Tudo ou nada: a verdadeira história de Eike Batista aparece em livro

“Eike Batista e a verdadeira história do grupo X” é lançado no Rio

Jornalista fala sobre trajetória do empresário com documentos e declarações inéditas

A jornalista Malu Gaspar lançou na noite desta terça-feira (25) seu livro “Tudo ou Nada – Eike Batista e a verdadeira história do grupo X”, na Livraria Travessa do Shopping Leblon, no Rio de Janeiro. Motivada pelo ineditismo e importância de histórias e evidências que se revelaram enquanto acompanhava a trajetória das empresas de Eike, e também pelo personagem este representa, iniciou uma pesquisa minuciosa que gerou a publicação. Documentos inéditos e depoimentos de 106 personagens fundamentais ajudam a contar a história do homem que já foi apontado como o 7° mais rico do mundo, e agora se vê envolvido em processos sobre crime contra o mercado e com empresas em recuperação judicial.

Malu Gaspar é editora da revista Veja no Rio de Janeiro e acompanha a trajetória de Eike Batista e seu grupo desde 2005, quando chegou ao Rio de Janeiro para ser chefe da sucursal carioca de Exame. Em conversa com o Jornal do Brasil, ela destaca o fato da aproximação ter iniciado justamente no período de auge do empresário. Ao seguir os passos do grupo X e ouvir pessoas relacionadas, percebeu que se tratava de um grande personagem. Quando teve início a trajetória de queda, viu que o que acontecia não era retratado e que renderia uma grande história. “Eike representa um período do capitalismo brasileiro”, resume.

Malu reconstitui a trajetória de ascensões e quedas do empresário, com pesquisa sobre ele e sua carreira desde o início dos anos 1980 até o colapso em 2012. Especialista na cobertura econômica, ela pesquisou fontes inéditas, levantou documentos jamais vistos e ouviu amigos, ex-amigos, colaboradores, ex-colaboradores, admiradores e adversários de Eike, que nunca haviam falado a respeito dele e das empresas. Eles revelam tramas que montam um novo quebra-cabeça, que promete ajudar a compreender não só o caminho do grupo mas também a cabeça de seu líder.

“Vi de muito perto o grupo X ascender ao topo do capitalismo brasileiro. Conheci seus executivos, acompanhei os momentos de tensão e glória, o surgimento das primeiras dificuldades. (…) Sempre me impressionou o tamanho da ambição e a grande quantidade de projetos e planos que suas empresas cultivavam, assim como a facilidade que tinha de convencer o mercado e o público sobre sua capacidade de executá-los. Soube, de início, mais por fontes de fora do grupo, que muitos não eram factíveis. Fiquei preocupada quando  vi a bolha X se formando e logo passei a buscar as pistas de que ela estava prestes a estourar”, conta a autora.

A autora ainda buscou mostrar como a personalidade peculiar de Eike Batista influenciava na tomada de importantes decisões. Segundo ela, Eike tem um grande carisma, capacidade de liderança e um talento especial para vender seus projetos, atrair pessoas e mobilizar recursos, mas vive em conflito com executivos, administrava colocando uns contra os outros, subestimava dificuldades e sempre foi incapaz de manter o foco num único projeto, por mais complexo que ele fosse.

Graças aos devaneios que vendeu ao mercado, ele se tornou o sétimo homem mais rico do mundo

“Deixo claro no livro que Eike sabia estar patrocinando uma mentira. O fato de ter ido à falência junto com suas empresas não o absolve, como ele costuma afirmar. Graças aos devaneios que vendeu ao mercado, ele se tornou o sétimo homem mais rico do mundo e passou a integrar a elite global dos negócios. Teve muitos lucros, colheu muitos louros e só quebrou de forma tão fragorosa porque, ao se julgar alguém iluminado e especial, cometeu erros demais. Estamos falando, porém, de um empresário experiente nos meandros do mercado financeiro, que já lidou no passado com mercados até mais regulados e restritos do que o brasileiro e sabe que não poderia ter conduzido os negócios e a relação com o mercado da forma como fez”, conclui Malu Gaspar.

FONTE: http://m.jb.com.br/economia/noticias/2014/11/25/eike-batista-e-a-verdadeira-historia-do-grupo-x-e-lancado-no-rio/#

Imprensa campista e seu uso peculiar de palavras nas manchetes: o caso da Favela da Linha

A remoção da Favela da Linha está sendo feita pela Prefeitura de Campos de uma forma que está desagradando parte daquela comunidade pela forma autoritária que está se dando. Falo isso porque estive numa audiência pública onde isso ficou claro a partir das manifestações orais dos secretários municipais que ali estavam presentes. Em certo momento do evento que ocorreu nas dependências do campus centro do IFF, esses secretários tiveram de ser lembrados por membros do Ministério Público que também estavam presentes que nenhum cidadão é obrigado a assinar documentos abrindo mão de seus direitos. É que os secretários haviam dito que os moradores da Favela da Linha que não aceitassem a remoção para o conjunto habitacional construído em Ururaí deveriam assinar um documento abrindo de unidades habitacionais que estavam sendo distribuídas pela Prefeitura de Campos!

