT, lançou ontem a sua candidatura ao governador do Rio de Janeiro (Aqui!).

Essas eleições poderão ser tudo, menos monótonas!

E Eike Batista entrega outro “anel”: agora a CCX é a bola da vez

Como já era esperado, Eike Batista continua com o desmanche de seu império de empresas pré-operacionais que se juntavam sob a bandeira do Grupo EB(X). Agora a empresa que se vai é a CC(X), empresa que possui reservas consideráveis de carvão na Colômbia. Aliás, nesse caso há que se lembrar que Eike Batista chegou a bancar um tour recheado de regalias para um grupo de políticos colombianos, justamente para ver se conseguia, digamos, “amaciar” o processo de liberação de licenças ambientais (Aqui!). Agora, combalido financeiramente, Eike não está tendo outra saída a não ser entregue mais este “anel”.

Agora fico imaginando como se sentem aqueles que diziam que todas as ponderações feitas sobre a viabilidade dos projetos de Eike Batista eram só inveja de um homem rico e de sucesso. Houve até “eikete” que jurou não vender as ações que dizia ter das empresas “X”; Se aquilo não foi só discurso da boca para fora há gente chorando lágrimas de sangue por causa do prejuízo.

De minhas parte, a única coisa que realmente interessa é sobre quando vão anular os decretos de desapropriação do V Distrito de São João, retornar as terras para seus legítimos donos e, sim pagar as justas reparações financeiras por todo o dano que foi causado a centenas de famílias de trabalhadores rurais e de pescadores.

Eike Batista venderá CCX para grupo da Turquia

O ex-bilionário mais famoso do mundo vai se desfazer do controle de mais uma empresa “X”

 
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Diogo Max, de 

Fabio Pozzebom/AGÊNCIA BRASIL

 O empresário Eike Batista, controlador do grupo EBX

 Nos últimos dois anos, Eike Batista perdeu 60 bilhões de reais

 São Paulo – Eike Batista, o ex-bilionário mais famoso do mundo, vai se desfazer do controle de mais uma empresa “X”. Dessa vez, é a CCX, a mineradora que possui minas de carvão na Colômbia, de acordo com a revista VEJA.

Segundo notícia publicada neste sábado pelo jornalista Lauro Jardim, na coluna Radar, o negócio está quase fechado e um grupo da Turquia deve levar a companhia.

Recentemente, a CVM abriu processo contra Eike e os executivos da CCX. O xerife do mercado brasileiro investiga se houve infração às normas que tratam da divulgação de informações e fatos relevantes pela companhia.

É possível que a investigação da CVM esteja relacionada a rumores sobre o fechamento de capital da CCX, em meados do ano de 2012.

Derrocada

Nos últimos dois anos, Eike Batista, que já foi considerado o 7º homem mais rico do mundo, perdeu 60 bilhões de reais e deixou o seleto clube do bilhão.

Em outubro passado, a OGX, petroleira do grupo de empresas controlado por ele, pediu recuperação judicial. A empresa conseguiu adiar até a próxima sexta-feira o plano de recuperação à justiça. Em novembro, foi a vez da OSX, companhia de construção naval, pedir recuperação judicial

Também em outubro do ano passado, Eike também deixou de controlar a mineradora MMX. Ele também vendeu o controle da LLX, sua empresa de logística, em agosto passado.

FONTE: http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/mais-uma-empresa-x-vai-deixar-de-ser-de-eike

Entrevista no Programa “Faixa Livre” sobre a UENF e o Porto do Açu

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No dia 17 de janeiro fui entrevistado pelo economista Paulo Passarinho no programa “Faixa Livre” que é levado ao ar pela BAND AM do Rio de Janeiro. Nessa entrevista pude abordar não apenas os problemas afetando a Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e os agricultores desapropriados pelo (des)governo de Sérgio Cabral no entorno do Porto do Açu. PAra ouvir a entrevista é só clicar no link abaixo.