Agora que a remoção está se dando de uma forma que desagrada parte considerável da comunidade da Favela da Linha e as manifestações contra a Prefeitura de Campos se tornaram inevitáveis, o meritíssimo juiz  juiz da Vara da Infância de Campos, Heitor Campinho, decidiu proibir que crianças participem dos protestos em nome da segurança delas. Tudo muito justo, pois manifestações em rodovias são sempre arriscadas, ainda que sejam justas e necessárias, e crianças tendem a ficar mais expostas do que os adultos.

Mas o que eu acho interessante nesse episódio é que a imprensa campista está publicando matérias em que o verbo usado como sinônimo para “proibir” é “proteger”. O objetivo aqui é óbvio: tornar a decisão do juiz mais simpática e palatável para pessoas que possam simpatizar com os cidadãos que protestam contra um tratamento que consideram injusto e levam seus filhos junto por não terem onde deixá-los.

Uma coisa que deveria ter sido apurada com mais profundidade, e não foi, é o porquê da insatisfação dos moradores da Favela da Linha. Aliás, eu adoraria ter visto uma matéria, por mais mísera que fosse, que analisasse a condição ambiental dos locais onde a Prefeitura de Campos dos Goytacazes está construindo seus “conjuntos habitacionais” e verificasse qual foi a designação que a maioria desses locais recebeu no Plano Diretor Municipal. Se tivessem feito isto, os jornalistas e os proprietários dos veículos da mídia campista teriam dado uma considerável contribuição à democratização da moradia na nossa cidade. Mas ai, convenhamos, já é pedir demais!

Petrobras no Porto do Açu: não tão rápido como alguns gostariam

Justiça suspende licitação da Petrobras a pedido de Macaé

Município reclama ter sido sobretaxado em concorrência da estatal

POR GLAUCE CAVALCANTI

Mar adentro. O Porto do Açu, em construção em São João da Barra: alvo de queixas dos rivais Foto: Prumo / Divulgação/Prumo
Mar adentro. O Porto do Açu, em construção em São João da Barra: alvo de queixas dos rivais – Prumo / Divulgação/Prumo
 RIO – A Justiça do Estado do Rio concedeu nesta terça-feira liminar suspendendo licitação da Petrobras para contratar operação logística portuária para atender às bacias de Campos e do Espírito Santo. A decisão, assinada pelo juiz Josué de Matos Ferreira, da 2ª Vara Cível de Macaé, atende a pedido da Prefeitura da cidade fluminense, por meio de ação cautelar entregue à Justiça na segunda-feira. As propostas que integram a concorrência — fechada e realizada por convite — foram abertas no último dia 17 e, segundo a estatal, estão sendo avaliadas. No mercado, porém, a americana Edison Chouest Offshore (ECO), que opera no Porto do Açu, em São João da Barra, da Prumo Logística e que tem Eike Batista entre seus acionistas, é dada como vencedora.

A Prefeitura de Macaé alega que a licitação restringiu a participação de competidores. Além disso, foi estipulada uma sobretaxa a para a operação em portos específicos, menos para o Açu.

— Foi um processo de muito pouca transparência. Sequer ficamos sabendo. Constava uma sobretaxava para a operação em Macaé de 17%, enquanto no (Porto do) Açu seria de zero. A Petrobras precisa explicar como calculou essa taxa — diz o prefeito Aluízio dos Santos Júnior.

Para ele, houve direcionamento da licitação, com a criação de um mecanismo que beneficiou a operadora que atuasse no porto de São João da Barra, no Norte Fluminense.

A licitação visa a contratar seis berços exclusivos para atracação simultânea de embarcações de apoio à atividade de exploração de petróleo. Segundo a Petrobras, o processo começou no primeiro semestre e acompanha o plano de negócios 2014-2018 da companhia, que prevê a expansão da capacidade logística de apoio às bacias de Campos, Santos e Espírito Santo.

Com relação à sobretaxa, a estatal explicou ter desenvolvido critério que pondera os valores das propostas considerando a localização das bases, a fim de garantir o menor custo logístico no período do contrato, de 15 anos. Em nota, a Petrobras reconhece que a melhor localização garante vantagem em custos, mas não é garantia de proposta mais competitiva.

PETROLÍFERA TERÁ DE EXPLICAR CÁLCULO

Na decisão, o juiz destaca que “o estabelecimento de um índice de custos operacionais (chamado Opex) sem que haja uma justificativa técnica — ao menos tornada pública pela requerida — fere as disposições do próprio regulamento, prejudicando as empresas instaladas no município”. A Petrobras está impedida de dar continuidade ao processo, sob pena de multa, até apresentar informações sobre a licitação e o cálculo do Opex.

Ricardo Chagas, diretor-presidente da ECO para a América Latina, confirma que a empresa participou e possivelmente venceu a licitação. A proposta de R$ 2,5 bilhões teria sido a de melhor preço. “A Chouest é dona da infraestrutura, bem como das operações (logísticas), portanto oferece o pacote completo”, informou por e-mail, ponderando que o resultado oficial ainda não foi divulgado.

Em abril, a ECO assinou contrato com a Prumo, alugando área de 255.200m² no terminal 2 do Porto do Açu, por 15 anos renováveis. O cais terá capacidade para até 12 berços. Está prevista a instalação de uma base de apoio offshore para os clientes, além de estaleiro de reparos para embarcações próprias. Em setembro, novo contrato ampliou a área alugada para 284.200m².

Outras três empresas teriam participado da licitação: Triunfo, BSM e a capixaba Companhia Portuária Vila Velha. Fonte ligada a esta última diz que houve até reunião na Federação da Indústria do Espírito Santo para discutir a sobretaxa:

— A Petrobras explicou apenas que o foco era a distância dos pontos de produção, sem dizer como calculou o ágio. É claro que o Açu leva vantagem.

A assinatura do contrato está prevista para janeiro de 2015, segundo a estatal, com o início das operações no segundo semestre de 2016.

FONTE: http://oglobo.globo.com/economia/petroleo-e-energia/justica-suspende-licitacao-da-petrobras-pedido-de-macae-14662037#ixzz3KCsK1apq 

Katiamente falando

“Esse final de ano promete. Com o anúncio do nome de Katia Abreu para ministra da Agricultura se configura um cenário dramático. Com esse tipo de costura, por cima, os povos indígenas e seus direitos são jogados numa arena de ferozes inimigos. Muito ritual, fortalecimento das alianças e mobilizações poderão barrar mais essas violências e agressões aos povos indígenas e seus direitos”, escreve Egon Heck, do secretariado nacional do Conselho Indigenista Missionário – CIMI.

Eis o artigo de Egon Heck publicado pelo IHU online.

Oh, pessoal, é o seguinte! Tem muita gente xingando minha merecida indicação para o Ministério da Agricultura. Nada mais justo! Afinal de contas a presidente Dilma bem me conhece e reconhece minhas indiscutíveis aptidões.

Afinal de contas deve haver uma grande desinformação de alguns setores ligados a coletivos rebeldes,  à terra, povos indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais.

Creio que terei uma grande missão frente ao ministério da Agricultura. Basta lembrar uma feliz expressão de um antecessor meu nesse ministério, Cirne Lima, na década de 70 já dizia que a agropecuária seria expandida pela “missão civilizadora do boi”.

Naquele mesmo período, que alguns teimosamente insistem em chamar de ditadura civil militar, foi elaborado pelo ministro general Rangel Reis, um sábio projeto que com um canetaço acabaria com 80% dos índios sobreviventes no Brasil.  Um pequeno grupo de pessoas, especialmente do Cimi insuflaram os índios e infelizmente o projeto foi enterrado e não  mais vingou até hoje. Até que o Cabral, não aquele da invasão primeira, mas o da comissão de Sistematização na Constituinte, em 1987, apresentou proposta semelhante, segundo o qual os índios “aculturados”, deixariam de receber a proteção do Estado. Eram considerados aculturados os que falavam  português, vestiam roupas ou tinham relógio e coisas do gênero. Sua proposta também  foi derrotada.

Nas últimas décadas houve um grande esforço de parlamentares e do governo em agilizar a demarcação das terras indígenas, passando essa responsabilidade para o Congresso. Mais uma vez indígenas e quilombolas, a meu ver equivocadamente, obstruíram a aprovação dessas emendas constitucionais e portarias.

Agora é chegado o momento de avançar. No ministério da agricultura serei mais uma interlocutora do movimento indígena e outros movimentos sociais que quiserem se alinhar com a expansão da agricultura, trazendo mais lucros para o país e commodities para nossa economia. É claro que não vamos conseguir isso com enxadas ou flechas. Algum veneno eficaz vai sobrar na mesa de todo mundo. É o preço do progresso.

Estou lembrando de uma visita que os índios vieram me fazer, no ano  passado, na CNA (Conselho Nacional da Agricultura). Foi uma pena que eu não estava lá, pois creio que os convenceria das nobres intenções do agronegócio em relação às terras produtivas. Continuo acreditando, e o faço com muita fé, que não é de terra que os índios e quilombolas precisam, mas de uma articulação com os produtores rurais e subsídios federais.

Lembram daquele projeto de lei que liberaria 50% das terras indígenas para os dentes das motosserras e os cortantes discos dos tratores. Pena que um  grupinho de radicais continuam combatendo essas iniciativas do agronegócio.  Mas agora que ampliamos a nossa bancada no Congresso e eu agirei no Ministério da Agricultura, tudo será mais fácil. Temos tempos promissores pela frente. Quem sabe os índios e populações tradicionais descubram o caminho de meu ministério.

FONTE: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/537817-katiamente-falando

Financial Times: a extrema-esquerda está certa

Como nos anos 1930, algum tipo de ruptura é inevitável e se não for para a esquerda, pode ser na direção do fascismo ou do fundamentalismo

por Antonio Luiz M. C. Costa
AFP PHOTO/BEN STANSALL
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Loja da Starbucks pichada após manifestação de estudantes em Londres no último dia 19 de novembro

Quando um editor e colunista de primeira linha de um jornal financeiro mundialmente respeitado escreve dá razão à extrema-esquerda, é hora de parar, ler e pensar. Referimo-nos a Wolfgang Münchau, editor associado do Financial Times, no qual mantém uma coluna semanal sobre a economia europeia. O título desta, na edição do domingo, 23 de novembro foi: “a esquerda radical está certa sobre a dívida europeia”.