O perigo dos agrotóxicos

Anvisa revelou que 36% das amostras de alimentos estavam impróprias para o consumo

Por FERNANDO CARNEIRO

O agronegócio brasileiro vem pressionando a Presidência da República e o Congresso para diminuir o papel do setor de saúde na liberação dos agrotóxicos. O Brasil é o maior consumidor desses venenos no planeta e a cada dia se torna mais dependente deles. Qual o impacto que essas medidas terão na saúde da população brasileira?

No Brasil, a cada ano, cerca de 500 mil pessoas são contaminadas, segundo o Sistema Único de Saúde (SUS) e estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os brasileiros estão consumindo alimentos com resíduos de agrotóxicos acima do limite permitido e ingerindo substâncias tóxicas não autorizadas.

Em outubro, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que 36% das amostras analisadas de frutas, verduras, legumes e cereais estavam impróprias para o consumo humano ou traziam substâncias proibidas no Brasil, tendência crescente nos últimos anos.

Os agrotóxicos afetam a saúde dos consumidores, moradores do entorno de áreas de produção agrícola ou de agrotóxicos, comunidades atingidas por resíduos de pulverização aérea e trabalhadores expostos. Mesmo frente a esse quadro, mais dramática é a ofensiva do agronegócio e sua bancada ruralista para aprofundar a desregulamentação do processo de registro no país.

Qualquer agrotóxico, para ser registrado, precisa ser analisado por equipes técnicas dos ministérios da Agricultura, Saúde e Meio Ambiente. Inspirados na CTNBIO, instância criada para avaliar os transgênicos, que até hoje autorizou 100% dos pedidos de liberação a ela submetidos, os ruralistas querem a criação da CTNAGRO, na qual o olhar da saúde e meio ambiente deixaria de ser determinantes para a decisão.

Quem ganha e quem perde com essa medida? Não há dúvida que entre os beneficiários diretos está o grande agronegócio, que tem na sua essência a monocultura para exportação. Esse tipo de produção não pode viver sem o veneno porque se baseia no domínio de uma só espécie vegetal, como a soja. Por isso, a cada dia, surgem novas superpragas, que, associadas aos transgênicos, têm exigido a liberação de agrotóxicos até então não autorizados para o Brasil. O mais recente caso foi a autorização emergencial do benzoato de amamectina usado para combater a lagarta Helicoverpa, que está dizimando as lavouras de soja de norte a sul do país. A lei que garantiu a liberação desse veneno tramitou e foi aprovada em um mês pelo Congresso e pela Presidência da República.

A pergunta que não quer calar é: no momento em que a população brasileira espera um Estado que garanta o direito constitucional à saúde e ao ambiente, por que estamos vendo o contrário? Na maioria dos estados brasileiros os agrotóxicos não pagam impostos.

O Estado brasileiro tem sido forte para liberalizar o uso de agrotóxicos, mas fraco para monitorar e controlar seus danos à saúde e ao ambiente. Enquanto isso, todos nós estamos pagando para ser contaminados…

FONTE: http://oglobo.globo.com/opiniao/o-perigo-dos-agrotoxicos-11386588#ixzz2rPd3MVMf

JB: Minoritários da OGX questionam omissão da CVM

Informações otimistas da empresa não foram conferidas

Jornal do Brasil

Os acionistas minoritários da OGX declararam guerra à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por omissão e negligência com relação às informações divulgadas no ano passado pela petrolífera e seu principal acionista, Eike Batista, que camuflaram a verdadeira situação da empresa. A descoberta de grandes reservas de petróleo anunciadas por Eike, afirmam os investidores, serviram apenas para obtenção de lucro na venda de ações e encobriram áreas de exploração totalmente inviáveis ou com reservas bem menores do que as divulgadas.