Refere-se, em especial, ao partido espanhol Podemos, ao grego Syriza e ao alemão Die Linke (“A Esquerda”), as duas primeiras formações novas criadas a partir de núcleos de origem no trotskismo e no movimento “antiglobalização” e o terceiro um descendente direto do Partido Comunista da antiga Alemanha Oriental. E explica: o consenso internacional dos analistas econômicos, não necessariamente de esquerda, é que a Zona do Euro precisa de reestruturação da dívida e investimentos no setor público, mas partidos como esses são os únicos nos quais se pode votar para defender esse programa. Social-democratas e socialistas, uma vez no governo, aceitaram a agenda conservadora de Angela Merkel em todos os seus pontos essenciais.

A coluna analisa com mais detalhe o Podemos, o mais jovem desses partidos e “o que chega mais perto de oferecer um enfoque consistente para uma política econômica pós-crise”. O programa exposto pelo economista Nacho Álvarez, um dos membros da cúpula do partido, baseia-se em renegociação das taxas de juros, períodos de graça, reescalonamento e anulação parcial da dívida, à maneira de alguns países sul-americanos. Ao contrário do “Movimento 5 Estrelas italiano”, cujo objetivo declarado é tirar o país do euro, o Podemos “não é a favor de sair do euro, nem de fazer mais sacrifícios por ele”.

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Encontro do Podemos, partido político recém-criado na Espanha, realizado em Madri no último dia 15 de novembro

Para Münchau, é uma posição equilibrada, por mais que se queira tachá-la de bolivariana. “A tragédia da Zona do Euro é o senso de resignação com que os partidos do centro-esquerda e centro-direita estão deixando a Europa deslizar para o equivalente econômico de um inverno nuclear. É uma tragédia particular que partidos da ultra-esquerda sejam os únicos a apoiar políticas sensatas como a reestruturação da dívida”.

No atual estado de coisas, o absurdo está em pensar que a dívida é sustentável e o problema se resolverá por si só, como se fosse possível ignorar que o continente caminha para uma longa estagnação que, mais cedo ou mais tarde, tornará impossível cumprir esses compromissos financeiros e pode levar à desintegração política e econômica.

A começar dos anos 1980, se não desde o maio de 1968, tornou-se uma obsessão por parte dos agentes do poder financeiro e político não permitir que movimentos políticos e sociais proponham alternativas reais sem serem ridicularizados. Qualquer tentativa de mudar o mundo deve ser percebida como fantasia ociosa. TINA, “There is no alternative”, era o lema favorito de Margaret Thatcher e desde então o consenso dominante da mídia e da política não fazem mais do que repeti-lo em diferentes formulações.

Acontece que o rumo ao qual conduz o pensamento único no qual se embutiu a ideia de que os interesses do sistema financeiro são supremos e sagrados começa a se tornar visivelmente inviável. É evidentemente insustentável a longo prazo por razões ecológicas, mas antes disso cai na pura impossibilidade de contábil e política de pagar as dívidas públicas e privadas e poupar as instituições financeiras das consequências de seus próprios erros, enquanto se mantém uma grande parte da população desempregada e ameaçada de perder suas moradias e os serviços sociais dos quais depende para sobreviver com dignidade. Como nos anos 1930, algum tipo de ruptura é inevitável e se não for para a esquerda, pode ser na direção do fascismo ou do fundamentalismo.

FONTE: http://www.cartacapital.com.br/internacional/financial-times-a-extrema-esquerda-esta-certa-2993.html?utm_content=buffer8bf9f&utm_medium=social&utm_source=twitter.com&utm_campaign=buffer

Movimento para parar chuva de agrotóxicos no Brasil

Movimento pede fim de pulverização aérea de agrotóxico

Por Rafael Zanvettor, Caros Amigos

No dia 3 de dezembro militantes contra o uso de agrotóxico por todo o mundo irão tomar as ruas no Dia Internacional do Não Uso dos Agrotóxicos, organizado no Brasil pela Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. A campanha é uma articulação permanente entre diversos movimentos sociais, sindicais e setores de toda a sociedade civil contra o uso dos agrotóxicos.

A campanha existe há quatro anos, e começou motivada pela mobilização contra os impactos dos agrotóxicos à saúde pública, que atingem diversos territórios e envolvem diferentes grupos populacionais, como trabalhadores rurais, moradores do entorno de fazendas, além de toda a população brasileira, que de um modo ou outro acaba consumindo alimentos contaminados. A posição que o Brasil ocupa desde 2008, como maior consumidor de agrotóxicos do mundo faz com que a mobilização seja ainda mais pertinente.

Chuva de veneno

Além da óbvia pauta principal, contra o uso dos agrotóxicos, existem cinco pontos que são almejados pelo movimento a um prazo mais curto. O primeiro deles é a pressão contra a pulverização aérea, ou seja, a aplicação de agrotóxicos por avião. O coordenador da campanha, o engenheiro Alan Tygel, afirma que o uso dessa forma de dispersão de substâncias químicas é extremamente prejudicial e já deveria estar proibido, como na Europa, onde a prática é vetada desde 2009.

“A gente sabe que uma pequeníssima parte desse veneno atinge de fato as plantas e o resto contamina rios, o solo e expõe as populações que moram no entorno das plantações a tomar chuvas de veneno, como a gente viu em Goiás, em uma escolinha de Rio Verde, entre outros casos”, disse ele, se referindo ao caso da contaminação de funcionários e alunos de uma escola do assentamento rural Pontal dos Buritis, na cidade de Rio Verde.

Milho transgênico causa danos no Paraná

No caso, os frequentadores da escola foram envenenados pelo agrotóxico Engeo Pleno responsável pelo aparecimento, em longo prazo, de câncer, lesões hepáticas, doenças no sistema nervoso, distúrbios hormonais e malformação. Vômitos, dores intensas na cabeça e falta de ar ocorrem de imediato ao contato com o pesticida, sintomas apresentados pelos 92 contaminados.

Segundo ele, houve algumas vitórias parciais em alguns municípios onde a pulverização aérea foi pontualmente proibida. O engenheiro cita o caso em Limoeiro do Norte (CE), quando Zé Maria do Tomé, líder comunitário e ambientalista, foi assassinado por denunciar as consequências da pulverização aérea de agrotóxicos na região da Chapada do Apodi. O militante foi assassinado uma semana após a aprovação da proibição da pulverização aérea, que caiu um mês após sua morte.

Banimento dos “banidos”

Outro ponto reivindicado pela campanha é a proibição de agrotóxicos que já foram banidos no exterior ou que têm comprovadamente efeitos nefastos para a saúde. “Há diversas substâncias que já foram proibidas nos EUA, na Europa, e até na China e aqui segue sendo uma espécie de uma lixeira tóxica”. No Brasil, a pressão pela proibição já conseguiu alguns avanços, mas ainda anda a pequenos passos. Entre 2010 e 2011, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conseguiu encaminhar a avaliação de 14 substâncias, das quais 4 já foram banidas. Infelizmente, há outras dez relatorias da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto nacional do Câncer que foram engavetados pela pressão da bancada ruralista.

“No ano passado a gente teve o Congresso aprovando a importação de agrotóxicos proibidos no Brasil em caráter de emergência, quando se detectou o surto da lagarta Helicoverpa armigera na Bahia  e se disse que a única solução para essa praga seria uma substância, o benzoato de emamectina, uma substância que já foi proibida no Brasil duas vezes por ser neurotóxica, causar danos neurológicos, e o Congresso permitiu  a importação dessa substância passando por cima dos órgãos de saúde e meio ambiente que a haviam proibido”, lembra o engenheiro. Após a eleição, o fortalecimento dos ruralistas tornará o cenário ainda mais desolador.

Bancada ruralista

Não por outro motivo, a bancada ruralista no Congresso Nacional é a grande inimiga da campanha, e será o alvo da mobilização do dia 3 de dezembro. “Há uma pressão muito forte vindo desses setores do Congresso que são financiados pelo agronegócio, que agem portanto em seu próprio interesse, e agem no sentido de aprovar cada vez mais leis que permitem um uso maior de agrotóxicos”.

Em um caso exemplar, em 2012, um dos gerentes da Anvisa, Luis Claudio Meirelles, foi demitido por pressão do agronegócio, após denunciar irregularidades na liberação de seis agrotóxicos, que foram liberados sem passar pelas avaliações toxicológicas necessárias e com uma falsificação de sua assinatura. “Ele foi demitido porque era alguém que estava lá para cuidar dos interesses da população em termos de saúde”, afirma Alan Tygel.

Isenção tóxica

Além da pulverização área e do banimento de alguns agrotóxicos, ainda há a questão da isenção de impostos sobre os produtos. Os agrotóxicos gozam de um regime de isenção inacreditável dado o prejuízo que eles dão para nossa saúde.

Transgênicos

Inevitavelmente, não se pode falar do uso de agrotóxicos sem falar de transgênicos. Segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), de 2001 a 2012, a venda de agrotóxicos no Brasil passou de 328.413 toneladas para 823.226 toneladas, o que representa um crescimento de 288,41%. As datas de aumento rápido do uso de agrotóxicos coincidem com o uso oficial e não oficial de transgênicos no Brasil. Entre 2002 e 2003 começaram as primeiras denúncias de uso ilegal de transgênicos, que entravam pela Argentina. A partir de 2004, com o uso dos transgênicos praticamente consolidado, o governo aprova e regulamenta seu uso.

Para o engenheiro, “a questão dos transgênicos tira completamente a soberania nacional enquanto produtores de sementes. Hoje, se a Monsanto resolve parar de fornecer sementes de milho transgênicos vai haver um caos no Brasil porque quase 90% de nossa produção é transgênica”.