Segundo o economista Aurélio Valporto, houve fraude nessas divulgações e os acionistas minoritários tiveram perdas acentuadas de seus patrimônios. Muitos, inclusive, afirma Valporto, perderam imóveis e outros bens. “A OGX informou aos acionistas que tinha enormes quantidades de petróleo, já descoberto, quando na verdade a campanha exploratória foi um fracasso completo. Com isso as ações foram mantidas artificialmente elevadas no mercado”, disse ele.

Os processos de nº 0000950-49.2014.4.02.5101 e 0032719-12.2013.4.02.5101, segundo Valporto, correm na 24ª e 30ª Varas Cíveis do Rio de Janeiro, respectivamente e além da CVM incluem ainda Eike Batista, seu pai, Eliezer Batista, além do ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan. Valporto afirma ainda que novas ações de autoria dos minoritários darão entrada na justiça contra ex-diretores da OGX, entre eles, Roberto Monteiro, que foi diretor de relações com os investidores, e o ex-presidente da empresa e diretor de produção, Paulo Mendonça.

Os acionistas minoritários deverão ainda questionar na justiça a atuação de outros conselheiros da OGX, segundo Valporto, entre eles o ex-ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho e a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal, Ellen Gracie. As ações deverão responsabilizar todos os envolvidos pelo o que aconteceu. De acordo com as informações divulgadas pela OGX ao mercado, a empresa possuía reservas de petróleo muito superiores às que realmente existiam.

A verdadeira situação só foi conhecida com as primeiras frustrações de produção e com o abandono de vários campos de petróleo, cuja produção era inviável. As ações da OGX caíram 98,7%, despencando de R$ 23 em outubro de 2010 para menos de R$ 0,30. “Foi uma fraude monumental, escondendo-se dos acionistas minoritários, por um ano, o fato de que não havia petróleo, de modo que os diretores ganharam muito dinheiro fazendo vendas a descoberto de ações da empresa”, disse Valporto.

PERDA DE PATRIMÔNIO

Diante das perspectivas de ganho com ações da OGX, vários acionistas começaram a investir boa parte de seus patrimônios nos papeis da OGX, inclusive estimulados pelo próprio Eike Batista que em várias entrevistas afirmava que a ação da empresa estava barata e teria uma valorização excepcional. Eike disse que as reservas da empresa se constituíam nos melhores campos de exploração do mundo, com valor equivalente a um trilhão de dólares. Esse cenário foi responsável por perda de imóveis, cancelamento de estudos no exterior, queima de poupança, entre várias outras histórias vividas pelos minoritários.

Sem querer se identificar, esses acionistas contam suas histórias e mantém a esperança de um dia recuperar o que perderam. M. teve que vender seu apartamento da Tijuca, no Rio de Janeiro, no ano passado para poder cobrir suas necessidades financeiras. O imóvel, avaliado em R$ 500 mil, cobriu várias despesas, mas obrigou o investidor a morar de favor na casa de parentes. Inicialmente, M. adquiriu ações da OGX dentro de uma carteira diversificada, mas com a perspectiva de ganhos maiores, a partir das declarações de Eike, se sentiu mais confiante em ampliar sua posição nesses papeis e acabou com um enorme prejuízo e perda de patrimônio.

Engenheiro formado, J. vislumbrou a possibilidade de fazer mestrado numa universidade na Inglaterra e investiu suas economias em ações da petrolífera. Tinha a esperança de custear os estudos, nada baratos, com os ganhos das ações. Matriculou-se, fez várias despesas para se manter como estudante e iniciou o curso no começo de 2013, mas antes do ano terminar teve que cancelar tudo pelas perdas que teve com as ações. Perdeu o que investiu e, se puder retomar o curso, terá que começar praticamente do zero porque não conseguiu completar sequer uma etapa que pudesse ter continuidade posteriormente.

A “possível” valorização das ações da OGX também levaram C. a redirecionar praticamente todos os seus investimentos para a compra de ações da petrolífera de Eike. Como vários pequenos investidores, C. não acreditou na queda dos papeis quando começaram a derreter e permaneceu com as ações. Acreditava que poderia recompor suas economias que, na verdade não eram só suas, mas de sua mulher também. A poupança conjunta foi-se embora e agora C. vive dando desculpas para a esposa sobre as aplicações que não existem mais. Ele não revela os valores, mas diz apenas que era parte importante do patrimônio do casal.