Alternativas

Apesar do cenário difícil, há uma alternativa ao uso do agronegócio imposto pela agroindústria. A engenheira agrônoma Francileia Paulade Castro afirma que o Brasil já tem uma ampla experiência no modelo de produção agroecológico. “Nós temos no Brasil, várias experiências de produção de alimentos de base orgânica que adota os princípios da agroecologia, utilizados, por exemplo, em alguns acampamentos da reforma agrária”, afirma ela. A agroecologia propõe um modelo de produção sem o uso de agrotóxicos ou adubos químicos, focada no equilíbrio entre a produção alimentícia e a natureza.

Segundo ela, com a experiência acumulada da agroecologia, é possível produzir alimentos em larga escala. Visto que 70% da produção alimentícia do País é realizada pela agricultura familiar, não seria difícil implantar os princípios da agroecologia pelo País.

Com a agroecologia, é possível produzir sem o uso de agrotóxicos, através das chamadas caldas naturais, como extratos de alho, fumo, cavalinha, pimenta, pó de rocha, argila, cinza de madeira etc. Mais importante que isso, no entanto, é a manutenção do equilíbrio natural do ambiente. “A agroecologia propõe o equilíbrio da produção de alimentos. Com esse equilíbrio não há a necessidade de uso de agrotóxicos porque o ambiente está em harmonia, e não há os altos índices de ataques de pragas”, afirma ela.

O coordenador da camanha Alan Tygel cita também como solução a construção de zonas livres de agrotóxicos e transgênicos. “É fundamental que a gente consiga estabelecer áreas em que seja proibido o uso de agrotóxicos e transgênicos para que a agroecologia possa se desenvolver de forma plena.”

Falta de incentivo

Por outro lado, o que poderia ser uma solução esbarra na falta de incentivo, crédito e políticas públicas para fortalecer os agricultores familiares. Segundo a engenheira, são necessários “mais recursos para pesquisas em tecnologias para aumentar a produtividade dos produtos orgânicos e mecanismos de comercialização para que o produto orgânico não seja caro. Queremos ofertar um produto orgânico pelo mesmo preço do não orgânico, mas para isso o produtor precisa receber crédito e assistência técnica. E infelizmente, a oferta de assistência técnica hoje ainda é no viés do adubo químico e do agrotóxico, o que dificulta a produção orgânica. E sem crédito e incentivo fica difícil para o agricultor realizar a produção orgânica”.

Segundo ela, é necessário que o governo faça uma escolha do modelo de produção, “porque os dois são incompatíveis. O agronegócio diz que é possível conciliar, mas é impossível, há diversas comunidades que estão sendo impactadas porque ao lado tem uma plantação que acaba contaminando os lençóis freáticos”.

Mais informações podem ser obtidas no site da campanha, clicando aqui.

FONTE: http://www.mst.org.br/node/16781

Absolvição de policial que matou jovem negro desarmado gera protestos nos Estados Unidos

Por Valor, com Associated Press

SÃO PAULO  –  Milhares de pessoas, de Los Angeles à Nova York, realizaram centenas de protestos – a maioria pacíficos – nesta terça-feira nos Estados Unidos, contra a decisão do júri de não indiciar um policial branco pela morte de um jovem negro desarmado em Ferguson (Missouri). 

Em todo o país houve marchas com cartazes e gritos de “Mão para cima. Não disparem”, o chamado para convocar as pessoas a protestar contra as mortes causadas pela polícia. De acordo com a CNN, estavam programados protestos em mais de 115 cidades do país. 

Os principais distúrbios ocorreram em St. Louis e Oakland, onde os manifestantes invadiram as rodovias e cercaram os carros com as mãos para o alto. 

Grupos de algumas dezenas e de várias centenas de pessoas se concentraram em Chicago, Denver, Salt Lake City, Boston e várias outras cidades. Na capital Washington, pessoas segurando cartazes com a mensagem “Justiça para Michael Brown” se aglomeraram na frente da Casa Branca.

“Mike Brown é o emblema [de um movimento]. O país está em ebulição”, disse Ethan Jury, que se juntou as centenas de manifestantes na Filadélfia. “Quantos mais têm de morrer? Quantos negros têm de morrer?”

O protesto estava programado antes mesmo do anúncio da decisão do júri de que o policial Darren Wilson não será acusado pela morte a tiros do jovem Michael Brown, de 18 anos. 

O caso de Ferguson, com fortes implicações raciais, tem gerado tensões e debates sobre as relações entre a comunidade e as forças da ordem em cidades com grandes áreas de subúrbio de população majoritariamente negra.

Em Oackland (Califórnia), centenas de manifestantes carregando cartazes com a mensagem “O povo diz culpado” fecharam uma rodovia e várias ruas, atacaram lojas e carros policiais. Mais de 40 pessoas foram detidas por lançarem garrafas, quebrar janelas e iniciar pequenos incêndios, segundo a prefeita Jean Quan em comunicado. Não houve registro de feridos graves. 

Em Los Angeles, as manifestações foram majoritariamente pacíficas com um breve bloqueio da rodovia interestadual 110, segundo informações da imprensa local.

Em St. Louis, centenas de manifestantes marcharam em um local próximo a outro tiroteio envolvendo a polícia e fecharam a rodovia interestadual 44. Não houve ataques aos automóveis.

Em Ferguson, foram registrados ataques contra patrulhas policiais e edifícios. Os manifestantes levantaram barricadas e gritaram insultos à polícia, que respondeu lançando granadas de gás. Moradores reportaram sons de tiros nas ruas e a ocorrência de vários incêndios.

Em Seattle, uma passeata bloqueava periodicamente o tráfego nos cruzamentos, enquanto que a polícia apenas observava. Depois da marcha pacífica, os manifestantes começaram a lançar latas, garrafas e pedras. Cinco pessoas foram detidas. 

Em Nova York, a família de Eric Garner, que morreu asfixiado ao ser detido por um policial meses atrás, se juntou ao reverendo Al Sharpton, que lamentou a decisão do júri em Ferguson em um discurso do Harlem.

“Estamos do lado de Michael Brown para lutar pelo o que é certo”, afirmou o reverendo. “Perdemos o primeiro round, mas a luta não acabou.”

Centenas de pessoas marcharam do sul de Manhattan a Times Square. Os manifestantes chegaram a bloquear brevemente várias pontes. 

FONTES: http://www.valor.com.br/internacional/3793354/eua-tem-dia-de-protestos-contra-decisao-de-ferguson#ixzz3K7JV1Ejl

O drama interminável do neodesenvolvimentismo e as hidrelétricas na Amazônia

Entre a cheia e o vazio: o que se mostra e o que é escondido em torno do Complexo Madeira

POR LUIS FERNANDO NOVOA GARZON  

O documentário “Entre a Cheia e o Vazio” (link ao final do texto) é um recorte de uma batalha de sentidos em torno dos efeitos de larga escala produzidos pelas Usinas Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira, o afluente mais caudaloso do Amazonas. Batalha que se intensificou com a chamada “cheia histórica” de 2014, ampliada pela retenção de água nos dois reservatórios, e que prossegue nesse exato momento em que estudos preliminares indicam que os elevados níveis de assoreamento do rio podem resultar, em 2015, numa cheia de proporções similares, ainda que com menor volume de precipitações.

As consequências do duplo barramento (e que pretende ser triplo com o aproveitamento da Cachoeira de Ribeirão) de um rio com tamanha descarga sólida, em períodos muito concentrados de tempo, só estão sendo avaliadas a posteriori e muito limitadamente. Além de expropriarem o rio e seus usos sociais, procuram expropriar a capacidade de percepção e inteligibilidade do território recriado.

A região do Médio e Alto Madeira e seus tributários vai se convertendo em um corredor de exportação (inter-regional a princípio) de energia enquanto commodity; a gerar lotes de energia pré-negociados, cotados no “mercado livre” de energia que norteia, ponta-cabeça, o “mercado regulado” que deveria servir à nação. Nesse quadro de privatização crescente de todos os setores de infraestrutura, as concessões elétricas trazem embutidas cessões territoriais, para as quais concorrem outros setores com uso intensivo de recursos naturais, como a mineração e o agronegócio. Nesse reembaralhamento das posses e das jurisdições, os desastres técnico-ambientais sempre serão apresentados como “naturais” e “inevitáveis”.

Nosso documentário procura, nos 25 minutos em que foi concebido, recolocar as polaridades e conflitos invisibilizados pelos Consórcios e seus sócios nos governos, parlamento, judiciário e grande mídia. De um lado, a construção da calamidade “sem culpados”; de outro, a identificação de causas coadjuvantes e das consequências sociais muito diferenciadas da “supercheia”. Os vazios deliberados de informação, em que foram escoradas as licenças e outorgas obtidas pelas concessionárias privadas (Suez e Odebrecht), propiciaram um regime de operação totalmente imprevidente dos reservatórios. Como fica comprovado no filme, a UHE Santo Antônio tinha aumentado, com autorização da ANEEL, a cota de seu reservatório para 71,5 justamente nos primeiros meses de 2014, quando começaram a se avolumar as precipitações nos formadores do rio Madeira.

Pode-se notar, nas falas cruzadas dos gerentes das duas usinas, o desconcerto deles elidindo ou transferindo “erros” de uma para outra. A acoplagem dos depoimentos desses dirigentes que tiveram a vazão do rio sob seu controle durante a cheia foi equivalente a uma acareação recheada de atos falhos. Claro que, perante o MPF e especialistas independentes, todos procuram atestar plena isenção sobre as ocorrências e seus agravantes. Ao invés de uma postura de transparência e socialização dos dados reais do cronograma de enchimento dos reservatórios, o que deixaram transparecer foi uma postura premeditadamente defensiva de quem teme investigações e novos estudos que atestarão inaceitáveis margens de risco para a população e o meio ambiente.

Vivemos em um ambiente de insegurança ambiental permanente e tudo o que mais precisamos nesse momento é acesso à informação que vem sendo omitida e censurada sobre as inter-relações entre a cheia e os reservatórios. O documentário expõe a necessidade de que as empresas e o IBAMA apresentem os estudos já feitos e os por serem feitos, e que especialistas e cientistas – que não sejam nem consultores das empresas nem funcionários do governo – possam apresentar um parecer independente sobre esses dados.