De acordo com Aurélio Valporto, no início de 2013, as ações da OGX chegaram a ter o valor equivalente a cerca de duas vezes e meia seu patrimônio líquido numa relação igual a das ações da americana Exxon que é a maior companhia petrolífera do mundo com um valor de mercado que Eike sequer chegou perto com seu império X. “Essa situação demonstrava uma solidez que a empresa não tinha e a CVM em nenhum momento verificou essa situação. Isso é o que estamos questionando nas ações”, afirma Aurélio.

FONTE: http://www.jb.com.br/economia/noticias/2014/01/24/minoritarios-da-ogx-questionam-omissao-da-cvm/

Procuradoria eleitoral propõe 8ª ação contra Garotinho por crime eleitoral

Deputado, provável candidato pelo PR ao governo do Rio, tenta conquistar o eleitorado distribuindo brindes religiosos e se apresentando como um ‘guia espiritual’, segundo a PRE

Thaise Constancio – O Estado de S. Paulo

Rio – A Procuradoria Regional Eleitoral no Rio (PRE/RJ) propôs ação contra o deputado federal Anthony Garotinho, provável candidato do PR ao governo do Rio, e a empresa Palavra de Paz Produções pela distribuição de kits com livro de mensagens Palavra de Paz, uma camisa, uma carteirinha – com uma foto dele – e uma carta de boas-vindas assinada por Garotinho. Esta é a oitava ação contra propaganda antecipada em que o deputado é alvo.

A PRE/RJ pede ao Tribunal Regional Eleitoral (TER/RJ) três proibições imediatas aos réus: distribuição de kits, divulgação da iniciativa e cadastramento de mais fiéis para receberem os brindes. A distribuição dos kits, comunicada pela Coordenadoria da Fiscalização da Propaganda Eleitoral do TRE/RJ à Procuradoria, é divulgada no site “Palavra de Paz” e pelo programa religioso homônimo, transmitido diariamente nas rádios Manchete AM e Família FM.

Nesses canais podem ser feitos pedidos de orações e os ouvintes e internautas são cadastrados como “intercessores” do programa. A PRE/RJ solicita o pagamento de multas de até R$ 25 mil ou ao custo da propaganda.

Na ação protocolada na quinta-feira, 22, o procurador regional eleitoral Maurício Ribeiro afirma que os réus buscaram conquistar o eleitorado nas próximas eleições distribuindo brindes religiosos e mostrando o político como um ‘guia espiritual’. Para a PRE/RJ ainda é prematuro caracterizar, neste momento, a prática como abuso de poder econômico, pois não é possível avaliar a magnitude e alcance das benesses.

“A distribuição de bens aos eleitores é vedada em campanha, mesmo ocorrendo no primeiro semestre do ano eleitoral”, afirma.

Por meio de sua assessoria, Garotinho afirmou que ainda não foi notificado da ação. Segundo o deputado, o material distribuído não induz as pessoas a votar nele.

Facebook. Junto com a ação sobre os kits de oração de Garotinho, a PRE processou, por propaganda antecipada no Facebook, o metalúrgico Alan Carlos da Silva (Alan de Mica), filiado ao PCdoB de Japeri que se declara pré-candidato a deputado federal. Em sua página na rede social, ele promove o próprio nome como futuro candidato.

A campanha antecipada fica clara por Silva se apresentar como apto ao cargo, dialogar com eleitores e firmar compromissos. Nos últimos meses, o réu já reiterou sua confiança em ser um escolhido pelo partido para disputar as eleições deste ano.

FONTE: http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,procuradoria-eleitoral-propoe-8-acao-contra-garotinho-por-crime-eleitoral,1122437,0.htm