No mínimo, o que se exige é que os Consórcios comecem imediatamente a reparar os danos amplificados pelos seus reservatórios, a começar pela recuperação das casas e das comunidades ribeirinhas que pagaram um preço muito alto para “fornecer energia para o Brasil”. Ao contrário disso, o que vem ocorrendo é a destituição das últimas comunidades ribeirinhas e bairros “beiradeiros” através da atuação “higienista” da Defesa Civil nas três esferas de governo. A meta é unidirecional: evacuar todas as pessoas e comunidades das agora chamadas “áreas de risco”, sem se preocupar com a criação de novas áreas de risco, já que as causas não estão sendo consideradas. Enquanto os fatores geradores de risco não forem levados em conta, Porto Velho e toda a região do Madeira serão uma indeterminada e extensa área de risco, incluindo o Acre, que tem situada nessa zona sua única via de acesso terrestre ao conjunto do país, agora sujeita a “inundações crônicas”.

A agonia do rio Madeira e de todos os modos de vida nele imbricados tornou-se cenário agora para uma política deliberada de silenciamento sobre os variados desastres que se consumaram no projeto Complexo Madeira. O pacto de silêncio se estende da presidência, passa pelas agências setoriais, pelo Judiciário, leal engavetador em segunda instância, e chega até algumas grandes ONGs que assim revelam suas conexões mais que diretas com o mundo corporativo.

 O Secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que chegou a ser bombeiro no governo Lula, deu recente declaração incendiária, sob medida para ficar no posto no segundo mandato de Dilma. Disse que do Complexo Hidrelétrico do Tapajós “não abrirão mão”. Por que precisaria, ele, o “interlocutor do social” – do malfadado social-liberalismo –, abrir fogo contra o rio Tapajós e suas comunidades? O argumento usado como justificativa explicita como esse governo se torna refém voluntário dos conglomerados privados. O motivo para seguir com o projeto Tapajós seria o de tornar o Estado (e a “cidadania”, presume-se) mais presente na região amazônica, falta essa que seria o grande “erro de Belo Monte”.

Falemos claro, com os modelos de concessão para aproveitamento de recursos naturais vigentes no país, e com o estiolamento do sistema de licenciamento ambiental, todos sabemos que são os monopólios privados os que se fazem presentes de fato. Talvez por isso não haja menção sobre o fracasso e as incertezas cada vez mais certas quanto à viabilidade do Complexo Madeira. Nem se cogita ocorrência de “falhas” ou uma remota possibilidade de o Estado ter “chegado antes das consequências das obras”, como se admite no caso de Belo Monte.

 E no caso do Madeira, o que fica? A depender dos promotores e legitimadores dessa interminável frente de despossessão, só apagamento e amnésia. E não adianta supor compensações do tipo uma monstruosidade ali, uma preservação acolá. O que vemos, medimos e sentimos aqui é que o pior não tem chão ou piso, o pior é uma queda livre que leva de roldão todos os limites de tolerabilidade anteriores. Quanto maior o apagamento dos danos, devastações e crimes perpetrados na implantação das usinas no rio Madeira, maior será a força auto-legitimatória para impor licenciamentos expressos do Complexo Tapajós, das UHEs Tabajara, Marabá, Santo Antônio do Jari, São Manuel e dezenas de outros projetos hidrelétricos em toda a Amazônia.

Documentário – Entre a cheia e o vazio

Assista em: http://correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10238:videos131114&catid=74:videos&

FONTE: http://correiocidadania.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=10249:manchete131114&catid=72:imagens-rolantes

Depois de Pezão, Paulo Melo tem cassação pedida pela Procuradoria Regional Eleitoral

Procuradoria pede cassação do deputado Paulo Melo


Presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Melo, (PMDB), deputado estadual reeleito está em maus lençóis. É que a Procuradoria Regional Eleitoral no Rio de Janeiro (PRE/RJ) representou contra o parlamentar por compra de votos na Justiça Eleitoral. Ele pode ter o diploma cassado e ser obrigado a pagar multa, que varia de R$ 1 mil a R$ 50 mil.

Em 5 de outubro, fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) flagraram dois eleitores recebendo R$ 50 por votarem em Paulo Melo. A informação foi confirmada em depoimento. O fato aconteceu na casa de um cabo eleitoral do político, onde foi encontrada uma lista com dados pessoais de 150 pessoas contendo nome, endereço, data de nascimento, título e local de votação, além de santinhos e adesivos do deputado. Eles foram denunciados pela Promotoria Eleitoral por corrupção passiva eleitoral.

“A existência de verdadeiro comitê na residência do cabo eleitoral, juntamente com a listagem apreendida, na qual se observa mais de uma centena de eleitores que votariam em Paulo Melo, bem como a comprovação de promessa de pagamento em dinheiro, são elementos que demonstram de maneira irrefutável o ilícito eleitoral”, declara a procuradora regional eleitoral substituta Adriana Farias, autora da representação.

FONTE: http://blogs.odia.ig.com.br/justicaecidadania/2014/11/24/procuradoria-pede-cassacao-do-deputado-paulo-melo/